Foram encontradas 188 questões.
2651273
Ano: 2022
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Parauapebas-PA
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Parauapebas-PA
Provas:
Para visitar uma grande vinícola, 253 turistas foram divididos
em 4 grupos de modo que cada um participasse de somente
um grupo. O coordenador da visitação colocou, inicialmente,
60 pessoas em cada grupo. Posteriormente, uma urna com 4
bolas, enumeradas de 1 a 4, foi utilizada, com reposição, para
distribuir os turistas restantes de forma que cada um retirasse
uma bola da urna e fosse em direção ao grupo indicado. Após
a formação de todos grupos, é correto afirmar que:
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2651272
Ano: 2022
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Parauapebas-PA
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Parauapebas-PA
Provas:
Os irmãos Paulo e Pedro estão praticando esgrima e apostaram R$ 10,00 em cada partida. Ao finalizarem a última partida,
Paulo venceu 4 das apostas e Pedro terminou com um saldo
de R$ 30,00. Assim, quantas partidas os irmãos praticaram?
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2651271
Ano: 2022
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Parauapebas-PA
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Parauapebas-PA
Provas:
Alessandra, Bianca e Catarina se reuniram em um shopping
para assistirem a um filme. As três amigas foram com o mesmo
modelo de tênis, porém com cores distintas. Sabe-se que um
tênis era azul, outro era amarelo e, o último, rosa. Das afirmativas seguintes, considere que somente uma é verdadeira:
• Alessandra está com o tênis rosa.
• Bianca não está com o tênis amarelo.
• Catarina não está com o tênis rosa.
Com base nessas informações, é correto afirmar que:
• Alessandra está com o tênis rosa.
• Bianca não está com o tênis amarelo.
• Catarina não está com o tênis rosa.
Com base nessas informações, é correto afirmar que:
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2651270
Ano: 2022
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Parauapebas-PA
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: Consulplan
Orgão: Câm. Parauapebas-PA
Provas:
Considere que, na sequência de figuras a seguir, há uma regra
lógica envolvendo sua formação.

Se tal regra for mantida na construção das próximas figuras, qual alternativa poderá representar a 768ª figura?

Se tal regra for mantida na construção das próximas figuras, qual alternativa poderá representar a 768ª figura?
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Língua Portuguesa: uma herança maldita?
Há uns bons anos, o debate público sobre a língua trazia
como novidade a noção de variante linguística, que, por si só,
tornava obsoleta a velha noção de erro gramatical. O que poderia haver, em determinadas circunstâncias, era o desvio da
norma-padrão, sendo esta uma das variedades da língua – notadamente a de maior prestígio social – entre outras também
válidas.
Nessa variante, rechaçada pelas classes letradas, a estrutura sintática é mais sintética que a da norma-padrão: o pronome “nós” já assinala o sujeito, que não precisaria ser repetido
na desinência verbal “-mos” de “pegamos”, e o artigo “os” já
assinala o plural, que não precisaria ser repetido na desinência
de plural “-s” “de peixes”. Em suma: “Nós pegamos os peixes” e
“Nós pega os peixe” têm o mesmo grau de eficiência comunicativa, sendo variantes de estrato social (chamadas “variantes
diastráticas”).
Se, de um ponto de vista essencialmente gramatical, as
duas construções são válidas, a sociedade se vê obrigada a
aceitar que o ensino da norma-padrão é elitista, pois valoriza
o registro da classe dominante. A discussão desloca-se, portanto, do terreno da gramática para o da sociologia.
Sendo a norma-padrão a norma dos estratos mais altos
e mais bem escolarizados da sociedade, claro está que essas
pessoas são os seus defensores naturais (ou assim se presume). Os estratos menos escolarizados, usuários de variantes de menor prestígio, por sua vez, dificilmente se engajam
nesse debate, que é, afinal, acadêmico. A classe média, no entanto, é o estrato que parece mais preocupado com a questão
do preconceito linguístico, decorrente dessa diferença de prestígio entre as variantes.
Que fazer, então, para eliminar o odioso preconceito linguístico? Foram (e têm sido) muitos os textos e livros publicados
sob essa rubrica, mas, na prática, o que se via era uma atitude
condescendente em relação às variantes de baixo prestígio e a
continuação da adoção da norma-padrão como cânone nas
escolas. O professor passou a levar a questão das variantes para
a sala de aula, mas continuava a ensinar a norma-padrão, que é,
afinal, a variante mais cultivada pelos escritores da tradição e,
em razão de seus recursos, aparentemente mais apropriada
para a escrita de textos filosóficos, científicos e jurídicos, entre
outros.
Hoje, esse debate ganhou novos contornos. A norma-padrão passou do status de variante elitista, que deveria ser
apreendida durante a vida escolar, ao de língua do colonizador,
tida agora como um repositório ideológico eurocêntrico, que se
impôs no Brasil mediante o apagamento de diferentes matrizes
culturais. Estamos diante de um problema bem mais complexo.
Conquanto se fale muito no apagamento de importantes
matrizes culturais, especialmente as dos povos indígenas e as
dos africanos, suas marcas estão presentes no português do Brasil. A olho nu, estão no léxico comum e na toponímia (nomes
de lugares, cidades, acidentes geográficos, rios etc.) e, mais que
isso, pesquisadores têm buscado mostrar que o ritmo de nossa
fala e diversas características fonéticas do nosso português deitam raízes na influência africana em solo brasileiro.
A língua tem o poder de absorver e refletir os jogos de
forças que se travam na sociedade. Mais importante do que
cascavilhar o dicionário em busca de expressões de conotação negativa “que devem ser evitadas” é empreender a luta
concreta em defesa dos direitos de todos os segmentos oprimidos, porque a língua, necessariamente, vai refletir as conquistas reais e concretas de todos.
Mesmo essa adesão, porém, ainda que bastante presente
no ambiente universitário, é pouca coisa diante da discussão
sobre “decolonização”, a qual, no plano da língua, se corporifica,
mais uma vez, na ojeriza à norma-padrão. A crítica, agora, parece subir de tom. Seu alvo não são mais as nossas “elites letradas” (as que aplicam as regras de concordância), mas a nossa
herança cultural eurocêntrica. Que fazer? Abolir a norma-padrão?
Queimar as gramáticas da língua portuguesa em praça pública?
Parece mais sensato deixar que a norma-padrão, que é
uma norma de referência para a produção de textos escritos
formais, vá sendo naturalmente alargada ou modificada, como,
de resto, tem ocorrido na história. A ideia de que a diversidade
deve substituir a unidade, pois esta seria falsa e opressiva enquanto aquela seria real, leva-nos a imaginar, no futuro, um
Estado das dimensões do Brasil como um território linguisticamente fragmentado. Essa questão, como se pode intuir, é política. Aguardemos
(NICOLETI, Thaís. Língua portuguesa: uma herança maldita? Folha de
São Paulo, 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/
thais-nicoleti/2022/08/lingua-portuguesa-uma-heranca-maldita.shtml.
Acesso em: 29/08/2022. Adaptado.)
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Língua Portuguesa: uma herança maldita?
Há uns bons anos, o debate público sobre a língua trazia
como novidade a noção de variante linguística, que, por si só,
tornava obsoleta a velha noção de erro gramatical. O que poderia haver, em determinadas circunstâncias, era o desvio da
norma-padrão, sendo esta uma das variedades da língua – notadamente a de maior prestígio social – entre outras também
válidas.
Nessa variante, rechaçada pelas classes letradas, a estrutura sintática é mais sintética que a da norma-padrão: o pronome “nós” já assinala o sujeito, que não precisaria ser repetido
na desinência verbal “-mos” de “pegamos”, e o artigo “os” já
assinala o plural, que não precisaria ser repetido na desinência
de plural “-s” “de peixes”. Em suma: “Nós pegamos os peixes” e
“Nós pega os peixe” têm o mesmo grau de eficiência comunicativa, sendo variantes de estrato social (chamadas “variantes
diastráticas”).
Se, de um ponto de vista essencialmente gramatical, as
duas construções são válidas, a sociedade se vê obrigada a
aceitar que o ensino da norma-padrão é elitista, pois valoriza
o registro da classe dominante. A discussão desloca-se, portanto, do terreno da gramática para o da sociologia.
Sendo a norma-padrão a norma dos estratos mais altos
e mais bem escolarizados da sociedade, claro está que essas
pessoas são os seus defensores naturais (ou assim se presume). Os estratos menos escolarizados, usuários de variantes de menor prestígio, por sua vez, dificilmente se engajam
nesse debate, que é, afinal, acadêmico. A classe média, no entanto, é o estrato que parece mais preocupado com a questão
do preconceito linguístico, decorrente dessa diferença de prestígio entre as variantes.
Que fazer, então, para eliminar o odioso preconceito linguístico? Foram (e têm sido) muitos os textos e livros publicados
sob essa rubrica, mas, na prática, o que se via era uma atitude
condescendente em relação às variantes de baixo prestígio e a
continuação da adoção da norma-padrão como cânone nas
escolas. O professor passou a levar a questão das variantes para
a sala de aula, mas continuava a ensinar a norma-padrão, que é,
afinal, a variante mais cultivada pelos escritores da tradição e,
em razão de seus recursos, aparentemente mais apropriada
para a escrita de textos filosóficos, científicos e jurídicos, entre
outros.
Hoje, esse debate ganhou novos contornos. A norma-padrão passou do status de variante elitista, que deveria ser
apreendida durante a vida escolar, ao de língua do colonizador,
tida agora como um repositório ideológico eurocêntrico, que se
impôs no Brasil mediante o apagamento de diferentes matrizes
culturais. Estamos diante de um problema bem mais complexo.
Conquanto se fale muito no apagamento de importantes
matrizes culturais, especialmente as dos povos indígenas e as
dos africanos, suas marcas estão presentes no português do Brasil. A olho nu, estão no léxico comum e na toponímia (nomes
de lugares, cidades, acidentes geográficos, rios etc.) e, mais que
isso, pesquisadores têm buscado mostrar que o ritmo de nossa
fala e diversas características fonéticas do nosso português deitam raízes na influência africana em solo brasileiro.
A língua tem o poder de absorver e refletir os jogos de
forças que se travam na sociedade. Mais importante do que
cascavilhar o dicionário em busca de expressões de conotação negativa “que devem ser evitadas” é empreender a luta
concreta em defesa dos direitos de todos os segmentos oprimidos, porque a língua, necessariamente, vai refletir as conquistas reais e concretas de todos.
Mesmo essa adesão, porém, ainda que bastante presente
no ambiente universitário, é pouca coisa diante da discussão
sobre “decolonização”, a qual, no plano da língua, se corporifica,
mais uma vez, na ojeriza à norma-padrão. A crítica, agora, parece subir de tom. Seu alvo não são mais as nossas “elites letradas” (as que aplicam as regras de concordância), mas a nossa
herança cultural eurocêntrica. Que fazer? Abolir a norma-padrão?
Queimar as gramáticas da língua portuguesa em praça pública?
Parece mais sensato deixar que a norma-padrão, que é
uma norma de referência para a produção de textos escritos
formais, vá sendo naturalmente alargada ou modificada, como,
de resto, tem ocorrido na história. A ideia de que a diversidade
deve substituir a unidade, pois esta seria falsa e opressiva enquanto aquela seria real, leva-nos a imaginar, no futuro, um
Estado das dimensões do Brasil como um território linguisticamente fragmentado. Essa questão, como se pode intuir, é política. Aguardemos
(NICOLETI, Thaís. Língua portuguesa: uma herança maldita? Folha de
São Paulo, 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/
thais-nicoleti/2022/08/lingua-portuguesa-uma-heranca-maldita.shtml.
Acesso em: 29/08/2022. Adaptado.)
I. “Essa questão, como se pode intuir, é política. Aguardemos.” (10º§)
Atitude de ordem, de imposição.
II. “O que poderia haver, em determinadas circunstâncias, era o desvio da norma-padrão, [...]” (1º§)
Possibilidade de realização de um fato futuro.
III. “A língua tem o poder de absorver e refletir os jogos de forças que se travam na sociedade.” (8º§)
Ação que acontece permanentemente.
IV. “Parece mais sensato deixar que a norma-padrão (...) vá sendo naturalmente alargada ou modificada, como, de resto, tem ocorrido na história.” (10º§)
Fato iniciado no passado, com continuidade no presente.
Está correto o que se afirma apenas em
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Há uns bons anos, o debate público sobre a língua trazia
como novidade a noção de variante linguística, que, por si só,
tornava obsoleta a velha noção de erro gramatical. O que poderia haver, em determinadas circunstâncias, era o desvio da
norma-padrão, sendo esta uma das variedades da língua – notadamente a de maior prestígio social – entre outras também
válidas.
Nessa variante, rechaçada pelas classes letradas, a estrutura sintática é mais sintética que a da norma-padrão: o pronome “nós” já assinala o sujeito, que não precisaria ser repetido
na desinência verbal “-mos” de “pegamos”, e o artigo “os” já
assinala o plural, que não precisaria ser repetido na desinência
de plural “-s” “de peixes”. Em suma: “Nós pegamos os peixes” e
“Nós pega os peixe” têm o mesmo grau de eficiência comunicativa, sendo variantes de estrato social (chamadas “variantes
diastráticas”).
Se, de um ponto de vista essencialmente gramatical, as
duas construções são válidas, a sociedade se vê obrigada a
aceitar que o ensino da norma-padrão é elitista, pois valoriza
o registro da classe dominante. A discussão desloca-se, portanto, do terreno da gramática para o da sociologia.
Sendo a norma-padrão a norma dos estratos mais altos
e mais bem escolarizados da sociedade, claro está que essas
pessoas são os seus defensores naturais (ou assim se presume). Os estratos menos escolarizados, usuários de variantes de menor prestígio, por sua vez, dificilmente se engajam
nesse debate, que é, afinal, acadêmico. A classe média, no entanto, é o estrato que parece mais preocupado com a questão
do preconceito linguístico, decorrente dessa diferença de prestígio entre as variantes.
Que fazer, então, para eliminar o odioso preconceito linguístico? Foram (e têm sido) muitos os textos e livros publicados
sob essa rubrica, mas, na prática, o que se via era uma atitude
condescendente em relação às variantes de baixo prestígio e a
continuação da adoção da norma-padrão como cânone nas
escolas. O professor passou a levar a questão das variantes para
a sala de aula, mas continuava a ensinar a norma-padrão, que é,
afinal, a variante mais cultivada pelos escritores da tradição e,
em razão de seus recursos, aparentemente mais apropriada
para a escrita de textos filosóficos, científicos e jurídicos, entre
outros.
Hoje, esse debate ganhou novos contornos. A norma-padrão passou do status de variante elitista, que deveria ser
apreendida durante a vida escolar, ao de língua do colonizador,
tida agora como um repositório ideológico eurocêntrico, que se
impôs no Brasil mediante o apagamento de diferentes matrizes
culturais. Estamos diante de um problema bem mais complexo.
Conquanto se fale muito no apagamento de importantes
matrizes culturais, especialmente as dos povos indígenas e as
dos africanos, suas marcas estão presentes no português do Brasil. A olho nu, estão no léxico comum e na toponímia (nomes
de lugares, cidades, acidentes geográficos, rios etc.) e, mais que
isso, pesquisadores têm buscado mostrar que o ritmo de nossa
fala e diversas características fonéticas do nosso português deitam raízes na influência africana em solo brasileiro.
A língua tem o poder de absorver e refletir os jogos de
forças que se travam na sociedade. Mais importante do que
cascavilhar o dicionário em busca de expressões de conotação negativa “que devem ser evitadas” é empreender a luta
concreta em defesa dos direitos de todos os segmentos oprimidos, porque a língua, necessariamente, vai refletir as conquistas reais e concretas de todos.
Mesmo essa adesão, porém, ainda que bastante presente
no ambiente universitário, é pouca coisa diante da discussão
sobre “decolonização”, a qual, no plano da língua, se corporifica,
mais uma vez, na ojeriza à norma-padrão. A crítica, agora, parece subir de tom. Seu alvo não são mais as nossas “elites letradas” (as que aplicam as regras de concordância), mas a nossa
herança cultural eurocêntrica. Que fazer? Abolir a norma-padrão?
Queimar as gramáticas da língua portuguesa em praça pública?
Parece mais sensato deixar que a norma-padrão, que é
uma norma de referência para a produção de textos escritos
formais, vá sendo naturalmente alargada ou modificada, como,
de resto, tem ocorrido na história. A ideia de que a diversidade
deve substituir a unidade, pois esta seria falsa e opressiva enquanto aquela seria real, leva-nos a imaginar, no futuro, um
Estado das dimensões do Brasil como um território linguisticamente fragmentado. Essa questão, como se pode intuir, é política. Aguardemos
(NICOLETI, Thaís. Língua portuguesa: uma herança maldita? Folha de
São Paulo, 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/
thais-nicoleti/2022/08/lingua-portuguesa-uma-heranca-maldita.shtml.
Acesso em: 29/08/2022. Adaptado.)
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Há uns bons anos, o debate público sobre a língua trazia
como novidade a noção de variante linguística, que, por si só,
tornava obsoleta a velha noção de erro gramatical. O que poderia haver, em determinadas circunstâncias, era o desvio da
norma-padrão, sendo esta uma das variedades da língua – notadamente a de maior prestígio social – entre outras também
válidas.
Nessa variante, rechaçada pelas classes letradas, a estrutura sintática é mais sintética que a da norma-padrão: o pronome “nós” já assinala o sujeito, que não precisaria ser repetido
na desinência verbal “-mos” de “pegamos”, e o artigo “os” já
assinala o plural, que não precisaria ser repetido na desinência
de plural “-s” “de peixes”. Em suma: “Nós pegamos os peixes” e
“Nós pega os peixe” têm o mesmo grau de eficiência comunicativa, sendo variantes de estrato social (chamadas “variantes
diastráticas”).
Se, de um ponto de vista essencialmente gramatical, as
duas construções são válidas, a sociedade se vê obrigada a
aceitar que o ensino da norma-padrão é elitista, pois valoriza
o registro da classe dominante. A discussão desloca-se, portanto, do terreno da gramática para o da sociologia.
Sendo a norma-padrão a norma dos estratos mais altos
e mais bem escolarizados da sociedade, claro está que essas
pessoas são os seus defensores naturais (ou assim se presume). Os estratos menos escolarizados, usuários de variantes de menor prestígio, por sua vez, dificilmente se engajam
nesse debate, que é, afinal, acadêmico. A classe média, no entanto, é o estrato que parece mais preocupado com a questão
do preconceito linguístico, decorrente dessa diferença de prestígio entre as variantes.
Que fazer, então, para eliminar o odioso preconceito linguístico? Foram (e têm sido) muitos os textos e livros publicados
sob essa rubrica, mas, na prática, o que se via era uma atitude
condescendente em relação às variantes de baixo prestígio e a
continuação da adoção da norma-padrão como cânone nas
escolas. O professor passou a levar a questão das variantes para
a sala de aula, mas continuava a ensinar a norma-padrão, que é,
afinal, a variante mais cultivada pelos escritores da tradição e,
em razão de seus recursos, aparentemente mais apropriada
para a escrita de textos filosóficos, científicos e jurídicos, entre
outros.
Hoje, esse debate ganhou novos contornos. A norma-padrão passou do status de variante elitista, que deveria ser
apreendida durante a vida escolar, ao de língua do colonizador,
tida agora como um repositório ideológico eurocêntrico, que se
impôs no Brasil mediante o apagamento de diferentes matrizes
culturais. Estamos diante de um problema bem mais complexo.
Conquanto se fale muito no apagamento de importantes
matrizes culturais, especialmente as dos povos indígenas e as
dos africanos, suas marcas estão presentes no português do Brasil. A olho nu, estão no léxico comum e na toponímia (nomes
de lugares, cidades, acidentes geográficos, rios etc.) e, mais que
isso, pesquisadores têm buscado mostrar que o ritmo de nossa
fala e diversas características fonéticas do nosso português deitam raízes na influência africana em solo brasileiro.
A língua tem o poder de absorver e refletir os jogos de
forças que se travam na sociedade. Mais importante do que
cascavilhar o dicionário em busca de expressões de conotação negativa “que devem ser evitadas” é empreender a luta
concreta em defesa dos direitos de todos os segmentos oprimidos, porque a língua, necessariamente, vai refletir as conquistas reais e concretas de todos.
Mesmo essa adesão, porém, ainda que bastante presente
no ambiente universitário, é pouca coisa diante da discussão
sobre “decolonização”, a qual, no plano da língua, se corporifica,
mais uma vez, na ojeriza à norma-padrão. A crítica, agora, parece subir de tom. Seu alvo não são mais as nossas “elites letradas” (as que aplicam as regras de concordância), mas a nossa
herança cultural eurocêntrica. Que fazer? Abolir a norma-padrão?
Queimar as gramáticas da língua portuguesa em praça pública?
Parece mais sensato deixar que a norma-padrão, que é
uma norma de referência para a produção de textos escritos
formais, vá sendo naturalmente alargada ou modificada, como,
de resto, tem ocorrido na história. A ideia de que a diversidade
deve substituir a unidade, pois esta seria falsa e opressiva enquanto aquela seria real, leva-nos a imaginar, no futuro, um
Estado das dimensões do Brasil como um território linguisticamente fragmentado. Essa questão, como se pode intuir, é política. Aguardemos
(NICOLETI, Thaís. Língua portuguesa: uma herança maldita? Folha de
São Paulo, 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/
thais-nicoleti/2022/08/lingua-portuguesa-uma-heranca-maldita.shtml.
Acesso em: 29/08/2022. Adaptado.)
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Questão presente nas seguintes provas
Língua Portuguesa: uma herança maldita?
Há uns bons anos, o debate público sobre a língua trazia
como novidade a noção de variante linguística, que, por si só,
tornava obsoleta a velha noção de erro gramatical. O que poderia haver, em determinadas circunstâncias, era o desvio da
norma-padrão, sendo esta uma das variedades da língua – notadamente a de maior prestígio social – entre outras também
válidas.
Nessa variante, rechaçada pelas classes letradas, a estrutura sintática é mais sintética que a da norma-padrão: o pronome “nós” já assinala o sujeito, que não precisaria ser repetido
na desinência verbal “-mos” de “pegamos”, e o artigo “os” já
assinala o plural, que não precisaria ser repetido na desinência
de plural “-s” “de peixes”. Em suma: “Nós pegamos os peixes” e
“Nós pega os peixe” têm o mesmo grau de eficiência comunicativa, sendo variantes de estrato social (chamadas “variantes
diastráticas”).
Se, de um ponto de vista essencialmente gramatical, as
duas construções são válidas, a sociedade se vê obrigada a
aceitar que o ensino da norma-padrão é elitista, pois valoriza
o registro da classe dominante. A discussão desloca-se, portanto, do terreno da gramática para o da sociologia.
Sendo a norma-padrão a norma dos estratos mais altos
e mais bem escolarizados da sociedade, claro está que essas
pessoas são os seus defensores naturais (ou assim se presume). Os estratos menos escolarizados, usuários de variantes de menor prestígio, por sua vez, dificilmente se engajam
nesse debate, que é, afinal, acadêmico. A classe média, no entanto, é o estrato que parece mais preocupado com a questão
do preconceito linguístico, decorrente dessa diferença de prestígio entre as variantes.
Que fazer, então, para eliminar o odioso preconceito linguístico? Foram (e têm sido) muitos os textos e livros publicados
sob essa rubrica, mas, na prática, o que se via era uma atitude
condescendente em relação às variantes de baixo prestígio e a
continuação da adoção da norma-padrão como cânone nas
escolas. O professor passou a levar a questão das variantes para
a sala de aula, mas continuava a ensinar a norma-padrão, que é,
afinal, a variante mais cultivada pelos escritores da tradição e,
em razão de seus recursos, aparentemente mais apropriada
para a escrita de textos filosóficos, científicos e jurídicos, entre
outros.
Hoje, esse debate ganhou novos contornos. A norma-padrão passou do status de variante elitista, que deveria ser
apreendida durante a vida escolar, ao de língua do colonizador,
tida agora como um repositório ideológico eurocêntrico, que se
impôs no Brasil mediante o apagamento de diferentes matrizes
culturais. Estamos diante de um problema bem mais complexo.
Conquanto se fale muito no apagamento de importantes
matrizes culturais, especialmente as dos povos indígenas e as
dos africanos, suas marcas estão presentes no português do Brasil. A olho nu, estão no léxico comum e na toponímia (nomes
de lugares, cidades, acidentes geográficos, rios etc.) e, mais que
isso, pesquisadores têm buscado mostrar que o ritmo de nossa
fala e diversas características fonéticas do nosso português deitam raízes na influência africana em solo brasileiro.
A língua tem o poder de absorver e refletir os jogos de
forças que se travam na sociedade. Mais importante do que
cascavilhar o dicionário em busca de expressões de conotação negativa “que devem ser evitadas” é empreender a luta
concreta em defesa dos direitos de todos os segmentos oprimidos, porque a língua, necessariamente, vai refletir as conquistas reais e concretas de todos.
Mesmo essa adesão, porém, ainda que bastante presente
no ambiente universitário, é pouca coisa diante da discussão
sobre “decolonização”, a qual, no plano da língua, se corporifica,
mais uma vez, na ojeriza à norma-padrão. A crítica, agora, parece subir de tom. Seu alvo não são mais as nossas “elites letradas” (as que aplicam as regras de concordância), mas a nossa
herança cultural eurocêntrica. Que fazer? Abolir a norma-padrão?
Queimar as gramáticas da língua portuguesa em praça pública?
Parece mais sensato deixar que a norma-padrão, que é
uma norma de referência para a produção de textos escritos
formais, vá sendo naturalmente alargada ou modificada, como,
de resto, tem ocorrido na história. A ideia de que a diversidade
deve substituir a unidade, pois esta seria falsa e opressiva enquanto aquela seria real, leva-nos a imaginar, no futuro, um
Estado das dimensões do Brasil como um território linguisticamente fragmentado. Essa questão, como se pode intuir, é política. Aguardemos
(NICOLETI, Thaís. Língua portuguesa: uma herança maldita? Folha de
São Paulo, 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/
thais-nicoleti/2022/08/lingua-portuguesa-uma-heranca-maldita.shtml.
Acesso em: 29/08/2022. Adaptado.)
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Língua Portuguesa: uma herança maldita?
Há uns bons anos, o debate público sobre a língua trazia
como novidade a noção de variante linguística, que, por si só,
tornava obsoleta a velha noção de erro gramatical. O que poderia haver, em determinadas circunstâncias, era o desvio da
norma-padrão, sendo esta uma das variedades da língua – notadamente a de maior prestígio social – entre outras também
válidas.
Nessa variante, rechaçada pelas classes letradas, a estrutura sintática é mais sintética que a da norma-padrão: o pronome “nós” já assinala o sujeito, que não precisaria ser repetido
na desinência verbal “-mos” de “pegamos”, e o artigo “os” já
assinala o plural, que não precisaria ser repetido na desinência
de plural “-s” “de peixes”. Em suma: “Nós pegamos os peixes” e
“Nós pega os peixe” têm o mesmo grau de eficiência comunicativa, sendo variantes de estrato social (chamadas “variantes
diastráticas”).
Se, de um ponto de vista essencialmente gramatical, as
duas construções são válidas, a sociedade se vê obrigada a
aceitar que o ensino da norma-padrão é elitista, pois valoriza
o registro da classe dominante. A discussão desloca-se, portanto, do terreno da gramática para o da sociologia.
Sendo a norma-padrão a norma dos estratos mais altos
e mais bem escolarizados da sociedade, claro está que essas
pessoas são os seus defensores naturais (ou assim se presume). Os estratos menos escolarizados, usuários de variantes de menor prestígio, por sua vez, dificilmente se engajam
nesse debate, que é, afinal, acadêmico. A classe média, no entanto, é o estrato que parece mais preocupado com a questão
do preconceito linguístico, decorrente dessa diferença de prestígio entre as variantes.
Que fazer, então, para eliminar o odioso preconceito linguístico? Foram (e têm sido) muitos os textos e livros publicados
sob essa rubrica, mas, na prática, o que se via era uma atitude
condescendente em relação às variantes de baixo prestígio e a
continuação da adoção da norma-padrão como cânone nas
escolas. O professor passou a levar a questão das variantes para
a sala de aula, mas continuava a ensinar a norma-padrão, que é,
afinal, a variante mais cultivada pelos escritores da tradição e,
em razão de seus recursos, aparentemente mais apropriada
para a escrita de textos filosóficos, científicos e jurídicos, entre
outros.
Hoje, esse debate ganhou novos contornos. A norma-padrão passou do status de variante elitista, que deveria ser
apreendida durante a vida escolar, ao de língua do colonizador,
tida agora como um repositório ideológico eurocêntrico, que se
impôs no Brasil mediante o apagamento de diferentes matrizes
culturais. Estamos diante de um problema bem mais complexo.
Conquanto se fale muito no apagamento de importantes
matrizes culturais, especialmente as dos povos indígenas e as
dos africanos, suas marcas estão presentes no português do Brasil. A olho nu, estão no léxico comum e na toponímia (nomes
de lugares, cidades, acidentes geográficos, rios etc.) e, mais que
isso, pesquisadores têm buscado mostrar que o ritmo de nossa
fala e diversas características fonéticas do nosso português deitam raízes na influência africana em solo brasileiro.
A língua tem o poder de absorver e refletir os jogos de
forças que se travam na sociedade. Mais importante do que
cascavilhar o dicionário em busca de expressões de conotação negativa “que devem ser evitadas” é empreender a luta
concreta em defesa dos direitos de todos os segmentos oprimidos, porque a língua, necessariamente, vai refletir as conquistas reais e concretas de todos.
Mesmo essa adesão, porém, ainda que bastante presente
no ambiente universitário, é pouca coisa diante da discussão
sobre “decolonização”, a qual, no plano da língua, se corporifica,
mais uma vez, na ojeriza à norma-padrão. A crítica, agora, parece subir de tom. Seu alvo não são mais as nossas “elites letradas” (as que aplicam as regras de concordância), mas a nossa
herança cultural eurocêntrica. Que fazer? Abolir a norma-padrão?
Queimar as gramáticas da língua portuguesa em praça pública?
Parece mais sensato deixar que a norma-padrão, que é
uma norma de referência para a produção de textos escritos
formais, vá sendo naturalmente alargada ou modificada, como,
de resto, tem ocorrido na história. A ideia de que a diversidade
deve substituir a unidade, pois esta seria falsa e opressiva enquanto aquela seria real, leva-nos a imaginar, no futuro, um
Estado das dimensões do Brasil como um território linguisticamente fragmentado. Essa questão, como se pode intuir, é política. Aguardemos
(NICOLETI, Thaís. Língua portuguesa: uma herança maldita? Folha de
São Paulo, 2022. Disponível em: https://www1.folha.uol.com.br/blogs/
thais-nicoleti/2022/08/lingua-portuguesa-uma-heranca-maldita.shtml.
Acesso em: 29/08/2022. Adaptado.)
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