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1504587 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
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TEXTO 1


A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

A alternativa em que o termo ou expressão em destaque pode ser colocado entre vírgulas, sem alteração do sentido, é:

 

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1504586 Ano: 2018
Disciplina: Português
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TEXTO 1


A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

Somente uma das seguintes passagens do texto 1 (“A amizade”) apresenta valor semântico-discursivo de OPOSIÇÃO. Assinale-a.

 

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1504585 Ano: 2018
Disciplina: Português
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TEXTO 1


A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

A expressão destacada em “Até que tudo isso pode acontecer.” (linha 24) está CORRETAMENTE interpretada em:

 

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1504584 Ano: 2018
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TEXTO 1


A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

Assinale a alternativa em que NÃO é possível, no contexto linguístico, identificar A QUE ou A QUEM o termo destacado se refere.

 

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1504583 Ano: 2018
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TEXTO 1


A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

Observe o trecho a seguir:

“A experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade.” (linhas 10 e 11)

O termo destacado estará CORRETAMENTE interpretado, se substituído por:

 

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1504582 Ano: 2018
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TEXTO 1


A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

No texto 1 (“A amizade”), observa-se a presença de duas narrativas: a primeira sobre Jean-Christophe (linhas 6 a 18) e a segunda, sobre uma árvore solitária (linhas 31 a 37). A respeito dessas narrativas, NÃO é correto afirmar que

 

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1504581 Ano: 2018
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A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

Observe os trechos:

1. “Jean-Christophe compreendera a essência da amizade.” (linha 19)

2. “Depois vieram os caçadores de essências [...].” (linhas 34 e 35)

Sobre os significados dos termos destacados nas duas frases, é CORRETO afirmar que

 

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1504580 Ano: 2018
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A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

Observe o trecho a seguir:

“Nesse momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço.” (linhas 25 e 26).

A expressão destacada está CORRETAMENTE interpretada em:

 

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1504579 Ano: 2018
Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
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TEXTO 1


A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

O texto 1 (“A amizade”), de Rubem Alves, é uma crônica. No Pequeno Dicionário Houaiss (2015, p.274), encontra-se o seguinte verbete:

Crônica (crô.ni.ca) s.f. 1 HIST Registro de fatos históricos em ordem cronológica 2 LIT pequeno texto ger. baseado em fatos cotidianos 3 seção ou coluna de jornal sobre tema especializado.

De acordo com o texto lido e com o verbete do dicionário, é CORRETO afirmar que

 

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Disciplina: Português
Banca: Col.Mil. Belo Horizonte
Orgão: Col.Mil. Belo Horizonte
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TEXTO 1


A amizade


1 Lembrei-me dele e senti saudades... Tanto tempo que a gente não se vê! Dei-me conta, com uma

intensidade incomum, da coisa rara que é a amizade. E, no entanto, é a coisa mais alegre que a vida nos

dá. A beleza da poesia, da música, da natureza, as delícias da boa comida e da bebida perdem o gosto e

ficam meio tristes, quando não temos um amigo com quem compartilhá-las. Acho mesmo que tudo o que

5 fazemos na vida pode resumir-se nisto: a busca de um amigo, uma luta contra a solidão...

Lembrei-me de um trecho de Jean-Christophe, que li quando era jovem, e do qual nunca me

esqueci. Ramain Rolland descreve a primeira experiência com a amizade do seu herói adolescente. Já

conhecera muitas pessoas nos curtos anos de sua vida. Mas o que experimentava naquele momento era

diferente de tudo o que já sentira antes.

10 O encontro acontecera de repente, mas era como se já tivessem sido amigos a vida inteira. A

experiência da amizade parece ter suas raízes fora do tempo, na eternidade. Um amigo é alguém com

quem estivemos desde sempre.

Pela primeira vez, estando com alguém, não sentia necessidade de falar. Bastava a alegria de

estarem juntos, um ao lado do outro.

15 “Christophe voltou sozinho dentro da noite. Seu coração cantava „Tenho um amigo, tenho um

amigo!". Nada via. Nada ouvia. Não pensava em mais nada. Estava morto de sono e adormeceu, apenas

deitou-se. Mas, durante a noite, foi acordado duas ou três vezes, como que por uma ideia fixa. Repetia

para si mesmo: „Tenho um amigo", e tornava a adormecer.”

Jean-Christophe compreendera a essência da amizade. Amiga é aquela pessoa de cuja companhia

20 não é preciso falar. Você tem aqui um teste para saber quantos amigos você tem. Se o silêncio entre vocês

dois lhe causa ansiedade, se quando o assunto foge, você se põe a procurar palavras para encher o vazio e

manter a conversa animada, então a pessoa com quem você está não é amiga, porque um amigo é alguém

cuja presença procuramos não por causa daquilo que se vai fazer juntos: seja bater papo, comer, jogar,

tramar... Até que tudo isso pode acontecer. Mas, a diferença está em que, quando a pessoa não é amiga,

25 terminado o alegre e animado programa, vêm o silêncio e o vazio - que são insuportáveis. Nesse

momento, o outro se transforma num incômodo que entulha o espaço e cuja despedida se espera com

ansiedade.

Com o amigo é diferente. Não é preciso falar. Basta a alegria de estarem juntos, um ao lado do

outro. Amigo é alguém cuja simples presença traz alegria, independentemente do que se faça ou diga. A

30 amizade anda por caminhos que não passam pelos programas.

Uma estória oriental conta de uma árvore solitária que se via no alto da montanha. Não tinha sido

sempre assim. Em tempos passados, a montanha estivera coberta de árvores maravilhosas, altas e esguias,

que os lenhadores cortaram e venderam. Mas aquela árvore era torta, não podia ser transformada em

tábuas. Inútil para os seus propósitos, os lenhadores a deixaram lá. Depois vieram os caçadores de

35 essências em busca de madeiras perfumadas. Mas a árvore torta, por não ter cheiro algum, foi desprezada

e lá ficou. Por ser inútil, sobreviveu. Hoje ela está sozinha na montanha. Os viajantes se assentam sob a

sua sombra e descansam.

Um amigo é como aquela árvore. Vive de sua inutilidade. Pode até ser útil eventualmente, mas

não é isso que o torna um amigo. Sua inútil e fiel presença silenciosa torna a nossa solidão uma

40 experiência de comunhão. Diante do amigo, sabemos que não estamos sós. E alegria maior não pode existir.


(ALVES, Rubem. O Retorno e Terno. 13ª ed., Campinas, SP: Ed. Papirus, 1987. p. 11 -13. Texto adaptado.)

No texto 1 (“A amizade”), o objetivo do autor é

 

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