Magna Concursos

Foram encontradas 90 questões.

3506945 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto IV

Enunciado 4125921-1

Com base no texto IV, se os filhos, assim como os navios, foram feitos para singrar os mares, significa que os pais devem:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506944 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto III

Como ensinar

Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.

Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.

Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse ,o segredo que transforma letras e sílabas em estórias. É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura.vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.

Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.

ALVES, Rubem.

Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-

uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/

Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.

Assinale a opção cuja redação está em conformidade com a gramática normativa quanto à regência e apresenta verbo com a mesma transitividade que a observada em "Lemos estórias de batalhas[...]." (4°§)

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506943 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto III

Como ensinar

Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.

Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.

Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse ,o segredo que transforma letras e sílabas em estórias. É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura.vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.

Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.

ALVES, Rubem.

Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-

uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/

Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.

No trecho "Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse o segredo que transforma letras e silabas em estórias." (3º§), os termos sublinhados têm, respectivamente, as seguintes funções sintáticas:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506942 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto III

Como ensinar

Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.

Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.

Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse ,o segredo que transforma letras e sílabas em estórias. É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura.vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.

Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.

ALVES, Rubem.

Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-

uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/

Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.

No trecho "Pela leitura vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas [...]." (4º §), infere-se que a leitura:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506941 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto III

Como ensinar

Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.

Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.

Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse ,o segredo que transforma letras e sílabas em estórias. É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura.vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.

Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.

ALVES, Rubem.

Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-

uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/

Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.

No trecho "[...] ela mesma me pediria que lhe ensinasse [...]." (2º§), a concordância do termo destacado está em conformidade com a norma-padrão da língua. Em qual opção isso também ocorre?

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506940 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto III

Como ensinar

Se eu fosse ensinar a uma criança a arte da jardinagem, não começaria com as lições das pás, enxadas e tesouras de podar. Eu a levaria a passear por parques e jardins, mostraria flores e árvores, falaria sobre suas maravilhosas simetrias e perfumes; a levaria a uma livraria para que ela visse, nos livros de arte, jardins de outras partes do mundo. Aí, seduzida pela beleza dos jardins, ela me pediria para ensinar-lhe as lições das pás, enxadas e tesouras de podar.

Se fosse ensinar a uma criança a beleza da música, não começaria com partituras, notas e pautas. Ouviríamos juntos as melodias mais gostosas e lhe falaria sobre os instrumentos que fazem a música. Aí, encantada com a beleza da música, ela mesma me pediria que lhe ensinasse o mistério daquelas bolinhas pretas escritas sobre cinco linhas. Porque as bolinhas pretas e as cinco linhas são apenas ferramentas para a produção da beleza musical. A experiência da beleza tem de vir antes.

Se fosse ensinar a uma criança a arte da leitura, não começaria com as letras e as sílabas. Simplesmente leria as estórias mais fascinantes que a fariam entrar no mundo encantado da fantasia. Aí, então, com inveja dos meus poderes mágicos, ela desejaria que eu lhe ensinasse ,o segredo que transforma letras e sílabas em estórias. É muito simples. O mundo de cada pessoa é muito pequeno. Os livros são a porta para um mundo grande. Pela leitura.vivemos experiências que não foram nossas e então elas passam a ser nossas. Lemos a estória de um grande amor e experimentamos as alegrias e dores de um grande amor. Lemos estórias de batalhas e nos tornamos guerreiros de espada na mão, sem os perigos das batalhas de verdade. Viajamos para o passado e nos tornamos contemporâneos dos dinossauros. Viajamos para o futuro e nos transportamos para mundos que não existem ainda.

Lemos as biografias de pessoas extraordinárias que lutaram por causas bonitas e nos tornamos seus companheiros de lutas. Lendo, fazemos turismo sem sair do lugar. E isso é muito bom.

ALVES, Rubem.

Disponível em: https://www.revistaprosaversoearte.com/como-ensinar-

uma-extraordinaria-cronica-de-rubem-alves/

Acesso em 24 nov. 2023 - adaptado.

O autor inicia os três primeiros parágrafos do texto III com uma conjunção subordinativa condicional. Qual a intenção dele com essa repetição?

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506939 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto II

Por que escrever?

Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.

Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.

Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não· traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não· é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de· gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.

Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus, É por ela, a liberdade, que escrevo.

MEDEIROS, Martha. ln: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.

Disponível em:

https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-

escrever.ghtml

Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.

Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".

A autora ora se declara inapta ao exercício de diversas profissões, ora explicita vários motivos pelos quais escolheu a literatura. Assim, infere-se que ela:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506938 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto II

Por que escrever?

Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.

Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.

Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não· traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não· é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de· gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.

Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus, É por ela, a liberdade, que escrevo.

MEDEIROS, Martha. ln: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.

Disponível em:

https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-

escrever.ghtml

Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.

Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".

Ao afirmar: "Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda-feira." (3°§), a cronista reitera:

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506937 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto II

Por que escrever?

Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.

Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.

Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não· traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não· é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de· gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.

Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus, É por ela, a liberdade, que escrevo.

MEDEIROS, Martha. ln: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.

Disponível em:

https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-

escrever.ghtml

Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.

Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".

Analise as afirmativas abaixo acerca do texto II.

I- O poder da arte literária é enfatizado no último parágrafo do texto.

II - Segundo o texto, escrever diminui a dor da solidão e estimula a sinceridade.

III - Para a cronista, o ato de escrever depende de outras manifestações artísticas.

IV - O texto explicita o caráter libertário da escrita, a qual estimula a esperança.

Assinale a opção correta.

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas
3506936 Ano: 2024
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: Col. Naval
Provas:

Texto II

Por que escrever?

Escrevo para dar exclusividade à minha solidão. Para não parecer tão esquisita como pareceria se fosse uma solitária que não escreve. Escrevo para não desperdiçar a minha sinceridade. Sozinhos, somos mais sinceros do que quando socializamos. Escrevo para ficar quieta por mais tempo. Para não falar sobre a vida dos outros - escrever sobre eles dá menos problema. Escrevo porque não sei tocar guitarra, porque não aprendi a esculpir em madeira, porque meus glúteos são muito largos para o balé. Escrevo porque teria dificuldade de decorar o texto para uma peça, porque só sei desenhar uma casinha - e mal. Escrevo porque a literatura é uma arte discreta.

Escrevo porque não existe horário para começar, nem terminar, nem dia útil, nem dia inútil, nem ônibus para pegar, nem parada para descer, nem apito de fábrica, nem gerente, nem chefe (nem carteira assinada também, é o ônus). Escrevo porque gosto muito de ficar em casa. Nunca escrevo em quartos de hotéis, em trens, em espaços de coworking. Escrevo porque ninguém me acusa de estar me escondendo, mesmo que eu esteja. Escrevo porque dizem que a maioria dos homens não suporta mulheres que escrevem. Abençoo esta triagem. Só os corajosos me atraem.

Escrevo para me relacionar melhor com a morte. A morte não· traz benefícios para quem fabrica guarda-chuvas, atende em consultórios ou limpa vidraças. Mas ela costuma ser generosa com escritores: inspira e, se você for uma Clarice Lispector, eterniza. Escrevo porque não· é um trabalho de equipe. Escrevo para uma única pessoa: você, que ao me ler estará sozinho também (mesmo cercado de· gente) e em silêncio. Prefiro relações a dois. Escrevo para dar voz às minhas feras, bruxas, demônios. Escrevo porque posso ser malvada, traidora, desaforada, matar e morrer - e acordar ilesa na segunda feira. Escrevo para me consolar dos traumas de infância e para transformar as dores de amor em royalties - é uma compensação justa.

Escrevo porque escrever ativa a esperança. A esperança de ser lida, compreendida e amada. E a esperança de que meu texto sirva para fazer alguém se sentir menos estranho para si mesmo. Escrevo porque, se eu parecer louca, ninguém vai dar muita atenção. Periga até eu ganhar um prêmio. Escrevo porque enquanto estou escrevendo, estou lembrando. Escrevo porque nunca sei sobre o que irei escrever. É uma aventura constante revelar para mim mesma o que permanece desconhecido em mim. Em meu primeiro livro, ainda muito jovem, publiquei um verso que dizia: quanto mais escrava, mais escrevo. O tempo passou, me libertei de quase tudo o que me oprimia e devo isso a todos os livros que li, e aos meus, É por ela, a liberdade, que escrevo.

MEDEIROS, Martha. ln: Revista Ela O Globo, 30 set. 2023.

Disponível em:

https://oglobo.globo.com/ela/martha-medeiros/coluna/2023/09/por-que-

escrever.ghtml

Coworking - termo inglês cujo significado é "trabalhando junto". Remete a um modelo em que trabalhadores de diferentes empresas compartilham espaços e recursos de escritório para realizarem atividades laborais.

Royalty - termo inglês cujo significado é "compensação ou parte do lucro paga ao detentor de um direito qualquer".

Em que opção a análise do termo destacado está correta?

 

Provas

Questão presente nas seguintes provas