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Foram encontradas 50 questões.

1044669 Ano: 2016
Disciplina: Português
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH

A CULTURA DO ESTUPOR

Por Lucio Carvalho

Pelo menos que eu saiba, felizmente não vivo nem perto da cultura do estupro, mas vivo, sim, dentro da cultura do estupor. Vivemos todos. Não ouço piadas machistas. Não consumo nem ouço músicas apelativas ou com conteúdo violento nem sobre a mulher nem sobre ninguém. Não dou legitimidade nem por hipótese a preconceitos, seja de que espécie forem. Entretanto, porque não viva em contato direto com ela, a tal cultura do estupro, não é por isso que vou dizer que não exista. E isso porque esse é o mesmo comportamento negacionista de quem vive na cultura do estupor e não percebe.

A cultura do estupor é quase o mesmo que a cultura da indiferença, com a diferença de que ela implica numa espécie de assombro perpétuo perpetuamente sem ação, estéril, de quem não age, de quem não toma qualquer atitude, de quem tem toneladas de informação, mas ação que é bom, quase nenhuma. Na cultura da indiferença, por outro lado, há uma escolha prévia, o que a torna ainda mais comprometedora, pelo menos no que diz respeito as mentalidades. Dessa eu não vivo dentro, mas fatalmente vivo perto, porque em alguma medida todo mundo vive. Uns mais, outros menos.

Não estou querendo dizer que a cultura do estupor é mais grave que a do estupro porque não é, mas elas têm entre si um alto grau de parentesco, se é que uma não está contida na outra. Só que, enquanto uma vítima de estupro se vê forçada a reinventar a própria vida, na cultura do estupor às vítimas resta apenas trocar a fonte, o canal ou o link dos terrores diários. Sair e voltar a entrar no Facebook, por exemplo.

Mesmo dentro disso que chamo de cultura do estupor parece haver graus variados de acometimento. Pode ir do embasbacamento à inconsciência. Da surpresa à alienação. Da imobilidade à dessensibilização completa. Da empatia seletiva à misantropia, essa que parece ser sua forma mais extremada.

Confesso que tive de ler bastante sobre tudo o que se divulgou sobre a cultura do estupro após o trágico evento do RJ para entender como é que isso me afetava e a resposta que encontrei é que, como a maioria dos homens, pelo menos os que não tiveram a sombra do estupro rondando sua vida, é um assunto quase extraterreno. É como uma hipótese sobre a qual não se quer nem pensar. Mas isso é assim porque não estamos no lugar de ser sem mais nem menos uma vítima ocasional da situação e por isso minimizamos o horror alheio, submersos na cultura do estupor.

De certa maneira, eu penso que o bombardeio dos últimos dias, em sua extensa maioria feita por mulheres, foi providencial e embora acredite na necessidade de uma política penal eficiente contra os criminosos, é preciso vencer o estupor social. Denunciar e não só denunciar, não permitir a impunidade, desnormalizar a violência de gênero. Não se trata apenas de empatia, mas de um compromisso do laço humano em não fechar-se em si mesmo e na sua perspectiva individual. Nesse ponto de vista, a questão de violência de gênero é até primária e simples demais, mas é justamente (e não coincidentemente) dela, da integridade do corpo feminino, que viemos todos.

Lembro ainda que, assim como o estupro, violências sexuais acontecem diariamente – quase sempre na invisibilidade – contra pessoas com deficiência (especialmente a intelectual), crianças de qualquer sexo, gays, travestis, transgêneros, idosos e quaisquer pessoas em situação de vulnerabilidade. A violência é uma excrescência do convívio social e deve ser punida e combatida em sua origem, sob pena de sua permanente reprodução.

A questão é bem mais complexa que um meme. Embora se assuma rápida e repetidamente a atribuição de culpabilização social e se deseje fazer crer que esta seria uma característica encruada na sociedade brasileira, eu discordo dessa ideia. Penso que não existe este ente coletivo: a sociedade brasileira. Existem sociedades brasileiras. No plural. E a exacerbação da violência costuma acontecer em territórios conflagrados, não necessariamente os periféricos.

Discordo que a violência seja um traço cultural da sociedade brasileira, população acostumada a enfrentar violências e privações seculares sem maiores registros de levantes e revoltas populares. A violência extremada implica um complexo dinâmico envolvendo tanto a expressão do ódio quanto ao escasso cerceamento moral. Não por acaso costuma ocorrer contra segmentos vulneráveis, como os indígenas e moradores de rua eventualmente incinerados em espaços públicos, contra prostitutas e contra pessoas sem qualquer defesa.

Não se trata de invocar aqui mais uma vez a platitude da necessidade de investimento em educação, mas na de uma educação humanizante, cujos resultados não visem meramente o sucesso econômico e social, mas o aprendizado do humano, suas pulsões e de uma ética capaz de garantir, ou pelo menos promover, a integridade de todos e o respeito ao sujeito e às individualidades.

Ainda assim, apenas o investimento em educação pública poderia de fato reverter a banalização da violência e substituí-la por acesso a outros e mais complexos elementos culturais. É bem pouco simples, porque a cultura da violência parece também ser uma mimese de uma cultura de poder. Ou seja, reproduz-se com argumentos precários e de dominação violenta aquilo que em outras esferas econômicas e culturais está dito e representado de outra maneira, mas de uma forma essencialmente idêntica, que é a preponderância do poder econômico e sua simbologia.

Seja como for, é preciso seguir o exemplo das mulheres que, diante do horror de uma situação inadmissível como a que se repetiu recentemente no RJ, romperam justamente a acachapante cultura do estupor, como se irrompendo de dentro de uma bolha estourada. É absolutamente triste que precisemos de casos tão extremados para fazê-lo, mas esse é justamente o indicativo do alto grau de naturalização cultural da violência social em que vivemos todos.

A cultura do estupor funciona como a película dessa bolha, abrigando em seu interior diversos tipos de violência, entre as quais a de gênero e a própria cultura do estupro. Se regularmente é possível viver em seu interior longe de uma ou de outra, mais ou menos repugnante, é de perguntar como podemos nos abrigar dentro disso e com estes mesmos valores. E como e por que razões, uma vez saídos dali, desejaríamos voltar. A multiplicação de denúncias e o expurgo coletivo em função do crime de estupro coletivo, dessa vez no RJ, que não deveria ter existido nem sequer ter nenhuma função social, eu quero crer que pelo menos serviu para nos mostrar o quão hediondo é ter de viver sob a cultura do estupor e o quanto nos habituamos e dessensibilizamos em suas muitas derivações violentas.

Texto adaptado. Fonte: http://www.inclusive.org.br/arquivos/29417

Em “[...] embora acredite na necessidade de uma política penal eficiente contra os criminosos, é preciso vencer o estupor social.”, há, entre as orações, uma relação de

 

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1030565 Ano: 2016
Disciplina: Engenharia Civil
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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Conforme recomendações técnicas da ABNT, para os tipos de impermeabilização que requeiram substrato seco, a argamassa de regularização que receberá a impermeabilização deve ter idade mínima de

 

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1030564 Ano: 2016
Disciplina: Desenho Técnico e Industrial
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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O programa AutoCAD 2016 possui uma série de ferramentas para auxiliar no desenho de projetos. Existe uma ferramenta que permite desenhar cantos arredondados a partir de uma medida de raio definida pelo projetista. A seguir, é apresentado um exemplo de aplicação dessa ferramenta nas bordas de um dado desenho. O comando (em inglês) que diz respeito à ferramenta a qual se refere o enunciado da questão é

Enunciado 1030564-1

 

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1030563 Ano: 2016
Disciplina: Engenharia Civil
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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Estacas são elementos de fundação executados inteiramente por equipamentos ou ferramentas, sem que, em qualquer fase da execução, haja descida de pessoas. Existe uma série de tipos de estacas, cada qual adequada para um caso em particular. Assinale a alternativa que NÃO apresenta uma característica da estaca Franki.

 

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1030562 Ano: 2016
Disciplina: Engenharia Civil
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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Quando o solo está em processo de adensamento, pode ocorrer de o recalque do solo ser maior que o recalque da estaca ou tubulão. A esse processo, é dado o nome de

 

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1030561 Ano: 2016
Disciplina: Engenharia Civil
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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O canteiro de obra pode ser definido como uma área de trabalho fixa e temporária, onde se desenvolvem operações de apoio e execução de uma obra. Assinale a alternativa que NÃO está de acordo com as recomendações técnicas.

 

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1030560 Ano: 2016
Disciplina: Engenharia Civil
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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Nas estruturas de concreto, existe um procedimento conhecido por protensão, que consiste basicamente em aplicar um pré-alongamento inicial em armaduras constituídas por barras, fios isolados ou cordoalhas, para cumprir uma dada finalidade estrutural. Assinale a alternativa que apresenta um termo técnico que se refere à armadura de protensão mencionada no enunciado.

 

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1030559 Ano: 2016
Disciplina: Direito Administrativo
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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As modalidades de licitação na administração pública, para obras e serviços de engenharia, são determinadas em função de limites de valores estimados para a contratação. Assinale a alternativa que apresenta as modalidades de licitação na ordem do menor valor de contrato estimado para a que tem o maior valor de contrato estimado.

 

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1030558 Ano: 2016
Disciplina: Engenharia Civil
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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Uma das formas de contrato em obras públicas é aquela em que se contrata um empreendimento em sua integralidade, compreendendo todas as etapas das obras, serviços e instalações necessárias, sob inteira responsabilidade da contratada até a sua entrega ao contratante em condições de entrada em operação, atendidos os requisitos técnicos e legais para sua utilização em condições de segurança estrutural e operacional e com as características adequadas às finalidades para que foi contratada. Esse tipo de contrato é denominado

 

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1030557 Ano: 2016
Disciplina: Engenharia Civil
Banca: AOCP
Orgão: EBSERH
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Conforme a ABNT NBR 6118:2014, a capacidade de aderência entre o aço e o concreto está relacionada com o tipo de superfície da barra de aço. Assinale a alternativa que apresenta na ordem correta a superfície de barra de aço menos aderente para a mais aderente.

 

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