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Foram encontradas 80 questões.

2687957 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

O Outro

Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, autor dos versos ali estampados.

O secretário explicou-lhe que o assunto era de competência do Silva, encarregado do suplemento literário. O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-se, esperar?

Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação.

Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-lhe a pergunta.

— Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número tantos, em Belo Horizonte ...

O rosto da senhora se transfigurou:

— Belo Horizonte? O senhor tem certeza de que ele está em Belo Horizonte?

— Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir.

Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido pela dúvida:

— O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio Moura?

— Conheço, sim. Há muitos anos.

— Muitos? Que idade tem ele, mais ou menos?

— Fez cinqüenta há pouco tempo, a senhora não leu nos jornais a comemoração?

— Tem certeza de que não está enganado? Perdoe a insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura?

— Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.

A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com carinho. E, na ponta de longo silêncio:

— Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito obrigada. Desculpe.

Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência:

— Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinqüenta anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva.

Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor.

Carlos Drummond de Andrade

Quanto à gradação do substantivo, pode-se dizer que o autor utiliza uma forma analítica, presente na passagem:

 

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2687956 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

Me responda, sargento

Dez anos, sargento, apartada do João. Uma tarde, sem se despedir, montou no cavalinho pampa, em dez anos de espera nunca deu notícia. Com a morte do meu velho, que me deixou o sítio, quinze dias atrás lá estava eu, bem quieta, cuidando da casa e da criação, ajudada pelo meu afilhado José, esse anjo de oito aninhos. Quem vai entrando sem bater palma nem pedir licença? Chegou maltrapilho, chapéu na mão me rogou para fazer vida comigo. Mais de espanto que de saudade aceitei, bom ou mau, eu disse, é o meu João.

Nos primeiros dias foi bonzinho, quem não gosta de uma cabeça de homem no travesseiro? Logo começou a beber, não me valia em nada no sítio. Eu saía bem cedo com o menino a lidar na roça, o bichão ficava dormindo. Bocejando de chinelo e desfrutando as regalias, não quer castigar o corpinho, não joga um punhado de milho para as galinhas. Só então, sargento, burra de mim, descobri o mistério: ele voltou por amor da herança. Na primeira semana vendeu o leitão mais gordo do chiqueiro, não me deu satisfação, o sargento viu algum dinheiro? Nem eu.

Ontem chegou bêbado e de óculos escuro, espantou o menino para o terreiro e, fechados no quarto, bradou que eu tinha um amante, o meu afilhado bem que era filho e, antes de contar até três, eu dissesse o nome do pai. Por mais que, de joelho e mão posta, negasse que havia outro homem, por mim o testemunho dos vizinhos, ele me cobriu de palavrão, murro, pontapé. Pegou da espingarda, me bateu com a coronha na cabeça. Obrigou a rezar na hora da morte e pedir louvado. Que eu abrisse a boca, encostou o cano, fez que apertava o gatilho. Não satisfeito, sacou da garrucha, apagou o lampião a bala. Disparou dois tiros na minha direção, só não acertou porque me desviei. Uma bala se enterrou na porta, a outra furou a cortina, em três pedaços a cabeça do São Jorge.

Cansado de reinar, deitou-se vestido e de sapato, que a escrava servisse a janta na cama. Provou uma garfada e atirou o prato, manchando de feijão toda a parede: “Quero outra, esta não prestou”. Deus me acudiu, ao voltar com a bandeja ele roncava espumando pelo dente de ouro. Agarrei meu filho, chorando e rezando corri a noite inteira, ficasse lá no sítio era dona morta. E agora, sargento, que vai ser da minha vida, que é que eu faço?

Dalton Trevisan. O pássaro de cinco asas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1975.

O período em que a palavra sublinhada NÃO se classifica como numeral encontra-se na opção

 

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2687955 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

Me responda, sargento

Dez anos, sargento, apartada do João. Uma tarde, sem se despedir, montou no cavalinho pampa, em dez anos de espera nunca deu notícia. Com a morte do meu velho, que me deixou o sítio, quinze dias atrás lá estava eu, bem quieta, cuidando da casa e da criação, ajudada pelo meu afilhado José, esse anjo de oito aninhos. Quem vai entrando sem bater palma nem pedir licença? Chegou maltrapilho, chapéu na mão me rogou para fazer vida comigo. Mais de espanto que de saudade aceitei, bom ou mau, eu disse, é o meu João.

Nos primeiros dias foi bonzinho, quem não gosta de uma cabeça de homem no travesseiro? Logo começou a beber, não me valia em nada no sítio. Eu saía bem cedo com o menino a lidar na roça, o bichão ficava dormindo. Bocejando de chinelo e desfrutando as regalias, não quer castigar o corpinho, não joga um punhado de milho para as galinhas. Só então, sargento, burra de mim, descobri o mistério: ele voltou por amor da herança. Na primeira semana vendeu o leitão mais gordo do chiqueiro, não me deu satisfação, o sargento viu algum dinheiro? Nem eu.

Ontem chegou bêbado e de óculos escuro, espantou o menino para o terreiro e, fechados no quarto, bradou que eu tinha um amante, o meu afilhado bem que era filho e, antes de contar até três, eu dissesse o nome do pai. Por mais que, de joelho e mão posta, negasse que havia outro homem, por mim o testemunho dos vizinhos, ele me cobriu de palavrão, murro, pontapé. Pegou da espingarda, me bateu com a coronha na cabeça. Obrigou a rezar na hora da morte e pedir louvado. Que eu abrisse a boca, encostou o cano, fez que apertava o gatilho. Não satisfeito, sacou da garrucha, apagou o lampião a bala. Disparou dois tiros na minha direção, só não acertou porque me desviei. Uma bala se enterrou na porta, a outra furou a cortina, em três pedaços a cabeça do São Jorge.

Cansado de reinar, deitou-se vestido e de sapato, que a escrava servisse a janta na cama. Provou uma garfada e atirou o prato, manchando de feijão toda a parede: “Quero outra, esta não prestou”. Deus me acudiu, ao voltar com a bandeja ele roncava espumando pelo dente de ouro. Agarrei meu filho, chorando e rezando corri a noite inteira, ficasse lá no sítio era dona morta. E agora, sargento, que vai ser da minha vida, que é que eu faço?

Dalton Trevisan. O pássaro de cinco asas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1975.

Pode-se deslocar o pronome átono no período

 

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2687954 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

O Outro

Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, autor dos versos ali estampados.

O secretário explicou-lhe que o assunto era de competência do Silva, encarregado do suplemento literário. O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-se, esperar?

Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação.

Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-lhe a pergunta.

— Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número tantos, em Belo Horizonte ...

O rosto da senhora se transfigurou:

— Belo Horizonte? O senhor tem certeza de que ele está em Belo Horizonte?

— Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir.

Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido pela dúvida:

— O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio Moura?

— Conheço, sim. Há muitos anos.

— Muitos? Que idade tem ele, mais ou menos?

— Fez cinqüenta há pouco tempo, a senhora não leu nos jornais a comemoração?

— Tem certeza de que não está enganado? Perdoe a insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura?

— Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.

A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com carinho. E, na ponta de longo silêncio:

— Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito obrigada. Desculpe.

Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência:

— Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinqüenta anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva.

Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor.

Carlos Drummond de Andrade

Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada”. Quanto à classe gramatical a que pertencem, as palavras sublinhadas são, respectivamente,

 

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2687953 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

O Outro

Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, autor dos versos ali estampados.

O secretário explicou-lhe que o assunto era de competência do Silva, encarregado do suplemento literário. O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-se, esperar?

Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação.

Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-lhe a pergunta.

— Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número tantos, em Belo Horizonte ...

O rosto da senhora se transfigurou:

— Belo Horizonte? O senhor tem certeza de que ele está em Belo Horizonte?

— Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir.

Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido pela dúvida:

— O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio Moura?

— Conheço, sim. Há muitos anos.

— Muitos? Que idade tem ele, mais ou menos?

— Fez cinqüenta há pouco tempo, a senhora não leu nos jornais a comemoração?

— Tem certeza de que não está enganado? Perdoe a insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura?

— Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.

A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com carinho. E, na ponta de longo silêncio:

— Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito obrigada. Desculpe.

Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência:

— Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinqüenta anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva.

Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor.

Carlos Drummond de Andrade

Nos períodos seguintes as palavras sublinhadas classificam-se como numerais, à EXCEÇÃO de

 

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Questão presente nas seguintes provas
2687952 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

O Outro

Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, autor dos versos ali estampados.

O secretário explicou-lhe que o assunto era de competência do Silva, encarregado do suplemento literário. O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-se, esperar?

Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação.

Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-lhe a pergunta.

— Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número tantos, em Belo Horizonte ...

O rosto da senhora se transfigurou:

— Belo Horizonte? O senhor tem certeza de que ele está em Belo Horizonte?

— Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir.

Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido pela dúvida:

— O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio Moura?

— Conheço, sim. Há muitos anos.

— Muitos? Que idade tem ele, mais ou menos?

— Fez cinqüenta há pouco tempo, a senhora não leu nos jornais a comemoração?

— Tem certeza de que não está enganado? Perdoe a insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura?

— Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.

A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com carinho. E, na ponta de longo silêncio:

— Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito obrigada. Desculpe.

Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência:

— Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinqüenta anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva.

Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor.

Carlos Drummond de Andrade

A forma verbal sublinhada que está no modo subjuntivo encontra-se em

 

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2687951 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

Me responda, sargento

Dez anos, sargento, apartada do João. Uma tarde, sem se despedir, montou no cavalinho pampa, em dez anos de espera nunca deu notícia. Com a morte do meu velho, que me deixou o sítio, quinze dias atrás lá estava eu, bem quieta, cuidando da casa e da criação, ajudada pelo meu afilhado José, esse anjo de oito aninhos. Quem vai entrando sem bater palma nem pedir licença? Chegou maltrapilho, chapéu na mão me rogou para fazer vida comigo. Mais de espanto que de saudade aceitei, bom ou mau, eu disse, é o meu João.

Nos primeiros dias foi bonzinho, quem não gosta de uma cabeça de homem no travesseiro? Logo começou a beber, não me valia em nada no sítio. Eu saía bem cedo com o menino a lidar na roça, o bichão ficava dormindo. Bocejando de chinelo e desfrutando as regalias, não quer castigar o corpinho, não joga um punhado de milho para as galinhas. Só então, sargento, burra de mim, descobri o mistério: ele voltou por amor da herança. Na primeira semana vendeu o leitão mais gordo do chiqueiro, não me deu satisfação, o sargento viu algum dinheiro? Nem eu.

Ontem chegou bêbado e de óculos escuro, espantou o menino para o terreiro e, fechados no quarto, bradou que eu tinha um amante, o meu afilhado bem que era filho e, antes de contar até três, eu dissesse o nome do pai. Por mais que, de joelho e mão posta, negasse que havia outro homem, por mim o testemunho dos vizinhos, ele me cobriu de palavrão, murro, pontapé. Pegou da espingarda, me bateu com a coronha na cabeça. Obrigou a rezar na hora da morte e pedir louvado. Que eu abrisse a boca, encostou o cano, fez que apertava o gatilho. Não satisfeito, sacou da garrucha, apagou o lampião a bala. Disparou dois tiros na minha direção, só não acertou porque me desviei. Uma bala se enterrou na porta, a outra furou a cortina, em três pedaços a cabeça do São Jorge.

Cansado de reinar, deitou-se vestido e de sapato, que a escrava servisse a janta na cama. Provou uma garfada e atirou o prato, manchando de feijão toda a parede: “Quero outra, esta não prestou”. Deus me acudiu, ao voltar com a bandeja ele roncava espumando pelo dente de ouro. Agarrei meu filho, chorando e rezando corri a noite inteira, ficasse lá no sítio era dona morta. E agora, sargento, que vai ser da minha vida, que é que eu faço?

Dalton Trevisan. O pássaro de cinco asas. Rio de Janeiro, Civilização Brasileira, 1975.

Dentre as expressões sublinhadas NÃO se analisa como adjunto adverbial:

 

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2687950 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

O Outro

Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, autor dos versos ali estampados.

O secretário explicou-lhe que o assunto era de competência do Silva, encarregado do suplemento literário. O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-se, esperar?

Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação.

Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-lhe a pergunta.

— Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número tantos, em Belo Horizonte ...

O rosto da senhora se transfigurou:

— Belo Horizonte? O senhor tem certeza de que ele está em Belo Horizonte?

— Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir.

Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido pela dúvida:

— O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio Moura?

— Conheço, sim. Há muitos anos.

— Muitos? Que idade tem ele, mais ou menos?

— Fez cinqüenta há pouco tempo, a senhora não leu nos jornais a comemoração?

— Tem certeza de que não está enganado? Perdoe a insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura?

— Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.

A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com carinho. E, na ponta de longo silêncio:

— Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito obrigada. Desculpe.

Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência:

— Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinqüenta anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva.

Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor.

Carlos Drummond de Andrade

Em cada período há uma palavra que sublinhada. Aquela que cumpre a função de sujeito encontra-se em

 

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Questão presente nas seguintes provas
2687949 Ano: 2005
Disciplina: Português
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
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Leia atentamente o seguinte texto:

O Outro

Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou timidamente. E sacando da bolsa um recorte de jornal, perguntou-lhe se sabia o endereço de Emílio Moura, autor dos versos ali estampados.

O secretário explicou-lhe que o assunto era de competência do Silva, encarregado do suplemento literário. O Silva não ia demorar, estava na hora dele. Não queria sentar-se, esperar?

Ela recolheu cuidadosamente o fragmento e dispôs-se a aguardar o Silva, que, como acontece nessas ocasiões, tardou um pouquinho. Mas que tardasse dois anos, não fazia diferença, a julgar pelo semblante da senhora, de paciente determinação.

Diante do Silva, exibiu novamente o papelzinho e fez-lhe a pergunta.

— Endereço do Emílio Moura? Pois não, minha senhora. Com licença, deixe ver aqui no caderninho: rua tal, número tantos, em Belo Horizonte ...

O rosto da senhora se transfigurou:

— Belo Horizonte? O senhor tem certeza de que ele está em Belo Horizonte?

— Se está, no momento, não sei, minha senhora. Mas sempre morou lá, isso eu posso lhe garantir.

Nova mutação se operou na fisionomia da visitante, onde o desaponto parecia querer instalar-se, mas era combatido pela dúvida:

— O senhor ... o senhor conhece pessoalmente Emílio Moura?

— Conheço, sim. Há muitos anos.

— Muitos? Que idade tem ele, mais ou menos?

— Fez cinqüenta há pouco tempo, a senhora não leu nos jornais a comemoração?

— Tem certeza de que não está enganado? Perdoe a insistência, mas podia me fazer o retrato físico de Emílio Moura?

— Perfeitamente. Trata-se de um senhor alto, magro, cabelos ainda pretos, pequena costeleta, bigodinho, usa piteira e fuma cigarro de palha. Que mais? Meio calado, extremamente simpático, muito querido por todos. Completo a ficha: professor da Universidade, casado, com filhos.

A senhora olhava para o papel, dobrava-o, esboçava o gesto de jogá-lo fora, depois o desdobrava e alisava com carinho. E, na ponta de longo silêncio:

— Senhor Silva, este pedacinho de jornal me trouxe uma grande esperança e agora uma profunda decepção. Muito obrigada. Desculpe.

Ia retirar-se, sem que o Silva compreendesse níquel, mas voltou-se, e rapidamente desfolhou esta confidência:

— Há quatro anos ando à procura de Emílio Moura. Éramos muito amigos, ele fazia versos lindos, que eu, na qualidade de sua melhor amiga, lia em primeira mão. Um dia, contou-me que ia viajar para Montevidéu, onde ficaria algum tempo. Escreveu-me de lá duas vezes, e da segunda anunciava que seguiria para o Canadá. Nunca mais recebi a menor notícia. Ninguém sabe informar nada. Quando li no jornal esta poesia com o nome dele, fiquei cheia de esperança, mas agora não sei o que pensar. O senhor me diz que Emílio Moura tem cinqüenta anos e é professor em Belo Horizonte. O que eu conheço tem trinta e dois anos e nunca morou em Minas, que eu saiba, mas como os versos dele são parecidos com estes que o seu jornal publicou! A mesma doçura, uma sensação de fim de tarde, meio triste, o senhor não imagine ... Enganei-me. Desculpe mais uma vez, e passe bem, Sr. Silva.

Saiu, levando nas mãos o papelzinho, como uma flor.

Carlos Drummond de Andrade

“Na redação, o secretário fazia sua cozinha, quando a senhora, não primaveril, mas ainda não invernosa, dele se aproximou.” Nessa passagem sublinhada, o autor, quanto à personagem principal da crônica, fornece ao leitor uma informação acerca

 

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Questão presente nas seguintes provas
2687973 Ano: 2005
Disciplina: Matemática
Banca: Marinha
Orgão: EFOMM
Provas:

Sejam !$ \alpha !$ um arco do 1º quadrante e !$ \beta !$ um arco do 2º quadrante, tais que !$ cos \ \alpha = 0,8 !$ e !$ sen \ \alpha = 0,6 !$. O valor de !$ sen \ (\alpha + \beta) !$ é

Questão Anulada

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