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Foram encontradas 463 questões.

1142438 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Psicologia de um vencido
Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come, e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há-de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!
(Augusto dos Anjos)
Assinale a alternativa em que o termo, no texto, apresente função sintática idêntica à de Monstro de escuridão e rutilância (verso 2).
 

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1142405 Ano: 2019
Disciplina: Matemática
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Sejam !$ A,B \in \mathbb{R}^3 !$ dois pontos dados por !$ A=(4,-2,1) !$ e !$ B=(3,5,2) !$ e !$ \vec{v}=(2,-2,0) !$, o produto escalar dado por !$ \vec{v}^.\vec{AB} !$ será
 

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1131903 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Texto para a questão abaixo.
Religião e Bondade
Quantas maldades as religiões fizeram e ainda fazem em nome da bondade? Da inquisição na Idade Média, passando pela escravidão, pelo apartheid, pelos fundamentalismos contemporâneos e também pela intolerância religiosa no Brasil, resulta uma análise histórico-filosófica da relação entre religião e bondade.
No seu leito de morte, o filósofo francês judeu Henri Bergson (1859-1941) disse a um amigo, também filósofo, que na ocasião o visitava: “Passei a vida inteira procurando a verdade; deveria ter passado procurando ser bom”. Anos antes, esse grande e conhecido pensador quis se converter ao catolicismo, mas não o fez. Abriu mão da conversão, para ser solidário com seus irmãos e irmãs judeus, que foram dizimados durante a Segunda Guerra Mundial. Em outras palavras, negou a religião à qual gostaria de aderir, para ser bom. Exatamente ao abandonar a adesão à religião de que tanto gostava, ele tornou-se bom.Isso, contudo, não quer dizer que somente abandonando a religião alguém consegue ser bom.
Pensemos em São Francisco de Assis (1182-1226), conhecido como “pobrezinho de Assis”. Antes de sua conversão radical à fé cristã, sentia nojo dos “leprosos”, mal olhava para os pobres e não tinha qualquer vínculo afetivo profundo com a natureza. Após querer ser um cruzado, sonho comum a muitos jovens de seu tempo, Francisco conheceu uma tradução da Bíblia, quando estivera preso por causa de sua participação em um combate em Perúgia, na Itália. Acometido por algumas doenças, depois de um ano no cárcere, Francisco retorna ao lar transfigurado. Decidira abandonar tudo e seguir os passos de Cristo. Rapidamente, “converteu-se” aos pobres, aos leprosos e à natureza como um todo, passando a amá-los e protegê-los até a sua morte. Foi na religião que Francisco potencializou sua bondade universal.
Esses dois exemplos já nos deixam perceber a complexidade da relação entre religião e bondade. Podemos abandonar uma religião para exercer a bondade e podemos aderir a uma religião e, assim, fortalecer nossa capacidade de ser bondoso. Por outro lado, muitos exemplos históricos já nos fazem duvidar de que o simples fato de alguém ser religioso o leva a ser bom. Às vezes, como sabido, o que ocorre é o contrário.
O casamento entre altar religioso e poder político, na Idade Média, e também em outros momentos da história, nos mostra quando e como a religião, em nome da bondade, produz assassinatos, perseguições e outros diversos males. Quem lê o manual medieval de caça às bruxas, chamado O martelo das feiticeiras, de Heinrich Kraemer e James Sprenger, publicado originalmente em 1486, fica perplexo com a relação entre religião e maldade. Mulheres as mais diversas eram facilmente consideradas bruxas e deveriam ser perseguidas, silenciadas e mortas pelo fato de serem dotadas de “poderes demoníacos”.
Quantas mulheres foram assassinadas por não corresponderem aos ideais morais e religiosos da Igreja cristã? Em uma parte extremamente preconceituosa do referido livro, seus autores dizem que toda mulher é naturalmente torta, porque segue a primeira mulher, Eva, que nasceu da costela de Adão e a costela é torta. Por isso, toda mulher deveria ser corrigida, retificada, regulada, quando não presa e morta, caso não fosse corrigida.
A inquisição medieval não é a palavra final da maldade religiosa. Que se pense, agora, nos fundamentalismos religiosos contemporâneos. Homens-bomba, mulheres-bomba islâmicos, mas também Ku Klux Klan, movimento que se legitimava pela fé cristã, são sinais de que a maldade religiosa não morreu com o fim da Idade Média. O apartheid, por exemplo, foi institucionalizado pelo político e pastor protestante sul-africano Daniel François Malan (1874-1959), em 1948. Essa política segregacionista, que vinha se construindo por meio de medidas legais desde o início do século 20, produzindo a exclusão dos negros e a violência generalizada na África do Sul, durou até 1994. E isso ainda é pouco.
A escravidão de africanos e seus descendentes, que alimentou o desejo europeu de expansão econômica pela via da colonização, não somente foi legitimada pelas Igrejas católica e protestante, como também contou com teorias religiosas abomináveis, como aquela segundo a qual a pessoa negra não tinha alma humana, salvo se fosse batizada na fé cristã.
Isso transformou senhores de engenho no Brasil em benfeitores, uma vez que eles seriam responsáveis por “humanizarem” os escravos e as escravas, ao levá-los para as águas do batismo. A cruz descia goela abaixo, enquanto a chibata cortava corpos negros na América como um todo.
Também vale a pena lembrar da intolerância religiosa no Brasil. Cristãos falam que Deus é amor, porém alguns deles invadem terreiros de candomblé e de umbanda, destroem seus espaços e acreditam que estão promovendo a vontade de Deus. E a homofobia cristã? E a inferiorização da mulher em diversas religiões, sobretudo nas conhecidas religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo? Quem consegue enxergar bondade em práticas e teorias religiosas que promovem exclusão e diminuição do outro, ainda quando assim o fazem em nome do amor?
Isso tudo serve para mostrar que bondade e religião não são a mesma coisa. Como mostrado acima, a religião pode incentivar a maldade, a crueldade justamente em nome da bondade. Talvez seja esse o sentido do famoso ditado popular: “De boa intenção o inferno está cheio”. Os inquisidores medievais, por exemplo, não deveriam inquirir um “herege” querendo destruí-lo, mas só poderiam abordá-lo com misericórdia no coração. Aliás, deve-se lembrar que o tribunal da inquisição católica (também existiu inquisição protestante) era conhecido como “tribunal da misericórdia”. Quando o corpo de um herege queimava nas chamas por ordem do “braço secular”, que efetivamente enviava para o fogo aqueles e aquelas que a Igreja anteriormente havia julgado e condenado, os padres que participavam do processo deveriam ter o coração repleto de amor, pois estavam orando pela misericórdia divina e pela salvação de suas almas.
De fato, religião e bondade não são a mesma coisa. Mas, por que é assim? Por que discursos tão cheios de reverência ao sagrado, ao ser humano e à natureza muitas vezes produzem genocídio, ódio à diferença, ressentimento e práticas de exclusão? Qual a diferença da religião na vida de São Francisco de Assis para a religião (a mesma, diga-se de passagem) na vida dos inquisidores? Todas essas questões dependem diretamente do que chamamos de bondade. É a bondade que nos permite entender por que ora a religião condiciona práticas de destruição, ora a mesma religião pode possibilitar a bondade profunda das pessoas. Por isso, devemos perguntar: quando exercemos a bondade?
O que entendemos por bondade não possui qualquer traço individualista. É claro que muitas vezes falamos que alguém é bom individualmente, quando, por exemplo, possui um bom desempenho em um esporte coletivo ou mesmo individual. Falamos que alguém é um bom corredor e assim o dizemos pensando no indivíduo, que compete com os outros e os vence em uma competição. Portanto, é possível falar que alguém é bom justamente porque derrota os outros. Mas há uma outra bondade que não se refere à competitividade e nem pode gerar qualquer perspectiva individualista. Trata-se da bondade que se expressa nas relações de cooperação e solidariedade com os outros. Nessa bondade, o indivíduo é tanto melhor, quanto mais consegue fortalecer o outro. Por isso, nesse sentido, a bondade só existe quando o indivíduo se coloca como fonte de favorecimento da vida do outro. Em outras palavras, alteridade e bondade são termos que se interpenetram de ponta a ponta.
Toda a questão recai em saber o que significa a alteridade, o outro, que é o alvo da minha bondade. Ser outro não é ser alguém que eu não sou. Ser outro é ser irredutível a mim, é ser o radicalmente diferente, o que jamais pode ser assimilado ao meu modo de pensar, sentir e querer. Por isso, quando me relaciono com o outro, me relaciono com o inadequado, com o indizível, com aquele ou aquela que jamais pode ser enquadrado nos limites do meu conhecimento ou mesmo dos meus sentimentos. Relacionar-se com o outro é abrir mão de formas narcisistas de viver. Em outros termos, só nos relacionamos com o outro quando nos abrimos àquele ou àquela que jamais se identifica comigo por inteiro. Isso é extremamente difícil.
Quase sempre não nos relacionamos com o outro, mas com o que o outro pensa, com a cor da pele do outro, com a profissão que desempenha, com o time de futebol de alguém, com as crenças religiosas que ele ou ela tem. Quando rotulamos alguém, quando o enquadramos nos referenciais de nossa religião, quando o reduzimos à nossa moralidade, então, não mais nos relacionamos com o outro, mas com um objeto que pode ser usado, manipulado e, por vezes, descartado. Por isso, onde usamos e funcionalizamos alguém, matamos sua alteridade, destruímos seu modo de ser outro. Onde o outro aparece, relações gratuitas se estabelecem. (...)
Por vezes, a religião é um espaço de potencialização da bondade; outras vezes, é o contrário que acontece. Isso, talvez, nos possibilite pensar em um termômetro para a religiosidade humana: quanto mais uma religião me favorece a me abrir ao outro para fortalecer o seu caminho, melhor ela é. Quanto mais ela me fecha em mim mesmo, promovendo a ditadura do individualismo e do egocentrismo, por mais que fale de Deus, de amor ou de qualquer outra realidade sagrada, pior ela é.
Em outras palavras, a qualidade da experiência religiosa pode ser medida pela sua capacidade de promover a bondade humana. Foi exatamente isso que Dalai Lama falou para o teólogo brasileiro Leonardo Boff, no intervalo de um encontro promovido pela ONU, após ser perguntado por este qual seria a melhor religião. Sua resposta foi: “Aquela que te faz melhor”. Para explicar sua resposta, continuou: “Aquela que te faz mais compassivo é a melhor religião”. Não seria o mesmo que afirmar que a melhor religião é aquela que faz alguém mais bondoso? Se for assim, então, todos os ritos, mitos, dogmas, conceitos de Deus etc. só têm sentido se tornam o ser humano mais capaz de fortalecer outros humanos (sem contar a natureza como um todo). Por isso, quando a religião fortalece a maldade humana, melhor é abandoná-la para ficar com a bondade humana, pois é esta que nos permite entender a grandeza de qualquer divindade: ser capaz de tornar os seres humanos mais humanizados.
(Alexandre Marques Cabral. Departamento de Filosofia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Ciência Hoje, texto publicado em 12/9/2019. Disponível em cienciahoje.org.br)
Isso, talvez, nos possibilite pensar em um termômetro para a religiosidade humana: quanto mais uma religião me favorece a me abrir ao outro para fortalecer o seu caminho, melhor ela é.
O segmento após os dois-pontos, no período acima, em relação ao segmento anterior, exerce papel de
 

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1131894 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Texto para a questão abaixo.
Religião e Bondade
Quantas maldades as religiões fizeram e ainda fazem em nome da bondade? Da inquisição na Idade Média, passando pela escravidão, pelo apartheid, pelos fundamentalismos contemporâneos e também pela intolerância religiosa no Brasil, resulta uma análise histórico-filosófica da relação entre religião e bondade.
No seu leito de morte, o filósofo francês judeu Henri Bergson (1859-1941) disse a um amigo, também filósofo, que na ocasião o visitava: “Passei a vida inteira procurando a verdade; deveria ter passado procurando ser bom”. Anos antes, esse grande e conhecido pensador quis se converter ao catolicismo, mas não o fez. Abriu mão da conversão, para ser solidário com seus irmãos e irmãs judeus, que foram dizimados durante a Segunda Guerra Mundial. Em outras palavras, negou a religião à qual gostaria de aderir, para ser bom. Exatamente ao abandonar a adesão à religião de que tanto gostava, ele tornou-se bom.Isso, contudo, não quer dizer que somente abandonando a religião alguém consegue ser bom.
Pensemos em São Francisco de Assis (1182-1226), conhecido como “pobrezinho de Assis”. Antes de sua conversão radical à fé cristã, sentia nojo dos “leprosos”, mal olhava para os pobres e não tinha qualquer vínculo afetivo profundo com a natureza. Após querer ser um cruzado, sonho comum a muitos jovens de seu tempo, Francisco conheceu uma tradução da Bíblia, quando estivera preso por causa de sua participação em um combate em Perúgia, na Itália. Acometido por algumas doenças, depois de um ano no cárcere, Francisco retorna ao lar transfigurado. Decidira abandonar tudo e seguir os passos de Cristo. Rapidamente, “converteu-se” aos pobres, aos leprosos e à natureza como um todo, passando a amá-los e protegê-los até a sua morte. Foi na religião que Francisco potencializou sua bondade universal.
Esses dois exemplos já nos deixam perceber a complexidade da relação entre religião e bondade. Podemos abandonar uma religião para exercer a bondade e podemos aderir a uma religião e, assim, fortalecer nossa capacidade de ser bondoso. Por outro lado, muitos exemplos históricos já nos fazem duvidar de que o simples fato de alguém ser religioso o leva a ser bom. Às vezes, como sabido, o que ocorre é o contrário.
O casamento entre altar religioso e poder político, na Idade Média, e também em outros momentos da história, nos mostra quando e como a religião, em nome da bondade, produz assassinatos, perseguições e outros diversos males. Quem lê o manual medieval de caça às bruxas, chamado O martelo das feiticeiras, de Heinrich Kraemer e James Sprenger, publicado originalmente em 1486, fica perplexo com a relação entre religião e maldade. Mulheres as mais diversas eram facilmente consideradas bruxas e deveriam ser perseguidas, silenciadas e mortas pelo fato de serem dotadas de “poderes demoníacos”.
Quantas mulheres foram assassinadas por não corresponderem aos ideais morais e religiosos da Igreja cristã? Em uma parte extremamente preconceituosa do referido livro, seus autores dizem que toda mulher é naturalmente torta, porque segue a primeira mulher, Eva, que nasceu da costela de Adão e a costela é torta. Por isso, toda mulher deveria ser corrigida, retificada, regulada, quando não presa e morta, caso não fosse corrigida.
A inquisição medieval não é a palavra final da maldade religiosa. Que se pense, agora, nos fundamentalismos religiosos contemporâneos. Homens-bomba, mulheres-bomba islâmicos, mas também Ku Klux Klan, movimento que se legitimava pela fé cristã, são sinais de que a maldade religiosa não morreu com o fim da Idade Média. O apartheid, por exemplo, foi institucionalizado pelo político e pastor protestante sul-africano Daniel François Malan (1874-1959), em 1948. Essa política segregacionista, que vinha se construindo por meio de medidas legais desde o início do século 20, produzindo a exclusão dos negros e a violência generalizada na África do Sul, durou até 1994. E isso ainda é pouco.
A escravidão de africanos e seus descendentes, que alimentou o desejo europeu de expansão econômica pela via da colonização, não somente foi legitimada pelas Igrejas católica e protestante, como também contou com teorias religiosas abomináveis, como aquela segundo a qual a pessoa negra não tinha alma humana, salvo se fosse batizada na fé cristã.
Isso transformou senhores de engenho no Brasil em benfeitores, uma vez que eles seriam responsáveis por “humanizarem” os escravos e as escravas, ao levá-los para as águas do batismo. A cruz descia goela abaixo, enquanto a chibata cortava corpos negros na América como um todo.
Também vale a pena lembrar da intolerância religiosa no Brasil. Cristãos falam que Deus é amor, porém alguns deles invadem terreiros de candomblé e de umbanda, destroem seus espaços e acreditam que estão promovendo a vontade de Deus. E a homofobia cristã? E a inferiorização da mulher em diversas religiões, sobretudo nas conhecidas religiões monoteístas – judaísmo, cristianismo e islamismo? Quem consegue enxergar bondade em práticas e teorias religiosas que promovem exclusão e diminuição do outro, ainda quando assim o fazem em nome do amor?
Isso tudo serve para mostrar que bondade e religião não são a mesma coisa. Como mostrado acima, a religião pode incentivar a maldade, a crueldade justamente em nome da bondade. Talvez seja esse o sentido do famoso ditado popular: “De boa intenção o inferno está cheio”. Os inquisidores medievais, por exemplo, não deveriam inquirir um “herege” querendo destruí-lo, mas só poderiam abordá-lo com misericórdia no coração. Aliás, deve-se lembrar que o tribunal da inquisição católica (também existiu inquisição protestante) era conhecido como “tribunal da misericórdia”. Quando o corpo de um herege queimava nas chamas por ordem do “braço secular”, que efetivamente enviava para o fogo aqueles e aquelas que a Igreja anteriormente havia julgado e condenado, os padres que participavam do processo deveriam ter o coração repleto de amor, pois estavam orando pela misericórdia divina e pela salvação de suas almas.
De fato, religião e bondade não são a mesma coisa. Mas, por que é assim? Por que discursos tão cheios de reverência ao sagrado, ao ser humano e à natureza muitas vezes produzem genocídio, ódio à diferença, ressentimento e práticas de exclusão? Qual a diferença da religião na vida de São Francisco de Assis para a religião (a mesma, diga-se de passagem) na vida dos inquisidores? Todas essas questões dependem diretamente do que chamamos de bondade. É a bondade que nos permite entender por que ora a religião condiciona práticas de destruição, ora a mesma religião pode possibilitar a bondade profunda das pessoas. Por isso, devemos perguntar: quando exercemos a bondade?
O que entendemos por bondade não possui qualquer traço individualista. É claro que muitas vezes falamos que alguém é bom individualmente, quando, por exemplo, possui um bom desempenho em um esporte coletivo ou mesmo individual. Falamos que alguém é um bom corredor e assim o dizemos pensando no indivíduo, que compete com os outros e os vence em uma competição. Portanto, é possível falar que alguém é bom justamente porque derrota os outros. Mas há uma outra bondade que não se refere à competitividade e nem pode gerar qualquer perspectiva individualista. Trata-se da bondade que se expressa nas relações de cooperação e solidariedade com os outros. Nessa bondade, o indivíduo é tanto melhor, quanto mais consegue fortalecer o outro. Por isso, nesse sentido, a bondade só existe quando o indivíduo se coloca como fonte de favorecimento da vida do outro. Em outras palavras, alteridade e bondade são termos que se interpenetram de ponta a ponta.
Toda a questão recai em saber o que significa a alteridade, o outro, que é o alvo da minha bondade. Ser outro não é ser alguém que eu não sou. Ser outro é ser irredutível a mim, é ser o radicalmente diferente, o que jamais pode ser assimilado ao meu modo de pensar, sentir e querer. Por isso, quando me relaciono com o outro, me relaciono com o inadequado, com o indizível, com aquele ou aquela que jamais pode ser enquadrado nos limites do meu conhecimento ou mesmo dos meus sentimentos. Relacionar-se com o outro é abrir mão de formas narcisistas de viver. Em outros termos, só nos relacionamos com o outro quando nos abrimos àquele ou àquela que jamais se identifica comigo por inteiro. Isso é extremamente difícil.
Quase sempre não nos relacionamos com o outro, mas com o que o outro pensa, com a cor da pele do outro, com a profissão que desempenha, com o time de futebol de alguém, com as crenças religiosas que ele ou ela tem. Quando rotulamos alguém, quando o enquadramos nos referenciais de nossa religião, quando o reduzimos à nossa moralidade, então, não mais nos relacionamos com o outro, mas com um objeto que pode ser usado, manipulado e, por vezes, descartado. Por isso, onde usamos e funcionalizamos alguém, matamos sua alteridade, destruímos seu modo de ser outro. Onde o outro aparece, relações gratuitas se estabelecem. (...)
Por vezes, a religião é um espaço de potencialização da bondade; outras vezes, é o contrário que acontece. Isso, talvez, nos possibilite pensar em um termômetro para a religiosidade humana: quanto mais uma religião me favorece a me abrir ao outro para fortalecer o seu caminho, melhor ela é. Quanto mais ela me fecha em mim mesmo, promovendo a ditadura do individualismo e do egocentrismo, por mais que fale de Deus, de amor ou de qualquer outra realidade sagrada, pior ela é.
Em outras palavras, a qualidade da experiência religiosa pode ser medida pela sua capacidade de promover a bondade humana. Foi exatamente isso que Dalai Lama falou para o teólogo brasileiro Leonardo Boff, no intervalo de um encontro promovido pela ONU, após ser perguntado por este qual seria a melhor religião. Sua resposta foi: “Aquela que te faz melhor”. Para explicar sua resposta, continuou: “Aquela que te faz mais compassivo é a melhor religião”. Não seria o mesmo que afirmar que a melhor religião é aquela que faz alguém mais bondoso? Se for assim, então, todos os ritos, mitos, dogmas, conceitos de Deus etc. só têm sentido se tornam o ser humano mais capaz de fortalecer outros humanos (sem contar a natureza como um todo). Por isso, quando a religião fortalece a maldade humana, melhor é abandoná-la para ficar com a bondade humana, pois é esta que nos permite entender a grandeza de qualquer divindade: ser capaz de tornar os seres humanos mais humanizados.
(Alexandre Marques Cabral. Departamento de Filosofia, Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Ciência Hoje, texto publicado em 12/9/2019. Disponível em cienciahoje.org.br)
A respeito das ideias do texto, assinale a afirmativa que NÃO seja alcançada pela compreensão ou interpretação, mas seja fruto de extrapolação.
 

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1131870 Ano: 2019
Disciplina: TI - Desenvolvimento de Sistemas
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Uma estrutura de repetição é uma estrutura de desvio do fluxo de controle presente em linguagens de programação que realiza e repete diferentes ações, dependendo se uma condição for verdadeira ou falsa, em que a expressão é processada e transformada em um valor booleano. A esse respeito, analise as afirmativas a seguir:
I. Em uma estrutura de repetição do tipo PARA, o controle do laço é feito pelo uso de uma variável lógica, que é iniciada como VERDADEIRA, encerrando o laço ao ter seu valor modificado para FALSO.
II. Na estrutura de repetição do tipo ENQUANTO, o teste do controle é realizado por um teste lógico, no início do laço, e se esse teste for FALSO, logo na primeira execução, o laço não será executado nenhuma vez.
III. Apenas as estruturas de repetição do tipo PARA e REPITA possuem controle do laço por meio de variáveis lógicas.
IV. Na estrutura de repetição do tipo REPITA, o laço é executado pelo menos uma vez, pois o controle é realizado no final do laço apenas.
Assinale
 

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1119612 Ano: 2019
Disciplina: Comunicação Social
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Observe a fala a seguir:
Se um cachorro morde um homem, isso não é notícia. Mas se um homem morde um cachorro, isso vira destaque.
Essa noção reflete a seguinte característica da notícia:
 

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1119591 Ano: 2019
Disciplina: TI - Segurança da Informação
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Em segurança da informação, o termo ataque é definido como algum agente externo em ação na busca para obter algum tipo de retorno atingindo algum ativo de valor. Existem as mais variadas formas e tipos de ataques, entre eles:
I. difamação, obstrução;
II. interceptação, modificação;
III. interrupção, personificação.
Analise os itens acima e assinale
 

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1119572 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
Os anabolizantes e o cérebro
Entre as diversas substâncias utilizadas para ganho de massa muscular e aumento do desempenho esportivo, poucas são tão populares quanto os esteroides androgênicos anabolizantes. Seus riscos ao sistema cardiovascular, endócrino e hepático são muito conhecidos, mas pouco se fala das alterações no comportamento que também podem provocar. Depressão, ansiedade, aumento da agressividade e insônia são as mais comuns.
Antes de detalhar os efeitos psiquiátricos, é preciso saber que os esteroides são compostos orgânicos da mesma família do cortisol, hormônio relacionado à regulação do estresse. Por serem androgênicos, esses esteroides estimulam o desenvolvimento de características sexuais masculinas. E são anabolizantes porque estimulam a biossíntese (reações químicas que produzem proteínas, por exemplo) e o crescimento dos tecidos do corpo. Para simplificar, chamaremos os derivados sintéticos do hormônio masculino testosterona de anabolizantes ou, simplesmente, esteroides.
Apesar dos muitos relatos de “surtos de fúria” sofridos por usuários de anabolizantes, esse não é um quadro comum. Trata-se, na verdade, de um sintoma controverso, pois é difícil imputarmos sua causa unicamente aos anabolizantes. É comum o uso concomitante de outras substâncias, como estimulantes, hormônios tireoidianos, opioides e até drogas ilícitas, como cocaína e maconha. Além disso, não sabemos se algumas das pessoas que cometeram atos de violência quando usavam anabolizantes já apresentavam um histórico de desequilíbrio emocional.
O aumento da agressividade relatado pelos usuários, contudo, é bastante comum. Não são raros os relatos de homens e mulheres sem histórico de violência que agrediram seus companheiros depois que começaram a utilizar anabolizantes. Muitos usuários relatam que ficam mais impacientes, com menos tolerância à frustração e com maior tendência a reagir fisicamente a uma situação de estresse.
O aumento da agressividade é considerado, por alguns autores, como uma das explicações para o risco de suicídio observado entre usuários de anabolizantes. Em um determinado momento, o comportamento impulsivo e agressivo pode se voltar contra a própria pessoa, levando-a a atos irresponsáveis, comportamento sexual de risco e mesmo à tentativa de suicídio.
É difícil sabermos a quantidade exata de pessoas que usam anabolizantes no mundo. Estudos epidemiológicos no Brasil revelaram incidências que variam de 3% a 25%, dependendo da população e da região do país observadas. Devido em parte à nossa cultura de valorização de um corpo “sarado”, não é de se espantar que os brasileiros sejam grandes consumidores de anabolizantes e de outras drogas de controle da imagem corporal.
Mas não só no Brasil. Muitos autores consideram que os anabolizantes se tornaram um importante elemento de toda a cultura ocidental, influenciando a percepção de como um corpo masculino saudável deveria parecer. A mudança pode ser constatada na mídia, na publicidade e até mesmo nos brinquedos a partir da década de 1980, quando surgiram filmes estrelados por atores extremamente musculosos, e quando ocorreu a disseminação do consumo das chamadas “bombas” pela população em geral, muito além das fronteiras do esporte de elite.
Esse fenômeno levou à disseminação do uso das substâncias por atletas amadores e por pessoas que apenas desejam parecer mais saudáveis e atraentes. Sem as preocupações dos atletas com os testes antidoping, mas às vezes sem qualquer acompanhamento médico, homens e mulheres em todo o mundo se expõem aos riscos provocados pelos anabolizantes, diariamente.
A insônia é outro sintoma comum. Apesar de aparentemente não ser grave, é uma queixa que, muitas vezes, leva o usuário à automedicação ou ao uso abusivo de álcool e sedativos para dormir. Como já falamos, o uso de anabolizantes é um importante fator de risco para o consumo de outras drogas. Durante entrevistas realizadas por nossa equipe em uma clínica psiquiátrica especializada em dependência química, um usuário relatou que entrava em depressão quando interrompia os anabolizantes, o que o levava a recaídas no uso da cocaína.
Em alguns usuários de anabolizantes, foi identificado um distúrbio psiquiátrico chamado dismorfia muscular. Quem sofre desse transtorno tende a se perceber insuficientemente grande e forte, a despeito da hipertrofia muscular conquistada. Não se pode considerar, entretanto, que os anabolizantes sejam a causa desse tipo de transtorno dismórfico corporal. O uso dessas substâncias, porém, pode agravar as consequências de um distúrbio latente, e levar o indivíduo a desenvolver dependência.
A síndrome de dependência dos anabolizantes é uma entidade clínica estudada pelos professores e psiquiatras Harrison Pope e Gen Kanayama, da Universidade de Harvard. Grosso modo, essa síndrome se caracteriza por sintomas de tolerância (usos de doses cada vez maiores – ou a combinação de novos anabolizantes – para obter os efeitos desejados), abstinência (distúrbios do sono e alimentares, perda de libido), uso em quantidades ou períodos de tempo maiores que o previsto, tempo excessivo gasto em atividades relacionadas ao uso de anabolizantes (treinamento físico, grupos de discussão on-line, uso de suplementos), redução importante das atividades sociais e laborais devido a uma preocupação excessiva com o uso de anabolizantes e, por fim, uso dos esteroides a despeito da ocorrência de problemas clínicos ou psiquiátricos.
É importante notarmos o cuidado que esses pesquisadores tiveram em diferenciar o uso nocivo dos anabolizantes de outras substâncias de abuso. Muitas vezes, o tempo excessivo gasto nas academias é visto como uma atividade saudável, e os ganhos sociais de um corpo considerado mais atraente podem fazer com que o usuário de anabolizantes e suas famílias não vejam essas drogas como um problema, até que efeitos graves aconteçam.
Deixar de lado os anabolizantes também não é fácil. É comum os usuários relatarem sintomas depressivos, ainda que seus níveis de testosterona estejam muito mais altos do que o normal. Aparentemente, a simples variação do nível de testosterona é capaz de provocar grande desequilíbrio emocional. Muitos sentem falta daquela disposição “a mais” provocada pelos anabolizantes e têm dificuldade em se adaptar a um nível normal de funcionamento físico e mental.
(...)
(Julio Xerfan. Médico e mestre em Psiquiatria, Instituto de Psiquiatria da UFRJ.
In: Ciência Hoje, agosto de 2019)
Imputarmos NÃO poderia ser substituído, sob pena de grave alteração de sentido, por
 

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1119527 Ano: 2019
Disciplina: Matemática
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
O número irracional !$ p=\sqrt{7-\sqrt{24}} !$ pode ser escrito sob a forma de radicais simples.
Considerando a afirmativa acima, avalie as asserções e a relação proposta entre elas.
I. O valor de “p” na forma de radicais simples é !$ \sqrt{6}-1 !$
PORQUE
II. Em algumas expressões com radicais duplos, a fatoração pode ser desenvolvida por meio de uma equivalência com a expressão !$ (x-y)^3=x^3-3.x^2.y+3.x.y^2-y^3 !$
A respeito dessas asserções, assinale a alternativa correta.
 

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1115842 Ano: 2019
Disciplina: Direito Penal Militar
Banca: DECEx
Orgão: EsFCEx
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Em 13/10/17 foi publicada a Lei 13.491, que ampliou significativamente os limites do Direito Penal Militar, pois alterou o inciso II do art. 9º do CPM, para incluir no conjunto dos crimes militares os delitos previstos em toda a legislação penal comum, quando praticados nas circunstâncias e condições especificadas nas alíneas do referido inciso. Em relação a essa mudança, seus efeitos e as discussões que dela decorreram, avalie as seguintes afirmativas e a relação proposta ente elas.
I. As modificações trazidas pela Lei 13.491/17 não foram igualmente interpretadas e aceitas pelas diversas Instituições. A Associação dos Delegados de Polícia do Brasil (ADEPOL) e o Partido Socialismo e Liberdade (PSOL), por exemplo, combatem as alterações e ingressaram com Ações Direta de Inconstitucionalidade perante o Supremo Tribunal Federal. Nos autos das ADI’s, o Ministério Público Federal emitiu parecer pela inconstitucionalidade de dispositivos da lei.
PORQUE
II. A Lei 13.491 restabeleceu a competência da Justiça Militar da União para processar e julgar os crimes dolosos contra a vida praticados contra civis, em qualquer situação. Recorde-se que essa competência havia sido transferida da Justiça Militar para a Justiça Comum pela Lei 9.299/96, de iniciativa do Deputado Hélio Bicudo.
A respeito dessas afirmações, assinale a alternativa correta.
 

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