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Foram encontradas 55 questões.

1743352 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

Critério

Os náufragos de um transatlântico, dentro de um barco salva-vidas perdidos em alto-mar, tinham comido as últimas bolachas e contemplavam a antropofagia como único meio de sobrevivência.

— Mulheres primeiro – propôs um cavalheiro.

A proposta foi rebatida com veemência pelas mulheres. Mas estava posta a questão: que critério usar para decidir quem seria sacrificado primeiro para que os outros não morressem de fome?

— Primeiro os mais velhos – sugeriu um jovem.

Os mais velhos imediatamente se uniram num protesto. Falta de respeito!

— É mesmo – disse um –, somos difíceis de mastigar.

— Por que não os mais jovens, sempre tão dispostos aos gestos nobres?

— Somos, teoricamente, os que têm mais tempo para viver – disse um jovem.

— E vocês precisarão de nossa força nos remos e dos nossos olhos para avistar a terra – disse outro.

Então os mais gordos e apetitosos.

— Injustiça! – gritou um gordo. – Temos mais calorias acumuladas e, portanto, mais probabilidade de sobreviver de forma natural do que os outros.

— Os mais magros?

— Nem pensem nisso – disse um magro, em nome dos demais.

— Somos pouco nutritivos.

— Os mais contemplativos e líricos?

— E quem entreterá vocês com histórias e versos enquanto o salvamento não chega? – perguntou um poeta.

— Os mais metafísicos?

— Não esqueçam que só nós temos um canal aberto para lá – disse um metafísico, apontando para o alto – e que pode se tornar vital, se nada mais der certo.

Era um dilema.

É preciso dizer que esta discussão se dava num canto do barco salva-vidas, ocupado pelo pequeno grupo de passageiros de primeira classe do transatlântico, sob os olhares dos passageiros de segunda e terceira classe, que ocupavam todo o resto da embarcação e não diziam nada. Até que um perdeu a paciência e, já que a fome era grande, inquiriu:

— Cumé?

Recebeu olhares de censura da primeira classe. Mas como estavam todos, literalmente, no mesmo barco, também recebeu uma explicação.

— Estamos indecisos sobre que critério utilizar.

— Pois eu tenho um critério – disse o passageiro de segunda.

— Qual é?

— Primeiro os indecisos.

Esta proposta causou um rebuliço na primeira classe acuada. Um dos seus teóricos levantou-se e pediu:

— Não vamos ideologizar a questão, pessoal!

Em seguida levantou-se um ajudante de maquinista e pediu calma. Queria falar.

— Náufragas e náufragos – começou. – Neste barco só existe uma divisão real, e é a única que conta quando a situação chega a este ponto. Não é entre velhos e jovens, gordos e magros, poetas e atletas, crentes e ateus… É entre maioria e minoria.

E, apontando para a primeira classe, gritou:

— Vamos comer a minoria.

Novo rebuliço. Protestos. Revanchismo não! Mas a maioria avançou sobre a minoria. A primeira não era primeira em tudo? Pois seria a primeira no sacrifício.

Não podiam comer toda a primeira classe, indiscutivelmente, no entanto. Ainda precisava haver critérios. Foi quando se lembraram de chamar o Natalino. O chefe da cozinha do transatlântico.

E o Natalino pôs-se a examinar as provisões, apertando uma perna aqui, uma costela ali, com a empáfia de quem sabia que era o único indispensável a bordo.

O fim desta história admonitória é que, com toda a agitação, o barco salva-vidas virou e todos, sem distinção de classes, foram devorados pelos tubarões. Que, como se sabe, não têm nenhum critério.

(VERÍSSIMO, L. F. O nariz e outras crônicas. 3.ed. São Paulo:Ática, 1997.)

Em qual alternativa a palavra QUE exerce função sintática?

 

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1736905 Ano: 2009
Disciplina: Geografia
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

O Sistema Aquífero Guarani é o maior reservatório de água subterrânea do mundo. Sobre esse assunto é correto afirmar que:

 

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1736904 Ano: 2009
Disciplina: Geografia
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

O IDH (Índice de Desenvolvimento Humano) é composto por

 

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1736903 Ano: 2009
Disciplina: História
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

Quanto à forma do Estado brasileiro, é correto afirmar:

 

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1736902 Ano: 2009
Disciplina: Geografia
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

No Brasil, algumas áreas apresentam processo de desertificação ou possuem risco para que ele ocorra, e isso provavelmente se dá em função do manejo inadequado dos solos. Assinale a única opção que contém uma região que apresenta, com destaque, algumas dessas áreas.

 

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1736901 Ano: 2009
Disciplina: História
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

Um dos fatores que contribuiu para a abdicação de D. Pedro I em Abril de 1831:

 

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1736900 Ano: 2009
Disciplina: História
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

Acerca do envolvimento do Brasil na Segunda Guerra Mundial, está correto a afirmação:

 

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1736899 Ano: 2009
Disciplina: História
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

A campanha conhecida como “Diretas Já” ocorreu durante o governo do presidente:

 

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1736898 Ano: 2009
Disciplina: História
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

Portugal foi o primeiro país a empreender as grandes navegações, no Século XV. Assinale a única alternativa em que todas as informações são fatores que contribuíram para o pioneirismo português neste campo.

 

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1736897 Ano: 2009
Disciplina: Português
Banca: DECEx
Orgão: EsSA

Critério

Os náufragos de um transatlântico, dentro de um barco salva-vidas perdidos em alto-mar, tinham comido as últimas bolachas e contemplavam a antropofagia como único meio de sobrevivência.

— Mulheres primeiro – propôs um cavalheiro.

A proposta foi rebatida com veemência pelas mulheres. Mas estava posta a questão: que critério usar para decidir quem seria sacrificado primeiro para que os outros não morressem de fome?

— Primeiro os mais velhos – sugeriu um jovem.

Os mais velhos imediatamente se uniram num protesto. Falta de respeito!

— É mesmo – disse um –, somos difíceis de mastigar.

— Por que não os mais jovens, sempre tão dispostos aos gestos nobres?

— Somos, teoricamente, os que têm mais tempo para viver – disse um jovem.

— E vocês precisarão de nossa força nos remos e dos nossos olhos para avistar a terra – disse outro.

Então os mais gordos e apetitosos.

— Injustiça! – gritou um gordo. – Temos mais calorias acumuladas e, portanto, mais probabilidade de sobreviver de forma natural do que os outros.

— Os mais magros?

— Nem pensem nisso – disse um magro, em nome dos demais.

— Somos pouco nutritivos.

— Os mais contemplativos e líricos?

— E quem entreterá vocês com histórias e versos enquanto o salvamento não chega? – perguntou um poeta.

— Os mais metafísicos?

— Não esqueçam que só nós temos um canal aberto para lá – disse um metafísico, apontando para o alto – e que pode se tornar vital, se nada mais der certo.

Era um dilema.

É preciso dizer que esta discussão se dava num canto do barco salva-vidas, ocupado pelo pequeno grupo de passageiros de primeira classe do transatlântico, sob os olhares dos passageiros de segunda e terceira classe, que ocupavam todo o resto da embarcação e não diziam nada. Até que um perdeu a paciência e, já que a fome era grande, inquiriu:

— Cumé?

Recebeu olhares de censura da primeira classe. Mas como estavam todos, literalmente, no mesmo barco, também recebeu uma explicação.

— Estamos indecisos sobre que critério utilizar.

— Pois eu tenho um critério – disse o passageiro de segunda.

— Qual é?

— Primeiro os indecisos.

Esta proposta causou um rebuliço na primeira classe acuada. Um dos seus teóricos levantou-se e pediu:

— Não vamos ideologizar a questão, pessoal!

Em seguida levantou-se um ajudante de maquinista e pediu calma. Queria falar.

— Náufragas e náufragos – começou. – Neste barco só existe uma divisão real, e é a única que conta quando a situação chega a este ponto. Não é entre velhos e jovens, gordos e magros, poetas e atletas, crentes e ateus… É entre maioria e minoria.

E, apontando para a primeira classe, gritou:

— Vamos comer a minoria.

Novo rebuliço. Protestos. Revanchismo não! Mas a maioria avançou sobre a minoria. A primeira não era primeira em tudo? Pois seria a primeira no sacrifício.

Não podiam comer toda a primeira classe, indiscutivelmente, no entanto. Ainda precisava haver critérios. Foi quando se lembraram de chamar o Natalino. O chefe da cozinha do transatlântico.

E o Natalino pôs-se a examinar as provisões, apertando uma perna aqui, uma costela ali, com a empáfia de quem sabia que era o único indispensável a bordo.

O fim desta história admonitória é que, com toda a agitação, o barco salva-vidas virou e todos, sem distinção de classes, foram devorados pelos tubarões. Que, como se sabe, não têm nenhum critério.

(VERÍSSIMO, L. F. O nariz e outras crônicas. 3.ed. São Paulo:Ática, 1997.)

O fato de o barco salva-vidas ter virado deveu-se:

 

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