Foram encontradas 50 questões.
Em uma empresa, a razão entre o número de funcionários
com escolaridade ensino médio e o número de funcionários com escolaridade graduação é 4/13. Qual é a fração do
total de funcionários dessa empresa que representa os funcionários com escolaridade graduação?
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A prefeitura de determinada cidade organizou uma viagem
com 104 crianças de uma escola para visitarem o parque natural da região. Dentre essas crianças, 56 são do 5º ano e 48 são
do 4º ano e todas elas devem ser divididas em grupos para que
participem de uma dinâmica. Os grupos serão construídos
atendendo os seguintes critérios:
• Critério 1: cada grupo formado deve possuir somente alunos do mesmo ano escolar; • Critério 2: todos os grupos devem ter o mesmo número de alunos; • Critério 3: todos os grupos devem ter o maior número possível de alunos.
Satisfazendo simultaneamente os critérios citados, quantos grupos serão formados no total?
• Critério 1: cada grupo formado deve possuir somente alunos do mesmo ano escolar; • Critério 2: todos os grupos devem ter o mesmo número de alunos; • Critério 3: todos os grupos devem ter o maior número possível de alunos.
Satisfazendo simultaneamente os critérios citados, quantos grupos serão formados no total?
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Juliano levou seus dois filhos, Paulo e Ricardo, para andarem
de bicicleta juntos ao redor de uma praça. Juliano consegue
dar uma volta completa na praça em 10 minutos, enquanto
que Paulo e Ricardo fazem o mesmo percurso em 12 e 15 minutos, respectivamente. Se os três partem de um mesmo
ponto na praça, em quanto tempo eles se encontrarão juntos
novamente no mesmo local pela segunda vez?
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Na segunda-feira de uma determinada semana, Leandro cadastrou 70% das denúncias recebidas em um setor de processos. Na terça-feira, Leandro pretende cadastrar 80% das denúncias restantes. Considere que não houve novas denúncias recebidas no setor de segunda para terça-feira. Dessa forma, do total de denúncias recebidas no setor, qual a porcentagem das que foram cadastradas na terça-feira?
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A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
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A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
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A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
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A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
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Questão presente nas seguintes provas
- SintaxeColocação Pronominal
- SintaxePalavras com Múltiplas FunçõesFunções da Palavra “se”
- MorfologiaPronomes
A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
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Questão presente nas seguintes provas
- SintaxeRegência
- SintaxeConcordância
- SintaxeCrase
- MorfologiaPreposições
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Tempo
A mulher ramada
Verde claro, verde escuro, canteiro de flores, arbusto
entalhado, e de novo verde claro, verde escuro, imenso lençol
do gramado; lá longe o palácio. Assim o jardineiro via o mundo,
toda vez que levantava a cabeça do trabalho.
E via carruagens chegando, silhuetas de damas arrastando
os mantos nas aleias, cavaleiros partindo para a caça.
Mas a ele, no canto mais afastado do jardim, que a seus
cuidados cabia, ninguém via. Plantando, podando, cuidando do
chão, confundia-se quase com suas plantas, mimetizava-se com
as estações. E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma
coisa, sua voz não se entrelaçava à música distante que vinha
dos salões, mas se deixava ficar por entre as folhas, sem que ninguém a viesse colher.
Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia
plantado naquele jardim, quando uma dor de solidão começou
a enraizar-se no seu peito. E passados dias, e passados meses,
só não passando a dor, disse o jardineiro a si mesmo que era
tempo de ter uma companheira.
No dia seguinte, trazidas num saco duas belas mudas de
rosa, o homem escolheu o lugar, ajoelhou-se, cavou cuidadoso
a primeira cova, mediu um palmo, cavou a segunda, e com
gestos sábios de amor enterrou as raízes. Ao redor afundou um
pouco a terra, para que a água de chuva e rega mantivesse
sempre molhados os pés da rosa.
Foi preciso esperar. Mas ele, que há tanto esperava, não
tinha pressa. E quando os primeiros, tênues galhos despontaram, carinhosamente os podou, dispondo-se a esperar novamente, até que outra brotação se fizesse mais forte.
Durante meses trabalhou conduzindo os ramos de forma
a preencher o desenho que só ele sabia, podando os espigões
teimosos que escapavam à harmonia exigida. E aos poucos,
entre suas mãos, o arbusto foi tomando feitio, fazendo surgir
dos pés plantados no gramado duas lindas pernas, depois o
ventre, os seios, os gentis braços da mulher que seria sua. Por
último, cuidado maior, a cabeça levemente inclinada para o lado.
O jardineiro ainda deu os últimos retoques com a ponta da
tesoura. Ajeitou o cabelo, arredondou a curva de um joelho.
Depois, afastando-se para olhar, murmurou encantado:
– Bom dia, Rosamulher.
Agora levantando a cabeça do trabalho, não procurava
mais a distância. Voltava-se para ela, sorria, contava o longo
silêncio da sua vida. E quando o vento batia no jardim, agitando
os braços verdes, movendo a cintura, ele todo se sentia vergar
de amor, como se o vento o agitasse por dentro.
Acabou o verão, fez-se inverno. A neve envolveu com
seu mármore a mulher ramada. Sem plantas para cuidar,
agora que todas descansavam, ainda assim o jardineiro ia
todos os dias visitá-la. Viu a neve fazer-se gelo. Viu o gelo
desfazer-se em gotas. E um dia em que o sol parecia mais morno do que de costume, viu de repente, na ponta dos
dedos esgalhados, surgir a primeira brotação na primavera.
Em pouco, o jardim vestiu o cetim das folhas novas. Em
cada tronco, em cada haste, em cada pedúnculo, a seiva
empurrou para fora pétalas e pistilos. E mesmo no escuro da
terra os bulbos acordaram, espreguiçando-se em pequenas
pontas verdes.
Mas enquanto todos os arbustos se enfeitavam de flores,
nem uma só gota de vermelho brilhava no corpo da roseira.
Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro que, temendo que
viesse a floração a romper tanta beleza, cortava rente todos os
botões.
De tanto contrariar a primavera, adoeceu porém o jardineiro. E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.
Muitos dias se passaram antes que pudesse voltar ao
jardim. Quando afinal conseguiu se levantar para procurá-la,
percebeu de longe a marca da sua ausência. Embaralhando-
-se aos cabelos, desfazendo a curva da testa, uma rosa embabadava suas pétalas entre os olhos da mulher. E já outra
no seio despontava.
Parado diante dela, ele olhava e olhava. Perdida estava
a perfeição do rosto, perdida a expressão do olhar. Mas do
seu amor nada se perdia. Florida, pareceu-lhe ainda mais
linda. Nunca Rosamulher fora tão rosa. E seu coração de jardineiro soube que jamais teria coragem de podá-la. Nem mesmo
para mantê-la presa em seu desenho.
Então docemente a abraçou descansando a cabeça no
seu ombro. E esperou.
E sentindo sua espera, a mulher-rosa começou a brotar,
lançando galhos, abrindo folhas, envolvendo-o em botões,
casulo de flores e perfumes.
Ao longe, raras damas surpreenderam-se com o súbito esplendor da roseira. Um cavaleiro reteve seu cavalo. Por um instante pararam, atraídos. Depois voltaram a cabeça e a atenção,
retomando seus caminhos. Sem perceber debaixo das flores o
estreito abraço dos amantes.
(COLASANTI, Marina. A mulher ramada. In: . Doze reis e a
moça no labirinto do vento. São Paulo: Global, 2006. p. 22-28.)
( ) Na sentença “E se às vezes, distraído, murmurava sozinho alguma coisa, [...]” (3º§), o sinal indicativo de crase em “às vezes” se justifica porque se trata de uma expressão temporal. ( ) Em “Nua, obedecia ao esforço de seu jardineiro [...]” (13º§) há erro de regência verbal. ( ) Ao se reescrever, no plural, a frase “Já se fazia grande e frondosa a primeira árvore que havia plantado naquele jardim,[...]” (4º§), o verbo auxiliar de “havia plantado” deve permanecer no singular, respeitando as normas de concordância verbal. ( ) Na frase “E ardendo de amor e febre na cama, inutilmente chamou por sua amada.” (14º§), a preposição “por” pode ser suprimida, sem que haja prejuízo de sentido. ( ) Em “Nunca Rosamulher fora tão rosa.” (16º§), o pretérito mais-que-perfeito foi usado para fazer referência a uma ação que aconteceu em um passado distante.
A sequência está correta em
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