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Uma casa de festas deve organizar três festas de aniversário com bolos em formato retangular com medidas bem específicas para adequação ao tema da festa. Para atender seus clientes, a responsável pelas compras encomenda os três bolos a uma boleira que vende bolos sob medida e cobra R$ 200,00 por metro quadrado de bolo, já que a espessura é sempre a mesma. Na negociação, a compradora pede o primeiro bolo com as medidas desejadas. Ela pede que o segundo bolo tenha cinco centímetros a mais de comprimento e três centímetros a menos de largura do que o primeiro bolo. Já para o terceiro bolo, o pedido é que tenha onze centímetros a menos de comprimento e sete centímetros a mais de largura que o segundo. A boleira informa, então, que os três bolos têm o mesmo preço.
Qual o valor, em reais, que a compradora deve pagar à boleira pelos três bolos?
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Dois dados comuns, honestos, foram lançados simultaneamente. Sabe-se que a diferença entre o maior resultado e o menor é igual a um.
Qual é a probabilidade de que a soma dos resultados seja igual a sete?
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UM NOVO COMEÇO
Em 40 anos de carreira musical, o engenheiro químico (pode?) Ivan Lins produziu maravilhas como Madalena, O Amor É Meu País e Abre Alas. Como acontece com todos os poetas e compositores, ele tocou cada pessoa de modo diferente. Em meu caso, foi a música Começar de Novo, que Ivan compôs em parceria com Vitor Martins em 1979.
Foi naquele ano que fiz uma das muitas mudanças em minha vida, indo morar em Florianópolis (SC), para onde eu já viajava semanalmente para dar aulas em um curso pré-vestibular do qual era sócio. Como aquela sede exigia mais atenção, mudei minha residência oficial para a ilha. Lembro-me bem de estar atravessando a ponte Hercílio Luz, que ainda funcionava (foi interditada em 1982), quando do rádio do carro começou a sair a voz rouca da Simone dizendo: “Começar de novo e contar comigo/ Vai valer a pena ter amanhecido/ Ter me rebelado, ter me debatido/ Ter me machucado, ter sobrevivido...”.
Foi um momento mágico, pois, apesar de bastante jovem, eu já vinha de uma experiência de vida cheia de mudanças e recomeços. [...]
A impermanência é uma das marcas de nosso tempo. Tudo muda rápido, e quem aceita essa realidade e consegue exercitar sua capacidade de adaptação já sai com vantagens. De certa forma, quando acordamos na manhã de cada dia, começamos de novo nossa vida. Às vezes começamos pouca coisa de novo, e damos continuidade ao que já fazíamos, mantendo a rotina e construindo estabilidade. Mas, às vezes, acordamos de manhã e estamos em um novo lugar, ou iniciamos em um novo emprego, ou viramos a cabeça e vemos uma nova pessoa no travesseiro ao lado. Sempre começamos de novo, o que varia é a intensidade.
Naquele ano eu estava começando de novo muita coisa. Tinha me formado em medicina, mas não havia chegado a exercer, pois, na ocasião, eu já era dono de uma escola que crescia. Mas, como começar de novo é comigo mesmo, 15 anos depois resolvi dar-me o direito de experimentar a profissão de médico, e lá fui eu voltar a estudar, aplicando tempo e recursos aos livros de medicina, alguns para recordar, outros para entender a evolução dos anos. Apesar de ser médico, foi mais um começar de novo. [...]
MUSSAK, Eugênio. Um novo começo. Vida Simples, São Paulo: Abril, p. 39, maio 2011. Adaptado.
Considerem-se a seguir as afirmativas feitas sobre o texto.
I – O ano a que se refere o autor em “Foi naquele ano que fiz uma das muitas mudanças...” é 1979.
II – O autor era professor, além de empresário.
III – O autor se formou em medicina depois de 15 anos, sendo dono de escola.
Está correto o que se afirma em
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UM NOVO COMEÇO
Em 40 anos de carreira musical, o engenheiro químico (pode?) Ivan Lins produziu maravilhas como Madalena, O Amor É Meu País e Abre Alas. Como acontece com todos os poetas e compositores, ele tocou cada pessoa de modo diferente. Em meu caso, foi a música Começar de Novo, que Ivan compôs em parceria com Vitor Martins em 1979.
Foi naquele ano que fiz uma das muitas mudanças em minha vida, indo morar em Florianópolis (SC), para onde eu já viajava semanalmente para dar aulas em um curso pré-vestibular do qual era sócio. Como aquela sede exigia mais atenção, mudei minha residência oficial para a ilha. Lembro-me bem de estar atravessando a ponte Hercílio Luz, que ainda funcionava (foi interditada em 1982), quando do rádio do carro começou a sair a voz rouca da Simone dizendo: “Começar de novo e contar comigo/ Vai valer a pena ter amanhecido/ Ter me rebelado, ter me debatido/ Ter me machucado, ter sobrevivido...”.
Foi um momento mágico, pois, apesar de bastante jovem, eu já vinha de uma experiência de vida cheia de mudanças e recomeços. [...]
A impermanência é uma das marcas de nosso tempo. Tudo muda rápido, e quem aceita essa realidade e consegue exercitar sua capacidade de adaptação já sai com vantagens. De certa forma, quando acordamos na manhã de cada dia, começamos de novo nossa vida. Às vezes começamos pouca coisa de novo, e damos continuidade ao que já fazíamos, mantendo a rotina e construindo estabilidade. Mas, às vezes, acordamos de manhã e estamos em um novo lugar, ou iniciamos em um novo emprego, ou viramos a cabeça e vemos uma nova pessoa no travesseiro ao lado. Sempre começamos de novo, o que varia é a intensidade.
Naquele ano eu estava começando de novo muita coisa. Tinha me formado em medicina, mas não havia chegado a exercer, pois, na ocasião, eu já era dono de uma escola que crescia. Mas, como começar de novo é comigo mesmo, 15 anos depois resolvi dar-me o direito de experimentar a profissão de médico, e lá fui eu voltar a estudar, aplicando tempo e recursos aos livros de medicina, alguns para recordar, outros para entender a evolução dos anos. Apesar de ser médico, foi mais um começar de novo. [...]
MUSSAK, Eugênio. Um novo começo. Vida Simples, São Paulo: Abril, p. 39, maio 2011. Adaptado.
No trecho “Em 40 anos de carreira musical, o engenheiro químico (pode?)...”, a pergunta entre parênteses indica que, no texto, o autor
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UM NOVO COMEÇO
Em 40 anos de carreira musical, o engenheiro químico (pode?) Ivan Lins produziu maravilhas como Madalena, O Amor É Meu País e Abre Alas. Como acontece com todos os poetas e compositores, ele tocou cada pessoa de modo diferente. Em meu caso, foi a música Começar de Novo, que Ivan compôs em parceria com Vitor Martins em 1979.
Foi naquele ano que fiz uma das muitas mudanças em minha vida, indo morar em Florianópolis (SC), para onde eu já viajava semanalmente para dar aulas em um curso pré-vestibular do qual era sócio. Como aquela sede exigia mais atenção, mudei minha residência oficial para a ilha. Lembro-me bem de estar atravessando a ponte Hercílio Luz, que ainda funcionava (foi interditada em 1982), quando do rádio do carro começou a sair a voz rouca da Simone dizendo: “Começar de novo e contar comigo/ Vai valer a pena ter amanhecido/ Ter me rebelado, ter me debatido/ Ter me machucado, ter sobrevivido...”.
Foi um momento mágico, pois, apesar de bastante jovem, eu já vinha de uma experiência de vida cheia de mudanças e recomeços. [...]
A impermanência é uma das marcas de nosso tempo. Tudo muda rápido, e quem aceita essa realidade e consegue exercitar sua capacidade de adaptação já sai com vantagens. De certa forma, quando acordamos na manhã de cada dia, começamos de novo nossa vida. Às vezes começamos pouca coisa de novo, e damos continuidade ao que já fazíamos, mantendo a rotina e construindo estabilidade. Mas, às vezes, acordamos de manhã e estamos em um novo lugar, ou iniciamos em um novo emprego, ou viramos a cabeça e vemos uma nova pessoa no travesseiro ao lado. Sempre começamos de novo, o que varia é a intensidade.
Naquele ano eu estava começando de novo muita coisa. Tinha me formado em medicina, mas não havia chegado a exercer, pois, na ocasião, eu já era dono de uma escola que crescia. Mas, como começar de novo é comigo mesmo, 15 anos depois resolvi dar-me o direito de experimentar a profissão de médico, e lá fui eu voltar a estudar, aplicando tempo e recursos aos livros de medicina, alguns para recordar, outros para entender a evolução dos anos. Apesar de ser médico, foi mais um começar de novo. [...]
MUSSAK, Eugênio. Um novo começo. Vida Simples, São Paulo: Abril, p. 39, maio 2011. Adaptado.
A ideia de “um novo começo” para o autor do texto exige sempre uma
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AULAS DE PIANO
A primeira vez que pousei meus dez dedos sobre o teclado de uma máquina de escrever (na época, claro, não havia computador), fui tomada por uma mistura de prazer e reconhecimento. Era como se tivesse encontrado meu lugar no mundo. Isso aconteceu quando eu era adolescente – não lembro exatamente quando, nem onde – e talvez fosse um sintoma de que eu me tornaria, muito tempo depois, escritora. Mas na hora, interpretei de outra forma: achei que aquela sensação boa vinha do fato de eu ser uma pianista frustrada. Assim, colocando os dedos sobre as teclas da máquina, eu satisfazia, ao menos em parte, o desejo nunca alcançado de dominar outras teclas, as musicais.
Sempre senti muitíssimo por não ter aprendido piano. Não sei o que aconteceu. Meu pai se diz ele próprio um pianista frustrado e poderia ter resolvido isso através de mim, mas não o fez. Estudei balé clássico, moderno, sapateado, cantei em coral, fiz aula de música na escola, mas, por uma razão ou por outra, nunca me puseram para aprender piano.
Quando cresci e estava para fazer vestibular, sem ter ideia de que carreira escolher, fiz um teste vocacional que, para minha imensa surpresa, deu arquitetura e música. Eram de fato duas áreas de interesse para mim. Foi como se o teste vocacional tivesse desvendado meus desejos secretos. Fiquei perturbada, mas acabei dando as costas para o resultado e fazendo jornalismo. Os anos se passaram e a frustração se solidificou.
Pois agora isso vai mudar. Ou já está mudando. Tenho a comunicar que – aos 58 anos – comecei a ter aulas de piano. [...]
Aos poucos, vou reconhecendo as teclas, ganhando intimidade com elas, percebendo as nuances dos sons, as diferenças entre as teclas brancas e pretas. Meus dedos já se encaminham sozinhos para determinadas posições, como se tivessem sensores próprios. [...]
Dizem que, quando chegamos a uma certa idade, é bom aprendermos coisas novas para exercitar o cérebro. Não sei se isso é cientificamente comprovado, mas aprender a tocar está sendo para mim uma delícia.
Acho que nunca vou conseguir fazer piruetas patinando, nem sapatear tão bem quanto o Fred Astaire (duas outras frustrações minhas), mas, se conseguir tocar uma dúzia de canções ao piano, já ficarei completamente feliz.
SEIXAS, Heloisa. Aulas de Piano. Seleções do Reader’s Digest, Rio de Janeiro, p. 37-38, fev. 2011. Adaptado.
Em que frase o verbo está conjugado de acordo com a norma-padrão?
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AULAS DE PIANO
A primeira vez que pousei meus dez dedos sobre o teclado de uma máquina de escrever (na época, claro, não havia computador), fui tomada por uma mistura de prazer e reconhecimento. Era como se tivesse encontrado meu lugar no mundo. Isso aconteceu quando eu era adolescente – não lembro exatamente quando, nem onde – e talvez fosse um sintoma de que eu me tornaria, muito tempo depois, escritora. Mas na hora, interpretei de outra forma: achei que aquela sensação boa vinha do fato de eu ser uma pianista frustrada. Assim, colocando os dedos sobre as teclas da máquina, eu satisfazia, ao menos em parte, o desejo nunca alcançado de dominar outras teclas, as musicais.
Sempre senti muitíssimo por não ter aprendido piano. Não sei o que aconteceu. Meu pai se diz ele próprio um pianista frustrado e poderia ter resolvido isso através de mim, mas não o fez. Estudei balé clássico, moderno, sapateado, cantei em coral, fiz aula de música na escola, mas, por uma razão ou por outra, nunca me puseram para aprender piano.
Quando cresci e estava para fazer vestibular, sem ter ideia de que carreira escolher, fiz um teste vocacional que, para minha imensa surpresa, deu arquitetura e música. Eram de fato duas áreas de interesse para mim. Foi como se o teste vocacional tivesse desvendado meus desejos secretos. Fiquei perturbada, mas acabei dando as costas para o resultado e fazendo jornalismo. Os anos se passaram e a frustração se solidificou.
Pois agora isso vai mudar. Ou já está mudando. Tenho a comunicar que – aos 58 anos – comecei a ter aulas de piano. [...]
Aos poucos, vou reconhecendo as teclas, ganhando intimidade com elas, percebendo as nuances dos sons, as diferenças entre as teclas brancas e pretas. Meus dedos já se encaminham sozinhos para determinadas posições, como se tivessem sensores próprios. [...]
Dizem que, quando chegamos a uma certa idade, é bom aprendermos coisas novas para exercitar o cérebro. Não sei se isso é cientificamente comprovado, mas aprender a tocar está sendo para mim uma delícia.
Acho que nunca vou conseguir fazer piruetas patinando, nem sapatear tão bem quanto o Fred Astaire (duas outras frustrações minhas), mas, se conseguir tocar uma dúzia de canções ao piano, já ficarei completamente feliz.
SEIXAS, Heloisa. Aulas de Piano. Seleções do Reader’s Digest, Rio de Janeiro, p. 37-38, fev. 2011. Adaptado.
Em que sentença o pronome assinalado está empregado de acordo com a norma-padrão?
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AULAS DE PIANO
A primeira vez que pousei meus dez dedos sobre o teclado de uma máquina de escrever (na época, claro, não havia computador), fui tomada por uma mistura de prazer e reconhecimento. Era como se tivesse encontrado meu lugar no mundo. Isso aconteceu quando eu era adolescente – não lembro exatamente quando, nem onde – e talvez fosse um sintoma de que eu me tornaria, muito tempo depois, escritora. Mas na hora, interpretei de outra forma: achei que aquela sensação boa vinha do fato de eu ser uma pianista frustrada. Assim, colocando os dedos sobre as teclas da máquina, eu satisfazia, ao menos em parte, o desejo nunca alcançado de dominar outras teclas, as musicais.
Sempre senti muitíssimo por não ter aprendido piano. Não sei o que aconteceu. Meu pai se diz ele próprio um pianista frustrado e poderia ter resolvido isso através de mim, mas não o fez. Estudei balé clássico, moderno, sapateado, cantei em coral, fiz aula de música na escola, mas, por uma razão ou por outra, nunca me puseram para aprender piano.
Quando cresci e estava para fazer vestibular, sem ter ideia de que carreira escolher, fiz um teste vocacional que, para minha imensa surpresa, deu arquitetura e música. Eram de fato duas áreas de interesse para mim. Foi como se o teste vocacional tivesse desvendado meus desejos secretos. Fiquei perturbada, mas acabei dando as costas para o resultado e fazendo jornalismo. Os anos se passaram e a frustração se solidificou.
Pois agora isso vai mudar. Ou já está mudando. Tenho a comunicar que – aos 58 anos – comecei a ter aulas de piano. [...]
Aos poucos, vou reconhecendo as teclas, ganhando intimidade com elas, percebendo as nuances dos sons, as diferenças entre as teclas brancas e pretas. Meus dedos já se encaminham sozinhos para determinadas posições, como se tivessem sensores próprios. [...]
Dizem que, quando chegamos a uma certa idade, é bom aprendermos coisas novas para exercitar o cérebro. Não sei se isso é cientificamente comprovado, mas aprender a tocar está sendo para mim uma delícia.
Acho que nunca vou conseguir fazer piruetas patinando, nem sapatear tão bem quanto o Fred Astaire (duas outras frustrações minhas), mas, se conseguir tocar uma dúzia de canções ao piano, já ficarei completamente feliz.
SEIXAS, Heloisa. Aulas de Piano. Seleções do Reader’s Digest, Rio de Janeiro, p. 37-38, fev. 2011. Adaptado.
O trecho “[...] e a frustração se solidificou.”, no texto, significa que a frustração
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AULAS DE PIANO
A primeira vez que pousei meus dez dedos sobre o teclado de uma máquina de escrever (na época, claro, não havia computador), fui tomada por uma mistura de prazer e reconhecimento. Era como se tivesse encontrado meu lugar no mundo. Isso aconteceu quando eu era adolescente – não lembro exatamente quando, nem onde – e talvez fosse um sintoma de que eu me tornaria, muito tempo depois, escritora. Mas na hora, interpretei de outra forma: achei que aquela sensação boa vinha do fato de eu ser uma pianista frustrada. Assim, colocando os dedos sobre as teclas da máquina, eu satisfazia, ao menos em parte, o desejo nunca alcançado de dominar outras teclas, as musicais.
Sempre senti muitíssimo por não ter aprendido piano. Não sei o que aconteceu. Meu pai se diz ele próprio um pianista frustrado e poderia ter resolvido isso através de mim, mas não o fez. Estudei balé clássico, moderno, sapateado, cantei em coral, fiz aula de música na escola, mas, por uma razão ou por outra, nunca me puseram para aprender piano.
Quando cresci e estava para fazer vestibular, sem ter ideia de que carreira escolher, fiz um teste vocacional que, para minha imensa surpresa, deu arquitetura e música. Eram de fato duas áreas de interesse para mim. Foi como se o teste vocacional tivesse desvendado meus desejos secretos. Fiquei perturbada, mas acabei dando as costas para o resultado e fazendo jornalismo. Os anos se passaram e a frustração se solidificou.
Pois agora isso vai mudar. Ou já está mudando. Tenho a comunicar que – aos 58 anos – comecei a ter aulas de piano. [...]
Aos poucos, vou reconhecendo as teclas, ganhando intimidade com elas, percebendo as nuances dos sons, as diferenças entre as teclas brancas e pretas. Meus dedos já se encaminham sozinhos para determinadas posições, como se tivessem sensores próprios. [...]
Dizem que, quando chegamos a uma certa idade, é bom aprendermos coisas novas para exercitar o cérebro. Não sei se isso é cientificamente comprovado, mas aprender a tocar está sendo para mim uma delícia.
Acho que nunca vou conseguir fazer piruetas patinando, nem sapatear tão bem quanto o Fred Astaire (duas outras frustrações minhas), mas, se conseguir tocar uma dúzia de canções ao piano, já ficarei completamente feliz.
SEIXAS, Heloisa. Aulas de Piano. Seleções do Reader’s Digest, Rio de Janeiro, p. 37-38, fev. 2011. Adaptado.
Observe as correspondências abaixo entre ocorrências da palavra isso e o fato a que cada uma se refere.
I – “Isso aconteceu quando eu era adolescente”– a autora ser tomada por uma mistura de prazer e reconhecimento
II – “[...] poderia ter resolvido isso através de mim” – o pai da autora ser um pianista frustrado
III – “Não sei se isso é cientificamente comprovado” – as pessoas chegarem a uma certa idade
A(s) referência(s) está(ão) correta(s) APENAS em
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AULAS DE PIANO
A primeira vez que pousei meus dez dedos sobre o teclado de uma máquina de escrever (na época, claro, não havia computador), fui tomada por uma mistura de prazer e reconhecimento. Era como se tivesse encontrado meu lugar no mundo. Isso aconteceu quando eu era adolescente – não lembro exatamente quando, nem onde – e talvez fosse um sintoma de que eu me tornaria, muito tempo depois, escritora. Mas na hora, interpretei de outra forma: achei que aquela sensação boa vinha do fato de eu ser uma pianista frustrada. Assim, colocando os dedos sobre as teclas da máquina, eu satisfazia, ao menos em parte, o desejo nunca alcançado de dominar outras teclas, as musicais.
Sempre senti muitíssimo por não ter aprendido piano. Não sei o que aconteceu. Meu pai se diz ele próprio um pianista frustrado e poderia ter resolvido isso através de mim, mas não o fez. Estudei balé clássico, moderno, sapateado, cantei em coral, fiz aula de música na escola, mas, por uma razão ou por outra, nunca me puseram para aprender piano.
Quando cresci e estava para fazer vestibular, sem ter ideia de que carreira escolher, fiz um teste vocacional que, para minha imensa surpresa, deu arquitetura e música. Eram de fato duas áreas de interesse para mim. Foi como se o teste vocacional tivesse desvendado meus desejos secretos. Fiquei perturbada, mas acabei dando as costas para o resultado e fazendo jornalismo. Os anos se passaram e a frustração se solidificou.
Pois agora isso vai mudar. Ou já está mudando. Tenho a comunicar que – aos 58 anos – comecei a ter aulas de piano. [...]
Aos poucos, vou reconhecendo as teclas, ganhando intimidade com elas, percebendo as nuances dos sons, as diferenças entre as teclas brancas e pretas. Meus dedos já se encaminham sozinhos para determinadas posições, como se tivessem sensores próprios. [...]
Dizem que, quando chegamos a uma certa idade, é bom aprendermos coisas novas para exercitar o cérebro. Não sei se isso é cientificamente comprovado, mas aprender a tocar está sendo para mim uma delícia.
Acho que nunca vou conseguir fazer piruetas patinando, nem sapatear tão bem quanto o Fred Astaire (duas outras frustrações minhas), mas, se conseguir tocar uma dúzia de canções ao piano, já ficarei completamente feliz.
SEIXAS, Heloisa. Aulas de Piano. Seleções do Reader’s Digest, Rio de Janeiro, p. 37-38, fev. 2011. Adaptado.
De acordo com o texto, quando a autora era adolescente,
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