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Em determinada cidade, a cobrança de água em prédios é realizada a partir de uma tarifa básica no valor R$ 44,75 por apartamento, que é adicionada ao valor do consumo da unidade. Se em determinado mês o consumo em determinado apartamento foi de 5 m³ de água, e, sabendo que o custo por m³ de água é de R$ 1,39, pode-se afirmar que o valor total da cobrança de água desse apartamento foi, em reais, de:
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A sala de documentos de um determinado escritório tem acesso por senha. Essa senha é formada por 3 algarismos não repetidos. Se a senha é trocada mensalmente, pode-se afirmar que não será necessário repetir senhas durante um período, em anos, de:
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Ao analisar uma área de 141,9 km² de floresta, foi verificado que, no ano de 2022, houve um desmatamento de um terço dessa área. Pode-se afirmar que a área desmatada nesse espaço em 2022 foi, em km², de:
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Lucas comprou uma calça que estava sendo ofertada no valor de R$ 215,00, uma camiseta no valor de R$ 175,00 e um casaco no valor de R$ 310,00. No momento dessa compra, havia uma promoção: na compra de três peças, a de menor valor não seria cobrada. Considerando essa promoção, pode-se afirmar que o desconto recebido por Lucas nessa compra foi, em %, de:
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Um vazamento em uma tubulação em determinada rua iniciou às 19h de um determinado dia e foi resolvido às 16h do dia seguinte. Durante esse período, o vazamento era constante de 50 litros por hora. Em uma reportagem de um jornal local, foi noticiado que esse vazamento correspondeu a apenas 10% do total mensal de água que é desperdiçada na cidade. Considerando esses dados, pode-se afirmar que o desperdício de água mensal nessa cidade é, em litros, de:
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Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará
No começo de abril de 2023, ao contar sobre uma pesquisa que iniciara há 36 anos e lhe permitiu reconstituir os movimentos dos grandes blocos em parte das regiões Nordeste e Centro-Oeste há cerca de 600 milhões de anos, o geólogo Ticiano dos Santos lembrou-se de uma estudante do Instituto de Geologia da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp), Michele Pitarello, atualmente no Serviço Geológico do Brasil em Manaus.
"Em 2012, ela passou meses examinando dezenas de lâminas de rocha nos microscópios óptico e eletrônico de varredura, que eu já havia pré-selecionado", relata Ticiano, como prefere ser chamado. "Ela dizia: 'Se tiver coesita, vou achar'."
Por fim, em uma das lâminas de rocha cortada e polida, com a espessura de 30 micrômetros (1 micrômetro equivale a 1 milésimo de milímetro), ela finalmente encontrou grãos micrométricos do que poderia ser a tal coesita, um mineral que se forma a profundidades próximas a 90 quilômetros (km) à ultra alta pressão, 20 mil a 30 mil vezes maior que a do nível do mar, em rochas chamadas eclogitos. Coesitas são bastante raras porque tendem a se transformar em quartzo quando sobem para profundidades menores e a pressão diminui.
Aparelhos mais apurados, no próprio IG da Unicamp, no Instituto de Física da Unicamp e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), também em Campinas, confirmaram a identidade da coesita incrustada em uma rocha coletada por Santos e sua equipe em Forquilha, município de 25 mil moradores no leste do Ceará. As análises que levaram à descoberta da coesita no Ceará foram apresentadas em um artigo publicado em outubro de 2015 na revista científica Gondwana Research, com resultados de estudos realizados por geólogos da Unicamp e da Universidade de Brasília (UnB).
Durante quase um ano, em seu mestrado, também orientado por Santos, o geólogo Matheus Ancelmi identificou e catalogou mais de 40 afloramentos de rochas submetidas à alta pressão na região de Forquilha. Depois, mudaram para a região do município de Irauçuba, a 70 km de distância, e, cinco anos depois, encontraram outra amostra do raro mineral. Dessa vez, a garimpagem no microscópio coube a Nádia Borges Gomes, na época também no mestrado sob orientação de Santos.
"A descoberta das coesitas merece uma festa", diz o geólogo Benjamin Bley, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), que não participou da pesquisa. "Cientificamente, com os eclogitos, que também são raros, reforça os estudos sobre a correlação geológica entre o nordeste do Brasil e a África norte-oriental, que já estiveram unidos". Integradas a décadas de estudos geológicos sobre a região, as duas coesitas permitiram a reconstituição da paisagem do hoje praticamente plano interior do Ceará - com algumas serras, como a de Baturité, ao sul de Fortaleza; e a de Maranguape, próxima à capital - e dos movimentos dos grandes blocos rochosos - as microplacas -, que colidiram, se destruíram ou se fundiram, em diferentes épocas, formando o continente sul-americano.
"Há cerca de 640 milhões de anos, a região de Forquilha já foi cadeia de montanhas como o Himalaia, muito mais recente, mas ainda em formação", comenta Ticiano. Segundo ele, a cordilheira deve ter se formado com a destruição na zona de subducção [encontro de duas placas tectônicas com o mergulho da mais pesada sob a outra] de um antigo oceano e a colisão entre dois continentes, um a leste da cidade de Sobral e o outro a oeste. As rochas do continente oeste apresentam um contexto geológico diferente do continente leste, respectivamente com 2,3 bilhões e 2,1 bilhões de anos.
Uma implicação prática dessa conclusão é que os moradores a leste e a oeste de Sobral, no Ceará, podem dizer que as regiões onde vivem já pertenceram a continentes diferentes. Entre eles, haveria um oceano chamado Goianides, que cortava o Brasil no sentido nordeste-sudoeste, descrito por pesquisadores da UnB no final dos anos 1990. As bordas desse oceano eram ocupadas por cordilheiras há cerca de 600 milhões de anos.
Quando uma placa mergulha sobre outra, parte das rochas do magma derrete e pode subir como lava de vulcões e formar cadeias de montanhas. "As montanhas e os vulcões do norte da região Nordeste e Centro-Oeste foram completamente erodidos", comenta Ticiano. "Sobrou apenas a raiz do que chamamos de arco magmático, a faixa de rochas magmáticas que subiram à superfície." Os arcos magmáticos - também chamados de vulcânicos, porque, vista de cima, a cadeia de vulcões parece formar um arco - são porções do manto fundido que sobem para a superfície; no Brasil, por causa da erosão, restaram apenas as bases - ou raízes - dessas estruturas.
Retirado e adaptado de: FIORAVANTI, Carlos. Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: oinnerroor-do-ceara/ isa.fapesp.br/quando-havia-montanhas-e-vulcoes-no-interior-do-ceara/ Acesso em: 02 jun., 2023.
A respeito do texto "Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará", analise as afirmações a seguir:
I.O texto apresenta uma pesquisa que indica que já houve um oceano dividindo o Brasil.
II.Segundo o texto, o Brasil já esteve unido ao Himalaia, apresentando uma cordilheira parecida com a asiática.
III.As descobertas divulgadas no texto foram possíveis exclusivamente a partir da coesita, um mineral encontrado em rochas extremamente antigas.
IV.Ao longo do texto, são apresentados variados estudos que provêm de pesquisas orientadas por Ticiano dos Santos.
É correto o que se afirma em:
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Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará
No começo de abril de 2023, ao contar sobre uma pesquisa que iniciara há 36 anos e lhe permitiu reconstituir os movimentos dos grandes blocos em parte das regiões Nordeste e Centro-Oeste há cerca de 600 milhões de anos, o geólogo Ticiano dos Santos lembrou-se de uma estudante do Instituto de Geologia da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp), Michele Pitarello, atualmente no Serviço Geológico do Brasil em Manaus.
"Em 2012, ela passou meses examinando dezenas de lâminas de rocha nos microscópios óptico e eletrônico de varredura, que eu já havia pré-selecionado", relata Ticiano, como prefere ser chamado. "Ela dizia: 'Se tiver coesita, vou achar'."
Por fim, em uma das lâminas de rocha cortada e polida, com a espessura de 30 micrômetros (1 micrômetro equivale a 1 milésimo de milímetro), ela finalmente encontrou grãos micrométricos do que poderia ser a tal coesita, um mineral que se forma a profundidades próximas a 90 quilômetros (km) à ultra alta pressão, 20 mil a 30 mil vezes maior que a do nível do mar, em rochas chamadas eclogitos. Coesitas são bastante raras porque tendem a se transformar em quartzo quando sobem para profundidades menores e a pressão diminui.
Aparelhos mais apurados, no próprio IG da Unicamp, no Instituto de Física da Unicamp e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), também em Campinas, confirmaram a identidade da coesita incrustada em uma rocha coletada por Santos e sua equipe em Forquilha, município de 25 mil moradores no leste do Ceará. As análises que levaram à descoberta da coesita no Ceará foram apresentadas em um artigo publicado em outubro de 2015 na revista científica Gondwana Research, com resultados de estudos realizados por geólogos da Unicamp e da Universidade de Brasília (UnB).
Durante quase um ano, em seu mestrado, também orientado por Santos, o geólogo Matheus Ancelmi identificou e catalogou mais de 40 afloramentos de rochas submetidas à alta pressão na região de Forquilha. Depois, mudaram para a região do município de Irauçuba, a 70 km de distância, e, cinco anos depois, encontraram outra amostra do raro mineral. Dessa vez, a garimpagem no microscópio coube a Nádia Borges Gomes, na época também no mestrado sob orientação de Santos.
"A descoberta das coesitas merece uma festa", diz o geólogo Benjamin Bley, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), que não participou da pesquisa. "Cientificamente, com os eclogitos, que também são raros, reforça os estudos sobre a correlação geológica entre o nordeste do Brasil e a África norte-oriental, que já estiveram unidos". Integradas a décadas de estudos geológicos sobre a região, as duas coesitas permitiram a reconstituição da paisagem do hoje praticamente plano interior do Ceará - com algumas serras, como a de Baturité, ao sul de Fortaleza; e a de Maranguape, próxima à capital - e dos movimentos dos grandes blocos rochosos - as microplacas -, que colidiram, se destruíram ou se fundiram, em diferentes épocas, formando o continente sul-americano.
"Há cerca de 640 milhões de anos, a região de Forquilha já foi cadeia de montanhas como o Himalaia, muito mais recente, mas ainda em formação", comenta Ticiano. Segundo ele, a cordilheira deve ter se formado com a destruição na zona de subducção [encontro de duas placas tectônicas com o mergulho da mais pesada sob a outra] de um antigo oceano e a colisão entre dois continentes, um a leste da cidade de Sobral e o outro a oeste. As rochas do continente oeste apresentam um contexto geológico diferente do continente leste, respectivamente com 2,3 bilhões e 2,1 bilhões de anos.
Uma implicação prática dessa conclusão é que os moradores a leste e a oeste de Sobral, no Ceará, podem dizer que as regiões onde vivem já pertenceram a continentes diferentes. Entre eles, haveria um oceano chamado Goianides, que cortava o Brasil no sentido nordeste-sudoeste, descrito por pesquisadores da UnB no final dos anos 1990. As bordas desse oceano eram ocupadas por cordilheiras há cerca de 600 milhões de anos.
Quando uma placa mergulha sobre outra, parte das rochas do magma derrete e pode subir como lava de vulcões e formar cadeias de montanhas. "As montanhas e os vulcões do norte da região Nordeste e Centro-Oeste foram completamente erodidos", comenta Ticiano. "Sobrou apenas a raiz do que chamamos de arco magmático, a faixa de rochas magmáticas que subiram à superfície." Os arcos magmáticos - também chamados de vulcânicos, porque, vista de cima, a cadeia de vulcões parece formar um arco - são porções do manto fundido que sobem para a superfície; no Brasil, por causa da erosão, restaram apenas as bases - ou raízes - dessas estruturas.
Retirado e adaptado de: FIORAVANTI, Carlos. Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: oinnerroor-do-ceara/ isa.fapesp.br/quando-havia-montanhas-e-vulcoes-no-interior-do-ceara/ Acesso em: 02 jun., 2023.
A respeito do texto "Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará", analise as asserções a seguir e a relação proposta entre elas:
I. A região do Ceará, que atualmente é quase toda plana, há 2,3 bilhões de anos já teve o relevo cheio de montanhas.
PORQUE
II. Quando uma placa mergulha sobre outra, parte das rochas do magma derrete e pode subir como lava de vulcões e formar cadeias de montanhas.
A respeito dessas asserções, assinale a opção correta:
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Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará
No começo de abril de 2023, ao contar sobre uma pesquisa que iniciara há 36 anos e lhe permitiu reconstituir os movimentos dos grandes blocos em parte das regiões Nordeste e Centro-Oeste há cerca de 600 milhões de anos, o geólogo Ticiano dos Santos lembrou-se de uma estudante do Instituto de Geologia da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp), Michele Pitarello, atualmente no Serviço Geológico do Brasil em Manaus.
"Em 2012, ela passou meses examinando dezenas de lâminas de rocha nos microscópios óptico e eletrônico de varredura, que eu já havia pré-selecionado", relata Ticiano, como prefere ser chamado. "Ela dizia: 'Se tiver coesita, vou achar'."
Por fim, em uma das lâminas de rocha cortada e polida, com a espessura de 30 micrômetros (1 micrômetro equivale a 1 milésimo de milímetro), ela finalmente encontrou grãos micrométricos do que poderia ser a tal coesita, um mineral que se forma a profundidades próximas a 90 quilômetros (km) à ultra alta pressão, 20 mil a 30 mil vezes maior que a do nível do mar, em rochas chamadas eclogitos. Coesitas são bastante raras porque tendem a se transformar em quartzo quando sobem para profundidades menores e a pressão diminui.
Aparelhos mais apurados, no próprio IG da Unicamp, no Instituto de Física da Unicamp e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), também em Campinas, confirmaram a identidade da coesita incrustada em uma rocha coletada por Santos e sua equipe em Forquilha, município de 25 mil moradores no leste do Ceará. As análises que levaram à descoberta da coesita no Ceará foram apresentadas em um artigo publicado em outubro de 2015 na revista científica Gondwana Research, com resultados de estudos realizados por geólogos da Unicamp e da Universidade de Brasília (UnB).
Durante quase um ano, em seu mestrado, também orientado por Santos, o geólogo Matheus Ancelmi identificou e catalogou mais de 40 afloramentos de rochas submetidas à alta pressão na região de Forquilha. Depois, mudaram para a região do município de Irauçuba, a 70 km de distância, e, cinco anos depois, encontraram outra amostra do raro mineral. Dessa vez, a garimpagem no microscópio coube a Nádia Borges Gomes, na época também no mestrado sob orientação de Santos.
"A descoberta das coesitas merece uma festa", diz o geólogo Benjamin Bley, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), que não participou da pesquisa. "Cientificamente, com os eclogitos, que também são raros, reforça os estudos sobre a correlação geológica entre o nordeste do Brasil e a África norte-oriental, que já estiveram unidos". Integradas a décadas de estudos geológicos sobre a região, as duas coesitas permitiram a reconstituição da paisagem do hoje praticamente plano interior do Ceará - com algumas serras, como a de Baturité, ao sul de Fortaleza; e a de Maranguape, próxima à capital - e dos movimentos dos grandes blocos rochosos - as microplacas -, que colidiram, se destruíram ou se fundiram, em diferentes épocas, formando o continente sul-americano.
"Há cerca de 640 milhões de anos, a região de Forquilha já foi cadeia de montanhas como o Himalaia, muito mais recente, mas ainda em formação", comenta Ticiano. Segundo ele, a cordilheira deve ter se formado com a destruição na zona de subducção [encontro de duas placas tectônicas com o mergulho da mais pesada sob a outra] de um antigo oceano e a colisão entre dois continentes, um a leste da cidade de Sobral e o outro a oeste. As rochas do continente oeste apresentam um contexto geológico diferente do continente leste, respectivamente com 2,3 bilhões e 2,1 bilhões de anos.
Uma implicação prática dessa conclusão é que os moradores a leste e a oeste de Sobral, no Ceará, podem dizer que as regiões onde vivem já pertenceram a continentes diferentes. Entre eles, haveria um oceano chamado Goianides, que cortava o Brasil no sentido nordeste-sudoeste, descrito por pesquisadores da UnB no final dos anos 1990. As bordas desse oceano eram ocupadas por cordilheiras há cerca de 600 milhões de anos.
Quando uma placa mergulha sobre outra, parte das rochas do magma derrete e pode subir como lava de vulcões e formar cadeias de montanhas. "As montanhas e os vulcões do norte da região Nordeste e Centro-Oeste foram completamente erodidos", comenta Ticiano. "Sobrou apenas a raiz do que chamamos de arco magmático, a faixa de rochas magmáticas que subiram à superfície." Os arcos magmáticos - também chamados de vulcânicos, porque, vista de cima, a cadeia de vulcões parece formar um arco - são porções do manto fundido que sobem para a superfície; no Brasil, por causa da erosão, restaram apenas as bases - ou raízes - dessas estruturas.
Retirado e adaptado de: FIORAVANTI, Carlos. Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: oinnerroor-do-ceara/ isa.fapesp.br/quando-havia-montanhas-e-vulcoes-no-interior-do-ceara/ Acesso em: 02 jun., 2023.
Analise o trecho a seguir:
Geologia considera que montanhas são formações recentes, portanto, não sofreram tanto desgaste por meio de agentes exógenos de modificação do relevo, como ação dos ventos e das chuvas. Comumente, as montanhas são formadas pela ação das placas tectônicas, que se chocam e geram, na superfície, dobras ou soerguimentos. montanhas são classificadas por diversos autores de acordo com vários critérios, como origem, idade, altitude.
Assinale a alternativa que correta e respectivamente preenche as lacunas do trecho:
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Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará
No começo de abril de 2023, ao contar sobre uma pesquisa que iniciara há 36 anos e lhe permitiu reconstituir os movimentos dos grandes blocos em parte das regiões Nordeste e Centro-Oeste há cerca de 600 milhões de anos, o geólogo Ticiano dos Santos lembrou-se de uma estudante do Instituto de Geologia da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp), Michele Pitarello, atualmente no Serviço Geológico do Brasil em Manaus.
"Em 2012, ela passou meses examinando dezenas de lâminas de rocha nos microscópios óptico e eletrônico de varredura, que eu já havia pré-selecionado", relata Ticiano, como prefere ser chamado. "Ela dizia: 'Se tiver coesita, vou achar'."
Por fim, em uma das lâminas de rocha cortada e polida, com a espessura de 30 micrômetros (1 micrômetro equivale a 1 milésimo de milímetro), ela finalmente encontrou grãos micrométricos do que poderia ser a tal coesita, um mineral que se forma a profundidades próximas a 90 quilômetros (km) à ultra alta pressão, 20 mil a 30 mil vezes maior que a do nível do mar, em rochas chamadas eclogitos. Coesitas são bastante raras porque tendem a se transformar em quartzo quando sobem para profundidades menores e a pressão diminui.
Aparelhos mais apurados, no próprio IG da Unicamp, no Instituto de Física da Unicamp e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), também em Campinas, confirmaram a identidade da coesita incrustada em uma rocha coletada por Santos e sua equipe em Forquilha, município de 25 mil moradores no leste do Ceará. As análises que levaram à descoberta da coesita no Ceará foram apresentadas em um artigo publicado em outubro de 2015 na revista científica Gondwana Research, com resultados de estudos realizados por geólogos da Unicamp e da Universidade de Brasília (UnB).
Durante quase um ano, em seu mestrado, também orientado por Santos, o geólogo Matheus Ancelmi identificou e catalogou mais de 40 afloramentos de rochas submetidas à alta pressão na região de Forquilha. Depois, mudaram para a região do município de Irauçuba, a 70 km de distância, e, cinco anos depois, encontraram outra amostra do raro mineral. Dessa vez, a garimpagem no microscópio coube a Nádia Borges Gomes, na época também no mestrado sob orientação de Santos.
"A descoberta das coesitas merece uma festa", diz o geólogo Benjamin Bley, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), que não participou da pesquisa. "Cientificamente, com os eclogitos, que também são raros, reforça os estudos sobre a correlação geológica entre o nordeste do Brasil e a África norte-oriental, que já estiveram unidos". Integradas a décadas de estudos geológicos sobre a região, as duas coesitas permitiram a reconstituição da paisagem do hoje praticamente plano interior do Ceará - com algumas serras, como a de Baturité, ao sul de Fortaleza; e a de Maranguape, próxima à capital - e dos movimentos dos grandes blocos rochosos - as microplacas -, que colidiram, se destruíram ou se fundiram, em diferentes épocas, formando o continente sul-americano.
"Há cerca de 640 milhões de anos, a região de Forquilha já foi cadeia de montanhas como o Himalaia, muito mais recente, mas ainda em formação", comenta Ticiano. Segundo ele, a cordilheira deve ter se formado com a destruição na zona de subducção [encontro de duas placas tectônicas com o mergulho da mais pesada sob a outra] de um antigo oceano e a colisão entre dois continentes, um a leste da cidade de Sobral e o outro a oeste. As rochas do continente oeste apresentam um contexto geológico diferente do continente leste, respectivamente com 2,3 bilhões e 2,1 bilhões de anos.
Uma implicação prática dessa conclusão é que os moradores a leste e a oeste de Sobral, no Ceará, podem dizer que as regiões onde vivem já pertenceram a continentes diferentes. Entre eles, haveria um oceano chamado Goianides, que cortava o Brasil no sentido nordeste-sudoeste, descrito por pesquisadores da UnB no final dos anos 1990. As bordas desse oceano eram ocupadas por cordilheiras há cerca de 600 milhões de anos.
Quando uma placa mergulha sobre outra, parte das rochas do magma derrete e pode subir como lava de vulcões e formar cadeias de montanhas. "As montanhas e os vulcões do norte da região Nordeste e Centro-Oeste foram completamente erodidos", comenta Ticiano. "Sobrou apenas a raiz do que chamamos de arco magmático, a faixa de rochas magmáticas que subiram à superfície." Os arcos magmáticos - também chamados de vulcânicos, porque, vista de cima, a cadeia de vulcões parece formar um arco - são porções do manto fundido que sobem para a superfície; no Brasil, por causa da erosão, restaram apenas as bases - ou raízes - dessas estruturas.
Retirado e adaptado de: FIORAVANTI, Carlos. Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: oinnerroor-do-ceara/ isa.fapesp.br/quando-havia-montanhas-e-vulcoes-no-interior-do-ceara/ Acesso em: 02 jun., 2023.
Analise as relações coesivas presentes no seguinte trecho, retirado de "Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará":
"Em 2012, ela passou meses examinando dezenas de lâminas de rocha nos microscópios óptico e eletrônico de varredura, que eu já havia pré-selecionado", relata Ticiano, como prefere ser chamado.
Agora, analise as afirmações. Registre V, para verdadeiras, e F, para falsas:
(__)O pronome "ela" retoma Michele Pitarello, previamente introduzida no texto.
(__)A expressão "que eu já havia pré-selecionado" se refere aos microscópios óptico e eletrônico de varredura.
(__)Podemos afirmar que há uma ambiguidade no trecho.
(__)A explicação de "como prefere ser chamado" é apresentada, pois normalmente autores são referidos pelo nome completo em textos. Assinale a alternativa com a sequência correta:
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Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará
No começo de abril de 2023, ao contar sobre uma pesquisa que iniciara há 36 anos e lhe permitiu reconstituir os movimentos dos grandes blocos em parte das regiões Nordeste e Centro-Oeste há cerca de 600 milhões de anos, o geólogo Ticiano dos Santos lembrou-se de uma estudante do Instituto de Geologia da Universidade Estadual de Campinas (IG-Unicamp), Michele Pitarello, atualmente no Serviço Geológico do Brasil em Manaus.
"Em 2012, ela passou meses examinando dezenas de lâminas de rocha nos microscópios óptico e eletrônico de varredura, que eu já havia pré-selecionado", relata Ticiano, como prefere ser chamado. "Ela dizia: 'Se tiver coesita, vou achar'."
Por fim, em uma das lâminas de rocha cortada e polida, com a espessura de 30 micrômetros (1 micrômetro equivale a 1 milésimo de milímetro), ela finalmente encontrou grãos micrométricos do que poderia ser a tal coesita, um mineral que se forma a profundidades próximas a 90 quilômetros (km) à ultra alta pressão, 20 mil a 30 mil vezes maior que a do nível do mar, em rochas chamadas eclogitos. Coesitas são bastante raras porque tendem a se transformar em quartzo quando sobem para profundidades menores e a pressão diminui.
Aparelhos mais apurados, no próprio IG da Unicamp, no Instituto de Física da Unicamp e no Laboratório Nacional de Luz Síncrotron (LNLS), também em Campinas, confirmaram a identidade da coesita incrustada em uma rocha coletada por Santos e sua equipe em Forquilha, município de 25 mil moradores no leste do Ceará. As análises que levaram à descoberta da coesita no Ceará foram apresentadas em um artigo publicado em outubro de 2015 na revista científica Gondwana Research, com resultados de estudos realizados por geólogos da Unicamp e da Universidade de Brasília (UnB).
Durante quase um ano, em seu mestrado, também orientado por Santos, o geólogo Matheus Ancelmi identificou e catalogou mais de 40 afloramentos de rochas submetidas à alta pressão na região de Forquilha. Depois, mudaram para a região do município de Irauçuba, a 70 km de distância, e, cinco anos depois, encontraram outra amostra do raro mineral. Dessa vez, a garimpagem no microscópio coube a Nádia Borges Gomes, na época também no mestrado sob orientação de Santos.
"A descoberta das coesitas merece uma festa", diz o geólogo Benjamin Bley, do Instituto de Geociências da Universidade de São Paulo (IGc-USP), que não participou da pesquisa. "Cientificamente, com os eclogitos, que também são raros, reforça os estudos sobre a correlação geológica entre o nordeste do Brasil e a África norte-oriental, que já estiveram unidos". Integradas a décadas de estudos geológicos sobre a região, as duas coesitas permitiram a reconstituição da paisagem do hoje praticamente plano interior do Ceará - com algumas serras, como a de Baturité, ao sul de Fortaleza; e a de Maranguape, próxima à capital - e dos movimentos dos grandes blocos rochosos - as microplacas -, que colidiram, se destruíram ou se fundiram, em diferentes épocas, formando o continente sul-americano.
"Há cerca de 640 milhões de anos, a região de Forquilha já foi cadeia de montanhas como o Himalaia, muito mais recente, mas ainda em formação", comenta Ticiano. Segundo ele, a cordilheira deve ter se formado com a destruição na zona de subducção [encontro de duas placas tectônicas com o mergulho da mais pesada sob a outra] de um antigo oceano e a colisão entre dois continentes, um a leste da cidade de Sobral e o outro a oeste. As rochas do continente oeste apresentam um contexto geológico diferente do continente leste, respectivamente com 2,3 bilhões e 2,1 bilhões de anos.
Uma implicação prática dessa conclusão é que os moradores a leste e a oeste de Sobral, no Ceará, podem dizer que as regiões onde vivem já pertenceram a continentes diferentes. Entre eles, haveria um oceano chamado Goianides, que cortava o Brasil no sentido nordeste-sudoeste, descrito por pesquisadores da UnB no final dos anos 1990. As bordas desse oceano eram ocupadas por cordilheiras há cerca de 600 milhões de anos.
Quando uma placa mergulha sobre outra, parte das rochas do magma derrete e pode subir como lava de vulcões e formar cadeias de montanhas. "As montanhas e os vulcões do norte da região Nordeste e Centro-Oeste foram completamente erodidos", comenta Ticiano. "Sobrou apenas a raiz do que chamamos de arco magmático, a faixa de rochas magmáticas que subiram à superfície." Os arcos magmáticos - também chamados de vulcânicos, porque, vista de cima, a cadeia de vulcões parece formar um arco - são porções do manto fundido que sobem para a superfície; no Brasil, por causa da erosão, restaram apenas as bases - ou raízes - dessas estruturas.
Retirado e adaptado de: FIORAVANTI, Carlos. Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará. Revista Pesquisa FAPESP. Disponível em: oinnerroor-do-ceara/ isa.fapesp.br/quando-havia-montanhas-e-vulcoes-no-interior-do-ceara/ Acesso em: 02 jun., 2023.
Assinale a alternativa que apresenta a correta classificação, entre parênteses, da relação semântica (valores semânticos) presente nas palavras em destaque nos trechos retirados de "Quando havia montanhas e vulcões no interior do Ceará":
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