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Foram encontradas 50 questões.

4053871 Ano: 2026
Disciplina: Raciocínio Lógico
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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Quatro crianças participam de um jogo no qual as cartas numéricas de um baralho comum são distribuídas igualmente entre todos. A cada jogada, um participante coloca sobre a mesa uma de suas cartas com o número voltado para cima e deve dizer rapidamente a soma do número da carta que colocou com o total das cartas já dispostas sobre a mesa. Nesse jogo, as cartas pretas (dos naipes “paus” e “espadas”) são consideradas positivas, e as vermelhas (naipes “copas” e “ouros”), negativas. Errando a soma, o participante toma para si as cartas que estão na mesa. O jogo segue até que alguém descarte todas as suas cartas e seja declarado vencedor da partida. Considere uma situação em que, nas 4 jogadas iniciais, são colocados sobre a mesa um 8 de paus, um 3 de copas, um 5 de ouros e um 6 de copas, e todos os participantes acertam as respectivas somas. Na quinta jogada, o participante coloca a sua carta e afirma, corretamente, que a soma dos números das 5 cartas que estão sobre a mesa é igual a 3. 
Sendo assim, a carta colocada sobre a mesa na quinta jogada pode ter sido um
 

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4053870 Ano: 2026
Disciplina: Matemática
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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Para estimular a participação e o comprometimento de seus alunos, a professora de uma turma de 2o ano do Ensino Fundamental sorteia, diariamente, um integrante da turma para ser o “ajudante do dia”. Nessa turma, há 3 meninos a mais do que meninas, e a probabilidade de que seja sorteada uma menina é de 4/9 .

Se cada integrante da turma tem a mesma chance de ser sorteado, quantos são os meninos?

 

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4053869 Ano: 2026
Disciplina: Matemática
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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Na reta numérica acima representada, estão marcados 2 pontos, P e Q, que correspondem a dois números racionais distintos.

Sabendo-se que a diferença entre esses dois números é igual a 7/5 , dentre os números a seguir, aqueles que correspondem, respectivamente, a P e a Q são:

 

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4053868 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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Alfabetização e letramento matemáticos são processos distintos e complementares. A alfabetização matemática contempla a leitura e a escrita de números e símbolos, bem como o domínio de operações básicas. O letramento pressupõe o entendimento e a aplicação do conhecimento adquirido na alfabetização matemática, ou seja, a efetivação social desse conhecimento.

Considere as 3 atividades práticas a seguir, propostas para alunos de uma turma de 5o ano do Ensino Fundamental.

I - Comparar os preços de dois potes de geleia de mesma qualidade, um com 300g e o outro com 200g, e concluir qual deles apresenta melhor preço (considerando o valor cobrado por 1 kg de geleia em cada caso).

II - Efetuar a multiplicação de dois números naturais, cada um formado por três dígitos, utilizando o algoritmo da multiplicação.

III - Calcular as quantidades dos ingredientes necessários para fazer um bolo que sirva a 20 pessoas, tendo como base uma receita de bolo para servir 8 pessoas.

As atividades apresentadas correspondem, respectivamente, a:

 

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4053867 Ano: 2026
Disciplina: Matemática
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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Uma professora deseja forrar um mural retangular com cartolina. Para cobrir o mural completamente, ela dispõe de folhas de cartolina quadradas e idênticas. A seguir, há um esquema que representa o mural com 9 folhas de cartolina já colocadas.

Enunciado 4527000-1

Considerando-se as medidas do mural apresentadas no esquema, a quantidade de folhas necessária para forrar completamente a área hachurada é

 

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4053866 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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Texto IV

Enunciado 4526999-1

LAERTE, @laertegenial. [s. l.]. Instagram, ago. 2020. Disponível em: https://www.instagram.com/p/CjvOTsjsE_K/?igshid=MzRIODBiNWFIZA %3D%3D. Acesso em: 2 fev. 2026. Adaptado.

A tirinha de Laerte promove uma reflexão sobre os efeitos da leitura na formação do sujeito.

Visando à produção de sentidos, que protocolos de leitura devem ser adotados no trabalho com o referido texto em turmas de 5o ano do Ensino Fundamental?

 

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4053865 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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Texto III
Tuiupé e o maracá mágico
Quem gostar de ouvir história levante bem alto a mão, pois vou contar uma linda preste bastante atenção!
A nossa história inicia num tempo muito distante. Bem no meio da floresta vivia essa habitante.
Tuiupé era seu nome, cunhãtaí bem sapeca. Tomava banho de rio e era levada da breca.
Os povos originários viviam em segurança. Aquele era um tempo bom, de paz, amor e bonança.
O pai da nossa menina era o pajé Saracura, que com amor protegia cada viva criatura.
Juntos recolhiam plantas, flores, frutos e raízes para preparar remédios, estavam sempre felizes.
A avó de Tuiupé se chamava Yacunã, sabia tudo de ervas, era uma sábia anciã.
Com sua mãe Tuiupé cedo aprendeu a cantar, trançar palha, fazer cestos, usar rede pra pescar.

TABAJARA, Auritha; TÔRRES, Paola. Tuiupé e o maracá mágico. Ilustração de Tai. São Paulo: Cia das Letrinhas, 2024. p. 5-6.

O Texto III constitui a apresentação da personagem Tuiupé do livro Tuiupé e o maracá mágico.
A fim de promover uma reflexão crítica em estudantes de 3o e 4o anos dos Anos Iniciais do Ensino Fundamental sobre a história, é adequado explicitar que a construção estética positiva de Tuiupé e sua família ocorre no texto por meio do uso de
 

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4053864 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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TEXTO II

Dandara

A guerreira de Palmares


Na escola, uma menininha muito esperta e curiosa chamada Carolina olha atenta os livros que estão na prateleira da sala de leitura.

Carol, como é carinhosamente conhecida, gosta muito de histórias. Às vezes, passa horas folheando as páginas dos livros, observando as figuras ou brincando de ler para suas bonecas, momentos em que dá vida aos personagens.

Às sextas-feiras, as crianças podem escolher um livro da biblioteca e levar para casa. Numa delas, em meio a tantas princesas que vivem em reinos distantes, à espera de seus príncipes encantados, um outro tipo de história chama a atenção de Carol.

A menina chega em casa animada e, como alguém que possui algo muito precioso, vai logo mostrando o livro para a mãe:

– Olha, mamãe, o livro que eu trouxe da escola!

Teresa, com carinho, pega o livro e fala:

– Hum, é sobre Dandara, guerreira do Quilombo dos Palmares! Excelente escolha, filha!

Carol olha para a mãe e diz:

– Você lê para mim?!

As duas se sentam no sofá e se preparam para o início de uma grande aventura!

A história que vou contar agora é sobre uma linda garotinha chamada Dandara. Ela é muito esperta, inteligente e corajosa!

– Igual a você, Carol – diz Teresa, recebendo em troca um sorriso cativante.

Numa época em que muitos reis, rainhas, ferreiros, agricultores, mineradores, tecelões, escultores são trazidos à força da África para serem escravizados no Brasil, Dandara vive em liberdade no Quilombo dos Palmares.

– O que é um quilombo, mamãe?

– Os quilombos eram comunidades onde homens, mulheres e crianças lutavam contra as crueldades da escravização. Tinham muitos negros, mas também brancos e indígenas. Lá eles construíam suas casas, plantavam milho, batata doce, mandioca, criavam animais, faziam festas, cantavam e dançavam ao som de cantigas e tambores... Enfim, viviam livres e felizes, como na terra mãe distante: a África.

Dandara adora tomar banho de rio, correr pela mata e brincar com os animais da floresta. Esse é um momento de grande diversão e troca de energia!

Os mais velhos da comunidade sempre falam sobre o cuidado e o respeito que se deve ter com a natureza. À noite, em volta da fogueira, eles também contam as incríveis histórias de seus antepassados, transmitindo todo o seu conhecimento. As crianças ouvem tudo em silêncio, prestando muita atenção!

Com espírito combativo e justo, a menina tem a confiança de todos na comunidade. Entre as crianças, até mesmo as de mais idade, é ela quem organiza as brincadeiras e as atividades diárias.

O tempo passa, Dandara cresce e se torna uma grande guerreira.

Obstinada em garantir a liberdade de seus irmãos e irmãs, Dandara começa a liderá-los em defesa do quilombo. Ela sabe que Palmares corre perigo, pois a ganância de certos homens está desestabilizando o equilíbrio do mundo.

Certo dia, de uma hora para outra, raios, ventos e tempestades começam a tomar o céu, agitando as palmeiras que balançam no ar.

A ventania traz consigo uma mensagem! Um jovem chamado Akin, com muita dificuldade, atravessa a mata fechada e chega ao quilombo com a notícia de que homens perversos estão avançando em direção à comunidade.

Dandara imediatamente reúne as guerreiras e os guerreiros e, juntos, começam a traçar as estratégias de resistência.

Os quilombolas, além de muito habilidosos nos combates, conhecem bem as matas da região. Usando isso a seu favor, eles conseguem corajosamente impedir os inimigos de chegarem a Palmares.

À noite, enquanto comemorava mais uma vitória contra aqueles que querem destruir o quilombo, Dandara agradece a proteção de seus ancestrais e pensa: quando Obatalá criou os homens e as mulheres, ele os fez livres e iguais. A liberdade é o que temos de mais precioso e ninguém pode tirá-la de nós.

Alguns dias depois, Dandara convoca as guerreiras e os guerreiros para uma missão muito importante. Consciente e determinada, a heroína sabe que sua liberdade, assim como a dos demais moradores do quilombo, só terá sentido quando todos os seus irmãos e irmãs negros também forem livres.

Dandara olha firme para seus companheiros e diz:

– Nós só seremos livres de verdade quando o nosso povo não for mais escravizado. Precisamos agir!

O plano de Dandara é libertar os escravizados de um engenho de açúcar da região.

Ao anoitecer, os quilombolas, liderados por ela e por Zumbi, seu companheiro de vida e de luta, chegam ao local. Os escravizados dormem nas senzalas, vigiados pelo feitor.

O vento, que soprava leve e agradável, de repente se agita. É a deusa dos raios, dos ventos e das tempestades e o deus da guerra que se aproximam para proteger os valorosos guerreiros!

Com a ventania, as tochas que iluminam a fazenda se apagam. Os quilombolas, mesmo com a oposição dos capangas, conseguem abrir as senzalas e todos seguem para Palmares.

– LIBERDADE!

No quilombo, tudo é compartilhado: a terra, os alimentos, mas principalmente o sonho de LIBERDADE, o qual é o tempo todo ameaçado por aqueles que atacam a comunidade. Dandara sabe disso e teme por sua família e por seus irmãos.

Certa noite, a guerreira não consegue descansar. Levanta-se, olha para Zumbi e para seus filhos. Todos dormem. Dandara sai da sua casa e caminha em direção à floresta. Lá, ela recuperaria suas energias para a batalha que se anunciava.

Ainda antes do amanhecer, Dandara e Zumbi recebem de Acaiuba a notícia de que Palmares está cercado pelos inimigos.

– Meus irmãos e irmãs... – diz Dandara a seus companheiros, que a olham com muita admiração, respeito e confiança.

– Há tempos estamos protegendo essa comunidade daqueles que querem nos escravizar e nos obrigar a trabalhar de forma desumana para sua riqueza. Mas nós não iremos aceitar! Nunca abriremos mão de nossa liberdade! NUNCA!

– LIBERDADE! LIBERDADE! – gritam os guerreiros.

Dandara lutou, lutou, lutou com muita força e coragem... por ela, por sua família e pelo seu povo negro. Seu espírito corajoso e guerreiro era livre, livre como o vento, e deixou muitas sementes plantadas por ali.

– Por isso, sua incansável luta pela liberdade continua viva até hoje, mesmo com a destruição do quilombo. Inspirando muitos homens, mulheres e crianças negras – diz Teresa, encerrando a história.

– Uau!!! Que incrível heroína foi Dandara! Podemos ler de novo quando o papai chegar? – Diz Carol, emocionada.

Teresa apenas sorri, observando a filha, que repete, pausadamente:

– Li-ber-da-de!

OLIVEIRA, Janaína. Dandara, a guerreira de Palmares. Pereira Barreto: A Arte da Palavra, 2022.

O Texto II é a narrativa integral do livro Dandara, a guerreira de Palmares, da escritora Janaína Oliveira.

Com vistas à formação do leitor literário nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental, que critérios justificam adequadamente a seleção dessa obra para turmas de 2o e 3o anos?

 

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4053863 Ano: 2026
Disciplina: Pedagogia
Banca: CESGRANRIO
Orgão: Fundação Osório
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Texto I

A importância do ato de ler

Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.

Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.

A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.

A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.

Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.

No Texto I, Paulo Freire tece uma sutil crítica à ideia de “escolarização”: “Primeiro, a ‘leitura’ do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da ‘palavramundo’.” (parágrafo 2)

De acordo com o pressuposto defendido pelo educador, que atividade de leitura literária seria adequada ao conceito de “palavramundo” nos Anos Iniciais do Ensino Fundamental?

 

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4053862 Ano: 2026
Disciplina: Português
Banca: CESGRANRIO
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Texto I

A importância do ato de ler

Me parece indispensável, ao procurar falar de tal importância, dizer algo do momento mesmo em que me preparava para aqui estar hoje; dizer algo do processo em que me inseri enquanto ia escrevendo este texto que agora leio, processo que envolvia uma compreensão crítica do ato de ler, que não se esgota na decodificação pura da palavra escrita ou da linguagem escrita, mas que se antecipa e se alonga na inteligência do mundo. A leitura do mundo precede a leitura da palavra, daí que a posterior leitura desta não possa prescindir da continuidade da leitura daquele. Linguagem e realidade se prendem dinamicamente. A compreensão do texto a ser alcançada por sua leitura crítica implica a percepção das relações entre o texto e o contexto. Ao ensaiar escrever sobre a importância do ato de ler, eu me senti levado - e até gostosamente - a “reler” momentos fundamentais de minha prática, guardados na memória, desde as experiências mais remotas de minha infância, de minha adolescência, de minha mocidade, em que a compreensão crítica da importância do ato de ler se veio em mim constituindo.

Ao ir escrevendo este texto, ia “tomando distância” dos diferentes momentos em que o ato de ler se veio dando na minha experiência existencial. Primeiro, a “leitura” do mundo, do pequeno mundo em que me movia; depois, a leitura da palavra que nem sempre, ao longo de minha escolarização, foi a leitura da “palavramundo”.

A retomada da infância distante, buscando a compreensão do meu ato de “ler” o mundo particular em que me movia - e até onde não sou traído pela memória -, me é absolutamente significativa. Neste esforço a que me vou entregando, re-crio, e re-vivo, no texto que escrevo, a experiência vivida no momento em que ainda não lia a palavra. Me vejo então na casa mediana em que nasci, no Recife, rodeada de árvores, algumas delas como se fossem gente, tal a intimidade entre nós - à sua sombra brincava e em seus galhos mais dóceis à minha altura eu me experimentava em riscos menores que me preparavam para riscos e aventuras maiores.

A velha casa, seus quartos, seu corredor, seu sótão, seu terraço - o sítio das avencas de minha mãe -, o quintal amplo em que se achava, tudo isso foi o meu primeiro mundo. Nele engatinhei, balbuciei, me pus de pé, andei, falei. Na verdade, aquele mundo especial se dava a mim como o mundo de minha atividade perceptiva, por isso mesmo como o mundo de minhas primeiras leituras. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto [...] se encarnavam numa série de coisas, de objetos, de sinais, cuja compreensão eu ia apreendendo no meu trato com eles nas minhas relações com meus irmãos mais velhos e com meus pais.

Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam no canto dos pássaros - o do sanhaçu, o do olha-pro-caminho-quem-vem, o do bem-te-vi, o do sabiá; na dança das copas das árvores sopradas por fortes ventanias que anunciavam tempestades, trovões, relâmpagos; as águas da chuva brincando de geografia: inventando lagos, ilhas, rios, riachos. Os “textos”, as “palavras”, as “letras” daquele contexto se encarnavam também no assobio do vento, nas nuvens do céu, nas suas cores, nos seus movimentos; na cor das folhagens, na forma das folhas, no cheiro das flores - das rosas, dos jasmins -, no corpo das árvores, na casca dos frutos. Na tonalidade diferente de cores de um mesmo fruto em momentos distintos: o verde da manga-espada verde, o verde da manga- -espada inchada; o amarelo esverdeado da mesma manga amadurecendo, as pintas negras da manga mais além de madura. [...]

FREIRE, Paulo. A importância do ato de ler: em três artigos que se completam. 23. ed. São Paulo: Cortez, 1989. p. 6-7.

No Texto I, Paulo Freire compreende o ato da leitura como um processo que
 

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