Foram encontradas 190 questões.
Menina
– Ana Lúcia, seu pai ainda está viajando?
– Está.
– Mentirosa! Sua mãe é desquitada.
Ficou impotente diante da palavra desconhecida. [...]
Desquitada. Passou dias tentando solucionar sozinha. Seria uma coisa como burra, feia? Não, não parecia. Flor? Flor parecia, mas não explicava nada: orquídeas, rosas, sempre-vivas, desquitadas... Parecia. “Mentirosa! Sua mãe é desquitada!” Tita dissera como quem diz o quê? o quê? o quê? sem-vergonha. Sim!, como quem diz sem-vergonha: olhando de frente e esperando um tapa.
[...]
– Mamãe, o que é desquitada? – atirou rápida com uma voz sem timbre.
[...]
– Desquitada é quando o marido vai embora e a mãe fica cuidando dos filhos.
[...] Bom, que desquitada não fosse um insulto. Bom mesmo. Deixava-a livre para pensar e não pensar, coisa tão difícil que
– Marido é o pai? – ela quis confirmar, conquistando áreas que as outras crianças tinham naturalmente. A mãe sorriu e confirmou.
Tita sabia dizer “papai” porque a mãe não era desquitada ia Ana Lúcia aprendendo, descobrindo. Havia muita coisa em que pensar naquela conversa. Por exemplo: o que ela chama de marido é o que eu chamo de pai. Essa é uma diferença entre mãe e filha.
Ela sabia cada vez mais.
ÂNGELO, Ivan. In: Os cem melhores contos brasileiros do século.Rio de Janeiro: Objetiva, 2009. p. 261 (Adaptado).
A sinonímia entre “marido e pai”, nesse contexto, dá-se em função da variação linguística
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Considere a função anafórica do pronome destacado e assinale a alternativa em que ele pode ser substituído por um pronome demonstrativo na sua forma invariável.
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Disponível em: <https://educacao.uol.com.br/album/mobile/2015/10/01/a-reforma-ortografica-e-osquadrinhos>. Acesso em: 3 fev. 2023.
Com relação à imagem e ao uso do hífen nas palavras formadas com prefixo, pode-se depreender que
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Disponível em: <https://tirasarmandinho.tumblr.com/>.Acesso em: 2 fev. 2023.
A fala de uma das personagens, nos quadrinhos, está em desacordo com a variedade padrão da língua. Esse desvio de norma pode ser observado porque
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Alguns dizem que a vida criativa está nas ideias; outros, que ela está na ação. Na maioria dos casos, ela parece estar num ser simples. Não se trata de virtuosismo, embora não haja nada de errado com ele. Trata-se de amor por algo de sentir tanto amor por algo – seja por uma pessoa, uma palavra, uma imagem, uma ideia, pelo país, pela humanidade – que tudo que pode ser feito com o excesso é criar. Não é uma questão de querer; não é um ato isolado da vontade. Simplesmente é o que se precisa saber. [...]
ESTÉS, Clarissa Pinkola. Mulheres que correm com os lobos: mitos e histórias da mulher selvagem.1. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 2018.
Com relação aos segmentos em destaque no texto, pode-se dizer que o emprego das vírgulas é justificado por
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Quantos livros ainda serão escritos sobre a morte do livro? O livro, ancestral dos modernos meios de comunicação, embora cercado por netos barulhentos, vem oferecendo em silêncio um digno exemplo de coexistência pacífica. E para usar uma palavra extraída de seu universo, desempenha um papel que é todo seu.
AZEVEDO, João Humberto (Org.). Como abrir seu próprio negócio: livraria. 2. ed. Brasília: SEBRAE, 1998.
Dadas as afirmativas, considerando o fragmento de texto,
I. O autor do texto sugere que os modernos meios de comunicação estão longe de massificar a indústria do livro.
II. No texto, há uma defesa entusiástica das possibilidades abertas para se investir em inovações tecnológicas, já que essas irão acabar com a democratização e a descentralização do negócio do livro.
III. Verifica-se, no texto, uma opinião, especificamente, sobre a ameaça virtual, mostrando que as inovações tecnológicas prejudicam o mercado editorial.
IV. É possível perceber que o autor do texto enxerga um futuro no qual há espaço somente para a tecnologia digital.
verifica-se que está/ão correta/s
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Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada? Não bastavam as humilhações recebidas em público? No relógio oficial, nas ruas, nos cafés, viraram-me as costas. Eu era um cachorro, um ninguém.
— “É conveniente escrever um artigo, seu Luís”. Eu escrevia. E pronto, nem um muito obrigado. Um Julião Tavares me voltava as costas e me ignorava. Nas relações na repartição, no bonde, eu era um trouxa, um infeliz, amarrado...
RAMOS, Graciliano.Angústia. 59. ed. São Paulo: Record, 2004. p. 236.
Analise as afirmativas que seguem, considerando alguns dos elementos da construção narrativa.
I. No texto, a postura do personagem-tipo é de um ressentimento individual, que, embora explicite as relações de poder entre os dominantes e seus subalternos, não reivindica uma mudança das relações de exploração em geral.
II. O personagem-tipo pertence à classe dominante que, necessariamente, não tem condições de uma consciência plena como classe.
III. O personagem Luís quer ser apenas prestigiado e, se possível, chegar ao mesmo patamar da classe que o oprime; por isso, reivindica uma mudança das relações de exploração.
IV. No trecho: “Não grito: habituei-me a falar baixinho na presença dos chefes. [...] então eu não era nada?”, é possível reconhecer que são palavras ditas pelo personagem Luís, mas não há verbo de dizer, não há travessão nem aspas. Isso está integrado ao discurso indireto do narrador.
verifica-se que está/ão correta/s apenas
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CANÇÃO DE UM DIA DE VENTO
Para Maurício Rosenblat
O vento vinha ventando Pelas cortinas de tule.
As mãos da menina morta Estão varadas de luz No colo, juntos, refulgem Coração, âncora e cruz.
Nunca a água foi tão pura... Quem a teria abençoado? Nunca o pão de cada dia Teve um gosto mais sagrado
O vento vinha ventando Pelas cortinas de tule...
[...]
QUINTANA, Mario. In: CARRASCOZA, João Anzanello (Org). O segundo olhar: antologia. Rio de Janeiro: Alfaguara, 2018. p. 83.
Assinale a alternativa em cujo verso desse poema a pessoa ou coisa, tendo em vista a ação verbal, recebe a ação.
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Disponível em: <https://urucumdigital.c om/2015/01/28/armandinho-alexandre-beck-e-o-compromisso-com-o-mundo/>. Acesso em: 30 jan. 2023.
Dadas as afirmativas, considerando os aspectos normativos presentes nas falas do personagem Armandinho, nos quadrinhos,
I. O pronome demonstrativo essas (primeiro quadrinho) indica distância da situação de fala.
II. O pronome demonstrativo essas (primeiro quadrinho) sugere retomada de informação distante no texto.
III. No último quadrinho, há um fator de ocorrência para próclise na norma-padrão, que é o advérbio de negação não.
IV. No primeiro quadrinho, até é uma palavra denotativa de inclusão e funciona como operador argumentativo.
verifica-se que estão corretas apenas
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Março 10
O Diabo tocou violino
Nesta noite de 1712, o Diabo visitou o jovem violinista Giuseppe Tartini, e em sonhos tocou para ele.
Giuseppe queria que aquela música não terminasse nunca; mas, quando acordou, a música tinha ido embora.
Na procura daquela música perdida, Tartini compôs duzentas e dezenove sonatas, que executou com inútil maestria durante toda a sua vida.
O público aplaudia seus fracassos.
GALEANO, Eduardo H.Os filhos dos dias. Porto Alegre, L&PM, 2017. p. 90.
O tipo e o gênero textuais de que o autor se valeu para discorrer sobre a vida do personagem são, respectivamente,
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