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Pacientes atendidos na emergência psiquiátrica, com alto risco de suicídio, frequentemente requerem hospitalização. Sobre o risco de suicídio e a decisão de hospitalização, é correto afirmar-se, exceto
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- Certificado DigitalFundamentos: Certificado Digital
- CriptografiaCriptografia AssimétricaRSA: Rivest, Shamir and Adelman
A sigla de um algoritmo de criptografia assimétrica, fundamentado na teoria dos números, que normalmente é utilizado em Certificados Digitais, é
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São características dimensionais básicas, a partir das quais, pode-se avaliar, de forma aproximada, os motores de combustão interna
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Com relação à segurança da informação em sistemas computacionais, define um Phreaker:
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São critérios diagnósticos para transtorno da personalidade, exceto
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TEXTO – A última crônica (Fernando Sabino)
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade, estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico; nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
A caminho de casa, entro num botequim da Gávea para tomar um café junto ao balcão. Na realidade, estou adiando o momento de escrever. A perspectiva me assusta. Gostaria de estar inspirado, de coroar com êxito mais um ano nesta busca do pitoresco ou do irrisório no cotidiano de cada um. Eu pretendia apenas recolher da vida diária algo de seu disperso conteúdo humano, fruto da convivência, que a faz mais digna de ser vivida. Visava ao circunstancial, ao episódico; nesta perseguição do acidental, quer num flagrante de esquina, quer nas palavras de uma criança ou num incidente doméstico, torno-me simples espectador e perco a noção do essencial. Sem mais nada para contar, curvo a cabeça e tomo meu café, enquanto o verso do poeta se repete na lembrança: “assim eu quereria o meu último poema”. Não sou poeta e estou sem assunto. Lanço então um último olhar fora de mim, onde vivem os assuntos que merecem uma crônica.
Ao fundo do botequim, um casal de pretos acaba de sentar-se, numa das últimas mesas de mármore ao longo da parede de espelhos. A compostura da humildade, na contenção dos gestos e palavras, deixa-se acentuar pela presença de uma negrinha de seus três anos, laço na cabeça, toda arrumadinha no vestido pobre, que se instalou também à mesa: mal ousa balançar as perninhas curtas ou correr os olhos grandes de curiosidade ao redor. Três seres esquivos que compõem em torno à mesa a instituição tradicional da família, célula da sociedade. Vejo, porém, que se preparam para algo mais que matar a fome.
Passo a observá-los. O pai, depois de contar o dinheiro que discretamente retirou do bolso, aborda o garçom, inclinando-se para trás na cadeira, e aponta no balcão um pedaço de bolo sob a redoma. A mãe limita-se a ficar olhando imóvel, vagamente ansiosa, como se aguardasse a aprovação do garçom. Este ouve, concentrado, o pedido do homem e depois se afasta para atendê-lo. A mulher suspira, olhando para os lados, a reassegurar-se da naturalidade de sua presença ali. A meu lado o garçom encaminha a ordem do freguês. O homem atrás do balcão apanha a porção do bolo com a mão, larga-o no pratinho – um bolo simples, amarelo-escuro, apenas uma pequena fatia triangular.
A negrinha, contida na sua expectativa, olha a garrafa de Coca-Cola e o pratinho que o garçom deixou à sua frente. Por que não começa a comer? Vejo que os três, pai, mãe e filha, obedecem em torno à mesa a um discreto ritual. A mãe remexe na bolsa de plástico preto e brilhante, retira qualquer coisa. O pai se mune de uma caixa de fósforos e espera. A filha aguarda também, atenta como um animalzinho. Ninguém mais os observa além de mim.
São três velinhas brancas, minúsculas, que a mãe espeta caprichosamente na fatia de bolo. E, enquanto ela serve a Coca-Cola, o pai risca o fósforo e acende as velas. Como a um gesto ensaiado, a menininha repousa o queixo no mármore e sopra com força, apagando as chamas. Imediatamente põe-se a bater palmas, muito compenetrada, cantando num balbucio, a que os pais se juntam discretos: parabéns pra você...” Depois, a mãe recolhe as velas, torna a guardá-las na bolsa. A negrinha agarra finalmente o bolo com as duas mãos sôfregas e põe-se a comê-lo. A mulher está olhando com ternura – ajeita-lhe a fitinha no cabelo crespo, limpa o farelo de bolo que lhe cai ao colo. O pai corre os olhos pelo botequim, satisfeito, como a se convencer intimamente do sucesso da celebração. De súbito, dá comigo a observá-lo, nossos olhos se encontram, ele se perturba, constrangido – vacila, ameaça abaixar a cabeça, mas acaba sustentando o olhar e enfim se abre num sorriso.
Assim eu quereria a minha última crônica: que fosse pura como esse sorriso.
O sorriso do pai da aniversariante, ao final da crônica, demonstra
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TEXTO – O GIGOLÔ DAS PALAVRAS
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável, para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da revisão! Culpa da revisão!”). Mas os alunos desfizeram o equívoco, antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Quatro ou cinco grupos diferentes de alunos do Farroupilha estiveram lá em casa numa mesma missão, designada por seu professor de Português: saber se eu considerava o estudo da Gramática indispensável, para aprender e usar a nossa ou qualquer outra língua. Cada grupo portava seu gravador cassete, certamente o instrumento vital da pedagogia moderna, e andava arrecadando opiniões. Suspeitei de saída que o tal professor lia esta coluna, se descabelava diariamente com as suas afrontas às leis da língua, e aproveitava aquela oportunidade para me desmascarar. Já estava até preparando, às pressas, minha defesa (“Culpa da revisão! Culpa da revisão!”). Mas os alunos desfizeram o equívoco, antes que ele se criasse. Eles mesmos tinham escolhido os nomes a serem entrevistados. Vocês têm certeza que não pegaram o Veríssimo errado? Não. Então vamos em frente.
Respondi que a linguagem, qualquer linguagem, é um meio de comunicação e que deve ser julgada exclusivamente como tal. Respeitadas algumas regras básicas da Gramática, para evitar os vexames mais gritantes, as outras são dispensáveis. A sintaxe é uma questão de uso, não de princípios. Escrever bem é escrever claro, não necessariamente certo. Por exemplo: dizer “escrever claro” não é certo, mas é claro, certo? O importante é comunicar. (E, quando possível, surpreender, iluminar, divertir, mover... Mas aí entramos na área do talento, que também não tem nada a ver com Gramática.) A Gramática é o esqueleto da língua. Só predomina nas línguas mortas, e aí é de interesse restrito a necrólogos e professores de Latim, gente em geral pouco comunicativa. Aquela sombria gravidade que a gente nota nas fotografias em grupo dos membros da Academia Brasileira de Letras é de reprovação pelo Português ainda estar vivo. Eles só estão esperando, fardados, que o Português morra, para poderem carregar o caixão e escrever sua autópsia definitiva. É o esqueleto que nos traz de pé, certo, mas ele não informa nada, como a Gramática é a estrutura da língua, mas sozinha não diz nada, não tem futuro. As múmias conversam entre si em Gramática pura.
Claro que eu não disse tudo isso para meus entrevistadores. E adverti que minha implicância com a Gramática, na certa, se devia à minha pouca intimidade com ela. Sempre fui péssimo em Português. Mas – isso eu disse – vejam, vocês, a intimidade com a Gramática é tão indispensável, que eu ganho a vida escrevendo, apesar da minha total inocência na matéria. Sou um gigolô das palavras. Vivo às suas custas. E tenho com elas exemplar conduta de um cáften profissional. Abuso delas. Só uso as que eu conheço, as desconhecidas são perigosas e potencialmente traiçoeiras. Exijo submissão. Não raro, peço delas flexões inomináveis, para satisfazer um gosto passageiro. Maltrato-as, sem dúvida. E jamais me deixo dominar por elas. Não me meto na sua vida particular. Não me interessa seu passado, suas origens, sua família nem o que outros já fizeram com elas. Se bem que não tenha também o mínimo escrúpulo em roubá-las de outro, quando acho que vou ganhar com isto. As palavras, afinal, vivem na boca do povo. São faladíssimas. Algumas são de baixíssimo calão. Não merecem o mínimo respeito.
Um escritor que passasse a respeitar a intimidade gramatical das suas palavras seria tão ineficiente quanto um gigolô que se apaixonasse pelo seu plantel. Acabaria tratando-as com a deferência de um namorado ou com a tediosa formalidade de um marido. A palavra seria a sua patroa! Com que cuidados, com que temores e obséquios ele consentiria em sair com elas em público, alvo da impiedosa atenção de lexicógrafos, etimologistas e colegas. Acabaria impotente, incapaz de uma conjunção. A Gramática precisa apanhar todos os dias para saber quem é que manda.
VERÍSSIMO, Luís Fernando. O gigolô das palavras. In: ______. Para gostar de ler; Luis Fernando
Veríssimo: o nariz e outras crônicas. 10 ed. v. 14. São Paulo: Ática, 2002. p. 77-8.
A linguagem metafórica se apresenta na passagem da opção
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Com relação à segurança da informação, o principal benefício, trazido pela adoção de um sistema de NAT (Network Address Translation), no roteador de uma LAN, é
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1615744
Ano: 2016
Disciplina: TI - Organização e Arquitetura dos Computadores
Banca: IF-CE
Orgão: IF-CE
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Banca: IF-CE
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Os SSDs não devem ser chamados de discos, porque eles
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TEXTO – HISTÓRICO DA REVISÃO TEXTUAL
Houve tempo em que os revisores eram pessoas de grande preparo intelectual. Segundo Arezio (1925:10), “as constantes divergências de crenças religiosas e a falsa interpretação dos textos sacros deram lugar a discussões e controvérsias. Daí a necessidade de formarem um corpo de revisão, entre os homens de maior fama intelectual e erudição comprovada, para fazerem a correção ou a revisão dos manuscritos antigos, dando-lhes nova forma, alterando-lhes os períodos, de modo que as subsequentes edições saíssem isentas daqueles senões”.
Houve tempo em que os revisores eram pessoas de grande preparo intelectual. Segundo Arezio (1925:10), “as constantes divergências de crenças religiosas e a falsa interpretação dos textos sacros deram lugar a discussões e controvérsias. Daí a necessidade de formarem um corpo de revisão, entre os homens de maior fama intelectual e erudição comprovada, para fazerem a correção ou a revisão dos manuscritos antigos, dando-lhes nova forma, alterando-lhes os períodos, de modo que as subsequentes edições saíssem isentas daqueles senões”.
A instituição da revisão de provas tipográficas provocou à época, na França, a revolta dos copistas, que se insurgiram contra a inovação da reprodução por meio da tipografia. Muito bem relacionados com a nobreza reinante, conseguiram o apoio do parlamento francês, para condenar os impressores (proprietários de tipografias ou editores) e colaboradores à perda dos seus bens. Era mais um momento da história em que a ignorância prevalecia, já que novos métodos eram considerados, com base na religião, obra do demônio. Os impressores, perseguidos, obviamente continuaram a trabalhar, embora na clandestinidade. E os copistas continuaram a copiar os breves e as orações, por seu método primitivo. Mas os erros passaram a frequentes. Os copistas já não atendiam à demanda. Em consequência, a clientela, gradativamente, acabou por procurar outros recursos. Se os copistas, que se julgavam de extrema competência, deixavam passar erros, os impressores também – estes últimos acusados pelos primeiros de adulterar os livros. Assim, dos impressores, quem mais se preocupasse com a revisão adquiria fama pelas edições corretas. Ao se referir aos impressores Ulrich Gering, Martin Krantz e Michel Friburger, que se instalaram na Sorbonne, Arezio (1925: 10) dá conta de que “liam as primeiras provas antes de começar a impressão, para que elas saíssem escoimadas dos erros da caixa ou dos cometidos pelos tipógrafos”.
O desenvolvimento da indústria da impressão tipográfica e a prática de emendar (corrigir), a partir de provas de prelo – de prensa ou rolo –, abriram campo para profissionais encarregados de acompanhar os autores na leitura das provas. Precursores dos atuais revisores de texto, eram eles comumente “os tipógrafos mais inteligentes e mais eruditos”.
Antigamente, os erros das primeiras edições eram corrigidos a pena. Citando o Manual de tipografia, de R. Ogier, de 1832, Arezio (1925: 12-3) informa que, nas obras de Gering, não se usava a errata. “Esta apareceu, pela primeira vez, na edição do Juvenal, impresso em Veneza, por Gabriel Pierres, 1478, e constava de duas páginas.” Duas páginas de errata deixam qualquer revisor em maus lençóis – o escritor Nélson Rodrigues dizia que “o único erro que merece a pena de fuzilamento é o erro de revisão”.
A despeito de os revisores se desdobrarem na correção geralmente difícil e custosa, muitas vezes a atenção é comprometida pelo cansaço, e sempre acaba havendo lugar para a abominável errata ao final.
O escritor cubano Antón Arrufat (De la pequeñas cosas, 1935) faz uma reflexão sobre a “insidiosa errata” e fala da preocupação quase doentia do poeta Baudelaire com os erros tipográficos. Outros mais eram cuidadosos, pois tinham na errata um atestado de incompetência. O impressor Estienne Dolet exaltava tanto a revisão, que pregava suas provas tipográficas na porta da oficina, “dando um prêmio àqueles que nelas descobrissem um pastel”. (AREZIO, 1925:13)
Dolet era poeta, escritor, orador, revisor. Viveu no séc. XVI e foi contemporâneo de Marot e de Rabelais (considerados dois dos maiores escritores franceses na década de 1530). Antes de se projetar, era revisor em Lyon, quando compôs o Pantagruel e o Gargantua. A máxima “andar com bons, para se tornar um deles” funcionou para Dolet. “Do convívio com os homens ilustrados daquela época, Dolet se propôs a revedor de provas da imprensa: dedicou-se à literatura e ganhou nome entre os principais autores franceses”, afirma Arezio.
Apesar de sistemático e exigente, e de oferecer prêmios a quem apontasse falhas em suas obras, Dolet não conseguiu se livrar da abominável errata. Em 1925, Arezio comenta que a obra-prima da arte tipográfica, os Comentários da língua latina (2 v., 1536-1538), de Dolet, com 854 páginas, contou com apenas oito erros de revisão compondo a errata ao fim do segundo volume.
ARISTIDES, Coelho Neto. Além da revisão: critérios para revisão textual. Brasília: Editora SENAC – DF, 2013.
Na passagem: “A despeito de os revisores se desdobrarem na revisão geralmente difícil e custosa, muitas vezes a atenção é comprometida pelo cansaço...”, para que o sentido permaneça o mesmo, o conector destacado deve ser substituído por
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