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É correto afirmar-se sobre os transtornos alimentares:
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Considerando-se o art. 35 da Lei nº 9.394/96, não é finalidade do ensino médio:
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1515755
Ano: 2016
Disciplina: TI - Organização e Arquitetura dos Computadores
Banca: IF-CE
Orgão: IF-CE
Disciplina: TI - Organização e Arquitetura dos Computadores
Banca: IF-CE
Orgão: IF-CE
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São elementos do disco rígido:
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TEXTO – HISTÓRICO DA REVISÃO TEXTUAL
Houve tempo em que os revisores eram pessoas de grande preparo intelectual. Segundo Arezio (1925:10), “as constantes divergências de crenças religiosas e a falsa interpretação dos textos sacros deram lugar a discussões e controvérsias. Daí a necessidade de formarem um corpo de revisão, entre os homens de maior fama intelectual e erudição comprovada, para fazerem a correção ou a revisão dos manuscritos antigos, dando-lhes nova forma, alterando-lhes os períodos, de modo que as subsequentes edições saíssem isentas daqueles senões”.
A instituição da revisão de provas tipográficas provocou à época, na França, a revolta dos copistas, que se insurgiram contra a inovação da reprodução por meio da tipografia. Muito bem relacionados com a nobreza reinante, conseguiram o apoio do parlamento francês, para condenar os impressores (proprietários de tipografias ou editores) e colaboradores à perda dos seus bens. Era mais um momento da história em que a ignorância prevalecia, já que novos métodos eram considerados, com base na religião, obra do demônio. Os impressores, perseguidos, obviamente continuaram a trabalhar, embora na clandestinidade. E os copistas continuaram a copiar os breves e as orações, por seu método primitivo. Mas os erros passaram a frequentes. Os copistas já não atendiam à demanda. Em consequência, a clientela, gradativamente, acabou por procurar outros recursos. Se os copistas, que se julgavam de extrema competência, deixavam passar erros, os impressores também – estes últimos acusados pelos primeiros de adulterar os livros. Assim, dos impressores, quem mais se preocupasse com a revisão adquiria fama pelas edições corretas. Ao se referir aos impressores Ulrich Gering, Martin Krantz e Michel Friburger, que se instalaram na Sorbonne, Arezio (1925: 10) dá conta de que “liam as primeiras provas antes de começar a impressão, para que elas saíssem escoimadas dos erros da caixa ou dos cometidos pelos tipógrafos”.
O desenvolvimento da indústria da impressão tipográfica e a prática de emendar (corrigir), a partir de provas de prelo – de prensa ou rolo –, abriram campo para profissionais encarregados de acompanhar os autores na leitura das provas. Precursores dos atuais revisores de texto, eram eles comumente “os tipógrafos mais inteligentes e mais eruditos”.
Antigamente, os erros das primeiras edições eram corrigidos a pena. Citando o Manual de tipografia, de R. Ogier, de 1832, Arezio (1925: 12-3) informa que, nas obras de Gering, não se usava a errata. “Esta apareceu, pela primeira vez, na edição do Juvenal, impresso em Veneza, por Gabriel Pierres, 1478, e constava de duas páginas.” Duas páginas de errata deixam qualquer revisor em maus lençóis – o escritor Nélson Rodrigues dizia que “o único erro que merece a pena de fuzilamento é o erro de revisão”.
A despeito de os revisores se desdobrarem na correção geralmente difícil e custosa, muitas vezes a atenção é comprometida pelo cansaço, e sempre acaba havendo lugar para a abominável errata ao final.
O escritor cubano Antón Arrufat (De la pequeñas cosas, 1935) faz uma reflexão sobre a “insidiosa errata” e fala da preocupação quase doentia do poeta Baudelaire com os erros tipográficos. Outros mais eram cuidadosos, pois tinham na errata um atestado de incompetência. O impressor Estienne Dolet exaltava tanto a revisão, que pregava suas provas tipográficas na porta da oficina, “dando um prêmio àqueles que nelas descobrissem um pastel”. (AREZIO, 1925:13)
Dolet era poeta, escritor, orador, revisor. Viveu no séc. XVI e foi contemporâneo de Marot e de Rabelais (considerados dois dos maiores escritores franceses na década de 1530). Antes de se projetar, era revisor em Lyon, quando compôs o Pantagruel e o Gargantua. A máxima “andar com bons, para se tornar um deles” funcionou para Dolet. “Do convívio com os homens ilustrados daquela época, Dolet se propôs a revedor de provas da imprensa: dedicou-se à literatura e ganhou nome entre os principais autores franceses”, afirma Arezio.
Apesar de sistemático e exigente, e de oferecer prêmios a quem apontasse falhas em suas obras, Dolet não conseguiu se livrar da abominável errata. Em 1925, Arezio comenta que a obra-prima da arte tipográfica, os Comentários da língua latina (2 v., 1536-1538), de Dolet, com 854 páginas, contou com apenas oito erros de revisão compondo a errata ao fim do segundo volume.
ARISTIDES, Coelho Neto. Além da revisão: critérios para revisão textual. Brasília: Editora SENAC – DF, 2013.
Como em “obra-prima”, o hífen está empregado corretamente em
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TEXTO – HISTÓRICO DA REVISÃO TEXTUAL
Houve tempo em que os revisores eram pessoas de grande preparo intelectual. Segundo Arezio (1925:10), “as constantes divergências de crenças religiosas e a falsa interpretação dos textos sacros deram lugar a discussões e controvérsias. Daí a necessidade de formarem um corpo de revisão, entre os homens de maior fama intelectual e erudição comprovada, para fazerem a correção ou a revisão dos manuscritos antigos, dando-lhes nova forma, alterando-lhes os períodos, de modo que as subsequentes edições saíssem isentas daqueles senões”.
A instituição da revisão de provas tipográficas provocou à época, na França, a revolta dos copistas, que se insurgiram contra a inovação da reprodução por meio da tipografia. Muito bem relacionados com a nobreza reinante, conseguiram o apoio do parlamento francês, para condenar os impressores (proprietários de tipografias ou editores) e colaboradores à perda dos seus bens. Era mais um momento da história em que a ignorância prevalecia, já que novos métodos eram considerados, com base na religião, obra do demônio. Os impressores, perseguidos, obviamente continuaram a trabalhar, embora na clandestinidade. E os copistas continuaram a copiar os breves e as orações, por seu método primitivo. Mas os erros passaram a frequentes. Os copistas já não atendiam à demanda. Em consequência, a clientela, gradativamente, acabou por procurar outros recursos. Se os copistas, que se julgavam de extrema competência, deixavam passar erros, os impressores também – estes últimos acusados pelos primeiros de adulterar os livros. Assim, dos impressores, quem mais se preocupasse com a revisão adquiria fama pelas edições corretas. Ao se referir aos impressores Ulrich Gering, Martin Krantz e Michel Friburger, que se instalaram na Sorbonne, Arezio (1925: 10) dá conta de que “liam as primeiras provas antes de começar a impressão, para que elas saíssem escoimadas dos erros da caixa ou dos cometidos pelos tipógrafos”.
O desenvolvimento da indústria da impressão tipográfica e a prática de emendar (corrigir), a partir de provas de prelo – de prensa ou rolo –, abriram campo para profissionais encarregados de acompanhar os autores na leitura das provas. Precursores dos atuais revisores de texto, eram eles comumente “os tipógrafos mais inteligentes e mais eruditos”.
Antigamente, os erros das primeiras edições eram corrigidos a pena. Citando o Manual de tipografia, de R. Ogier, de 1832, Arezio (1925: 12-3) informa que, nas obras de Gering, não se usava a errata. “Esta apareceu, pela primeira vez, na edição do Juvenal, impresso em Veneza, por Gabriel Pierres, 1478, e constava de duas páginas.” Duas páginas de errata deixam qualquer revisor em maus lençóis – o escritor Nélson Rodrigues dizia que “o único erro que merece a pena de fuzilamento é o erro de revisão”.
A despeito de os revisores se desdobrarem na correção geralmente difícil e custosa, muitas vezes a atenção é comprometida pelo cansaço, e sempre acaba havendo lugar para a abominável errata ao final.
O escritor cubano Antón Arrufat (De la pequeñas cosas, 1935) faz uma reflexão sobre a “insidiosa errata” e fala da preocupação quase doentia do poeta Baudelaire com os erros tipográficos. Outros mais eram cuidadosos, pois tinham na errata um atestado de incompetência. O impressor Estienne Dolet exaltava tanto a revisão, que pregava suas provas tipográficas na porta da oficina, “dando um prêmio àqueles que nelas descobrissem um pastel”. (AREZIO, 1925:13)
Dolet era poeta, escritor, orador, revisor. Viveu no séc. XVI e foi contemporâneo de Marot e de Rabelais (considerados dois dos maiores escritores franceses na década de 1530). Antes de se projetar, era revisor em Lyon, quando compôs o Pantagruel e o Gargantua. A máxima “andar com bons, para se tornar um deles” funcionou para Dolet. “Do convívio com os homens ilustrados daquela época, Dolet se propôs a revedor de provas da imprensa: dedicou-se à literatura e ganhou nome entre os principais autores franceses”, afirma Arezio.
Apesar de sistemático e exigente, e de oferecer prêmios a quem apontasse falhas em suas obras, Dolet não conseguiu se livrar da abominável errata. Em 1925, Arezio comenta que a obra-prima da arte tipográfica, os Comentários da língua latina (2 v., 1536-1538), de Dolet, com 854 páginas, contou com apenas oito erros de revisão compondo a errata ao fim do segundo volume.
ARISTIDES, Coelho Neto. Além da revisão: critérios para revisão textual. Brasília: Editora SENAC – DF, 2013.
O verbo destacado está empregado no mesmo tempo e modo que o verbo sublinhado em “Outros mais eram cuidadosos”, na oração
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- Modelo OSIModelo OSI: Camada de Enlace
- Modelo OSIModelo OSI: Camada de Rede
- Modelo OSIModelo OSI: Camada de Transporte
- Modelo OSIModelo OSI: Camada de Aplicação
Com relação ao modelo OSI, as camadas a que pertencem os protocolos FTP, ICMP, UDP, Frame Relay, são, respectivamente,
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TEXTO – O GAJO, O ÓCIO E A REDE (Adriana Calcanhoto)
Na Flip 2015, duas das questões mais caras ao homenageado do ano, Mário de Andrade, foram bem iluminadas por dois dos escritores portugueses presentes. Uma delas, o escrever “brasileiro”. O abrasileiramento da nossa língua escrita. Mário trocou muitas e intensas cartas com o poeta Manuel Bandeira, que concordava e gostava da ideia em essência, criticando apenas a sistematização utilizada pelo amigo. Em Portugal, diz-se normalmente que nós, brasileiros, falamos brasileiro e eles, portugueses, português. Nas linguagens catalogadas do mundo, assim como há um inglês britânico e um inglês americano, há o português de Portugal e o português do Brasil. Não exatamente aquele brasileiro com que Mário de Andrade acusava seus pares de não terem coragem de escrever; mas o brasileiro em que a poeta portuguesa Matilde Campilho respondeu às perguntas na tenda dos autores. Na hora de ler os seus poemas, Matilde pediu licença para ler em português, de Portugal, sua língua materna, ou para ela pareceria “mentira”. A poeta é bilíngue, viveu no Brasil.
Na Flip 2015, duas das questões mais caras ao homenageado do ano, Mário de Andrade, foram bem iluminadas por dois dos escritores portugueses presentes. Uma delas, o escrever “brasileiro”. O abrasileiramento da nossa língua escrita. Mário trocou muitas e intensas cartas com o poeta Manuel Bandeira, que concordava e gostava da ideia em essência, criticando apenas a sistematização utilizada pelo amigo. Em Portugal, diz-se normalmente que nós, brasileiros, falamos brasileiro e eles, portugueses, português. Nas linguagens catalogadas do mundo, assim como há um inglês britânico e um inglês americano, há o português de Portugal e o português do Brasil. Não exatamente aquele brasileiro com que Mário de Andrade acusava seus pares de não terem coragem de escrever; mas o brasileiro em que a poeta portuguesa Matilde Campilho respondeu às perguntas na tenda dos autores. Na hora de ler os seus poemas, Matilde pediu licença para ler em português, de Portugal, sua língua materna, ou para ela pareceria “mentira”. A poeta é bilíngue, viveu no Brasil.
De vossa mercê para vosmicê, de vosmicê para você, de você para cê, este é o caminho que mantém uma língua viva, o do menor esforço. Somos duas línguas, e não é questão de sotaque, melodia ou pronúncia, apenas. “Jóquei”, o primeiro livro de Matilde Campilho, foi lançado no Brasil na versão original, em brasileiro; já em Portugal, foi traduzido para o português por conta da série de palavras em brasileiro, incompreensíveis lá. Gonçalo M. Tavares, em sua fala, mais de uma vez certificou-se com o público se era do conhecimento geral o significado de uma ou outra palavra, “também usam, não é?”. Em brasileiro, usamos ainda palavras que, no português de hoje, são arcaicas, palavras que ficaram por aqui desde o tempo da Corte e que, em Portugal, caíram em desuso, sendo, portanto, incompreensíveis para os portugueses nossos contemporâneos. Telemóvel é telefone celular; guião é roteiro de cinema; ecran é tela, de cinema, TV ou computador; rato é mouse; peão é pedestre; pequeno-almoço é café da manhã; aquele gajo é aquele cara. Em brasileiro, temos três nomes para uma mesma raiz: aipim, macaxeira e mandioca. Três nomes diferentes para a mesma fruta: bergamota, tangerina e mexerica, e algum dia ainda teremos o dicionário brasileiro-brasileiro. Evidente que o escrever brasileiro que Mário almejava é muito mais do que isso, muito mais profundo, mas é sempre excelente provocação, e, quando aparece na Flip, a alguns meses de antecedência da assinatura do Novo Acordo Ortográfico, que Portugal poderá não assinar e com isso nos obrigar a pensar melhor (as duas línguas), achei excelente.
De uma das coisas mais profundas do Brasil profundo de Mário de Andrade, teceu-se a fala de Gonçalo M. Tavares. O tempo lento. Interiorano, interior, o tempo de só ser. A desaceleração. Gonçalo afirma que a maioria de nós vive como imortais, quando não somos. Desperdiçamos nosso tempo, precioso e finito, ou precioso porque finito, saindo com alguém que sabemos que é chato, indo assistir a um filme que já sabemos médio. Comenta ele que, em Portugal, há agora, nas escolas, uma atividade chamada “ocupação do tempo livre”, o que em si é uma insanidade e da qual as crianças fogem e vão se esconder no banheiro (que em Portugal é casa-de-banho), muito compreensivelmente. Não há como viver sem espaços livres, não há criação sem ócio. Sem ócio não há negócio. Schopenhauer sustentava que a vida dos eruditos é, na grande maioria, intelectualmente muito pobre, porque só leem, da manhã à noite, e não dão-se a si mesmos espaços para livre pensar. Apenas acumulam informação. O oposto do erudito Mário, que descobriu que não era na eruditice livresca que morava o que realmente lhe interessava. Como disse em uma das primeiras cartas da correspondência com um então jovem Carlos Drummond: … “Eu acho, Drummond, pensando bem, que o que falta pra certos moços de tendência modernista brasileiros é isso: gostarem de verdade da vida. Como não atinaram com o verdadeiro jeito de gostar da vida, cansam-se, ficam tristes ou então fingem alegria, o que ainda é mais idiota do que ser sinceramente triste. Eu não posso compreender um homem de gabinete, e vocês todos, do Rio, de Minas, do Norte me parecem um pouco de gabinete demais.” …
No tempo de Mário, não havia internet. O poeta não viveu essa nossa angústia da velocidade de que Gonçalo falou tão andradinamente. Velocidade não é bom para tudo. Não serve para tudo. Saber agora que algo é lento gera impaciência, mas ser lento não é necessariamente defeito. Na escrita, para que ela seja lapidada, polida, enxugada, essencializada, que melhore enquanto escrita, leva tempo. Dura enquanto dura. Só o tempo opera a condensação de 24 laudas iniciais em duas finais, para dizer rigorosamente a mesma coisa. Já entendemos que não temos como assimilar tanta informação disponível e essa frustração é do tamanho de um luto: sabemos que não poderemos ler todos os clássicos ou todos os contemporâneos no tempo de uma vida. No tempo de Mário, tinha-se uma única certeza nesta vida. Agora temos duas. Então não adianta correr, ter mais e mais velocidade por muito menos, jamais conseguiremos; não adianta não viver o presente em velocidade máxima, daremos no mesmo lugar. Vamos com calma, devagar com o andor. Range rege. Ai! que preguiça!…
Disponível em: http://oglobo.globo.com/cultura/o-gajo-ocio-a-rede-16738272/. Acesso em 2 nov. 2016.
No período “Gonçalo afirma que a maioria de nós vive como imortais”, admite-se, quanto à concordância verbal, que o verbo destacado seja empregado tanto no singular quanto no plural. O verbo destacado, assim como nesse caso, também pode ser empregado tanto no singular quanto no plural, em
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TEXTO – HISTÓRICO DA REVISÃO TEXTUAL
Houve tempo em que os revisores eram pessoas de grande preparo intelectual. Segundo Arezio (1925:10), “as constantes divergências de crenças religiosas e a falsa interpretação dos textos sacros deram lugar a discussões e controvérsias. Daí a necessidade de formarem um corpo de revisão, entre os homens de maior fama intelectual e erudição comprovada, para fazerem a correção ou a revisão dos manuscritos antigos, dando-lhes nova forma, alterando-lhes os períodos, de modo que as subsequentes edições saíssem isentas daqueles senões”.
A instituição da revisão de provas tipográficas provocou à época, na França, a revolta dos copistas, que se insurgiram contra a inovação da reprodução por meio da tipografia. Muito bem relacionados com a nobreza reinante, conseguiram o apoio do parlamento francês, para condenar os impressores (proprietários de tipografias ou editores) e colaboradores à perda dos seus bens. Era mais um momento da história em que a ignorância prevalecia, já que novos métodos eram considerados, com base na religião, obra do demônio. Os impressores, perseguidos, obviamente continuaram a trabalhar, embora na clandestinidade. E os copistas continuaram a copiar os breves e as orações, por seu método primitivo. Mas os erros passaram a frequentes. Os copistas já não atendiam à demanda. Em consequência, a clientela, gradativamente, acabou por procurar outros recursos. Se os copistas, que se julgavam de extrema competência, deixavam passar erros, os impressores também – estes últimos acusados pelos primeiros de adulterar os livros. Assim, dos impressores, quem mais se preocupasse com a revisão adquiria fama pelas edições corretas. Ao se referir aos impressores Ulrich Gering, Martin Krantz e Michel Friburger, que se instalaram na Sorbonne, Arezio (1925: 10) dá conta de que “liam as primeiras provas antes de começar a impressão, para que elas saíssem escoimadas dos erros da caixa ou dos cometidos pelos tipógrafos”.
O desenvolvimento da indústria da impressão tipográfica e a prática de emendar (corrigir), a partir de provas de prelo – de prensa ou rolo –, abriram campo para profissionais encarregados de acompanhar os autores na leitura das provas. Precursores dos atuais revisores de texto, eram eles comumente “os tipógrafos mais inteligentes e mais eruditos”.
Antigamente, os erros das primeiras edições eram corrigidos a pena. Citando o Manual de tipografia, de R. Ogier, de 1832, Arezio (1925: 12-3) informa que, nas obras de Gering, não se usava a errata. “Esta apareceu, pela primeira vez, na edição do Juvenal, impresso em Veneza, por Gabriel Pierres, 1478, e constava de duas páginas.” Duas páginas de errata deixam qualquer revisor em maus lençóis – o escritor Nélson Rodrigues dizia que “o único erro que merece a pena de fuzilamento é o erro de revisão”.
A despeito de os revisores se desdobrarem na correção geralmente difícil e custosa, muitas vezes a atenção é comprometida pelo cansaço, e sempre acaba havendo lugar para a abominável errata ao final.
O escritor cubano Antón Arrufat (De la pequeñas cosas, 1935) faz uma reflexão sobre a “insidiosa errata” e fala da preocupação quase doentia do poeta Baudelaire com os erros tipográficos. Outros mais eram cuidadosos, pois tinham na errata um atestado de incompetência. O impressor Estienne Dolet exaltava tanto a revisão, que pregava suas provas tipográficas na porta da oficina, “dando um prêmio àqueles que nelas descobrissem um pastel”. (AREZIO, 1925:13)
Dolet era poeta, escritor, orador, revisor. Viveu no séc. XVI e foi contemporâneo de Marot e de Rabelais (considerados dois dos maiores escritores franceses na década de 1530). Antes de se projetar, era revisor em Lyon, quando compôs o Pantagruel e o Gargantua. A máxima “andar com bons, para se tornar um deles” funcionou para Dolet. “Do convívio com os homens ilustrados daquela época, Dolet se propôs a revedor de provas da imprensa: dedicou-se à literatura e ganhou nome entre os principais autores franceses”, afirma Arezio.
Apesar de sistemático e exigente, e de oferecer prêmios a quem apontasse falhas em suas obras, Dolet não conseguiu se livrar da abominável errata. Em 1925, Arezio comenta que a obra-prima da arte tipográfica, os Comentários da língua latina (2 v., 1536-1538), de Dolet, com 854 páginas, contou com apenas oito erros de revisão compondo a errata ao fim do segundo volume.
ARISTIDES, Coelho Neto. Além da revisão: critérios para revisão textual. Brasília: Editora SENAC – DF, 2013.
Estão acentuadas, respectivamente, pelos mesmos motivos de daí, períodos, tipográficas, já, lençóis e prêmios, as palavras
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São critérios diagnósticos para transtorno da personalidade paranoide, exceto
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Acerca dos transtornos do sono, é correto afirmar-se que
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