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Seca

Era hora do almoço dos trabalhadores. Enquanto os homens comiam lá dentro, o fazendeiro velho sentava-se na rede do alpendre, à frente de casa espiando o sol no céu, que tinia como vidro; procurando desviar os olhos da água do açude, lá além, que dentro de mais um mês estaria virada em lama.

Os dois cabras se aproximaram sem que ele pressentisse. Era um alto e um baixo; o baixo grosso e escuro, vestido numa camisa de algodãozinho encardido. O alto era alourado e não se podia dizer que estivesse vestido de coisa nenhuma, porque era farrapo só. O grosso na mão trazia um couro de cabra, ainda pingando sangue, esfolado que fora fazia pouco. E nem tirou o caco de chapéu da cabeça, nem salvou ao menos.

O velho até se assustou e bruscamente se pôs a cavalo na rede, a escutar a voz grossa e áspera, tal e qual quem falava:

— Cidadão, vim lhe vender este couro de bode.

Aquele “cidadão”, assim desabrido, já dizia tudo. Ninguém chega de boa tenção em terreno alheio sem dar bom-dia, e tratando o dono da casa de cidadão. Assim, o fazendeiro achou melhor fingir que não ouvira — e foi-se pondo de pé.

— O quê? Que é que você quer?

O homem escuro botou o couro em cima do parapeito e o sangue escorreu num fio pela cal da parede:

— Estou arranchado com a minha família debaixo daquele juazeiro grande, ali. Essa cabra passou perto — não sei de quem era. Matei, e a mulher está cozinhando a carne para se comer. Agora, o couro — o senhor ou me dá dinheiro por ele, ou me dá farinha.

— E de quem é essa cabra? É minha? Quem lhe deu ordem para matar?

O velho estava tão furioso que o dedo dele, espetado no ar, tremia. E o loureba esfarrapado chegou perto e deu sua risadinha:

— Ninguém perguntou a ela o nome do dono...

Mas o outro, sempre sério, olhou o velho na cara:

— Matei com ordem da fome. O senhor quer ordem melhor?

Nesse meio, os homens que almoçavam lá dentro escutaram as vozes alteradas e vieram ver o que havia. Eram uns doze — foram aparecendo pelo oitão da casa, de um em um, e se abriram em redor dos estranhos no terreiro.

Aí o velho se vendo garantido, começou a gritar:

— Na minha terra só eu dou ordem! Vocês são muito é atrevidos — me matarem o bicho e ainda me trazerem o couro pra vender, por desaforo! Chico Luís, veja aí de quem é o sinal dessa criação. O feitor largou a foice no chão, puxou as orelhas do couro, e virou-se achando graça para um dos companheiros: era a sua cabrinha, não era mesmo, compadre Augusto? Está aqui o sinal... O Augusto veio olhar também e ficou danado:

— Seus perversos, a cabra era da minha menina beber leite, estava de cabrito novo!

Mas o olho do homem escuro era feio e, se ele se assustara vendo-se cercado pelos cabras da fazenda, não deu parecença. O loureba é que virava a cara de um lado para o outro, procurando saída; ainda levou a mão ao quadril, tateou o cabo da faca — mas cada um dos homens tinha uma foice, um terçado, um ferro na mão.

Nesse pé o fazendeiro, para acabar com a história, resolveu mostrar bom coração; e gritou para o corredor:

— Menina! Manda aí uma cuia com um bocado de farinha!

Depois, retornando ao homem:

— Eu podia mandar prender vocês, para aprenderem a não matar bicho alheio! Mas têm crianças, não é? Tenho pena das crianças! Leve essa farinha, comam e tratem de ir embora. Daqui a uma hora quero o pé de juazeiro limpo e vocês na estrada. Podem ir!

O homem recebeu a cuia, não disse nada, saiu sem olhar para trás. O outro o acompanhou, meio temeroso, tirou ainda o chapéu em despedida, e pegou no passo do companheiro. O velho reclamava em voz alta — cabra desgraçado, além de fazer malfeito, recebe o favor e nem sequer abana o rabo.

Os trabalhadores, calados, acompanhavam com os olhos os dois estranhos que marchavam um atrás do outro, na direção do juazeiro, do qual só se avistava a copa alta ali no terreiro. Ninguém sabe o que pensavam; o dono da cabra deu de mão no couro e foi com ele para trás da casa.

Aí a sineta bateu e os homens saíram para o serviço. Passando pelo juazeiro, lá viram a família em redor do fogo, os meninos procurando pescar pedaços da carne que fervia numa lata. Mas o homem escuro, encostado ao tronco, via-os passar, de braços cruzados, sem baixar os olhos. Ainda foi o dono da cabra que baixou os seus; explicou depois que não gostava de briga.

MORALIDADE: Este caso aconteceu mesmo. Faz mais de trinta anos escrevi uma história de cabra morta por retirante, mas era diferente. Então, o homem sentia dor de consciência, e até se humilhou quando o dono do bicho morto o chamou de ladrão. Agora não é mais assim. Agora eles sabem que a fome dá um direito que passa por cima de qualquer direito dos outros. A moralidade da história é mesmo esta: tudo mudou, mudou muito. [29-06-1966]

QUEIROZ, Rachel de. Cenas brasileiras. São Paulo: Ática, 1997. p. 14-17. (Para gostar de ler).

A conjunção “enquanto” expressa, em “Enquanto os homens comiam lá dentro, o fazendeiro velho sentava-se na rede do alpendre.”, valor semântico de

 

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O correio eletrônico (e-mail) é uma importante ferramenta de comunicação na Internet, permitindo o envio de mensagens, imagens, vídeos, documentos e etc. Para que uma mensagem de correio eletrônico seja enviada na Internet é necessário a utilização de um protocolo que permita a transferência da mesma. O protocolo responsável por enviar e-mail é:

 

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1593973 Ano: 2019
Disciplina: Comunicação Social
Banca: IF-PA
Orgão: IF-PA
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O processo que permite comprimir e/ou descomprimir um arquivo digital tanto de vídeo quanto de som se denomina de:

 

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1575597 Ano: 2019
Disciplina: Comunicação Social
Banca: IF-PA
Orgão: IF-PA
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Um técnico de áudio está digitalizando o áudio de fitas cassetes antigas em um tape deck. Para realizar a tarefa ele necessita conectar o tape deck a uma interface de áudio USB ligada a um computador. As entradas de linha da interface USB aceitam conector P-10, porém, a saída do tape deck somente tem dois conectores RCA. Qual procedimento deverá realizar o técnico para conectar corretamente os dois aparelhos?

 

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1561400 Ano: 2019
Disciplina: Comunicação Social
Banca: IF-PA
Orgão: IF-PA
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Sobre o termo Chromakey, NÃO é correto afirmar que:

 

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Quanto aos direitos e garantias fundamentais, nos termos do Constituição Federal de 1988, assinale a alternativa correta, indicando se são verdadeiras (V) ou falsas (F), respectivamente, do item I ao IV:

I- É garantido o direito de propriedade, que não pode ser absoluta, pois deverá atender a sua função social.

II- A instituição do júri é reconhecida, assegurando, inclusive, a competência para julgamento dos crimes culposos contra a vida.

III- Nenhuma pena passará da pessoa do condenado, entretanto, as obrigações quanto à reparação de dano e de perdimento de bens podem ser estendidas aos sucessores e contra eles executada.

IV - Não haverá prisão civil por dívida, exceto nos casos de pensão alimentícia e do depositário infiel, conforme entendimento do Supremo Tribunal de Federal.

 

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1555832 Ano: 2019
Disciplina: Comunicação Social
Banca: IF-PA
Orgão: IF-PA
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Sobre as diferenças entre as câmeras digitais e câmeras analógicas é CORRETO afirmar:

 

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1546424 Ano: 2019
Disciplina: Comunicação Social
Banca: IF-PA
Orgão: IF-PA
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Em relação às técnicas de iluminação para o cinema e televisão, é correto afirmar, EXCETO:

 

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Uma escola com aulas de reforço de língua portuguesa utiliza o Microsoft Excel para armazenar a quantidade de alunos matriculados a cada mês. Considerando a planilha apresentada na figura abaixo, qual seria o valor exibido na célula B8 caso na mesma seja inserida a fórmula a seguir?

=CONT.SE(B2:B7; “>5”)

Enunciado 2714972-1

 

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Com relação à organização dos Poderes, nos termos da Constituição Federal de 1998, assinale a alternativa correta:

 

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