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1422393 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: IESES
Orgão: IFC

QUANDO A CIÊNCIA VIRA ALQUIMIA

Tom panfletário para defender teorias pode ser sintoma de dogma linguístico

Aldo Bizzocchi

A ciência funda-se nos princípios da objetividade, neutralidade e imparcialidade, pilares do método científico, na busca da verdade, doa em quem doer, e na destruição de crenças infundadas, por mais arraigadas que estejam.

Não obstante, muitos discursos, especialmente nas ciências humanas - mas não exclusivamente nestas -, pautam-se pela subjetividade e passionalismo. [...]

Com a linguística não é diferente. Embora tenha sido a primeira das humanidades a ganhar status de ciência, em princípios do século 19, muito do que se publica hoje a respeito de língua resvala no juízo de valor, na subjetividade e tendenciosidade em detrimento dos fatos objetivos.

Variação: É natural que todo estudioso, face à sua própria formação acadêmica e interesse de pesquisa, se filie a alguma corrente teórica, isto é, adote uma determinada metáfora para descrever a realidade (a língua como ser vivo, estrutura mecânica, sistema complexo, fato biológico, social ou mental, e assim por diante). Mas a defesa intransigente do modelo a despeito da realidade que ele pretende descrever arrisca-se a transformar teoria em dogma e ciência em religião ou facção política.

Nenhuma teoria científica, por mais neutra, imparcial e objetiva que seja (e é preciso que assim o seja, senão não é científica), está livre de transformar-se em ideologia nas mãos de pesquisadores imaturos ou mal-intencionados. A bola da vez parece ser a chamada linguística variacionista.

Decorrente dos estudos sociolinguísticos dos anos 1970, essa linha de investigação teve o mérito de mostrar que a língua não é um sistema único, monolítico, mas um conjunto de subsistemas apenas parcialmente coincidentes, em que as variações e mudanças decorrem de fatores como o tempo histórico, a localização geográfica, a classe social, o nível de escolarização, a situação de comunicação, a modalidade (oral ou escrita) e o meio físico (canal ou mídia) em que se dá o discurso.

Revisão: A teoria da variação linguística permitiu mostrar que todos somos, como diria Evanildo Bechara, poliglotas em nossa língua, assim como contribuiu para relativizar a questão do erro gramatical e da obediência cega à norma padrão. Entretanto, se desmistificou a crença de que "a maioria dos brasileiros não sabe falar português" ou "nunca se falou tão mal como hoje em dia", muniu os ideólogos de plantão com argumentos que, para contestar a norma vigente, fazem apologia da fala popular e não escolarizada; para defender uma pseudodemocracia linguística, legitimam o desrespeito à gramática, vista como instrumento de repressão a serviço das classes dominantes; e assim por diante.

É evidente que não se pode nem se deve usar o português normativo numa mesa de bar ou numa brincadeira de crianças, mas isso não quer dizer que se deva estimular as pessoas a falar de modo informal em situações formais. É óbvio que está equivocado o professor que destrói a autoestima dos alunos ao convencê-los de que são ignorantes, falam errado ou não sabem se expressar direito. É para mostrar que há várias línguas dentro da língua e que cada uma é adequada a uma situação de discurso que muitos linguistas propõem o ensino da variação linguística em sala de aula. Mas desde que fique claro que o objetivo da escola é ensinar o aluno a manejar com maestria o português formal, pois é este o que lhe será exigido no mercado de trabalho e em muitas relações sociais, até porque no português informal o aluno já é proficiente.

Contexto: Mas há educadores que, mesmo bem-intencionados, disseminam a falsa crença de que o importante na comunicação é a eficiência (Si deu pra intendê, tá tudo certo!) e de que clareza, correção e elegância são coisas supérfluas ou, pior, excludentes ("a norma culta é o instrumento linguístico criado pela burguesia para oprimir o proletariado"). Esses maus educadores acabam contribuindo para alimentar a fama que os linguistas têm entre gramáticos conservadores e leigos desavisados de que são a favor do vale-tudo em matéria de língua.

Com isso, perde a linguística séria, pautada no método científico; perde o já tão desprestigiado ensino de língua; perdem os estudantes, que irão para o mercado de trabalho despreparados e para a sociedade dotados de um vocabulário de não mais que oitocentas palavras; perde enfim o país, costumeiramente na lanterninha em avaliações internacionais de desempenho escolar.

BIZZOCCHI, Aldo. Quando a ciência vira alquimia. In: Revista Língua Portuguesa. Ano 9, n.113, março de 2015. p.60-61

Aldo Bizzocchi é doutor em Linguística pela USP, com pós-doutorado pela UERJ, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa da USP, com pós-doutorado na UERJ. É autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental (Annablume) e Anatomia da Cultura (Palas Athena). www.aldobizzocchi.com.br

O caráter sócio-interacionista do ensino preconizado pelos PCN pode ser percebido em todos os fragmentos do texto lido, EXCETO em qual das alternativas? Assinale-a.
 

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1422392 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: IESES
Orgão: IFC

Sobre o ensino das literaturas, avalie as proposições abaixo. Em seguida, escolha a alternativa que contenha a análise correta das mesmas.

I. A compreensão do que é Literatura, tomada do ponto de vista histórico e da investigação dos conceitos e das vivências dos alunos e seus pares, suscita o interesse pela investigação das produções literárias locais e regionais.

II. Para compreender a que necessidades do ser humano atende a Literatura, não é necessário indagar por que e para quem se escreve. Simplesmente deve-se ler, o que já dispensa qualquer investigação sobre a função que tem a Literatura de ficção no cotidiano e no universo escolar.

III. É preciso reconhecer que as manifestações literárias atendem a necessidades artísticas. Percebe-se, na investigação coletiva, o quanto a Literatura está presente no dia a dia.

IV. O entendimento do que é Literatura pode e deve limitar-se ao universo da bibliografia específica a ser trabalhada em sala de aula.

 

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1420590 Ano: 2015
Disciplina: Português
Banca: IESES
Orgão: IFC

QUANDO A CIÊNCIA VIRA ALQUIMIA

Tom panfletário para defender teorias pode ser sintoma de dogma linguístico

Aldo Bizzocchi

A ciência funda-se nos princípios da objetividade, neutralidade e imparcialidade, pilares do método científico, na busca da verdade, doa em quem doer, e na destruição de crenças infundadas, por mais arraigadas que estejam.

Não obstante, muitos discursos, especialmente nas ciências humanas - mas não exclusivamente nestas -, pautam-se pela subjetividade e passionalismo. [...]

Com a linguística não é diferente. Embora tenha sido a primeira das humanidades a ganhar status de ciência, em princípios do século 19, muito do que se publica hoje a respeito de língua resvala no juízo de valor, na subjetividade e tendenciosidade em detrimento dos fatos objetivos.

Variação: É natural que todo estudioso, face à sua própria formação acadêmica e interesse de pesquisa, se filie a alguma corrente teórica, isto é, adote uma determinada metáfora para descrever a realidade (a língua como ser vivo, estrutura mecânica, sistema complexo, fato biológico, social ou mental, e assim por diante). Mas a defesa intransigente do modelo a despeito da realidade que ele pretende descrever arrisca-se a transformar teoria em dogma e ciência em religião ou facção política.

Nenhuma teoria científica, por mais neutra, imparcial e objetiva que seja (e é preciso que assim o seja, senão não é científica), está livre de transformar-se em ideologia nas mãos de pesquisadores imaturos ou mal-intencionados. A bola da vez parece ser a chamada linguística variacionista.

Decorrente dos estudos sociolinguísticos dos anos 1970, essa linha de investigação teve o mérito de mostrar que a língua não é um sistema único, monolítico, mas um conjunto de subsistemas apenas parcialmente coincidentes, em que as variações e mudanças decorrem de fatores como o tempo histórico, a localização geográfica, a classe social, o nível de escolarização, a situação de comunicação, a modalidade (oral ou escrita) e o meio físico (canal ou mídia) em que se dá o discurso.

Revisão: A teoria da variação linguística permitiu mostrar que todos somos, como diria Evanildo Bechara, poliglotas em nossa língua, assim como contribuiu para relativizar a questão do erro gramatical e da obediência cega à norma padrão. Entretanto, se desmistificou a crença de que "a maioria dos brasileiros não sabe falar português" ou "nunca se falou tão mal como hoje em dia", muniu os ideólogos de plantão com argumentos que, para contestar a norma vigente, fazem apologia da fala popular e não escolarizada; para defender uma pseudodemocracia linguística, legitimam o desrespeito à gramática, vista como instrumento de repressão a serviço das classes dominantes; e assim por diante.

É evidente que não se pode nem se deve usar o português normativo numa mesa de bar ou numa brincadeira de crianças, mas isso não quer dizer que se deva estimular as pessoas a falar de modo informal em situações formais. É óbvio que está equivocado o professor que destrói a autoestima dos alunos ao convencê-los de que são ignorantes, falam errado ou não sabem se expressar direito. É para mostrar que há várias línguas dentro da língua e que cada uma é adequada a uma situação de discurso que muitos linguistas propõem o ensino da variação linguística em sala de aula. Mas desde que fique claro que o objetivo da escola é ensinar o aluno a manejar com maestria o português formal, pois é este o que lhe será exigido no mercado de trabalho e em muitas relações sociais, até porque no português informal o aluno já é proficiente.

Contexto: Mas há educadores que, mesmo bem-intencionados, disseminam a falsa crença de que o importante na comunicação é a eficiência (Si deu pra intendê, tá tudo certo!) e de que clareza, correção e elegância são coisas supérfluas ou, pior, excludentes ("a norma culta é o instrumento linguístico criado pela burguesia para oprimir o proletariado"). Esses maus educadores acabam contribuindo para alimentar a fama que os linguistas têm entre gramáticos conservadores e leigos desavisados de que são a favor do vale-tudo em matéria de língua.

Com isso, perde a linguística séria, pautada no método científico; perde o já tão desprestigiado ensino de língua; perdem os estudantes, que irão para o mercado de trabalho despreparados e para a sociedade dotados de um vocabulário de não mais que oitocentas palavras; perde enfim o país, costumeiramente na lanterninha em avaliações internacionais de desempenho escolar.

BIZZOCCHI, Aldo. Quando a ciência vira alquimia. In: Revista Língua Portuguesa. Ano 9, n.113, março de 2015. p.60-61

Aldo Bizzocchi é doutor em Linguística pela USP, com pós-doutorado pela UERJ, pesquisador do Núcleo de Pesquisa em Etimologia e História da Língua Portuguesa da USP, com pós-doutorado na UERJ. É autor de Léxico e Ideologia na Europa Ocidental (Annablume) e Anatomia da Cultura (Palas Athena). www.aldobizzocchi.com.br

O quarto parágrafo do texto remete, principalmente, à ideia de que:
 

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805734 Ano: 2015
Disciplina: Pedagogia
Banca: IESES
Orgão: IFC
É a forma mais comum e grave de Lesão Medular Congênita, onde a medula espinhal e as meninges ficam contidas na bolsa cística, apresentando anormalidades extensas. Assim, a transmissão dos impulsos nervosos torna-se impossível resultando em comprometimento sensitivo e motor no nível da lesão e abaixo dele. O defeito pode se localizar em qualquer nível da medula espinhal, embora seja mais frequente nas regiões torácica e lombossacra:
 

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337130 Ano: 2015
Disciplina: Agronomia (Engenharia Agronômica)
Banca: IESES
Orgão: IFC
A respeito dos ciclos biogeoquímicos, é correto afirmar:
 

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337129 Ano: 2015
Disciplina: Agronomia (Engenharia Agronômica)
Banca: IESES
Orgão: IFC
Analise as assertivas abaixo e assinale a sequência correta: I. Um sistema de classificação de uso da terra deve basear-se apenas em dados de sensoriamento remoto que fornecem principalmente informações sobre a cobertura do solo. II. As tecnologias relacionadas ao sensoriamento remoto podem ser utilizadas a fim de que se obtenha maior produtividade com custos menores. III. A produção de mapas digitais depende única e exclusivamente das imagens e dados fornecidos pelos satélites. IV. Foi durante a Guerra do Golfo que a aplicação do GPS obteve sucesso, por isso, o GPS representa uma tecnologia desenvolvida inicialmente para fins bélicos. A sequência correta é:
 

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337127 Ano: 2015
Disciplina: Agronomia (Engenharia Agronômica)
Banca: IESES
Orgão: IFC
Animais como o perdigão (Rynchotus rufescens), a perdiz (Nothura maculosa), o quero-quero (Vanellus chilensis), a ema (Rhea americana), o veado-campeiro (Ozotoceros bezoarticus), o tuco-tuco (Ctenomys flamarioni), o beija-flor-de-barba-azul (Heliomaster furcifer) são característicos de qual bioma?
 

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337126 Ano: 2015
Disciplina: Agronomia (Engenharia Agronômica)
Banca: IESES
Orgão: IFC
Após a leitura do enunciado apresentado a seguir, identifique a afirmação correta: Sensoriamento Remoto é uma ciência que visa o desenvolvimento da obtenção de imagens da superfície terrestre por meio da detecção e medição quantitativa das respostas das interações da radiação eletromagnética com os materiais terrestres. I. Nenhum outro tipo de sensor que obtenha imagens que não seja pela detecção da radiação eletromagnética deve ser classificado como sensoriamento remoto. II. A detecção ou identificação de um objeto nas imagens de sensoriamento remoto é determinada somente pela resolução espacial. III. Um objeto somente pode ser resolvido (detectado), quando o tamanho deste é, no mínimo, igual ou maior do que o tamanho do elemento de resolução no terreno, ou seja, da resolução espacial. Por exemplo, se uma casa tem 20 m x 20 m de tamanho, a resolução espacial da imagem deveria ser, no mínimo, de 20 metros para que essa casa possa ser identificada na imagem. IV. A quantidade de energia associada a uma radiação eletromagnética é diretamente proporcional ao seu comprimento de onda. A sequência correta é:
 

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337125 Ano: 2015
Disciplina: Agronomia (Engenharia Agronômica)
Banca: IESES
Orgão: IFC
Analise as assertivas abaixo e assinale a sequência correta: As formas de relevo constituem o objeto de estudo da Geomorfologia. A existência desse objeto bem definido, com significativo e diversificado conteúdo a ser compreendido e explicado, a sistematização do conhecimento já atingido, o valor alcançado por suas concepções teóricas, o caráter prático da aplicação dos seus conhecimentos e a crescente importância que a sociedade lhe tem conferido fazem com que a Geomorfologia venha sendo vista uma ciência autônoma. I. A astenosfera é uma região do manto superior, entre 100 e 350 km de profundidade, com características plásticas e capaz de fluir, cuja existência viabilizou a teoria da deriva continental e da tectônica de placas. II. Epirogenia são os processos tectônicos pelos quais vastas regiões da crosta terrestre são deformadas e elevadas, para formar os grandes cinturões montanhosos, tais como os Andes. III. Intemperismo são processos físicos, químicos e biológicos que produzem desagregação e alteração da composição química e mineralógica das rochas, em outras palavras, transformam rochas em solo. IV. A evaporação dos lagos, rios e mares e a transpiração oriunda dos seres vivos participam do ciclo hidrológico, e a água que retorna ao solo, em forma de chuva, terá imprescindível papel na formação do lençol freático. A sequência correta é:
 

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337124 Ano: 2015
Disciplina: Agronomia (Engenharia Agronômica)
Banca: IESES
Orgão: IFC
A grafia correta do nome científico do milho é:
 

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