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Tempo livre
A questão do tempo livre — o que as pessoas fazem com ele, que chances eventualmente oferece o seu desenvolvimento
— não pode ser formulada em generalidade abstrata. A expressão, de origem recente — aliás, antes se dizia ócio, e este era um
privilégio de uma vida folgada e, portanto, algo qualitativamente distinto e muito mais grato —, opõe-se a outra: à de tempo não-
livre, aquele que é preenchido pelo trabalho e, poderíamos acrescentar, na verdade, determinado de fora.
O tempo livre é acorrentado ao seu oposto. Essa oposição, a relação em que ela se apresenta, imprime-lhe traços
essenciais. Além do mais, muito mais fundamentalmente, o tempo livre dependerá da situação geral da sociedade. Mas esta, agora
como antes, mantém as pessoas sob um fascínio. Decerto, não se pode traçar uma divisão tão simples entre as pessoas em si e seus
papéis sociais. (...) Em uma época de integração social sem precedentes, fica difícil estabelecer, de forma geral, o que resta nas
pessoas, além do determinado pelas funções. Isso pesa muito sobre a questão do tempo livre. Mesmo onde o encantamento se
atenua e as pessoas estão ao menos subjetivamente convictas de que agem por vontade própria, isso ainda significa que essa
vontade é modelada por aquilo de que desejam estar livres fora do horário de trabalho.
A indagação adequada ao fenômeno do tempo livre seria, hoje, esta: “Com o aumento da produtividade no trabalho, mas
persistindo as condições de não-liberdade, isto é, sob relações de produção em que as pessoas nascem inseridas e que, hoje como
antes, lhes prescrevem as regras de sua existência, o que ocorre com o tempo livre?” (...) Se se cuidasse de responder à questão
sem asserções ideológicas, tornar-se-ia imperiosa a suspeita de que o tempo livre tende em direção contrária à de seu próprio
conceito, tornando-se paródia deste. Nele se prolonga a não-liberdade, tão desconhecida da maioria das pessoas não-livres como
a sua não-liberdade em si mesma.
Podemos esclarecer isso de maneira simples por meio da ideologia do hobby. Na naturalidade da pergunta sobre qual
hobby se tem, está subentendido que se deve ter um, provavelmente também já escolhido de acordo com a oferta do negócio do
tempo livre. Liberdade organizada é coercitiva: “Ai de ti se não tens um hobby, se não tens ocupação para o tempo livre! Então
tu és um pretensioso ou antiquado, um bicho raro, e cais em ridículo perante a sociedade, a qual te impinge o que deve ser o
teu tempo livre.” Tal coação não é, de nenhum modo, somente exterior. Ela se liga às necessidades das pessoas sob um
sistema funcional. No camping — no antigo movimento juvenil, gostava-se de acampar —, havia protesto contra o tédio e o
convencionalismo burgueses. O que os jovens queriam era sair, no duplo sentido da palavra. Passar-a-noite-a-céu-aberto equivalia
a escapar da casa, da família. Essa necessidade, depois da morte do movimento juvenil, foi aproveitada e institucionalizada pela
indústria do camping. Ela não poderia obrigar as pessoas a comprar barracas e motor homes, além de inúmeros utensílios
auxiliares, se algo nas pessoas não ansiasse por isso; mas a própria necessidade de liberdade é funcionalizada e reproduzida pelo
comércio; o que elas querem lhes é, mais uma vez, imposto. Por isso, a integração do tempo livre é alcançada sem maiores
dificuldades; as pessoas não percebem o quanto não são livres lá onde mais livres se sentem, porque a regra de tal ausência de
liberdade lhes foi abstraída.
T. W. Adorno. Palavras e sinais, modelos críticos 2. Maria Helena Ruschel (Trad.). Petrópolis: Vozes, 1995, p. 70-82 (com adaptações)
Do primeiro parágrafo do texto, depreende-se que a idéia de tempo livre, isto é, a de tempo não ocupado pelo trabalho, não é nova.
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Tempo livre
A questão do tempo livre — o que as pessoas fazem com ele, que chances eventualmente oferece o seu desenvolvimento
— não pode ser formulada em generalidade abstrata. A expressão, de origem recente — aliás, antes se dizia ócio, e este era um
privilégio de uma vida folgada e, portanto, algo qualitativamente distinto e muito mais grato —, opõe-se a outra: à de tempo não-
livre, aquele que é preenchido pelo trabalho e, poderíamos acrescentar, na verdade, determinado de fora.
O tempo livre é acorrentado ao seu oposto. Essa oposição, a relação em que ela se apresenta, imprime-lhe traços
essenciais. Além do mais, muito mais fundamentalmente, o tempo livre dependerá da situação geral da sociedade. Mas esta, agora
como antes, mantém as pessoas sob um fascínio. Decerto, não se pode traçar uma divisão tão simples entre as pessoas em si e seus
papéis sociais. (...) Em uma época de integração social sem precedentes, fica difícil estabelecer, de forma geral, o que resta nas
pessoas, além do determinado pelas funções. Isso pesa muito sobre a questão do tempo livre. Mesmo onde o encantamento se
atenua e as pessoas estão ao menos subjetivamente convictas de que agem por vontade própria, isso ainda significa que essa
vontade é modelada por aquilo de que desejam estar livres fora do horário de trabalho.
A indagação adequada ao fenômeno do tempo livre seria, hoje, esta: “Com o aumento da produtividade no trabalho, mas
persistindo as condições de não-liberdade, isto é, sob relações de produção em que as pessoas nascem inseridas e que, hoje como
antes, lhes prescrevem as regras de sua existência, o que ocorre com o tempo livre?” (...) Se se cuidasse de responder à questão
sem asserções ideológicas, tornar-se-ia imperiosa a suspeita de que o tempo livre tende em direção contrária à de seu próprio
conceito, tornando-se paródia deste. Nele se prolonga a não-liberdade, tão desconhecida da maioria das pessoas não-livres como
a sua não-liberdade em si mesma.
Podemos esclarecer isso de maneira simples por meio da ideologia do hobby. Na naturalidade da pergunta sobre qual
hobby se tem, está subentendido que se deve ter um, provavelmente também já escolhido de acordo com a oferta do negócio do
tempo livre. Liberdade organizada é coercitiva: “Ai de ti se não tens um hobby, se não tens ocupação para o tempo livre! Então
tu és um pretensioso ou antiquado, um bicho raro, e cais em ridículo perante a sociedade, a qual te impinge o que deve ser o
teu tempo livre.” Tal coação não é, de nenhum modo, somente exterior. Ela se liga às necessidades das pessoas sob um
sistema funcional. No camping — no antigo movimento juvenil, gostava-se de acampar —, havia protesto contra o tédio e o
convencionalismo burgueses. O que os jovens queriam era sair, no duplo sentido da palavra. Passar-a-noite-a-céu-aberto equivalia
a escapar da casa, da família. Essa necessidade, depois da morte do movimento juvenil, foi aproveitada e institucionalizada pela
indústria do camping. Ela não poderia obrigar as pessoas a comprar barracas e motor homes, além de inúmeros utensílios
auxiliares, se algo nas pessoas não ansiasse por isso; mas a própria necessidade de liberdade é funcionalizada e reproduzida pelo
comércio; o que elas querem lhes é, mais uma vez, imposto. Por isso, a integração do tempo livre é alcançada sem maiores
dificuldades; as pessoas não percebem o quanto não são livres lá onde mais livres se sentem, porque a regra de tal ausência de
liberdade lhes foi abstraída.
T. W. Adorno. Palavras e sinais, modelos críticos 2. Maria Helena Ruschel (Trad.). Petrópolis: Vozes, 1995, p. 70-82 (com adaptações)
Nas linhas de 1 a 6, nos trechos em que se afirma que “tempo livre” opõe-se a “tempo não-livre” e que “tempo livre é acorrentado ao seu oposto”, a justaposição de idéias contrárias entre si fragiliza a coerência textual e impossibilita a definição do conceito de “tempo livre”.
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Tempo livre
A questão do tempo livre — o que as pessoas fazem com ele, que chances eventualmente oferece o seu desenvolvimento
— não pode ser formulada em generalidade abstrata. A expressão, de origem recente — aliás, antes se dizia ócio, e este era um
privilégio de uma vida folgada e, portanto, algo qualitativamente distinto e muito mais grato —, opõe-se a outra: à de tempo não-
livre, aquele que é preenchido pelo trabalho e, poderíamos acrescentar, na verdade, determinado de fora.
O tempo livre é acorrentado ao seu oposto. Essa oposição, a relação em que ela se apresenta, imprime-lhe traços
essenciais. Além do mais, muito mais fundamentalmente, o tempo livre dependerá da situação geral da sociedade. Mas esta, agora
como antes, mantém as pessoas sob um fascínio. Decerto, não se pode traçar uma divisão tão simples entre as pessoas em si e seus
papéis sociais. (...) Em uma época de integração social sem precedentes, fica difícil estabelecer, de forma geral, o que resta nas
pessoas, além do determinado pelas funções. Isso pesa muito sobre a questão do tempo livre. Mesmo onde o encantamento se
atenua e as pessoas estão ao menos subjetivamente convictas de que agem por vontade própria, isso ainda significa que essa
vontade é modelada por aquilo de que desejam estar livres fora do horário de trabalho.
A indagação adequada ao fenômeno do tempo livre seria, hoje, esta: “Com o aumento da produtividade no trabalho, mas
persistindo as condições de não-liberdade, isto é, sob relações de produção em que as pessoas nascem inseridas e que, hoje como
antes, lhes prescrevem as regras de sua existência, o que ocorre com o tempo livre?” (...) Se se cuidasse de responder à questão
sem asserções ideológicas, tornar-se-ia imperiosa a suspeita de que o tempo livre tende em direção contrária à de seu próprio
conceito, tornando-se paródia deste. Nele se prolonga a não-liberdade, tão desconhecida da maioria das pessoas não-livres como
a sua não-liberdade em si mesma.
Podemos esclarecer isso de maneira simples por meio da ideologia do hobby. Na naturalidade da pergunta sobre qual
hobby se tem, está subentendido que se deve ter um, provavelmente também já escolhido de acordo com a oferta do negócio do
tempo livre. Liberdade organizada é coercitiva: “Ai de ti se não tens um hobby, se não tens ocupação para o tempo livre! Então
tu és um pretensioso ou antiquado, um bicho raro, e cais em ridículo perante a sociedade, a qual te impinge o que deve ser o
teu tempo livre.” Tal coação não é, de nenhum modo, somente exterior. Ela se liga às necessidades das pessoas sob um
sistema funcional. No camping — no antigo movimento juvenil, gostava-se de acampar —, havia protesto contra o tédio e o
convencionalismo burgueses. O que os jovens queriam era sair, no duplo sentido da palavra. Passar-a-noite-a-céu-aberto equivalia
a escapar da casa, da família. Essa necessidade, depois da morte do movimento juvenil, foi aproveitada e institucionalizada pela
indústria do camping. Ela não poderia obrigar as pessoas a comprar barracas e motor homes, além de inúmeros utensílios
auxiliares, se algo nas pessoas não ansiasse por isso; mas a própria necessidade de liberdade é funcionalizada e reproduzida pelo
comércio; o que elas querem lhes é, mais uma vez, imposto. Por isso, a integração do tempo livre é alcançada sem maiores
dificuldades; as pessoas não percebem o quanto não são livres lá onde mais livres se sentem, porque a regra de tal ausência de
liberdade lhes foi abstraída.
T. W. Adorno. Palavras e sinais, modelos críticos 2. Maria Helena Ruschel (Trad.). Petrópolis: Vozes, 1995, p. 70-82 (com adaptações)
Considerando os sentidos e aspectos lingüísticos do texto acima, julgue o próximo item.
Como, de acordo com o texto, as características essenciais ao “tempo livre” se baseiam na oposição entre este e o “tempo não-livre”, é correto concluir que as formas de uso do “tempo livre” serão as mesmas em qualquer época.
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Tempo livre
A questão do tempo livre — o que as pessoas fazem com ele, que chances eventualmente oferece o seu desenvolvimento
— não pode ser formulada em generalidade abstrata. A expressão, de origem recente — aliás, antes se dizia ócio, e este era um
privilégio de uma vida folgada e, portanto, algo qualitativamente distinto e muito mais grato —, opõe-se a outra: à de tempo não-
livre, aquele que é preenchido pelo trabalho e, poderíamos acrescentar, na verdade, determinado de fora.
O tempo livre é acorrentado ao seu oposto. Essa oposição, a relação em que ela se apresenta, imprime-lhe traços
essenciais. Além do mais, muito mais fundamentalmente, o tempo livre dependerá da situação geral da sociedade. Mas esta, agora
como antes, mantém as pessoas sob um fascínio. Decerto, não se pode traçar uma divisão tão simples entre as pessoas em si e seus
papéis sociais. (...) Em uma época de integração social sem precedentes, fica difícil estabelecer, de forma geral, o que resta nas
pessoas, além do determinado pelas funções. Isso pesa muito sobre a questão do tempo livre. Mesmo onde o encantamento se
atenua e as pessoas estão ao menos subjetivamente convictas de que agem por vontade própria, isso ainda significa que essa
vontade é modelada por aquilo de que desejam estar livres fora do horário de trabalho.
A indagação adequada ao fenômeno do tempo livre seria, hoje, esta: “Com o aumento da produtividade no trabalho, mas
persistindo as condições de não-liberdade, isto é, sob relações de produção em que as pessoas nascem inseridas e que, hoje como
antes, lhes prescrevem as regras de sua existência, o que ocorre com o tempo livre?” (...) Se se cuidasse de responder à questão
sem asserções ideológicas, tornar-se-ia imperiosa a suspeita de que o tempo livre tende em direção contrária à de seu próprio
conceito, tornando-se paródia deste. Nele se prolonga a não-liberdade, tão desconhecida da maioria das pessoas não-livres como
a sua não-liberdade em si mesma.
Podemos esclarecer isso de maneira simples por meio da ideologia do hobby. Na naturalidade da pergunta sobre qual
hobby se tem, está subentendido que se deve ter um, provavelmente também já escolhido de acordo com a oferta do negócio do
tempo livre. Liberdade organizada é coercitiva: “Ai de ti se não tens um hobby, se não tens ocupação para o tempo livre! Então
tu és um pretensioso ou antiquado, um bicho raro, e cais em ridículo perante a sociedade, a qual te impinge o que deve ser o
teu tempo livre.” Tal coação não é, de nenhum modo, somente exterior. Ela se liga às necessidades das pessoas sob um
sistema funcional. No camping — no antigo movimento juvenil, gostava-se de acampar —, havia protesto contra o tédio e o
convencionalismo burgueses. O que os jovens queriam era sair, no duplo sentido da palavra. Passar-a-noite-a-céu-aberto equivalia
a escapar da casa, da família. Essa necessidade, depois da morte do movimento juvenil, foi aproveitada e institucionalizada pela
indústria do camping. Ela não poderia obrigar as pessoas a comprar barracas e motor homes, além de inúmeros utensílios
auxiliares, se algo nas pessoas não ansiasse por isso; mas a própria necessidade de liberdade é funcionalizada e reproduzida pelo
comércio; o que elas querem lhes é, mais uma vez, imposto. Por isso, a integração do tempo livre é alcançada sem maiores
dificuldades; as pessoas não percebem o quanto não são livres lá onde mais livres se sentem, porque a regra de tal ausência de
liberdade lhes foi abstraída.
T. W. Adorno. Palavras e sinais, modelos críticos 2. Maria Helena Ruschel (Trad.). Petrópolis: Vozes, 1995, p. 70-82 (com adaptações)
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Em busca do tempo (livre) perdido
Tempo é sinônimo de dinheiro desde que a
Revolução Industrial mudou para sempre os meios de
produção. O resultado acabou sendo, de certa forma, nefasto
para o trabalhador. Hoje se passam horas demais no
ambiente de trabalho e horas de menos com a família.
Até as férias foram minguando. “O excesso de trabalho é
um fenômeno global. O mercado global e a tecnologia de
comunicação instantânea fizeram do trabalhador um escravo
do relógio. E nós nos tornamos escravos dessa tecnologia.
É importante colocar limites, caso contrário, o trabalho
dominará nossas vidas”, diz Joe Robinson, autor do livro
Trabalhar para Viver. Em todo o mundo, uma série
de organizações tem buscado colocar a redução e a
flexibilização do horário de trabalho e o aumento do período
de férias na pauta política de seus países. “Nos Estados
Unidos, temos as menores férias do mundo industrializado:
8,1 dias depois de um ano de trabalho e 10 dias depois de
três anos”, acrescenta Robinson.
Galileu, out./2005 (com adaptações).
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Texto I
Envelhecimento, pobreza e proteção social na América Latina
O processo de envelhecimento populacional, no seu
primeiro estágio, resulta em um aumento, pelo menos
relativo, da oferta da força de trabalho. Nas etapas
posteriores, a proporção desse grupo no total da população
diminui e, eventualmente, diminuirá em termos absolutos,
como é a situação atual do Japão e de vários países europeus.
Por outro lado, o segmento com idade avançada passa a ser
o que mais cresce. Esse crescimento acentuado do segmento
que demanda maiores recursos monetários e cuidados
humanos, afetivos e psicológicos, em face da redução do
contingente populacional em idade ativa, fez com que o
envelhecimento populacional entrasse na agenda das
políticas públicas pelo lado negativo, ou seja, ele é visto
como “um problema”.
A. A. Camarano e M.T. Pasinato. Texto para discussão. Brasília: IPEA, 2007.
Texto II
Os impactos sociais da velhice
IdadeAtiva — No caso da previdência, os idosos são o
grande problema?
Ana Amélia Camarano — Eu acho que esse é outro
engano. Claro que você tem mais gente idosa e gente
vivendo mais. Agora, o que acontece é que o nosso modelo
de previdência é o mesmo da Europa Ocidental, dos EUA,
modelos desenhados no pós-guerra, quando havia emprego,
as pessoas se aposentavam e ficavam pouco tempo
aposentadas porque morriam logo. Então, esse modelo está
falido. Esse cenário mudou. Nós não estamos mais no mundo
do trabalho estável, não temos mais o pleno emprego e as
relações de trabalho hoje passam pela flexibilização. E a tão
falada flexibilização significa informalização. A nossa
política social é toda ligada ao trabalho. A Constituição de
1988 mudou um pouco, mas até então só tinha direito ao
benefício da previdência quem trabalhava. Era uma
cidadania ligada ao trabalho e, não, ao benefício do
trabalhador. E isso não é mais possível. Nós estamos
caminhando para um mundo sem trabalho.
Internet: www.techway.com.br (com adaptações)
Com relação aos textos I e II, julgue os itens que se seguem.
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Como nasce uma história (fragmento)
Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que serve do primeiro ao décimo quarto andar.
Era pelo menos o que dizia a tabuleta no alto da porta.
— Sétimo — pedi.
A porta se fechou e começamos a subir. Minha atenção se fixou num aviso que dizia:
É expressamente proibido os funcionários, no ato da subida, utilizarem os elevadores para
descerem.
Desde o meu tempo de ginásio sei que se trata de problema complicado, este do infinito
pessoal. Prevaleciam então duas regras mestras que deveriam ser rigorosamente obedecidas. Uma
afirmava que o sujeito, sendo o mesmo, impedia que o verbo se flexionasse. Da outra infelizmente já
não me lembrava.
Mas não foi o emprego pouco castiço do infinito pessoal que me intrigou no tal aviso: foi estar
ele concebido de maneira chocante aos delicados ouvidos de um escritor que se preza.
Qualquer um, não sendo irremediavelmente burro, entenderia o que se pretende dizer neste
aviso. Pois um tijolo de burrice me baixou na compreensão, fazendo com que eu ficasse revirando a
frase na cabeça: descerem, no ato da subida? Que quer dizer isto? E buscava uma forma simples e
correta de formular a proibição:
É proibido subir para depois descer.
É proibido subir no elevador com intenção de descer.
É proibido ficar no elevador com intenção de descer, quando ele estiver subindo.
Se quiser descer, não tome o elevador que esteja subindo.
Mais simples ainda:
Se quiser descer, só tome o elevador que estiver descendo.
De tanta simplicidade, atingi a síntese perfeita do que Nelson Rodrigues chamava de óbvio
ululante, ou seja, a enunciação de algo que não quer dizer absolutamente nada:
Se quiser descer, não suba.
Fernando Sabino. A volta por cima. Rio de Janeiro: Record, 1995, p. 137-140 (com adaptações).
Acerca do gênero textual e das estruturas lingüísticas do texto acima, julgue os itens a seguir.
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Como nasce uma história (fragmento)
Quando cheguei ao edifício, tomei o elevador que serve do primeiro ao décimo quarto andar.
Era pelo menos o que dizia a tabuleta no alto da porta.
— Sétimo — pedi.
A porta se fechou e começamos a subir. Minha atenção se fixou num aviso que dizia:
É expressamente proibido os funcionários, no ato da subida, utilizarem os elevadores para
descerem.
Desde o meu tempo de ginásio sei que se trata de problema complicado, este do infinito
pessoal. Prevaleciam então duas regras mestras que deveriam ser rigorosamente obedecidas. Uma
afirmava que o sujeito, sendo o mesmo, impedia que o verbo se flexionasse. Da outra infelizmente já
não me lembrava.
Mas não foi o emprego pouco castiço do infinito pessoal que me intrigou no tal aviso: foi estar
ele concebido de maneira chocante aos delicados ouvidos de um escritor que se preza.
Qualquer um, não sendo irremediavelmente burro, entenderia o que se pretende dizer neste
aviso. Pois um tijolo de burrice me baixou na compreensão, fazendo com que eu ficasse revirando a
frase na cabeça: descerem, no ato da subida? Que quer dizer isto? E buscava uma forma simples e
correta de formular a proibição:
É proibido subir para depois descer.
É proibido subir no elevador com intenção de descer.
É proibido ficar no elevador com intenção de descer, quando ele estiver subindo.
Se quiser descer, não tome o elevador que esteja subindo.
Mais simples ainda:
Se quiser descer, só tome o elevador que estiver descendo.
De tanta simplicidade, atingi a síntese perfeita do que Nelson Rodrigues chamava de óbvio
ululante, ou seja, a enunciação de algo que não quer dizer absolutamente nada:
Se quiser descer, não suba.
Fernando Sabino. A volta por cima. Rio de Janeiro: Record, 1995, p. 137-140 (com adaptações).
Acerca do gênero textual e das estruturas lingüísticas do texto acima, julgue os itens a seguir.
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Tempo livre
A questão do tempo livre — o que as pessoas fazem com ele, que chances eventualmente oferece o seu desenvolvimento
— não pode ser formulada em generalidade abstrata. A expressão, de origem recente — aliás, antes se dizia ócio, e este era um
privilégio de uma vida folgada e, portanto, algo qualitativamente distinto e muito mais grato —, opõe-se a outra: à de tempo não-
livre, aquele que é preenchido pelo trabalho e, poderíamos acrescentar, na verdade, determinado de fora.
O tempo livre é acorrentado ao seu oposto. Essa oposição, a relação em que ela se apresenta, imprime-lhe traços
essenciais. Além do mais, muito mais fundamentalmente, o tempo livre dependerá da situação geral da sociedade. Mas esta, agora
como antes, mantém as pessoas sob um fascínio. Decerto, não se pode traçar uma divisão tão simples entre as pessoas em si e seus
papéis sociais. (...) Em uma época de integração social sem precedentes, fica difícil estabelecer, de forma geral, o que resta nas
pessoas, além do determinado pelas funções. Isso pesa muito sobre a questão do tempo livre. Mesmo onde o encantamento se
atenua e as pessoas estão ao menos subjetivamente convictas de que agem por vontade própria, isso ainda significa que essa
vontade é modelada por aquilo de que desejam estar livres fora do horário de trabalho.
A indagação adequada ao fenômeno do tempo livre seria, hoje, esta: “Com o aumento da produtividade no trabalho, mas
persistindo as condições de não-liberdade, isto é, sob relações de produção em que as pessoas nascem inseridas e que, hoje como
antes, lhes prescrevem as regras de sua existência, o que ocorre com o tempo livre?” (...) Se se cuidasse de responder à questão
sem asserções ideológicas, tornar-se-ia imperiosa a suspeita de que o tempo livre tende em direção contrária à de seu próprio
conceito, tornando-se paródia deste. Nele se prolonga a não-liberdade, tão desconhecida da maioria das pessoas não-livres como
a sua não-liberdade em si mesma.
Podemos esclarecer isso de maneira simples por meio da ideologia do hobby. Na naturalidade da pergunta sobre qual
hobby se tem, está subentendido que se deve ter um, provavelmente também já escolhido de acordo com a oferta do negócio do
tempo livre. Liberdade organizada é coercitiva: “Ai de ti se não tens um hobby, se não tens ocupação para o tempo livre! Então
tu és um pretensioso ou antiquado, um bicho raro, e cais em ridículo perante a sociedade, a qual te impinge o que deve ser o
teu tempo livre.” Tal coação não é, de nenhum modo, somente exterior. Ela se liga às necessidades das pessoas sob um
sistema funcional. No camping — no antigo movimento juvenil, gostava-se de acampar —, havia protesto contra o tédio e o
convencionalismo burgueses. O que os jovens queriam era sair, no duplo sentido da palavra. Passar-a-noite-a-céu-aberto equivalia
a escapar da casa, da família. Essa necessidade, depois da morte do movimento juvenil, foi aproveitada e institucionalizada pela
indústria do camping. Ela não poderia obrigar as pessoas a comprar barracas e motor homes, além de inúmeros utensílios
auxiliares, se algo nas pessoas não ansiasse por isso; mas a própria necessidade de liberdade é funcionalizada e reproduzida pelo
comércio; o que elas querem lhes é, mais uma vez, imposto. Por isso, a integração do tempo livre é alcançada sem maiores
dificuldades; as pessoas não percebem o quanto não são livres lá onde mais livres se sentem, porque a regra de tal ausência de
liberdade lhes foi abstraída.
T. W. Adorno. Palavras e sinais, modelos críticos 2. Maria Helena Ruschel (Trad.). Petrópolis: Vozes, 1995, p. 70-82 (com adaptações)
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Texto I
Envelhecimento, pobreza e proteção social na América Latina
O processo de envelhecimento populacional, no seu
primeiro estágio, resulta em um aumento, pelo menos
relativo, da oferta da força de trabalho. Nas etapas
posteriores, a proporção desse grupo no total da população
diminui e, eventualmente, diminuirá em termos absolutos,
como é a situação atual do Japão e de vários países europeus.
Por outro lado, o segmento com idade avançada passa a ser
o que mais cresce. Esse crescimento acentuado do segmento
que demanda maiores recursos monetários e cuidados
humanos, afetivos e psicológicos, em face da redução do
contingente populacional em idade ativa, fez com que o
envelhecimento populacional entrasse na agenda das
políticas públicas pelo lado negativo, ou seja, ele é visto
como “um problema”.
A. A. Camarano e M.T. Pasinato. Texto para discussão. Brasília: IPEA, 2007.
Texto II
Os impactos sociais da velhice
IdadeAtiva — No caso da previdência, os idosos são o
grande problema?
Ana Amélia Camarano — Eu acho que esse é outro
engano. Claro que você tem mais gente idosa e gente
vivendo mais. Agora, o que acontece é que o nosso modelo
de previdência é o mesmo da Europa Ocidental, dos EUA,
modelos desenhados no pós-guerra, quando havia emprego,
as pessoas se aposentavam e ficavam pouco tempo
aposentadas porque morriam logo. Então, esse modelo está
falido. Esse cenário mudou. Nós não estamos mais no mundo
do trabalho estável, não temos mais o pleno emprego e as
relações de trabalho hoje passam pela flexibilização. E a tão
falada flexibilização significa informalização. A nossa
política social é toda ligada ao trabalho. A Constituição de
1988 mudou um pouco, mas até então só tinha direito ao
benefício da previdência quem trabalhava. Era uma
cidadania ligada ao trabalho e, não, ao benefício do
trabalhador. E isso não é mais possível. Nós estamos
caminhando para um mundo sem trabalho.
Internet: www.techway.com.br (com adaptações)
Com relação aos textos I e II, julgue os itens que se seguem.
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