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Leia o texto abaixo e responda a questão.
Meu adorável vagabundo
A gente ri da menina que, às vésperas do vestibular, não sabe se tenta letras, educação física ou oceanografia, sem descartar nutricionismo e um bom casamento, mas o fato é que todos nós passamos pelo mesmo tipo de indefinição. Eu, por exemplo, já quis ser aviador, tocador de pistom, arquiteto e, durante um bom período de pós-adolescência, vagabundo profissional, e só não consegui esta última vocação porque a família, por alguma razão, se opôs. Uma das coisas que eu nunca pensei ser foi jornalista.
Não posso imaginar qual seria o resultado se algum dia eu tivesse feito um teste vocacional.
— Temos aqui os resultados de seu teste e eles são interessantíssimos, Sr. Veríssimo.
—Ah, é?
Finalmente a revelação. descobrir para que servia.
- E a primeira vez que chegamos a um resultado assim desde que começamos a fazer testes. Deve ser a primeira vez em toda a história da psicologia, em todo o mundo.
— Não diga!
— O senhor é o primeiro caso conhecido de alguém que tem vocação para aposentado!
Aposentado é o vagabundo sem culpa e com renda. Embora no Brasil, renda insuficiente.
O problema seria que eu precisaria ser aposentado de alguma profissão. Não há curso de aposentado. Como entrar em fila, como sentar em banco de praça, como não fazer nada e incomodar em casa. Pós-graduação em azucrinar empregada. Começando a vida como aposentado, eu, nem que fosse só pela juventude, seria um aposentado ativista. Seria imbatível em todos os jogos de aposentados que requeressem esforço físico.
Se bem que, com a minha vocação de aposentado realista, para que entrar em qualquer coisa que requeresse esforço físico? Não. Jogos de damas, longas sestas, muita leitura. Eu subiria lentamente na carreira de aposentado, ficando cada vez mais indolente, até chegar a hora de parar e pedir a aposentadoria, claro.
Não podendo seguir meu pendor natural para não fazer nada, acabei fazendo tudo. O sonho de ser aviador não sobreviveu à infância, mas cheguei a providenciar o começo de uma possível carreira como pistonista. Nos Estados Unidos, onde moramos uma certa época, procurei um curso de música que emprestava instrumentos. Não tinham pistom no momento. Peguei saxofone mesmo. Ainda toco, eventualmente, se bem que haja discussões sobre se “tocar” é o verbo exato — e ainda imagino que um dia possa me dedicar ao show bizz em tempo integral, se 72 anos não for muito tarde para começar. Geriatric rock, por que não?
[...] Parei de estudare só quando entrei, quase por acaso, no jornalismo, muitos anos depois, numa época em que o diploma ainda não era obrigatório, descobri uma vocação ou pelo menos uma maneira de passar o tempo até a aposentadoria, quando finalmente poderei exercer minha aptidão natural. Não sou um exemplo muito edificante, eu sei. Só queria mostrar que a indecisão não é incomum, e não é tão grave. A vocação da pessoa pode, inclusive, ser a indecisão.
(Luiz Fernando Veríssimo, in O Estado de São Paulo. 11/01/1990).
Em apenas uma das opções o termo destacado foi corretamente substituído por um pronome oblíquo. Aponte-a.
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Assinale a opção em que o acento indicativo de crase foi corretamente empregado.
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Selma é mais estudiosa do que Brena. Vitória é menos estudiosa do que Brena. Logo:
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Com relação ao sistema de registro de preços, pode-se afirmar que:
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Na modalidade de licitação denominada pregão, quando o vencedor não tiver sua proposta aceita ou desatender às exigências habilitatórias, o pregoeiro:
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Os estados do Rio Grande do Norte, Rondônia, Roraima e Rio Grande do Sul têm suas respectivas siglas corretas na alternativa:
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Considerando o tema regime próprio de previdência social, assinale a alternativa correta.
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De acordo com o princípio da noventena, previsto na Constituição Federal de 1988, as contribuições sociais previdenciárias somente poderão ser exigidas:
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Leia o texto abaixo e responda a questão.
Meu adorável vagabundo
A gente ri da menina que, às vésperas do vestibular, não sabe se tenta letras, educação física ou oceanografia, sem descartar nutricionismo e um bom casamento, mas o fato é que todos nós passamos pelo mesmo tipo de indefinição. Eu, por exemplo, já quis ser aviador, tocador de pistom, arquiteto e, durante um bom período de pós-adolescência, vagabundo profissional, e só não consegui esta última vocação porque a família, por alguma razão, se opôs. Uma das coisas que eu nunca pensei ser foi jornalista.
Não posso imaginar qual seria o resultado se algum dia eu tivesse feito um teste vocacional.
— Temos aqui os resultados de seu teste e eles são interessantíssimos, Sr. Veríssimo.
—Ah, é?
Finalmente a revelação. descobrir para que servia.
- E a primeira vez que chegamos a um resultado assim desde que começamos a fazer testes. Deve ser a primeira vez em toda a história da psicologia, em todo o mundo.
— Não diga!
— O senhor é o primeiro caso conhecido de alguém que tem vocação para aposentado!
Aposentado é o vagabundo sem culpa e com renda. Embora no Brasil, renda insuficiente.
O problema seria que eu precisaria ser aposentado de alguma profissão. Não há curso de aposentado. Como entrar em fila, como sentar em banco de praça, como não fazer nada e incomodar em casa. Pós-graduação em azucrinar empregada. Começando a vida como aposentado, eu, nem que fosse só pela juventude, seria um aposentado ativista. Seria imbatível em todos os jogos de aposentados que requeressem esforço físico.
Se bem que, com a minha vocação de aposentado realista, para que entrar em qualquer coisa que requeresse esforço físico? Não. Jogos de damas, longas sestas, muita leitura. Eu subiria lentamente na carreira de aposentado, ficando cada vez mais indolente, até chegar a hora de parar e pedir a aposentadoria, claro.
Não podendo seguir meu pendor natural para não fazer nada, acabei fazendo tudo. O sonho de ser aviador não sobreviveu à infância, mas cheguei a providenciar o começo de uma possível carreira como pistonista. Nos Estados Unidos, onde moramos uma certa época, procurei um curso de música que emprestava instrumentos. Não tinham pistom no momento. Peguei saxofone mesmo. Ainda toco, eventualmente, se bem que haja discussões sobre se “tocar” é o verbo exato — e ainda imagino que um dia possa me dedicar ao show bizz em tempo integral, se 72 anos não for muito tarde para começar. Geriatric rock, por que não?
[...] Parei de estudare só quando entrei, quase por acaso, no jornalismo, muitos anos depois, numa época em que o diploma ainda não era obrigatório, descobri uma vocação ou pelo menos uma maneira de passar o tempo até a aposentadoria, quando finalmente poderei exercer minha aptidão natural. Não sou um exemplo muito edificante, eu sei. Só queria mostrar que a indecisão não é incomum, e não é tão grave. A vocação da pessoa pode, inclusive, ser a indecisão.
(Luiz Fernando Veríssimo, in O Estado de São Paulo. 11/01/1990).
Em “Deve ser a primeira vez em toda a história da psicoLOGIA [...]”, o elemento destacado na palavra significa:
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A negação da sentença “Nenhuma pessoa sem nível médio completo fará este concurso” é:
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