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2935347 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Por uma reescrita da história literária brasileira

Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas.

De acordo com David Perkins, uma história da literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso?

Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação outrora experimentada por elas.

FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.

Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

No segundo parágrafo, o “intercâmbio dialético entre luz e sombra” refere-se a estilos literários em que a produção de escrita de autoria feminina foi relevante, como no século 19, e a estilos em que não há esse tipo de produção.

 

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2935346 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Por uma reescrita da história literária brasileira

Não é possível falarmos acerca da elaboração de uma nova história da literatura brasileira e da inserção das escritoras mulheres nessa história sem antes entendermos como se dá o processo de construção das histórias e do cânone literários. O historiador também tem o poder de legitimar o escritor e a literatura, pela inclusão e abertura de espaço para análise e consideração de sua obra literária. O contrário também é possível, pois, ao excluir escritores, acaba silenciando uma produção que gradualmente vai sendo esquecida, como foi o caso das escritoras oitocentistas.

De acordo com David Perkins, uma história da literatura se constrói por meio de um enredo, que é o discurso feito a respeito de determinada produção. Assim, os historiadores da literatura podem condenar escritores e obras, podem defender estilos não apreciados e podem, também, ser motivados por um conjunto de emoções diferentes: “qualquer que seja o enredo imposto aos eventos, o simples fato de serem organizados em forma de narrativa pode, ele mesmo, preencher o desejo.” Tendo em vista a consciência do desejo que motiva e dá vida a uma memória literária, a questão é: até que ponto a intenção organizadora subjacente ao processo de escrita de uma história da literatura justifica as suas omissões e ênfases? Mais especificamente: no intercâmbio dialético entre luz e sombra, por que a literatura escrita por mulheres é sombra constante nesse tipo de discurso?

Ao tratar de histórias da literatura, devemos sempre considerar que elas não são totalidades permanentes, mas sim objetos dinâmicos, pois encontram-se sob o signo da contingência, em constante processo de redefinição. Uma vez publicada a história da literatura, há possibilidades de novas fontes, novos documentos históricos; o historiador, em contínuas pesquisa e busca, pode descobrir um documento inédito e, então, reformular sua hipótese. Essa perspectiva da mobilidade e do constante processo de redefinição serve-nos de conforto, na medida em que torna possível e viável a iluminação sobre a literatura de autoria feminina até hoje obnubilada nos discursos sobre a produção literária brasileira. Entretanto, se, ao atualizar a história da literatura, mantemos o padrão de silenciamento dos textos de autoria feminina, torna-se impossível repensar o cânone literário. Observa-se que, ironicamente, algumas escritoras oitocentistas não foram excluídas em vida, mas o esquecimento foi implacável com a exaltação outrora experimentada por elas.

FAEDRICH, Anna. Escritoras silenciadas: Narcisa Amália, Júlia Lopes de Almeida, Albertina Bertha e as adversidades da escrita literária de mulheres. Rio de Janeiro: Macabéa, 2022, págs. de 39 a 64, com adaptações.

Com base nas ideias apresentadas no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

O texto critica a história da literatura brasileira que produz inverdades, uma vez que o ponto de vista dos historiadores é unificado e centralizador, além de decorrer de fontes restritas e documentos históricos, o que impossibilita uma escrita que atenda a visões múltiplas.

 

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2935345 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Mas não há casa-grande sem a senzala, e foi em torno desse duo, que parece composto de opostos, porém na verdade abrange partes contíguas, que Gilberto Freyre publicou, em 1933, seu clássico Casa-grande & senzala, evidenciando as contradições e relações que se estabeleciam entre senhores e escravos. O próprio “&” do título original já revela como o antropólogo pernambucano entendia a importância da correlação entre esses dois extremos. “Equilíbrio de antagonismos de economia e de cultura” foi a expressão utilizada por ele para demonstrar como paternalismo e violência, mas também negociação de parte a parte, coexistiam nesse cotidiano.

“Senzala” é um termo do quimbundo que significa “residência de serviçais em propriedades agrícolas”, ou “morada separada da casa principal”. Nas senzalas da cana residiam dezenas de escravos, que podiam chegar às centenas, com frequência presos pelos pés e braços, deitados em chão de terra e em péssimas condições de higiene - como ter numerosos escravos era sinal de prosperidade e abastança, o senhor preferia quantidade a qualidade. As circunstâncias variavam: por vezes os escravos eram alojados coletivamente; em outras situações foram achados registros de barracões distintos para homens e para mulheres, e em alguns casos até mesmo alojamentos para casais com filhos. No Nordeste, o mais normal era encontrar barracas contíguas, dispostas em filas e a certa distância da casa-grande. As senzalas eram trancadas à noite por feitores, a fim de evitar fugas e de estabelecer disciplina, pois dessa maneira se determinava o horário de se recolher e de despertar. [...]

Por sinal, diversos elementos faziam parte da performance de senhor “aristocrata”: as roupas, a mobília, os cavalos puros-sangues, a alfabetização numa terra de iletrados, a capacidade de mando. [...] Na medida em que eram considerados pagãos, tanto indígenas como africanos, apesar de batizados e transformados em vassalos, continuavam sem direitos. Dessa forma, as divisões entre “gentios” e “índios aldeados”, ou entre “africanos”, “boçais” (aqueles recém-chegados) e “ladinos” (aculturados), representavam gradações culturais que demarcavam hierarquias internas, as quais, no limite, implicavam maior ou menor exclusão social. Os mais de dentro e os mais de fora.

[...] Essas populações podiam ser denominadas simplesmente mestiças (provenientes de uniões entre escravos e seus senhores); cabras (termo que quase sempre se referia à mistura do índio com o negro); morenas (palavra que vem de “mouro” mas guarda antes o significado “de cor escura”), ou pardas: a cor parda ainda hoje consta no censo brasileiro, e mais parece um “nenhuma das anteriores”, um grande et cetera ou um coringa da classificação.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel.

Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.

A respeito dos recursos linguísticos presentes no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

A utilização de aspas em “‘nenhuma das anteriores”’ item função de marcar citação direta no texto.

 

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2935344 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Mas não há casa-grande sem a senzala, e foi em torno desse duo, que parece composto de opostos, porém na verdade abrange partes contíguas, que Gilberto Freyre publicou, em 1933, seu clássico Casa-grande & senzala, evidenciando as contradições e relações que se estabeleciam entre senhores e escravos. O próprio “&” do título original já revela como o antropólogo pernambucano entendia a importância da correlação entre esses dois extremos. “Equilíbrio de antagonismos de economia e de cultura” foi a expressão utilizada por ele para demonstrar como paternalismo e violência, mas também negociação de parte a parte, coexistiam nesse cotidiano.

“Senzala” é um termo do quimbundo que significa “residência de serviçais em propriedades agrícolas”, ou “morada separada da casa principal”. Nas senzalas da cana residiam dezenas de escravos, que podiam chegar às centenas, com frequência presos pelos pés e braços, deitados em chão de terra e em péssimas condições de higiene - como ter numerosos escravos era sinal de prosperidade e abastança, o senhor preferia quantidade a qualidade. As circunstâncias variavam: por vezes os escravos eram alojados coletivamente; em outras situações foram achados registros de barracões distintos para homens e para mulheres, e em alguns casos até mesmo alojamentos para casais com filhos. No Nordeste, o mais normal era encontrar barracas contíguas, dispostas em filas e a certa distância da casa-grande. As senzalas eram trancadas à noite por feitores, a fim de evitar fugas e de estabelecer disciplina, pois dessa maneira se determinava o horário de se recolher e de despertar. [...]

Por sinal, diversos elementos faziam parte da performance de senhor “aristocrata”: as roupas, a mobília, os cavalos puros-sangues, a alfabetização numa terra de iletrados, a capacidade de mando. [...] Na medida em que eram considerados pagãos, tanto indígenas como africanos, apesar de batizados e transformados em vassalos, continuavam sem direitos. Dessa forma, as divisões entre “gentios” e “índios aldeados”, ou entre “africanos”, “boçais” (aqueles recém-chegados) e “ladinos” (aculturados), representavam gradações culturais que demarcavam hierarquias internas, as quais, no limite, implicavam maior ou menor exclusão social. Os mais de dentro e os mais de fora.

[...] Essas populações podiam ser denominadas simplesmente mestiças (provenientes de uniões entre escravos e seus senhores); cabras (termo que quase sempre se referia à mistura do índio com o negro); morenas (palavra que vem de “mouro” mas guarda antes o significado “de cor escura”), ou pardas: a cor parda ainda hoje consta no censo brasileiro, e mais parece um “nenhuma das anteriores”, um grande et cetera ou um coringa da classificação.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel.

Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.

A respeito dos recursos linguísticos presentes no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

o uso de parênteses em “aqueles recém-chegados” e em “aculturados” sinaliza ressalvas quanto ao emprego de determinadas expressões ou palavras no período.

 

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2935343 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Mas não há casa-grande sem a senzala, e foi em torno desse duo, que parece composto de opostos, porém na verdade abrange partes contíguas, que Gilberto Freyre publicou, em 1933, seu clássico Casa-grande & senzala, evidenciando as contradições e relações que se estabeleciam entre senhores e escravos. O próprio “&” do título original já revela como o antropólogo pernambucano entendia a importância da correlação entre esses dois extremos. “Equilíbrio de antagonismos de economia e de cultura” foi a expressão utilizada por ele para demonstrar como paternalismo e violência, mas também negociação de parte a parte, coexistiam nesse cotidiano.

“Senzala” é um termo do quimbundo que significa “residência de serviçais em propriedades agrícolas”, ou “morada separada da casa principal”. Nas senzalas da cana residiam dezenas de escravos, que podiam chegar às centenas, com frequência presos pelos pés e braços, deitados em chão de terra e em péssimas condições de higiene - como ter numerosos escravos era sinal de prosperidade e abastança, o senhor preferia quantidade a qualidade. As circunstâncias variavam: por vezes os escravos eram alojados coletivamente; em outras situações foram achados registros de barracões distintos para homens e para mulheres, e em alguns casos até mesmo alojamentos para casais com filhos. No Nordeste, o mais normal era encontrar barracas contíguas, dispostas em filas e a certa distância da casa-grande. As senzalas eram trancadas à noite por feitores, a fim de evitar fugas e de estabelecer disciplina, pois dessa maneira se determinava o horário de se recolher e de despertar. [...]

Por sinal, diversos elementos faziam parte da performance de senhor “aristocrata”: as roupas, a mobília, os cavalos puros-sangues, a alfabetização numa terra de iletrados, a capacidade de mando. [...] Na medida em que eram considerados pagãos, tanto indígenas como africanos, apesar de batizados e transformados em vassalos, continuavam sem direitos. Dessa forma, as divisões entre “gentios” e “índios aldeados”, ou entre “africanos”, “boçais” (aqueles recém-chegados) e “ladinos” (aculturados), representavam gradações culturais que demarcavam hierarquias internas, as quais, no limite, implicavam maior ou menor exclusão social. Os mais de dentro e os mais de fora.

[...] Essas populações podiam ser denominadas simplesmente mestiças (provenientes de uniões entre escravos e seus senhores); cabras (termo que quase sempre se referia à mistura do índio com o negro); morenas (palavra que vem de “mouro” mas guarda antes o significado “de cor escura”), ou pardas: a cor parda ainda hoje consta no censo brasileiro, e mais parece um “nenhuma das anteriores”, um grande et cetera ou um coringa da classificação.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel.

Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.

A respeito dos recursos linguísticos presentes no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

O trecho “Na medida em que eram considerados pagãos” confere ao período em que foi empregado uma relação de causalidade.

 

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2935342 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Mas não há casa-grande sem a senzala, e foi em torno desse duo, que parece composto de opostos, porém na verdade abrange partes contíguas, que Gilberto Freyre publicou, em 1933, seu clássico Casa-grande & senzala, evidenciando as contradições e relações que se estabeleciam entre senhores e escravos. O próprio “&” do título original já revela como o antropólogo pernambucano entendia a importância da correlação entre esses dois extremos. “Equilíbrio de antagonismos de economia e de cultura” foi a expressão utilizada por ele para demonstrar como paternalismo e violência, mas também negociação de parte a parte, coexistiam nesse cotidiano.

“Senzala” é um termo do quimbundo que significa “residência de serviçais em propriedades agrícolas”, ou “morada separada da casa principal”. Nas senzalas da cana residiam dezenas de escravos, que podiam chegar às centenas, com frequência presos pelos pés e braços, deitados em chão de terra e em péssimas condições de higiene - como ter numerosos escravos era sinal de prosperidade e abastança, o senhor preferia quantidade a qualidade. As circunstâncias variavam: por vezes os escravos eram alojados coletivamente; em outras situações foram achados registros de barracões distintos para homens e para mulheres, e em alguns casos até mesmo alojamentos para casais com filhos. No Nordeste, o mais normal era encontrar barracas contíguas, dispostas em filas e a certa distância da casa-grande. As senzalas eram trancadas à noite por feitores, a fim de evitar fugas e de estabelecer disciplina, pois dessa maneira se determinava o horário de se recolher e de despertar. [...]

Por sinal, diversos elementos faziam parte da performance de senhor “aristocrata”: as roupas, a mobília, os cavalos puros-sangues, a alfabetização numa terra de iletrados, a capacidade de mando. [...] Na medida em que eram considerados pagãos, tanto indígenas como africanos, apesar de batizados e transformados em vassalos, continuavam sem direitos. Dessa forma, as divisões entre “gentios” e “índios aldeados”, ou entre “africanos”, “boçais” (aqueles recém-chegados) e “ladinos” (aculturados), representavam gradações culturais que demarcavam hierarquias internas, as quais, no limite, implicavam maior ou menor exclusão social. Os mais de dentro e os mais de fora.

[...] Essas populações podiam ser denominadas simplesmente mestiças (provenientes de uniões entre escravos e seus senhores); cabras (termo que quase sempre se referia à mistura do índio com o negro); morenas (palavra que vem de “mouro” mas guarda antes o significado “de cor escura”), ou pardas: a cor parda ainda hoje consta no censo brasileiro, e mais parece um “nenhuma das anteriores”, um grande et cetera ou um coringa da classificação.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel.

Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.

A respeito dos recursos linguísticos presentes no texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

A substituição de “puros-sangues" por puros-sangue manteria a correção quanto ao emprego de plural desse adjetivo.

 

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2935341 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Mas não há casa-grande sem a senzala, e foi em torno desse duo, que parece composto de opostos, porém na verdade abrange partes contíguas, que Gilberto Freyre publicou, em 1933, seu clássico Casa-grande & senzala, evidenciando as contradições e relações que se estabeleciam entre senhores e escravos. O próprio “&” do título original já revela como o antropólogo pernambucano entendia a importância da correlação entre esses dois extremos. “Equilíbrio de antagonismos de economia e de cultura” foi a expressão utilizada por ele para demonstrar como paternalismo e violência, mas também negociação de parte a parte, coexistiam nesse cotidiano.

“Senzala” é um termo do quimbundo que significa “residência de serviçais em propriedades agrícolas”, ou “morada separada da casa principal”. Nas senzalas da cana residiam dezenas de escravos, que podiam chegar às centenas, com frequência presos pelos pés e braços, deitados em chão de terra e em péssimas condições de higiene - como ter numerosos escravos era sinal de prosperidade e abastança, o senhor preferia quantidade a qualidade. As circunstâncias variavam: por vezes os escravos eram alojados coletivamente; em outras situações foram achados registros de barracões distintos para homens e para mulheres, e em alguns casos até mesmo alojamentos para casais com filhos. No Nordeste, o mais normal era encontrar barracas contíguas, dispostas em filas e a certa distância da casa-grande. As senzalas eram trancadas à noite por feitores, a fim de evitar fugas e de estabelecer disciplina, pois dessa maneira se determinava o horário de se recolher e de despertar. [...]

Por sinal, diversos elementos faziam parte da performance de senhor “aristocrata”: as roupas, a mobília, os cavalos puros-sangues, a alfabetização numa terra de iletrados, a capacidade de mando. [...] Na medida em que eram considerados pagãos, tanto indígenas como africanos, apesar de batizados e transformados em vassalos, continuavam sem direitos. Dessa forma, as divisões entre “gentios” e “índios aldeados”, ou entre “africanos”, “boçais” (aqueles recém-chegados) e “ladinos” (aculturados), representavam gradações culturais que demarcavam hierarquias internas, as quais, no limite, implicavam maior ou menor exclusão social. Os mais de dentro e os mais de fora.

[...] Essas populações podiam ser denominadas simplesmente mestiças (provenientes de uniões entre escravos e seus senhores); cabras (termo que quase sempre se referia à mistura do índio com o negro); morenas (palavra que vem de “mouro” mas guarda antes o significado “de cor escura”), ou pardas: a cor parda ainda hoje consta no censo brasileiro, e mais parece um “nenhuma das anteriores”, um grande et cetera ou um coringa da classificação.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel.

Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.

Considerando os aspectos linguísticos e o sentido do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

Na forma verbal “se determinava”, o emprego da partícula “se” marca a indeterminação do sujeito da oração.

 

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2935340 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
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Mas não há casa-grande sem a senzala, e foi em torno desse duo, que parece composto de opostos, porém na verdade abrange partes contíguas, que Gilberto Freyre publicou, em 1933, seu clássico Casa-grande & senzala, evidenciando as contradições e relações que se estabeleciam entre senhores e escravos. O próprio “&” do título original já revela como o antropólogo pernambucano entendia a importância da correlação entre esses dois extremos. “Equilíbrio de antagonismos de economia e de cultura” foi a expressão utilizada por ele para demonstrar como paternalismo e violência, mas também negociação de parte a parte, coexistiam nesse cotidiano.

“Senzala” é um termo do quimbundo que significa “residência de serviçais em propriedades agrícolas”, ou “morada separada da casa principal”. Nas senzalas da cana residiam dezenas de escravos, que podiam chegar às centenas, com frequência presos pelos pés e braços, deitados em chão de terra e em péssimas condições de higiene - como ter numerosos escravos era sinal de prosperidade e abastança, o senhor preferia quantidade a qualidade. As circunstâncias variavam: por vezes os escravos eram alojados coletivamente; em outras situações foram achados registros de barracões distintos para homens e para mulheres, e em alguns casos até mesmo alojamentos para casais com filhos. No Nordeste, o mais normal era encontrar barracas contíguas, dispostas em filas e a certa distância da casa-grande. As senzalas eram trancadas à noite por feitores, a fim de evitar fugas e de estabelecer disciplina, pois dessa maneira se determinava o horário de se recolher e de despertar. [...]

Por sinal, diversos elementos faziam parte da performance de senhor “aristocrata”: as roupas, a mobília, os cavalos puros-sangues, a alfabetização numa terra de iletrados, a capacidade de mando. [...] Na medida em que eram considerados pagãos, tanto indígenas como africanos, apesar de batizados e transformados em vassalos, continuavam sem direitos. Dessa forma, as divisões entre “gentios” e “índios aldeados”, ou entre “africanos”, “boçais” (aqueles recém-chegados) e “ladinos” (aculturados), representavam gradações culturais que demarcavam hierarquias internas, as quais, no limite, implicavam maior ou menor exclusão social. Os mais de dentro e os mais de fora.

[...] Essas populações podiam ser denominadas simplesmente mestiças (provenientes de uniões entre escravos e seus senhores); cabras (termo que quase sempre se referia à mistura do índio com o negro); morenas (palavra que vem de “mouro” mas guarda antes o significado “de cor escura”), ou pardas: a cor parda ainda hoje consta no censo brasileiro, e mais parece um “nenhuma das anteriores”, um grande et cetera ou um coringa da classificação.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel.

Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.

Considerando os aspectos linguísticos e o sentido do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

A palavra “até” estabelece um sentido de limite em relação aos alojamentos constituídos dentro das senzalas.

 

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2935339 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Mas não há casa-grande sem a senzala, e foi em torno desse duo, que parece composto de opostos, porém na verdade abrange partes contíguas, que Gilberto Freyre publicou, em 1933, seu clássico Casa-grande & senzala, evidenciando as contradições e relações que se estabeleciam entre senhores e escravos. O próprio “&” do título original já revela como o antropólogo pernambucano entendia a importância da correlação entre esses dois extremos. “Equilíbrio de antagonismos de economia e de cultura” foi a expressão utilizada por ele para demonstrar como paternalismo e violência, mas também negociação de parte a parte, coexistiam nesse cotidiano.

“Senzala” é um termo do quimbundo que significa “residência de serviçais em propriedades agrícolas”, ou “morada separada da casa principal”. Nas senzalas da cana residiam dezenas de escravos, que podiam chegar às centenas, com frequência presos pelos pés e braços, deitados em chão de terra e em péssimas condições de higiene - como ter numerosos escravos era sinal de prosperidade e abastança, o senhor preferia quantidade a qualidade. As circunstâncias variavam: por vezes os escravos eram alojados coletivamente; em outras situações foram achados registros de barracões distintos para homens e para mulheres, e em alguns casos até mesmo alojamentos para casais com filhos. No Nordeste, o mais normal era encontrar barracas contíguas, dispostas em filas e a certa distância da casa-grande. As senzalas eram trancadas à noite por feitores, a fim de evitar fugas e de estabelecer disciplina, pois dessa maneira se determinava o horário de se recolher e de despertar. [...]

Por sinal, diversos elementos faziam parte da performance de senhor “aristocrata”: as roupas, a mobília, os cavalos puros-sangues, a alfabetização numa terra de iletrados, a capacidade de mando. [...] Na medida em que eram considerados pagãos, tanto indígenas como africanos, apesar de batizados e transformados em vassalos, continuavam sem direitos. Dessa forma, as divisões entre “gentios” e “índios aldeados”, ou entre “africanos”, “boçais” (aqueles recém-chegados) e “ladinos” (aculturados), representavam gradações culturais que demarcavam hierarquias internas, as quais, no limite, implicavam maior ou menor exclusão social. Os mais de dentro e os mais de fora.

[...] Essas populações podiam ser denominadas simplesmente mestiças (provenientes de uniões entre escravos e seus senhores); cabras (termo que quase sempre se referia à mistura do índio com o negro); morenas (palavra que vem de “mouro” mas guarda antes o significado “de cor escura”), ou pardas: a cor parda ainda hoje consta no censo brasileiro, e mais parece um “nenhuma das anteriores”, um grande et cetera ou um coringa da classificação.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel.

Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.

Considerando os aspectos linguísticos e o sentido do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

A inserção de vírgula após a palavra “cana” manteria a correção gramatical e os sentidos construídos no período.

 

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2935338 Ano: 2023
Disciplina: Português
Banca: IADES
Orgão: IRB
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Mas não há casa-grande sem a senzala, e foi em torno desse duo, que parece composto de opostos, porém na verdade abrange partes contíguas, que Gilberto Freyre publicou, em 1933, seu clássico Casa-grande & senzala, evidenciando as contradições e relações que se estabeleciam entre senhores e escravos. O próprio “&” do título original já revela como o antropólogo pernambucano entendia a importância da correlação entre esses dois extremos. “Equilíbrio de antagonismos de economia e de cultura” foi a expressão utilizada por ele para demonstrar como paternalismo e violência, mas também negociação de parte a parte, coexistiam nesse cotidiano.

“Senzala” é um termo do quimbundo que significa “residência de serviçais em propriedades agrícolas”, ou “morada separada da casa principal”. Nas senzalas da cana residiam dezenas de escravos, que podiam chegar às centenas, com frequência presos pelos pés e braços, deitados em chão de terra e em péssimas condições de higiene - como ter numerosos escravos era sinal de prosperidade e abastança, o senhor preferia quantidade a qualidade. As circunstâncias variavam: por vezes os escravos eram alojados coletivamente; em outras situações foram achados registros de barracões distintos para homens e para mulheres, e em alguns casos até mesmo alojamentos para casais com filhos. No Nordeste, o mais normal era encontrar barracas contíguas, dispostas em filas e a certa distância da casa-grande. As senzalas eram trancadas à noite por feitores, a fim de evitar fugas e de estabelecer disciplina, pois dessa maneira se determinava o horário de se recolher e de despertar. [...]

Por sinal, diversos elementos faziam parte da performance de senhor “aristocrata”: as roupas, a mobília, os cavalos puros-sangues, a alfabetização numa terra de iletrados, a capacidade de mando. [...] Na medida em que eram considerados pagãos, tanto indígenas como africanos, apesar de batizados e transformados em vassalos, continuavam sem direitos. Dessa forma, as divisões entre “gentios” e “índios aldeados”, ou entre “africanos”, “boçais” (aqueles recém-chegados) e “ladinos” (aculturados), representavam gradações culturais que demarcavam hierarquias internas, as quais, no limite, implicavam maior ou menor exclusão social. Os mais de dentro e os mais de fora.

[...] Essas populações podiam ser denominadas simplesmente mestiças (provenientes de uniões entre escravos e seus senhores); cabras (termo que quase sempre se referia à mistura do índio com o negro); morenas (palavra que vem de “mouro” mas guarda antes o significado “de cor escura”), ou pardas: a cor parda ainda hoje consta no censo brasileiro, e mais parece um “nenhuma das anteriores”, um grande et cetera ou um coringa da classificação.

SCHWARCZ, Lilia Moritz; STARLING, Heloisa Murgel.

Brasil: uma biografia. São Paulo: Companhia das Letras, 2015, com adaptações.

Considerando os aspectos linguísticos e o sentido do texto, julgue (C ou E) o item a seguir.

No primeiro parágrafo, “antropólogo pernambucano” e “ele” estabelecem referenciação anafórica com “Gilberto Freyre”.

 

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