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Torcida
As ruas enfeitadas para a Copa de 1982 davam a certeza de que a seleção brasileira seria campeã do mundo. Deu zebra. A seleção foi desclassificada pela Itália com um 3 a 2 doloroso. A derrota absurda, primeiro grande revés de menino, me deixou com febre durante dois dias. Dramático, como em geral são as crianças e os adolescentes, cheguei a achar que nunca me recuperaria do baque que os três gols do Paolo Rossi causaram em mim. Hoje tenho a certeza: nunca me recuperei.
A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
Considere o fragmento abaixo para responder às questões 9 e 10 seguintes.
“cheguei a achar que nunca me recuperaria do baque que os três gols do Paolo Rossi causaram em mim”
A flexão de número do verbo “causaram” deve-se a uma exigência de concordância que está, corretamente, indicada em:
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As ruas enfeitadas para a Copa de 1982 davam a certeza de que a seleção brasileira seria campeã do mundo. Deu zebra. A seleção foi desclassificada pela Itália com um 3 a 2 doloroso. A derrota absurda, primeiro grande revés de menino, me deixou com febre durante dois dias. Dramático, como em geral são as crianças e os adolescentes, cheguei a achar que nunca me recuperaria do baque que os três gols do Paolo Rossi causaram em mim. Hoje tenho a certeza: nunca me recuperei.
A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
Ao observar o período composto “Pressenti que ia dar errado, mas me submeti ao ritual”, pode-se afirmar que ele é constituído por:
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As ruas enfeitadas para a Copa de 1982 davam a certeza de que a seleção brasileira seria campeã do mundo. Deu zebra. A seleção foi desclassificada pela Itália com um 3 a 2 doloroso. A derrota absurda, primeiro grande revés de menino, me deixou com febre durante dois dias. Dramático, como em geral são as crianças e os adolescentes, cheguei a achar que nunca me recuperaria do baque que os três gols do Paolo Rossi causaram em mim. Hoje tenho a certeza: nunca me recuperei.
A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
No final do texto, encontramos o substantivo “mortos” cujo plural é feito com a mudança do timbre da vogal tônica, passando de fechado para aberto. Dentre os vocábulos abaixo, assinale o que também sofre essa alteração no timbre ao ser flexionado para o plural.
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As ruas enfeitadas para a Copa de 1982 davam a certeza de que a seleção brasileira seria campeã do mundo. Deu zebra. A seleção foi desclassificada pela Itália com um 3 a 2 doloroso. A derrota absurda, primeiro grande revés de menino, me deixou com febre durante dois dias. Dramático, como em geral são as crianças e os adolescentes, cheguei a achar que nunca me recuperaria do baque que os três gols do Paolo Rossi causaram em mim. Hoje tenho a certeza: nunca me recuperei.
A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
Em “Logo depois do gol mixuruca do Brasil”, destaca-se um vocábulo que possui valor adjetivo atribuindo uma característica:
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A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
No quinto parágrafo do texto, o narrador cria uma progressão narrativa para indicar sua reação diante de cada gol. Para isso, faz uso, predominantemente, de um tipo de numeral que exprime:
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As ruas enfeitadas para a Copa de 1982 davam a certeza de que a seleção brasileira seria campeã do mundo. Deu zebra. A seleção foi desclassificada pela Itália com um 3 a 2 doloroso. A derrota absurda, primeiro grande revés de menino, me deixou com febre durante dois dias. Dramático, como em geral são as crianças e os adolescentes, cheguei a achar que nunca me recuperaria do baque que os três gols do Paolo Rossi causaram em mim. Hoje tenho a certeza: nunca me recuperei.
A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
O sujeito oculto é uma ferramenta sintática importante para a construção dos textos. Tal recurso foi bastante usado pelo autor. Dentre as alternativas abaixo, assinale a única que não apresenta um exemplo desse tipo de sujeito.
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A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
Em “me deixou com febre durante dois dias”, destaca-se uma expressão que apresenta noção de tempo. Essa expressão, morfologicamente, apresenta valor de:
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A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
A expressão “Deu zebra”, presente no primeiro parágrafo do texto, foi empregada pelo autor para produzir o seguinte sentido:
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A Copa seguinte, a de 1986, me fez ter trauma de qualquer corrente, daquelas em que todo mundo entrelaça as mãos e cria elos de pensamento positivo, orações e coisas do gênero. Nem pensar. Não participo de corrente nem em centro espírita de mesa e tenho horror de pensamento positivo. Explico.
Durante o jogo entre Brasil e França pelas quartas de final, houve o famoso pênalti para o escrete, que o Zico perdeu. Assim que o pênalti foi marcado, alguém sugeriu que fosse feita uma corrente na hora da cobrança. Mãos dadas e pensamento positivo para entrar em sintonia com o Galinho de Quintino. Pressenti que ia dar tudo errado, mas me submeti ao ritual.
Na hora em o que o Zico cobrou a penalidade e o goleiro pegou, a corrente se desfez de forma impressionante. Cada um caiu para um lado. Jurei, naquele dia, que nunca mais me submeteria a coisas daquele tipo. Perco o amigo, mas corrente de mãos dadas eu não faço.
Em 2014, nos 7 a 1 que tomamos da Alemanha, passei longe de me sentir arrasado. No primeiro gol fiquei preocupado. No segundo, fiquei tenso. No terceiro, achei que estava vendo a reprise do segundo. No quarto, entrei em choque. Imediatamente depois, no quinto gol, saí do choque e passei a achar engraçado o que estava ocorrendo. Nos 6 a 0, passei a me sentir no velório do Quincas Berro d’Água, contando piadas diante do defunto. No sétimo gol, sem maiores dramas, me consolei com o fato de o meu filho ainda não entender o que estava acontecendo.
Logo depois do gol mixuruca do Brasil, na rua em que o povão torcia pela seleção começou um pagode com o clássico do repertório do Almir Guineto: “Deixe de lado esse baixo astral.” Senti-me irremediavelmente brasileiro; filho do Brasil mitológico e adorável que criei para inventar a vida, refugiado no picadeiro que me acolhe entre os amores que me interessam. Enchi o copo e bebi com gosto mais uma gelada em louvor sacana ao gol insignificante, como se o Berro d’Água piscasse matreiro no gurufim da despedida e fosse vadiar – aos mortos é dado esse direito – na rua.
(SIMAS, Luiz Antônio. o corpo encantado das ruas. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2020, p.69-71)
Vocabulário:
escrete – seleção
matreiro – sabido, experiente
gurufim – velório popular animado
O texto apresenta o modo pelo qual o narrador se relacionou com o desempenho da seleção brasileira masculina de futebol em algumas partidas da Copa do Mundo. A partir de uma leitura atenta, é correto afirmar que:
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Texto II
No ensino, como em outras coisas, a liberdade deve ser questão de grau. Há liberdades que não podem ser toleradas. Uma vez conheci uma senhora que afirmava não se dever proibir coisa alguma a uma criança, pois deve desenvolver sua natureza de dentro para fora. “E se a sua natureza a levar a engolir alfinetes?” indaguei; lamento dizer que a resposta foi puro vitupério. No entanto, toda criança abandonada a si mesma, mais cedo ou mais tarde engolirá alfinetes, tomará veneno, cairá de uma janela alta ou doutra forma chegará a mau fim. Um pouquinho mais velhos, os meninos, podendo, não se lavam, comem demais, fumam até enjoar, apanham resfriados por molhar os pés, e assim por diante – além do fato de se divertirem importunando os anciãos, que nem sempre possuem a capacidade de resposta de Eliseu*. Quem advoga a liberdade da educação não quer dizer que as crianças devam fazer, o dia todo, o que lhes der na veneta. Deve existir um elemento de disciplina e autoridade; a questão é até que ponto, e como deve ser exercido.
(RUSSELL, Bertrand. Ensaios céticos. 2ª ed. São Paulo: Nacional, 1957, p. 146)
- Eliseu é um profeta bíblico, discípulo de Elias. Um dia, um grupo de rapazes zombava dele. O profeta, então, amaldiçoou-os em nome do Senhor. Imediatamente saíram da floresta dois ursos que despedaçaram quarenta e dois daqueles rapazes. O episódio é relatado em II Reis 2, 23-25. Ao fazer essa referência no texto, o autor quis dizer que há anciãos que não possuem a capacidade de se defender da zombaria das crianças.
Considere a oração destacada em “os meninos, podendo, não se lavam”, na qual o verbo que a constitui encontra-se na forma de gerúndio. Esta oração poderia ser substituída, sem prejuízo de sentido, por:
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