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2115813 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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Os peixes que estão se viciando em drogas ilegais

Cerca de 269 milhões de pessoas em todo o mundo usam drogas a cada ano. E uma questão básica de biologia acaba, muitas vezes, sendo esquecida nesta história: tudo o que entra precisa sair.

Os esgotos estão inundados com drogas que são excretadas do corpo, junto aos componentes químicos fragmentados que têm efeitos semelhantes aos das próprias drogas. Uma grande quantidade de esgoto também chega aos rios e águas costeiras sem tratamento. Uma vez no meio ambiente, as drogas e seus subprodutos podem afetar a vida selvagem.

Em um estudo recente publicado no Journal of Experimental Biology, pesquisadores da República Tcheca investigaram como a metanfetamina um estimulante com cada vez mais usuários em todo o mundo pode estar afetando a truta-marrom selvagem.

Eles examinaram se as concentrações de metanfetamina e um de seus subprodutos, a anfetamina, que foram estimadas a partir de outros estudos que mediram as concentrações de drogas ilícitas nos cursos de água, poderiam ser detectadas no cérebro da truta-marrom. Eles também analisaram se essas concentrações eram suficientes para causar dependência nos animais.

As trutas foram expostas à droga em grandes tanques durante oito semanas e, em seguida, colocadas em abstinência, ficando por dez dias em tanques que não continham a droga. Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

As descobertas foram intrigantes. Os peixes expostos à metanfetamina preferiram a água contendo a droga, enquanto tal preferência não foi demonstrada pelos peixes do grupo de controle. Os pesquisadores também descobriram que, durante o período de abstinência, as trutas expostas à metanfetamina se moviam menos. Eles interpretaram isso como um sinal de ansiedade ou estresse típicos de abstinência de drogas em humanos.

A química cerebral dos peixes expostos também diferia dos não expostos foram detectadas várias mudanças nas substâncias químicas do cérebro que correspondem ao que é visto em casos de dependência em humanos. Mesmo depois que os efeitos comportamentais diminuíram após 10 dias de abstinência, esses marcadores no cérebro ainda estavam presentes.

Isso sugere que a exposição à metanfetamina pode ter efeitos duradouros, semelhantes aos que são observados nas pessoas.

Se as trutas estão "curtindo" as drogas, como parecem estar no estudo recente, podem ficar inclinadas a rondar tubulações por onde o efluente é descarregado. Os peixes podem se comportar de forma parecida com a que observamos em humanos que sofrem de dependência, não apenas a partir deste experimento, mas de vários estudos com diferentes espécies de peixes.

Uma das características do vício em drogas é a perda de interesse por outras atividades - mesmo aquelas que geralmente são altamente motivadas, como comer ou se reproduzir. É possível que os peixes comecem a mudar seu comportamento natural, causando problemas na sua alimentação, reprodução e, em última instância, na sua sobrevivência. Eles podem, por exemplo, ser menos propensos a escapar de predadores.

A exposição às drogas não afeta apenas os peixes em si, mas também seus descendentes. Nos peixes, o vício pode ser herdado ao longo de várias gerações. Isso poderia ter implicações duradouras para os ecossistemas, mesmo se o problema fosse resolvido agora.

Este não é o primeiro estudo a descobrir drogas ilícitas na vida selvagem. Em 2019, cientistas do Reino Unido encontraram cocaína em camarões de água doce em todos os 15 rios em que coletaram amostras. Curiosamente, eles detectaram drogas ilícitas com mais frequência do que alguns produtos farmacêuticos comuns.

Mas os efeitos mais amplos dessas drogas permanecem em grande parte desconhecidos. Há, no entanto, estudos abrangentes sobre os efeitos dos produtos farmacêuticos nos rios. Os medicamentos também não se fragmentam totalmente em nossos corpos e chegam às estações de tratamento de esgoto pelas fezes e a urina. A maior parte é eliminada com efluentes residuais, mas outra parte entra nos rios ao escoar de aterros sanitários ou campos agrícolas em que o esgoto humano é usado como fertilizante.

A vida selvagem presente em rios e águas costeiras, onde o efluente é despejado, está exposta a coquetéis de medicamentos de analgésicos a antidepressivos. Peixes que viviam rio abaixo de algumas estações de tratamento de esgoto "mudaram" do sexo masculino para feminino em poucas semanas devido à exposição a produtos químicos desreguladores de hormônios encontrados em pílulas anticoncepcionais.

Estudos recentes mostram que os antidepressivos podem causar uma ampla variedade de mudanças comportamentais em organismos aquáticos, desde agressão, atração pela luz e ousadia crescente.

O vício em drogas é um problema de saúde global que pode devastar comunidades, e lidar com suas consequências ambientais vai sair caro. Um estudo estimou que custaria mais de US$ 50 bilhões para modernizar as estações de tratamento de esgoto da Inglaterra e do País de Gales para que sejam capazes de remover essas substâncias químicas.

Pode parecer óbvio que drogas receitadas e ilegais destinadas a mudar o comportamento humano também mudem o comportamento da vida selvagem. Mas esse problema é potencialmente muito mais difundido e complexo.

Nem sequer sabemos se substâncias químicas sintéticas presentes em artigos domésticos de uso diário, como cosméticos, roupas e produtos de limpeza, podem afetar o comportamento das pessoas e de outras espécies. Um grupo internacional de cientistas fez um apelo às empresas e órgãos reguladores para verificar seus efeitos tóxicos no comportamento, como parte das avaliações de risco de novos produtos químicos.

Se quisermos controlar a quantidade de produtos farmacêuticos em nossos cursos de água, é preciso fazer mais para melhorar a filtragem nas estações de tratamento de esgoto, e forçar as empresas de água a assumir mais responsabilidade para garantir que o efluente não afete a vida selvagem.

(Matt Parker e Alex Ford. Matt Parker é professor de neurociência e psicofarmacologia na Universidade de

Portsmouth, no Reino Unido. Alex Ford é professor de biologia na mesma instituição. BBC Future

(The Conversation), 6 agosto 2021, com adaptações.)

A respeito de inferências com base na leitura do texto, analise as afirmativas a seguir:

I. Dados do estudo realizado permitem afirmar que há possibilidade de a metanfetamina deixar resíduos nos organismos, mesmo após a interrupção de seu uso ou exposição a ela.

II. Uma vez que o "vicio" é hereditário, o uso de drogas pelos peixes pode vir a significar sua própria extinção pela falta de atividade reprodutiva.

III. Se houver um maior controle do abuso de drogas ilícitas, evitando que elas venham a contaminar as águas, a vida marinha estará a salvo.

Assinale

 

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2115812 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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Os peixes que estão se viciando em drogas ilegais

Cerca de 269 milhões de pessoas em todo o mundo usam drogas a cada ano. E uma questão básica de biologia acaba, muitas vezes, sendo esquecida nesta história: tudo o que entra precisa sair.

Os esgotos estão inundados com drogas que são excretadas do corpo, junto aos componentes químicos fragmentados que têm efeitos semelhantes aos das próprias drogas. Uma grande quantidade de esgoto também chega aos rios e águas costeiras sem tratamento. Uma vez no meio ambiente, as drogas e seus subprodutos podem afetar a vida selvagem.

Em um estudo recente publicado no Journal of Experimental Biology, pesquisadores da República Tcheca investigaram como a metanfetamina um estimulante com cada vez mais usuários em todo o mundo - pode estar afetando a truta-marrom selvagem.

Eles examinaram se as concentrações de metanfetamina e um de seus subprodutos, a anfetamina, que foram estimadas a partir de outros estudos que mediram as concentrações de drogas ilícitas nos cursos de água, poderiam ser detectadas no cérebro da truta-marrom. Eles também analisaram se essas concentrações eram suficientes para causar dependência nos animais.

As trutas foram expostas à droga em grandes tanques durante oito semanas e, em seguida, colocadas em abstinência, ficando por dez dias em tanques que não continham a droga. Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

As descobertas foram intrigantes. Os peixes expostos à metanfetamina preferiram a água contendo a droga, enquanto tal preferência não foi demonstrada pelos peixes do grupo de controle. Os pesquisadores também descobriram que, durante o período de abstinência, as trutas expostas à metanfetamina se moviam menos. Eles interpretaram isso como um sinal de ansiedade ou estresse - típicos de abstinência de drogas em humanos.

A química cerebral dos peixes expostos também diferia dos não expostos - foram detectadas várias mudanças nas substâncias químicas do cérebro que correspondem ao que é visto em casos de dependência em humanos. Mesmo depois que os efeitos comportamentais diminuíram após 10 dias de abstinência, esses marcadores no cérebro ainda estavam presentes.

Isso sugere que a exposição à metanfetamina pode ter efeitos duradouros, semelhantes aos que são observados nas pessoas.

Se as trutas estão "curtindo" as drogas, como parecem estar no estudo recente, podem ficar inclinadas a rondar tubulações por onde o efluente é descarregado. Os peixes podem se comportar de forma parecida com a que observamos em humanos que sofrem de dependência, não apenas a partir deste experimento, mas de vários estudos com diferentes espécies de peixes.

Uma das características do vício em drogas é a perda de interesse por outras atividades - mesmo aquelas que geralmente são altamente motivadas, como comer ou se reproduzir. É possível que os peixes comecem a mudar seu comportamento natural, causando problemas na sua alimentação, reprodução e, em última instância, na sua sobrevivência. Eles podem, por exemplo, ser menos propensos a escapar de predadores.

A exposição às drogas não afeta apenas os peixes em si, mas também seus descendentes. Nos peixes, o vício pode ser herdado ao longo de várias gerações. Isso poderia ter implicações duradouras para os ecossistemas, mesmo se o problema fosse resolvido agora.

Este não é o primeiro estudo a descobrir drogas ilícitas na vida selvagem. Em 2019, cientistas do Reino Unido encontraram cocaína em camarões de água doce em todos os 15 rios em que coletaram amostras. Curiosamente, eles detectaram drogas ilícitas com mais frequência do que alguns produtos farmacêuticos comuns.

Mas os efeitos mais amplos dessas drogas permanecem em grande parte desconhecidos. Há, no entanto, estudos abrangentes sobre os efeitos dos produtos farmacêuticos nos rios. Os medicamentos também não se fragmentam totalmente em nossos corpos e chegam às estações de tratamento de esgoto pelas fezes e a urina. A maior parte é eliminada com efluentes residuais, mas outra parte entra nos rios ao escoar de aterros sanitários ou campos agrícolas em que o esgoto humano é usado como fertilizante.

A vida selvagem presente em rios e águas costeiras, onde o efluente é despejado, está exposta a coquetéis de medicamentos - de analgésicos a antidepressivos. Peixes que viviam rio abaixo de algumas estações de tratamento de esgoto "mudaram" do sexo masculino para feminino em poucas semanas devido à exposição a produtos químicos desreguladores de hormônios encontrados em pílulas anticoncepcionais.

Estudos recentes mostram que os antidepressivos podem causar uma ampla variedade de mudanças comportamentais em organismos aquáticos, desde agressão, atração pela luz e ousadia crescente.

O vício em drogas é um problema de saúde global que pode devastar comunidades, e lidar com suas consequências ambientais vai sair caro. Um estudo estimou que custaria mais de US$ 50 bilhões para modernizar as estações de tratamento de esgoto da Inglaterra e do País de Gales para que sejam capazes de remover essas substâncias químicas.

Pode parecer óbvio que drogas receitadas e ilegais destinadas a mudar o comportamento humano também mudem o comportamento da vida selvagem. Mas esse problema é potencialmente muito mais difundido e complexo.

Nem sequer sabemos se substâncias químicas sintéticas presentes em artigos domésticos de uso diário, como cosméticos, roupas e produtos de limpeza, podem afetar o comportamento das pessoas e de outras espécies. Um grupo internacional de cientistas fez um apelo às empresas e órgãos reguladores para verificar seus efeitos tóxicos no comportamento, como parte das avaliações de risco de novos produtos químicos.

Se quisermos controlar a quantidade de produtos farmacêuticos em nossos cursos de água, é preciso fazer mais para melhorar a filtragem nas estações de tratamento de esgoto, e forçar as empresas de água a assumir mais responsabilidade para garantir que o efluente não afete a vida selvagem.

(Matt Parker e Alex Ford. Matt Parker é professor de neurociência e psicofarmacologia na Universidade de

Portsmouth, no Reino Unido. Alex Ford é professor de biologia na mesma instituição. BBC Future

(The Conversation), 6 agosto 2021, com adaptações.)

Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

Os termos sublinhados no período acima exercem a função sintática, respectivamente, de

 

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2115810 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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Os peixes que estão se viciando em drogas ilegais

Cerca de 269 milhões de pessoas em todo o mundo usam drogas a cada ano. E uma questão básica de biologia acaba, muitas vezes, sendo esquecida nesta história: tudo o que entra precisa sair.

Os esgotos estão inundados com drogas que são excretadas do corpo, junto aos componentes químicos fragmentados que têm efeitos semelhantes aos das próprias drogas. Uma grande quantidade de esgoto também chega aos rios e águas costeiras sem tratamento. Uma vez no meio ambiente, as drogas e seus subprodutos podem afetar a vida selvagem.

Em um estudo recente publicado no Journal of Experimental Biology, pesquisadores da República Tcheca investigaram como a metanfetamina um estimulante com cada vez mais usuários em todo o mundo - pode estar afetando a truta-marrom selvagem.

Eles examinaram se as concentrações de metanfetamina e um de seus subprodutos, a anfetamina, que foram estimadas a partir de outros estudos que mediram as concentrações de drogas ilícitas nos cursos de água, poderiam ser detectadas no cérebro da truta-marrom. Eles também analisaram se essas concentrações eram suficientes para causar dependência nos animais.

As trutas foram expostas à droga em grandes tanques durante oito semanas e, em seguida, colocadas em abstinência, ficando por dez dias em tanques que não continham a droga. Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

As descobertas foram intrigantes. Os peixes expostos à metanfetamina preferiram a água contendo a droga, enquanto tal preferência não foi demonstrada pelos peixes do grupo de controle. Os pesquisadores também descobriram que, durante o período de abstinência, as trutas expostas à metanfetamina se moviam menos. Eles interpretaram isso como um sinal de ansiedade ou estresse - típicos de abstinência de drogas em humanos.

A química cerebral dos peixes expostos também diferia dos não expostos - foram detectadas várias mudanças nas substâncias químicas do cérebro que correspondem ao que é visto em casos de dependência em humanos. Mesmo depois que os efeitos comportamentais diminuíram após 10 dias de abstinência, esses marcadores no cérebro ainda estavam presentes.

Isso sugere que a exposição à metanfetamina pode ter efeitos duradouros, semelhantes aos que são observados nas pessoas.

Se as trutas estão "curtindo" as drogas, como parecem estar no estudo recente, podem ficar inclinadas a rondar tubulações por onde o efluente é descarregado. Os peixes podem se comportar de forma parecida com a que observamos em humanos que sofrem de dependência, não apenas a partir deste experimento, mas de vários estudos com diferentes espécies de peixes.

Uma das características do vício em drogas é a perda de interesse por outras atividades - mesmo aquelas que geralmente são altamente motivadas, como comer ou se reproduzir. É possível que os peixes comecem a mudar seu comportamento natural, causando problemas na sua alimentação, reprodução e, em última instância, na sua sobrevivência. Eles podem, por exemplo, ser menos propensos a escapar de predadores.

A exposição às drogas não afeta apenas os peixes em si, mas também seus descendentes. Nos peixes, o vício pode ser herdado ao longo de várias gerações. Isso poderia ter implicações duradouras para os ecossistemas, mesmo se o problema fosse resolvido agora.

Este não é o primeiro estudo a descobrir drogas ilícitas na vida selvagem. Em 2019, cientistas do Reino Unido encontraram cocaína em camarões de água doce em todos os 15 rios em que coletaram amostras. Curiosamente, eles detectaram drogas ilícitas com mais frequência do que alguns produtos farmacêuticos comuns.

Mas os efeitos mais amplos dessas drogas permanecem em grande parte desconhecidos. Há, no entanto, estudos abrangentes sobre os efeitos dos produtos farmacêuticos nos rios. Os medicamentos também não se fragmentam totalmente em nossos corpos e chegam às estações de tratamento de esgoto pelas fezes e a urina. A maior parte é eliminada com efluentes residuais, mas outra parte entra nos rios ao escoar de aterros sanitários ou campos agrícolas em que o esgoto humano é usado como fertilizante.

A vida selvagem presente em rios e águas costeiras, onde o efluente é despejado, está exposta a coquetéis de medicamentos - de analgésicos a antidepressivos. Peixes que viviam rio abaixo de algumas estações de tratamento de esgoto "mudaram" do sexo masculino para feminino em poucas semanas devido à exposição a produtos químicos desreguladores de hormônios encontrados em pílulas anticoncepcionais.

Estudos recentes mostram que os antidepressivos podem causar uma ampla variedade de mudanças comportamentais em organismos aquáticos, desde agressão, atração pela luz e ousadia crescente.

O vício em drogas é um problema de saúde global que pode devastar comunidades, e lidar com suas consequências ambientais vai sair caro. Um estudo estimou que custaria mais de US$ 50 bilhões para modernizar as estações de tratamento de esgoto da Inglaterra e do País de Gales para que sejam capazes de remover essas substâncias químicas.

Pode parecer óbvio que drogas receitadas e ilegais destinadas a mudar o comportamento humano também mudem o comportamento da vida selvagem. Mas esse problema é potencialmente muito mais difundido e complexo.

Nem sequer sabemos se substâncias químicas sintéticas presentes em artigos domésticos de uso diário, como cosméticos, roupas e produtos de limpeza, podem afetar o comportamento das pessoas e de outras espécies. Um grupo internacional de cientistas fez um apelo às empresas e órgãos reguladores para verificar seus efeitos tóxicos no comportamento, como parte das avaliações de risco de novos produtos químicos.

Se quisermos controlar a quantidade de produtos farmacêuticos em nossos cursos de água, é preciso fazer mais para melhorar a filtragem nas estações de tratamento de esgoto, e forçar as empresas de água a assumir mais responsabilidade para garantir que o efluente não afete a vida selvagem.

(Matt Parker e Alex Ford. Matt Parker é professor de neurociência e psicofarmacologia na Universidade de

Portsmouth, no Reino Unido. Alex Ford é professor de biologia na mesma instituição. BBC Future

(The Conversation), 6 agosto 2021, com adaptações.)

A química cerebral dos peixes expostos também diferia dos não expostos - foram detectadas várias mudanças nas substâncias químicas do cérebro que correspondem ao que é visto em casos de dependência em humanos.

Assinale a alternativa que apresente pontuação igualmente correta para o período acima.

 

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2115809 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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Os peixes que estão se viciando em drogas ilegais

Cerca de 269 milhões de pessoas em todo o mundo usam drogas a cada ano. E uma questão básica de biologia acaba, muitas vezes, sendo esquecida nesta história: tudo o que entra precisa sair.

Os esgotos estão inundados com drogas que são excretadas do corpo, junto aos componentes químicos fragmentados que têm efeitos semelhantes aos das próprias drogas. Uma grande quantidade de esgoto também chega aos rios e águas costeiras sem tratamento. Uma vez no meio ambiente, as drogas e seus subprodutos podem afetar a vida selvagem.

Em um estudo recente publicado no Journal of Experimental Biology, pesquisadores da República Tcheca investigaram como a metanfetamina um estimulante com cada vez mais usuários em todo o mundo - pode estar afetando a truta-marrom selvagem.

Eles examinaram se as concentrações de metanfetamina e um de seus subprodutos, a anfetamina, que foram estimadas a partir de outros estudos que mediram as concentrações de drogas ilícitas nos cursos de água, poderiam ser detectadas no cérebro da truta-marrom. Eles também analisaram se essas concentrações eram suficientes para causar dependência nos animais.

As trutas foram expostas à droga em grandes tanques durante oito semanas e, em seguida, colocadas em abstinência, ficando por dez dias em tanques que não continham a droga. Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

As descobertas foram intrigantes. Os peixes expostos à metanfetamina preferiram a água contendo a droga, enquanto tal preferência não foi demonstrada pelos peixes do grupo de controle. Os pesquisadores também descobriram que, durante o período de abstinência, as trutas expostas à metanfetamina se moviam menos. Eles interpretaram isso como um sinal de ansiedade ou estresse - típicos de abstinência de drogas em humanos.

A química cerebral dos peixes expostos também diferia dos não expostos - foram detectadas várias mudanças nas substâncias químicas do cérebro que correspondem ao que é visto em casos de dependência em humanos. Mesmo depois que os efeitos comportamentais diminuíram após 10 dias de abstinência, esses marcadores no cérebro ainda estavam presentes.

Isso sugere que a exposição à metanfetamina pode ter efeitos duradouros, semelhantes aos que são observados nas pessoas.

Se as trutas estão "curtindo" as drogas, como parecem estar no estudo recente, podem ficar inclinadas a rondar tubulações por onde o efluente é descarregado. Os peixes podem se comportar de forma parecida com a que observamos em humanos que sofrem de dependência, não apenas a partir deste experimento, mas de vários estudos com diferentes espécies de peixes.

Uma das características do vício em drogas é a perda de interesse por outras atividades - mesmo aquelas que geralmente são altamente motivadas, como comer ou se reproduzir. É possível que os peixes comecem a mudar seu comportamento natural, causando problemas na sua alimentação, reprodução e, em última instância, na sua sobrevivência. Eles podem, por exemplo, ser menos propensos a escapar de predadores.

A exposição às drogas não afeta apenas os peixes em si, mas também seus descendentes. Nos peixes, o vício pode ser herdado ao longo de várias gerações. Isso poderia ter implicações duradouras para os ecossistemas, mesmo se o problema fosse resolvido agora.

Este não é o primeiro estudo a descobrir drogas ilícitas na vida selvagem. Em 2019, cientistas do Reino Unido encontraram cocaína em camarões de água doce em todos os 15 rios em que coletaram amostras. Curiosamente, eles detectaram drogas ilícitas com mais frequência do que alguns produtos farmacêuticos comuns.

Mas os efeitos mais amplos dessas drogas permanecem em grande parte desconhecidos. Há, no entanto, estudos abrangentes sobre os efeitos dos produtos farmacêuticos nos rios. Os medicamentos também não se fragmentam totalmente em nossos corpos e chegam às estações de tratamento de esgoto pelas fezes e a urina. A maior parte é eliminada com efluentes residuais, mas outra parte entra nos rios ao escoar de aterros sanitários ou campos agrícolas em que o esgoto humano é usado como fertilizante.

A vida selvagem presente em rios e águas costeiras, onde o efluente é despejado, está exposta a coquetéis de medicamentos - de analgésicos a antidepressivos. Peixes que viviam rio abaixo de algumas estações de tratamento de esgoto "mudaram" do sexo masculino para feminino em poucas semanas devido à exposição a produtos químicos desreguladores de hormônios encontrados em pílulas anticoncepcionais.

Estudos recentes mostram que os antidepressivos podem causar uma ampla variedade de mudanças comportamentais em organismos aquáticos, desde agressão, atração pela luz e ousadia crescente.

O vício em drogas é um problema de saúde global que pode devastar comunidades, e lidar com suas consequências ambientais vai sair caro. Um estudo estimou que custaria mais de US$ 50 bilhões para modernizar as estações de tratamento de esgoto da Inglaterra e do País de Gales para que sejam capazes de remover essas substâncias químicas.

Pode parecer óbvio que drogas receitadas e ilegais destinadas a mudar o comportamento humano também mudem o comportamento da vida selvagem. Mas esse problema é potencialmente muito mais difundido e complexo.

Nem sequer sabemos se substâncias químicas sintéticas presentes em artigos domésticos de uso diário, como cosméticos, roupas e produtos de limpeza, podem afetar o comportamento das pessoas e de outras espécies. Um grupo internacional de cientistas fez um apelo às empresas e órgãos reguladores para verificar seus efeitos tóxicos no comportamento, como parte das avaliações de risco de novos produtos químicos.

Se quisermos controlar a quantidade de produtos farmacêuticos em nossos cursos de água, é preciso fazer mais para melhorar a filtragem nas estações de tratamento de esgoto, e forçar as empresas de água a assumir mais responsabilidade para garantir que o efluente não afete a vida selvagem.

(Matt Parker e Alex Ford. Matt Parker é professor de neurociência e psicofarmacologia na Universidade de

Portsmouth, no Reino Unido. Alex Ford é professor de biologia na mesma instituição. BBC Future

(The Conversation), 6 agosto 2021, com adaptações.)

Assinale a alternativa em que se tenha feito corretamente a passagem para o plural do segmento "um estimulante... pode estar afetando a truta-marrom selvagem"

 

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2115808 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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Os peixes que estão se viciando em drogas ilegais

Cerca de 269 milhões de pessoas em todo o mundo usam drogas a cada ano. E uma questão básica de biologia acaba, muitas vezes, sendo esquecida nesta história: tudo o que entra precisa sair.

Os esgotos estão inundados com drogas que são excretadas do corpo, junto aos componentes químicos fragmentados que têm efeitos semelhantes aos das próprias drogas. Uma grande quantidade de esgoto também chega aos rios e águas costeiras sem tratamento. Uma vez no meio ambiente, as drogas e seus subprodutos podem afetar a vida selvagem.

Em um estudo recente publicado no Journal of Experimental Biology, pesquisadores da República Tcheca investigaram como a metanfetamina um estimulante com cada vez mais usuários em todo o mundo - pode estar afetando a truta-marrom selvagem.

Eles examinaram se as concentrações de metanfetamina e um de seus subprodutos, a anfetamina, que foram estimadas a partir de outros estudos que mediram as concentrações de drogas ilícitas nos cursos de água, poderiam ser detectadas no cérebro da truta-marrom. Eles também analisaram se essas concentrações eram suficientes para causar dependência nos animais.

As trutas foram expostas à droga em grandes tanques durante oito semanas e, em seguida, colocadas em abstinência, ficando por dez dias em tanques que não continham a droga. Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

As descobertas foram intrigantes. Os peixes expostos à metanfetamina preferiram a água contendo a droga, enquanto tal preferência não foi demonstrada pelos peixes do grupo de controle. Os pesquisadores também descobriram que, durante o período de abstinência, as trutas expostas à metanfetamina se moviam menos. Eles interpretaram isso como um sinal de ansiedade ou estresse - típicos de abstinência de drogas em humanos.

A química cerebral dos peixes expostos também diferia dos não expostos - foram detectadas várias mudanças nas substâncias químicas do cérebro que correspondem ao que é visto em casos de dependência em humanos. Mesmo depois que os efeitos comportamentais diminuíram após 10 dias de abstinência, esses marcadores no cérebro ainda estavam presentes.

Isso sugere que a exposição à metanfetamina pode ter efeitos duradouros, semelhantes aos que são observados nas pessoas.

Se as trutas estão "curtindo" as drogas, como parecem estar no estudo recente, podem ficar inclinadas a rondar tubulações por onde o efluente é descarregado. Os peixes podem se comportar de forma parecida com a que observamos em humanos que sofrem de dependência, não apenas a partir deste experimento, mas de vários estudos com diferentes espécies de peixes.

Uma das características do vício em drogas é a perda de interesse por outras atividades - mesmo aquelas que geralmente são altamente motivadas, como comer ou se reproduzir. É possível que os peixes comecem a mudar seu comportamento natural, causando problemas na sua alimentação, reprodução e, em última instância, na sua sobrevivência. Eles podem, por exemplo, ser menos propensos a escapar de predadores.

A exposição às drogas não afeta apenas os peixes em si, mas também seus descendentes. Nos peixes, o vício pode ser herdado ao longo de várias gerações. Isso poderia ter implicações duradouras para os ecossistemas, mesmo se o problema fosse resolvido agora.

Este não é o primeiro estudo a descobrir drogas ilícitas na vida selvagem. Em 2019, cientistas do Reino Unido encontraram cocaína em camarões de água doce em todos os 15 rios em que coletaram amostras. Curiosamente, eles detectaram drogas ilícitas com mais frequência do que alguns produtos farmacêuticos comuns.

Mas os efeitos mais amplos dessas drogas permanecem em grande parte desconhecidos. Há, no entanto, estudos abrangentes sobre os efeitos dos produtos farmacêuticos nos rios. Os medicamentos também não se fragmentam totalmente em nossos corpos e chegam às estações de tratamento de esgoto pelas fezes e a urina. A maior parte é eliminada com efluentes residuais, mas outra parte entra nos rios ao escoar de aterros sanitários ou campos agrícolas em que o esgoto humano é usado como fertilizante.

A vida selvagem presente em rios e águas costeiras, onde o efluente é despejado, está exposta a coquetéis de medicamentos - de analgésicos a antidepressivos. Peixes que viviam rio abaixo de algumas estações de tratamento de esgoto "mudaram" do sexo masculino para feminino em poucas semanas devido à exposição a produtos químicos desreguladores de hormônios encontrados em pílulas anticoncepcionais.

Estudos recentes mostram que os antidepressivos podem causar uma ampla variedade de mudanças comportamentais em organismos aquáticos, desde agressão, atração pela luz e ousadia crescente.

O vício em drogas é um problema de saúde global que pode devastar comunidades, e lidar com suas consequências ambientais vai sair caro. Um estudo estimou que custaria mais de US$ 50 bilhões para modernizar as estações de tratamento de esgoto da Inglaterra e do País de Gales para que sejam capazes de remover essas substâncias químicas.

Pode parecer óbvio que drogas receitadas e ilegais destinadas a mudar o comportamento humano também mudem o comportamento da vida selvagem. Mas esse problema é potencialmente muito mais difundido e complexo.

Nem sequer sabemos se substâncias químicas sintéticas presentes em artigos domésticos de uso diário, como cosméticos, roupas e produtos de limpeza, podem afetar o comportamento das pessoas e de outras espécies. Um grupo internacional de cientistas fez um apelo às empresas e órgãos reguladores para verificar seus efeitos tóxicos no comportamento, como parte das avaliações de risco de novos produtos químicos.

Se quisermos controlar a quantidade de produtos farmacêuticos em nossos cursos de água, é preciso fazer mais para melhorar a filtragem nas estações de tratamento de esgoto, e forçar as empresas de água a assumir mais responsabilidade para garantir que o efluente não afete a vida selvagem.

(Matt Parker e Alex Ford. Matt Parker é professor de neurociência e psicofarmacologia na Universidade de

Portsmouth, no Reino Unido. Alex Ford é professor de biologia na mesma instituição. BBC Future

(The Conversation), 6 agosto 2021, com adaptações.)

Os peixes podem se comportar de forma parecida com a que observamos em humanos que sofrem de dependência, não apenas a partir deste experimento, mas de vários estudos com diferentes espécies de peixes.

A respeito do período acima, analise as afirmativas a seguir:

I. Há no período uma conjunção integrante.

II. Há no período uma conjunção coordenativa aditiva.

III. Há no período dois pronomes relativos.

Assinale

 

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2115807 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
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Cerca de 269 milhões de pessoas em todo o mundo usam drogas a cada ano. E uma questão básica de biologia acaba, muitas vezes, sendo esquecida nesta história: tudo o que entra precisa sair.

Os esgotos estão inundados com drogas que são excretadas do corpo, junto aos componentes químicos fragmentados que têm efeitos semelhantes aos das próprias drogas. Uma grande quantidade de esgoto também chega aos rios e águas costeiras sem tratamento. Uma vez no meio ambiente, as drogas e seus subprodutos podem afetar a vida selvagem.

Em um estudo recente publicado no Journal of Experimental Biology, pesquisadores da República Tcheca investigaram como a metanfetamina um estimulante com cada vez mais usuários em todo o mundo - pode estar afetando a truta-marrom selvagem.

Eles examinaram se as concentrações de metanfetamina e um de seus subprodutos, a anfetamina, que foram estimadas a partir de outros estudos que mediram as concentrações de drogas ilícitas nos cursos de água, poderiam ser detectadas no cérebro da truta-marrom. Eles também analisaram se essas concentrações eram suficientes para causar dependência nos animais.

As trutas foram expostas à droga em grandes tanques durante oito semanas e, em seguida, colocadas em abstinência, ficando por dez dias em tanques que não continham a droga. Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

As descobertas foram intrigantes. Os peixes expostos à metanfetamina preferiram a água contendo a droga, enquanto tal preferência não foi demonstrada pelos peixes do grupo de controle. Os pesquisadores também descobriram que, durante o período de abstinência, as trutas expostas à metanfetamina se moviam menos. Eles interpretaram isso como um sinal de ansiedade ou estresse - típicos de abstinência de drogas em humanos.

A química cerebral dos peixes expostos também diferia dos não expostos - foram detectadas várias mudanças nas substâncias químicas do cérebro que correspondem ao que é visto em casos de dependência em humanos. Mesmo depois que os efeitos comportamentais diminuíram após 10 dias de abstinência, esses marcadores no cérebro ainda estavam presentes.

Isso sugere que a exposição à metanfetamina pode ter efeitos duradouros, semelhantes aos que são observados nas pessoas.

Se as trutas estão "curtindo" as drogas, como parecem estar no estudo recente, podem ficar inclinadas a rondar tubulações por onde o efluente é descarregado. Os peixes podem se comportar de forma parecida com a que observamos em humanos que sofrem de dependência, não apenas a partir deste experimento, mas de vários estudos com diferentes espécies de peixes.

Uma das características do vício em drogas é a perda de interesse por outras atividades - mesmo aquelas que geralmente são altamente motivadas, como comer ou se reproduzir. É possível que os peixes comecem a mudar seu comportamento natural, causando problemas na sua alimentação, reprodução e, em última instância, na sua sobrevivência. Eles podem, por exemplo, ser menos propensos a escapar de predadores.

A exposição às drogas não afeta apenas os peixes em si, mas também seus descendentes. Nos peixes, o vício pode ser herdado ao longo de várias gerações. Isso poderia ter implicações duradouras para os ecossistemas, mesmo se o problema fosse resolvido agora.

Este não é o primeiro estudo a descobrir drogas ilícitas na vida selvagem. Em 2019, cientistas do Reino Unido encontraram cocaína em camarões de água doce em todos os 15 rios em que coletaram amostras. Curiosamente, eles detectaram drogas ilícitas com mais frequência do que alguns produtos farmacêuticos comuns.

Mas os efeitos mais amplos dessas drogas permanecem em grande parte desconhecidos. Há, no entanto, estudos abrangentes sobre os efeitos dos produtos farmacêuticos nos rios. Os medicamentos também não se fragmentam totalmente em nossos corpos e chegam às estações de tratamento de esgoto pelas fezes e a urina. A maior parte é eliminada com efluentes residuais, mas outra parte entra nos rios ao escoar de aterros sanitários ou campos agrícolas em que o esgoto humano é usado como fertilizante.

A vida selvagem presente em rios e águas costeiras, onde o efluente é despejado, está exposta a coquetéis de medicamentos - de analgésicos a antidepressivos. Peixes que viviam rio abaixo de algumas estações de tratamento de esgoto "mudaram" do sexo masculino para feminino em poucas semanas devido à exposição a produtos químicos desreguladores de hormônios encontrados em pílulas anticoncepcionais.

Estudos recentes mostram que os antidepressivos podem causar uma ampla variedade de mudanças comportamentais em organismos aquáticos, desde agressão, atração pela luz e ousadia crescente.

O vício em drogas é um problema de saúde global que pode devastar comunidades, e lidar com suas consequências ambientais vai sair caro. Um estudo estimou que custaria mais de US$ 50 bilhões para modernizar as estações de tratamento de esgoto da Inglaterra e do País de Gales para que sejam capazes de remover essas substâncias químicas.

Pode parecer óbvio que drogas receitadas e ilegais destinadas a mudar o comportamento humano também mudem o comportamento da vida selvagem. Mas esse problema é potencialmente muito mais difundido e complexo.

Nem sequer sabemos se substâncias químicas sintéticas presentes em artigos domésticos de uso diário, como cosméticos, roupas e produtos de limpeza, podem afetar o comportamento das pessoas e de outras espécies. Um grupo internacional de cientistas fez um apelo às empresas e órgãos reguladores para verificar seus efeitos tóxicos no comportamento, como parte das avaliações de risco de novos produtos químicos.

Se quisermos controlar a quantidade de produtos farmacêuticos em nossos cursos de água, é preciso fazer mais para melhorar a filtragem nas estações de tratamento de esgoto, e forçar as empresas de água a assumir mais responsabilidade para garantir que o efluente não afete a vida selvagem.

(Matt Parker e Alex Ford. Matt Parker é professor de neurociência e psicofarmacologia na Universidade de

Portsmouth, no Reino Unido. Alex Ford é professor de biologia na mesma instituição. BBC Future

(The Conversation), 6 agosto 2021, com adaptações.)

A respeito da ocorrência do OU nos períodos abaixo, assinale a alternativa correta.

I. Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

II. A maior parte é eliminada com efluentes residuais, mas outra parte entra nos rios ao escoar de aterros sanitários ou campos agrícolas em que o esgoto humano é usado como fertilizante.

 

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2115806 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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Os peixes que estão se viciando em drogas ilegais

Cerca de 269 milhões de pessoas em todo o mundo usam drogas a cada ano. E uma questão básica de biologia acaba, muitas vezes, sendo esquecida nesta história: tudo o que entra precisa sair.

Os esgotos estão inundados com drogas que são excretadas do corpo, junto aos componentes químicos fragmentados que têm efeitos semelhantes aos das próprias drogas. Uma grande quantidade de esgoto também chega aos rios e águas costeiras sem tratamento. Uma vez no meio ambiente, as drogas e seus subprodutos podem afetar a vida selvagem.

Em um estudo recente publicado no Journal of Experimental Biology, pesquisadores da República Tcheca investigaram como a metanfetamina um estimulante com cada vez mais usuários em todo o mundo - pode estar afetando a truta-marrom selvagem.

Eles examinaram se as concentrações de metanfetamina e um de seus subprodutos, a anfetamina, que foram estimadas a partir de outros estudos que mediram as concentrações de drogas ilícitas nos cursos de água, poderiam ser detectadas no cérebro da truta-marrom. Eles também analisaram se essas concentrações eram suficientes para causar dependência nos animais.

As trutas foram expostas à droga em grandes tanques durante oito semanas e, em seguida, colocadas em abstinência, ficando por dez dias em tanques que não continham a droga. Durante esse tempo, os pesquisadores testaram a preferência dos peixes por água limpa ou contendo metanfetamina e compararam com as respostas de peixes que nunca haviam sido expostos à droga.

As descobertas foram intrigantes. Os peixes expostos à metanfetamina preferiram a água contendo a droga, enquanto tal preferência não foi demonstrada pelos peixes do grupo de controle. Os pesquisadores também descobriram que, durante o período de abstinência, as trutas expostas à metanfetamina se moviam menos. Eles interpretaram isso como um sinal de ansiedade ou estresse - típicos de abstinência de drogas em humanos.

A química cerebral dos peixes expostos também diferia dos não expostos - foram detectadas várias mudanças nas substâncias químicas do cérebro que correspondem ao que é visto em casos de dependência em humanos. Mesmo depois que os efeitos comportamentais diminuíram após 10 dias de abstinência, esses marcadores no cérebro ainda estavam presentes.

Isso sugere que a exposição à metanfetamina pode ter efeitos duradouros, semelhantes aos que são observados nas pessoas.

Se as trutas estão "curtindo" as drogas, como parecem estar no estudo recente, podem ficar inclinadas a rondar tubulações por onde o efluente é descarregado. Os peixes podem se comportar de forma parecida com a que observamos em humanos que sofrem de dependência, não apenas a partir deste experimento, mas de vários estudos com diferentes espécies de peixes.

Uma das características do vício em drogas é a perda de interesse por outras atividades - mesmo aquelas que geralmente são altamente motivadas, como comer ou se reproduzir. É possível que os peixes comecem a mudar seu comportamento natural, causando problemas na sua alimentação, reprodução e, em última instância, na sua sobrevivência. Eles podem, por exemplo, ser menos propensos a escapar de predadores.

A exposição às drogas não afeta apenas os peixes em si, mas também seus descendentes. Nos peixes, o vício pode ser herdado ao longo de várias gerações. Isso poderia ter implicações duradouras para os ecossistemas, mesmo se o problema fosse resolvido agora.

Este não é o primeiro estudo a descobrir drogas ilícitas na vida selvagem. Em 2019, cientistas do Reino Unido encontraram cocaína em camarões de água doce em todos os 15 rios em que coletaram amostras. Curiosamente, eles detectaram drogas ilícitas com mais frequência do que alguns produtos farmacêuticos comuns.

Mas os efeitos mais amplos dessas drogas permanecem em grande parte desconhecidos. Há, no entanto, estudos abrangentes sobre os efeitos dos produtos farmacêuticos nos rios. Os medicamentos também não se fragmentam totalmente em nossos corpos e chegam às estações de tratamento de esgoto pelas fezes e a urina. A maior parte é eliminada com efluentes residuais, mas outra parte entra nos rios ao escoar de aterros sanitários ou campos agrícolas em que o esgoto humano é usado como fertilizante.

A vida selvagem presente em rios e águas costeiras, onde o efluente é despejado, está exposta a coquetéis de medicamentos - de analgésicos a antidepressivos. Peixes que viviam rio abaixo de algumas estações de tratamento de esgoto "mudaram" do sexo masculino para feminino em poucas semanas devido à exposição a produtos químicos desreguladores de hormônios encontrados em pílulas anticoncepcionais.

Estudos recentes mostram que os antidepressivos podem causar uma ampla variedade de mudanças comportamentais em organismos aquáticos, desde agressão, atração pela luz e ousadia crescente.

O vício em drogas é um problema de saúde global que pode devastar comunidades, e lidar com suas consequências ambientais vai sair caro. Um estudo estimou que custaria mais de US$ 50 bilhões para modernizar as estações de tratamento de esgoto da Inglaterra e do País de Gales para que sejam capazes de remover essas substâncias químicas.

Pode parecer óbvio que drogas receitadas e ilegais destinadas a mudar o comportamento humano também mudem o comportamento da vida selvagem. Mas esse problema é potencialmente muito mais difundido e complexo.

Nem sequer sabemos se substâncias químicas sintéticas presentes em artigos domésticos de uso diário, como cosméticos, roupas e produtos de limpeza, podem afetar o comportamento das pessoas e de outras espécies. Um grupo internacional de cientistas fez um apelo às empresas e órgãos reguladores para verificar seus efeitos tóxicos no comportamento, como parte das avaliações de risco de novos produtos químicos.

Se quisermos controlar a quantidade de produtos farmacêuticos em nossos cursos de água, é preciso fazer mais para melhorar a filtragem nas estações de tratamento de esgoto, e forçar as empresas de água a assumir mais responsabilidade para garantir que o efluente não afete a vida selvagem.

(Matt Parker e Alex Ford. Matt Parker é professor de neurociência e psicofarmacologia na Universidade de

Portsmouth, no Reino Unido. Alex Ford é professor de biologia na mesma instituição. BBC Future

(The Conversation), 6 agosto 2021, com adaptações.)

Na linha, a palavra enquanto introduz uma noção de

 

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2112606 Ano: 2021
Disciplina: Informática
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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No uso dos recursos do Word do pacote MS Office 2019 BR, um profissional lotado na Pefoce digitou um texto com alinhamento à esquerda. Ao final da atividade, realizou dois procedimentos, descritos a seguir:

I. Selecionou todo o texto e aplicou alinhamento centralizado, o que pode ser feito por meio de dois recursos, pela execução de um atalho de teclado ou pelo acionamento de um ícone.

II. Antes de fechar a janela desse editor, salvou o texto digitado em um arquivo ao executar um atalho de teclado.

O atalho de teclado e o ícone em I e o atalho de teclado em II são, respectivamente,

 

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2111524 Ano: 2021
Disciplina: Direito Processual Penal
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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O Código de Processo Penal previu medidas cautelares reais e pessoais. As medidas cautelares reais são as que recaem sobre a coisa, como, por exemplo, a busca e apreensão e o arresto. Já as medidas cautelares pessoais são aquelas que recaem sobre a pessoa e se subdividem em prisões cautelares e medidas alternativas à prisão, com a finalidade de assegurar a eficácia da investigação criminal ou da instrução penal por meio de restrições à liberdade ou a direitos do investigado.

A seguir estão relacionadas algumas medidas cautelares previstas no Código de Processo Penal, À EXCEÇÃO DE UMA.

Assinale-a.

 

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2111523 Ano: 2021
Disciplina: Direito Processual Penal
Banca: IDECAN
Orgão: PEFOCE
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Como se sabe, a Lei 13.964/2019 fez diversas alterações no Código de Processo Penal, entre elas a criação do instituto do juiz de garantias, que se encontra suspenso por decisão do Ministro Luiz Fux nas ADIs 6298, 6.299, 6.300 e 6305, nos seguintes termos: "Revogo a decisão monocrática constante das ADIs 6.298, 6.299, 6.300 e suspendo sine die a eficácia, ad referendum do Plenário, (a1) da implantação do juiz das garantias e seus consectários (Artigos 3º-A, 3º-B, 3º-C, 3º-D, 3º-E, 3º-F, do código de Processo Penal) (...)". Acerca do instituto do juiz de garantias, é INCORRETO afirmar que

 

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