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633102 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

Texto CB2A1-I

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,

o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso

ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam

época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção

das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do

pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na

Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre

os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no

século XIX, tudo isso representa saltos de época, que

desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história,

como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.

Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura

pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um

século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,

lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a

rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada

pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma

sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários

dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade

pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial

anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,

pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções

proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de

comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses

fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a

mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,

contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar

envolvidos em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma

mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais

difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica,

familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de

crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque

quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em

crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de

projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em

função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para
entender o nosso tempo. Trad. Silvana Cobucci e Federico
Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue o item que se segue.


O texto caracteriza-se como dissertativo-argumentativo, devido, entre outros aspectos, à presença de evidências e fatos históricos utilizados para validar a argumentação do autor.
 

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633096 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

Como período e como crise, a época atual mostra-se,

aliás, como coisa nova. Como período, as suas variáveis

características instalam-se em toda parte e a tudo influenciam,

direta ou indiretamente. Daí a denominação de globalização.

Como crise, as mesmas variáveis construtoras do sistema estão

continuamente chocando-se e exigindo novas definições e

novos arranjos. Trata-se, porém, de uma crise persistente

dentro de um período com características duradouras, mesmo

que novos contornos apareçam.

O mesmo sistema ideológico que justifica o processo

de globalização e que ajuda a considerá-lo o único caminho

histórico acaba, também, por impor certa visão da crise e a

aceitação dos remédios sugeridos. Em razão disso, todos os

países, lugares e pessoas passam a se comportar, isto é, a

organizar sua ação, como se tal “crise” fosse a mesma para

todos e como se a receita para a afastar devesse ser geralmente

a mesma. Na verdade, porém, a única crise que os responsáveis

desejam afastar é a crise financeira, e não qualquer outra.

Aí está, na verdade, uma causa para mais aprofundamento da

crise real — econômica, social, política, moral — que

caracteriza o nosso tempo.

Milton Santos. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 27.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2017, p. 34-6 (com adaptações)

Julgue o item a seguir, com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior.

O isolamento da expressão “isto é” (l.14) por vírgulas marca uma suspensão no texto provocada por dúvida.

 

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633095 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

Como período e como crise, a época atual mostra-se,

aliás, como coisa nova. Como período, as suas variáveis

características instalam-se em toda parte e a tudo influenciam,

direta ou indiretamente. Daí a denominação de globalização.

Como crise, as mesmas variáveis construtoras do sistema estão

continuamente chocando-se e exigindo novas definições e

novos arranjos. Trata-se, porém, de uma crise persistente

dentro de um período com características duradouras, mesmo

que novos contornos apareçam.

O mesmo sistema ideológico que justifica o processo

de globalização e que ajuda a considerá-lo o único caminho

histórico acaba, também, por impor certa visão da crise e a

aceitação dos remédios sugeridos. Em razão disso, todos os

países, lugares e pessoas passam a se comportar, isto é, a

organizar sua ação, como se tal “crise” fosse a mesma para

todos e como se a receita para a afastar devesse ser geralmente

a mesma. Na verdade, porém, a única crise que os responsáveis

desejam afastar é a crise financeira, e não qualquer outra.

Aí está, na verdade, uma causa para mais aprofundamento da

crise real — econômica, social, política, moral — que

caracteriza o nosso tempo.

Milton Santos. Por uma outra globalização: do pensamento único à consciência universal. 27.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2017, p. 34-6 (com adaptações)

Julgue o item a seguir, com relação às ideias, aos sentidos e aos aspectos linguísticos do texto anterior.

A correção gramatical do texto seria mantida caso, no trecho “passam a se comportar” (l.14), o vocábulo “se” fosse deslocado para depois da forma verbal “comportar”, da seguinte maneira: passam a comportar-se.

 

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633093 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

Texto CB2A1-I

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,

o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso

ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam

época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção

das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do

pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na

Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre

os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no

século XIX, tudo isso representa saltos de época, que

desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história,

como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.

Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura

pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um

século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,

lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a

rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada

pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma

sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários

dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade

pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial

anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,

pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções

proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de

comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses

fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a

mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,

contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar

envolvidos em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma

mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais

difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica,

familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de

crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque

quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em

crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de

projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em

função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para
entender o nosso tempo. Trad. Silvana Cobucci e Federico
Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações

Com relação às ideias do texto CB2A1-I, julgue o item a seguir.

Infere-se do texto que a desorientação das gerações, em épocas específicas, promove uma radical e simultânea alteração no escopo do trabalho, da riqueza, do poder e do saber humano.
 

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633092 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

A própria palavra “crise” é bem mais a expressão de

um movimento do espírito que de um juízo fundado em

argumentos extraídos da razão ou da experiência. Não há

período histórico que não tenha sido julgado, de uma parte ou

de outra, como um período em crise. Ouvi falar de crise em

todas as fases da minha vida: depois da Primeira Guerra

Mundial, durante o fascismo e o nazismo, durante a Segunda

Guerra Mundial, no pós-guerra, bem como naqueles que foram

chamados de anos de chumbo. Sempre duvidei que o conceito

de crise tivesse qualquer utilidade para definir uma sociedade

ou uma época.

Que fique claro: não tenho nenhuma intenção de

difamar ou condenar o passado para absolver o presente, nem

de deplorar o presente para louvar os bons tempos antigos.

Desejo apenas ajudar a que se compreenda que todo juízo

excessivamente resoluto nesse campo corre o risco de parecer

leviano. Certamente, existem épocas mais turbulentas e outras

menos. Mas é difícil dizer se a maior turbulência depende de

uma crise moral (de uma diminuição da crença em princípios

fundamentais) ou de outras causas, econômicas, sociais,

políticas, culturais ou até mesmo biológicas.

Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais. Trad. Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Editora UNESP, 2002, p. 160-1 (com adaptações).

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.

O emprego de acento agudo nas palavras “juízo”, “extraídos” e “período” justifica-se pela mesma regra de acentuação gráfica.

 

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633091 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

Texto CB2A1-I

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,

o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso

ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam

época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção

das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do

pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na

Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre

os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no

século XIX, tudo isso representa saltos de época, que

desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história,

como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.

Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura

pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um

século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,

lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a

rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada

pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma

sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários

dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade

pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial

anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,

pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções

proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de

comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses

fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a

mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,

contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar

envolvidos em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma

mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais

difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica,

familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de

crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque

quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em

crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de

projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em

função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para
entender o nosso tempo. Trad. Silvana Cobucci e Federico
Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações

Considerando os mecanismos de coesão e os sentidos do texto CB2A1-I, julgue o item seguinte.

Na linha 28, a expressão “na qual” refere-se ao termo antecedente “história humana”.

 

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633085 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

Texto CB2A1-I

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,

o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso

ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam

época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção

das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do

pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na

Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre

os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no

século XIX, tudo isso representa saltos de época, que

desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história,

como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.

Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura

pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um

século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,

lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a

rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada

pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma

sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários

dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade

pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial

anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,

pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções

proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de

comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses

fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a

mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,

contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar

envolvidos em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma

mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais

difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica,

familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de

crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque

quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em

crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de

projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em

função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para
entender o nosso tempo. Trad. Silvana Cobucci e Federico
Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue o item que se segue.

Seria mantida a correção gramatical do texto se o trecho “diante de uma mudança” (l. 31 e 32) fosse alterado para ante a uma mudança.
 

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633084 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

Texto CB2A1-I

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,

o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso

ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam

época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção

das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do

pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na

Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre

os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no

século XIX, tudo isso representa saltos de época, que

desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história,

como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.

Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura

pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um

século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,

lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a

rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada

pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma

sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários

dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade

pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial

anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,

pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções

proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de

comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses

fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a

mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,

contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar

envolvidos em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma

mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais

difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica,

familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de

crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque

quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em

crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de

projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em

função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para
entender o nosso tempo. Trad. Silvana Cobucci e Federico
Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações

Com relação às ideias do texto CB2A1-I, julgue o item a seguir.

Conclui-se do último parágrafo do texto que o sentimento de crise provocado pela sensação de desorientação favorece um futuro prejudicial ao próprio sujeito em crise.
 

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633082 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

Texto CB2A1-I

Raras vezes na história humana, o trabalho, a riqueza,

o poder e o saber mudaram simultaneamente. Quando isso

ocorre, sobrevêm verdadeiras descontinuidades que marcam

época, pedras miliares no caminho da humanidade. A invenção

das técnicas para controlar o fogo, o início da agricultura e do

pastoreio na Mesopotâmia, a organização da democracia na

Grécia, as grandes descobertas científicas e geográficas entre

os séculos XII e XVI, o advento da sociedade industrial no

século XIX, tudo isso representa saltos de época, que

desorientaram gerações inteiras.

Se observarmos bem, essas ondas longas da história,

como as chamava Braudel, tornaram-se cada vez mais curtas.

Acabamos de nos recuperar da ultrapassagem da agricultura

pela indústria, ocorrida no século XX, e, em menos de um

século, um novo salto de época nos tomou de surpresa,

lançando-nos na confusão. Dessa vez o salto coincidiu com a

rápida passagem de uma sociedade de tipo industrial dominada

pelos proprietários das fábricas manufatureiras para uma

sociedade de tipo pós-industrial dominada pelos proprietários

dos meios de informação.

O fórceps com o qual a recém-nascida sociedade

pós-industrial foi extraída do ventre da sociedade industrial

anterior é representado pelo progresso científico e tecnológico,

pela globalização, pelas guerras mundiais, pelas revoluções

proletárias, pelo ensino universal e pelos meios de

comunicação de massa. Agindo simultaneamente, esses

fenômenos produziram uma avalanche ciclópica — talvez a

mais irresistível de toda a história humana — na qual nós,

contemporâneos, temos o privilégio e a desventura de estar

envolvidos em primeira pessoa.

Ninguém poderia ficar impassível diante de uma

mudança dessa envergadura. Por isso a sensação mais

difundida é a desorientação.

A nossa desorientação afeta as esferas econômica,

familiar, política, sexual, cultural... É um sintoma de

crescimento, mas é também um indício de um perigo, porque

quem está desorientado sente-se em crise, e quem se sente em

crise deixa de projetar o próprio futuro. Se deixarmos de

projetar nosso futuro, alguém o projetará para nós, não em

função de nossos interesses, mas do seu próprio proveito.

Domenico de Masi. Alfabeto da sociedade desorientada: para
entender o nosso tempo. Trad. Silvana Cobucci e Federico
Carotti. São Paulo: Objetiva, 2017, p. 93-4 (com adaptações

A respeito dos sentidos e dos aspectos linguísticos do texto CB2A1-I, julgue o item que se segue.


A coerência e a correção gramatical do texto seriam preservadas se a forma verbal “mudaram” (l.2) fosse substituída por mudam.

 

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633079 Ano: 2019
Disciplina: Português
Banca: CESPE / CEBRASPE
Orgão: PGE-PE

A própria palavra “crise” é bem mais a expressão de

um movimento do espírito que de um juízo fundado em

argumentos extraídos da razão ou da experiência. Não há

período histórico que não tenha sido julgado, de uma parte ou

de outra, como um período em crise. Ouvi falar de crise em

todas as fases da minha vida: depois da Primeira Guerra

Mundial, durante o fascismo e o nazismo, durante a Segunda

Guerra Mundial, no pós-guerra, bem como naqueles que foram

chamados de anos de chumbo. Sempre duvidei que o conceito

de crise tivesse qualquer utilidade para definir uma sociedade

ou uma época.

Que fique claro: não tenho nenhuma intenção de

difamar ou condenar o passado para absolver o presente, nem

de deplorar o presente para louvar os bons tempos antigos.

Desejo apenas ajudar a que se compreenda que todo juízo

excessivamente resoluto nesse campo corre o risco de parecer

leviano. Certamente, existem épocas mais turbulentas e outras

menos. Mas é difícil dizer se a maior turbulência depende de

uma crise moral (de uma diminuição da crença em princípios

fundamentais) ou de outras causas, econômicas, sociais,

políticas, culturais ou até mesmo biológicas.

Norberto Bobbio. Elogio da serenidade e outros escritos morais. Trad. Marco Aurélio Nogueira. São Paulo: Editora UNESP, 2002, p. 160-1 (com adaptações).

Com relação às ideias e aos aspectos linguísticos do texto precedente, julgue o item que se segue.


Para o autor do texto, todo período histórico que se tornou passado se caracteriza como um período de crise moral.
 

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