Foram encontradas 40 questões.
Registradores, Unidade de Controle (UC) e
Unidade Lógica e Aritmética (ULA), são componentes
internos do(a):
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Ao utilizar o Microsoft Excel 2023, um usuário
deseja inserir uma nova planilha no documento que
está trabalhando. Desta feita, ele poderá executar
essa ação por meio de qual das opções de atalho de
teclado abaixo?
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Qual dos recursos listados abaixo não é um
recurso do Windows 10, disponível em Ferramentas
Administrativas do Windows:
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- Sistemas OperacionaisWindowsFuncionalidades do WindowsGerenciamento de Arquivos e PastasWindows Explorer
Em relação a organização de arquivos, o
processo de examinar arquivos, mensagens de email e outro conteúdo em seu computador
catalogando as informações, como as palavras e os
metadados, onde o computador analisa um índice
dos termos para encontrar resultados mais
rapidamente, recebe o nome de:
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Razão, intuição e um sentido para existir
1 A racionalidade humana é um tema recorrente nas coisas que escrevo, especialmente porque lendo os
autores que mais gosto, vejo que a maioria deles concorda com o fato de que a razão não é algo que nos
torna melhores do que qualquer outra coisa no universo. Na maior parte do tempo, cada um deles me diz, à
sua maneira, que somos tapeados com a sensação de que a racionalidade nos mantém no controle de tudo.
2 Esses dias voltei para a leitura de “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, do psicólogo e economista
Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre a tomada de decisões
humanas. Ganhei esse livro faz um tempo, mas abandonei a leitura no começo – e nem lembro agora o
motivo. Nesse livro, o autor explica que existem dois sistemas de pensamento que operam em nossa mente:
o Sistema 1, que é rápido, intuitivo e emocional, e o Sistema 2, que é lento, racional e lógico.
3 O Sistema 1 é responsável por gerar impressões, intuições e sentimentos que influenciam nossas escolhas,
mas também está sujeito a vários vieses e erros de julgamento. É com ele que lidamos com a maior parte das
coisas. E, ao contrário do que o senso comum pressupõe, é com a intuição que fazemos muitas coisas na
nossa vida, desde escovar os dentes até perceber que alguém que conhecemos está triste. O Sistema 2, por
outro lado, é capaz de analisar criticamente as informações, fazer cálculos e planejar ações, mas requer mais
esforço e atenção. Fazer uma conta complicada, pensar em melhorar um parágrafo num texto ou analisar um
argumento complexo são coisas que se encontram nesse campo. Kahneman mostra como podemos usar o
Sistema 2 para corrigir ou moderar as ilusões do Sistema 1, mas também reconhece os limites da
racionalidade humana.
4 No começo do texto eu disse que a maioria dos autores que admiro questionam a centralidade da razão. E
um deles, sobre o qual eu falo sempre, é o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Ele desenvolveu uma
metafísica pessimista baseada na ideia de que a essência de todas as coisas é a Vontade. A Vontade é uma
força cega, irracional e insaciável que impulsiona todos os seres vivos a existir e se afirmar, mas também os
condena ao sofrimento, à frustração. E isso é ainda mais forte no ser humano, pois, apesar da vida não
possuir nenhum objetivo ou finalidade maior, geramos para nós mesmos a sensação de que esse objetivo
existe, e assim sofremos muito tentando justificar nossas ações e decisões. Schopenhauer considerava que o
ser humano é menos racional do que imagina, pois está submetido à Vontade de viver, que o domina e o
engana. Mas existem algumas válvulas de escape.
5 Schopenhauer afirmava que a única forma de escapar do sofrimento causado pela Vontade era negá-la. Isso
poderia ser feito de duas maneiras: pela via ascética, que consiste em renunciar aos desejos, às paixões e aos
prazeres mundanos, buscando uma vida simples e contemplativa – o que, na prática, é para pouquíssimas
pessoas; ou pela via estética, que consiste em se libertar temporariamente da Vontade através da apreciação
da arte, que expressa a essência do mundo. No momento da criação ou da fruição da arte suspendemos
provisoriamente o desejo, e a Vontade deixa de agir sobre nós. Mas essa trégua é breve, e logo depois
retornamos ao estágio de sofrimento.
6 Relacionando o pensamento de Kahneman e a proposta de Schopenhauer dá pra dizer que o Sistema 1 de
Kahneman corresponderia à manifestação da Vontade de Schopenhauer na mente humana, pois é ele que
nos faz agir impulsivamente, emocionalmente e irracionalmente, buscando satisfazer nossos desejos e evitar
nossas perdas, mas também nos levando a cometer erros e sofrer as consequências. Já o Sistema 2 de
Kahneman corresponderia à tentativa de superar ou controlar a Vontade apresentada por Schopenhauer,
sendo que esse processo se daria, curiosamente, pela razão humana, pois é ela que nos permite avaliar
criticamente as situações, fazer escolhas mais racionais e planejar nossas ações (requerendo, claro, mais
esforço e atenção). Uma contradição nessa tentativa de aproximação se daria justamente por Schopenhauer
considerar que a razão, na maior parte do tempo, potencializa a Vontade. Para ele, muitas decisões racionais
tem, na verdade, fundamento no desejo, no querer, e não na necessidade real daquilo que acreditamos que
é importante para nós.
7 Esse é um tema que me intriga e me desafia, porque essas perguntas (que derivam da discussão) me
parecem sempre sem resposta satisfatória: será que somos capazes de usar nossa racionalidade para nos
libertarmos do sofrimento? Será que existe alguma esperança para a humanidade? Ou será que estamos
fadados a viver em um ciclo de ilusão e dor?
8 Se você adotar a postura pessimista de Schopenhauer, vai concluir que as respostas serão sempre negativas.
E vai entender que a nossa missão nessa vida não é a felicidade, mas sim fazer com que a existência, a nossa
e a dos outros, seja mais suportável. Por outro lado, se estiver do lado de Kahneman, que parece bem mais
otimista (o que, aliás, não é difícil, considerando o autor que coloquei ao lado dele), você vai acreditar que é
possível utilizar a razão não para sermos ainda mais racionais, mas sim para aprendermos a lidar melhor com
as nossas intuições e sentimentos. Com isso, podemos refletir melhor, sofrer menos e viver a felicidade
possível, a partir do autoconhecimento e do reconhecimento de quem somos.
9 Se você me perguntar, vou dizer que sempre pensei mais ou menos como Schopenhauer, mas que quero
acreditar na segunda opção; quero pensar que a razão não é uma outra forma de prisão, disfarçada de
conhecimento, mas sim uma forma de ver e entender a realidade com uma postura crítica que pode nos
ajudar a viver melhor. Não seria bom se fosse mesmo assim?
Extraído de https://marcosramon.net/posts/razao-intuicao/
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Razão, intuição e um sentido para existir
1 A racionalidade humana é um tema recorrente nas coisas que escrevo, especialmente porque lendo os
autores que mais gosto, vejo que a maioria deles concorda com o fato de que a razão não é algo que nos
torna melhores do que qualquer outra coisa no universo. Na maior parte do tempo, cada um deles me diz, à
sua maneira, que somos tapeados com a sensação de que a racionalidade nos mantém no controle de tudo.
2 Esses dias voltei para a leitura de “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, do psicólogo e economista
Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre a tomada de decisões
humanas. Ganhei esse livro faz um tempo, mas abandonei a leitura no começo – e nem lembro agora o
motivo. Nesse livro, o autor explica que existem dois sistemas de pensamento que operam em nossa mente:
o Sistema 1, que é rápido, intuitivo e emocional, e o Sistema 2, que é lento, racional e lógico.
3 O Sistema 1 é responsável por gerar impressões, intuições e sentimentos que influenciam nossas escolhas,
mas também está sujeito a vários vieses e erros de julgamento. É com ele que lidamos com a maior parte das
coisas. E, ao contrário do que o senso comum pressupõe, é com a intuição que fazemos muitas coisas na
nossa vida, desde escovar os dentes até perceber que alguém que conhecemos está triste. O Sistema 2, por
outro lado, é capaz de analisar criticamente as informações, fazer cálculos e planejar ações, mas requer mais
esforço e atenção. Fazer uma conta complicada, pensar em melhorar um parágrafo num texto ou analisar um
argumento complexo são coisas que se encontram nesse campo. Kahneman mostra como podemos usar o
Sistema 2 para corrigir ou moderar as ilusões do Sistema 1, mas também reconhece os limites da
racionalidade humana.
4 No começo do texto eu disse que a maioria dos autores que admiro questionam a centralidade da razão. E
um deles, sobre o qual eu falo sempre, é o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Ele desenvolveu uma
metafísica pessimista baseada na ideia de que a essência de todas as coisas é a Vontade. A Vontade é uma
força cega, irracional e insaciável que impulsiona todos os seres vivos a existir e se afirmar, mas também os
condena ao sofrimento, à frustração. E isso é ainda mais forte no ser humano, pois, apesar da vida não
possuir nenhum objetivo ou finalidade maior, geramos para nós mesmos a sensação de que esse objetivo
existe, e assim sofremos muito tentando justificar nossas ações e decisões. Schopenhauer considerava que o
ser humano é menos racional do que imagina, pois está submetido à Vontade de viver, que o domina e o
engana. Mas existem algumas válvulas de escape.
5 Schopenhauer afirmava que a única forma de escapar do sofrimento causado pela Vontade era negá-la. Isso
poderia ser feito de duas maneiras: pela via ascética, que consiste em renunciar aos desejos, às paixões e aos
prazeres mundanos, buscando uma vida simples e contemplativa – o que, na prática, é para pouquíssimas
pessoas; ou pela via estética, que consiste em se libertar temporariamente da Vontade através da apreciação
da arte, que expressa a essência do mundo. No momento da criação ou da fruição da arte suspendemos
provisoriamente o desejo, e a Vontade deixa de agir sobre nós. Mas essa trégua é breve, e logo depois
retornamos ao estágio de sofrimento.
6 Relacionando o pensamento de Kahneman e a proposta de Schopenhauer dá pra dizer que o Sistema 1 de
Kahneman corresponderia à manifestação da Vontade de Schopenhauer na mente humana, pois é ele que
nos faz agir impulsivamente, emocionalmente e irracionalmente, buscando satisfazer nossos desejos e evitar
nossas perdas, mas também nos levando a cometer erros e sofrer as consequências. Já o Sistema 2 de
Kahneman corresponderia à tentativa de superar ou controlar a Vontade apresentada por Schopenhauer,
sendo que esse processo se daria, curiosamente, pela razão humana, pois é ela que nos permite avaliar
criticamente as situações, fazer escolhas mais racionais e planejar nossas ações (requerendo, claro, mais
esforço e atenção). Uma contradição nessa tentativa de aproximação se daria justamente por Schopenhauer
considerar que a razão, na maior parte do tempo, potencializa a Vontade. Para ele, muitas decisões racionais
tem, na verdade, fundamento no desejo, no querer, e não na necessidade real daquilo que acreditamos que
é importante para nós.
7 Esse é um tema que me intriga e me desafia, porque essas perguntas (que derivam da discussão) me
parecem sempre sem resposta satisfatória: será que somos capazes de usar nossa racionalidade para nos
libertarmos do sofrimento? Será que existe alguma esperança para a humanidade? Ou será que estamos
fadados a viver em um ciclo de ilusão e dor?
8 Se você adotar a postura pessimista de Schopenhauer, vai concluir que as respostas serão sempre negativas.
E vai entender que a nossa missão nessa vida não é a felicidade, mas sim fazer com que a existência, a nossa
e a dos outros, seja mais suportável. Por outro lado, se estiver do lado de Kahneman, que parece bem mais
otimista (o que, aliás, não é difícil, considerando o autor que coloquei ao lado dele), você vai acreditar que é
possível utilizar a razão não para sermos ainda mais racionais, mas sim para aprendermos a lidar melhor com
as nossas intuições e sentimentos. Com isso, podemos refletir melhor, sofrer menos e viver a felicidade
possível, a partir do autoconhecimento e do reconhecimento de quem somos.
9 Se você me perguntar, vou dizer que sempre pensei mais ou menos como Schopenhauer, mas que quero
acreditar na segunda opção; quero pensar que a razão não é uma outra forma de prisão, disfarçada de
conhecimento, mas sim uma forma de ver e entender a realidade com uma postura crítica que pode nos
ajudar a viver melhor. Não seria bom se fosse mesmo assim?
Extraído de https://marcosramon.net/posts/razao-intuicao/
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Razão, intuição e um sentido para existir
1 A racionalidade humana é um tema recorrente nas coisas que escrevo, especialmente porque lendo os
autores que mais gosto, vejo que a maioria deles concorda com o fato de que a razão não é algo que nos
torna melhores do que qualquer outra coisa no universo. Na maior parte do tempo, cada um deles me diz, à
sua maneira, que somos tapeados com a sensação de que a racionalidade nos mantém no controle de tudo.
2 Esses dias voltei para a leitura de “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, do psicólogo e economista
Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre a tomada de decisões
humanas. Ganhei esse livro faz um tempo, mas abandonei a leitura no começo – e nem lembro agora o
motivo. Nesse livro, o autor explica que existem dois sistemas de pensamento que operam em nossa mente:
o Sistema 1, que é rápido, intuitivo e emocional, e o Sistema 2, que é lento, racional e lógico.
3 O Sistema 1 é responsável por gerar impressões, intuições e sentimentos que influenciam nossas escolhas,
mas também está sujeito a vários vieses e erros de julgamento. É com ele que lidamos com a maior parte das
coisas. E, ao contrário do que o senso comum pressupõe, é com a intuição que fazemos muitas coisas na
nossa vida, desde escovar os dentes até perceber que alguém que conhecemos está triste. O Sistema 2, por
outro lado, é capaz de analisar criticamente as informações, fazer cálculos e planejar ações, mas requer mais
esforço e atenção. Fazer uma conta complicada, pensar em melhorar um parágrafo num texto ou analisar um
argumento complexo são coisas que se encontram nesse campo. Kahneman mostra como podemos usar o
Sistema 2 para corrigir ou moderar as ilusões do Sistema 1, mas também reconhece os limites da
racionalidade humana.
4 No começo do texto eu disse que a maioria dos autores que admiro questionam a centralidade da razão. E
um deles, sobre o qual eu falo sempre, é o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Ele desenvolveu uma
metafísica pessimista baseada na ideia de que a essência de todas as coisas é a Vontade. A Vontade é uma
força cega, irracional e insaciável que impulsiona todos os seres vivos a existir e se afirmar, mas também os
condena ao sofrimento, à frustração. E isso é ainda mais forte no ser humano, pois, apesar da vida não
possuir nenhum objetivo ou finalidade maior, geramos para nós mesmos a sensação de que esse objetivo
existe, e assim sofremos muito tentando justificar nossas ações e decisões. Schopenhauer considerava que o
ser humano é menos racional do que imagina, pois está submetido à Vontade de viver, que o domina e o
engana. Mas existem algumas válvulas de escape.
5 Schopenhauer afirmava que a única forma de escapar do sofrimento causado pela Vontade era negá-la. Isso
poderia ser feito de duas maneiras: pela via ascética, que consiste em renunciar aos desejos, às paixões e aos
prazeres mundanos, buscando uma vida simples e contemplativa – o que, na prática, é para pouquíssimas
pessoas; ou pela via estética, que consiste em se libertar temporariamente da Vontade através da apreciação
da arte, que expressa a essência do mundo. No momento da criação ou da fruição da arte suspendemos
provisoriamente o desejo, e a Vontade deixa de agir sobre nós. Mas essa trégua é breve, e logo depois
retornamos ao estágio de sofrimento.
6 Relacionando o pensamento de Kahneman e a proposta de Schopenhauer dá pra dizer que o Sistema 1 de
Kahneman corresponderia à manifestação da Vontade de Schopenhauer na mente humana, pois é ele que
nos faz agir impulsivamente, emocionalmente e irracionalmente, buscando satisfazer nossos desejos e evitar
nossas perdas, mas também nos levando a cometer erros e sofrer as consequências. Já o Sistema 2 de
Kahneman corresponderia à tentativa de superar ou controlar a Vontade apresentada por Schopenhauer,
sendo que esse processo se daria, curiosamente, pela razão humana, pois é ela que nos permite avaliar
criticamente as situações, fazer escolhas mais racionais e planejar nossas ações (requerendo, claro, mais
esforço e atenção). Uma contradição nessa tentativa de aproximação se daria justamente por Schopenhauer
considerar que a razão, na maior parte do tempo, potencializa a Vontade. Para ele, muitas decisões racionais
tem, na verdade, fundamento no desejo, no querer, e não na necessidade real daquilo que acreditamos que
é importante para nós.
7 Esse é um tema que me intriga e me desafia, porque essas perguntas (que derivam da discussão) me
parecem sempre sem resposta satisfatória: será que somos capazes de usar nossa racionalidade para nos
libertarmos do sofrimento? Será que existe alguma esperança para a humanidade? Ou será que estamos
fadados a viver em um ciclo de ilusão e dor?
8 Se você adotar a postura pessimista de Schopenhauer, vai concluir que as respostas serão sempre negativas.
E vai entender que a nossa missão nessa vida não é a felicidade, mas sim fazer com que a existência, a nossa
e a dos outros, seja mais suportável. Por outro lado, se estiver do lado de Kahneman, que parece bem mais
otimista (o que, aliás, não é difícil, considerando o autor que coloquei ao lado dele), você vai acreditar que é
possível utilizar a razão não para sermos ainda mais racionais, mas sim para aprendermos a lidar melhor com
as nossas intuições e sentimentos. Com isso, podemos refletir melhor, sofrer menos e viver a felicidade
possível, a partir do autoconhecimento e do reconhecimento de quem somos.
9 Se você me perguntar, vou dizer que sempre pensei mais ou menos como Schopenhauer, mas que quero
acreditar na segunda opção; quero pensar que a razão não é uma outra forma de prisão, disfarçada de
conhecimento, mas sim uma forma de ver e entender a realidade com uma postura crítica que pode nos
ajudar a viver melhor. Não seria bom se fosse mesmo assim?
Extraído de https://marcosramon.net/posts/razao-intuicao/
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Razão, intuição e um sentido para existir
1 A racionalidade humana é um tema recorrente nas coisas que escrevo, especialmente porque lendo os
autores que mais gosto, vejo que a maioria deles concorda com o fato de que a razão não é algo que nos
torna melhores do que qualquer outra coisa no universo. Na maior parte do tempo, cada um deles me diz, à
sua maneira, que somos tapeados com a sensação de que a racionalidade nos mantém no controle de tudo.
2 Esses dias voltei para a leitura de “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, do psicólogo e economista
Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre a tomada de decisões
humanas. Ganhei esse livro faz um tempo, mas abandonei a leitura no começo – e nem lembro agora o
motivo. Nesse livro, o autor explica que existem dois sistemas de pensamento que operam em nossa mente:
o Sistema 1, que é rápido, intuitivo e emocional, e o Sistema 2, que é lento, racional e lógico.
3 O Sistema 1 é responsável por gerar impressões, intuições e sentimentos que influenciam nossas escolhas,
mas também está sujeito a vários vieses e erros de julgamento. É com ele que lidamos com a maior parte das
coisas. E, ao contrário do que o senso comum pressupõe, é com a intuição que fazemos muitas coisas na
nossa vida, desde escovar os dentes até perceber que alguém que conhecemos está triste. O Sistema 2, por
outro lado, é capaz de analisar criticamente as informações, fazer cálculos e planejar ações, mas requer mais
esforço e atenção. Fazer uma conta complicada, pensar em melhorar um parágrafo num texto ou analisar um
argumento complexo são coisas que se encontram nesse campo. Kahneman mostra como podemos usar o
Sistema 2 para corrigir ou moderar as ilusões do Sistema 1, mas também reconhece os limites da
racionalidade humana.
4 No começo do texto eu disse que a maioria dos autores que admiro questionam a centralidade da razão. E
um deles, sobre o qual eu falo sempre, é o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Ele desenvolveu uma
metafísica pessimista baseada na ideia de que a essência de todas as coisas é a Vontade. A Vontade é uma
força cega, irracional e insaciável que impulsiona todos os seres vivos a existir e se afirmar, mas também os
condena ao sofrimento, à frustração. E isso é ainda mais forte no ser humano, pois, apesar da vida não
possuir nenhum objetivo ou finalidade maior, geramos para nós mesmos a sensação de que esse objetivo
existe, e assim sofremos muito tentando justificar nossas ações e decisões. Schopenhauer considerava que o
ser humano é menos racional do que imagina, pois está submetido à Vontade de viver, que o domina e o
engana. Mas existem algumas válvulas de escape.
5 Schopenhauer afirmava que a única forma de escapar do sofrimento causado pela Vontade era negá-la. Isso
poderia ser feito de duas maneiras: pela via ascética, que consiste em renunciar aos desejos, às paixões e aos
prazeres mundanos, buscando uma vida simples e contemplativa – o que, na prática, é para pouquíssimas
pessoas; ou pela via estética, que consiste em se libertar temporariamente da Vontade através da apreciação
da arte, que expressa a essência do mundo. No momento da criação ou da fruição da arte suspendemos
provisoriamente o desejo, e a Vontade deixa de agir sobre nós. Mas essa trégua é breve, e logo depois
retornamos ao estágio de sofrimento.
6 Relacionando o pensamento de Kahneman e a proposta de Schopenhauer dá pra dizer que o Sistema 1 de
Kahneman corresponderia à manifestação da Vontade de Schopenhauer na mente humana, pois é ele que
nos faz agir impulsivamente, emocionalmente e irracionalmente, buscando satisfazer nossos desejos e evitar
nossas perdas, mas também nos levando a cometer erros e sofrer as consequências. Já o Sistema 2 de
Kahneman corresponderia à tentativa de superar ou controlar a Vontade apresentada por Schopenhauer,
sendo que esse processo se daria, curiosamente, pela razão humana, pois é ela que nos permite avaliar
criticamente as situações, fazer escolhas mais racionais e planejar nossas ações (requerendo, claro, mais
esforço e atenção). Uma contradição nessa tentativa de aproximação se daria justamente por Schopenhauer
considerar que a razão, na maior parte do tempo, potencializa a Vontade. Para ele, muitas decisões racionais
tem, na verdade, fundamento no desejo, no querer, e não na necessidade real daquilo que acreditamos que
é importante para nós.
7 Esse é um tema que me intriga e me desafia, porque essas perguntas (que derivam da discussão) me
parecem sempre sem resposta satisfatória: será que somos capazes de usar nossa racionalidade para nos
libertarmos do sofrimento? Será que existe alguma esperança para a humanidade? Ou será que estamos
fadados a viver em um ciclo de ilusão e dor?
8 Se você adotar a postura pessimista de Schopenhauer, vai concluir que as respostas serão sempre negativas.
E vai entender que a nossa missão nessa vida não é a felicidade, mas sim fazer com que a existência, a nossa
e a dos outros, seja mais suportável. Por outro lado, se estiver do lado de Kahneman, que parece bem mais
otimista (o que, aliás, não é difícil, considerando o autor que coloquei ao lado dele), você vai acreditar que é
possível utilizar a razão não para sermos ainda mais racionais, mas sim para aprendermos a lidar melhor com
as nossas intuições e sentimentos. Com isso, podemos refletir melhor, sofrer menos e viver a felicidade
possível, a partir do autoconhecimento e do reconhecimento de quem somos.
9 Se você me perguntar, vou dizer que sempre pensei mais ou menos como Schopenhauer, mas que quero
acreditar na segunda opção; quero pensar que a razão não é uma outra forma de prisão, disfarçada de
conhecimento, mas sim uma forma de ver e entender a realidade com uma postura crítica que pode nos
ajudar a viver melhor. Não seria bom se fosse mesmo assim?
Extraído de https://marcosramon.net/posts/razao-intuicao/
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Razão, intuição e um sentido para existir
1 A racionalidade humana é um tema recorrente nas coisas que escrevo, especialmente porque lendo os
autores que mais gosto, vejo que a maioria deles concorda com o fato de que a razão não é algo que nos
torna melhores do que qualquer outra coisa no universo. Na maior parte do tempo, cada um deles me diz, à
sua maneira, que somos tapeados com a sensação de que a racionalidade nos mantém no controle de tudo.
2 Esses dias voltei para a leitura de “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, do psicólogo e economista
Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre a tomada de decisões
humanas. Ganhei esse livro faz um tempo, mas abandonei a leitura no começo – e nem lembro agora o
motivo. Nesse livro, o autor explica que existem dois sistemas de pensamento que operam em nossa mente:
o Sistema 1, que é rápido, intuitivo e emocional, e o Sistema 2, que é lento, racional e lógico.
3 O Sistema 1 é responsável por gerar impressões, intuições e sentimentos que influenciam nossas escolhas,
mas também está sujeito a vários vieses e erros de julgamento. É com ele que lidamos com a maior parte das
coisas. E, ao contrário do que o senso comum pressupõe, é com a intuição que fazemos muitas coisas na
nossa vida, desde escovar os dentes até perceber que alguém que conhecemos está triste. O Sistema 2, por
outro lado, é capaz de analisar criticamente as informações, fazer cálculos e planejar ações, mas requer mais
esforço e atenção. Fazer uma conta complicada, pensar em melhorar um parágrafo num texto ou analisar um
argumento complexo são coisas que se encontram nesse campo. Kahneman mostra como podemos usar o
Sistema 2 para corrigir ou moderar as ilusões do Sistema 1, mas também reconhece os limites da
racionalidade humana.
4 No começo do texto eu disse que a maioria dos autores que admiro questionam a centralidade da razão. E
um deles, sobre o qual eu falo sempre, é o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Ele desenvolveu uma
metafísica pessimista baseada na ideia de que a essência de todas as coisas é a Vontade. A Vontade é uma
força cega, irracional e insaciável que impulsiona todos os seres vivos a existir e se afirmar, mas também os
condena ao sofrimento, à frustração. E isso é ainda mais forte no ser humano, pois, apesar da vida não
possuir nenhum objetivo ou finalidade maior, geramos para nós mesmos a sensação de que esse objetivo
existe, e assim sofremos muito tentando justificar nossas ações e decisões. Schopenhauer considerava que o
ser humano é menos racional do que imagina, pois está submetido à Vontade de viver, que o domina e o
engana. Mas existem algumas válvulas de escape.
5 Schopenhauer afirmava que a única forma de escapar do sofrimento causado pela Vontade era negá-la. Isso
poderia ser feito de duas maneiras: pela via ascética, que consiste em renunciar aos desejos, às paixões e aos
prazeres mundanos, buscando uma vida simples e contemplativa – o que, na prática, é para pouquíssimas
pessoas; ou pela via estética, que consiste em se libertar temporariamente da Vontade através da apreciação
da arte, que expressa a essência do mundo. No momento da criação ou da fruição da arte suspendemos
provisoriamente o desejo, e a Vontade deixa de agir sobre nós. Mas essa trégua é breve, e logo depois
retornamos ao estágio de sofrimento.
6 Relacionando o pensamento de Kahneman e a proposta de Schopenhauer dá pra dizer que o Sistema 1 de
Kahneman corresponderia à manifestação da Vontade de Schopenhauer na mente humana, pois é ele que
nos faz agir impulsivamente, emocionalmente e irracionalmente, buscando satisfazer nossos desejos e evitar
nossas perdas, mas também nos levando a cometer erros e sofrer as consequências. Já o Sistema 2 de
Kahneman corresponderia à tentativa de superar ou controlar a Vontade apresentada por Schopenhauer,
sendo que esse processo se daria, curiosamente, pela razão humana, pois é ela que nos permite avaliar
criticamente as situações, fazer escolhas mais racionais e planejar nossas ações (requerendo, claro, mais
esforço e atenção). Uma contradição nessa tentativa de aproximação se daria justamente por Schopenhauer
considerar que a razão, na maior parte do tempo, potencializa a Vontade. Para ele, muitas decisões racionais
tem, na verdade, fundamento no desejo, no querer, e não na necessidade real daquilo que acreditamos que
é importante para nós.
7 Esse é um tema que me intriga e me desafia, porque essas perguntas (que derivam da discussão) me
parecem sempre sem resposta satisfatória: será que somos capazes de usar nossa racionalidade para nos
libertarmos do sofrimento? Será que existe alguma esperança para a humanidade? Ou será que estamos
fadados a viver em um ciclo de ilusão e dor?
8 Se você adotar a postura pessimista de Schopenhauer, vai concluir que as respostas serão sempre negativas.
E vai entender que a nossa missão nessa vida não é a felicidade, mas sim fazer com que a existência, a nossa
e a dos outros, seja mais suportável. Por outro lado, se estiver do lado de Kahneman, que parece bem mais
otimista (o que, aliás, não é difícil, considerando o autor que coloquei ao lado dele), você vai acreditar que é
possível utilizar a razão não para sermos ainda mais racionais, mas sim para aprendermos a lidar melhor com
as nossas intuições e sentimentos. Com isso, podemos refletir melhor, sofrer menos e viver a felicidade
possível, a partir do autoconhecimento e do reconhecimento de quem somos.
9 Se você me perguntar, vou dizer que sempre pensei mais ou menos como Schopenhauer, mas que quero
acreditar na segunda opção; quero pensar que a razão não é uma outra forma de prisão, disfarçada de
conhecimento, mas sim uma forma de ver e entender a realidade com uma postura crítica que pode nos
ajudar a viver melhor. Não seria bom se fosse mesmo assim?
Extraído de https://marcosramon.net/posts/razao-intuicao/
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Questão presente nas seguintes provas
Razão, intuição e um sentido para existir
1 A racionalidade humana é um tema recorrente nas coisas que escrevo, especialmente porque lendo os
autores que mais gosto, vejo que a maioria deles concorda com o fato de que a razão não é algo que nos
torna melhores do que qualquer outra coisa no universo. Na maior parte do tempo, cada um deles me diz, à
sua maneira, que somos tapeados com a sensação de que a racionalidade nos mantém no controle de tudo.
2 Esses dias voltei para a leitura de “Rápido e devagar: duas formas de pensar”, do psicólogo e economista
Daniel Kahneman, ganhador do Prêmio Nobel de Economia por seus estudos sobre a tomada de decisões
humanas. Ganhei esse livro faz um tempo, mas abandonei a leitura no começo – e nem lembro agora o
motivo. Nesse livro, o autor explica que existem dois sistemas de pensamento que operam em nossa mente:
o Sistema 1, que é rápido, intuitivo e emocional, e o Sistema 2, que é lento, racional e lógico.
3 O Sistema 1 é responsável por gerar impressões, intuições e sentimentos que influenciam nossas escolhas,
mas também está sujeito a vários vieses e erros de julgamento. É com ele que lidamos com a maior parte das
coisas. E, ao contrário do que o senso comum pressupõe, é com a intuição que fazemos muitas coisas na
nossa vida, desde escovar os dentes até perceber que alguém que conhecemos está triste. O Sistema 2, por
outro lado, é capaz de analisar criticamente as informações, fazer cálculos e planejar ações, mas requer mais
esforço e atenção. Fazer uma conta complicada, pensar em melhorar um parágrafo num texto ou analisar um
argumento complexo são coisas que se encontram nesse campo. Kahneman mostra como podemos usar o
Sistema 2 para corrigir ou moderar as ilusões do Sistema 1, mas também reconhece os limites da
racionalidade humana.
4 No começo do texto eu disse que a maioria dos autores que admiro questionam a centralidade da razão. E
um deles, sobre o qual eu falo sempre, é o filósofo alemão Arthur Schopenhauer. Ele desenvolveu uma
metafísica pessimista baseada na ideia de que a essência de todas as coisas é a Vontade. A Vontade é uma
força cega, irracional e insaciável que impulsiona todos os seres vivos a existir e se afirmar, mas também os
condena ao sofrimento, à frustração. E isso é ainda mais forte no ser humano, pois, apesar da vida não
possuir nenhum objetivo ou finalidade maior, geramos para nós mesmos a sensação de que esse objetivo
existe, e assim sofremos muito tentando justificar nossas ações e decisões. Schopenhauer considerava que o
ser humano é menos racional do que imagina, pois está submetido à Vontade de viver, que o domina e o
engana. Mas existem algumas válvulas de escape.
5 Schopenhauer afirmava que a única forma de escapar do sofrimento causado pela Vontade era negá-la. Isso
poderia ser feito de duas maneiras: pela via ascética, que consiste em renunciar aos desejos, às paixões e aos
prazeres mundanos, buscando uma vida simples e contemplativa – o que, na prática, é para pouquíssimas
pessoas; ou pela via estética, que consiste em se libertar temporariamente da Vontade através da apreciação
da arte, que expressa a essência do mundo. No momento da criação ou da fruição da arte suspendemos
provisoriamente o desejo, e a Vontade deixa de agir sobre nós. Mas essa trégua é breve, e logo depois
retornamos ao estágio de sofrimento.
6 Relacionando o pensamento de Kahneman e a proposta de Schopenhauer dá pra dizer que o Sistema 1 de
Kahneman corresponderia à manifestação da Vontade de Schopenhauer na mente humana, pois é ele que
nos faz agir impulsivamente, emocionalmente e irracionalmente, buscando satisfazer nossos desejos e evitar
nossas perdas, mas também nos levando a cometer erros e sofrer as consequências. Já o Sistema 2 de
Kahneman corresponderia à tentativa de superar ou controlar a Vontade apresentada por Schopenhauer,
sendo que esse processo se daria, curiosamente, pela razão humana, pois é ela que nos permite avaliar
criticamente as situações, fazer escolhas mais racionais e planejar nossas ações (requerendo, claro, mais
esforço e atenção). Uma contradição nessa tentativa de aproximação se daria justamente por Schopenhauer
considerar que a razão, na maior parte do tempo, potencializa a Vontade. Para ele, muitas decisões racionais
tem, na verdade, fundamento no desejo, no querer, e não na necessidade real daquilo que acreditamos que
é importante para nós.
7 Esse é um tema que me intriga e me desafia, porque essas perguntas (que derivam da discussão) me
parecem sempre sem resposta satisfatória: será que somos capazes de usar nossa racionalidade para nos
libertarmos do sofrimento? Será que existe alguma esperança para a humanidade? Ou será que estamos
fadados a viver em um ciclo de ilusão e dor?
8 Se você adotar a postura pessimista de Schopenhauer, vai concluir que as respostas serão sempre negativas.
E vai entender que a nossa missão nessa vida não é a felicidade, mas sim fazer com que a existência, a nossa
e a dos outros, seja mais suportável. Por outro lado, se estiver do lado de Kahneman, que parece bem mais
otimista (o que, aliás, não é difícil, considerando o autor que coloquei ao lado dele), você vai acreditar que é
possível utilizar a razão não para sermos ainda mais racionais, mas sim para aprendermos a lidar melhor com
as nossas intuições e sentimentos. Com isso, podemos refletir melhor, sofrer menos e viver a felicidade
possível, a partir do autoconhecimento e do reconhecimento de quem somos.
9 Se você me perguntar, vou dizer que sempre pensei mais ou menos como Schopenhauer, mas que quero
acreditar na segunda opção; quero pensar que a razão não é uma outra forma de prisão, disfarçada de
conhecimento, mas sim uma forma de ver e entender a realidade com uma postura crítica que pode nos
ajudar a viver melhor. Não seria bom se fosse mesmo assim?
Extraído de https://marcosramon.net/posts/razao-intuicao/
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