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O humor da bolinha de papel
Pensa-se que ler bem é ser capaz de descobrir ou localizar as informações contidas nos textos. Isso é verdade para textos informativos (a fórmula de remédios, a altura do Everest, o endereço da festa, etc.). Mas nem todo texto é informativo ou só informativo.
Por exemplo, matéria da Folha de S. Paulo (2/4/2010) dizia que era opinião de Marina da Silva que a falta de diálogo entre PT e PSDB levou os governos a depender de bases parlamentares baseadas no fisiologismo. Marina comparou a aliança PT-PMDB no governo Lula à do governo Fernando Henrique Cardoso com o DEM. "O PSDB quis governar sozinho e ficou refém do DEM. E o PT quis governar sozinho e virou refém do PMDB".
A manchete que introduzia a matéria foi "Lula virou refém do PMDB, afirma Marina". O Estado de S. Paulo, no mesmo dia, publicou matéria semelhante. Mas a manchete era "Marina prega diálogo de PT e PSDB contra crise". A comparação das chamadas obriga a levar a sério que ler não é só descobrir informações.
Suponha-se que certos leitores só tivessem acesso a uma das manchetes. Quem leu só a da Folha ou a do Estado situaria Marina Silva em posições distintas. Se lesse não só as duas manchetes, mas as matérias, talvez classificasse os jornais em posições políticas diferentes (e decidiria assinar um, não o outro, por exemplo).
Muitos textos supõem leitores capazes de relacionar o que está dito com outros textos, anteriores ou paralelos. A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor "cooperativo" (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos. Os humorísticos não podem dizer tudo (em especial, se o humor depende de apelo politicamente incorreto, de coisas que se pensam, e não se dizem).
Exemplo é a coluna de José Simão de 22 de outubro (Folha de S. Paulo), em plena campanha presidencial. Lida no dia da publicação, era fácil dar-se conta dos fatos que o texto supunha que o leitor evocaria. Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva.
O texto de Simão não tem função informativa ou investigativa. Nem esta análise. Portanto, não importa saber qual das versões é verdadeira para a leitura do texto. Frequentemente (a frequência é diferente em tipos diferentes de textos) os leitores são "exigidos" de maneira especial. Não só devem descobrir o que os textos dizem, mas o que não dizem, mas é exigido para que façam sentido. Ler é "completar" um texto "incompleto". Curiosamente, se o texto já estivesse completo, seria chato. Pelo menos, não seria cômico.
POSSENTI, Sírio. Revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249010-1.asp.
Acesso em 31/1/2014.
Tendo em vista a argumentação do autor, NÃO se pode inferir:
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O humor da bolinha de papel
Pensa-se que ler bem é ser capaz de descobrir ou localizar as informações contidas nos textos(c). Isso é verdade para textos informativos (a fórmula de remédios, a altura do Everest, o endereço da festa, etc.). Mas nem todo texto é informativo ou só informativo.
Por exemplo, matéria da Folha de S. Paulo (2/4/2010) dizia que era opinião de Marina da Silva que a falta de diálogo entre PT e PSDB levou os governos a depender de bases parlamentares baseadas no fisiologismo. Marina comparou a aliança PT-PMDB no governo Lula à do governo Fernando Henrique Cardoso com o DEM. "O PSDB quis governar sozinho e ficou refém do DEM. E o PT quis governar sozinho e virou refém do PMDB".
A manchete que introduzia a matéria foi "Lula virou refém do PMDB, afirma Marina". O Estado de S. Paulo, no mesmo dia, publicou matéria semelhante. Mas a manchete era "Marina prega diálogo de PT e PSDB contra crise". A comparação das chamadas obriga a levar a sério que ler não é só descobrir informações.
Suponha-se que certos leitores só tivessem acesso a uma das manchetes(d). Quem leu só a da Folha ou a do Estado situaria Marina Silva em posições distintas. Se lesse não só as duas manchetes, mas as matérias, talvez classificasse os jornais em posições políticas diferentes (e decidiria assinar um, não o outro, por exemplo).
Muitos textos supõem leitores capazes de relacionar o que está dito com outros textos, anteriores ou paralelos. A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor "cooperativo" (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos. Os humorísticos não podem dizer tudo (em especial, se o humor depende de apelo politicamente incorreto, de coisas que se pensam, e não se dizem(a)).
Exemplo é a coluna de José Simão de 22 de outubro (Folha de S. Paulo), em plena campanha presidencial. Lida no dia da publicação, era fácil dar-se conta dos fatos que o texto supunha que o leitor evocaria(b). Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva.
O texto de Simão não tem função informativa ou investigativa. Nem esta análise. Portanto, não importa saber qual das versões é verdadeira para a leitura do texto. Frequentemente (a frequência é diferente em tipos diferentes de textos) os leitores são "exigidos" de maneira especial. Não só devem descobrir o que os textos dizem, mas o que não dizem, mas é exigido para que façam sentido. Ler é "completar" um texto "incompleto". Curiosamente, se o texto já estivesse completo, seria chato. Pelo menos, não seria cômico.
POSSENTI, Sírio. Revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249010-1.asp.
Acesso em 31/1/2014.
Tendo em vista a gramática normativa, assinale a alternativa em que o pronome oblíquo átono poderia, com igual correção, ocupar uma outra posição dentro na organização frasal.
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O humor da bolinha de papel
Pensa-se que ler bem é ser capaz de descobrir ou localizar as informações contidas nos textos. Isso é verdade para textos informativos (a fórmula de remédios, a altura do Everest, o endereço da festa, etc.). Mas nem todo texto é informativo ou só informativo.
Por exemplo, matéria da Folha de S. Paulo (2/4/2010) dizia que era opinião de Marina da Silva que a falta de diálogo entre PT e PSDB levou os governos a depender de bases parlamentares baseadas no fisiologismo. Marina comparou a aliança PT-PMDB no governo Lula à do governo Fernando Henrique Cardoso com o DEM. "O PSDB quis governar sozinho e ficou refém do DEM. E o PT quis governar sozinho e virou refém do PMDB".
A manchete que introduzia a matéria foi "Lula virou refém do PMDB, afirma Marina". O Estado de S. Paulo, no mesmo dia, publicou matéria semelhante. Mas a manchete era "Marina prega diálogo de PT e PSDB contra crise". A comparação das chamadas obriga a levar a sério que ler não é só descobrir informações.
Suponha-se que certos leitores só tivessem acesso a uma das manchetes. Quem leu só a da Folha ou a do Estado situaria Marina Silva em posições distintas. Se lesse não só as duas manchetes, mas as matérias, talvez classificasse os jornais em posições políticas diferentes (e decidiria assinar um, não o outro, por exemplo).
Muitos textos supõem leitores capazes de relacionar o que está dito com outros textos, anteriores ou paralelos. A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor "cooperativo" (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos. Os humorísticos não podem dizer tudo (em especial, se o humor depende de apelo politicamente incorreto, de coisas que se pensam, e não se dizem).
Exemplo é a coluna de José Simão de 22 de outubro (Folha de S. Paulo), em plena campanha presidencial. Lida no dia da publicação, era fácil dar-se conta dos fatos que o texto supunha que o leitor evocaria. Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva.
O texto de Simão não tem função informativa ou investigativa. Nem esta análise. Portanto, não importa saber qual das versões é verdadeira para a leitura do texto. Frequentemente (a frequência é diferente em tipos diferentes de textos) os leitores são "exigidos" de maneira especial. Não só devem descobrir o que os textos dizem, mas o que não dizem, mas é exigido para que façam sentido. Ler é "completar" um texto "incompleto". Curiosamente, se o texto já estivesse completo, seria chato. Pelo menos, não seria cômico.
POSSENTI, Sírio. Revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249010-1.asp.
Acesso em 31/1/2014.
Considere o trecho: “A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor ‘cooperativo’ (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos.”
De acordo com o texto, infere-se que o “leitor cooperativo” é aquele que, EXCETO
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O humor da bolinha de papel
Pensa-se que ler bem é ser capaz de descobrir ou localizar as informações contidas nos textos. Isso é verdade para textos informativos(b) (a fórmula de remédios, a altura do Everest, o endereço da festa, etc.). Mas nem todo texto é informativo ou só informativo.
Por exemplo, matéria da Folha de S. Paulo (2/4/2010) dizia que era opinião de Marina da Silva que a falta de diálogo entre PT e PSDB levou os governos a depender de bases parlamentares baseadas no fisiologismo(a). Marina comparou a aliança PT-PMDB no governo Lula à do governo Fernando Henrique Cardoso com o DEM. "O PSDB quis governar sozinho e ficou refém do DEM. E o PT quis governar sozinho e virou refém do PMDB".
A manchete que introduzia a matéria foi "Lula virou refém do PMDB, afirma Marina". O Estado de S. Paulo, no mesmo dia, publicou matéria semelhante. Mas a manchete era "Marina prega diálogo de PT e PSDB contra crise". A comparação das chamadas obriga a levar a sério que ler não é só descobrir informações.
Suponha-se que certos leitores só tivessem acesso a uma das manchetes. Quem leu só a da Folha ou a do Estado situaria Marina Silva em posições distintas. Se lesse não só as duas manchetes, mas as matérias, talvez classificasse os jornais em posições políticas diferentes (e decidiria assinar um, não o outro, por exemplo).
Muitos textos supõem leitores capazes de relacionar o que está dito com outros textos, anteriores ou paralelos. A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor "cooperativo" (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos(c). Os humorísticos não podem dizer tudo (em especial, se o humor depende de apelo politicamente incorreto, de coisas que se pensam, e não se dizem).
Exemplo é a coluna de José Simão de 22 de outubro (Folha de S. Paulo), em plena campanha presidencial. Lida no dia da publicação, era fácil dar-se conta dos fatos que o texto supunha que o leitor evocaria(d). Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva.
O texto de Simão não tem função informativa ou investigativa. Nem esta análise. Portanto, não importa saber qual das versões é verdadeira para a leitura do texto. Frequentemente (a frequência é diferente em tipos diferentes de textos) os leitores são "exigidos" de maneira especial. Não só devem descobrir o que os textos dizem, mas o que não dizem, mas é exigido para que façam sentido. Ler é "completar" um texto "incompleto". Curiosamente, se o texto já estivesse completo, seria chato. Pelo menos, não seria cômico.
POSSENTI, Sírio. Revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249010-1.asp.
Acesso em 31/1/2014.
Vários são os recursos expressivos usados pelo autor na construção do texto. Entre esses recursos está a intertextualidade. Marque a alternativa em que NÃO se observa o uso desse recurso.
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Pensa-se que ler bem é ser capaz de descobrir ou localizar as informações contidas nos textos. Isso é verdade para textos informativos (a fórmula de remédios, a altura do Everest, o endereço da festa, etc.). Mas nem todo texto é informativo ou só informativo.
Por exemplo, matéria da Folha de S. Paulo (2/4/2010) dizia que era opinião de Marina da Silva que a falta de diálogo entre PT e PSDB levou os governos a depender de bases parlamentares baseadas no fisiologismo. Marina comparou a aliança PT-PMDB no governo Lula à do governo Fernando Henrique Cardoso com o DEM. "O PSDB quis governar sozinho e ficou refém do DEM. E o PT quis governar sozinho e virou refém do PMDB".
A manchete que introduzia a matéria foi "Lula virou refém do PMDB, afirma Marina". O Estado de S. Paulo, no mesmo dia, publicou matéria semelhante. Mas a manchete era "Marina prega diálogo de PT e PSDB contra crise". A comparação das chamadas obriga a levar a sério que ler não é só descobrir informações.
Suponha-se que certos leitores só tivessem acesso a uma das manchetes. Quem leu só a da Folha ou a do Estado situaria Marina Silva em posições distintas. Se lesse não só as duas manchetes, mas as matérias, talvez classificasse os jornais em posições políticas diferentes (e decidiria assinar um, não o outro, por exemplo).
Muitos textos supõem leitores capazes de relacionar o que está dito com outros textos, anteriores ou paralelos. A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor "cooperativo" (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos. Os humorísticos não podem dizer tudo (em especial, se o humor depende de apelo politicamente incorreto, de coisas que se pensam, e não se dizem).
Exemplo é a coluna de José Simão de 22 de outubro (Folha de S. Paulo), em plena campanha presidencial. Lida no dia da publicação, era fácil dar-se conta dos fatos que o texto supunha que o leitor evocaria. Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva.
O texto de Simão não tem função informativa ou investigativa. Nem esta análise. Portanto, não importa saber qual das versões é verdadeira para a leitura do texto. Frequentemente (a frequência é diferente em tipos diferentes de textos) os leitores são "exigidos" de maneira especial. Não só devem descobrir o que os textos dizem, mas o que não dizem, mas é exigido para que façam sentido. Ler é "completar" um texto "incompleto". Curiosamente, se o texto já estivesse completo, seria chato. Pelo menos, não seria cômico.
POSSENTI, Sírio. Revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249010-1.asp.
Acesso em 31/1/2014.
Assinale a alternativa em que o termo negritado NÃO constitui um elemento anafórico.
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O humor da bolinha de papel
Pensa-se que ler bem é ser capaz de descobrir ou localizar as informações contidas nos textos. Isso é verdade para textos informativos (a fórmula de remédios, a altura do Everest, o endereço da festa, etc.). Mas nem todo texto é informativo ou só informativo.
Por exemplo, matéria da Folha de S. Paulo (2/4/2010) dizia que era opinião de Marina da Silva que a falta de diálogo entre PT e PSDB levou os governos a depender de bases parlamentares baseadas no fisiologismo. Marina comparou a aliança PT-PMDB no governo Lula à do governo Fernando Henrique Cardoso com o DEM. "O PSDB quis governar sozinho e ficou refém do DEM. E o PT quis governar sozinho e virou refém do PMDB".
A manchete que introduzia a matéria foi "Lula virou refém do PMDB, afirma Marina". O Estado de S. Paulo, no mesmo dia, publicou matéria semelhante. Mas a manchete era "Marina prega diálogo de PT e PSDB contra crise". A comparação das chamadas obriga a levar a sério que ler não é só descobrir informações.
Suponha-se que certos leitores só tivessem acesso a uma das manchetes. Quem leu só a da Folha ou a do Estado situaria Marina Silva em posições distintas. Se lesse não só as duas manchetes, mas as matérias, talvez classificasse os jornais em posições políticas diferentes (e decidiria assinar um, não o outro, por exemplo).
Muitos textos supõem leitores capazes de relacionar o que está dito com outros textos, anteriores ou paralelos. A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor "cooperativo" (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos. Os humorísticos não podem dizer tudo (em especial, se o humor depende de apelo politicamente incorreto, de coisas que se pensam, e não se dizem).
Exemplo é a coluna de José Simão de 22 de outubro (Folha de S. Paulo), em plena campanha presidencial. Lida no dia da publicação, era fácil dar-se conta dos fatos que o texto supunha que o leitor evocaria. Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva.
O texto de Simão não tem função informativa ou investigativa. Nem esta análise. Portanto, não importa saber qual das versões é verdadeira para a leitura do texto. Frequentemente (a frequência é diferente em tipos diferentes de textos) os leitores são "exigidos" de maneira especial. Não só devem descobrir o que os textos dizem, mas o que não dizem, mas é exigido para que façam sentido. Ler é "completar" um texto "incompleto". Curiosamente, se o texto já estivesse completo, seria chato. Pelo menos, não seria cômico.
POSSENTI, Sírio. Revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249010-1.asp.
Acesso em 31/1/2014.
Ao longo do texto, percebe-se o uso reiterado das aspas. Esses usos assinalam a presença de, EXCETO
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UM BAND-AID NA ALMA
Não gosto de escrever sobre datas marcadas, mas às vezes acontece. Em cada virada de ano somos sacudidos por sentimentos positivos e negativos quanto a essas festas que para muitos são tormento. Vale a história do copo meio cheio ou meio vazio. Para alguns é tempo de melancolia: choramos os que morreram, os que nos traíram, os que foram embora, os desejos frustrados, os sonhos perdidos, a fortuna dissipada, o emprego ruim, o salário pior ainda, a família pouco amorosa, a situação do país, do mundo, de tudo. Muitos acorrem aos consultórios de psicólogos e psiquiatras: haja curativo para nossa mágoa e autovitimização.
Se formos mais otimistas, encararemos o ano passado, a vida passada, o eu que já fomos, como transições naturais. Não é preciso encarar a juventude, os primeiros sucessos, o começo de uma relação que já foi encantada, como perda irremediável: tudo continua com a gente. Em lugar de detestar estes dias, podemos inventar e até curtir qualquer celebração que reúna amigos ou família. Não é essencial ser religioso: se os sentimentos, a família, as amizades, a relação amorosa forem áridos, invocar Deus não vai adiantar. Mas celebrar é vital – e nada como algumas datas marcadas para lembrar que a vida não é apenas luta; é também a possível alegria. Não precisa ser com champanhe caro nem presentes que vão nos endividar pelo ano inteiro: basta algum gesto afetuoso verdadeiro, um calor humano que abrande aquelas feridas da alma que sempre temos.
Quanto aos projetos, é melhor evitar aquela lista de impossíveis. Importa cuidar mais da relação, ser mais gentil com os pais e menos crítico com os filhos, falar mais com os amigos, sair da redoma da amargura e abrir-se para o outro. Ser fiel, ser sincero, ser bondoso: a primeira coisa num namorado ou namorada, eu dizia sempre a meus filhos e hoje digo aos netos, é que seja uma boa pessoa, leal, gentil. O grosseiro é inadmissível. O ignorante é uma tristeza. O falso, cínico ou infiel, é bom manter longe. Mas ainda que sem brilho, um bom amor, um bom amigo, um bom pai e mãe, um bom filho, fazem a festa.
O resto são castanhas e espumantes, ou – para quem não bebe – qualquer coisa que faça cócegas no coração. Que faça sorrir. Mesmo para os descrentes, nestes dias algo mágico circula por este mundo nem sempre bonito nem bom. Mas, se nosso projeto for o eterno perder 10 quilos, conseguir (isso não se consegue, acontece…) uma namorada gostosa ou um marido rico – ou, quem sabe, uma parceira carinhosa –, ganhar na loteria, vingar-se dos desafetos e mostrar quem é o bom, é melhor esquecer: não valerão a pena a festa nem o novo ano, pois vai ser tudo mentira, oco e vazio. Também é aconselhável deixar em segundo plano nestas datas a ideia de consertar o país: não vamos reinventar a democracia, a justiça, a igualdade, a honradez e o bem-estar geral. Não vamos evitar o desperdício de dinheiro nosso, o abandono dos flagelados, o horror das prisões, as falhas na justiça, a violência, a insegurança, enfim, deixa pra lá.
Vale mandar um pensamento, e, se for o caso, uma oração, aos que vivem privações emocionais ou materiais, que trabalham além do humanamente suportável, que perderam o amor de sua vida ou um filho amado, que foram esquecidos e decepcionados, que nesta data não vão escutar nem uma voz cálida ao telefone. E, para as nossas dores pessoais inevitáveis, a gente inventa um metafórico curativo para que o coração se comova, o sorriso se abra, o abraço encerre aqueles a quem dedicamos – e nos dedicam – algum afeto verdadeiro. Repito que valem todos os projetos e afetos, banais ou ousados, mas possíveis. Podem ser pequenos como um Band-Aid: apesar dos nossos defeitos, a boa vontade, a gentileza, a licença que nos daremos para agradecer o dom da vida hão de nos iluminar melhor do que as antigas velas ou as modernas luzinhas.
Vamos nos permitir, sobretudo, a alegria perdida no cansaço de tanta correria. Ela ainda existe: sabendo procurar, a gente a encontra.
(LUFT, Lya. Um Band-Aid na alma. Revista Veja.
São Paulo, 1.º de janeiro de 2014.)
“Vale a história do copo meio cheio ou meio vazio.”
De acordo com o sentido do texto, a expressão sublinhada pode ser compreendida como todas as definições abaixo, EXCETO
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UM BAND-AID NA ALMA
Não gosto de escrever sobre datas marcadas, mas às vezes acontece. Em cada virada de ano somos sacudidos por sentimentos positivos e negativos quanto a essas festas que para muitos são tormento. Vale a história do copo meio cheio ou meio vazio. Para alguns é tempo de melancolia: choramos os que morreram, os que nos traíram, os que foram embora, os desejos frustrados, os sonhos perdidos, a fortuna dissipada, o emprego ruim, o salário pior ainda, a família pouco amorosa, a situação do país, do mundo, de tudo. Muitos acorrem aos consultórios de psicólogos e psiquiatras: haja curativo para nossa mágoa e autovitimização.
Se formos mais otimistas, encararemos o ano passado, a vida passada, o eu que já fomos, como transições naturais. Não é preciso encarar a juventude, os primeiros sucessos, o começo de uma relação que já foi encantada, como perda irremediável: tudo continua com a gente. Em lugar de detestar estes dias, podemos inventar e até curtir qualquer celebração que reúna amigos ou família. Não é essencial ser religioso: se os sentimentos, a família, as amizades, a relação amorosa forem áridos, invocar Deus não vai adiantar. Mas celebrar é vital – e nada como algumas datas marcadas para lembrar que a vida não é apenas luta; é também a possível alegria. Não precisa ser com champanhe caro nem presentes que vão nos endividar pelo ano inteiro: basta algum gesto afetuoso verdadeiro, um calor humano que abrande aquelas feridas da alma que sempre temos.
Quanto aos projetos, é melhor evitar aquela lista de impossíveis. Importa cuidar mais da relação, ser mais gentil com os pais e menos crítico com os filhos, falar mais com os amigos, sair da redoma da amargura e abrir-se para o outro. Ser fiel, ser sincero, ser bondoso: a primeira coisa num namorado ou namorada, eu dizia sempre a meus filhos e hoje digo aos netos, é que seja uma boa pessoa, leal, gentil. O grosseiro é inadmissível. O ignorante é uma tristeza. O falso, cínico ou infiel, é bom manter longe. Mas ainda que sem brilho, um bom amor, um bom amigo, um bom pai e mãe, um bom filho, fazem a festa.
O resto são castanhas e espumantes, ou – para quem não bebe – qualquer coisa que faça cócegas no coração. Que faça sorrir. Mesmo para os descrentes, nestes dias algo mágico circula por este mundo nem sempre bonito nem bom. Mas, se nosso projeto for o eterno perder 10 quilos, conseguir (isso não se consegue, acontece…) uma namorada gostosa ou um marido rico – ou, quem sabe, uma parceira carinhosa –, ganhar na loteria, vingar-se dos desafetos e mostrar quem é o bom, é melhor esquecer: não valerão a pena a festa nem o novo ano, pois vai ser tudo mentira, oco e vazio. Também é aconselhável deixar em segundo plano nestas datas a ideia de consertar o país: não vamos reinventar a democracia, a justiça, a igualdade, a honradez e o bem-estar geral. Não vamos evitar o desperdício de dinheiro nosso, o abandono dos flagelados, o horror das prisões, as falhas na justiça, a violência, a insegurança, enfim, deixa pra lá.
Vale mandar um pensamento, e, se for o caso, uma oração, aos que vivem privações emocionais ou materiais, que trabalham além do humanamente suportável, que perderam o amor de sua vida ou um filho amado, que foram esquecidos e decepcionados, que nesta data não vão escutar nem uma voz cálida ao telefone. E, para as nossas dores pessoais inevitáveis, a gente inventa um metafórico curativo para que o coração se comova, o sorriso se abra, o abraço encerre aqueles a quem dedicamos – e nos dedicam – algum afeto verdadeiro. Repito que valem todos os projetos e afetos, banais ou ousados, mas possíveis. Podem ser pequenos como um Band-Aid: apesar dos nossos defeitos, a boa vontade, a gentileza, a licença que nos daremos para agradecer o dom da vida hão de nos iluminar melhor do que as antigas velas ou as modernas luzinhas.
Vamos nos permitir, sobretudo, a alegria perdida no cansaço de tanta correria. Ela ainda existe: sabendo procurar, a gente a encontra.
(LUFT, Lya. Um Band-Aid na alma. Revista Veja.
São Paulo, 1.º de janeiro de 2014.)
A autora afirma que, a cada virada de ano, somos sacudidos por pensamentos negativos e positivos. Entre eles, NÃO se encontra:
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O humor da bolinha de papel
Pensa-se que ler bem é ser capaz de descobrir ou localizar as informações contidas nos textos. Isso é verdade para textos informativos (a fórmula de remédios, a altura do Everest, o endereço da festa, etc.). Mas nem todo texto é informativo ou só informativo.
Por exemplo, matéria da Folha de S. Paulo (2/4/2010) dizia que era opinião de Marina da Silva que a falta de diálogo entre PT e PSDB levou os governos a depender de bases parlamentares baseadas no fisiologismo. Marina comparou a aliança PT-PMDB no governo Lula à do governo Fernando Henrique Cardoso com o DEM. "O PSDB quis governar sozinho e ficou refém do DEM. E o PT quis governar sozinho e virou refém do PMDB".
A manchete que introduzia a matéria foi "Lula virou refém do PMDB, afirma Marina". O Estado de S. Paulo, no mesmo dia, publicou matéria semelhante. Mas a manchete era "Marina prega diálogo de PT e PSDB contra crise". A comparação das chamadas obriga a levar a sério que ler não é só descobrir informações.
Suponha-se que certos leitores só tivessem acesso a uma das manchetes. Quem leu só a da Folha ou a do Estado situaria Marina Silva em posições distintas. Se lesse não só as duas manchetes, mas as matérias, talvez classificasse os jornais em posições políticas diferentes (e decidiria assinar um, não o outro, por exemplo).
Muitos textos supõem leitores capazes de relacionar o que está dito com outros textos, anteriores ou paralelos. A quantidade de passagens em que um texto pede um leitor "cooperativo" (Umberto Eco) varia segundo a natureza dos textos. Os humorísticos não podem dizer tudo (em especial, se o humor depende de apelo politicamente incorreto, de coisas que se pensam, e não se dizem).
Exemplo é a coluna de José Simão de 22 de outubro (Folha de S. Paulo), em plena campanha presidencial. Lida no dia da publicação, era fácil dar-se conta dos fatos que o texto supunha que o leitor evocaria. Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva.
O texto de Simão não tem função informativa ou investigativa. Nem esta análise. Portanto, não importa saber qual das versões é verdadeira para a leitura do texto. Frequentemente (a frequência é diferente em tipos diferentes de textos) os leitores são "exigidos" de maneira especial. Não só devem descobrir o que os textos dizem, mas o que não dizem, mas é exigido para que façam sentido. Ler é "completar" um texto "incompleto". Curiosamente, se o texto já estivesse completo, seria chato. Pelo menos, não seria cômico.
POSSENTI, Sírio. Revistalingua.uol.com.br/textos/63/artigo249010-1.asp.
Acesso em 31/1/2014.
Considere o trecho: “Lida mais tarde, é possível que a memória do leitor o traia. Um evento fundamental à compreensão do texto envolveu o então candidato José Serra. Numa versão, ele foi atingido antes por um papel amassado e depois por um rolo de fita adesiva.”
Em relação à organização sintática do trecho, é correto afirmar, EXCETO
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UM BAND-AID NA ALMA
Não gosto de escrever sobre datas marcadas, mas às vezes acontece. Em cada virada de ano somos sacudidos por sentimentos positivos e negativos quanto a essas festas que para muitos são tormento. Vale a história do copo meio cheio ou meio vazio. Para alguns é tempo de melancolia: choramos os que morreram, os que nos traíram, os que foram embora, os desejos frustrados, os sonhos perdidos, a fortuna dissipada, o emprego ruim, o salário pior ainda, a família pouco amorosa, a situação do país, do mundo, de tudo. Muitos acorrem aos consultórios de psicólogos e psiquiatras: haja curativo para nossa mágoa e autovitimização.
Se formos mais otimistas, encararemos o ano passado, a vida passada, o eu que já fomos, como transições naturais. Não é preciso encarar a juventude, os primeiros sucessos, o começo de uma relação que já foi encantada, como perda irremediável: tudo continua com a gente. Em lugar de detestar estes dias, podemos inventar e até curtir qualquer celebração que reúna amigos ou família. Não é essencial ser religioso: se os sentimentos, a família, as amizades, a relação amorosa forem áridos, invocar Deus não vai adiantar. Mas celebrar é vital – e nada como algumas datas marcadas para lembrar que a vida não é apenas luta; é também a possível alegria. Não precisa ser com champanhe caro nem presentes que vão nos endividar pelo ano inteiro: basta algum gesto afetuoso verdadeiro, um calor humano que abrande aquelas feridas da alma que sempre temos.
Quanto aos projetos, é melhor evitar aquela lista de impossíveis. Importa cuidar mais da relação, ser mais gentil com os pais e menos crítico com os filhos, falar mais com os amigos, sair da redoma da amargura e abrir-se para o outro. Ser fiel, ser sincero, ser bondoso: a primeira coisa num namorado ou namorada, eu dizia sempre a meus filhos e hoje digo aos netos, é que seja uma boa pessoa, leal, gentil. O grosseiro é inadmissível. O ignorante é uma tristeza. O falso, cínico ou infiel, é bom manter longe. Mas ainda que sem brilho, um bom amor, um bom amigo, um bom pai e mãe, um bom filho, fazem a festa.
O resto são castanhas e espumantes, ou – para quem não bebe – qualquer coisa que faça cócegas no coração. Que faça sorrir. Mesmo para os descrentes, nestes dias algo mágico circula por este mundo nem sempre bonito nem bom. Mas, se nosso projeto for o eterno perder 10 quilos, conseguir (isso não se consegue, acontece…) uma namorada gostosa ou um marido rico – ou, quem sabe, uma parceira carinhosa –, ganhar na loteria, vingar-se dos desafetos e mostrar quem é o bom, é melhor esquecer: não valerão a pena a festa nem o novo ano, pois vai ser tudo mentira, oco e vazio. Também é aconselhável deixar em segundo plano nestas datas a ideia de consertar o país: não vamos reinventar a democracia, a justiça, a igualdade, a honradez e o bem-estar geral. Não vamos evitar o desperdício de dinheiro nosso, o abandono dos flagelados, o horror das prisões, as falhas na justiça, a violência, a insegurança, enfim, deixa pra lá.
Vale mandar um pensamento, e, se for o caso, uma oração, aos que vivem privações emocionais ou materiais, que trabalham além do humanamente suportável, que perderam o amor de sua vida ou um filho amado, que foram esquecidos e decepcionados, que nesta data não vão escutar nem uma voz cálida ao telefone. E, para as nossas dores pessoais inevitáveis, a gente inventa um metafórico curativo para que o coração se comova, o sorriso se abra, o abraço encerre aqueles a quem dedicamos – e nos dedicam – algum afeto verdadeiro. Repito que valem todos os projetos e afetos, banais ou ousados, mas possíveis. Podem ser pequenos como um Band-Aid: apesar dos nossos defeitos, a boa vontade, a gentileza, a licença que nos daremos para agradecer o dom da vida hão de nos iluminar melhor do que as antigas velas ou as modernas luzinhas.
Vamos nos permitir, sobretudo, a alegria perdida no cansaço de tanta correria. Ela ainda existe: sabendo procurar, a gente a encontra.
(LUFT, Lya. Um Band-Aid na alma. Revista Veja.
São Paulo, 1.º de janeiro de 2014.)
Analise o trecho: “O resto são castanhas e espumantes, ou – para quem não bebe – qualquer coisa que faça cócegas no coração.”
Pode-se afirmar que, nesse contexto, os travessões foram usados para
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