Foram encontradas 548 questões.
Considere a crônica a seguir, escrita pelo jornalista brasileiro Paulo Mendes Campos e publicada originalmente
na década de 1960, para responder à questão.
Brasil brasileiro
Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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Considere a crônica a seguir, escrita pelo jornalista brasileiro Paulo Mendes Campos e publicada originalmente
na década de 1960, para responder à questão.
Brasil brasileiro
Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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Brasil brasileiro
Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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na década de 1960, para responder à questão.
Brasil brasileiro
Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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na década de 1960, para responder à questão.
Brasil brasileiro
Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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Considere a crônica a seguir, escrita pelo jornalista brasileiro Paulo Mendes Campos e publicada originalmente
na década de 1960, para responder à questão.
Brasil brasileiro
Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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Considere a crônica a seguir, escrita pelo jornalista brasileiro Paulo Mendes Campos e publicada originalmente
na década de 1960, para responder à questão.
Brasil brasileiro
Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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Questão presente nas seguintes provas
Considere a crônica a seguir, escrita pelo jornalista brasileiro Paulo Mendes Campos e publicada originalmente
na década de 1960, para responder à questão.
Brasil brasileiro
Uma vez, numa recepção da nossa embaixada em Londres, uma dama inglesa, depois de ouvir a Aquarela
do Brasil, estranhou ironicamente a associação dos termos “Brasil brasileiro”. A França é francesa, dizia, a
Inglaterra é inglesa, o Afeganistão é afegane, sem que se precise dizer... Minha senhora, respondeu-lhe alguém,
é que o Brasil é muito brasileiro, é o único país brasileiro do mundo, e só quem nos conheça bem será capaz
de entender isto...
Em fase de transição econômica há alguns anos, em fase de reforma desde a mudança do governo, às
vezes penso que o Brasil corre o risco de se tornar pouco brasileiro em alguns sintomas essenciais da nossa
maneira coletiva de ser. Nem sempre é fácil distinguir as virtudes e os defeitos tipicamente brasileiros, havendo
possibilidade de muitos erros de conceituação.
Dentro da relatividade histórica, Dom Pedro I foi muito brasileiro; Dom Pedro II, igualmente. Pois eu acho
que o primeiro possuía vários defeitos essenciais ao caráter brasileiro, enquanto o segundo cultivava virtudes
que podiam ser banidas da nossa formação, virtudes bastante monótonas ou bobocas. A impontualidade em si
é um mal; no Brasil, entretanto, ela é necessária, uma defesa contra o clima e as melancolias do
subdesenvolvimento. Deixar para amanhã o que se pode fazer hoje é outro demérito que não se pode extinguir
da alma nacional.
Uma finta de Garrincha, uma cabeçada de Pelé, uma folha-seca de Didi são parábolas perfeitas de
comportamento brasileiro diante dos problemas da existência. Eles maliciam, eles inventam, eles dão um
jeitinho. Já cuspir no chão e insultar as formas elementares da higiene são também constantes brasileiras, mas
devem ser combatidas furiosamente. Ter horror à pena de morte é um sentimentalismo brasileiro da mais fina
intuição progressista; cultivar o entreguismo da saudade já me parece uma capitulação inútil.
“Deixa isso pra lá” é uma simpática fórmula do perdão nacional; já “o rouba, mas faz” é uma ignorância
vertiginosa. Valorizar em partes iguais a ação e o devaneio (dum lado o trabalho, do outro sombra e água fresca)
é uma intuição brasileira que promete uma síntese do dinamismo do ocidente e a contemplação oriental.
O andar da mulher brasileira, como o café, é uma das grandes riquezas pátrias. Mas o ostensivo e verboso
donjuanismo brasileiro, sobretudo no exterior, é uma praga. Achar-se irresistível é uma das constantes mais
antipáticas do homem verde e amarelo. O relato impudente de façanhas amorosas, a mitomania erótica, o
desrespeito agressivo à dignidade da mulher, são desgraçadamente coisas muito brasileiras.
(“Brasil brasileiro”, por Paulo Mendes Campos, com adaptações)
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Considere a crônica a seguir, escrita por Rubem Braga, para responder à questão.
Boa educação
Um jornal está fazendo uma campanha a favor das boas maneiras. Eu não sou propriamente o que se
convencionou chamar “uma dama”, e até hoje um amigo meu ri muito quando lembra que fui fazer uma
reportagem perigosa e difícil confiando em minha simpatia pessoal, quando, em seu entender, o meu tipo é mais
daqueles que inspiram a outras pessoas a frase “não sei, mas não vou com a cara daquele sujeito”. No fundo,
está visto, sou uma flor. Mas a questão que se levanta não é de fundo, é exatamente de forma.
O jornal tem razão, o carioca, outrora alegre e gentil, virou grosseiro e irritadiço. Sai de casa pela manhã
como se não vivesse entre um povo cristão em uma cidade bonita, sai disposto a enfrentar sua batalha do Rio
de Janeiro de todo o dia. Mantém para com o colega de bonde, ônibus ou lotação uma atitude de “neutralidade
antipática” e para com o motorista ou cobrador de “beligerância em potencial”. Não cede o lugar a nenhuma
senhora e defende a tese de que todas as senhoras e senhoritas vão à cidade apenas comprar um carretel de
linha: e quando cede o lugar a uma bonita acha que adquiriu com isso o direito de ser louca e imediatamente
amado pela mesma.
O chofer considera a todo colega um “barbeiro” e todo pedestre um débil mental com propensão ao
suicídio. O garçom irrita-se porque o freguês tem a ousadia de lhe pedir alguma coisa e cada freguês acredita
ter o privilégio de ser servido em primeiro lugar. Em resumo: o próximo, a quem outrora chamávamos de
“cavalheiro”, é hoje “um palhaço”.
Há muitas explicações para isso; a crise é a principal. Mas essa crise é também uma crise de confiança.
Um homem que se disponha a ser delicado acaba suspeito. E um sujeito que “não se impõe”, isto é, não tem
importância, podemos tranquilamente tratá-lo com desaforo. Quanto às damas, elas se habituaram a ver em
qualquer gesto de cortesia uma tentativa de abordagem.
Qual é o remédio? Eu proporia uma série de exemplos vindos do alto, isto é, do governo. Não digo que o
funcionário atrás do guichê fosse obrigado a nos receber com um sorriso encantador, nem que os rapazes do
Socorro Urgente saltassem do carro com saquinhos de jujuba na mão para distribuir pelos transeuntes – mas
também não precisavam rosnar nem dar pancadas antes de saber o que há. Esses são os exemplos que nos
dá, diariamente, o Poder Executivo; quanto ao Legislativo… Mas sejamos delicados; não falemos dessas coisas.
(“Boa educação”, de Rubem Braga, com adaptações).
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