Foram encontradas 25 questões.
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 1 a seguir para responder às questões que a ele se referem.
Texto 1
Hoje não, amanhã!
Margot Cardoso
1 Finalmente escrevo sobre um tema que eu domino completamente: a procrastinação. Sou detentora de
recordes olímpicos nessa modalidade. Inclusive, há muito tempo procrastino pensar sobre a procrastinação —
inclusive tenho procrastinado a escrever sobre o assunto. E, agora mesmo — antes de iniciar este parágrafo —
estive à deriva na internet. Já percorri as salas virtuais do Museu Rodin, em Paris; vi como estava o tempo em
5 Bruxelas, vi a agenda de hoje do Parlamento europeu, admirei a última coleção da Miu Miu, visualizei a página da
BBC News e observei os gráficos das temperaturas médias do ar no planeta. E, em meio a isso tudo, reli trechos do
livro Os Filósofos e o Amor — que acabei de ler e passei os olhos sobre o prólogo do livro que comprei ontem A
Sociedade Paliativa, de Byung-Chul Han.
E como se não bastassem todas essas distrações, quando começo a pensar no ato de procrastinar, ainda
10 divago e penso que a questão realmente importante é: por que razão uma pessoa tem de escolher viver uma vida se
pode passá-la obsessivamente a clicar em diversas outras vidas possíveis? Veja o tamanho — e a criatividade — da
minha capacidade de procrastinar. E isso tudo porque a minha ideia era ter começado a escrever este texto ontem.
Apesar da palavra ser pouco usada na oralidade nossa de cada dia, todos sabemos do que se trata.
Procrastinar é adiar, postergar, enrolar, “empurrar com a barriga”, deixar para amanhã, perder o foco, ocupar-se de
15 outras coisas “menos importantes”. Humano, o ato de procrastinar está em nós desde o início dos tempos. O filósofo
Sêneca, um mentor para todas as horas, escreveu que, “enquanto desperdiçamos nosso tempo hesitando e adiando,
a vida se dissipa”. Muito antes dele, Hesíodo — a quem devemos o conhecimento mitológico da origem do mundo —
aconselhou, na obra Os Trabalhos e os Dias, “Não adies para amanhã, nem para depois de amanhã; celeiros não se
enchem por aqueles que postergam e dedicam seu tempo ao infrutífero”.
20 Agora imagina que Hesíodo (650 a.C.) e Sêneca (4 a.C.) já denunciavam a procrastinação antes das
inúmeras distrações modernas, como a internet. E, claro, há muito mais procrastinadores hoje. Porque quanto mais
opções, mais demoramos para decidir por uma delas. Passamos a analisar cada escolha e o gasto de energia nessa
tarefa leva-nos à paralisia. Por qual caminho optar? E se esse for o caminho errado? E se eu me arrepender?
Incapaz de decidir, paralisamos, e eis que a procrastinação se materializa bem diante dos nossos olhos. Você sabe
25 do que se trata. Há uma semana, você experienciou esse processo. E agora, neste momento, sua mente está em
turbilhão. Você não tem certeza de que fez a escolha certa. Pensa que deveria ter optado pela escolha oposta. Você
imagina como estaria se tivesse optado pela opção três. Vê com clareza consequências nefastas da opção um (a
escolhida), está arrependido. Você tem a nítida impressão de que deveria ter esperado mais, isto é, ter
procrastinado. Agora é tarde demais para mudar de ideia. Porém, diante desse drama, há grandes chances de você
30 — de agora em diante, acovardado — ser mais procrastinador.
Porém, procrastinar pode ser tão doloroso quanto a nossa falta de talento para fazer escolhas e ações de
qualidade. Ela está entre as grandes barreiras para a satisfação de viver. É sabido que lamentamos mais do que não
fizemos do que fizemos. O arrependimento e a culpa podem nos perseguir até o fim da vida por aquilo que não
fizemos (ou não dissemos), muito mais do que aquilo que efetivamente fizemos.
35 E por que isso é tão dramático? Ora, [...] não temos todo o tempo do mundo. À luz desse fato, o tempo é o
nosso bem mais precioso. Mais do que o dinheiro. Diferentemente do dinheiro, o tempo não se ganha, não se
compra. Por isso, sentimos culpa quando pensamos que estamos desperdiçando o nosso tempo. E daí todo o malestar
gerado pelo ato de procrastinar.
Que atire a primeira pedra quem — de vez em quando — não adie uma tarefa difícil, entediante ou
40 desagradável, e se atire a outras mais fáceis e prazerosas, porém menos importantes? Os politicamente corretos
tentam diferenciar procrastinação e preguiça? Não é. São exatamente a mesma coisa: negligenciar ou descuidar das
coisas que tem a obrigação de fazer. A preguiça não é bem-vista. Considerada um dos sete pecados capitais, ela
nos atormenta. Não deveria. Todos temos direito à preguiça. Temos o direito a procrastinar. Assim, como temos o
direito de relaxar, divagar e se “ausentar” quando a mente e o corpo pedem. Então, por que a vergonha e o drama da
45 preguiça/procrastinação? Ora, porque o procrastinador pode deixar de cumprir uma tarefa ou falhar um prazo. E isso
para a nossa sociedade da competência — e do sucesso a todo custo — é considerado um desastre. [...]
Porém, aos poucos, essa caça às bruxas procrastinadoras vem sendo suavizada. Já há estudos que
associam o ato de procrastinar à qualidade do pensamento e das decisões. Agora, admite-se que há uma
procrastinação boa e outra má. Há o procrastinador ativo que adia tarefas, mas faz outras tarefas mais importantes
50 ou mais urgentes. E há o passivo. O que não faz nada e desperdiça o tempo.
E aqui descobrimos algo maravilhoso da procrastinação: ela faz parte da excelência. Há realmente tarefas
na vida que se beneficiam da procrastinação. Às vezes, procrastinar é um indicador de que devemos mesmo
esperar. Se você é um caso extremo de procrastinação, que atrapalha a sua vida e a dos outros, você talvez precise
da ajuda. [...] Caso contrário, ela não é necessariamente má. [...]
Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/procrastinar-hoje-nao-amanha/. Acesso em: 22 dez. 2021. Adaptado.
Analise os trechos a seguir e as afirmativas que a eles se referem, tendo em vista a sua organização sintática.
1. “E, agora mesmo — antes de iniciar este parágrafo — estive à deriva na internet.” (Linhas 3-4)
2. “E, em meio a isso tudo, reli trechos do livro Os Filósofos e o Amor — que acabei de ler [...]” (Linhas 6-7)
3. “Muito antes dele, Hesíodo — a quem devemos o conhecimento mitológico da origem do mundo — aconselhou, na obra Os Trabalhos e os Dias [...]” (Linhas 17-18)
4. “Porém, diante desse drama, há grandes chances de você — de agora em diante, acovardado — ser mais procrastinador.” (Linhas 29-30)
5. Que atire a primeira pedra quem — de vez em quando — não adie uma tarefa difícil, entediante ou desagradável, e se atire a outras mais fáceis e prazerosas [...]” (Linhas 39-40)
I - No trecho 1, os travessões foram usados de acordo com a norma, para intercalar adjunto adverbial oracional antecipado, os quais, com igual correção, poderiam ser substituídos por vírgulas.
II - Nos trechos 2 e 3, o itálico foi usado para indicar título de obra, o qual poderia ser substituído, com igual correção por aspas duplas.
III - O trecho 4 foi iniciado por uma conjunção coordenativa adversativa, seguida do termo “diante desse drama”, o qual se encontra intercalado por vírgula por se tratar de uma expressão adverbial antecipada.
IV - No trecho 5, os travessões foram usados de acordo com a norma, para separar adjunto adverbial oracional antecipado, os quais, com igual correção, poderiam ser substituídos por vírgulas.
Estão CORRETAS as afirmativas
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Diversos clientes de e-mail estão disponíveis no mercado, como por exemplo Thunderbird, Outlook Express, Mailbird, entre outros. Comumente os protocolos POP3 e IMAP são utilizados nesses programas para, respectivamente,
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Um usuário da suíte de escritório LibreOffice inseriu uma imagem dentro do processador de texto Writer. Nesse caso, o recurso “Ancorar como Caractere” pode ser usado para
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Uma das grandes funcionalidades presentes no Microsoft Windows 10 é justamente a capacidade de realizar tarefas a partir da instrumentação de atalhos de teclado. Esse recurso permite que o usuário realize rapidamente tarefas durante a execução dos seus trabalhos. No Windows 10, a combinação de teclas necessárias para tirar e salvar um screenshot de toda a área de trabalho em disco, automaticamente, é:
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- Interpretação de TextosNíveis de Linguagem
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisCharges
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 2 e responda às questões que a ele se referem.
Texto 2

Disponível em: http://bichinhosdejardim.com/. Acesso em: 28 dez. 2021.
Analise os itens a seguir, tendo em vista os recursos de linguagem usados na construção do texto.
I. Registro formal
II. Registro Informal.
III. Prosopopeia.
IV. Linguagem verbal
V. Linguagem não verbal.
Estão CORRETOS os itens
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- Interpretação de TextosPressupostos e Subentendidos
- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualGêneros TextuaisCharges
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 2 e responda às questões que a ele se referem.
Texto 2

Disponível em: http://bichinhosdejardim.com/. Acesso em: 28 dez. 2021.
Tendo em vista as ideias veiculadas no texto, o uso da internet
I. é contraproducente.
II. proporciona descanso.
III. provoca doenças.
IV. dificulta a concentração.
V. facilita a dispersão.
Estão CORRETOS os itens
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Um roteador é um dispositivo capaz de interligar redes de computadores. Outra possibilidade de uso desse dispositivo é como um Access Point (Ponto de Acesso). Nesse caso, o recurso WDS, presente em alguns Access Points, serve para
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INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 1 a seguir para responder às questões que a ele se referem.
Texto 1
Hoje não, amanhã!
Margot Cardoso
1 Finalmente escrevo sobre um tema que eu domino completamente: a procrastinação. Sou detentora de
recordes olímpicos nessa modalidade. Inclusive, há muito tempo procrastino pensar sobre a procrastinação —
inclusive tenho procrastinado a escrever sobre o assunto. E, agora mesmo — antes de iniciar este parágrafo —
estive à deriva na internet. Já percorri as salas virtuais do Museu Rodin, em Paris; vi como estava o tempo em
5 Bruxelas, vi a agenda de hoje do Parlamento europeu, admirei a última coleção da Miu Miu, visualizei a página da
BBC News e observei os gráficos das temperaturas médias do ar no planeta. E, em meio a isso tudo, reli trechos do
livro Os Filósofos e o Amor — que acabei de ler e passei os olhos sobre o prólogo do livro que comprei ontem A
Sociedade Paliativa, de Byung-Chul Han.
E como se não bastassem todas essas distrações, quando começo a pensar no ato de procrastinar, ainda
10 divago e penso que a questão realmente importante é: por que razão uma pessoa tem de escolher viver uma vida se
pode passá-la obsessivamente a clicar em diversas outras vidas possíveis? Veja o tamanho — e a criatividade — da
minha capacidade de procrastinar. E isso tudo porque a minha ideia era ter começado a escrever este texto ontem.
Apesar da palavra ser pouco usada na oralidade nossa de cada dia, todos sabemos do que se trata.
Procrastinar é adiar, postergar, enrolar, “empurrar com a barriga”, deixar para amanhã, perder o foco, ocupar-se de
15 outras coisas “menos importantes”. Humano, o ato de procrastinar está em nós desde o início dos tempos. O filósofo
Sêneca, um mentor para todas as horas, escreveu que, “enquanto desperdiçamos nosso tempo hesitando e adiando,
a vida se dissipa”. Muito antes dele, Hesíodo — a quem devemos o conhecimento mitológico da origem do mundo —
aconselhou, na obra Os Trabalhos e os Dias, “Não adies para amanhã, nem para depois de amanhã; celeiros não se
enchem por aqueles que postergam e dedicam seu tempo ao infrutífero”.
20 Agora imagina que Hesíodo (650 a.C.) e Sêneca (4 a.C.) já denunciavam a procrastinação antes das
inúmeras distrações modernas, como a internet. E, claro, há muito mais procrastinadores hoje. Porque quanto mais
opções, mais demoramos para decidir por uma delas. Passamos a analisar cada escolha e o gasto de energia nessa
tarefa leva-nos à paralisia. Por qual caminho optar? E se esse for o caminho errado? E se eu me arrepender?
Incapaz de decidir, paralisamos, e eis que a procrastinação se materializa bem diante dos nossos olhos. Você sabe
25 do que se trata. Há uma semana, você experienciou esse processo. E agora, neste momento, sua mente está em
turbilhão. Você não tem certeza de que fez a escolha certa. Pensa que deveria ter optado pela escolha oposta. Você
imagina como estaria se tivesse optado pela opção três. Vê com clareza consequências nefastas da opção um (a
escolhida), está arrependido. Você tem a nítida impressão de que deveria ter esperado mais, isto é, ter
procrastinado. Agora é tarde demais para mudar de ideia. Porém, diante desse drama, há grandes chances de você
30 — de agora em diante, acovardado — ser mais procrastinador.
Porém, procrastinar pode ser tão doloroso quanto a nossa falta de talento para fazer escolhas e ações de
qualidade. Ela está entre as grandes barreiras para a satisfação de viver. É sabido que lamentamos mais do que não
fizemos do que fizemos. O arrependimento e a culpa podem nos perseguir até o fim da vida por aquilo que não
fizemos (ou não dissemos), muito mais do que aquilo que efetivamente fizemos.
35 E por que isso é tão dramático? Ora, [...] não temos todo o tempo do mundo. À luz desse fato, o tempo é o
nosso bem mais precioso. Mais do que o dinheiro. Diferentemente do dinheiro, o tempo não se ganha, não se
compra. Por isso, sentimos culpa quando pensamos que estamos desperdiçando o nosso tempo. E daí todo o malestar
gerado pelo ato de procrastinar.
Que atire a primeira pedra quem — de vez em quando — não adie uma tarefa difícil, entediante ou
40 desagradável, e se atire a outras mais fáceis e prazerosas, porém menos importantes? Os politicamente corretos
tentam diferenciar procrastinação e preguiça? Não é. São exatamente a mesma coisa: negligenciar ou descuidar das
coisas que tem a obrigação de fazer. A preguiça não é bem-vista. Considerada um dos sete pecados capitais, ela
nos atormenta. Não deveria. Todos temos direito à preguiça. Temos o direito a procrastinar. Assim, como temos o
direito de relaxar, divagar e se “ausentar” quando a mente e o corpo pedem. Então, por que a vergonha e o drama da
45 preguiça/procrastinação? Ora, porque o procrastinador pode deixar de cumprir uma tarefa ou falhar um prazo. E isso
para a nossa sociedade da competência — e do sucesso a todo custo — é considerado um desastre. [...]
Porém, aos poucos, essa caça às bruxas procrastinadoras vem sendo suavizada. Já há estudos que
associam o ato de procrastinar à qualidade do pensamento e das decisões. Agora, admite-se que há uma
procrastinação boa e outra má. Há o procrastinador ativo que adia tarefas, mas faz outras tarefas mais importantes
50 ou mais urgentes. E há o passivo. O que não faz nada e desperdiça o tempo.
E aqui descobrimos algo maravilhoso da procrastinação: ela faz parte da excelência. Há realmente tarefas
na vida que se beneficiam da procrastinação. Às vezes, procrastinar é um indicador de que devemos mesmo
esperar. Se você é um caso extremo de procrastinação, que atrapalha a sua vida e a dos outros, você talvez precise
da ajuda. [...] Caso contrário, ela não é necessariamente má. [...]
Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/procrastinar-hoje-nao-amanha/. Acesso em: 22 dez. 2021. Adaptado.
Analise as afirmativas a seguir, tendo em vista os recursos linguísticos usados na formação do título do texto.
I - O título traz a ideia de procrastinação, pois expressa que aquilo o qual deveria ou poderia ser feito hoje, será deixado para ser feito amanhã.
II - No título, a mudança da vírgula para imediatamente depois da palavra “Hoje” geraria uma alteração de sentido, já que expressaria uma ideia contrária à procrastinação.
III - O título foi construído usando-se dois advérbios, os quais expressam circunstâncias distintas, em uma frase que se classifica como verbal.
IV - O título foi formado por três advérbios os quais expressam, na ordem em que aparecem no título, as circunstâncias de tempo, negação e tempo, formando uma frase nominal exclamativa.
Estão CORRETAS as afirmativas
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Em todo processo de aprendizagem humana, a interação social e a mediação do outro têm fundamental importância. Na escola, pode-se dizer que a interação professor/aluno é imprescindível para que ocorra o sucesso no processo ensino-aprendizagem. Analise as afirmativas a seguir, acerca da relação professor/aluno:
I - O educador, para pôr em prática o diálogo, não deve se colocar na posição de detentor do saber.
II - A relação professor/aluno, de acordo com a teoria de Paulo Freire, valoriza o diálogo como instrumento para a constituição dos sujeitos.
III - Na relação professor/aluno, é frequente confundir autoridade com autoritarismo, uma vez que tanto este quanto aquela são consequências naturais do processo de aprendizagem.
Assinale a alternativa que contém a(s) afirmativa(s) CORRETA(S).
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- Interpretação de TextosTipologia e Gênero TextualTipologias TextuaisTexto Dissertativo-argumentativoEstratégias Argumentativas
INSTRUÇÃO: Leia, com atenção, o texto 1 a seguir para responder às questões que a ele se referem.
Texto 1
Hoje não, amanhã!
Margot Cardoso
1 Finalmente escrevo sobre um tema que eu domino completamente: a procrastinação. Sou detentora de
recordes olímpicos nessa modalidade. Inclusive, há muito tempo procrastino pensar sobre a procrastinação —
inclusive tenho procrastinado a escrever sobre o assunto. E, agora mesmo — antes de iniciar este parágrafo —
estive à deriva na internet. Já percorri as salas virtuais do Museu Rodin, em Paris; vi como estava o tempo em
5 Bruxelas, vi a agenda de hoje do Parlamento europeu, admirei a última coleção da Miu Miu, visualizei a página da
BBC News e observei os gráficos das temperaturas médias do ar no planeta. E, em meio a isso tudo, reli trechos do
livro Os Filósofos e o Amor — que acabei de ler e passei os olhos sobre o prólogo do livro que comprei ontem A
Sociedade Paliativa, de Byung-Chul Han.
E como se não bastassem todas essas distrações, quando começo a pensar no ato de procrastinar, ainda
10 divago e penso que a questão realmente importante é: por que razão uma pessoa tem de escolher viver uma vida se
pode passá-la obsessivamente a clicar em diversas outras vidas possíveis? Veja o tamanho — e a criatividade — da
minha capacidade de procrastinar. E isso tudo porque a minha ideia era ter começado a escrever este texto ontem.
Apesar da palavra ser pouco usada na oralidade nossa de cada dia, todos sabemos do que se trata.
Procrastinar é adiar, postergar, enrolar, “empurrar com a barriga”, deixar para amanhã, perder o foco, ocupar-se de
15 outras coisas “menos importantes”. Humano, o ato de procrastinar está em nós desde o início dos tempos. O filósofo
Sêneca, um mentor para todas as horas, escreveu que, “enquanto desperdiçamos nosso tempo hesitando e adiando,
a vida se dissipa”. Muito antes dele, Hesíodo — a quem devemos o conhecimento mitológico da origem do mundo —
aconselhou, na obra Os Trabalhos e os Dias, “Não adies para amanhã, nem para depois de amanhã; celeiros não se
enchem por aqueles que postergam e dedicam seu tempo ao infrutífero”.
20 Agora imagina que Hesíodo (650 a.C.) e Sêneca (4 a.C.) já denunciavam a procrastinação antes das
inúmeras distrações modernas, como a internet. E, claro, há muito mais procrastinadores hoje. Porque quanto mais
opções, mais demoramos para decidir por uma delas. Passamos a analisar cada escolha e o gasto de energia nessa
tarefa leva-nos à paralisia. Por qual caminho optar? E se esse for o caminho errado? E se eu me arrepender?
Incapaz de decidir, paralisamos, e eis que a procrastinação se materializa bem diante dos nossos olhos. Você sabe
25 do que se trata. Há uma semana, você experienciou esse processo. E agora, neste momento, sua mente está em
turbilhão. Você não tem certeza de que fez a escolha certa. Pensa que deveria ter optado pela escolha oposta. Você
imagina como estaria se tivesse optado pela opção três. Vê com clareza consequências nefastas da opção um (a
escolhida), está arrependido. Você tem a nítida impressão de que deveria ter esperado mais, isto é, ter
procrastinado. Agora é tarde demais para mudar de ideia. Porém, diante desse drama, há grandes chances de você
30 — de agora em diante, acovardado — ser mais procrastinador.
Porém, procrastinar pode ser tão doloroso quanto a nossa falta de talento para fazer escolhas e ações de
qualidade. Ela está entre as grandes barreiras para a satisfação de viver. É sabido que lamentamos mais do que não
fizemos do que fizemos. O arrependimento e a culpa podem nos perseguir até o fim da vida por aquilo que não
fizemos (ou não dissemos), muito mais do que aquilo que efetivamente fizemos.
35 E por que isso é tão dramático? Ora, [...] não temos todo o tempo do mundo. À luz desse fato, o tempo é o
nosso bem mais precioso. Mais do que o dinheiro. Diferentemente do dinheiro, o tempo não se ganha, não se
compra. Por isso, sentimos culpa quando pensamos que estamos desperdiçando o nosso tempo. E daí todo o malestar
gerado pelo ato de procrastinar.
Que atire a primeira pedra quem — de vez em quando — não adie uma tarefa difícil, entediante ou
40 desagradável, e se atire a outras mais fáceis e prazerosas, porém menos importantes? Os politicamente corretos
tentam diferenciar procrastinação e preguiça? Não é. São exatamente a mesma coisa: negligenciar ou descuidar das
coisas que tem a obrigação de fazer. A preguiça não é bem-vista. Considerada um dos sete pecados capitais, ela
nos atormenta. Não deveria. Todos temos direito à preguiça. Temos o direito a procrastinar. Assim, como temos o
direito de relaxar, divagar e se “ausentar” quando a mente e o corpo pedem. Então, por que a vergonha e o drama da
45 preguiça/procrastinação? Ora, porque o procrastinador pode deixar de cumprir uma tarefa ou falhar um prazo. E isso
para a nossa sociedade da competência — e do sucesso a todo custo — é considerado um desastre. [...]
Porém, aos poucos, essa caça às bruxas procrastinadoras vem sendo suavizada. Já há estudos que
associam o ato de procrastinar à qualidade do pensamento e das decisões. Agora, admite-se que há uma
procrastinação boa e outra má. Há o procrastinador ativo que adia tarefas, mas faz outras tarefas mais importantes
50 ou mais urgentes. E há o passivo. O que não faz nada e desperdiça o tempo.
E aqui descobrimos algo maravilhoso da procrastinação: ela faz parte da excelência. Há realmente tarefas
na vida que se beneficiam da procrastinação. Às vezes, procrastinar é um indicador de que devemos mesmo
esperar. Se você é um caso extremo de procrastinação, que atrapalha a sua vida e a dos outros, você talvez precise
da ajuda. [...] Caso contrário, ela não é necessariamente má. [...]
Disponível em: https://vidasimples.co/colunistas/procrastinar-hoje-nao-amanha/. Acesso em: 22 dez. 2021. Adaptado.
Analise os itens a seguir, tendo em vista os recursos usados pela autora para construir a sua argumentação.
I. Interrogações.
II. Argumentos de autoridade.
III. Referências.
IV. Expressões metafóricas.
Estão CORRETOS os itens
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