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Antônio, Benedito e Celestino tinham quantidades distintas de
bolas de gude. Antônio passou 5 de suas bolas para Benedito de
modo que ambos passaram a ter a mesma quantidade de bolas.
Em seguida, Benedito passou 3 de suas bolas para Celestino de
modo que cada um dos dois passou a ter 10 bolas de gude.
Nesse caso, é correto afirmar que, originalmente,
Nesse caso, é correto afirmar que, originalmente,
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Futebol de menino
Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa:
agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Ed. José Olympio. Rio de Janeiro. 1996.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola começa a sangrar.
Assinale a opção que apresenta o comentário ou a modificação adequada.
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Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa:
agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Ed. José Olympio. Rio de Janeiro. 1996.
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Futebol de menino
Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa:
agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Ed. José Olympio. Rio de Janeiro. 1996.
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agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
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- SintaxeFrase, Oração e PeríodoOração CoordenadaOrações Coordenadas Sindéticas
- SintaxeConectivos
- SemânticaSinônimos e Antônimos
- Interpretação de Textos
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Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa:
agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Ed. José Olympio. Rio de Janeiro. 1996.
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Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa:
agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Ed. José Olympio. Rio de Janeiro. 1996.
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Futebol de menino
Esta pracinha sem aquela pelada virou uma chatice completa:
agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Ed. José Olympio. Rio de Janeiro. 1996.
As opções abaixo indicam parágrafos do texto e sua finalidade.
Assinale a opção em que essa finalidade é indicada de forma adequada.
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agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Ed. José Olympio. Rio de Janeiro. 1996.
Assinale a opção que mostra a expressão que não colabora para essa ideia.
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agora, é uma babá que passa, empurrando, sem afeto, um bebê
de carrinho, é um par de velhos que troca silêncios num banco sem
encosto.
E, no entanto, ainda ontem, isso aqui fervia de menino, de sol,
de bola, de sonho: “Eu jogo na linha! eu sou o Pelé; no gol, eu não
jogo, tô com o joelho ralado de ontem; vou ficar aqui atrás: entrou
aqui, já sabe.” Uma gritaria, todo mundo se escalando, todo
mundo querendo tirar o selo da bola, bendito fruto de uma suada
vaquinha.
Oito de cada lado e, para não confundir, um time fica como
está; o outro joga sem camisa.
Já reparei uma coisa: bola de futebol, seja nova, seja velha, é
um ser muito compreensivo que dança conforme a música: se está
no Maracanã, numa decisão de título, ela rola e quiçá com um ar
dramático, mantendo sempre a mesma pose adulta, esteja nos pés
de Gérson ou nas mãos de um gandula.
Em compensação, num racha de menino ninguém é mais
sapeca: ela corre para cá, corre para lá, quica no meio-fio, para de
estalo no canteiro, lambe a canela de um, deixa-se espremer entre
mil canelas, depois escapa, rolando, doida, pela calçada. Parece
um bichinho.
Aqui, nessa pelada inocente é que se pode sentir a pureza de
uma bola. Afinal, trata-se de uma bola profissional, um número
cinco, cheia de carimbos ilustres: “Copa Rio-Oficial”, “FIFA –
Especial”. Uma bola assim, toda de branco, coberta de
condecorações por todos os gomos (gomos hexagonais!), jamais
seria barrada em recepção do Itamaraty.
No entanto, aí está ela, correndo para cima e para baixo, na
maior farra do mundo, disputada, maltratada até, pois, de quando
em quando, acertam-lhe um bico, ela sai zarolha, vendo estrelas,
coitadinha.
Racha é assim mesmo: tem bico, mas tem também sem-pulo
de craque como aquele do Tona, que empatou a pelada e que lava
a alma de qualquer bola. Uma pintura.
Nova saída.
Entra na praça batendo palmas como quem enxota galinha no
quintal. É um velho com cara de guarda-livros que, sem pedir
licença, invade o universo infantil de uma pelada e vai expulsando
todo mundo. Num instante, o campo está vazio, o mundo está
vazio. Não deu tempo nem de desfazer as traves feitas de camisas.
O espantalho-gente pega a bola, viva, ainda, tira do bolso um
canivete e dá-lhe a primeira espetada. No segundo golpe, a bola
começa a sangrar.
Em cada gomo o coração de uma criança.
NOGUEIRA, Armando. Bola na rede. Ed. José Olympio. Rio de Janeiro. 1996.
No texto há quatro exemplos de diminutivos: pracinha, vaquinha, bichinho e coitadinha.
Sobre eles, assinale a afirmativa correta.
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