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O ninho não mais vazio
Há dias, escrevi sobre uma amiga cujos filhos tinham acabado de sair de casa e que estava experimentando o que os psicólogos chamam de “síndrome do ninho vazio”. Aproveitei para contar que eu próprio entre o Natal e o réveillon, vivera algo parecido, só que ao pé da letra. Uma rolinha — Lola, a Rola —, fizera seu ninho no meu terraço e passara uma semana sentada sobre um ovo, do qual saiu Lolita, a Rolita. E, antes que eu tivesse o prazer de ver mãe e filha em ação, voando para lá e para cá, foram embora sem se despedir. Ali entendi a síndrome do ninho vazio.
Outro amigo, cujo conhecimento sobre os pássaros aprendi a admirar, me garantiu que Lola, a Rola não podia estar muito longe. “Ela gostou daqui”, ele disse. “Val voltar para fazer ia outro ninho”. E, para que eu não me jactasse de minhas virtudes como anfitrião, explicou-me que isso é instintivo nos pássaros. Se se sentem seguros em algum lugar, elegem-no para se aninhar. Com isso, retomei meu posto de observação — e não é que meu amigo tinha razão?
Lola, a Rola reapareceu e logo começou os trabalhos. Reconheci-a pelo estilo de gravetos que recolhe — secos, fininhos e compridos. Em poucos dias o novo ninho ficou pronto, não muito distante do ninho original, este já em escombros. Só que, agora, com uma importante colaboração: a de seu marido Rollo, o Rola, talvez como mestre de obras. O fato é que, ao contrário da primeira vez, tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.
E assim, com duas semanas de intervalo, eis-me avô de mais um ovo. Que, pela lei das probabilidades, deverá produzir um macho. E, sendo filho de Lola, a Rola e Rollo, o Rola, só poderá se chamar — claro — Rolezinho.
Não vou dizer o nome de meu amigo amador de ornitologia, Só as iniciais: Janio de Freitas,
(CASTRO, Ruy, À arte de querer bem. 1. ed. Rio de Janeiro: Sextante, 2018. p.21/ 22)
Em(...) tive várias oportunidades de ver o casal empenhado na construção.”, analisando a concordância, não é adequado afirmar:
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- Assistência SocialLei 8.742/1993: Lei Orgânica da Assistência Social (LOAS)Lei 8.742: Definições e dos Objetivos
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“Baby boomers”
De repente o mundo descobriu que a geração baby boom está em idade de se aposentar. Os baby boomers, você sabe, foram as crianças nascidas logo a seguir à Segunda Guerra, quando milhões de soldados voltaram para seus países e começaram a casar e a procriar em massa. Os que tinham ficado em casa, de ouvido na BBC, fizeram o mesmo, talvez por uma sensação de alívio, diante do apocalipse que não aconteceu, mas poderia ter acontecido — e, então, mais do que nunca, pela súbita existência da bomba atômica.
Curioso é que, em vez de partir para a esbómia em face do possível fim do mundo, os jovens do pós-guerra adotaram a singela atitude de casar e “constituir família”. Pode ser que, depois de anos em trincheiras, reais ou metafóricas, o lar lhes parecesse um casulo protetor. Dal tantos casamentos e, em meses, milhões de novos cidadãozinhos no mundo. Um deles, eu — porque, nascido em 1948, sou um legitimo baby boomer.
Bem, passaram-se décadas, e, nós, os baby boomers já podemos ser avaliados, Em vários departamentos não; fizemos feio. Ativos desde os anos 1960, revolucionamos a tecnologia, avançamos espetacularmente a medicina e as comunicações, implantamos o sexo sem culpa, a consciência ecológica, os direitos das mulheres, das minorias e dos animais, etc.
Em compensação, tornamos as cidades impraticáveis, disseminamos as drogas, destruímos o cinema e a música popular, triplicamos a pobreza, intoxicamos o planeta com publicidade, carros e agrotóxicos, compramos e vendemos armas, políticos e tudo que pudesse ser negociado — enfim, vamos deixar também uma bela lambança.
E pensar que nossos pais, quando nos conceberam, só queriam um pouco de sossego, Seleções, Ovomaltine, discos de Carlos Galhardo, uma cama quente, um pijama e, para eles, sim uma merecida aposentadoria.
(CASTRO, Ruy, A Arte de Querer Bem. p. 23/24)
A forma verbal no pretérito perfeito do indicativo é:
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Sobre os Símbolos do Munícipio de Maracanã apenas não se pode afirmar:
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Quando Deus aparece,
Tenho amigas de fé. Muitas. Uma delas, que é como uma irmã, me escreveu um e-mail poético, dias desses. Ela comentava, em detalhes, sobre o recital que assistiu do pianista Nelson Freire, recentemente. Tomada pela comoção durante o espetáculo, ela finalizou o e-mail assim: “Nessas horas Deus aparece”,
Fiquei com essa frase retumbando na minha cabeça. De fato, Deus não está em promoção, se exibindo por aí. Ele escolhe, dentro do mais rigoroso critério, os momentos de aparecer pra gente. Não sendo visível aos olhos, Ele dá preferência à sensibilidade como via de acesso a nós. Eu não sou uma católica praticante e ritualística — não vou à missa. Mas valorizo essas aparições como se fosse a chegada de uma visita ilustre, que me dá sossego à alma.
Quando Deus aparece pra você?
Pra mim, Ele aparece sempre através da música, e nem precisa ser um Nelson Freire. Pode ser uma música popular, pode ser algo que toque no rádio, mas que me chega no momento exato em que estou reconciliada comigo mesma. De forma inesperada, a música me transcende.
Deus me aparece nos livros, em parágrafos em que não acredito que possam ter sido escritos por um ser mundano: || foram escritos por um ser mais que humano.
Deus me aparece — muito! — quando estou em frente ao mar. Tivemos um papo longo, cerca de um mês atrás, quando havia somente as ondas entre mim e Ele. Agente se entende em meio ao azul, que seria a cor de Deus, se ele tivesse uma.
azul, que seria a cor de Deus, se ele tivesse uma. Deus me aparece — e não considere isso uma heresia — na hora do sexo, desde que feito com quem se ama. É completamente diferente do sexo casual, do sexo como válvula de escape. Diferente, preste atenção. Não quer dizer que qualquer sexo não seja bom.
Nesse exato instante em que escrevo, estou escutando My Sweet Lord cantado não pelo George Harrison (que Deus o tenha ), mas por Billy Preston (que Deus o tenha também) e posso assegurar: a letra é um animado bate-papo com Ele, ritmado pelo rock'n'roll. Aleluia.
Deus aparece quando choro. Quando a fragilidade é tanta que parece que não vou conseguir me reerguer. Quando uma amiga me liga de um país distante e demonstra estar mais perto do que o vizinho do andar de cima. Deus aparece no sorriso do meu sobrinho e no abraço espontâneo das minhas filhas. E nas preocupações da minha mãe, que mãe é sempre um atestado da presença desse cara.
É quando eu o chamo de cara e Ele não se aborrece, aí tenho certeza de que Ele está mesmo comigo”,
(MEDEIROS, Marta, O Meu Melhor. p, 58/59.)
O coletivo de “música” consta na alternativa:
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