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Repetir histórias
Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
Assinale a alternativa em que a expressão em destaque no trecho a seguir está reescrita corretamente, sem alteração do sentido do texto.
Um conservador senhor de meia-idade (...) contou-me que, ao abrir sua mala... (3º parágrafo)
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
A expressão em destaque no 1º parágrafo – Casar (...) implica a consequência necessária da duplicidade. – pode ser substituída, corretamente, obedecendo à norma-padrão de regência verbal, por:
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
Assinale a alternativa em que a expressão em destaque está corretamente substituída nos parênteses.
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
Leia o seguinte trecho do 5º parágrafo:
Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento.
De acordo com a norma-padrão de pontuação, os dois-pontos foram empregados para introduzir
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
Assinale a alternativa que descreve, corretamente, o fato linguístico.
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
Leia os trechos do 3º parágrafo:
– Ele abriu a mala (...) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher...
– O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro ...
A alternativa em que as palavras em destaque, no contexto em que se inserem, apresentam, correta e respectivamente, os sinônimos é:
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
Assinale a alternativa em que, nas frases construídas a partir do texto, a concordância verbal está de acordo com a norma-padrão.
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
Leia os trechos:
– Se você convive com alguém há algum tempo... (1º parágrafo)
– Ninguém leva uma vida sendo sempre original. (2º parágrafo)
– Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. (5º parágrafo)
As expressões em destaque expressam, correta e respectivamente, sentido de
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
A ideia principal apresentada e defendida pelo autor é a de que
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Se você convive com alguém há algum tempo, sabe que ouvirá, pelo menos algumas vezes, narrativas repetidas. Casar ou ter amigos de anos implica a consequência necessária da duplicidade. Aceite que dói menos.
Ninguém leva uma vida sendo sempre original. Não existe humorista profissional que consiga, todas as noites no palco, contar coisas engraçadas 100% novas.
Viajou, houve um perrengue que visto a distância ficou divertido? Perfeito: fará parte do seu repertório. Um conservador senhor de meia-idade que foi comigo ao Japão em um grupo contou-me que, ao abrir sua mala em busca de blazers escuros e calças tradicionais com meias pretas, encontrou farto sortimento de calcinhas de renda delicada. Ele abriu a mala (não deu detalhes de como isso ocorreu com uma que não lhe pertencia) e, estupefato, viu emergir aquele festival de intimidades de uma mulher (ou de outro homem) ... A mala trocada foi trazida no dia seguinte. O ocorrido foi contado ao grupo no café da manhã e a sisudez do nosso companheiro tradicionalista tornava tudo muito mais saboroso. Mais de uma alma zombeteira deve ter imaginado se ele teria tocado o conteúdo, quiçá inclusive experimentado algo... Bem, deixemos a picardia* de lado.
Histórias de viagens são boas. Claro, não são novas sempre... Pode ser que, em alguma festa, o público seja novo e o fato cômico seja recebido com receptividade alegre. O provável, também, é que sua esposa olhe para cima resignada diante da sua tentativa de stand-up*. Sim, foi dito o sim ao amor “na saúde e na doença, na riqueza e na pobreza” no altar; ninguém falou “na repetição incessante e tediosa de tudo”.
Darei uma pista boa de psicanálise. Alguém que ouve um paciente nunca deve dizer: “Você já contou esta”. Se uma pessoa insiste na mesma narrativa, provavelmente, tem algum motivo para isso. Mais importante: a cada nova recitação um detalhe muda e se torna, em si, uma pista do que está ocorrendo naquele momento. Ouvir de novo deveria aguçar seu ouvido para sutilezas e fornecer novas inspirações para conhecer alguém. Lute, com esperança, pelo seu casamento. Amar também é ouvir.
(Leandro Karnal. O Estado de S. Paulo, 11 de maio de 2022. Adaptado)
picardia: ato próprio de quem faz caçoada, zombaria.
stand-up: ficar de pé, tentativa de fazer graça, obter sucesso com o fato cômico contado.
De acordo com informações textuais, é correto afirmar que
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