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Foram encontradas 40 questões.

3993205 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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A alternativa em que o vocábulo deve receber acento gráfico de acordo com o Novo Acordo Ortográfico é:
 

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3993204 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Marque a alternativa em que está correta a formação do plural do substantivo:
 

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3993203 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Marque a alternativa em que duas palavras apresentam dígrafo:
 

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3993202 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Assinale a alternativa em que todas as palavras estão acentuadas corretamente, tendo em vista o Novo Acordo Ortográfico:
 

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3993201 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Marque a alternativa que contém todas as palavras com encontro consonantal da charge abaixo:

Enunciado 4930901-1

Menino (Pai, você sabe quem mexeu no meu cofrinho?)

Pai (Só falo na presença do meu advogado)

 

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3993200 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.
    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 
    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.
    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.
    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:
    - Boa noite, seu Zimbo!
    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:
    - Boa noite!
    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.
    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?
    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:
    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....
    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.
    - Besta! Isso que ela é.
    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?
    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:
    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?
    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:
    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!
    Fernanda se pôs de pé.
    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?
    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.
    - Ódio, ódio, ódio.
    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.
    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?
    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.
    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....
    - Então Lu, não quer ser boazinha?
    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.
    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.
    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:
    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?
    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.
    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.
    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.
    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.
    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...
    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.
    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.
    Deu boa-noite e voltou para casa.
Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.
(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Em todas as alternativas o significado das palavras destacadas está adequado ao texto, exceto em:
 

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3993199 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.
    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 
    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.
    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.
    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:
    - Boa noite, seu Zimbo!
    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:
    - Boa noite!
    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.
    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?
    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:
    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....
    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.
    - Besta! Isso que ela é.
    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?
    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:
    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?
    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:
    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!
    Fernanda se pôs de pé.
    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?
    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.
    - Ódio, ódio, ódio.
    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.
    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?
    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.
    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....
    - Então Lu, não quer ser boazinha?
    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.
    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.
    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:
    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?
    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.
    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.
    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.
    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.
    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...
    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.
    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.
    Deu boa-noite e voltou para casa.
Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.
(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Qual é a posição de Fernanda em relação ao conflito entre Lu e D. Magnólia?
 

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3993198 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.
    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 
    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.
    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.
    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:
    - Boa noite, seu Zimbo!
    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:
    - Boa noite!
    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.
    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?
    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:
    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....
    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.
    - Besta! Isso que ela é.
    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?
    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:
    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?
    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:
    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!
    Fernanda se pôs de pé.
    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?
    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.
    - Ódio, ódio, ódio.
    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.
    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?
    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.
    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....
    - Então Lu, não quer ser boazinha?
    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.
    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.
    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:
    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?
    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.
    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.
    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.
    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.
    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...
    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.
    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.
    Deu boa-noite e voltou para casa.
Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.
(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Como D. Magnólia reage à rebeldia da filha Lu?
 

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3993197 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.
    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 
    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.
    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.
    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:
    - Boa noite, seu Zimbo!
    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:
    - Boa noite!
    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.
    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?
    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:
    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....
    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.
    - Besta! Isso que ela é.
    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?
    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:
    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?
    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:
    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!
    Fernanda se pôs de pé.
    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?
    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.
    - Ódio, ódio, ódio.
    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.
    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?
    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.
    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....
    - Então Lu, não quer ser boazinha?
    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.
    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.
    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:
    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?
    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.
    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.
    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.
    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.
    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...
    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.
    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.
    Deu boa-noite e voltou para casa.
Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.
(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Por que Lu está chorando na cama?
 

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Questão presente nas seguintes provas
3993196 Ano: 2025
Disciplina: Português
Banca: IDEAP
Orgão: Pref. Monte Alegre Minas-MG
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Leia o texto abaixo para responder à questão.

UM LUGAR AO SOL
Érico Veríssimo 


    Entraram na casa vizinha.
    Fernanda sentia sempre uma opressão quando se via na sala da casa de D. Magnólia. Tudo ali tinha um ar tão triste, tão sombrio, tão doentio... Os móveis eram escuros. A Bíblia encadernada de couro negro em cima da mesa. (D. Magnólia era metodista.) Quadros nas paredes com legendas tiradas das Escrituras. Um cheiro de defumação. E – o mais horrível de tudo – no canto da sala, a figura daquele homem sentado, vencido, daquele homem enorme, magro, amarelo, roído pelo câncer. 
    Era Orozimbo, o marido de D. Mag. Quando lhe falava, Fernanda tinha a impressão desagradável de que estava falando com um morto.
    A luz da sala estava apagada. Entrava pelas janelas uma fraca claridade que vinha das lâmpadas da rua.
    Fernanda sentiu logo a presença de Orozimbo. Cumprimentou:
    - Boa noite, seu Zimbo!
    E a voz dele, fraca, doente, mas mesmo assim profunda, incoerentemente musical, respondeu:
    - Boa noite!
    Entraram no quarto de Lu. D. Mag acendeu a luz e retirou-se, fechando a porta. Fernanda viu a menina a chorar estendida na cama, de borco, com a cabeça mergulhada no travesseiro. Ajoelhou-se junto dela, passou-lhe a mão pelos cabelos.
    - Então, bobinha. Por que é que está chorando?
    Lu soluçava sem responder. E depois, como Fernanda insistisse muito na pergunta, explodiu:
    - Eu... eu... queria... fazer... uma fantasia... e... e... essa besta não quer....
    - Não diga assim, Lu. Ela é sua mãe.
    - Besta! Isso que ela é.
    D. Mag chorava no corredor. Por que Deus a castigava assim, dando-lhe uma filha desobediente e blasfema? Não era ela uma boa cristã? Não ia todos os domingos ao culto? Não lhe bastavam os trabalhos que passara com o marido nos primeiros tempos do casamento, quando ele andava na pândega com outras mulheres? Não chegava o que ela sofria agora que ele estava doente e vivia ali no canto, derrotado, a falar na morte, a queixar-se da vida, a atormentá-la a todo o instante? Não bastava a trabalheira que ela tinha de pedalar a Singer todo o dia para ganhar dinheiro para o sustento da casa? Para ganhar dinheiro para dar vestidos e educação àquela ingrata?
    Fernanda passava a mão pela cabeça de Lu e lhe dizia de mansinho:
    - Não vê que não é direito você ir ao baile de carnaval quando seu pai está tão doente? Não vê que sua gente é pobre e que você precisa ter muito juízo?
    Lu explodiu de novo, sentando-se na cama:
    - Eu tenho ódio dela. Tenho ódio dele. Dos dois!
    Fernanda se pôs de pé.
    - Você não sabe o que está dizendo! Ódio de seu pai, de sua mãe?
    Lu tornou a cair de borco. Sua voz saía abafada debaixo do travesseiro.
    - Ódio, ódio, ódio.
    Sim: tinha raiva dos pais. Porque eles não queriam que ela fosse feliz, que tivesse um namorado, que frequentasse os cinemas, os bailes. Que culpa tinha de ter nascido pobre? Que culpa tinha da doença do pai ou das ideias religiosas da mãe? Era moça, queria aproveitar a vida. Um dia a velhice chegava e tudo ficava perdido para sempre. Não havia moças que tinham automóveis, que cantavam no rádio, que viajavam, que dançavam, que possuíam vestidos bonitos? Então? Ela era acaso aleijada? Não. Era um monstro de feia? Também não. Por que não havia de ser feliz? Oh! Deus podia matá-la, podia castigá-la, mas ela não sufocaria por mais tempo aquela raiva.
    - Vamos – murmurou Fernanda – faça uma forcinha. Pelo menos finja. Não vê que sua mãe sofre, seu pai sofre?
    Lu resistia. Obstinava-se. Havia de fazer a fantasia, havia de ir aos bailes do Cassino, nem que para isso tivesse de fugir.
    Fernanda por fim cansou. Sentou-se na cama, passou a mão pela testa. Ela trazia um filho no ventre. Talvez uma filha. Hoje fazia parte de seu ser: amanhã poderia haver uma separação tremenda como a que ela estava vendo... Teria o mundo entre ela e a sua criaturinha. Um milhão de desentendimentos, de conflitos, de interesses em choque....
    - Então Lu, não quer ser boazinha?
    Lu ergueu-se. Tinha uns olhos verdes muito grandes.
    Era fina de corpo e suas mãos, longas e brancas.
    Fernanda contemplou-a com simpatia e pena. Lu tomou-lhe das mãos e, com olhos vermelhos de chorar, perguntou:
    - Tu achas que eu sou má? Achas? Será que nem tu, nem tu me compreendes?
    Encostou a cabeça no peito da outra e desatou de novo o choro.
    Cinco minutos depois Fernanda saiu do quarto.
    D. Mag esperava-a no meio da sala. Nos seus olhos espantados havia uma interrogação ansiosa. Apesar de estarem na penumbra, Fernanda viu a dor que os velava.
    Aproximou-se dela, bateu-lhe no ombro.
    - Não faça caso, D. Mag... Isso passa. Amanhã quando ela voltar da escola e estiver mais calma, eu passo um sermão nela. Por hoje, lhe peço: não diga mais nada. Deixe... Essas criaturinhas são assim. Quanto mais confiança se dá, mais elas incomodam...
    Enquanto falava, Fernanda ouvia, horrorizada, a respiração arquejante do doente no seu canto escuro.
    - Bom, deixe ajudar a mamãe a lavar os pratos.
    Deu boa-noite e voltou para casa.
Um lugar ao sol. Rio de Janeiro, Globo, 1978.
(Dona Mag=Dona Magnólia)     
Qual é a principal razão da opressão sentida por Fernanda ao estar na casa de D. Magnólia?
 

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