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2357570 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Asconprev
Orgão: Pref. Moreilândia-PE

A Andorinha

Não esperaria mais, que elas podiam voar. Havia seis pousadas agora, juntas. Apontaria numa: às vezes podia errar e acertar na outra perto. Colocou a pedra no couro. Fez a pontaria. O coração começou a bater depressa, contou até dez, apontou, apontou, e deu a estilingada. No primeiro instante, viu confundidos as pancadas de seu coração e o voo assustado das andorinhas – e então gritou “acertei!” “acertei!”, vendo uma andorinha despencando rente ao poste. Quis logo correr a ela, mas estacou, lembrando-se de repente que talvez ela não estivesse morta: pelo jeito de cair, ainda parecia viva, e teria de se aproximar com cuidado, senão ela poderia fugir. Vira bem onde ela caíra: no monte de capim seco ao redor do poste. Ele acertara e ela estava lá, talvez morta, talvez viva ainda. Pôs outra pedra no estilingue e aproximou-se. Ao curvar-se sobre o capim, viu atônito, confuso a andorinha voar e deu a estilingada a esmo; viu-a voando rasteiro, rente à parede do armazém, e correu a procurar outra pedra, que só achou ao fim de alguns minutos; colocou-a no estilingue e correu para a andorinha.

Podia agora vê-la inteiramente: ela estava encolhida no chão, no ângulo formado pelo armazém e uma pilha de tijolos velhos; era uma andorinha de asas muito pretas e luzidias. Não parecia que ia tornar a voar: uma de suas asas estava estirada sobre o chão, e a cabecinha levemente erguida. Ela estava deitada, estava caída, como se não pudesse firmar-se. Pensou que ela talvez estivesse apenas tonta; talvez a pedra tivesse atingido só de raspão e ela fosse voar a qualquer instante. E se ele errasse a próxima pedrada, ela podia assustar-se e dessa vez voar para o céu, para longe – e ele teria perdido tudo, perdido a grande sorte que tivera aquela tarde, acertando pela primeira vez.

Mas era engraçado: vendo o pássaro ali no chão, à sua frente, pertinho, não tinha vontade de dar a estilingada. Era muito diferente vê-lo em cima do fio, o peito erguido, a cabecinha destacando-se contra o azul do céu. Ali embaixo, caído no chão, encolhido contra a parede escura e suja do armazém, tão fácil de acertar, ele não tinha mais aquela vontade violenta de dar a estilingada. E era engraçado também como ele estava calmo, como seu coração não estava batendo doidamente.

Caminhou devagar para ela, o estilingue em punho, esperando apenas o primeiro movimento dela para desferir a pedrada, mas ela não se movia. Talvez não estivesse apenas tonta; talvez estivesse ferida, tão ferida que não podia mover-se.

Chegou bem perto: ela encolheu-se um pouco mais contra a parede, mas não fez ameaça de voar; havia qualquer coisa: ela não voaria. Afrouxou o estilingue e ficou olhando. Percebeu o medo no olhinho que piscava, sentiu-se poderoso e cruel diante da insignificância e fragilidade do pássaro. Estava ali, sem fuga, sem voo, sem distância, sem erro, o que seria seu primeiro pássaro – por que não dava logo a pedrada mortal? não o matava por quê?

Agachando-se, estendeu a mão devagar para não a assustar, e então segurou-a: ela não se debateu; e antes que abrisse os dedos para olhar, sentiu a umidade e compreendeu que era sangue: a pedra havia acertado de cheio. E então teve raiva; teve raiva de si mesmo, do domingo, e do que fizera; teve raiva; teve raiva de sua astúcia, sua espera, sua alegria, e agora sua impotência: sabia que a andorinha ia morrer, sabia que ela ia morrer e que ele não podia fazer nada.

(Luís Vilela, No bar: contos. 2.ed. São Paulo: Ática, 1984.)

Em “Caminhou devagar para ela, o estilingue em punho, esperando apenas o primeiro movimento dela para desferir a pedrada, mas ela não se movia”. O termo em negrito expressa uma ideia de:

 

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2357569 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Asconprev
Orgão: Pref. Moreilândia-PE

A Andorinha

Não esperaria mais, que elas podiam voar. Havia seis pousadas agora, juntas. Apontaria numa: às vezes podia errar e acertar na outra perto. Colocou a pedra no couro. Fez a pontaria. O coração começou a bater depressa, contou até dez, apontou, apontou, e deu a estilingada. No primeiro instante, viu confundidos as pancadas de seu coração e o voo assustado das andorinhas – e então gritou “acertei!” “acertei!”, vendo uma andorinha despencando rente ao poste. Quis logo correr a ela, mas estacou, lembrando-se de repente que talvez ela não estivesse morta: pelo jeito de cair, ainda parecia viva, e teria de se aproximar com cuidado, senão ela poderia fugir. Vira bem onde ela caíra: no monte de capim seco ao redor do poste. Ele acertara e ela estava lá, talvez morta, talvez viva ainda. Pôs outra pedra no estilingue e aproximou-se. Ao curvar-se sobre o capim, viu atônito, confuso a andorinha voar e deu a estilingada a esmo; viu-a voando rasteiro, rente à parede do armazém, e correu a procurar outra pedra, que só achou ao fim de alguns minutos; colocou-a no estilingue e correu para a andorinha.

Podia agora vê-la inteiramente: ela estava encolhida no chão, no ângulo formado pelo armazém e uma pilha de tijolos velhos; era uma andorinha de asas muito pretas e luzidias. Não parecia que ia tornar a voar: uma de suas asas estava estirada sobre o chão, e a cabecinha levemente erguida. Ela estava deitada, estava caída, como se não pudesse firmar-se. Pensou que ela talvez estivesse apenas tonta; talvez a pedra tivesse atingido só de raspão e ela fosse voar a qualquer instante. E se ele errasse a próxima pedrada, ela podia assustar-se e dessa vez voar para o céu, para longe – e ele teria perdido tudo, perdido a grande sorte que tivera aquela tarde, acertando pela primeira vez.

Mas era engraçado: vendo o pássaro ali no chão, à sua frente, pertinho, não tinha vontade de dar a estilingada. Era muito diferente vê-lo em cima do fio, o peito erguido, a cabecinha destacando-se contra o azul do céu. Ali embaixo, caído no chão, encolhido contra a parede escura e suja do armazém, tão fácil de acertar, ele não tinha mais aquela vontade violenta de dar a estilingada. E era engraçado também como ele estava calmo, como seu coração não estava batendo doidamente.

Caminhou devagar para ela, o estilingue em punho, esperando apenas o primeiro movimento dela para desferir a pedrada, mas ela não se movia. Talvez não estivesse apenas tonta; talvez estivesse ferida, tão ferida que não podia mover-se.

Chegou bem perto: ela encolheu-se um pouco mais contra a parede, mas não fez ameaça de voar; havia qualquer coisa: ela não voaria. Afrouxou o estilingue e ficou olhando. Percebeu o medo no olhinho que piscava, sentiu-se poderoso e cruel diante da insignificância e fragilidade do pássaro. Estava ali, sem fuga, sem voo, sem distância, sem erro, o que seria seu primeiro pássaro – por que não dava logo a pedrada mortal? não o matava por quê?

Agachando-se, estendeu a mão devagar para não a assustar, e então segurou-a: ela não se debateu; e antes que abrisse os dedos para olhar, sentiu a umidade e compreendeu que era sangue: a pedra havia acertado de cheio. E então teve raiva; teve raiva de si mesmo, do domingo, e do que fizera; teve raiva; teve raiva de sua astúcia, sua espera, sua alegria, e agora sua impotência: sabia que a andorinha ia morrer, sabia que ela ia morrer e que ele não podia fazer nada.

(Luís Vilela, No bar: contos. 2.ed. São Paulo: Ática, 1984.)

“Ele acertara e ela estava lá, talvez morta, talvez viva ainda...”. Acertara e estava são respectivamente:

 

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2357568 Ano: 2020
Disciplina: Português
Banca: Asconprev
Orgão: Pref. Moreilândia-PE

A Andorinha

Não esperaria mais, que elas podiam voar. Havia seis pousadas agora, juntas. Apontaria numa: às vezes podia errar e acertar na outra perto. Colocou a pedra no couro. Fez a pontaria. O coração começou a bater depressa, contou até dez, apontou, apontou, e deu a estilingada. No primeiro instante, viu confundidos as pancadas de seu coração e o voo assustado das andorinhas – e então gritou “acertei!” “acertei!”, vendo uma andorinha despencando rente ao poste. Quis logo correr a ela, mas estacou, lembrando-se de repente que talvez ela não estivesse morta: pelo jeito de cair, ainda parecia viva, e teria de se aproximar com cuidado, senão ela poderia fugir. Vira bem onde ela caíra: no monte de capim seco ao redor do poste. Ele acertara e ela estava lá, talvez morta, talvez viva ainda. Pôs outra pedra no estilingue e aproximou-se. Ao curvar-se sobre o capim, viu atônito, confuso a andorinha voar e deu a estilingada a esmo; viu-a voando rasteiro, rente à parede do armazém, e correu a procurar outra pedra, que só achou ao fim de alguns minutos; colocou-a no estilingue e correu para a andorinha.

Podia agora vê-la inteiramente: ela estava encolhida no chão, no ângulo formado pelo armazém e uma pilha de tijolos velhos; era uma andorinha de asas muito pretas e luzidias. Não parecia que ia tornar a voar: uma de suas asas estava estirada sobre o chão, e a cabecinha levemente erguida. Ela estava deitada, estava caída, como se não pudesse firmar-se. Pensou que ela talvez estivesse apenas tonta; talvez a pedra tivesse atingido só de raspão e ela fosse voar a qualquer instante. E se ele errasse a próxima pedrada, ela podia assustar-se e dessa vez voar para o céu, para longe – e ele teria perdido tudo, perdido a grande sorte que tivera aquela tarde, acertando pela primeira vez.

Mas era engraçado: vendo o pássaro ali no chão, à sua frente, pertinho, não tinha vontade de dar a estilingada. Era muito diferente vê-lo em cima do fio, o peito erguido, a cabecinha destacando-se contra o azul do céu. Ali embaixo, caído no chão, encolhido contra a parede escura e suja do armazém, tão fácil de acertar, ele não tinha mais aquela vontade violenta de dar a estilingada. E era engraçado também como ele estava calmo, como seu coração não estava batendo doidamente.

Caminhou devagar para ela, o estilingue em punho, esperando apenas o primeiro movimento dela para desferir a pedrada, mas ela não se movia. Talvez não estivesse apenas tonta; talvez estivesse ferida, tão ferida que não podia mover-se.

Chegou bem perto: ela encolheu-se um pouco mais contra a parede, mas não fez ameaça de voar; havia qualquer coisa: ela não voaria. Afrouxou o estilingue e ficou olhando. Percebeu o medo no olhinho que piscava, sentiu-se poderoso e cruel diante da insignificância e fragilidade do pássaro. Estava ali, sem fuga, sem voo, sem distância, sem erro, o que seria seu primeiro pássaro – por que não dava logo a pedrada mortal? não o matava por quê?

Agachando-se, estendeu a mão devagar para não a assustar, e então segurou-a: ela não se debateu; e antes que abrisse os dedos para olhar, sentiu a umidade e compreendeu que era sangue: a pedra havia acertado de cheio. E então teve raiva; teve raiva de si mesmo, do domingo, e do que fizera; teve raiva; teve raiva de sua astúcia, sua espera, sua alegria, e agora sua impotência: sabia que a andorinha ia morrer, sabia que ela ia morrer e que ele não podia fazer nada.

(Luís Vilela, No bar: contos. 2.ed. São Paulo: Ática, 1984.)

“era uma andorinha de asas muito pretas e luzidias”, a palavra em destaque pertence a qual classe gramatical:

 

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2357567 Ano: 2020
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A Andorinha

Não esperaria mais, que elas podiam voar. Havia seis pousadas agora, juntas. Apontaria numa: às vezes podia errar e acertar na outra perto. Colocou a pedra no couro. Fez a pontaria. O coração começou a bater depressa, contou até dez, apontou, apontou, e deu a estilingada. No primeiro instante, viu confundidos as pancadas de seu coração e o voo assustado das andorinhas – e então gritou “acertei!” “acertei!”, vendo uma andorinha despencando rente ao poste. Quis logo correr a ela, mas estacou, lembrando-se de repente que talvez ela não estivesse morta: pelo jeito de cair, ainda parecia viva, e teria de se aproximar com cuidado, senão ela poderia fugir. Vira bem onde ela caíra: no monte de capim seco ao redor do poste. Ele acertara e ela estava lá, talvez morta, talvez viva ainda. Pôs outra pedra no estilingue e aproximou-se. Ao curvar-se sobre o capim, viu atônito, confuso a andorinha voar e deu a estilingada a esmo; viu-a voando rasteiro, rente à parede do armazém, e correu a procurar outra pedra, que só achou ao fim de alguns minutos; colocou-a no estilingue e correu para a andorinha.

Podia agora vê-la inteiramente: ela estava encolhida no chão, no ângulo formado pelo armazém e uma pilha de tijolos velhos; era uma andorinha de asas muito pretas e luzidias. Não parecia que ia tornar a voar: uma de suas asas estava estirada sobre o chão, e a cabecinha levemente erguida. Ela estava deitada, estava caída, como se não pudesse firmar-se. Pensou que ela talvez estivesse apenas tonta; talvez a pedra tivesse atingido só de raspão e ela fosse voar a qualquer instante. E se ele errasse a próxima pedrada, ela podia assustar-se e dessa vez voar para o céu, para longe – e ele teria perdido tudo, perdido a grande sorte que tivera aquela tarde, acertando pela primeira vez.

Mas era engraçado: vendo o pássaro ali no chão, à sua frente, pertinho, não tinha vontade de dar a estilingada. Era muito diferente vê-lo em cima do fio, o peito erguido, a cabecinha destacando-se contra o azul do céu. Ali embaixo, caído no chão, encolhido contra a parede escura e suja do armazém, tão fácil de acertar, ele não tinha mais aquela vontade violenta de dar a estilingada. E era engraçado também como ele estava calmo, como seu coração não estava batendo doidamente.

Caminhou devagar para ela, o estilingue em punho, esperando apenas o primeiro movimento dela para desferir a pedrada, mas ela não se movia. Talvez não estivesse apenas tonta; talvez estivesse ferida, tão ferida que não podia mover-se.

Chegou bem perto: ela encolheu-se um pouco mais contra a parede, mas não fez ameaça de voar; havia qualquer coisa: ela não voaria. Afrouxou o estilingue e ficou olhando. Percebeu o medo no olhinho que piscava, sentiu-se poderoso e cruel diante da insignificância e fragilidade do pássaro. Estava ali, sem fuga, sem voo, sem distância, sem erro, o que seria seu primeiro pássaro – por que não dava logo a pedrada mortal? não o matava por quê?

Agachando-se, estendeu a mão devagar para não a assustar, e então segurou-a: ela não se debateu; e antes que abrisse os dedos para olhar, sentiu a umidade e compreendeu que era sangue: a pedra havia acertado de cheio. E então teve raiva; teve raiva de si mesmo, do domingo, e do que fizera; teve raiva; teve raiva de sua astúcia, sua espera, sua alegria, e agora sua impotência: sabia que a andorinha ia morrer, sabia que ela ia morrer e que ele não podia fazer nada.

(Luís Vilela, No bar: contos. 2.ed. São Paulo: Ática, 1984.)

Em “Quis logo correr a ela, mas estacou, lembrando-se de repente que talvez ela não estivesse morta…” os vocábulos em negrito, no texto, referem-se à palavra:

 

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Não esperaria mais, que elas podiam voar. Havia seis pousadas agora, juntas. Apontaria numa: às vezes podia errar e acertar na outra perto. Colocou a pedra no couro. Fez a pontaria. O coração começou a bater depressa, contou até dez, apontou, apontou, e deu a estilingada. No primeiro instante, viu confundidos as pancadas de seu coração e o voo assustado das andorinhas – e então gritou “acertei!” “acertei!”, vendo uma andorinha despencando rente ao poste. Quis logo correr a ela, mas estacou, lembrando-se de repente que talvez ela não estivesse morta: pelo jeito de cair, ainda parecia viva, e teria de se aproximar com cuidado, senão ela poderia fugir. Vira bem onde ela caíra: no monte de capim seco ao redor do poste. Ele acertara e ela estava lá, talvez morta, talvez viva ainda. Pôs outra pedra no estilingue e aproximou-se. Ao curvar-se sobre o capim, viu atônito, confuso a andorinha voar e deu a estilingada a esmo; viu-a voando rasteiro, rente à parede do armazém, e correu a procurar outra pedra, que só achou ao fim de alguns minutos; colocou-a no estilingue e correu para a andorinha.

Podia agora vê-la inteiramente: ela estava encolhida no chão, no ângulo formado pelo armazém e uma pilha de tijolos velhos; era uma andorinha de asas muito pretas e luzidias. Não parecia que ia tornar a voar: uma de suas asas estava estirada sobre o chão, e a cabecinha levemente erguida. Ela estava deitada, estava caída, como se não pudesse firmar-se. Pensou que ela talvez estivesse apenas tonta; talvez a pedra tivesse atingido só de raspão e ela fosse voar a qualquer instante. E se ele errasse a próxima pedrada, ela podia assustar-se e dessa vez voar para o céu, para longe – e ele teria perdido tudo, perdido a grande sorte que tivera aquela tarde, acertando pela primeira vez.

Mas era engraçado: vendo o pássaro ali no chão, à sua frente, pertinho, não tinha vontade de dar a estilingada. Era muito diferente vê-lo em cima do fio, o peito erguido, a cabecinha destacando-se contra o azul do céu. Ali embaixo, caído no chão, encolhido contra a parede escura e suja do armazém, tão fácil de acertar, ele não tinha mais aquela vontade violenta de dar a estilingada. E era engraçado também como ele estava calmo, como seu coração não estava batendo doidamente.

Caminhou devagar para ela, o estilingue em punho, esperando apenas o primeiro movimento dela para desferir a pedrada, mas ela não se movia. Talvez não estivesse apenas tonta; talvez estivesse ferida, tão ferida que não podia mover-se.

Chegou bem perto: ela encolheu-se um pouco mais contra a parede, mas não fez ameaça de voar; havia qualquer coisa: ela não voaria. Afrouxou o estilingue e ficou olhando. Percebeu o medo no olhinho que piscava, sentiu-se poderoso e cruel diante da insignificância e fragilidade do pássaro. Estava ali, sem fuga, sem voo, sem distância, sem erro, o que seria seu primeiro pássaro – por que não dava logo a pedrada mortal? não o matava por quê?

Agachando-se, estendeu a mão devagar para não a assustar, e então segurou-a: ela não se debateu; e antes que abrisse os dedos para olhar, sentiu a umidade e compreendeu que era sangue: a pedra havia acertado de cheio. E então teve raiva; teve raiva de si mesmo, do domingo, e do que fizera; teve raiva; teve raiva de sua astúcia, sua espera, sua alegria, e agora sua impotência: sabia que a andorinha ia morrer, sabia que ela ia morrer e que ele não podia fazer nada.

(Luís Vilela, No bar: contos. 2.ed. São Paulo: Ática, 1984.)

No final do texto, o menino desiste de matar o pássaro, pois:

 

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2357565 Ano: 2020
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A Andorinha

Não esperaria mais, que elas podiam voar. Havia seis pousadas agora, juntas. Apontaria numa: às vezes podia errar e acertar na outra perto. Colocou a pedra no couro. Fez a pontaria. O coração começou a bater depressa, contou até dez, apontou, apontou, e deu a estilingada. No primeiro instante, viu confundidos as pancadas de seu coração e o voo assustado das andorinhas – e então gritou “acertei!” “acertei!”, vendo uma andorinha despencando rente ao poste. Quis logo correr a ela, mas estacou, lembrando-se de repente que talvez ela não estivesse morta: pelo jeito de cair, ainda parecia viva, e teria de se aproximar com cuidado, senão ela poderia fugir. Vira bem onde ela caíra: no monte de capim seco ao redor do poste. Ele acertara e ela estava lá, talvez morta, talvez viva ainda. Pôs outra pedra no estilingue e aproximou-se. Ao curvar-se sobre o capim, viu atônito, confuso a andorinha voar e deu a estilingada a esmo; viu-a voando rasteiro, rente à parede do armazém, e correu a procurar outra pedra, que só achou ao fim de alguns minutos; colocou-a no estilingue e correu para a andorinha.

Podia agora vê-la inteiramente: ela estava encolhida no chão, no ângulo formado pelo armazém e uma pilha de tijolos velhos; era uma andorinha de asas muito pretas e luzidias. Não parecia que ia tornar a voar: uma de suas asas estava estirada sobre o chão, e a cabecinha levemente erguida. Ela estava deitada, estava caída, como se não pudesse firmar-se. Pensou que ela talvez estivesse apenas tonta; talvez a pedra tivesse atingido só de raspão e ela fosse voar a qualquer instante. E se ele errasse a próxima pedrada, ela podia assustar-se e dessa vez voar para o céu, para longe – e ele teria perdido tudo, perdido a grande sorte que tivera aquela tarde, acertando pela primeira vez.

Mas era engraçado: vendo o pássaro ali no chão, à sua frente, pertinho, não tinha vontade de dar a estilingada. Era muito diferente vê-lo em cima do fio, o peito erguido, a cabecinha destacando-se contra o azul do céu. Ali embaixo, caído no chão, encolhido contra a parede escura e suja do armazém, tão fácil de acertar, ele não tinha mais aquela vontade violenta de dar a estilingada. E era engraçado também como ele estava calmo, como seu coração não estava batendo doidamente.

Caminhou devagar para ela, o estilingue em punho, esperando apenas o primeiro movimento dela para desferir a pedrada, mas ela não se movia. Talvez não estivesse apenas tonta; talvez estivesse ferida, tão ferida que não podia mover-se.

Chegou bem perto: ela encolheu-se um pouco mais contra a parede, mas não fez ameaça de voar; havia qualquer coisa: ela não voaria. Afrouxou o estilingue e ficou olhando. Percebeu o medo no olhinho que piscava, sentiu-se poderoso e cruel diante da insignificância e fragilidade do pássaro. Estava ali, sem fuga, sem voo, sem distância, sem erro, o que seria seu primeiro pássaro – por que não dava logo a pedrada mortal? não o matava por quê?

Agachando-se, estendeu a mão devagar para não a assustar, e então segurou-a: ela não se debateu; e antes que abrisse os dedos para olhar, sentiu a umidade e compreendeu que era sangue: a pedra havia acertado de cheio. E então teve raiva; teve raiva de si mesmo, do domingo, e do que fizera; teve raiva; teve raiva de sua astúcia, sua espera, sua alegria, e agora sua impotência: sabia que a andorinha ia morrer, sabia que ela ia morrer e que ele não podia fazer nada.

(Luís Vilela, No bar: contos. 2.ed. São Paulo: Ática, 1984.)

De acordo com o texto, a ordem em que os fatos acontecem aparece na alternativa:

I. o menino dá a estilingada na andorinha.

II. o menino compreende a gravidade da situação ao sentir sangue no pássaro.

III. o menino afrouxa o estilingue e fica olhando.

IV. a andorinha despenca rente ao poste.

V. o menino teve raiva de sua astúcia.

 

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Leia a tirinha de Baby blues para responder as questões abaixo.

Enunciado 3452209-1

Sobre o uso dos pronomes demonstrativos em relação à norma padrão é correto afirmar que:

 

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A onça e a raposa

A raposa e a onça eram inimigas antigas. Cansada de ser enganada pela raposa, sem poder apanhá-la, a onça resolveu atraí-la à sua furna, fazendo correr a notícia de que tinha morrido, e deitando-se no chão da caverna a fingir de cadáver. Todos os bichos vieram olhar a defunta, contentíssimos. A raposa também, mas prudentemente, pondo-se de longe. E, por trás dos outros animais, gritou:

— Minha avó, quando morreu, espirrou três vezes. Espirrar é o único sinal verdadeiro da morte.

Para mostrar que estava morta de verdade, a onça espirrou três vezes e a raposa fugiu às gargalhadas.

A onça ficou furiosa por ter ela descoberto facilmente seu embuste e resolveu agarrá-la, quando fosse beber água. Havia seca no sertão e somente numa cacimba, ao pé duma serra, se encontrava ainda um pouco de água. Todos os bichos eram obrigados a matar a sede ali. A onça ficou à espera da adversária dia e noite, ao pé da bebida.

Nunca a raposa curtira tanta sede em dias de sua vida. Ao fim de uns três, já não aguentava mais. Resolveu empregar astúcia para se desalterar. Procurou um cortiço de abelhas. furou-o e, com o mel que dele escorreu, untou todo o corpo. Espojou-se, depois, num monte de folhas secas, que se grudaram aos seus pelos e a cobriram toda.

Ao cair da tarde, foi à cacimba. A onça montava guarda, olhou-a muito tempo e perguntou-lhe:

— Que bicho és tu que não conheço e nunca vi?

Ela respondeu, disfarçando a voz.

— Sou o bicho Folharal.

— Está bem. Podes beber.

Mais que depressa, a raposa desceu a pequena rampa do bebedouro, meteu-se na água, sorvendo-a com delícia, e a onça, lá de cima, vendo aquela sofreguidão no beber de

animal que trazia sede de vários dias, desconfiou e murmurou:

— Quanto bebes, Folharal!

Mas a água derretia o mel e as folhas iam-se despregando. Quando a raposa se fartou, caíra a última. Então, a onça a reconheceu e, com um urro de triunfo, saltou ferozmente sobre ela. A noite viera, o pulo foi mal calculado no escuro e a raposa escapou, fugindo às gargalhadas.

Marque a alternativa que indica o motivo da concordância do sujeito com o verbo nessa oração: O enxame não atacou a raposa.

 

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A onça e a raposa

A raposa e a onça eram inimigas antigas. Cansada de ser enganada pela raposa, sem poder apanhá-la, a onça resolveu atraí-la à sua furna, fazendo correr a notícia de que tinha morrido, e deitando-se no chão da caverna a fingir de cadáver. Todos os bichos vieram olhar a defunta, contentíssimos. A raposa também, mas prudentemente, pondo-se de longe. E, por trás dos outros animais, gritou:

— Minha avó, quando morreu, espirrou três vezes. Espirrar é o único sinal verdadeiro da morte.

Para mostrar que estava morta de verdade, a onça espirrou três vezes e a raposa fugiu às gargalhadas.

A onça ficou furiosa por ter ela descoberto facilmente seu embuste e resolveu agarrá-la, quando fosse beber água. Havia seca no sertão e somente numa cacimba, ao pé duma serra, se encontrava ainda um pouco de água. Todos os bichos eram obrigados a matar a sede ali. A onça ficou à espera da adversária dia e noite, ao pé da bebida.

Nunca a raposa curtira tanta sede em dias de sua vida. Ao fim de uns três, já não aguentava mais. Resolveu empregar astúcia para se desalterar. Procurou um cortiço de abelhas. furou-o e, com o mel que dele escorreu, untou todo o corpo. Espojou-se, depois, num monte de folhas secas, que se grudaram aos seus pelos e a cobriram toda.

Ao cair da tarde, foi à cacimba. A onça montava guarda, olhou-a muito tempo e perguntou-lhe:

— Que bicho és tu que não conheço e nunca vi?

Ela respondeu, disfarçando a voz.

— Sou o bicho Folharal.

— Está bem. Podes beber.

Mais que depressa, a raposa desceu a pequena rampa do bebedouro, meteu-se na água, sorvendo-a com delícia, e a onça, lá de cima, vendo aquela sofreguidão no beber de

animal que trazia sede de vários dias, desconfiou e murmurou:

— Quanto bebes, Folharal!

Mas a água derretia o mel e as folhas iam-se despregando. Quando a raposa se fartou, caíra a última. Então, a onça a reconheceu e, com um urro de triunfo, saltou ferozmente sobre ela. A noite viera, o pulo foi mal calculado no escuro e a raposa escapou, fugindo às gargalhadas.

Observe os períodos e suas respectivas análises. Marque a que foi feita corretamente:

 

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A onça e a raposa

A raposa e a onça eram inimigas antigas. Cansada de ser enganada pela raposa, sem poder apanhá-la, a onça resolveu atraí-la à sua furna, fazendo correr a notícia de que tinha morrido, e deitando-se no chão da caverna a fingir de cadáver. Todos os bichos vieram olhar a defunta, contentíssimos. A raposa também, mas prudentemente, pondo-se de longe. E, por trás dos outros animais, gritou:

— Minha avó, quando morreu, espirrou três vezes. Espirrar é o único sinal verdadeiro da morte.

Para mostrar que estava morta de verdade, a onça espirrou três vezes e a raposa fugiu às gargalhadas.

A onça ficou furiosa por ter ela descoberto facilmente seu embuste e resolveu agarrá-la, quando fosse beber água. Havia seca no sertão e somente numa cacimba, ao pé duma serra, se encontrava ainda um pouco de água. Todos os bichos eram obrigados a matar a sede ali. A onça ficou à espera da adversária dia e noite, ao pé da bebida.

Nunca a raposa curtira tanta sede em dias de sua vida. Ao fim de uns três, já não aguentava mais. Resolveu empregar astúcia para se desalterar. Procurou um cortiço de abelhas. furou-o e, com o mel que dele escorreu, untou todo o corpo. Espojou-se, depois, num monte de folhas secas, que se grudaram aos seus pelos e a cobriram toda.

Ao cair da tarde, foi à cacimba. A onça montava guarda, olhou-a muito tempo e perguntou-lhe:

— Que bicho és tu que não conheço e nunca vi?

Ela respondeu, disfarçando a voz.

— Sou o bicho Folharal.

— Está bem. Podes beber.

Mais que depressa, a raposa desceu a pequena rampa do bebedouro, meteu-se na água, sorvendo-a com delícia, e a onça, lá de cima, vendo aquela sofreguidão no beber de

animal que trazia sede de vários dias, desconfiou e murmurou:

— Quanto bebes, Folharal!

Mas a água derretia o mel e as folhas iam-se despregando. Quando a raposa se fartou, caíra a última. Então, a onça a reconheceu e, com um urro de triunfo, saltou ferozmente sobre ela. A noite viera, o pulo foi mal calculado no escuro e a raposa escapou, fugindo às gargalhadas.

Sobre o gênero e tipologia textual do texto “A onça e a raposa”, analise as afirmativas a seguir.

I. O gênero textual em questão é uma fábula pertencente à tipologia narrativa.

II. A tipologia e o gênero textual se definem igualmente.

III. O gênero textual fábula em questão é pertencente à tipologia descritiva.

IV. São características que definem a fábula: os animais que falam e uma linguagem erudita.

V. Mesmo quando não há uma moral explícita, a fábula busca transmitir alguma lição moral humana.

Assinale a alternativa correta:

 

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