Foram encontradas 308 questões.
Portugália
Era uma cidade como todas as outras. A gente
importante morava no centro e a gente de baixa condição, ou
decrépita, morava nos subúrbios. Os meninos entraram por
um desses bairros pobres, chamado o bairro do Refugo, e
viram grande número de palavras muito velhas, bem corocas,
que ficavam tomando sol à porta de seus casebres. Umas
permaneciam imóveis, de cócoras, como os índios das fitas
americanas; outras coçavam-se.
— Essas coitadas são bananeiras que já deram cacho
— explicou Quindim. — Ninguém as usa mais, salvo por
fantasia e de longe em longe. Estão morrendo. Os gramáticos
classificam essas palavras de ARCAÍSMOS. Arcaico quer dizer
coisa velha, caduca.
— Então, Dona Benta e Tia Nastácia são arcaísmos!
—
lembrou Emília.
— Mais respeito com vovó, Emília! Ao menos na
cidade da língua tenha compostura — protestou Narizinho.
O rinoceronte prosseguiu:
— As coitadas que ficam arcaicas são expulsas do
centro da cidade e passam a morar aqui, até que morram e
sejam enterradas naquele cemitério, lá no alto do morro.
Porque as palavras também nascem, crescem e morrem, como
tudo mais.
Narizinho parou diante duma palavra muito velha,
bem coroca, que estava catando pulgas históricas à porta dum
casebre. Era a palavra Bofé.
— Então, como vai a senhora? — perguntou a
menina, mirando-a de alto a baixo.
— Mal, muito mal — respondeu a velha. — No tempo
de dantes fui moça das mais faceiras e fiz o papel de
ADVÉRBIO. Os homens gostavam de empregar-me sempre
que queriam dizer Em verdade, Francamente. Mas começaram
a aparecer uns Advérbios novos, que caíram no gosto das
gentes e tomaram o meu lugar. Fui sendo esquecida. Por fim,
tocaram-me lá do centro. "Já que está velha e inútil, que fica
fazendo aqui?", disseram-me. "Mude-se para os subúrbios dos
Arcaísmos", e eu tive de mudar-me para cá.
Fonte: Monteiro Lobato – Emília no País da Gramática (adaptado).
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Era uma cidade como todas as outras. A gente
importante morava no centro e a gente de baixa condição, ou
decrépita, morava nos subúrbios. Os meninos entraram por
um desses bairros pobres, chamado o bairro do Refugo, e
viram grande número de palavras muito velhas, bem corocas,
que ficavam tomando sol à porta de seus casebres. Umas
permaneciam imóveis, de cócoras, como os índios das fitas
americanas; outras coçavam-se.
— Essas coitadas são bananeiras que já deram cacho
— explicou Quindim. — Ninguém as usa mais, salvo por
fantasia e de longe em longe. Estão morrendo. Os gramáticos
classificam essas palavras de ARCAÍSMOS. Arcaico quer dizer
coisa velha, caduca.
— Então, Dona Benta e Tia Nastácia são arcaísmos!
—
lembrou Emília.
— Mais respeito com vovó, Emília! Ao menos na
cidade da língua tenha compostura — protestou Narizinho.
O rinoceronte prosseguiu:
— As coitadas que ficam arcaicas são expulsas do
centro da cidade e passam a morar aqui, até que morram e
sejam enterradas naquele cemitério, lá no alto do morro.
Porque as palavras também nascem, crescem e morrem, como
tudo mais.
Narizinho parou diante duma palavra muito velha,
bem coroca, que estava catando pulgas históricas à porta dum
casebre. Era a palavra Bofé.
— Então, como vai a senhora? — perguntou a
menina, mirando-a de alto a baixo.
— Mal, muito mal — respondeu a velha. — No tempo
de dantes fui moça das mais faceiras e fiz o papel de
ADVÉRBIO. Os homens gostavam de empregar-me sempre
que queriam dizer Em verdade, Francamente. Mas começaram
a aparecer uns Advérbios novos, que caíram no gosto das
gentes e tomaram o meu lugar. Fui sendo esquecida. Por fim,
tocaram-me lá do centro. "Já que está velha e inútil, que fica
fazendo aqui?", disseram-me. "Mude-se para os subúrbios dos
Arcaísmos", e eu tive de mudar-me para cá.
Fonte: Monteiro Lobato – Emília no País da Gramática (adaptado).
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importante morava no centro e a gente de baixa condição, ou
decrépita, morava nos subúrbios. Os meninos entraram por
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viram grande número de palavras muito velhas, bem corocas,
que ficavam tomando sol à porta de seus casebres. Umas
permaneciam imóveis, de cócoras, como os índios das fitas
americanas; outras coçavam-se.
— Essas coitadas são bananeiras que já deram cacho
— explicou Quindim. — Ninguém as usa mais, salvo por
fantasia e de longe em longe. Estão morrendo. Os gramáticos
classificam essas palavras de ARCAÍSMOS. Arcaico quer dizer
coisa velha, caduca.
— Então, Dona Benta e Tia Nastácia são arcaísmos!
—
lembrou Emília.
— Mais respeito com vovó, Emília! Ao menos na
cidade da língua tenha compostura — protestou Narizinho.
O rinoceronte prosseguiu:
— As coitadas que ficam arcaicas são expulsas do
centro da cidade e passam a morar aqui, até que morram e
sejam enterradas naquele cemitério, lá no alto do morro.
Porque as palavras também nascem, crescem e morrem, como
tudo mais.
Narizinho parou diante duma palavra muito velha,
bem coroca, que estava catando pulgas históricas à porta dum
casebre. Era a palavra Bofé.
— Então, como vai a senhora? — perguntou a
menina, mirando-a de alto a baixo.
— Mal, muito mal — respondeu a velha. — No tempo
de dantes fui moça das mais faceiras e fiz o papel de
ADVÉRBIO. Os homens gostavam de empregar-me sempre
que queriam dizer Em verdade, Francamente. Mas começaram
a aparecer uns Advérbios novos, que caíram no gosto das
gentes e tomaram o meu lugar. Fui sendo esquecida. Por fim,
tocaram-me lá do centro. "Já que está velha e inútil, que fica
fazendo aqui?", disseram-me. "Mude-se para os subúrbios dos
Arcaísmos", e eu tive de mudar-me para cá.
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Era uma cidade como todas as outras. A gente
importante morava no centro e a gente de baixa condição, ou
decrépita, morava nos subúrbios. Os meninos entraram por
um desses bairros pobres, chamado o bairro do Refugo, e
viram grande número de palavras muito velhas, bem corocas,
que ficavam tomando sol à porta de seus casebres. Umas
permaneciam imóveis, de cócoras, como os índios das fitas
americanas; outras coçavam-se.
— Essas coitadas são bananeiras que já deram cacho
— explicou Quindim. — Ninguém as usa mais, salvo por
fantasia e de longe em longe. Estão morrendo. Os gramáticos
classificam essas palavras de ARCAÍSMOS. Arcaico quer dizer
coisa velha, caduca.
— Então, Dona Benta e Tia Nastácia são arcaísmos!
—
lembrou Emília.
— Mais respeito com vovó, Emília! Ao menos na
cidade da língua tenha compostura — protestou Narizinho.
O rinoceronte prosseguiu:
— As coitadas que ficam arcaicas são expulsas do
centro da cidade e passam a morar aqui, até que morram e
sejam enterradas naquele cemitério, lá no alto do morro.
Porque as palavras também nascem, crescem e morrem, como
tudo mais.
Narizinho parou diante duma palavra muito velha,
bem coroca, que estava catando pulgas históricas à porta dum
casebre. Era a palavra Bofé.
— Então, como vai a senhora? — perguntou a
menina, mirando-a de alto a baixo.
— Mal, muito mal — respondeu a velha. — No tempo
de dantes fui moça das mais faceiras e fiz o papel de
ADVÉRBIO. Os homens gostavam de empregar-me sempre
que queriam dizer Em verdade, Francamente. Mas começaram
a aparecer uns Advérbios novos, que caíram no gosto das
gentes e tomaram o meu lugar. Fui sendo esquecida. Por fim,
tocaram-me lá do centro. "Já que está velha e inútil, que fica
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Arcaísmos", e eu tive de mudar-me para cá.
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decrépita, morava nos subúrbios. Os meninos entraram por
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viram grande número de palavras muito velhas, bem corocas,
que ficavam tomando sol à porta de seus casebres. Umas
permaneciam imóveis, de cócoras, como os índios das fitas
americanas; outras coçavam-se.
— Essas coitadas são bananeiras que já deram cacho
— explicou Quindim. — Ninguém as usa mais, salvo por
fantasia e de longe em longe. Estão morrendo. Os gramáticos
classificam essas palavras de ARCAÍSMOS. Arcaico quer dizer
coisa velha, caduca.
— Então, Dona Benta e Tia Nastácia são arcaísmos!
—
lembrou Emília.
— Mais respeito com vovó, Emília! Ao menos na
cidade da língua tenha compostura — protestou Narizinho.
O rinoceronte prosseguiu:
— As coitadas que ficam arcaicas são expulsas do
centro da cidade e passam a morar aqui, até que morram e
sejam enterradas naquele cemitério, lá no alto do morro.
Porque as palavras também nascem, crescem e morrem, como
tudo mais.
Narizinho parou diante duma palavra muito velha,
bem coroca, que estava catando pulgas históricas à porta dum
casebre. Era a palavra Bofé.
— Então, como vai a senhora? — perguntou a
menina, mirando-a de alto a baixo.
— Mal, muito mal — respondeu a velha. — No tempo
de dantes fui moça das mais faceiras e fiz o papel de
ADVÉRBIO. Os homens gostavam de empregar-me sempre
que queriam dizer Em verdade, Francamente. Mas começaram
a aparecer uns Advérbios novos, que caíram no gosto das
gentes e tomaram o meu lugar. Fui sendo esquecida. Por fim,
tocaram-me lá do centro. "Já que está velha e inútil, que fica
fazendo aqui?", disseram-me. "Mude-se para os subúrbios dos
Arcaísmos", e eu tive de mudar-me para cá.
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Era uma cidade como todas as outras. A gente
importante morava no centro e a gente de baixa condição, ou
decrépita, morava nos subúrbios. Os meninos entraram por
um desses bairros pobres, chamado o bairro do Refugo, e
viram grande número de palavras muito velhas, bem corocas,
que ficavam tomando sol à porta de seus casebres. Umas
permaneciam imóveis, de cócoras, como os índios das fitas
americanas; outras coçavam-se.
— Essas coitadas são bananeiras que já deram cacho
— explicou Quindim. — Ninguém as usa mais, salvo por
fantasia e de longe em longe. Estão morrendo. Os gramáticos
classificam essas palavras de ARCAÍSMOS. Arcaico quer dizer
coisa velha, caduca.
— Então, Dona Benta e Tia Nastácia são arcaísmos!
—
lembrou Emília.
— Mais respeito com vovó, Emília! Ao menos na
cidade da língua tenha compostura — protestou Narizinho.
O rinoceronte prosseguiu:
— As coitadas que ficam arcaicas são expulsas do
centro da cidade e passam a morar aqui, até que morram e
sejam enterradas naquele cemitério, lá no alto do morro.
Porque as palavras também nascem, crescem e morrem, como
tudo mais.
Narizinho parou diante duma palavra muito velha,
bem coroca, que estava catando pulgas históricas à porta dum
casebre. Era a palavra Bofé.
— Então, como vai a senhora? — perguntou a
menina, mirando-a de alto a baixo.
— Mal, muito mal — respondeu a velha. — No tempo
de dantes fui moça das mais faceiras e fiz o papel de
ADVÉRBIO. Os homens gostavam de empregar-me sempre
que queriam dizer Em verdade, Francamente. Mas começaram
a aparecer uns Advérbios novos, que caíram no gosto das
gentes e tomaram o meu lugar. Fui sendo esquecida. Por fim,
tocaram-me lá do centro. "Já que está velha e inútil, que fica
fazendo aqui?", disseram-me. "Mude-se para os subúrbios dos
Arcaísmos", e eu tive de mudar-me para cá.
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Portugália
Era uma cidade como todas as outras. A gente
importante morava no centro e a gente de baixa condição, ou
decrépita, morava nos subúrbios. Os meninos entraram por
um desses bairros pobres, chamado o bairro do Refugo, e
viram grande número de palavras muito velhas, bem corocas,
que ficavam tomando sol à porta de seus casebres. Umas
permaneciam imóveis, de cócoras, como os índios das fitas
americanas; outras coçavam-se.
— Essas coitadas são bananeiras que já deram cacho
— explicou Quindim. — Ninguém as usa mais, salvo por
fantasia e de longe em longe. Estão morrendo. Os gramáticos
classificam essas palavras de ARCAÍSMOS. Arcaico quer dizer
coisa velha, caduca.
— Então, Dona Benta e Tia Nastácia são arcaísmos!
—
lembrou Emília.
— Mais respeito com vovó, Emília! Ao menos na
cidade da língua tenha compostura — protestou Narizinho.
O rinoceronte prosseguiu:
— As coitadas que ficam arcaicas são expulsas do
centro da cidade e passam a morar aqui, até que morram e
sejam enterradas naquele cemitério, lá no alto do morro.
Porque as palavras também nascem, crescem e morrem, como
tudo mais.
Narizinho parou diante duma palavra muito velha,
bem coroca, que estava catando pulgas históricas à porta dum
casebre. Era a palavra Bofé.
— Então, como vai a senhora? — perguntou a
menina, mirando-a de alto a baixo.
— Mal, muito mal — respondeu a velha. — No tempo
de dantes fui moça das mais faceiras e fiz o papel de
ADVÉRBIO. Os homens gostavam de empregar-me sempre
que queriam dizer Em verdade, Francamente. Mas começaram
a aparecer uns Advérbios novos, que caíram no gosto das
gentes e tomaram o meu lugar. Fui sendo esquecida. Por fim,
tocaram-me lá do centro. "Já que está velha e inútil, que fica
fazendo aqui?", disseram-me. "Mude-se para os subúrbios dos
Arcaísmos", e eu tive de mudar-me para cá.
Fonte: Monteiro Lobato – Emília no País da Gramática (adaptado).
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Portugália
Era uma cidade como todas as outras. A gente
importante morava no centro e a gente de baixa condição, ou
decrépita, morava nos subúrbios. Os meninos entraram por
um desses bairros pobres, chamado o bairro do Refugo, e
viram grande número de palavras muito velhas, bem corocas,
que ficavam tomando sol à porta de seus casebres. Umas
permaneciam imóveis, de cócoras, como os índios das fitas
americanas; outras coçavam-se.
— Essas coitadas são bananeiras que já deram cacho
— explicou Quindim. — Ninguém as usa mais, salvo por
fantasia e de longe em longe. Estão morrendo. Os gramáticos
classificam essas palavras de ARCAÍSMOS. Arcaico quer dizer
coisa velha, caduca.
— Então, Dona Benta e Tia Nastácia são arcaísmos!
—
lembrou Emília.
— Mais respeito com vovó, Emília! Ao menos na
cidade da língua tenha compostura — protestou Narizinho.
O rinoceronte prosseguiu:
— As coitadas que ficam arcaicas são expulsas do
centro da cidade e passam a morar aqui, até que morram e
sejam enterradas naquele cemitério, lá no alto do morro.
Porque as palavras também nascem, crescem e morrem, como
tudo mais.
Narizinho parou diante duma palavra muito velha,
bem coroca, que estava catando pulgas históricas à porta dum
casebre. Era a palavra Bofé.
— Então, como vai a senhora? — perguntou a
menina, mirando-a de alto a baixo.
— Mal, muito mal — respondeu a velha. — No tempo
de dantes fui moça das mais faceiras e fiz o papel de
ADVÉRBIO. Os homens gostavam de empregar-me sempre
que queriam dizer Em verdade, Francamente. Mas começaram
a aparecer uns Advérbios novos, que caíram no gosto das
gentes e tomaram o meu lugar. Fui sendo esquecida. Por fim,
tocaram-me lá do centro. "Já que está velha e inútil, que fica
fazendo aqui?", disseram-me. "Mude-se para os subúrbios dos
Arcaísmos", e eu tive de mudar-me para cá.
Fonte: Monteiro Lobato – Emília no País da Gramática (adaptado).
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Filhos adultos
Todos comentam a dificuldade de criação de
adolescentes. Ou o desafio de cuidar de bebês, ou de se
mostrar inteiramente responsável por crianças. O que não
escuto muito é sobre a árdua empreitada de ser pai ou mãe de
filhos adultos.
Você não mais como demonstrar o amor como
antes. Não há mais reuniões de avaliação na escola. Não há
mais apresentações para comparecer nas datas
comemorativas. Não há mais noites de pijama para cozinhar
aos colegas e ser simpático com a turma. Não há mais
competições esportivas para vibrar na arquibancada. Não há
mais necessidade de dar mesadas ou completar o valor de um
ingresso para um show. Não há como buscá-los em festas,
você não tem sequer noção de quando retornam para a cama.
Não há mais como planejar as férias com eles. Não há mais
como aconselhar na hora do café. Não há mais como sair junto
no momento de comprar roupas. Não há mais recompensas,
sorrisos, elogios de como “você é legal” ou do quanto é “a
melhor mãe ou pai do mundo”. Não há mais rastros oficiais da
ternura, cartõezinhos e desenhos para postar nas redes
sociais.
Eles não moram mais com você para ofertar a
presença farta do olhar e do abraço. São independentes. São
autônomos. Têm suas preocupações e desafios. Têm seus
estudos e carreiras. Sobram pouquíssimos encontros para
reforçar o vínculo. Você depende da sorte de um telefonema
para expor alguma questão pontual e pendente do seu dia.
Talvez a inquietação que gostaria de partilhar caduque ou
fique acumulada para nunca mais.
Fofocas exigem disponibilidade. Você não dispõe de
um pretexto para verbalizar alguma indiscrição de um amigo,
ou de um familiar, ou de um vizinho. Deixará também passar.
É uma amizade esparsa, regida por grandes acontecimentos.
As miudezas escapam agora.
Perde de saber se estão amando ou em fossa, se
estão amuados ou contentes. Não existe como reclamar da
bagunça, das roupas espalhadas, da luz acesa, da louça suja,
dos pés em cima da mesa. Tem certeza de que eles continuam
do mesmo jeito, com a mesma desordem selvagem e
individualista, mas está privado da influência para opinar e
orientar. Não estão mais sob sua responsabilidade, sob o
seu campo de ação, sob o radar de suas emoções protetoras.
Cada um cuida de si. Cada um faz o que quer. Eles
podem estar almoçando três da tarde ou cabulando o
almoço por excesso de obrigações profissionais. Eles podem
ter a geladeira vazia por preguiça de ir ao supermercado. Eles
podem dormir com fome ou só comer bobagem.
Você já imagina que estão magros, ossudos, porém
encontra-se desfalcado de desculpa para aparecer com uma
marmita. Recorda com saudade a época em que era útil e
despertava de madrugada para cozinhar a eles.
Se os filhos estão gripados, logo imagina que não se
agasalharam direito. Apesar da angústia, você não tem como
atravessar a cidade como se fosse uma ambulância para
providenciar o termômetro, o antitérmico e controlar a
temperatura com a mão na testa.
Eles precisarão lidar sozinhos com as suas doenças e
suas indisposições. Não tomarão o seu chá curativo, específico para os sintomas, tampouco o medicamento apropriado que
está na ponta da sua língua para a rápida convalescença.
Hoje eles estão tentando se livrar da dependência por
terapia. Não estranhe que desejem um pouco de distância
para seguirem o próprio caminho.
Perdura uma grande desinformação entre vocês. Não
usufrui da cumplicidade dos pequenos e decisivos detalhes da
convivência.
Eles tornaram-se novas pessoas, mais sérias, mais
mal-humoradas, com menos tempo, enfim, mais parecidas
com você.
Não se trata de ninho vazio, mas de aprender a
conversar com outra árvore carregada de frutos.
Fonte:
https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2023/06/filhos-adultos-cljd870zm008v0156zik64fs4.html (adaptado)
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Filhos adultos
Todos comentam a dificuldade de criação de
adolescentes. Ou o desafio de cuidar de bebês, ou de se
mostrar inteiramente responsável por crianças. O que não
escuto muito é sobre a árdua empreitada de ser pai ou mãe de
filhos adultos.
Você não mais como demonstrar o amor como
antes. Não há mais reuniões de avaliação na escola. Não há
mais apresentações para comparecer nas datas
comemorativas. Não há mais noites de pijama para cozinhar
aos colegas e ser simpático com a turma. Não há mais
competições esportivas para vibrar na arquibancada. Não há
mais necessidade de dar mesadas ou completar o valor de um
ingresso para um show. Não há como buscá-los em festas,
você não tem sequer noção de quando retornam para a cama.
Não há mais como planejar as férias com eles. Não há mais
como aconselhar na hora do café. Não há mais como sair junto
no momento de comprar roupas. Não há mais recompensas,
sorrisos, elogios de como “você é legal” ou do quanto é “a
melhor mãe ou pai do mundo”. Não há mais rastros oficiais da
ternura, cartõezinhos e desenhos para postar nas redes
sociais.
Eles não moram mais com você para ofertar a
presença farta do olhar e do abraço. São independentes. São
autônomos. Têm suas preocupações e desafios. Têm seus
estudos e carreiras. Sobram pouquíssimos encontros para
reforçar o vínculo. Você depende da sorte de um telefonema
para expor alguma questão pontual e pendente do seu dia.
Talvez a inquietação que gostaria de partilhar caduque ou
fique acumulada para nunca mais.
Fofocas exigem disponibilidade. Você não dispõe de
um pretexto para verbalizar alguma indiscrição de um amigo,
ou de um familiar, ou de um vizinho. Deixará também passar.
É uma amizade esparsa, regida por grandes acontecimentos.
As miudezas escapam agora.
Perde de saber se estão amando ou em fossa, se
estão amuados ou contentes. Não existe como reclamar da
bagunça, das roupas espalhadas, da luz acesa, da louça suja,
dos pés em cima da mesa. Tem certeza de que eles continuam
do mesmo jeito, com a mesma desordem selvagem e
individualista, mas está privado da influência para opinar e
orientar. Não estão mais sob sua responsabilidade, sob o
seu campo de ação, sob o radar de suas emoções protetoras.
Cada um cuida de si. Cada um faz o que quer. Eles
podem estar almoçando três da tarde ou cabulando o
almoço por excesso de obrigações profissionais. Eles podem
ter a geladeira vazia por preguiça de ir ao supermercado. Eles
podem dormir com fome ou só comer bobagem.
Você já imagina que estão magros, ossudos, porém
encontra-se desfalcado de desculpa para aparecer com uma
marmita. Recorda com saudade a época em que era útil e
despertava de madrugada para cozinhar a eles.
Se os filhos estão gripados, logo imagina que não se
agasalharam direito. Apesar da angústia, você não tem como
atravessar a cidade como se fosse uma ambulância para
providenciar o termômetro, o antitérmico e controlar a
temperatura com a mão na testa.
Eles precisarão lidar sozinhos com as suas doenças e
suas indisposições. Não tomarão o seu chá curativo, específico para os sintomas, tampouco o medicamento apropriado que
está na ponta da sua língua para a rápida convalescença.
Hoje eles estão tentando se livrar da dependência por
terapia. Não estranhe que desejem um pouco de distância
para seguirem o próprio caminho.
Perdura uma grande desinformação entre vocês. Não
usufrui da cumplicidade dos pequenos e decisivos detalhes da
convivência.
Eles tornaram-se novas pessoas, mais sérias, mais
mal-humoradas, com menos tempo, enfim, mais parecidas
com você.
Não se trata de ninho vazio, mas de aprender a
conversar com outra árvore carregada de frutos.
Fonte:
https://gauchazh.clicrbs.com.br/colunistas/carpinejar/noticia/2023/06/filhos-adultos-cljd870zm008v0156zik64fs4.html (adaptado)
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