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2232266 Ano: 2022
Disciplina: Saúde Pública
Banca: UFPI
Orgão: Pref. Oeiras-PI
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No que diz respeito à incidência de hipertensão nesse mesmo município, considerando o mesmo quantitativo populacional e o mesmo período, podemos dizer que a incidência foi de

 

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2232265 Ano: 2022
Disciplina: Saúde Pública
Banca: UFPI
Orgão: Pref. Oeiras-PI
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O gestor do município de Esperança está bastante atento com a saúde de sua população. Em 2019, intensificou a busca ativa por novos casos de hipertensão e recrutou todas as equipes de saúde para o trabalho. Somente naquele ano, foram cadastrados 500 novos casos. O número total de casos (novos e antigos) foi de 5.000 no último dia do ano. Sabendo que a população total era de 20.000 habitantes, a prevalência de hipertensão em Esperança para o ano de 2019 foi de

 

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Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica

Teimosia, falta de empatia, polarização política. Nós costumamos encontrar diversas justificativas para quando não conseguimos convencer outra pessoa de que ela está errada, mesmo quando todos os fatos apontam que está. E, quando alguém finalmente muda de ideia — seja ao se convencer de que a Terra é redonda, de que o distanciamento social é sim uma medida eficaz contra o novo coronavírus ou de que determinado post foi ofensivo nas redes sociais —, é difícil vê-lo publicizando seu arrependimento.

Mudar de opinião e falar sobre isso não é simples, e há décadas a psicologia vem tentando entender por que costumamos ser tão cabeças-duras. Mais recentemente, a neurociência também entrou nessa área, principalmente com os estudos do laboratório britânico Affective Brain Lab, da UCL (University College London). O TAB conversou com a diretora, Tali Sharot, e com o psiquiatra brasileiro Rodrigo Martins Leite, diretor de relações institucionais do IPq USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) para entender quais são as raízes científicas desse problema e como ele se manifesta socialmente.

Por que é difícil admitir que erramos? Para Sharot, a pergunta deve ser outra. "O problema não é necessariamente que a gente saiba que está errado e não admita. Na verdade, não percebemos que estamos errados", explica ela. A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas. "Há maneiras de saber quais mudanças de atividade cerebral deveríamos observar quando você recebe uma informação nova. Conseguimos ver que há menos 'gravação' acontecendo quando a informação não é desejável ou é contrária ao que você acredita", explica a neurocientista. "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc." E o problema não para por aí.

Só acredita quem quer. Além de literalmente guardar menos os fatos que contrariam nossas crenças, nós nem vamos atrás deles, afirma a pesquisadora. "Descobrimos que as pessoas são mais propensas a procurar informações desejáveis e mais propensas a acreditar e reforçar suas crenças quando recebem informações desejáveis", relata. Sharot e sua equipe conseguiram enxergar, no cérebro, o funcionamento do que conhecemos hoje como vieses cognitivos.

Vieses, sempre eles. Há registros de ao menos 120 vieses cognitivos, mas o mais famoso é, sem dúvida, o viés de confirmação, segundo o qual procuramos e aceitamos com mais facilidade informações que confirmam aquilo em que já acreditamos. "Isso significa que você tem menos chances de encontrar informações que vão contra o que você acredita", reforça Sharot. Um teste desenvolvido em 2015, pelo New York Times, envergonha muita gente que acredita estar imune ao viés de confirmação. Quando confrontados com uma informação que desbanca aquilo em que acreditamos — principalmente numa discussão acalorada —, entram em jogo as emoções para "proteger" nossas posições. "Quando estamos tomados por alguma emoção forte, fica mais difícil ainda a dialética da conversa, porque as pessoas não estão debatendo ideias, e sim paixões", explica Leite, da USP. "Isso fortalece a sua opinião prévia sobre o assunto."

Só sei que nada sei. Outro viés bastante popular para explicar a nossa dificuldade em reconhecer uma crença errada é o efeito Dunning-Kruger, lembra Leite. Os dois pesquisadores que dão nome ao efeito realizaram, em 1999, um estudo demonstrando que as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre um assunto costumam ser mais confiantes e acreditam saber mais que a média. Isso se dá porque elas não têm conhecimento suficiente para serem capazes de perceberem e admitirem seus próprios erros. Por outro lado, aqueles que são gabaritados em determinado tema também têm uma visão distorcida sobre seu próprio nível de conhecimento. Essas pessoas acham que os outros estão tão bem informados quanto elas, então tendem a subestimar suas habilidades. "Quanto menos formação você tem em um assunto, menos preparo cognitivo, mais você acredita piamente na sua opinião sobre ele", resume Leite.

Isso é desculpa para teimosia? Não. A ideia é ter consciência dos vieses comportamentais para tentar evitá-los ou, pelo menos, lembrar que todos encaramos os fatos de um ponto de vista bastante pessoal. Leite lembra que costumamos debater dentro de bolhas, vendo nossas opiniões amplificadas por discursos semelhantes, imaginando que estamos consumindo conteúdo ―novo‖. "A sociedade vem dialogando cada vez menos, acho que é uma tendência geral. Cada vez menos pensando no bem comum. Há sempre uma primazia da opinião individual, de pequenos grupos, nunca pensando numa perspectiva mais sistemática e globalizante", avalia ele.

Impressão minha, ou estamos discutindo mais? O psiquiatra se lembra do sociólogo Zygmunt Bauman para defender que as redes sociais amplificam nossa necessidade de expor opiniões online. "A gente publiciza nossa vida privada de uma forma nunca antes vista. E essa avalanche de opiniões privadas colocadas em público acaba sofrendo manipulações — seja pelos algoritmos ou pela amplificação dos robôs", observa Leite. "Isso acaba contagiando muitas pessoas que eventualmente nem tinham uma opinião formada sobre o tema, mas é tamanho o bombardeio de mensagens e notícias que muitas vezes supera a capacidade do indivíduo de ter um filtro crítico sobre essas informações." Em consequência, todo mundo sente a necessidade de opinar — mesmo sem conhecer um assunto a fundo — e, como já vimos antes, ecoar vozes semelhantes às suas.

Alguma dica para fazer alguém admitir um erro? "Quando as opiniões são afetivas, refratárias a dados, não adianta discutir. É análogo, na psiquiatria, a um paciente que tenha um delírio. Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda", explica. Tanto o psiquiatra quanto a neurocientista afirmam que reabrir um diálogo e diminuir a polarização é um trabalho social conjunto, pois não há tipos de personalidades mais suscetíveis à teimosia e à dificuldade em admitir erros. Estamos todos tão propensos a isso quanto os que criticamos. A dica, segundo eles, é fazer a sua parte e, ativamente, procurar informações contrárias àquilo que você acredita. E estar aberto ao diálogo — mesmo que os assuntos mais espinhosos precisem ficar de lado, opina Leite. "Precisa ser um princípio geral encontrar pautas que girem em torno do interesse comum. Mas a politização está tão grave que a gente fala em ecologia, por exemplo, que é algo do bem comum, e já se fala que é uma pauta de esquerda. Precisamos voltar a procurar identidade entre as pessoas. A politização enfraquece muito nosso senso de comunidade."

(POLLO, Luiza. Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica. TAB Uol, 13 jun. 2020. Com adaptações. Disponível em: < https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/13/como-neurociencia-e-psiquiatria-explicam-nossa-dificuldade-em-admitir-erros.htm>)

Julgue os itens a seguir, que tratam da utilização das vírgulas no texto:

I. Em "Teimosia, falta de empatia, polarização política", as vírgulas estão sendo utilizadas para separar elementos de uma enumeração.

II. Em "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc.", as três vírgulas utilizadas marcam separação de orações subordinadas.

III. Em "Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda [...]" , a palavra "grosseiramente" poderia estar entre vírgulas sem prejuízo ao significado do trecho em que ocorre.

IV. A oração "principalmente quando são negativas" poderia estar isolada por vírgula em vez de travessão, sem prejuízo ao significado do trecho em que ocorre.

 

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Teimosia, falta de empatia, polarização política. Nós costumamos encontrar diversas justificativas para quando não conseguimos convencer outra pessoa de que ela está errada, mesmo quando todos os fatos apontam que está. E, quando alguém finalmente muda de ideia — seja ao se convencer de que a Terra é redonda, de que o distanciamento social é sim uma medida eficaz contra o novo coronavírus ou de que determinado post foi ofensivo nas redes sociais —, é difícil vê-lo publicizando seu arrependimento.

Mudar de opinião e falar sobre isso não é simples, e há décadas a psicologia vem tentando entender por que costumamos ser tão cabeças-duras. Mais recentemente, a neurociência também entrou nessa área, principalmente com os estudos do laboratório britânico Affective Brain Lab, da UCL (University College London). O TAB conversou com a diretora, Tali Sharot, e com o psiquiatra brasileiro Rodrigo Martins Leite, diretor de relações institucionais do IPq USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) para entender quais são as raízes científicas desse problema e como ele se manifesta socialmente.

Por que é difícil admitir que erramos? Para Sharot, a pergunta deve ser outra. "O problema não é necessariamente que a gente saiba que está errado e não admita. Na verdade, não percebemos que estamos errados", explica ela. A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas. "Há maneiras de saber quais mudanças de atividade cerebral deveríamos observar quando você recebe uma informação nova. Conseguimos ver que há menos 'gravação' acontecendo quando a informação não é desejável ou é contrária ao que você acredita", explica a neurocientista. "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc." E o problema não para por aí.

Só acredita quem quer. Além de literalmente guardar menos os fatos que contrariam nossas crenças, nós nem vamos atrás deles, afirma a pesquisadora. "Descobrimos que as pessoas são mais propensas a procurar informações desejáveis e mais propensas a acreditar e reforçar suas crenças quando recebem informações desejáveis", relata. Sharot e sua equipe conseguiram enxergar, no cérebro, o funcionamento do que conhecemos hoje como vieses cognitivos.

Vieses, sempre eles. Há registros de ao menos 120 vieses cognitivos, mas o mais famoso é, sem dúvida, o viés de confirmação, segundo o qual procuramos e aceitamos com mais facilidade informações que confirmam aquilo em que já acreditamos. "Isso significa que você tem menos chances de encontrar informações que vão contra o que você acredita", reforça Sharot. Um teste desenvolvido em 2015, pelo New York Times, envergonha muita gente que acredita estar imune ao viés de confirmação. Quando confrontados com uma informação que desbanca aquilo em que acreditamos — principalmente numa discussão acalorada —, entram em jogo as emoções para "proteger" nossas posições. "Quando estamos tomados por alguma emoção forte, fica mais difícil ainda a dialética da conversa, porque as pessoas não estão debatendo ideias, e sim paixões", explica Leite, da USP. "Isso fortalece a sua opinião prévia sobre o assunto."

Só sei que nada sei. Outro viés bastante popular para explicar a nossa dificuldade em reconhecer uma crença errada é o efeito Dunning-Kruger, lembra Leite. Os dois pesquisadores que dão nome ao efeito realizaram, em 1999, um estudo demonstrando que as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre um assunto costumam ser mais confiantes e acreditam saber mais que a média. Isso se dá porque elas não têm conhecimento suficiente para serem capazes de perceberem e admitirem seus próprios erros. Por outro lado, aqueles que são gabaritados em determinado tema também têm uma visão distorcida sobre seu próprio nível de conhecimento. Essas pessoas acham que os outros estão tão bem informados quanto elas, então tendem a subestimar suas habilidades. "Quanto menos formação você tem em um assunto, menos preparo cognitivo, mais você acredita piamente na sua opinião sobre ele", resume Leite.

Isso é desculpa para teimosia? Não. A ideia é ter consciência dos vieses comportamentais para tentar evitá-los ou, pelo menos, lembrar que todos encaramos os fatos de um ponto de vista bastante pessoal. Leite lembra que costumamos debater dentro de bolhas, vendo nossas opiniões amplificadas por discursos semelhantes, imaginando que estamos consumindo conteúdo ―novo‖. "A sociedade vem dialogando cada vez menos, acho que é uma tendência geral. Cada vez menos pensando no bem comum. Há sempre uma primazia da opinião individual, de pequenos grupos, nunca pensando numa perspectiva mais sistemática e globalizante", avalia ele.

Impressão minha, ou estamos discutindo mais? O psiquiatra se lembra do sociólogo Zygmunt Bauman para defender que as redes sociais amplificam nossa necessidade de expor opiniões online. "A gente publiciza nossa vida privada de uma forma nunca antes vista. E essa avalanche de opiniões privadas colocadas em público acaba sofrendo manipulações — seja pelos algoritmos ou pela amplificação dos robôs", observa Leite. "Isso acaba contagiando muitas pessoas que eventualmente nem tinham uma opinião formada sobre o tema, mas é tamanho o bombardeio de mensagens e notícias que muitas vezes supera a capacidade do indivíduo de ter um filtro crítico sobre essas informações." Em consequência, todo mundo sente a necessidade de opinar — mesmo sem conhecer um assunto a fundo — e, como já vimos antes, ecoar vozes semelhantes às suas.

Alguma dica para fazer alguém admitir um erro? "Quando as opiniões são afetivas, refratárias a dados, não adianta discutir. É análogo, na psiquiatria, a um paciente que tenha um delírio. Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda", explica. Tanto o psiquiatra quanto a neurocientista afirmam que reabrir um diálogo e diminuir a polarização é um trabalho social conjunto, pois não há tipos de personalidades mais suscetíveis à teimosia e à dificuldade em admitir erros. Estamos todos tão propensos a isso quanto os que criticamos. A dica, segundo eles, é fazer a sua parte e, ativamente, procurar informações contrárias àquilo que você acredita. E estar aberto ao diálogo — mesmo que os assuntos mais espinhosos precisem ficar de lado, opina Leite. "Precisa ser um princípio geral encontrar pautas que girem em torno do interesse comum. Mas a politização está tão grave que a gente fala em ecologia, por exemplo, que é algo do bem comum, e já se fala que é uma pauta de esquerda. Precisamos voltar a procurar identidade entre as pessoas. A politização enfraquece muito nosso senso de comunidade."

(POLLO, Luiza. Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica. TAB Uol, 13 jun. 2020. Com adaptações. Disponível em: < https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/13/como-neurociencia-e-psiquiatria-explicam-nossa-dificuldade-em-admitir-erros.htm>)

Tendo em vista as estratégias de retomada referencial usadas na construção de sentidos do texto, é possível afirmar, EXCETO:

 

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Teimosia, falta de empatia, polarização política. Nós costumamos encontrar diversas justificativas para quando não conseguimos convencer outra pessoa de que ela está errada, mesmo quando todos os fatos apontam que está. E, quando alguém finalmente muda de ideia — seja ao se convencer de que a Terra é redonda, de que o distanciamento social é sim uma medida eficaz contra o novo coronavírus ou de que determinado post foi ofensivo nas redes sociais —, é difícil vê-lo publicizando seu arrependimento.

Mudar de opinião e falar sobre isso não é simples, e há décadas a psicologia vem tentando entender por que costumamos ser tão cabeças-duras. Mais recentemente, a neurociência também entrou nessa área, principalmente com os estudos do laboratório britânico Affective Brain Lab, da UCL (University College London). O TAB conversou com a diretora, Tali Sharot, e com o psiquiatra brasileiro Rodrigo Martins Leite, diretor de relações institucionais do IPq USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) para entender quais são as raízes científicas desse problema e como ele se manifesta socialmente.

Por que é difícil admitir que erramos? Para Sharot, a pergunta deve ser outra. "O problema não é necessariamente que a gente saiba que está errado e não admita. Na verdade, não percebemos que estamos errados", explica ela. A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas. "Há maneiras de saber quais mudanças de atividade cerebral deveríamos observar quando você recebe uma informação nova. Conseguimos ver que há menos 'gravação' acontecendo quando a informação não é desejável ou é contrária ao que você acredita", explica a neurocientista. "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc." E o problema não para por aí.

Só acredita quem quer. Além de literalmente guardar menos os fatos que contrariam nossas crenças, nós nem vamos atrás deles, afirma a pesquisadora. "Descobrimos que as pessoas são mais propensas a procurar informações desejáveis e mais propensas a acreditar e reforçar suas crenças quando recebem informações desejáveis", relata. Sharot e sua equipe conseguiram enxergar, no cérebro, o funcionamento do que conhecemos hoje como vieses cognitivos.

Vieses, sempre eles. Há registros de ao menos 120 vieses cognitivos, mas o mais famoso é, sem dúvida, o viés de confirmação, segundo o qual procuramos e aceitamos com mais facilidade informações que confirmam aquilo em que já acreditamos. "Isso significa que você tem menos chances de encontrar informações que vão contra o que você acredita", reforça Sharot. Um teste desenvolvido em 2015, pelo New York Times, envergonha muita gente que acredita estar imune ao viés de confirmação. Quando confrontados com uma informação que desbanca aquilo em que acreditamos — principalmente numa discussão acalorada —, entram em jogo as emoções para ―proteger‖ nossas posições. "Quando estamos tomados por alguma emoção forte, fica mais difícil ainda a dialética da conversa, porque as pessoas não estão debatendo ideias, e sim paixões", explica Leite, da USP. "Isso fortalece a sua opinião prévia sobre o assunto."

Só sei que nada sei. Outro viés bastante popular para explicar a nossa dificuldade em reconhecer uma crença errada é o efeito Dunning-Kruger, lembra Leite. Os dois pesquisadores que dão nome ao efeito realizaram, em 1999, um estudo demonstrando que as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre um assunto costumam ser mais confiantes e acreditam saber mais que a média. Isso se dá porque elas não têm conhecimento suficiente para serem capazes de perceberem e admitirem seus próprios erros. Por outro lado, aqueles que são gabaritados em determinado tema também têm uma visão distorcida sobre seu próprio nível de conhecimento. Essas pessoas acham que os outros estão tão bem informados quanto elas, então tendem a subestimar suas habilidades. "Quanto menos formação você tem em um assunto, menos preparo cognitivo, mais você acredita piamente na sua opinião sobre ele", resume Leite.

Isso é desculpa para teimosia? Não. A ideia é ter consciência dos vieses comportamentais para tentar evitá-los ou, pelo menos, lembrar que todos encaramos os fatos de um ponto de vista bastante pessoal. Leite lembra que costumamos debater dentro de bolhas, vendo nossas opiniões amplificadas por discursos semelhantes, imaginando que estamos consumindo conteúdo ―novo‖. "A sociedade vem dialogando cada vez menos, acho que é uma tendência geral. Cada vez menos pensando no bem comum. Há sempre uma primazia da opinião individual, de pequenos grupos, nunca pensando numa perspectiva mais sistemática e globalizante", avalia ele.

Impressão minha, ou estamos discutindo mais? O psiquiatra se lembra do sociólogo Zygmunt Bauman para defender que as redes sociais amplificam nossa necessidade de expor opiniões online. "A gente publiciza nossa vida privada de uma forma nunca antes vista. E essa avalanche de opiniões privadas colocadas em público acaba sofrendo manipulações — seja pelos algoritmos ou pela amplificação dos robôs", observa Leite. "Isso acaba contagiando muitas pessoas que eventualmente nem tinham uma opinião formada sobre o tema, mas é tamanho o bombardeio de mensagens e notícias que muitas vezes supera a capacidade do indivíduo de ter um filtro crítico sobre essas informações." Em consequência, todo mundo sente a necessidade de opinar — mesmo sem conhecer um assunto a fundo — e, como já vimos antes, ecoar vozes semelhantes às suas.

Alguma dica para fazer alguém admitir um erro? "Quando as opiniões são afetivas, refratárias a dados, não adianta discutir. É análogo, na psiquiatria, a um paciente que tenha um delírio. Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda", explica. Tanto o psiquiatra quanto a neurocientista afirmam que reabrir um diálogo e diminuir a polarização é um trabalho social conjunto, pois não há tipos de personalidades mais suscetíveis à teimosia e à dificuldade em admitir erros. Estamos todos tão propensos a isso quanto os que criticamos. A dica, segundo eles, é fazer a sua parte e, ativamente, procurar informações contrárias àquilo que você acredita. E estar aberto ao diálogo — mesmo que os assuntos mais espinhosos precisem ficar de lado, opina Leite. "Precisa ser um princípio geral encontrar pautas que girem em torno do interesse comum. Mas a politização está tão grave que a gente fala em ecologia, por exemplo, que é algo do bem comum, e já se fala que é uma pauta de esquerda. Precisamos voltar a procurar identidade entre as pessoas. A politização enfraquece muito nosso senso de comunidade."

(POLLO, Luiza. Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica. TAB Uol, 13 jun. 2020. Com adaptações. Disponível em: < https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/13/como-neurociencia-e-psiquiatria-explicam-nossa-dificuldade-em-admitir-erros.htm>)

Considere o período "A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas". Julgue as seguintes afirmações sobre sua construção sintática:

I. Uma das posições que "há quase 20 anos" pode ocupar no período é após a conjunção "e".

II. Há duas orações conectadas por "e" que compartilham o mesmo sujeito.

III. As duas ocorrências do pronome relativo "que" marcam a introdução de oração com valor adjetivo.

IV. A oração subordinada "como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações" exerce função de objeto direto e possui, em sua composição, um objeto indireto.

 

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Teimosia, falta de empatia, polarização política. Nós costumamos encontrar diversas justificativas para quando não conseguimos convencer outra pessoa de que ela está errada, mesmo quando todos os fatos apontam que está. E, quando alguém finalmente muda de ideia — seja ao se convencer de que a Terra é redonda, de que o distanciamento social é sim uma medida eficaz contra o novo coronavírus ou de que determinado post foi ofensivo nas redes sociais —, é difícil vê-lo publicizando seu arrependimento.

Mudar de opinião e falar sobre isso não é simples, e há décadas a psicologia vem tentando entender por que costumamos ser tão cabeças-duras. Mais recentemente, a neurociência também entrou nessa área, principalmente com os estudos do laboratório britânico Affective Brain Lab, da UCL (University College London). O TAB conversou com a diretora, Tali Sharot, e com o psiquiatra brasileiro Rodrigo Martins Leite, diretor de relações institucionais do IPq USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) para entender quais são as raízes científicas desse problema e como ele se manifesta socialmente.

Por que é difícil admitir que erramos? Para Sharot, a pergunta deve ser outra. "O problema não é necessariamente que a gente saiba que está errado e não admita. Na verdade, não percebemos que estamos errados", explica ela. A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas. "Há maneiras de saber quais mudanças de atividade cerebral deveríamos observar quando você recebe uma informação nova. Conseguimos ver que há menos 'gravação' acontecendo quando a informação não é desejável ou é contrária ao que você acredita", explica a neurocientista. "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc." E o problema não para por aí.

Só acredita quem quer. Além de literalmente guardar menos os fatos que contrariam nossas crenças, nós nem vamos atrás deles, afirma a pesquisadora. "Descobrimos que as pessoas são mais propensas a procurar informações desejáveis e mais propensas a acreditar e reforçar suas crenças quando recebem informações desejáveis", relata. Sharot e sua equipe conseguiram enxergar, no cérebro, o funcionamento do que conhecemos hoje como vieses cognitivos.

Vieses, sempre eles. Há registros de ao menos 120 vieses cognitivos, mas o mais famoso é, sem dúvida, o viés de confirmação, segundo o qual procuramos e aceitamos com mais facilidade informações que confirmam aquilo em que já acreditamos. "Isso significa que você tem menos chances de encontrar informações que vão contra o que você acredita", reforça Sharot. Um teste desenvolvido em 2015, pelo New York Times, envergonha muita gente que acredita estar imune ao viés de confirmação. Quando confrontados com uma informação que desbanca aquilo em que acreditamos — principalmente numa discussão acalorada —, entram em jogo as emoções para ―proteger‖ nossas posições. "Quando estamos tomados por alguma emoção forte, fica mais difícil ainda a dialética da conversa, porque as pessoas não estão debatendo ideias, e sim paixões", explica Leite, da USP. "Isso fortalece a sua opinião prévia sobre o assunto."

Só sei que nada sei. Outro viés bastante popular para explicar a nossa dificuldade em reconhecer uma crença errada é o efeito Dunning-Kruger, lembra Leite. Os dois pesquisadores que dão nome ao efeito realizaram, em 1999, um estudo demonstrando que as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre um assunto costumam ser mais confiantes e acreditam saber mais que a média. Isso se dá porque elas não têm conhecimento suficiente para serem capazes de perceberem e admitirem seus próprios erros. Por outro lado, aqueles que são gabaritados em determinado tema também têm uma visão distorcida sobre seu próprio nível de conhecimento. Essas pessoas acham que os outros estão tão bem informados quanto elas, então tendem a subestimar suas habilidades. "Quanto menos formação você tem em um assunto, menos preparo cognitivo, mais você acredita piamente na sua opinião sobre ele", resume Leite.

Isso é desculpa para teimosia? Não. A ideia é ter consciência dos vieses comportamentais para tentar evitá-los ou, pelo menos, lembrar que todos encaramos os fatos de um ponto de vista bastante pessoal. Leite lembra que costumamos debater dentro de bolhas, vendo nossas opiniões amplificadas por discursos semelhantes, imaginando que estamos consumindo conteúdo ―novo‖. "A sociedade vem dialogando cada vez menos, acho que é uma tendência geral. Cada vez menos pensando no bem comum. Há sempre uma primazia da opinião individual, de pequenos grupos, nunca pensando numa perspectiva mais sistemática e globalizante", avalia ele.

Impressão minha, ou estamos discutindo mais? O psiquiatra se lembra do sociólogo Zygmunt Bauman para defender que as redes sociais amplificam nossa necessidade de expor opiniões online. "A gente publiciza nossa vida privada de uma forma nunca antes vista. E essa avalanche de opiniões privadas colocadas em público acaba sofrendo manipulações — seja pelos algoritmos ou pela amplificação dos robôs", observa Leite. "Isso acaba contagiando muitas pessoas que eventualmente nem tinham uma opinião formada sobre o tema, mas é tamanho o bombardeio de mensagens e notícias que muitas vezes supera a capacidade do indivíduo de ter um filtro crítico sobre essas informações." Em consequência, todo mundo sente a necessidade de opinar — mesmo sem conhecer um assunto a fundo — e, como já vimos antes, ecoar vozes semelhantes às suas.

Alguma dica para fazer alguém admitir um erro? "Quando as opiniões são afetivas, refratárias a dados, não adianta discutir. É análogo, na psiquiatria, a um paciente que tenha um delírio. Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda", explica. Tanto o psiquiatra quanto a neurocientista afirmam que reabrir um diálogo e diminuir a polarização é um trabalho social conjunto, pois não há tipos de personalidades mais suscetíveis à teimosia e à dificuldade em admitir erros. Estamos todos tão propensos a isso quanto os que criticamos. A dica, segundo eles, é fazer a sua parte e, ativamente, procurar informações contrárias àquilo que você acredita. E estar aberto ao diálogo — mesmo que os assuntos mais espinhosos precisem ficar de lado, opina Leite. "Precisa ser um princípio geral encontrar pautas que girem em torno do interesse comum. Mas a politização está tão grave que a gente fala em ecologia, por exemplo, que é algo do bem comum, e já se fala que é uma pauta de esquerda. Precisamos voltar a procurar identidade entre as pessoas. A politização enfraquece muito nosso senso de comunidade."

(POLLO, Luiza. Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica. TAB Uol, 13 jun. 2020. Com adaptações. Disponível em: < https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/13/como-neurociencia-e-psiquiatria-explicam-nossa-dificuldade-em-admitir-erros.htm>)

Dentre as palavras a seguir, presentes no texto, indique a única que contém prefixo que expressa sentido de negação:

 

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Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica

Teimosia, falta de empatia, polarização política. Nós costumamos encontrar diversas justificativas para quando não conseguimos convencer outra pessoa de que ela está errada, mesmo quando todos os fatos apontam que está. E, quando alguém finalmente muda de ideia — seja ao se convencer de que a Terra é redonda, de que o distanciamento social é sim uma medida eficaz contra o novo coronavírus ou de que determinado post foi ofensivo nas redes sociais —, é difícil vê-lo publicizando seu arrependimento.

Mudar de opinião e falar sobre isso não é simples, e há décadas a psicologia vem tentando entender por que costumamos ser tão cabeças-duras. Mais recentemente, a neurociência também entrou nessa área, principalmente com os estudos do laboratório britânico Affective Brain Lab, da UCL (University College London). O TAB conversou com a diretora, Tali Sharot, e com o psiquiatra brasileiro Rodrigo Martins Leite, diretor de relações institucionais do IPq USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) para entender quais são as raízes científicas desse problema e como ele se manifesta socialmente.

Por que é difícil admitir que erramos? Para Sharot, a pergunta deve ser outra. "O problema não é necessariamente que a gente saiba que está errado e não admita. Na verdade, não percebemos que estamos errados", explica ela. A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas. "Há maneiras de saber quais mudanças de atividade cerebral deveríamos observar quando você recebe uma informação nova. Conseguimos ver que há menos 'gravação' acontecendo quando a informação não é desejável ou é contrária ao que você acredita", explica a neurocientista. "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc." E o problema não para por aí.

Só acredita quem quer. Além de literalmente guardar menos os fatos que contrariam nossas crenças, nós nem vamos atrás deles, afirma a pesquisadora. "Descobrimos que as pessoas são mais propensas a procurar informações desejáveis e mais propensas a acreditar e reforçar suas crenças quando recebem informações desejáveis", relata. Sharot e sua equipe conseguiram enxergar, no cérebro, o funcionamento do que conhecemos hoje como vieses cognitivos.

Vieses, sempre eles. Há registros de ao menos 120 vieses cognitivos, mas o mais famoso é, sem dúvida, o viés de confirmação, segundo o qual procuramos e aceitamos com mais facilidade informações que confirmam aquilo em que já acreditamos. "Isso significa que você tem menos chances de encontrar informações que vão contra o que você acredita", reforça Sharot. Um teste desenvolvido em 2015, pelo New York Times, envergonha muita gente que acredita estar imune ao viés de confirmação. Quando confrontados com uma informação que desbanca aquilo em que acreditamos — principalmente numa discussão acalorada —, entram em jogo as emoções para ―proteger‖ nossas posições. "Quando estamos tomados por alguma emoção forte, fica mais difícil ainda a dialética da conversa, porque as pessoas não estão debatendo ideias, e sim paixões", explica Leite, da USP. "Isso fortalece a sua opinião prévia sobre o assunto."

Só sei que nada sei. Outro viés bastante popular para explicar a nossa dificuldade em reconhecer uma crença errada é o efeito Dunning-Kruger, lembra Leite. Os dois pesquisadores que dão nome ao efeito realizaram, em 1999, um estudo demonstrando que as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre um assunto costumam ser mais confiantes e acreditam saber mais que a média. Isso se dá porque elas não têm conhecimento suficiente para serem capazes de perceberem e admitirem seus próprios erros. Por outro lado, aqueles que são gabaritados em determinado tema também têm uma visão distorcida sobre seu próprio nível de conhecimento. Essas pessoas acham que os outros estão tão bem informados quanto elas, então tendem a subestimar suas habilidades. "Quanto menos formação você tem em um assunto, menos preparo cognitivo, mais você acredita piamente na sua opinião sobre ele", resume Leite.

Isso é desculpa para teimosia? Não. A ideia é ter consciência dos vieses comportamentais para tentar evitá-los ou, pelo menos, lembrar que todos encaramos os fatos de um ponto de vista bastante pessoal. Leite lembra que costumamos debater dentro de bolhas, vendo nossas opiniões amplificadas por discursos semelhantes, imaginando que estamos consumindo conteúdo ―novo‖. "A sociedade vem dialogando cada vez menos, acho que é uma tendência geral. Cada vez menos pensando no bem comum. Há sempre uma primazia da opinião individual, de pequenos grupos, nunca pensando numa perspectiva mais sistemática e globalizante", avalia ele.

Impressão minha, ou estamos discutindo mais? O psiquiatra se lembra do sociólogo Zygmunt Bauman para defender que as redes sociais amplificam nossa necessidade de expor opiniões online. "A gente publiciza nossa vida privada de uma forma nunca antes vista. E essa avalanche de opiniões privadas colocadas em público acaba sofrendo manipulações — seja pelos algoritmos ou pela amplificação dos robôs", observa Leite. "Isso acaba contagiando muitas pessoas que eventualmente nem tinham uma opinião formada sobre o tema, mas é tamanho o bombardeio de mensagens e notícias que muitas vezes supera a capacidade do indivíduo de ter um filtro crítico sobre essas informações." Em consequência, todo mundo sente a necessidade de opinar — mesmo sem conhecer um assunto a fundo — e, como já vimos antes, ecoar vozes semelhantes às suas.

Alguma dica para fazer alguém admitir um erro? "Quando as opiniões são afetivas, refratárias a dados, não adianta discutir. É análogo, na psiquiatria, a um paciente que tenha um delírio. Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda", explica. Tanto o psiquiatra quanto a neurocientista afirmam que reabrir um diálogo e diminuir a polarização é um trabalho social conjunto, pois não há tipos de personalidades mais suscetíveis à teimosia e à dificuldade em admitir erros. Estamos todos tão propensos a isso quanto os que criticamos. A dica, segundo eles, é fazer a sua parte e, ativamente, procurar informações contrárias àquilo que você acredita. E estar aberto ao diálogo — mesmo que os assuntos mais espinhosos precisem ficar de lado, opina Leite. "Precisa ser um princípio geral encontrar pautas que girem em torno do interesse comum. Mas a politização está tão grave que a gente fala em ecologia, por exemplo, que é algo do bem comum, e já se fala que é uma pauta de esquerda. Precisamos voltar a procurar identidade entre as pessoas. A politização enfraquece muito nosso senso de comunidade."

(POLLO, Luiza. Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica. TAB Uol, 13 jun. 2020. Com adaptações. Disponível em: < https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/13/como-neurociencia-e-psiquiatria-explicam-nossa-dificuldade-em-admitir-erros.htm>)

Por ocasião da vigência do Novo Acordo Ortográfico, algumas palavras perderam o acento agudo, a exemplo de ―"ideia". Dentre as palavras a seguir, a única em que esta alteração NÃO ocorreu e, portanto, está grafada INCORRETAMENTE é:

 

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Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica

Teimosia, falta de empatia, polarização política. Nós costumamos encontrar diversas justificativas para quando não conseguimos convencer outra pessoa de que ela está errada, mesmo quando todos os fatos apontam que está. E, quando alguém finalmente muda de ideia — seja ao se convencer de que a Terra é redonda, de que o distanciamento social é sim uma medida eficaz contra o novo coronavírus ou de que determinado post foi ofensivo nas redes sociais —, é difícil vê-lo publicizando seu arrependimento.

Mudar de opinião e falar sobre isso não é simples, e há décadas a psicologia vem tentando entender por que costumamos ser tão cabeças-duras. Mais recentemente, a neurociência também entrou nessa área, principalmente com os estudos do laboratório britânico Affective Brain Lab, da UCL (University College London). O TAB conversou com a diretora, Tali Sharot, e com o psiquiatra brasileiro Rodrigo Martins Leite, diretor de relações institucionais do IPq USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) para entender quais são as raízes científicas desse problema e como ele se manifesta socialmente.

Por que é difícil admitir que erramos? Para Sharot, a pergunta deve ser outra. "O problema não é necessariamente que a gente saiba que está errado e não admita. Na verdade, não percebemos que estamos errados", explica ela. A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas. "Há maneiras de saber quais mudanças de atividade cerebral deveríamos observar quando você recebe uma informação nova. Conseguimos ver que há menos 'gravação' acontecendo quando a informação não é desejável ou é contrária ao que você acredita", explica a neurocientista. "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc." E o problema não para por aí.

Só acredita quem quer. Além de literalmente guardar menos os fatos que contrariam nossas crenças, nós nem vamos atrás deles, afirma a pesquisadora. "Descobrimos que as pessoas são mais propensas a procurar informações desejáveis e mais propensas a acreditar e reforçar suas crenças quando recebem informações desejáveis", relata. Sharot e sua equipe conseguiram enxergar, no cérebro, o funcionamento do que conhecemos hoje como vieses cognitivos.

Vieses, sempre eles. Há registros de ao menos 120 vieses cognitivos, mas o mais famoso é, sem dúvida, o viés de confirmação, segundo o qual procuramos e aceitamos com mais facilidade informações que confirmam aquilo em que já acreditamos. "Isso significa que você tem menos chances de encontrar informações que vão contra o que você acredita", reforça Sharot. Um teste desenvolvido em 2015, pelo New York Times, envergonha muita gente que acredita estar imune ao viés de confirmação. Quando confrontados com uma informação que desbanca aquilo em que acreditamos — principalmente numa discussão acalorada —, entram em jogo as emoções para ―proteger‖ nossas posições. "Quando estamos tomados por alguma emoção forte, fica mais difícil ainda a dialética da conversa, porque as pessoas não estão debatendo ideias, e sim paixões", explica Leite, da USP. "Isso fortalece a sua opinião prévia sobre o assunto."

Só sei que nada sei. Outro viés bastante popular para explicar a nossa dificuldade em reconhecer uma crença errada é o efeito Dunning-Kruger, lembra Leite. Os dois pesquisadores que dão nome ao efeito realizaram, em 1999, um estudo demonstrando que as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre um assunto costumam ser mais confiantes e acreditam saber mais que a média. Isso se dá porque elas não têm conhecimento suficiente para serem capazes de perceberem e admitirem seus próprios erros. Por outro lado, aqueles que são gabaritados em determinado tema também têm uma visão distorcida sobre seu próprio nível de conhecimento. Essas pessoas acham que os outros estão tão bem informados quanto elas, então tendem a subestimar suas habilidades. "Quanto menos formação você tem em um assunto, menos preparo cognitivo, mais você acredita piamente na sua opinião sobre ele", resume Leite.

Isso é desculpa para teimosia? Não. A ideia é ter consciência dos vieses comportamentais para tentar evitá-los ou, pelo menos, lembrar que todos encaramos os fatos de um ponto de vista bastante pessoal. Leite lembra que costumamos debater dentro de bolhas, vendo nossas opiniões amplificadas por discursos semelhantes, imaginando que estamos consumindo conteúdo ―novo‖. "A sociedade vem dialogando cada vez menos, acho que é uma tendência geral. Cada vez menos pensando no bem comum. Há sempre uma primazia da opinião individual, de pequenos grupos, nunca pensando numa perspectiva mais sistemática e globalizante", avalia ele.

Impressão minha, ou estamos discutindo mais? O psiquiatra se lembra do sociólogo Zygmunt Bauman para defender que as redes sociais amplificam nossa necessidade de expor opiniões online. "A gente publiciza nossa vida privada de uma forma nunca antes vista. E essa avalanche de opiniões privadas colocadas em público acaba sofrendo manipulações — seja pelos algoritmos ou pela amplificação dos robôs", observa Leite. "Isso acaba contagiando muitas pessoas que eventualmente nem tinham uma opinião formada sobre o tema, mas é tamanho o bombardeio de mensagens e notícias que muitas vezes supera a capacidade do indivíduo de ter um filtro crítico sobre essas informações." Em consequência, todo mundo sente a necessidade de opinar — mesmo sem conhecer um assunto a fundo — e, como já vimos antes, ecoar vozes semelhantes às suas.

Alguma dica para fazer alguém admitir um erro? "Quando as opiniões são afetivas, refratárias a dados, não adianta discutir. É análogo, na psiquiatria, a um paciente que tenha um delírio. Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda", explica. Tanto o psiquiatra quanto a neurocientista afirmam que reabrir um diálogo e diminuir a polarização é um trabalho social conjunto, pois não há tipos de personalidades mais suscetíveis à teimosia e à dificuldade em admitir erros. Estamos todos tão propensos a isso quanto os que criticamos. A dica, segundo eles, é fazer a sua parte e, ativamente, procurar informações contrárias àquilo que você acredita. E estar aberto ao diálogo — mesmo que os assuntos mais espinhosos precisem ficar de lado, opina Leite. "Precisa ser um princípio geral encontrar pautas que girem em torno do interesse comum. Mas a politização está tão grave que a gente fala em ecologia, por exemplo, que é algo do bem comum, e já se fala que é uma pauta de esquerda. Precisamos voltar a procurar identidade entre as pessoas. A politização enfraquece muito nosso senso de comunidade."

(POLLO, Luiza. Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica. TAB Uol, 13 jun. 2020. Com adaptações. Disponível em: < https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/13/como-neurociencia-e-psiquiatria-explicam-nossa-dificuldade-em-admitir-erros.htm>)

A palavra ―"piamente" pode ser substituída, de maneira a manter o sentido do trecho em que ocorre, por:

 

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Teimosia, falta de empatia, polarização política. Nós costumamos encontrar diversas justificativas para quando não conseguimos convencer outra pessoa de que ela está errada, mesmo quando todos os fatos apontam que está. E, quando alguém finalmente muda de ideia — seja ao se convencer de que a Terra é redonda, de que o distanciamento social é sim uma medida eficaz contra o novo coronavírus ou de que determinado post foi ofensivo nas redes sociais —, é difícil vê-lo publicizando seu arrependimento.

Mudar de opinião e falar sobre isso não é simples, e há décadas a psicologia vem tentando entender por que costumamos ser tão cabeças-duras. Mais recentemente, a neurociência também entrou nessa área, principalmente com os estudos do laboratório britânico Affective Brain Lab, da UCL (University College London). O TAB conversou com a diretora, Tali Sharot, e com o psiquiatra brasileiro Rodrigo Martins Leite, diretor de relações institucionais do IPq USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) para entender quais são as raízes científicas desse problema e como ele se manifesta socialmente.

Por que é difícil admitir que erramos? Para Sharot, a pergunta deve ser outra. "O problema não é necessariamente que a gente saiba que está errado e não admita. Na verdade, não percebemos que estamos errados", explica ela. A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas. "Há maneiras de saber quais mudanças de atividade cerebral deveríamos observar quando você recebe uma informação nova. Conseguimos ver que há menos 'gravação' acontecendo quando a informação não é desejável ou é contrária ao que você acredita", explica a neurocientista. "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc." E o problema não para por aí.

Só acredita quem quer. Além de literalmente guardar menos os fatos que contrariam nossas crenças, nós nem vamos atrás deles, afirma a pesquisadora. "Descobrimos que as pessoas são mais propensas a procurar informações desejáveis e mais propensas a acreditar e reforçar suas crenças quando recebem informações desejáveis", relata. Sharot e sua equipe conseguiram enxergar, no cérebro, o funcionamento do que conhecemos hoje como vieses cognitivos.

Vieses, sempre eles. Há registros de ao menos 120 vieses cognitivos, mas o mais famoso é, sem dúvida, o viés de confirmação, segundo o qual procuramos e aceitamos com mais facilidade informações que confirmam aquilo em que já acreditamos. "Isso significa que você tem menos chances de encontrar informações que vão contra o que você acredita", reforça Sharot. Um teste desenvolvido em 2015, pelo New York Times, envergonha muita gente que acredita estar imune ao viés de confirmação. Quando confrontados com uma informação que desbanca aquilo em que acreditamos — principalmente numa discussão acalorada —, entram em jogo as emoções para ―proteger‖ nossas posições. "Quando estamos tomados por alguma emoção forte, fica mais difícil ainda a dialética da conversa, porque as pessoas não estão debatendo ideias, e sim paixões", explica Leite, da USP. "Isso fortalece a sua opinião prévia sobre o assunto."

Só sei que nada sei. Outro viés bastante popular para explicar a nossa dificuldade em reconhecer uma crença errada é o efeito Dunning-Kruger, lembra Leite. Os dois pesquisadores que dão nome ao efeito realizaram, em 1999, um estudo demonstrando que as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre um assunto costumam ser mais confiantes e acreditam saber mais que a média. Isso se dá porque elas não têm conhecimento suficiente para serem capazes de perceberem e admitirem seus próprios erros. Por outro lado, aqueles que são gabaritados em determinado tema também têm uma visão distorcida sobre seu próprio nível de conhecimento. Essas pessoas acham que os outros estão tão bem informados quanto elas, então tendem a subestimar suas habilidades. "Quanto menos formação você tem em um assunto, menos preparo cognitivo, mais você acredita piamente na sua opinião sobre ele", resume Leite.

Isso é desculpa para teimosia? Não. A ideia é ter consciência dos vieses comportamentais para tentar evitá-los ou, pelo menos, lembrar que todos encaramos os fatos de um ponto de vista bastante pessoal. Leite lembra que costumamos debater dentro de bolhas, vendo nossas opiniões amplificadas por discursos semelhantes, imaginando que estamos consumindo conteúdo ―novo‖. "A sociedade vem dialogando cada vez menos, acho que é uma tendência geral. Cada vez menos pensando no bem comum. Há sempre uma primazia da opinião individual, de pequenos grupos, nunca pensando numa perspectiva mais sistemática e globalizante", avalia ele.

Impressão minha, ou estamos discutindo mais? O psiquiatra se lembra do sociólogo Zygmunt Bauman para defender que as redes sociais amplificam nossa necessidade de expor opiniões online. "A gente publiciza nossa vida privada de uma forma nunca antes vista. E essa avalanche de opiniões privadas colocadas em público acaba sofrendo manipulações — seja pelos algoritmos ou pela amplificação dos robôs", observa Leite. "Isso acaba contagiando muitas pessoas que eventualmente nem tinham uma opinião formada sobre o tema, mas é tamanho o bombardeio de mensagens e notícias que muitas vezes supera a capacidade do indivíduo de ter um filtro crítico sobre essas informações." Em consequência, todo mundo sente a necessidade de opinar — mesmo sem conhecer um assunto a fundo — e, como já vimos antes, ecoar vozes semelhantes às suas.

Alguma dica para fazer alguém admitir um erro? "Quando as opiniões são afetivas, refratárias a dados, não adianta discutir. É análogo, na psiquiatria, a um paciente que tenha um delírio. Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda", explica. Tanto o psiquiatra quanto a neurocientista afirmam que reabrir um diálogo e diminuir a polarização é um trabalho social conjunto, pois não há tipos de personalidades mais suscetíveis à teimosia e à dificuldade em admitir erros. Estamos todos tão propensos a isso quanto os que criticamos. A dica, segundo eles, é fazer a sua parte e, ativamente, procurar informações contrárias àquilo que você acredita. E estar aberto ao diálogo — mesmo que os assuntos mais espinhosos precisem ficar de lado, opina Leite. "Precisa ser um princípio geral encontrar pautas que girem em torno do interesse comum. Mas a politização está tão grave que a gente fala em ecologia, por exemplo, que é algo do bem comum, e já se fala que é uma pauta de esquerda. Precisamos voltar a procurar identidade entre as pessoas. A politização enfraquece muito nosso senso de comunidade."

(POLLO, Luiza. Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica. TAB Uol, 13 jun. 2020. Com adaptações. Disponível em: < https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/13/como-neurociencia-e-psiquiatria-explicam-nossa-dificuldade-em-admitir-erros.htm>)

Indique, dentre as palavras a seguir, a única que está sendo usada, no texto, com sentido denotativo:

 

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Teimosia, falta de empatia, polarização política. Nós costumamos encontrar diversas justificativas para quando não conseguimos convencer outra pessoa de que ela está errada, mesmo quando todos os fatos apontam que está. E, quando alguém finalmente muda de ideia — seja ao se convencer de que a Terra é redonda, de que o distanciamento social é sim uma medida eficaz contra o novo coronavírus ou de que determinado post foi ofensivo nas redes sociais —, é difícil vê-lo publicizando seu arrependimento.

Mudar de opinião e falar sobre isso não é simples, e há décadas a psicologia vem tentando entender por que costumamos ser tão cabeças-duras. Mais recentemente, a neurociência também entrou nessa área, principalmente com os estudos do laboratório britânico Affective Brain Lab, da UCL (University College London). O TAB conversou com a diretora, Tali Sharot, e com o psiquiatra brasileiro Rodrigo Martins Leite, diretor de relações institucionais do IPq USP (Instituto de Psiquiatria da Universidade de São Paulo) para entender quais são as raízes científicas desse problema e como ele se manifesta socialmente.

Por que é difícil admitir que erramos? Para Sharot, a pergunta deve ser outra. "O problema não é necessariamente que a gente saiba que está errado e não admita. Na verdade, não percebemos que estamos errados", explica ela. A neurocientista pesquisa, há quase 20 anos, como o nosso cérebro reage à chegada de novas informações e descobriu que ele não grava tão bem aquelas que vão contra o que acreditamos — principalmente quando são negativas. "Há maneiras de saber quais mudanças de atividade cerebral deveríamos observar quando você recebe uma informação nova. Conseguimos ver que há menos 'gravação' acontecendo quando a informação não é desejável ou é contrária ao que você acredita", explica a neurocientista. "Isso ocorre principalmente nas regiões frontais, mas elas estão conectadas a regiões subcorticais que estão envolvidas com emoção, motivação, memória etc." E o problema não para por aí.

Só acredita quem quer. Além de literalmente guardar menos os fatos que contrariam nossas crenças, nós nem vamos atrás deles, afirma a pesquisadora. "Descobrimos que as pessoas são mais propensas a procurar informações desejáveis e mais propensas a acreditar e reforçar suas crenças quando recebem informações desejáveis", relata. Sharot e sua equipe conseguiram enxergar, no cérebro, o funcionamento do que conhecemos hoje como vieses cognitivos.

Vieses, sempre eles. Há registros de ao menos 120 vieses cognitivos, mas o mais famoso é, sem dúvida, o viés de confirmação, segundo o qual procuramos e aceitamos com mais facilidade informações que confirmam aquilo em que já acreditamos. "Isso significa que você tem menos chances de encontrar informações que vão contra o que você acredita", reforça Sharot. Um teste desenvolvido em 2015, pelo New York Times, envergonha muita gente que acredita estar imune ao viés de confirmação. Quando confrontados com uma informação que desbanca aquilo em que acreditamos — principalmente numa discussão acalorada —, entram em jogo as emoções para ―proteger‖ nossas posições. "Quando estamos tomados por alguma emoção forte, fica mais difícil ainda a dialética da conversa, porque as pessoas não estão debatendo ideias, e sim paixões", explica Leite, da USP. "Isso fortalece a sua opinião prévia sobre o assunto."

Só sei que nada sei. Outro viés bastante popular para explicar a nossa dificuldade em reconhecer uma crença errada é o efeito Dunning-Kruger, lembra Leite. Os dois pesquisadores que dão nome ao efeito realizaram, em 1999, um estudo demonstrando que as pessoas que possuem pouco conhecimento sobre um assunto costumam ser mais confiantes e acreditam saber mais que a média. Isso se dá porque elas não têm conhecimento suficiente para serem capazes de perceberem e admitirem seus próprios erros. Por outro lado, aqueles que são gabaritados em determinado tema também têm uma visão distorcida sobre seu próprio nível de conhecimento. Essas pessoas acham que os outros estão tão bem informados quanto elas, então tendem a subestimar suas habilidades. "Quanto menos formação você tem em um assunto, menos preparo cognitivo, mais você acredita piamente na sua opinião sobre ele", resume Leite.

Isso é desculpa para teimosia? Não. A ideia é ter consciência dos vieses comportamentais para tentar evitá-los ou, pelo menos, lembrar que todos encaramos os fatos de um ponto de vista bastante pessoal. Leite lembra que costumamos debater dentro de bolhas, vendo nossas opiniões amplificadas por discursos semelhantes, imaginando que estamos consumindo conteúdo ―novo‖. "A sociedade vem dialogando cada vez menos, acho que é uma tendência geral. Cada vez menos pensando no bem comum. Há sempre uma primazia da opinião individual, de pequenos grupos, nunca pensando numa perspectiva mais sistemática e globalizante", avalia ele.

Impressão minha, ou estamos discutindo mais? O psiquiatra se lembra do sociólogo Zygmunt Bauman para defender que as redes sociais amplificam nossa necessidade de expor opiniões online. "A gente publiciza nossa vida privada de uma forma nunca antes vista. E essa avalanche de opiniões privadas colocadas em público acaba sofrendo manipulações — seja pelos algoritmos ou pela amplificação dos robôs", observa Leite. "Isso acaba contagiando muitas pessoas que eventualmente nem tinham uma opinião formada sobre o tema, mas é tamanho o bombardeio de mensagens e notícias que muitas vezes supera a capacidade do indivíduo de ter um filtro crítico sobre essas informações." Em consequência, todo mundo sente a necessidade de opinar — mesmo sem conhecer um assunto a fundo — e, como já vimos antes, ecoar vozes semelhantes às suas.

Alguma dica para fazer alguém admitir um erro? "Quando as opiniões são afetivas, refratárias a dados, não adianta discutir. É análogo, na psiquiatria, a um paciente que tenha um delírio. Delírio é grosseiramente uma ideia irremovível, é uma convicção muito profunda", explica. Tanto o psiquiatra quanto a neurocientista afirmam que reabrir um diálogo e diminuir a polarização é um trabalho social conjunto, pois não há tipos de personalidades mais suscetíveis à teimosia e à dificuldade em admitir erros. Estamos todos tão propensos a isso quanto os que criticamos. A dica, segundo eles, é fazer a sua parte e, ativamente, procurar informações contrárias àquilo que você acredita. E estar aberto ao diálogo — mesmo que os assuntos mais espinhosos precisem ficar de lado, opina Leite. "Precisa ser um princípio geral encontrar pautas que girem em torno do interesse comum. Mas a politização está tão grave que a gente fala em ecologia, por exemplo, que é algo do bem comum, e já se fala que é uma pauta de esquerda. Precisamos voltar a procurar identidade entre as pessoas. A politização enfraquece muito nosso senso de comunidade."

(POLLO, Luiza. Por que é tão difícil admitir que estamos errados? A psiquiatria explica. TAB Uol, 13 jun. 2020. Com adaptações. Disponível em: < https://tab.uol.com.br/noticias/redacao/2020/06/13/como-neurociencia-e-psiquiatria-explicam-nossa-dificuldade-em-admitir-erros.htm>)

Dentre os substantivos compostos a seguir, indique o único cuja flexão para o plural é feita da mesma forma que em ―cabeças-duras:

 

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