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Para responder à questão, leia o Texto III.
Texto III

Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DO-wPeVDngk/?img_index=1. Acesso em: 2 out. 2025.
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Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DO-wPeVDngk/?img_index=1. Acesso em: 2 out. 2025.
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Texto III

Fonte: GONSALES, Fernando. Níquel Náusea. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DO-wPeVDngk/?img_index=1. Acesso em: 2 out. 2025.
I- O substantivo “monstro” é empregado na tira de forma ambígua.
II- A frustração dos monstros é importante para o estabelecimento da coerência do texto.
III- O humor da tira gira em torno de uma quebra de expectativa.
É CORRETO o que se afirma em:
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No Texto II:
Texto II
Fonte: DICAS HISTÓRICAS. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DOIzO8GjpHC/. Acesso em: 2 out. 2025.
Os substantivos Biologia, Medicina, Jornalismo e História, que nomeiam cursos e compõem as orações que formam a tira, do ponto de vista sintático são todos exemplos de:
Texto II
Fonte: DICAS HISTÓRICAS. Disponível em: https://www.instagram.com/p/DOIzO8GjpHC/. Acesso em: 2 out. 2025.
Os substantivos Biologia, Medicina, Jornalismo e História, que nomeiam cursos e compõem as orações que formam a tira, do ponto de vista sintático são todos exemplos de:
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O Texto I deve ser lido para responder à questão.
Texto I
PAÍSES PRECISAM TRATAR A SOLIDÃO COMO UM PROBLEMA PÚBLICO
Sucesso de uma nação não é apenas produzir mais, é perder menos gente para o silêncio
Waldemar Magaldi Filho
20 set. 2025 às 10h10
Quando a vida perde o fio do sentido, até um simples resfriado pode derrubar. Não é exagero poético, é uma descrição precisa do
que acontece quando o organismo psíquico se vê sem horizonte, sem pertencimento, sem uma razão que amarre as horas do dia.
Longe de um misticismo nebuloso, essa "tarefa" é o nome clássico de uma experiência cotidiana, a sensação de ter valor para
alguém, de que o esforço tem direção, de que o mundo ainda nos pede algo. Quando esse chamado some, o corpo registra, a imunidade
cede, a mente fecha e ficamos "bloqueados". O destino de pessoas e de sociedades muda quando o sentido deixa de existir.
É aí que entra um termo incômodo, nascido do esforço de dois economistas, Anne Case e Angus Deaton: "mortes por
desespero". A expressão reúne três causas de morte que se expandiram em certas populações ao longo das últimas décadas: suicídio,
overdose de drogas e doenças hepáticas relacionadas ao álcool.
Por trás dos números o desenho social de isolamento, perda de propósito, empregos que somem, comunidades que se desfazem,
dor crônica tratada como mercadoria. O fenômeno foi fotografado com nitidez em partes dos Estados Unidos. Mas não se trata de um
destino americano, é um alerta universal. Quando vínculos esgarçam e perspectivas encolhem, a curva do desespero sobe. E desespero
não é só um afeto, é uma política do corpo.
A literatura de saúde pública insiste que o sentido é também um determinante social. Não basta aconselhar resiliência individual
quando as estruturas que sustentam a vida comum – trabalho digno, moradia, transporte, escola, cuidado – estão corroídas.
Não se trata de eleger um culpado único – crises têm múltiplas causas, da inovação tecnológica aos choques geopolíticos –, mas
de notar um padrão, quando políticas públicas passam a tratar a segurança econômica, a saúde, a educação e o cuidado como linhas de
custo a serem comprimidas, a conta aparece em outro lugar.
Aparece na sobrecarga das famílias, na precarização silenciosa de territórios, na medicalização do sofrimento social, na
anestesia como resposta. Aretórica da meritocracia sem freios é psicologicamente tóxica porque produz um tipo de vergonha que isola.
E isolamento é adubo para o desespero.
Dizer que "a matéria ganhou primazia sobre a alma" não é uma oposição simplista entre economia má e espiritualidade boa. É
uma constatação sobre prioridades, quando o preço vira a linguagem, perde estatuto de valor. O resultado é uma sociedade eficiente
para produzir coisas e inábil para acolher pessoas. E, no entanto, não há contradição entre prosperidade e sentido, há desordem de
metas.
O desafio é civilizatório, alinhar incentivos econômicos a finalidades humanas. Isso significa cinco linhas de ação que cabem na
pauta pública e na vida miúda: políticas de emprego que recompensem o trabalho decente; um sistema de saúde que integre cuidado
mental desde a atenção primária; regulação e responsabilidade corporativa em mercados que lidam com dor e dependência;
investimento em educação continuada e requalificação que devolvam horizonte a trabalhadores em transição; e, por fim, uma agenda
de convivência que trate a solidão como problema público, promovendo espaços, tempos e serviços que refaçam a comunidade.
Fonte: MAGALDI FILHO, Waldemar. Países precisam tratar a solidão como um problema público. Folha de São Paulo, 20 set. 2025. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/09/uma-sociedade-eficiente-para-produzir-coisas-e-inabil-em-acolher-pessoas.shtml. Acesso em: 20 set. 2025.
Adaptado.
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O Texto I deve ser lido para responder à questão.
Texto I
PAÍSES PRECISAM TRATAR A SOLIDÃO COMO UM PROBLEMA PÚBLICO
Sucesso de uma nação não é apenas produzir mais, é perder menos gente para o silêncio
Waldemar Magaldi Filho
20 set. 2025 às 10h10
Quando a vida perde o fio do sentido, até um simples resfriado pode derrubar. Não é exagero poético, é uma descrição precisa do
que acontece quando o organismo psíquico se vê sem horizonte, sem pertencimento, sem uma razão que amarre as horas do dia.
Longe de um misticismo nebuloso, essa "tarefa" é o nome clássico de uma experiência cotidiana, a sensação de ter valor para
alguém, de que o esforço tem direção, de que o mundo ainda nos pede algo. Quando esse chamado some, o corpo registra, a imunidade
cede, a mente fecha e ficamos "bloqueados". O destino de pessoas e de sociedades muda quando o sentido deixa de existir.
É aí que entra um termo incômodo, nascido do esforço de dois economistas, Anne Case e Angus Deaton: "mortes por
desespero". A expressão reúne três causas de morte que se expandiram em certas populações ao longo das últimas décadas: suicídio,
overdose de drogas e doenças hepáticas relacionadas ao álcool.
Por trás dos números o desenho social de isolamento, perda de propósito, empregos que somem, comunidades que se desfazem,
dor crônica tratada como mercadoria. O fenômeno foi fotografado com nitidez em partes dos Estados Unidos. Mas não se trata de um
destino americano, é um alerta universal. Quando vínculos esgarçam e perspectivas encolhem, a curva do desespero sobe. E desespero
não é só um afeto, é uma política do corpo.
A literatura de saúde pública insiste que o sentido é também um determinante social. Não basta aconselhar resiliência individual
quando as estruturas que sustentam a vida comum – trabalho digno, moradia, transporte, escola, cuidado – estão corroídas.
Não se trata de eleger um culpado único – crises têm múltiplas causas, da inovação tecnológica aos choques geopolíticos –, mas
de notar um padrão, quando políticas públicas passam a tratar a segurança econômica, a saúde, a educação e o cuidado como linhas de
custo a serem comprimidas, a conta aparece em outro lugar.
Aparece na sobrecarga das famílias, na precarização silenciosa de territórios, na medicalização do sofrimento social, na
anestesia como resposta. Aretórica da meritocracia sem freios é psicologicamente tóxica porque produz um tipo de vergonha que isola.
E isolamento é adubo para o desespero.
Dizer que "a matéria ganhou primazia sobre a alma" não é uma oposição simplista entre economia má e espiritualidade boa. É
uma constatação sobre prioridades, quando o preço vira a linguagem, perde estatuto de valor. O resultado é uma sociedade eficiente
para produzir coisas e inábil para acolher pessoas. E, no entanto, não há contradição entre prosperidade e sentido, há desordem de
metas.
O desafio é civilizatório, alinhar incentivos econômicos a finalidades humanas. Isso significa cinco linhas de ação que cabem na
pauta pública e na vida miúda: políticas de emprego que recompensem o trabalho decente; um sistema de saúde que integre cuidado
mental desde a atenção primária; regulação e responsabilidade corporativa em mercados que lidam com dor e dependência;
investimento em educação continuada e requalificação que devolvam horizonte a trabalhadores em transição; e, por fim, uma agenda
de convivência que trate a solidão como problema público, promovendo espaços, tempos e serviços que refaçam a comunidade.
Fonte: MAGALDI FILHO, Waldemar. Países precisam tratar a solidão como um problema público. Folha de São Paulo, 20 set. 2025. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/09/uma-sociedade-eficiente-para-produzir-coisas-e-inabil-em-acolher-pessoas.shtml. Acesso em: 20 set. 2025.
Adaptado.
I- No aposto “crises têm múltiplas causas, da inovação tecnológica aos choques geopolíticos”, o substantivo crises oferece uma explicação sobre a quais culpados pelo quadro desanimador descrito no texto o autor poderia estar se referindo, enquanto o substantivo causas aponta para fatores que poderiam desencadear as crises, tais como a inovação tecnológica e os choques geopolíticos.
II- O referente do sujeito “a conta”, em “a conta aparece em outro lugar”, não pode ser recuperado no texto em si, mas na exterioridade do texto, o que acarreta um problema de coesão.
III- A classe de palavras substantivo é relevante para a coerência do período, uma vez que a intenção do autor é argumentar sobre uma situação, ou seja, sobre algo que está ocorrendo na sociedade, e que exige várias denominações, como ocorre em “múltiplas causas”, “políticas públicas”, “segurança econômica”, por exemplo.
É CORRETO o que se afirma em:
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Sucesso de uma nação não é apenas produzir mais, é perder menos gente para o silêncio
Waldemar Magaldi Filho
20 set. 2025 às 10h10
Quando a vida perde o fio do sentido, até um simples resfriado pode derrubar. Não é exagero poético, é uma descrição precisa do
que acontece quando o organismo psíquico se vê sem horizonte, sem pertencimento, sem uma razão que amarre as horas do dia.
Longe de um misticismo nebuloso, essa "tarefa" é o nome clássico de uma experiência cotidiana, a sensação de ter valor para
alguém, de que o esforço tem direção, de que o mundo ainda nos pede algo. Quando esse chamado some, o corpo registra, a imunidade
cede, a mente fecha e ficamos "bloqueados". O destino de pessoas e de sociedades muda quando o sentido deixa de existir.
É aí que entra um termo incômodo, nascido do esforço de dois economistas, Anne Case e Angus Deaton: "mortes por
desespero". A expressão reúne três causas de morte que se expandiram em certas populações ao longo das últimas décadas: suicídio,
overdose de drogas e doenças hepáticas relacionadas ao álcool.
Por trás dos números o desenho social de isolamento, perda de propósito, empregos que somem, comunidades que se desfazem,
dor crônica tratada como mercadoria. O fenômeno foi fotografado com nitidez em partes dos Estados Unidos. Mas não se trata de um
destino americano, é um alerta universal. Quando vínculos esgarçam e perspectivas encolhem, a curva do desespero sobe. E desespero
não é só um afeto, é uma política do corpo.
A literatura de saúde pública insiste que o sentido é também um determinante social. Não basta aconselhar resiliência individual
quando as estruturas que sustentam a vida comum – trabalho digno, moradia, transporte, escola, cuidado – estão corroídas.
Não se trata de eleger um culpado único – crises têm múltiplas causas, da inovação tecnológica aos choques geopolíticos –, mas
de notar um padrão, quando políticas públicas passam a tratar a segurança econômica, a saúde, a educação e o cuidado como linhas de
custo a serem comprimidas, a conta aparece em outro lugar.
Aparece na sobrecarga das famílias, na precarização silenciosa de territórios, na medicalização do sofrimento social, na
anestesia como resposta. Aretórica da meritocracia sem freios é psicologicamente tóxica porque produz um tipo de vergonha que isola.
E isolamento é adubo para o desespero.
Dizer que "a matéria ganhou primazia sobre a alma" não é uma oposição simplista entre economia má e espiritualidade boa. É
uma constatação sobre prioridades, quando o preço vira a linguagem, perde estatuto de valor. O resultado é uma sociedade eficiente
para produzir coisas e inábil para acolher pessoas. E, no entanto, não há contradição entre prosperidade e sentido, há desordem de
metas.
O desafio é civilizatório, alinhar incentivos econômicos a finalidades humanas. Isso significa cinco linhas de ação que cabem na
pauta pública e na vida miúda: políticas de emprego que recompensem o trabalho decente; um sistema de saúde que integre cuidado
mental desde a atenção primária; regulação e responsabilidade corporativa em mercados que lidam com dor e dependência;
investimento em educação continuada e requalificação que devolvam horizonte a trabalhadores em transição; e, por fim, uma agenda
de convivência que trate a solidão como problema público, promovendo espaços, tempos e serviços que refaçam a comunidade.
Fonte: MAGALDI FILHO, Waldemar. Países precisam tratar a solidão como um problema público. Folha de São Paulo, 20 set. 2025. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/09/uma-sociedade-eficiente-para-produzir-coisas-e-inabil-em-acolher-pessoas.shtml. Acesso em: 20 set. 2025.
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O Texto I deve ser lido para responder à questão.
Texto I
PAÍSES PRECISAM TRATAR A SOLIDÃO COMO UM PROBLEMA PÚBLICO
Sucesso de uma nação não é apenas produzir mais, é perder menos gente para o silêncio
Waldemar Magaldi Filho
20 set. 2025 às 10h10
Quando a vida perde o fio do sentido, até um simples resfriado pode derrubar. Não é exagero poético, é uma descrição precisa do
que acontece quando o organismo psíquico se vê sem horizonte, sem pertencimento, sem uma razão que amarre as horas do dia.
Longe de um misticismo nebuloso, essa "tarefa" é o nome clássico de uma experiência cotidiana, a sensação de ter valor para
alguém, de que o esforço tem direção, de que o mundo ainda nos pede algo. Quando esse chamado some, o corpo registra, a imunidade
cede, a mente fecha e ficamos "bloqueados". O destino de pessoas e de sociedades muda quando o sentido deixa de existir.
É aí que entra um termo incômodo, nascido do esforço de dois economistas, Anne Case e Angus Deaton: "mortes por
desespero". A expressão reúne três causas de morte que se expandiram em certas populações ao longo das últimas décadas: suicídio,
overdose de drogas e doenças hepáticas relacionadas ao álcool.
Por trás dos números o desenho social de isolamento, perda de propósito, empregos que somem, comunidades que se desfazem,
dor crônica tratada como mercadoria. O fenômeno foi fotografado com nitidez em partes dos Estados Unidos. Mas não se trata de um
destino americano, é um alerta universal. Quando vínculos esgarçam e perspectivas encolhem, a curva do desespero sobe. E desespero
não é só um afeto, é uma política do corpo.
A literatura de saúde pública insiste que o sentido é também um determinante social. Não basta aconselhar resiliência individual
quando as estruturas que sustentam a vida comum – trabalho digno, moradia, transporte, escola, cuidado – estão corroídas.
Não se trata de eleger um culpado único – crises têm múltiplas causas, da inovação tecnológica aos choques geopolíticos –, mas
de notar um padrão, quando políticas públicas passam a tratar a segurança econômica, a saúde, a educação e o cuidado como linhas de
custo a serem comprimidas, a conta aparece em outro lugar.
Aparece na sobrecarga das famílias, na precarização silenciosa de territórios, na medicalização do sofrimento social, na
anestesia como resposta. Aretórica da meritocracia sem freios é psicologicamente tóxica porque produz um tipo de vergonha que isola.
E isolamento é adubo para o desespero.
Dizer que "a matéria ganhou primazia sobre a alma" não é uma oposição simplista entre economia má e espiritualidade boa. É
uma constatação sobre prioridades, quando o preço vira a linguagem, perde estatuto de valor. O resultado é uma sociedade eficiente
para produzir coisas e inábil para acolher pessoas. E, no entanto, não há contradição entre prosperidade e sentido, há desordem de
metas.
O desafio é civilizatório, alinhar incentivos econômicos a finalidades humanas. Isso significa cinco linhas de ação que cabem na
pauta pública e na vida miúda: políticas de emprego que recompensem o trabalho decente; um sistema de saúde que integre cuidado
mental desde a atenção primária; regulação e responsabilidade corporativa em mercados que lidam com dor e dependência;
investimento em educação continuada e requalificação que devolvam horizonte a trabalhadores em transição; e, por fim, uma agenda
de convivência que trate a solidão como problema público, promovendo espaços, tempos e serviços que refaçam a comunidade.
Fonte: MAGALDI FILHO, Waldemar. Países precisam tratar a solidão como um problema público. Folha de São Paulo, 20 set. 2025. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/09/uma-sociedade-eficiente-para-produzir-coisas-e-inabil-em-acolher-pessoas.shtml. Acesso em: 20 set. 2025.
Adaptado.
I- A tipologia textual predominante em um artigo de opinião é a argumentação.
II- Num artigo de opinião, a descrição de um problema é mais importante do que a persuasão do público leitor/ouvinte.
III- O domínio dos elementos da situação comunicativa no texto envolve a compreensão do público-alvo, do contexto de circulação e das normas implícitas que regem o gênero.
IV- No artigo de opinião em análise, o público-alvo precisa dominar a norma padrão da linguagem para compreender o texto.
É CORRETO o que se afirma em:
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Sucesso de uma nação não é apenas produzir mais, é perder menos gente para o silêncio
Waldemar Magaldi Filho
20 set. 2025 às 10h10
Quando a vida perde o fio do sentido, até um simples resfriado pode derrubar. Não é exagero poético, é uma descrição precisa do
que acontece quando o organismo psíquico se vê sem horizonte, sem pertencimento, sem uma razão que amarre as horas do dia.
Longe de um misticismo nebuloso, essa "tarefa" é o nome clássico de uma experiência cotidiana, a sensação de ter valor para
alguém, de que o esforço tem direção, de que o mundo ainda nos pede algo. Quando esse chamado some, o corpo registra, a imunidade
cede, a mente fecha e ficamos "bloqueados". O destino de pessoas e de sociedades muda quando o sentido deixa de existir.
É aí que entra um termo incômodo, nascido do esforço de dois economistas, Anne Case e Angus Deaton: "mortes por
desespero". A expressão reúne três causas de morte que se expandiram em certas populações ao longo das últimas décadas: suicídio,
overdose de drogas e doenças hepáticas relacionadas ao álcool.
Por trás dos números o desenho social de isolamento, perda de propósito, empregos que somem, comunidades que se desfazem,
dor crônica tratada como mercadoria. O fenômeno foi fotografado com nitidez em partes dos Estados Unidos. Mas não se trata de um
destino americano, é um alerta universal. Quando vínculos esgarçam e perspectivas encolhem, a curva do desespero sobe. E desespero
não é só um afeto, é uma política do corpo.
A literatura de saúde pública insiste que o sentido é também um determinante social. Não basta aconselhar resiliência individual
quando as estruturas que sustentam a vida comum – trabalho digno, moradia, transporte, escola, cuidado – estão corroídas.
Não se trata de eleger um culpado único – crises têm múltiplas causas, da inovação tecnológica aos choques geopolíticos –, mas
de notar um padrão, quando políticas públicas passam a tratar a segurança econômica, a saúde, a educação e o cuidado como linhas de
custo a serem comprimidas, a conta aparece em outro lugar.
Aparece na sobrecarga das famílias, na precarização silenciosa de territórios, na medicalização do sofrimento social, na
anestesia como resposta. Aretórica da meritocracia sem freios é psicologicamente tóxica porque produz um tipo de vergonha que isola.
E isolamento é adubo para o desespero.
Dizer que "a matéria ganhou primazia sobre a alma" não é uma oposição simplista entre economia má e espiritualidade boa. É
uma constatação sobre prioridades, quando o preço vira a linguagem, perde estatuto de valor. O resultado é uma sociedade eficiente
para produzir coisas e inábil para acolher pessoas. E, no entanto, não há contradição entre prosperidade e sentido, há desordem de
metas.
O desafio é civilizatório, alinhar incentivos econômicos a finalidades humanas. Isso significa cinco linhas de ação que cabem na
pauta pública e na vida miúda: políticas de emprego que recompensem o trabalho decente; um sistema de saúde que integre cuidado
mental desde a atenção primária; regulação e responsabilidade corporativa em mercados que lidam com dor e dependência;
investimento em educação continuada e requalificação que devolvam horizonte a trabalhadores em transição; e, por fim, uma agenda
de convivência que trate a solidão como problema público, promovendo espaços, tempos e serviços que refaçam a comunidade.
Fonte: MAGALDI FILHO, Waldemar. Países precisam tratar a solidão como um problema público. Folha de São Paulo, 20 set. 2025. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/09/uma-sociedade-eficiente-para-produzir-coisas-e-inabil-em-acolher-pessoas.shtml. Acesso em: 20 set. 2025.
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O Texto I deve ser lido para responder à questão.
Texto I
PAÍSES PRECISAM TRATAR A SOLIDÃO COMO UM PROBLEMA PÚBLICO
Sucesso de uma nação não é apenas produzir mais, é perder menos gente para o silêncio
Waldemar Magaldi Filho
20 set. 2025 às 10h10
Quando a vida perde o fio do sentido, até um simples resfriado pode derrubar. Não é exagero poético, é uma descrição precisa do
que acontece quando o organismo psíquico se vê sem horizonte, sem pertencimento, sem uma razão que amarre as horas do dia.
Longe de um misticismo nebuloso, essa "tarefa" é o nome clássico de uma experiência cotidiana, a sensação de ter valor para
alguém, de que o esforço tem direção, de que o mundo ainda nos pede algo. Quando esse chamado some, o corpo registra, a imunidade
cede, a mente fecha e ficamos "bloqueados". O destino de pessoas e de sociedades muda quando o sentido deixa de existir.
É aí que entra um termo incômodo, nascido do esforço de dois economistas, Anne Case e Angus Deaton: "mortes por
desespero". A expressão reúne três causas de morte que se expandiram em certas populações ao longo das últimas décadas: suicídio,
overdose de drogas e doenças hepáticas relacionadas ao álcool.
Por trás dos números o desenho social de isolamento, perda de propósito, empregos que somem, comunidades que se desfazem,
dor crônica tratada como mercadoria. O fenômeno foi fotografado com nitidez em partes dos Estados Unidos. Mas não se trata de um
destino americano, é um alerta universal. Quando vínculos esgarçam e perspectivas encolhem, a curva do desespero sobe. E desespero
não é só um afeto, é uma política do corpo.
A literatura de saúde pública insiste que o sentido é também um determinante social. Não basta aconselhar resiliência individual
quando as estruturas que sustentam a vida comum – trabalho digno, moradia, transporte, escola, cuidado – estão corroídas.
Não se trata de eleger um culpado único – crises têm múltiplas causas, da inovação tecnológica aos choques geopolíticos –, mas
de notar um padrão, quando políticas públicas passam a tratar a segurança econômica, a saúde, a educação e o cuidado como linhas de
custo a serem comprimidas, a conta aparece em outro lugar.
Aparece na sobrecarga das famílias, na precarização silenciosa de territórios, na medicalização do sofrimento social, na
anestesia como resposta. Aretórica da meritocracia sem freios é psicologicamente tóxica porque produz um tipo de vergonha que isola.
E isolamento é adubo para o desespero.
Dizer que "a matéria ganhou primazia sobre a alma" não é uma oposição simplista entre economia má e espiritualidade boa. É
uma constatação sobre prioridades, quando o preço vira a linguagem, perde estatuto de valor. O resultado é uma sociedade eficiente
para produzir coisas e inábil para acolher pessoas. E, no entanto, não há contradição entre prosperidade e sentido, há desordem de
metas.
O desafio é civilizatório, alinhar incentivos econômicos a finalidades humanas. Isso significa cinco linhas de ação que cabem na
pauta pública e na vida miúda: políticas de emprego que recompensem o trabalho decente; um sistema de saúde que integre cuidado
mental desde a atenção primária; regulação e responsabilidade corporativa em mercados que lidam com dor e dependência;
investimento em educação continuada e requalificação que devolvam horizonte a trabalhadores em transição; e, por fim, uma agenda
de convivência que trate a solidão como problema público, promovendo espaços, tempos e serviços que refaçam a comunidade.
Fonte: MAGALDI FILHO, Waldemar. Países precisam tratar a solidão como um problema público. Folha de São Paulo, 20 set. 2025. Disponível em:
https://www1.folha.uol.com.br/ilustrissima/2025/09/uma-sociedade-eficiente-para-produzir-coisas-e-inabil-em-acolher-pessoas.shtml. Acesso em: 20 set. 2025.
Adaptado.
I- A falta de horizontes, a solidão, não se sentir importante para alguém ou para o mundo são fatores que influenciam a saúde orgânica – e isso pode impactar a economia de uma nação.
II- As chamadas “mortes por desespero”, cada vez mais comuns nas últimas décadas em algumas populações, incluem o suicídio, a overdose por drogas e doenças hepáticas devido ao uso abusivo de álcool.
III- A saúde pública não pode ser considerada um determinante social porque não afeta o equilíbrio econômico de um país.
IV- A primazia da matéria sobre a alma é vista pelo autor como uma questão de prioridades.
É CORRETO o que se afirma em:
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