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Foram encontradas 35 questões.

2618934 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Pará Minas-MG
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INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.

TEXTO I

Aquela menina às margens do Igarapé

O bracinho da menina acena no seu corpinho em pé, na porta da casa de madeira nas margens do Igarapé. Respondo, respondemos com vários ternos acenos, do barco que avança dentro da massa de compacto calor amazônico.

De tantas cenas com pássaros, árvores e casas de caboclo, a imagem dessa menina imprimiu-se logo em mim. Fotograficamente. Peço à minha mulher um papelzinho e anoto o que poderia ser o início de um poema. Procuro-o agora e percebo que o perdi como a tantos outros inúteis textos. Contudo, o bracinho da menina acena, em pé, na porta da casa de madeira nas margens do igarapé.

Acena para mim e eu respondo. Um Brasil acena para outro Brasil, que passa. Estou conhecendo uma das muitas ilhas amazônicas, defronte de Belém do Pará, depois de ter feito uma conferência na inauguração do Centro Cultural Tancredo Neves sobre a questão da identidade nacional. Isto foi ontem. Agora estou no meio deste rio, que de tão largo parece mar, e continuo me perguntando “que país é este?”. E o bracinho da menina acena para mim. Como os moradores desta ilha, ela tem olhos claros e cabelos lisos: é uma caboclinha, mistura de portugueses e índios.

E ainda ontem na conferência eu citava Simon Bolívar: “Não somos nem índios nem europeus, somos qualquer coisa intermediária entre os senhores legítimos deste país e os usurpadores espanhóis. Em resumo, sendo americanos de nascença e beneficiando-nos dos direitos originais da Europa, não nos devemos opor aos direitos dos índios e ficar no nosso país para resistir aos invasores estrangeiros. Nossa situação é, portanto, ao mesmo tempo extraordinária e terrivelmente complicada”.

O barco avança. Passa por outras casas, pássaros, árvores e muitas coisas que anotei no papelzinho que perdi. Sou um país que perde seus papéis e está perplexo entre a cidade e o igarapé. De repente no alto, cruzando de uma margem a outra, como numa rua de Ipanema, uma corda com estandarte de plástico da Copa/86. A emoção do futebol flutua nos mínimos canais da Amazônia.

Desembarcamos para conhecer a ilha. E vamos vendo, pegando, apalpando cajueiros, seringueiras já exploradas e imensos castanheiros. Um punhado de meninos de 5 a 10 anos, talvez irmãos, primos daquela menininha que me acenava, nos acompanha como um bando de macaquinhos felizes. Aguardam sob os pés de açaí a ordem do guia para uma demonstração de destreza: subir nos troncos rapidamente usando, amarrada aos pés, uma tira vegetal de apoio e impulso.

Desses meninos, quantos ficam por aqui? O guia mostra adiante uma casa rosa de madeira. Pertence a um morador que foi um desses meninos, cresceu, saiu da ilha, virou advogado em Belém e, no entanto, preserva a casa para fins de semana. Isto me lembra Oswald de Andrade: “o lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportando e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos”. Mas aquele ali é diferente. Manteve suas raízes. Talvez tenha resolvido o dilema entre a selva e a escola. A escola, aliás, está ali: mais adiante. Mais de cinquenta garotos fazem as quatro séries do primário juntos. Só um está na quarta série. A velha professora batalhou ali mais de cinquenta anos. Uma caixinha na parede pede colaboração dos turistas. A escola tem o nome de uma mulher americana, lembrando a doação e a visita.

De repente, uma clareira. Houve um pequeno incêndio. E o chão é só areia. Diz o guia: É assim que ficará a Amazônia com o desmatamento. Esta é a terra típica daqui, arenosa. Penso no livro de Loyola, “Não Verás País Nenhum” e na “Amazônia Saqueada”, de Edmar Morel. Lembro a afirmação do ecólogo Paulo Fraga denunciando que as setecentas serrarias que devastaram o Espírito Santo deslocaram-se para a Amazônia.

Foram cinco horas de viagem. Vou voltando para Belém de barco, vou comer um pato ao tucupi, tomar um sorvete de cupuaçu e graviola. Mas por onde quer que eu vá agora, um bracinho de menina acena, em pé, na porta da casa de madeira nas margens do igarapé.

SANT’ANNA, Affonso Romano de. Porta de colégio e outras crônicas. 7 ed. São Paulo: Ática, 2002.

Affonso Romano de Sant’Anna parte de uma vivência pessoal para a construção de sua crônica.

Considerando os fatos narrados pelo cronista e as observações que ele faz ao longo do texto, pode-se afirmar que o objetivo central de “Aquela menina às margens do Igarapé” é

 

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2618933 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Pará Minas-MG
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INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 1 a 6.

TEXTO I

Aquela menina às margens do Igarapé

O bracinho da menina acena no seu corpinho em pé, na porta da casa de madeira nas margens do Igarapé. Respondo, respondemos com vários ternos acenos, do barco que avança dentro da massa de compacto calor amazônico.

De tantas cenas com pássaros, árvores e casas de caboclo, a imagem dessa menina imprimiu-se logo em mim. Fotograficamente. Peço à minha mulher um papelzinho e anoto o que poderia ser o início de um poema. Procuro-o agora e percebo que o perdi como a tantos outros inúteis textos. Contudo, o bracinho da menina acena, em pé, na porta da casa de madeira nas margens do igarapé.

Acena para mim e eu respondo. Um Brasil acena para outro Brasil, que passa. Estou conhecendo uma das muitas ilhas amazônicas, defronte de Belém do Pará, depois de ter feito uma conferência na inauguração do Centro Cultural Tancredo Neves sobre a questão da identidade nacional. Isto foi ontem. Agora estou no meio deste rio, que de tão largo parece mar, e continuo me perguntando “que país é este?”. E o bracinho da menina acena para mim. Como os moradores desta ilha, ela tem olhos claros e cabelos lisos: é uma caboclinha, mistura de portugueses e índios.

E ainda ontem na conferência eu citava Simon Bolívar: “Não somos nem índios nem europeus, somos qualquer coisa intermediária entre os senhores legítimos deste país e os usurpadores espanhóis. Em resumo, sendo americanos de nascença e beneficiando-nos dos direitos originais da Europa, não nos devemos opor aos direitos dos índios e ficar no nosso país para resistir aos invasores estrangeiros. Nossa situação é, portanto, ao mesmo tempo extraordinária e terrivelmente complicada”.

O barco avança. Passa por outras casas, pássaros, árvores e muitas coisas que anotei no papelzinho que perdi. Sou um país que perde seus papéis e está perplexo entre a cidade e o igarapé. De repente no alto, cruzando de uma margem a outra, como numa rua de Ipanema, uma corda com estandarte de plástico da Copa/86. A emoção do futebol flutua nos mínimos canais da Amazônia.

Desembarcamos para conhecer a ilha. E vamos vendo, pegando, apalpando cajueiros, seringueiras já exploradas e imensos castanheiros. Um punhado de meninos de 5 a 10 anos, talvez irmãos, primos daquela menininha que me acenava, nos acompanha como um bando de macaquinhos felizes. Aguardam sob os pés de açaí a ordem do guia para uma demonstração de destreza: subir nos troncos rapidamente usando, amarrada aos pés, uma tira vegetal de apoio e impulso.

Desses meninos, quantos ficam por aqui? O guia mostra adiante uma casa rosa de madeira. Pertence a um morador que foi um desses meninos, cresceu, saiu da ilha, virou advogado em Belém e, no entanto, preserva a casa para fins de semana. Isto me lembra Oswald de Andrade: “o lado doutor. Fatalidade do primeiro branco aportando e dominando politicamente as selvas selvagens. O bacharel. Não podemos deixar de ser doutos. Doutores. País de dores anônimas, de doutores anônimos”. Mas aquele ali é diferente. Manteve suas raízes. Talvez tenha resolvido o dilema entre a selva e a escola. A escola, aliás, está ali: mais adiante. Mais de cinquenta garotos fazem as quatro séries do primário juntos. Só um está na quarta série. A velha professora batalhou ali mais de cinquenta anos. Uma caixinha na parede pede colaboração dos turistas. A escola tem o nome de uma mulher americana, lembrando a doação e a visita.

De repente, uma clareira. Houve um pequeno incêndio. E o chão é só areia. Diz o guia: É assim que ficará a Amazônia com o desmatamento. Esta é a terra típica daqui, arenosa. Penso no livro de Loyola, “Não Verás País Nenhum” e na “Amazônia Saqueada”, de Edmar Morel. Lembro a afirmação do ecólogo Paulo Fraga denunciando que as setecentas serrarias que devastaram o Espírito Santo deslocaram-se para a Amazônia.

Foram cinco horas de viagem. Vou voltando para Belém de barco, vou comer um pato ao tucupi, tomar um sorvete de cupuaçu e graviola. Mas por onde quer que eu vá agora, um bracinho de menina acena, em pé, na porta da casa de madeira nas margens do igarapé.

SANT’ANNA, Affonso Romano de. Porta de colégio e outras crônicas. 7 ed. São Paulo: Ática, 2002.

Releia o quinto parágrafo da crônica de Affonso Romano de Sant’Anna.

“O barco avança. Passa por outras casas, pássaros, árvores e muitas coisas que anotei no papelzinho que perdi. Sou um país que perde seus papéis e está perplexo entre a cidade e o igarapé. De repente no alto, cruzando de uma margem a outra, como numa rua de Ipanema, uma corda com estandarte de plástico da Copa/86. A emoção do futebol flutua nos mínimos canais da Amazônia.”

Nesse trecho do texto é possível constatar que

 

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2619119 Ano: 2022
Disciplina: Saúde Pública
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Pará Minas-MG
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O Sistema Único de Saúde no Brasil (SUS), após o trabalho realizado frente à pandemia Covid-19, assumiu um importante protagonismo social.

Sobre os princípios e diretrizes do SUS, assinale a alternativa correta.

Questão Anulada

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2618948 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Pará Minas-MG
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INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 12 a 14.

Como surgiram a ideia e os nomes dos pontos cardeais?

Por Bruno Valano

Enunciado 2618948-1

Os nomes em português e outras línguas europeias remetem, em última instância, ao protoindo-europeu (PIE), língua pré-histórica falada há mais de 3 mil anos que deu origem ao latim, grego, sânscrito e às línguas germânicas. “Leste” deriva da palavra em PIE para “alvorada”, pois a direção em que o Sol nasce é um dado astronômico óbvio para qualquer civilização – e essa foi a origem da ideia. “Oeste”, claro, se refere à direção oposta – e, portanto, ao período do dia oposto. O termo tem a mesma raiz da palavra “vespertino” (a conexão fica óbvia em inglês: west). Em PIE, *wes- era “noite” ou “poente”. “Norte” provavelmente vem do PIE *ner-, que significava “esquerda”, porque é a direção que fica à nossa esquerda quando olhamos o Sol nascente. Por sua vez, “Sul” deriva da mesma raiz da palavra “Sol” – porque, no Hemisfério Norte, o Sol do meio-dia se posiciona no céu mais caído para o Sul que para o Norte (ideia reforçada pelo fato de que outra palavra para Sul é “meridional”, que tem origem latina e também se refere ao meio-dia). Em línguas distantes das indo-europeias, lógicas parecidas se aplicaram à nomeação dos pontos cardeais: usar o sol para se localizar foi um método inventado de maneira independente por muitos povos.

Superinteressante. Disponível em: https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/como-surgiram-a-ideia-e-os-nomes-dos-pontoscardeais/. Acesso em: 24 abr. 2022.

Releia este trecho:

“Por sua vez, “Sul” deriva da mesma raiz da palavra “Sol” – porque, no Hemisfério Norte, o Sol do meio-dia se posiciona no céu mais caído para o Sul que para o Norte [...].”

A palavra destacada nesse trecho poderia ser substituída sem prejuízo de sentido por

Questão Anulada

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2618945 Ano: 2022
Disciplina: Português
Banca: FUNDEP
Orgão: Pref. Pará Minas-MG
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INSTRUÇÃO: Leia o texto a seguir para responder às questões de 12 a 14.

Como surgiram a ideia e os nomes dos pontos cardeais?

Por Bruno Valano

Enunciado 2618945-1

Os nomes em português e outras línguas europeias remetem, em última instância, ao protoindo-europeu (PIE), língua pré-histórica falada há mais de 3 mil anos que deu origem ao latim, grego, sânscrito e às línguas germânicas. “Leste” deriva da palavra em PIE para “alvorada”, pois a direção em que o Sol nasce é um dado astronômico óbvio para qualquer civilização – e essa foi a origem da ideia. “Oeste”, claro, se refere à direção oposta – e, portanto, ao período do dia oposto. O termo tem a mesma raiz da palavra “vespertino” (a conexão fica óbvia em inglês: west). Em PIE, *wes- era “noite” ou “poente”. “Norte” provavelmente vem do PIE *ner-, que significava “esquerda”, porque é a direção que fica à nossa esquerda quando olhamos o Sol nascente. Por sua vez, “Sul” deriva da mesma raiz da palavra “Sol” – porque, no Hemisfério Norte, o Sol do meio-dia se posiciona no céu mais caído para o Sul que para o Norte (ideia reforçada pelo fato de que outra palavra para Sul é “meridional”, que tem origem latina e também se refere ao meio-dia). Em línguas distantes das indo-europeias, lógicas parecidas se aplicaram à nomeação dos pontos cardeais: usar o sol para se localizar foi um método inventado de maneira independente por muitos povos.

Superinteressante. Disponível em: https://super.abril.com.br/coluna/oraculo/como-surgiram-a-ideia-e-os-nomes-dos-pontoscardeais/. Acesso em: 24 abr. 2022.

O texto de Bruno Valano foi publicado na revista Superinteressante, na seção Oráculo, que a revista caracteriza como “Ser supremo detentor de toda a sabedoria”.

A leitura do texto permite afirmar que ele se caracteriza como do tipo

Questão Anulada

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