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Leia o texto para responder à questão.
Na educação, a pandemia não acabou
Com a edição de 2023 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), pela primeira vez foi possível analisar
em detalhes o efeito da pandemia sobre o desempenho de
alunos do ensino básico. Um levantamento do Todos pela
Educação revelou que em 2023 a aprendizagem média dos
estudantes ainda não tinha voltado aos patamares de 2019.
Projetando-se a trajetória ascendente, não é impossível que
hoje já tenha voltado. Mas o ritmo lento preocupa.
O estudo buscou ainda enquadrar o impacto da pandemia no contexto mais amplo da evolução da educação nacional nas duas últimas décadas. Nessa perspectiva, houve
avanço relevante, mas longe de suficiente, no porcentual de
estudantes com níveis de aprendizagem considerados “adequados” conforme os critérios do Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes.
Os índices de sucesso se mostraram decrescentes à medida que se avança nas etapas da educação básica. Entre os
alunos do 5º ano, por exemplo, em 20 anos o porcentual com
nível de aprendizado adequado em português cresceu de 21%
para 55% e, em matemática, de 11% para 43%. No caso dos
alunos do 9º ano, as elevações foram menos expressivas: de
15% para 36% em português e de 9% para 16% em matemática. No ensino médio, a elevação em português foi a menor
dos três níveis: 13 pontos porcentuais (de 19% para 32%). Em
matemática, houve retrocesso – de 5,8% para 5,2%.
Assim, é possível distinguir dois desafios críticos e persistentes para a educação básica: em termos de estágios, a formação no ensino médio; em termos de disciplinas, a formação
em matemática. Nesse último caso, o tamanho do problema é
evidenciado pelo desempenho das escolas particulares. Em
geral, alunos do ensino privado têm resultados gerais razoavelmente próximos dos de seus pares nos países desenvolvidos e superiores aos de seus conterrâneos nas escolas públicas. Na matemática, a defasagem é geral: pior nas escolas
públicas, mas ainda assim muito ruim nas escolas privadas.
(Editorial. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.05.2025. Adaptado)
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Na educação, a pandemia não acabou
Com a edição de 2023 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), pela primeira vez foi possível analisar
em detalhes o efeito da pandemia sobre o desempenho de
alunos do ensino básico. Um levantamento do Todos pela
Educação revelou que em 2023 a aprendizagem média dos
estudantes ainda não tinha voltado aos patamares de 2019.
Projetando-se a trajetória ascendente, não é impossível que
hoje já tenha voltado. Mas o ritmo lento preocupa.
O estudo buscou ainda enquadrar o impacto da pandemia no contexto mais amplo da evolução da educação nacional nas duas últimas décadas. Nessa perspectiva, houve
avanço relevante, mas longe de suficiente, no porcentual de
estudantes com níveis de aprendizagem considerados “adequados” conforme os critérios do Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes.
Os índices de sucesso se mostraram decrescentes à medida que se avança nas etapas da educação básica. Entre os
alunos do 5º ano, por exemplo, em 20 anos o porcentual com
nível de aprendizado adequado em português cresceu de 21%
para 55% e, em matemática, de 11% para 43%. No caso dos
alunos do 9º ano, as elevações foram menos expressivas: de
15% para 36% em português e de 9% para 16% em matemática. No ensino médio, a elevação em português foi a menor
dos três níveis: 13 pontos porcentuais (de 19% para 32%). Em
matemática, houve retrocesso – de 5,8% para 5,2%.
Assim, é possível distinguir dois desafios críticos e persistentes para a educação básica: em termos de estágios, a formação no ensino médio; em termos de disciplinas, a formação
em matemática. Nesse último caso, o tamanho do problema é
evidenciado pelo desempenho das escolas particulares. Em
geral, alunos do ensino privado têm resultados gerais razoavelmente próximos dos de seus pares nos países desenvolvidos e superiores aos de seus conterrâneos nas escolas públicas. Na matemática, a defasagem é geral: pior nas escolas
públicas, mas ainda assim muito ruim nas escolas privadas.
(Editorial. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.05.2025. Adaptado)
• Assim, ___________ dois desafios críticos e persistentes para a educação básica: a formação no ensino médio e a formação em matemática.
• Na matemática, os desempenhos são ___________ preocupantes: ___________ nas escolas públicas, mas ainda assim muito ___________ nas escolas privadas.
De acordo com a norma-padrão, as lacunas das frases devem ser preenchidas, respectivamente, com:
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Na educação, a pandemia não acabou
Com a edição de 2023 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), pela primeira vez foi possível analisar
em detalhes o efeito da pandemia sobre o desempenho de
alunos do ensino básico. Um levantamento do Todos pela
Educação revelou que em 2023 a aprendizagem média dos
estudantes ainda não tinha voltado aos patamares de 2019.
Projetando-se a trajetória ascendente, não é impossível que
hoje já tenha voltado. Mas o ritmo lento preocupa.
O estudo buscou ainda enquadrar o impacto da pandemia no contexto mais amplo da evolução da educação nacional nas duas últimas décadas. Nessa perspectiva, houve
avanço relevante, mas longe de suficiente, no porcentual de
estudantes com níveis de aprendizagem considerados “adequados” conforme os critérios do Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes.
Os índices de sucesso se mostraram decrescentes à medida que se avança nas etapas da educação básica. Entre os
alunos do 5º ano, por exemplo, em 20 anos o porcentual com
nível de aprendizado adequado em português cresceu de 21%
para 55% e, em matemática, de 11% para 43%. No caso dos
alunos do 9º ano, as elevações foram menos expressivas: de
15% para 36% em português e de 9% para 16% em matemática. No ensino médio, a elevação em português foi a menor
dos três níveis: 13 pontos porcentuais (de 19% para 32%). Em
matemática, houve retrocesso – de 5,8% para 5,2%.
Assim, é possível distinguir dois desafios críticos e persistentes para a educação básica: em termos de estágios, a formação no ensino médio; em termos de disciplinas, a formação
em matemática. Nesse último caso, o tamanho do problema é
evidenciado pelo desempenho das escolas particulares. Em
geral, alunos do ensino privado têm resultados gerais razoavelmente próximos dos de seus pares nos países desenvolvidos e superiores aos de seus conterrâneos nas escolas públicas. Na matemática, a defasagem é geral: pior nas escolas
públicas, mas ainda assim muito ruim nas escolas privadas.
(Editorial. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.05.2025. Adaptado)
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Na educação, a pandemia não acabou
Com a edição de 2023 do Sistema de Avaliação da Educação Básica (Saeb), pela primeira vez foi possível analisar
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alunos do ensino básico. Um levantamento do Todos pela
Educação revelou que em 2023 a aprendizagem média dos
estudantes ainda não tinha voltado aos patamares de 2019.
Projetando-se a trajetória ascendente, não é impossível que
hoje já tenha voltado. Mas o ritmo lento preocupa.
O estudo buscou ainda enquadrar o impacto da pandemia no contexto mais amplo da evolução da educação nacional nas duas últimas décadas. Nessa perspectiva, houve
avanço relevante, mas longe de suficiente, no porcentual de
estudantes com níveis de aprendizagem considerados “adequados” conforme os critérios do Programa Internacional de
Avaliação de Estudantes.
Os índices de sucesso se mostraram decrescentes à medida que se avança nas etapas da educação básica. Entre os
alunos do 5º ano, por exemplo, em 20 anos o porcentual com
nível de aprendizado adequado em português cresceu de 21%
para 55% e, em matemática, de 11% para 43%. No caso dos
alunos do 9º ano, as elevações foram menos expressivas: de
15% para 36% em português e de 9% para 16% em matemática. No ensino médio, a elevação em português foi a menor
dos três níveis: 13 pontos porcentuais (de 19% para 32%). Em
matemática, houve retrocesso – de 5,8% para 5,2%.
Assim, é possível distinguir dois desafios críticos e persistentes para a educação básica: em termos de estágios, a formação no ensino médio; em termos de disciplinas, a formação
em matemática. Nesse último caso, o tamanho do problema é
evidenciado pelo desempenho das escolas particulares. Em
geral, alunos do ensino privado têm resultados gerais razoavelmente próximos dos de seus pares nos países desenvolvidos e superiores aos de seus conterrâneos nas escolas públicas. Na matemática, a defasagem é geral: pior nas escolas
públicas, mas ainda assim muito ruim nas escolas privadas.
(Editorial. Disponível em:
https://www.estadao.com.br/opiniao, 05.05.2025. Adaptado)
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Leia o texto para responder à questão.
Singular ocorrência
– Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela
dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no
adro para dar uma esmola.
– De preto?
– Justamente; lá vai entrando; entrou.
– Não diga mais nada. Esse olhar está dizendo que a
dama é uma sua recordação de outro tempo, e não há de ser
de muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz*
.
– Deve ter quarenta e seis anos.
– Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão,
e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?
– Não.
– Bem; o marido ainda vive. É velho?
– Não é casada.
– Solteira?
– Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal.
Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas. Não
era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá
excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda
do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com
o vestido afogado, escorrido, sem luxo, arrastava a muitos,
ainda assim.
– Por exemplo, ao senhor.
– Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis anos, meio advogado, meio político, nascido nas
Alagoas, e casado na Bahia, donde viera em 1859. Era bonita a
mulher dele, afetuosa, meiga e resignada; quando os
conheci, tinham uma filhinha de dois anos.
– Apesar disso, a Marocas...?
– É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa, conto-
-lhe uma coisa interessante.
– Diga.
(Machado de Assis. Em: http://www.dominiopublico.gov.br. Adaptado)
* de qualidade, excepcional
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Singular ocorrência
– Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela
dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no
adro para dar uma esmola.
– De preto?
– Justamente; lá vai entrando; entrou.
– Não diga mais nada. Esse olhar está dizendo que a
dama é uma sua recordação de outro tempo, e não há de ser
de muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz*
.
– Deve ter quarenta e seis anos.
– Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão,
e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?
– Não.
– Bem; o marido ainda vive. É velho?
– Não é casada.
– Solteira?
– Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal.
Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas. Não
era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá
excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda
do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com
o vestido afogado, escorrido, sem luxo, arrastava a muitos,
ainda assim.
– Por exemplo, ao senhor.
– Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis anos, meio advogado, meio político, nascido nas
Alagoas, e casado na Bahia, donde viera em 1859. Era bonita a
mulher dele, afetuosa, meiga e resignada; quando os
conheci, tinham uma filhinha de dois anos.
– Apesar disso, a Marocas...?
– É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa, conto-
-lhe uma coisa interessante.
– Diga.
(Machado de Assis. Em: http://www.dominiopublico.gov.br. Adaptado)
* de qualidade, excepcional
• – Parou agora no adro para dar uma esmola.
• – Bem; o marido ainda vive. É velho?
• – Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda do que hoje; modos sérios, linguagem limpa.
No contexto em que estão empregados, os advérbios destacados estabelecem, correta e respectivamente, relações de sentido de
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Singular ocorrência
– Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela
dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no
adro para dar uma esmola.
– De preto?
– Justamente; lá vai entrando; entrou.
– Não diga mais nada. Esse olhar está dizendo que a
dama é uma sua recordação de outro tempo, e não há de ser
de muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz*
.
– Deve ter quarenta e seis anos.
– Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão,
e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?
– Não.
– Bem; o marido ainda vive. É velho?
– Não é casada.
– Solteira?
– Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal.
Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas. Não
era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá
excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda
do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com
o vestido afogado, escorrido, sem luxo, arrastava a muitos,
ainda assim.
– Por exemplo, ao senhor.
– Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis anos, meio advogado, meio político, nascido nas
Alagoas, e casado na Bahia, donde viera em 1859. Era bonita a
mulher dele, afetuosa, meiga e resignada; quando os
conheci, tinham uma filhinha de dois anos.
– Apesar disso, a Marocas...?
– É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa, conto-
-lhe uma coisa interessante.
– Diga.
(Machado de Assis. Em: http://www.dominiopublico.gov.br. Adaptado)
* de qualidade, excepcional
• – Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão, e conte-me tudo.
• ... e casado na Bahia, donde viera em 1859.
As formas verbais destacadas expressam, correta e respectivamente, sentidos de:
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Singular ocorrência
– Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela
dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no
adro para dar uma esmola.
– De preto?
– Justamente; lá vai entrando; entrou.
– Não diga mais nada. Esse olhar está dizendo que a
dama é uma sua recordação de outro tempo, e não há de ser
de muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz*
.
– Deve ter quarenta e seis anos.
– Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão,
e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?
– Não.
– Bem; o marido ainda vive. É velho?
– Não é casada.
– Solteira?
– Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal.
Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas. Não
era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá
excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda
do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com
o vestido afogado, escorrido, sem luxo, arrastava a muitos,
ainda assim.
– Por exemplo, ao senhor.
– Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis anos, meio advogado, meio político, nascido nas
Alagoas, e casado na Bahia, donde viera em 1859. Era bonita a
mulher dele, afetuosa, meiga e resignada; quando os
conheci, tinham uma filhinha de dois anos.
– Apesar disso, a Marocas...?
– É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa, conto-
-lhe uma coisa interessante.
– Diga.
(Machado de Assis. Em: http://www.dominiopublico.gov.br. Adaptado)
* de qualidade, excepcional
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Leia o texto para responder à questão.
Singular ocorrência
– Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela
dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no
adro para dar uma esmola.
– De preto?
– Justamente; lá vai entrando; entrou.
– Não diga mais nada. Esse olhar está dizendo que a
dama é uma sua recordação de outro tempo, e não há de ser
de muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz*
.
– Deve ter quarenta e seis anos.
– Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão,
e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?
– Não.
– Bem; o marido ainda vive. É velho?
– Não é casada.
– Solteira?
– Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal.
Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas. Não
era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá
excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda
do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com
o vestido afogado, escorrido, sem luxo, arrastava a muitos,
ainda assim.
– Por exemplo, ao senhor.
– Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis anos, meio advogado, meio político, nascido nas
Alagoas, e casado na Bahia, donde viera em 1859. Era bonita a
mulher dele, afetuosa, meiga e resignada; quando os
conheci, tinham uma filhinha de dois anos.
– Apesar disso, a Marocas...?
– É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa, conto-
-lhe uma coisa interessante.
– Diga.
(Machado de Assis. Em: http://www.dominiopublico.gov.br. Adaptado)
* de qualidade, excepcional
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Leia o texto para responder à questão.
Singular ocorrência
– Há ocorrências bem singulares. Está vendo aquela
dama que vai entrando na igreja da Cruz? Parou agora no
adro para dar uma esmola.
– De preto?
– Justamente; lá vai entrando; entrou.
– Não diga mais nada. Esse olhar está dizendo que a
dama é uma sua recordação de outro tempo, e não há de ser
de muito tempo, a julgar pelo corpo: é moça de truz*
.
– Deve ter quarenta e seis anos.
– Ah! conservada. Vamos lá; deixe de olhar para o chão,
e conte-me tudo. Está viúva, naturalmente?
– Não.
– Bem; o marido ainda vive. É velho?
– Não é casada.
– Solteira?
– Assim, assim. Deve chamar-se hoje D. Maria de tal.
Em 1860, florescia com o nome familiar de Marocas. Não
era costureira, nem proprietária, nem mestra de meninas; vá
excluindo as profissões e lá chegará. Morava na rua do Sacramento. Já então era esbelta, e, seguramente, mais linda
do que hoje; modos sérios, linguagem limpa. Na rua, com
o vestido afogado, escorrido, sem luxo, arrastava a muitos,
ainda assim.
– Por exemplo, ao senhor.
– Não, mas ao Andrade, um amigo meu, de vinte e seis anos, meio advogado, meio político, nascido nas
Alagoas, e casado na Bahia, donde viera em 1859. Era bonita a
mulher dele, afetuosa, meiga e resignada; quando os
conheci, tinham uma filhinha de dois anos.
– Apesar disso, a Marocas...?
– É verdade, dominou-o. Olhe, se não tem pressa, conto-
-lhe uma coisa interessante.
– Diga.
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