Foram encontradas 232 questões.
Texto para responder à questão.
Preto é cor, negro é raça
O refrão de uma marchinha carnavalesca, de
amplo domínio público, oferece uma pista
interessante para a compreensão do critério objetivo
que a sociedade brasileira emprega para a
classificação racial das pessoas: “O teu cabelo não
nega, mulata, porque és mulata na cor; mas como a
cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”.
Escrita por Lamartine Babo para o Carnaval
de 1932, a marchinha realça a ambiguidade das
relações raciais, ao mesmo tempo em que ilustra a
opção nacional pela aparência, pelo fenótipo.
Honesto e preconceituoso em sua definição de negro,
Lamartine contribui mais para o debate sobre
classificação racial do que muitos doutores.
Com efeito, ao contrário do que pensa o
presidente eleito, bem como certos acadêmicos, os
cientistas pouco podem fazer nesta seara, além de,
em regra, exibirem seus próprios preconceitos ou seu
compromisso racial com a manutenção das coisas
como elas estão.
Primeiro porque, como se sabe, raça é
conceito científico inaplicável à espécie humana, de
modo que o vocábulo raça adquire relevância na
semântica e na vida apenas naquelas sociedades em
que a cor da pele, o fenótipo dos indivíduos, é
relevante para a distribuição de direitos e
oportunidades.
Segundo, porque as pessoas não nascem
negras ou brancas; enfim, não nascem “racializadas”.
É a experiência da vida em sociedade que as torna
negras ou brancas.
“Todos sabem como se tratam os pretos”,
assevera Caetano Veloso na canção “Haiti”.
Em sendo um fenômeno relacional, a
classificação racial dos indivíduos repousa menos em
qualquer postulado científico e mais nas regras que
regem as relações, intersubjetivas, econômicas e
políticas no passado e no presente.
Negro e branco designam, portanto,
categorias essencialmente políticas: é negro
quem é tratado socialmente como negro,
independentemente de tonalidade cromática. É
branco aquele indivíduo que, no cotidiano, nas
estatísticas e nos indicadores sociais, abocanha
privilégios materiais e simbólicos resultantes do
possível mérito de ser branco. Esse sistema funciona
perfeitamente bem no Brasil desde tempos
imemoriais.
A título de exemplo, desde a primeira metade
do século passado, a Lei das Estatísticas Criminais
prevê a classificação racial de vítimas e acusados por
meio do critério da cor. Emprega-se aqui a técnica da
heteroclassificação, visto que ao escrivão de polícia compete classificar, o que é criticado pela
demografia, que entende ser mais recomendável, do
ângulo ético e metodológico, a autoclassificação.
Há um outro banco de dados no qual o
método empregado é o da autoclassificação: o
Cadastro Nacional de Identificação Civil, feito com
base na ficha de identificação civil, a partir da qual é
emitida a cédula de identidade, o popular RG. Tratase
de uma ficha que pode ser adquirida em qualquer
papelaria, cujo formulário, inspirado no aludido
Decreto-Lei das Estatísticas Criminais, contém a
rubrica “cútis”, neologismo empregado para designar
cor da pele. Assim, todas as pessoas portadoras de
RG possuem em suas fichas de identificação civil a
informação sobre sua cor, lançada, em regra, por elas
próprias.
Vê-se, pois, que o Cadastro Nacional de
Identificação Civil oferece uma referência objetiva e
disponível para o suposto problema da classificação
racial: qualquer indivíduo cuja ficha de identificação
civil, dele próprio ou de seus ascendentes (mãe ou
pai), indicar cor diversa de branca, amarela ou
indígena, terá direito a reivindicar acesso a políticas
de promoção da igualdade racial e estará habilitado
para registrar seu filho ou filha como preto/negro.
Fora dos domínios de uma solução
pragmática, o procedimento de classificação racial,
que durante cinco séculos funcionou na mais perfeita
harmonia, corre o risco de se tornar, agora, um
terrífico dilema, insolúvel, poderoso o bastante para
paralisar o debate sobre políticas de promoção da
igualdade racial.
No passado nunca ninguém teve dúvidas
sobre se éramos negros. Quiçá no futuro possamos
ser apenas seres humanos.
SILVA JÚNIOR, Hédio. Preto é cor, negro é raça. Folha de S.Paulo, São Paulo, 21 dez. 2002. Opinião, p.A3.
I. A marcha carnavalesca permite compreender o significado da classificação social no Brasil. II. O conceito de raça aplicado aos humanos se adquire na sociedade, de forma relacional; por isso não é da área da ciência. III. De acordo com a visão do autor, os cientistas contribuem, através de estudos acadêmicos, para amenizar o preconceito e a discriminação racial.
Está correto o que se afirma em:
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Preto é cor, negro é raça
O refrão de uma marchinha carnavalesca, de
amplo domínio público, oferece uma pista
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que a sociedade brasileira emprega para a
classificação racial das pessoas: “O teu cabelo não
nega, mulata, porque és mulata na cor; mas como a
cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”.
Escrita por Lamartine Babo para o Carnaval
de 1932, a marchinha realça a ambiguidade das
relações raciais, ao mesmo tempo em que ilustra a
opção nacional pela aparência, pelo fenótipo.
Honesto e preconceituoso em sua definição de negro,
Lamartine contribui mais para o debate sobre
classificação racial do que muitos doutores.
Com efeito, ao contrário do que pensa o
presidente eleito, bem como certos acadêmicos, os
cientistas pouco podem fazer nesta seara, além de,
em regra, exibirem seus próprios preconceitos ou seu
compromisso racial com a manutenção das coisas
como elas estão.
Primeiro porque, como se sabe, raça é
conceito científico inaplicável à espécie humana, de
modo que o vocábulo raça adquire relevância na
semântica e na vida apenas naquelas sociedades em
que a cor da pele, o fenótipo dos indivíduos, é
relevante para a distribuição de direitos e
oportunidades.
Segundo, porque as pessoas não nascem
negras ou brancas; enfim, não nascem “racializadas”.
É a experiência da vida em sociedade que as torna
negras ou brancas.
“Todos sabem como se tratam os pretos”,
assevera Caetano Veloso na canção “Haiti”.
Em sendo um fenômeno relacional, a
classificação racial dos indivíduos repousa menos em
qualquer postulado científico e mais nas regras que
regem as relações, intersubjetivas, econômicas e
políticas no passado e no presente.
Negro e branco designam, portanto,
categorias essencialmente políticas: é negro
quem é tratado socialmente como negro,
independentemente de tonalidade cromática. É
branco aquele indivíduo que, no cotidiano, nas
estatísticas e nos indicadores sociais, abocanha
privilégios materiais e simbólicos resultantes do
possível mérito de ser branco. Esse sistema funciona
perfeitamente bem no Brasil desde tempos
imemoriais.
A título de exemplo, desde a primeira metade
do século passado, a Lei das Estatísticas Criminais
prevê a classificação racial de vítimas e acusados por
meio do critério da cor. Emprega-se aqui a técnica da
heteroclassificação, visto que ao escrivão de polícia compete classificar, o que é criticado pela
demografia, que entende ser mais recomendável, do
ângulo ético e metodológico, a autoclassificação.
Há um outro banco de dados no qual o
método empregado é o da autoclassificação: o
Cadastro Nacional de Identificação Civil, feito com
base na ficha de identificação civil, a partir da qual é
emitida a cédula de identidade, o popular RG. Tratase
de uma ficha que pode ser adquirida em qualquer
papelaria, cujo formulário, inspirado no aludido
Decreto-Lei das Estatísticas Criminais, contém a
rubrica “cútis”, neologismo empregado para designar
cor da pele. Assim, todas as pessoas portadoras de
RG possuem em suas fichas de identificação civil a
informação sobre sua cor, lançada, em regra, por elas
próprias.
Vê-se, pois, que o Cadastro Nacional de
Identificação Civil oferece uma referência objetiva e
disponível para o suposto problema da classificação
racial: qualquer indivíduo cuja ficha de identificação
civil, dele próprio ou de seus ascendentes (mãe ou
pai), indicar cor diversa de branca, amarela ou
indígena, terá direito a reivindicar acesso a políticas
de promoção da igualdade racial e estará habilitado
para registrar seu filho ou filha como preto/negro.
Fora dos domínios de uma solução
pragmática, o procedimento de classificação racial,
que durante cinco séculos funcionou na mais perfeita
harmonia, corre o risco de se tornar, agora, um
terrífico dilema, insolúvel, poderoso o bastante para
paralisar o debate sobre políticas de promoção da
igualdade racial.
No passado nunca ninguém teve dúvidas
sobre se éramos negros. Quiçá no futuro possamos
ser apenas seres humanos.
SILVA JÚNIOR, Hédio. Preto é cor, negro é raça. Folha de S.Paulo, São Paulo, 21 dez. 2002. Opinião, p.A3.
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O refrão de uma marchinha carnavalesca, de
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classificação racial das pessoas: “O teu cabelo não
nega, mulata, porque és mulata na cor; mas como a
cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”.
Escrita por Lamartine Babo para o Carnaval
de 1932, a marchinha realça a ambiguidade das
relações raciais, ao mesmo tempo em que ilustra a
opção nacional pela aparência, pelo fenótipo.
Honesto e preconceituoso em sua definição de negro,
Lamartine contribui mais para o debate sobre
classificação racial do que muitos doutores.
Com efeito, ao contrário do que pensa o
presidente eleito, bem como certos acadêmicos, os
cientistas pouco podem fazer nesta seara, além de,
em regra, exibirem seus próprios preconceitos ou seu
compromisso racial com a manutenção das coisas
como elas estão.
Primeiro porque, como se sabe, raça é
conceito científico inaplicável à espécie humana, de
modo que o vocábulo raça adquire relevância na
semântica e na vida apenas naquelas sociedades em
que a cor da pele, o fenótipo dos indivíduos, é
relevante para a distribuição de direitos e
oportunidades.
Segundo, porque as pessoas não nascem
negras ou brancas; enfim, não nascem “racializadas”.
É a experiência da vida em sociedade que as torna
negras ou brancas.
“Todos sabem como se tratam os pretos”,
assevera Caetano Veloso na canção “Haiti”.
Em sendo um fenômeno relacional, a
classificação racial dos indivíduos repousa menos em
qualquer postulado científico e mais nas regras que
regem as relações, intersubjetivas, econômicas e
políticas no passado e no presente.
Negro e branco designam, portanto,
categorias essencialmente políticas: é negro
quem é tratado socialmente como negro,
independentemente de tonalidade cromática. É
branco aquele indivíduo que, no cotidiano, nas
estatísticas e nos indicadores sociais, abocanha
privilégios materiais e simbólicos resultantes do
possível mérito de ser branco. Esse sistema funciona
perfeitamente bem no Brasil desde tempos
imemoriais.
A título de exemplo, desde a primeira metade
do século passado, a Lei das Estatísticas Criminais
prevê a classificação racial de vítimas e acusados por
meio do critério da cor. Emprega-se aqui a técnica da
heteroclassificação, visto que ao escrivão de polícia compete classificar, o que é criticado pela
demografia, que entende ser mais recomendável, do
ângulo ético e metodológico, a autoclassificação.
Há um outro banco de dados no qual o
método empregado é o da autoclassificação: o
Cadastro Nacional de Identificação Civil, feito com
base na ficha de identificação civil, a partir da qual é
emitida a cédula de identidade, o popular RG. Tratase
de uma ficha que pode ser adquirida em qualquer
papelaria, cujo formulário, inspirado no aludido
Decreto-Lei das Estatísticas Criminais, contém a
rubrica “cútis”, neologismo empregado para designar
cor da pele. Assim, todas as pessoas portadoras de
RG possuem em suas fichas de identificação civil a
informação sobre sua cor, lançada, em regra, por elas
próprias.
Vê-se, pois, que o Cadastro Nacional de
Identificação Civil oferece uma referência objetiva e
disponível para o suposto problema da classificação
racial: qualquer indivíduo cuja ficha de identificação
civil, dele próprio ou de seus ascendentes (mãe ou
pai), indicar cor diversa de branca, amarela ou
indígena, terá direito a reivindicar acesso a políticas
de promoção da igualdade racial e estará habilitado
para registrar seu filho ou filha como preto/negro.
Fora dos domínios de uma solução
pragmática, o procedimento de classificação racial,
que durante cinco séculos funcionou na mais perfeita
harmonia, corre o risco de se tornar, agora, um
terrífico dilema, insolúvel, poderoso o bastante para
paralisar o debate sobre políticas de promoção da
igualdade racial.
No passado nunca ninguém teve dúvidas
sobre se éramos negros. Quiçá no futuro possamos
ser apenas seres humanos.
SILVA JÚNIOR, Hédio. Preto é cor, negro é raça. Folha de S.Paulo, São Paulo, 21 dez. 2002. Opinião, p.A3.
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Preto é cor, negro é raça
O refrão de uma marchinha carnavalesca, de
amplo domínio público, oferece uma pista
interessante para a compreensão do critério objetivo
que a sociedade brasileira emprega para a
classificação racial das pessoas: “O teu cabelo não
nega, mulata, porque és mulata na cor; mas como a
cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”.
Escrita por Lamartine Babo para o Carnaval
de 1932, a marchinha realça a ambiguidade das
relações raciais, ao mesmo tempo em que ilustra a
opção nacional pela aparência, pelo fenótipo.
Honesto e preconceituoso em sua definição de negro,
Lamartine contribui mais para o debate sobre
classificação racial do que muitos doutores.
Com efeito, ao contrário do que pensa o
presidente eleito, bem como certos acadêmicos, os
cientistas pouco podem fazer nesta seara, além de,
em regra, exibirem seus próprios preconceitos ou seu
compromisso racial com a manutenção das coisas
como elas estão.
Primeiro porque, como se sabe, raça é
conceito científico inaplicável à espécie humana, de
modo que o vocábulo raça adquire relevância na
semântica e na vida apenas naquelas sociedades em
que a cor da pele, o fenótipo dos indivíduos, é
relevante para a distribuição de direitos e
oportunidades.
Segundo, porque as pessoas não nascem
negras ou brancas; enfim, não nascem “racializadas”.
É a experiência da vida em sociedade que as torna
negras ou brancas.
“Todos sabem como se tratam os pretos”,
assevera Caetano Veloso na canção “Haiti”.
Em sendo um fenômeno relacional, a
classificação racial dos indivíduos repousa menos em
qualquer postulado científico e mais nas regras que
regem as relações, intersubjetivas, econômicas e
políticas no passado e no presente.
Negro e branco designam, portanto,
categorias essencialmente políticas: é negro
quem é tratado socialmente como negro,
independentemente de tonalidade cromática. É
branco aquele indivíduo que, no cotidiano, nas
estatísticas e nos indicadores sociais, abocanha
privilégios materiais e simbólicos resultantes do
possível mérito de ser branco. Esse sistema funciona
perfeitamente bem no Brasil desde tempos
imemoriais.
A título de exemplo, desde a primeira metade
do século passado, a Lei das Estatísticas Criminais
prevê a classificação racial de vítimas e acusados por
meio do critério da cor. Emprega-se aqui a técnica da
heteroclassificação, visto que ao escrivão de polícia compete classificar, o que é criticado pela
demografia, que entende ser mais recomendável, do
ângulo ético e metodológico, a autoclassificação.
Há um outro banco de dados no qual o
método empregado é o da autoclassificação: o
Cadastro Nacional de Identificação Civil, feito com
base na ficha de identificação civil, a partir da qual é
emitida a cédula de identidade, o popular RG. Tratase
de uma ficha que pode ser adquirida em qualquer
papelaria, cujo formulário, inspirado no aludido
Decreto-Lei das Estatísticas Criminais, contém a
rubrica “cútis”, neologismo empregado para designar
cor da pele. Assim, todas as pessoas portadoras de
RG possuem em suas fichas de identificação civil a
informação sobre sua cor, lançada, em regra, por elas
próprias.
Vê-se, pois, que o Cadastro Nacional de
Identificação Civil oferece uma referência objetiva e
disponível para o suposto problema da classificação
racial: qualquer indivíduo cuja ficha de identificação
civil, dele próprio ou de seus ascendentes (mãe ou
pai), indicar cor diversa de branca, amarela ou
indígena, terá direito a reivindicar acesso a políticas
de promoção da igualdade racial e estará habilitado
para registrar seu filho ou filha como preto/negro.
Fora dos domínios de uma solução
pragmática, o procedimento de classificação racial,
que durante cinco séculos funcionou na mais perfeita
harmonia, corre o risco de se tornar, agora, um
terrífico dilema, insolúvel, poderoso o bastante para
paralisar o debate sobre políticas de promoção da
igualdade racial.
No passado nunca ninguém teve dúvidas
sobre se éramos negros. Quiçá no futuro possamos
ser apenas seres humanos.
SILVA JÚNIOR, Hédio. Preto é cor, negro é raça. Folha de S.Paulo, São Paulo, 21 dez. 2002. Opinião, p.A3.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Texto para responder à questão.
Preto é cor, negro é raça
O refrão de uma marchinha carnavalesca, de
amplo domínio público, oferece uma pista
interessante para a compreensão do critério objetivo
que a sociedade brasileira emprega para a
classificação racial das pessoas: “O teu cabelo não
nega, mulata, porque és mulata na cor; mas como a
cor não pega, mulata, mulata eu quero o teu amor”.
Escrita por Lamartine Babo para o Carnaval
de 1932, a marchinha realça a ambiguidade das
relações raciais, ao mesmo tempo em que ilustra a
opção nacional pela aparência, pelo fenótipo.
Honesto e preconceituoso em sua definição de negro,
Lamartine contribui mais para o debate sobre
classificação racial do que muitos doutores.
Com efeito, ao contrário do que pensa o
presidente eleito, bem como certos acadêmicos, os
cientistas pouco podem fazer nesta seara, além de,
em regra, exibirem seus próprios preconceitos ou seu
compromisso racial com a manutenção das coisas
como elas estão.
Primeiro porque, como se sabe, raça é
conceito científico inaplicável à espécie humana, de
modo que o vocábulo raça adquire relevância na
semântica e na vida apenas naquelas sociedades em
que a cor da pele, o fenótipo dos indivíduos, é
relevante para a distribuição de direitos e
oportunidades.
Segundo, porque as pessoas não nascem
negras ou brancas; enfim, não nascem “racializadas”.
É a experiência da vida em sociedade que as torna
negras ou brancas.
“Todos sabem como se tratam os pretos”,
assevera Caetano Veloso na canção “Haiti”.
Em sendo um fenômeno relacional, a
classificação racial dos indivíduos repousa menos em
qualquer postulado científico e mais nas regras que
regem as relações, intersubjetivas, econômicas e
políticas no passado e no presente.
Negro e branco designam, portanto,
categorias essencialmente políticas: é negro
quem é tratado socialmente como negro,
independentemente de tonalidade cromática. É
branco aquele indivíduo que, no cotidiano, nas
estatísticas e nos indicadores sociais, abocanha
privilégios materiais e simbólicos resultantes do
possível mérito de ser branco. Esse sistema funciona
perfeitamente bem no Brasil desde tempos
imemoriais.
A título de exemplo, desde a primeira metade
do século passado, a Lei das Estatísticas Criminais
prevê a classificação racial de vítimas e acusados por
meio do critério da cor. Emprega-se aqui a técnica da
heteroclassificação, visto que ao escrivão de polícia compete classificar, o que é criticado pela
demografia, que entende ser mais recomendável, do
ângulo ético e metodológico, a autoclassificação.
Há um outro banco de dados no qual o
método empregado é o da autoclassificação: o
Cadastro Nacional de Identificação Civil, feito com
base na ficha de identificação civil, a partir da qual é
emitida a cédula de identidade, o popular RG. Tratase
de uma ficha que pode ser adquirida em qualquer
papelaria, cujo formulário, inspirado no aludido
Decreto-Lei das Estatísticas Criminais, contém a
rubrica “cútis”, neologismo empregado para designar
cor da pele. Assim, todas as pessoas portadoras de
RG possuem em suas fichas de identificação civil a
informação sobre sua cor, lançada, em regra, por elas
próprias.
Vê-se, pois, que o Cadastro Nacional de
Identificação Civil oferece uma referência objetiva e
disponível para o suposto problema da classificação
racial: qualquer indivíduo cuja ficha de identificação
civil, dele próprio ou de seus ascendentes (mãe ou
pai), indicar cor diversa de branca, amarela ou
indígena, terá direito a reivindicar acesso a políticas
de promoção da igualdade racial e estará habilitado
para registrar seu filho ou filha como preto/negro.
Fora dos domínios de uma solução
pragmática, o procedimento de classificação racial,
que durante cinco séculos funcionou na mais perfeita
harmonia, corre o risco de se tornar, agora, um
terrífico dilema, insolúvel, poderoso o bastante para
paralisar o debate sobre políticas de promoção da
igualdade racial.
No passado nunca ninguém teve dúvidas
sobre se éramos negros. Quiçá no futuro possamos
ser apenas seres humanos.
SILVA JÚNIOR, Hédio. Preto é cor, negro é raça. Folha de S.Paulo, São Paulo, 21 dez. 2002. Opinião, p.A3.
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A leitura em que professor e alunos realizam
paulatinamente, em conjunto, prática fundamental
para a explicitação das estratégias e procedimentos
que um leitor proficiente utiliza é denominada:
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Texto para responder à questão.
Uma estranha descoberta
Lá dentro viu dependurados compridos
casacos de peles. Lúcia gostava muito do cheiro e do
contato das peles. Pulou para dentro e se meteu entre
os casacos, deixando que eles lhe afagassem o rosto.
Não fechou a porta, naturalmente: sabia muito bem
que seria uma tolice fechar-se dentro de um guarda-roupa.
Foi avançando cada vez mais e descobriu que
havia uma segunda fila de casacos pendurada atrás
da primeira. Ali já estava meio escuro, e ela estendia
os braços, para não bater com a cara no fundo do
móvel. Deu mais uns passos, esperando sempre
tocar no fundo com as pontas dos dedos. Mas nada
encontrava.
“Deve ser um guarda-roupa colossal!”,
pensou Lúcia, avançando ainda mais. De repente
notou que estava pisando qualquer coisa que se
desfazia debaixo de seus pés. Seriam outras bolinhas
de naftalina? Abaixou-se para examinar com as
mãos. Em vez de achar o fundo liso e duro do guarda-roupa,
encontrou uma coisa macia e fria, que se
esfarelava nos dedos. “É muito estranho”, pensou, e
deu mais um ou dois passos.
O que agora lhe roçava o rosto e as mãos não
eram mais as peles macias, mas algo duro, áspero e
que espetava.
– Ora essa! Parecem ramos de árvores!
Só então viu que havia uma luz em frente, não
a dois palmos do nariz, onde deveria estar o fundo do
guarda-roupa, mas lá longe. Caía-lhe em cima uma
coisa leve e macia. Um minuto depois, percebeu que
estava num bosque, à noite, e que havia neve sob os
seus pés, enquanto outros flocos tombavam do ar.
Sentiu-se um pouco assustada, mas, ao
mesmo tempo, excitada e cheia de curiosidade.
Olhando para trás, lá no fundo, por entre os troncos
sombrios das árvores, viu ainda a porta aberta do
guarda-roupa e também distinguiu a sala vazia de
onde havia saído. Naturalmente, deixara a porta
aberta, porque bem sabia que é uma estupidez uma
pessoa fechar-se num guarda-roupa. Lá longe ainda
parecia divisar a luz do dia.
- Se alguma coisa não correr bem, posso
perfeitamente voltar.
E ela começou a avançar devagar sobre a
neve, na direção da luz distante.
Dez minutos depois, chegou lá e viu que se
tratava de um lampião. O que estaria fazendo um
lampião no meio de um bosque? Lúcia pensava no
que deveria fazer, quando ouviu uns pulinhos ligeiros
e leves que vinham na sua direção. De repente, à luz
do lampião, surgiu um tipo muito estranho.
Era um pouquinho mais alto do que Lúcia e
levava uma sombrinha branca. Da cintura para cima parecia um homem, mas as pernas eram de bode
(com pelos pretos e acetinados) e, em vez de pés,
tinha cascos de bode. Tinha também cauda, mas a
princípio Lúcia não notou, pois ela descansava
elegantemente sobre o braço que segurava a
sombrinha, para não se arrastar pela neve.
Trazia um cachecol vermelho de lã enrolado
no pescoço. Sua pele também era meio
avermelhada. A cara era estranha, mas simpática,
com uma barbicha pontuda e cabelos frisados, de
onde lhe saíam dois chifres, um de cada lado da testa.
Na outra mão carregava vários embrulhos de papel
pardo. Com todos aqueles pacotes e coberto de neve,
parecia que acabava de fazer suas compras de Natal.
Era um fauno. Quando viu Lúcia, ficou tão
espantado que deixou cair os embrulhos.
– Ora bolas! - exclamou o fauno.
[...]
LEWIS, C.S. Uma estranha descoberta.In: As Crônicas de
Nárnia
.Tradução de Paulo Mendes Campos. São Paulo: Martins
Fontes, 2005. p.105-6. Volume único.
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Conforme a Lei de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional – LDB, o acesso à educação básica
obrigatória é direito:
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Ao clicar no ícone
na barra de ferramentas do
Microsoft Word é possível:
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De forma simplificada, a computação em nuvem é um
modelo de fornecimento para recursos de
computação, no qual diversos servidores, aplicativos,
dados e outros recursos são integrados e fornecidos
como um serviço pela Internet. Um exemplo desse
serviço é:
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