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Assinale a alternativa em que há um desvio de paralelismo
sintático.
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Levando-se em consideração seu emprego, qual(is) é(são)
a(s) classe(s) gramatical(is) das duas palavras QUE
sublinhadas no excerto abaixo?
“Nas trilogias de super-heróis o segundo filme é o da consolidação da jornada pessoal. Cinco anos depois de Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), Miles Morales retorna mais maduro e confiante em Através do Aranhaverso, mas é a própria realidade da rotina de vigilante - que particularmente no universo do Homem-Aranha sempre envolveu muitas concessões, lutos e sacrifícios - que chega para cobrar seu pedágio e testar se Miles tem mesmo o que é preciso para carregar o nome de Homem-Aranha.”
RIBEIRO, Pedro Henrique. Homem-Aranha Através do Aranhaverso é amadurecimento solitário de Miles Morales. Omelete, 31 de maio de 2023. Disponível em: https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/homem-aranhaaranhaverso-2. Acesso em: 16 jun. 2023.
“Nas trilogias de super-heróis o segundo filme é o da consolidação da jornada pessoal. Cinco anos depois de Homem-Aranha no Aranhaverso (2018), Miles Morales retorna mais maduro e confiante em Através do Aranhaverso, mas é a própria realidade da rotina de vigilante - que particularmente no universo do Homem-Aranha sempre envolveu muitas concessões, lutos e sacrifícios - que chega para cobrar seu pedágio e testar se Miles tem mesmo o que é preciso para carregar o nome de Homem-Aranha.”
RIBEIRO, Pedro Henrique. Homem-Aranha Através do Aranhaverso é amadurecimento solitário de Miles Morales. Omelete, 31 de maio de 2023. Disponível em: https://www.omelete.com.br/filmes/criticas/homem-aranhaaranhaverso-2. Acesso em: 16 jun. 2023.
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Leia o fragmento a seguir.
“Não havia como negar – o bebê era sua cara – e, pressionado pelas duas famílias, assumiu: assim, aos catorze anos era pai. Difícil, muito difícil: cidade pequena, no começo do século, gente conservadora olhando-o feio na rua. Pior: pouco depois de dar à luz, a namorada, menina triste, recusou-se a ver o bebê; perturbada, acabou sumindo e nunca mais foi vista. Anos depois, correu a história de que havia morrido num hospício. Ele teve, pois, de enfrentar sozinho a paternidade. Mas estava decidido, tão decidido quanto poderia estar um rapaz de sua pouca idade. Ajudado – não sem relutância – pelos pais, pessoas muito religiosas e responsáveis, dedicou-se por inteiro à tarefa. [...]” SCLIAR, Moacyr. Pai e filho, filho e pai. In: Pai e filho, filho e pai e outros contos escolhidos. Porto Alegre: LP&M, 2010. p. 81-83.
A expressão “não sem relutância” presente nesse fragmento significa que houve, por parte do adolescente e/ou de seus pais, certo(a):
“Não havia como negar – o bebê era sua cara – e, pressionado pelas duas famílias, assumiu: assim, aos catorze anos era pai. Difícil, muito difícil: cidade pequena, no começo do século, gente conservadora olhando-o feio na rua. Pior: pouco depois de dar à luz, a namorada, menina triste, recusou-se a ver o bebê; perturbada, acabou sumindo e nunca mais foi vista. Anos depois, correu a história de que havia morrido num hospício. Ele teve, pois, de enfrentar sozinho a paternidade. Mas estava decidido, tão decidido quanto poderia estar um rapaz de sua pouca idade. Ajudado – não sem relutância – pelos pais, pessoas muito religiosas e responsáveis, dedicou-se por inteiro à tarefa. [...]” SCLIAR, Moacyr. Pai e filho, filho e pai. In: Pai e filho, filho e pai e outros contos escolhidos. Porto Alegre: LP&M, 2010. p. 81-83.
A expressão “não sem relutância” presente nesse fragmento significa que houve, por parte do adolescente e/ou de seus pais, certo(a):
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Leia o excerto abaixo.
“É uma história incrível: quatro crianças, com idades entre 13 anos e 12 meses, sobreviveram na densa selva amazônica por 40 dias, após o acidente do avião em que viajavam, no qual três adultos perderam a vida. A história de como os irmãos sobreviveram sem comida, expostos a mosquitos e animais selvagens em uma região inóspita, ainda não foi contada pelas crianças. No entanto, para os quatro menores, a selva não era um lugar estranho. Pelo contrário, a floresta faz parte de sua casa, de seu ambiente natural: as crianças são da comunidade indígena Muina Murui, mais conhecida como Uitoto.”
QUEM são os uitotos, o povo indígena das crianças que sobreviveram sozinhas na selva colombiana por 40 dias. BBC Brasil, 17 de junho de 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crgdq4q04q4o. Acesso em: 17 jun. 2023.
O conectivo em destaque nesse excerto NÃO pode ser substituído, sob a pena de se alterar o sentido do enunciado, por:
“É uma história incrível: quatro crianças, com idades entre 13 anos e 12 meses, sobreviveram na densa selva amazônica por 40 dias, após o acidente do avião em que viajavam, no qual três adultos perderam a vida. A história de como os irmãos sobreviveram sem comida, expostos a mosquitos e animais selvagens em uma região inóspita, ainda não foi contada pelas crianças. No entanto, para os quatro menores, a selva não era um lugar estranho. Pelo contrário, a floresta faz parte de sua casa, de seu ambiente natural: as crianças são da comunidade indígena Muina Murui, mais conhecida como Uitoto.”
QUEM são os uitotos, o povo indígena das crianças que sobreviveram sozinhas na selva colombiana por 40 dias. BBC Brasil, 17 de junho de 2023. Disponível em: https://www.bbc.com/portuguese/articles/crgdq4q04q4o. Acesso em: 17 jun. 2023.
O conectivo em destaque nesse excerto NÃO pode ser substituído, sob a pena de se alterar o sentido do enunciado, por:
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Leia o texto a seguir.
“Três satélites estão ajudando a esclarecer um enigma de quase 80 anos sobre o Sol: por que a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera da estrela, é tão mais quente do que a sua superfície? Enquanto a temperatura da coroa beira os 2 milhões de graus Celsius (o C), a da superfície não passa dos 5.500 o C. O mais provável mecanismo por trás desse aquecimento é a reconexão magnética, fenômeno físico que ocorre com mais frequência e em pequena escala, propõe agora um grupo internacional liderado pelo astrônomo Xin Cheng, da Universidade de Nanjing, na China. Na reconexão magnética, linhas do campo magnético se reorganizam, liberando energia magnética. Nesse processo, parte da energia do campo magnético é transformada em calor e transferida para as partículas da coroa solar. Já se sabia que a reconexão magnética ocorria esporadicamente em grande escala no Sol, provocando as poderosas explosões que lançam partículas ao espaço. Os dados analisados mostraram que o fenômeno pode ser mais suave e ocorrer em áreas muito menores e por longos períodos. Imagens capturadas em 3 de março de 2022 pelo satélite Solar Orbiter identificaram uma sequência de reconexões suaves que durou quase uma hora, seguida de algumas explosões. Durante a reconexão, a temperatura em algumas regiões da coroa chegou a 10 milhões de graus Celsius e se propagou na forma de pequenas bolhas à velocidade de 80 quilômetros por segundo (Nature Communications, 13 de abril).”
UMA origem para as altas temperaturas da coroa solar. Pesquisa Fapesp, junho de 2023. Edição 328. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-origem-para-as-altastemperaturas-da-coroa-solar/. Acesso em: 17 jun. 2023.
Ao analisar suas características, pode-se afirmar que o texto acima é um exemplar do gênero:
“Três satélites estão ajudando a esclarecer um enigma de quase 80 anos sobre o Sol: por que a coroa solar, a camada mais externa da atmosfera da estrela, é tão mais quente do que a sua superfície? Enquanto a temperatura da coroa beira os 2 milhões de graus Celsius (o C), a da superfície não passa dos 5.500 o C. O mais provável mecanismo por trás desse aquecimento é a reconexão magnética, fenômeno físico que ocorre com mais frequência e em pequena escala, propõe agora um grupo internacional liderado pelo astrônomo Xin Cheng, da Universidade de Nanjing, na China. Na reconexão magnética, linhas do campo magnético se reorganizam, liberando energia magnética. Nesse processo, parte da energia do campo magnético é transformada em calor e transferida para as partículas da coroa solar. Já se sabia que a reconexão magnética ocorria esporadicamente em grande escala no Sol, provocando as poderosas explosões que lançam partículas ao espaço. Os dados analisados mostraram que o fenômeno pode ser mais suave e ocorrer em áreas muito menores e por longos períodos. Imagens capturadas em 3 de março de 2022 pelo satélite Solar Orbiter identificaram uma sequência de reconexões suaves que durou quase uma hora, seguida de algumas explosões. Durante a reconexão, a temperatura em algumas regiões da coroa chegou a 10 milhões de graus Celsius e se propagou na forma de pequenas bolhas à velocidade de 80 quilômetros por segundo (Nature Communications, 13 de abril).”
UMA origem para as altas temperaturas da coroa solar. Pesquisa Fapesp, junho de 2023. Edição 328. Disponível em: https://revistapesquisa.fapesp.br/uma-origem-para-as-altastemperaturas-da-coroa-solar/. Acesso em: 17 jun. 2023.
Ao analisar suas características, pode-se afirmar que o texto acima é um exemplar do gênero:
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TEXTO PARA A QUESTÃO.
A última conferida
Paulo Pestana
Crônica
“Para o cemitério, só vou se for levado – e na
horizontal”, me diz um amigo, pragmático, depois de ter
sido constrangido por outro camarada com o pior tipo de
pergunta que se pode fazer, aquela que traz, antes da
interrogação, uma afirmação. É de perder o rebolado.
“Não te vi no cemitério, a que horas você esteve lá?”.
Ele não se deu o trabalho de usar a frase anterior
porque sentiu que seria pior, teria que se estender. Teria
que dizer que não é superstição, mas porque não vê
sentido nessas cerimônias de despedida; mas era muita
explicação, exigiria alguma filosofia e muita paciência e ele
preferiu se escorar em mim para mudar o rumo da prosa.
Falamos de futebol.
A tradição manda que a gente vá dar uma
conferida final naquele parente, amigo ou camarada que
se foi, mas eu também evito. Gosto de lembrar das
pessoas vivas e não me sinto à vontade naquele quase
convescote em que as pessoas falam de amenidades em
torno de um corpo inerte, cercado por flores à espera de
ser carregado para a cova.
Lembro sempre a história de Ulysses Guimarães, o
Senhor Diretas, que nunca ia a enterros e acabou não indo
nem ao próprio, já que o corpo dele nunca foi encontrado
e, há 30 anos, continua mergulhado no Oceano Atlântico.
Um outro amigo é tão supersticioso que sequer
fala a palavra cemitério. Como se fosse adiantar alguma
coisa, prefere usar campo santo, necrópole ou, mais
frequentemente, até porque é descendente de libaneses,
almocábar, que obviamente é uma palavra de origem
árabe. Não sei se a semântica resolve alguma coisa, mas
para ele ameniza. E ficamos assim.
Saber que não se vai mais encontrar um amigo ou
mesmo um conhecido já é dor suficiente. Não é preciso
dividi-la com parentes e outros presentes. Há quem alegue
que só uma cerimônia fúnebre é capaz de encerrar uma
história de convivência e que seria a última oportunidade
de dar um adeus a um querido. Só que o querido não está
mais ali, só há um corpo.
O homem enterra seus semelhantes desde 60 mil
anos antes de Cristo, pelo menos. Inicialmente era um
modo de esconder os corpos de animais predadores. Mais
tarde, egípcios mantinham conservados os corpos da gente
importante e os romanos começaram a cremar, mas só
gente de bem; os bandidos eram enterrados mesmo.
Até recentemente – 1964 – a Igreja Católica
proibia a cremação de fiéis, mas os vikings faziam
cerimônias em que misturavam fogo e água para
carbonizar guerreiros e nobres num barco, a caminho de
Valhala.
Os velórios só foram instituídos na idade média
para resolver o problema de enterrar gente viva – como as
pessoas bebiam vinho e outros espíritos em taças de
estanho, muitas vezes chegavam a um estado de
narcolepsia que era confundido com morte. E decidiu-se
esperar um pouco mais antes de botar terra em cima.
Hoje, os velórios são solenidades para os vivos;
um outro amigo, mais vivido, tem uma explicação mais
direta sobre o fato de evitar cemitérios: “Quem não é visto
não é lembrado”.
PESTANA, Paulo. A última conferida. Correio Braziliense, 31 de maio de
2023. Disponível em:
https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/a-ultimaconferida/. Acesso em: 17 jun. 2023.
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- SemânticaDenotação e Conotação
- Interpretação de TextosFiguras e Vícios de LinguagemFiguras de Linguagem
TEXTO PARA A QUESTÃO.
A última conferida
Paulo Pestana
Crônica
“Para o cemitério, só vou se for levado – e na
horizontal”, me diz um amigo, pragmático, depois de ter
sido constrangido por outro camarada com o pior tipo de
pergunta que se pode fazer, aquela que traz, antes da
interrogação, uma afirmação. É de perder o rebolado.
“Não te vi no cemitério, a que horas você esteve lá?”.
Ele não se deu o trabalho de usar a frase anterior
porque sentiu que seria pior, teria que se estender. Teria
que dizer que não é superstição, mas porque não vê
sentido nessas cerimônias de despedida; mas era muita
explicação, exigiria alguma filosofia e muita paciência e ele
preferiu se escorar em mim para mudar o rumo da prosa.
Falamos de futebol.
A tradição manda que a gente vá dar uma
conferida final naquele parente, amigo ou camarada que
se foi, mas eu também evito. Gosto de lembrar das
pessoas vivas e não me sinto à vontade naquele quase
convescote em que as pessoas falam de amenidades em
torno de um corpo inerte, cercado por flores à espera de
ser carregado para a cova.
Lembro sempre a história de Ulysses Guimarães, o
Senhor Diretas, que nunca ia a enterros e acabou não indo
nem ao próprio, já que o corpo dele nunca foi encontrado
e, há 30 anos, continua mergulhado no Oceano Atlântico.
Um outro amigo é tão supersticioso que sequer
fala a palavra cemitério. Como se fosse adiantar alguma
coisa, prefere usar campo santo, necrópole ou, mais
frequentemente, até porque é descendente de libaneses,
almocábar, que obviamente é uma palavra de origem
árabe. Não sei se a semântica resolve alguma coisa, mas
para ele ameniza. E ficamos assim.
Saber que não se vai mais encontrar um amigo ou
mesmo um conhecido já é dor suficiente. Não é preciso
dividi-la com parentes e outros presentes. Há quem alegue
que só uma cerimônia fúnebre é capaz de encerrar uma
história de convivência e que seria a última oportunidade
de dar um adeus a um querido. Só que o querido não está
mais ali, só há um corpo.
O homem enterra seus semelhantes desde 60 mil
anos antes de Cristo, pelo menos. Inicialmente era um
modo de esconder os corpos de animais predadores. Mais
tarde, egípcios mantinham conservados os corpos da gente
importante e os romanos começaram a cremar, mas só
gente de bem; os bandidos eram enterrados mesmo.
Até recentemente – 1964 – a Igreja Católica
proibia a cremação de fiéis, mas os vikings faziam
cerimônias em que misturavam fogo e água para
carbonizar guerreiros e nobres num barco, a caminho de
Valhala.
Os velórios só foram instituídos na idade média
para resolver o problema de enterrar gente viva – como as
pessoas bebiam vinho e outros espíritos em taças de
estanho, muitas vezes chegavam a um estado de
narcolepsia que era confundido com morte. E decidiu-se
esperar um pouco mais antes de botar terra em cima.
Hoje, os velórios são solenidades para os vivos;
um outro amigo, mais vivido, tem uma explicação mais
direta sobre o fato de evitar cemitérios: “Quem não é visto
não é lembrado”.
PESTANA, Paulo. A última conferida. Correio Braziliense, 31 de maio de
2023. Disponível em:
https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/a-ultimaconferida/. Acesso em: 17 jun. 2023.
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TEXTO PARA A QUESTÃO.
A última conferida
Paulo Pestana
Crônica
“Para o cemitério, só vou se for levado – e na
horizontal”, me diz um amigo, pragmático, depois de ter
sido constrangido por outro camarada com o pior tipo de
pergunta que se pode fazer, aquela que traz, antes da
interrogação, uma afirmação. É de perder o rebolado.
“Não te vi no cemitério, a que horas você esteve lá?”.
Ele não se deu o trabalho de usar a frase anterior
porque sentiu que seria pior, teria que se estender. Teria
que dizer que não é superstição, mas porque não vê
sentido nessas cerimônias de despedida; mas era muita
explicação, exigiria alguma filosofia e muita paciência e ele
preferiu se escorar em mim para mudar o rumo da prosa.
Falamos de futebol.
A tradição manda que a gente vá dar uma
conferida final naquele parente, amigo ou camarada que
se foi, mas eu também evito. Gosto de lembrar das
pessoas vivas e não me sinto à vontade naquele quase
convescote em que as pessoas falam de amenidades em
torno de um corpo inerte, cercado por flores à espera de
ser carregado para a cova.
Lembro sempre a história de Ulysses Guimarães, o
Senhor Diretas, que nunca ia a enterros e acabou não indo
nem ao próprio, já que o corpo dele nunca foi encontrado
e, há 30 anos, continua mergulhado no Oceano Atlântico.
Um outro amigo é tão supersticioso que sequer
fala a palavra cemitério. Como se fosse adiantar alguma
coisa, prefere usar campo santo, necrópole ou, mais
frequentemente, até porque é descendente de libaneses,
almocábar, que obviamente é uma palavra de origem
árabe. Não sei se a semântica resolve alguma coisa, mas
para ele ameniza. E ficamos assim.
Saber que não se vai mais encontrar um amigo ou
mesmo um conhecido já é dor suficiente. Não é preciso
dividi-la com parentes e outros presentes. Há quem alegue
que só uma cerimônia fúnebre é capaz de encerrar uma
história de convivência e que seria a última oportunidade
de dar um adeus a um querido. Só que o querido não está
mais ali, só há um corpo.
O homem enterra seus semelhantes desde 60 mil
anos antes de Cristo, pelo menos. Inicialmente era um
modo de esconder os corpos de animais predadores. Mais
tarde, egípcios mantinham conservados os corpos da gente
importante e os romanos começaram a cremar, mas só
gente de bem; os bandidos eram enterrados mesmo.
Até recentemente – 1964 – a Igreja Católica
proibia a cremação de fiéis, mas os vikings faziam
cerimônias em que misturavam fogo e água para
carbonizar guerreiros e nobres num barco, a caminho de
Valhala.
Os velórios só foram instituídos na idade média
para resolver o problema de enterrar gente viva – como as
pessoas bebiam vinho e outros espíritos em taças de
estanho, muitas vezes chegavam a um estado de
narcolepsia que era confundido com morte. E decidiu-se
esperar um pouco mais antes de botar terra em cima.
Hoje, os velórios são solenidades para os vivos;
um outro amigo, mais vivido, tem uma explicação mais
direta sobre o fato de evitar cemitérios: “Quem não é visto
não é lembrado”.
PESTANA, Paulo. A última conferida. Correio Braziliense, 31 de maio de
2023. Disponível em:
https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/a-ultimaconferida/. Acesso em: 17 jun. 2023.
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TEXTO PARA A QUESTÃO.
A última conferida
Paulo Pestana
Crônica
“Para o cemitério, só vou se for levado – e na
horizontal”, me diz um amigo, pragmático, depois de ter
sido constrangido por outro camarada com o pior tipo de
pergunta que se pode fazer, aquela que traz, antes da
interrogação, uma afirmação. É de perder o rebolado.
“Não te vi no cemitério, a que horas você esteve lá?”.
Ele não se deu o trabalho de usar a frase anterior
porque sentiu que seria pior, teria que se estender. Teria
que dizer que não é superstição, mas porque não vê
sentido nessas cerimônias de despedida; mas era muita
explicação, exigiria alguma filosofia e muita paciência e ele
preferiu se escorar em mim para mudar o rumo da prosa.
Falamos de futebol.
A tradição manda que a gente vá dar uma
conferida final naquele parente, amigo ou camarada que
se foi, mas eu também evito. Gosto de lembrar das
pessoas vivas e não me sinto à vontade naquele quase
convescote em que as pessoas falam de amenidades em
torno de um corpo inerte, cercado por flores à espera de
ser carregado para a cova.
Lembro sempre a história de Ulysses Guimarães, o
Senhor Diretas, que nunca ia a enterros e acabou não indo
nem ao próprio, já que o corpo dele nunca foi encontrado
e, há 30 anos, continua mergulhado no Oceano Atlântico.
Um outro amigo é tão supersticioso que sequer
fala a palavra cemitério. Como se fosse adiantar alguma
coisa, prefere usar campo santo, necrópole ou, mais
frequentemente, até porque é descendente de libaneses,
almocábar, que obviamente é uma palavra de origem
árabe. Não sei se a semântica resolve alguma coisa, mas
para ele ameniza. E ficamos assim.
Saber que não se vai mais encontrar um amigo ou
mesmo um conhecido já é dor suficiente. Não é preciso
dividi-la com parentes e outros presentes. Há quem alegue
que só uma cerimônia fúnebre é capaz de encerrar uma
história de convivência e que seria a última oportunidade
de dar um adeus a um querido. Só que o querido não está
mais ali, só há um corpo.
O homem enterra seus semelhantes desde 60 mil
anos antes de Cristo, pelo menos. Inicialmente era um
modo de esconder os corpos de animais predadores. Mais
tarde, egípcios mantinham conservados os corpos da gente
importante e os romanos começaram a cremar, mas só
gente de bem; os bandidos eram enterrados mesmo.
Até recentemente – 1964 – a Igreja Católica
proibia a cremação de fiéis, mas os vikings faziam
cerimônias em que misturavam fogo e água para
carbonizar guerreiros e nobres num barco, a caminho de
Valhala.
Os velórios só foram instituídos na idade média
para resolver o problema de enterrar gente viva – como as
pessoas bebiam vinho e outros espíritos em taças de
estanho, muitas vezes chegavam a um estado de
narcolepsia que era confundido com morte. E decidiu-se
esperar um pouco mais antes de botar terra em cima.
Hoje, os velórios são solenidades para os vivos;
um outro amigo, mais vivido, tem uma explicação mais
direta sobre o fato de evitar cemitérios: “Quem não é visto
não é lembrado”.
PESTANA, Paulo. A última conferida. Correio Braziliense, 31 de maio de
2023. Disponível em:
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- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Modo
- MorfologiaVerbosConjugaçãoFlexão Verbal de Tempo
- Interpretação de Textos
TEXTO PARA A QUESTÃO.
A última conferida
Paulo Pestana
Crônica
“Para o cemitério, só vou se for levado – e na
horizontal”, me diz um amigo, pragmático, depois de ter
sido constrangido por outro camarada com o pior tipo de
pergunta que se pode fazer, aquela que traz, antes da
interrogação, uma afirmação. É de perder o rebolado.
“Não te vi no cemitério, a que horas você esteve lá?”.
Ele não se deu o trabalho de usar a frase anterior
porque sentiu que seria pior, teria que se estender. Teria
que dizer que não é superstição, mas porque não vê
sentido nessas cerimônias de despedida; mas era muita
explicação, exigiria alguma filosofia e muita paciência e ele
preferiu se escorar em mim para mudar o rumo da prosa.
Falamos de futebol.
A tradição manda que a gente vá dar uma
conferida final naquele parente, amigo ou camarada que
se foi, mas eu também evito. Gosto de lembrar das
pessoas vivas e não me sinto à vontade naquele quase
convescote em que as pessoas falam de amenidades em
torno de um corpo inerte, cercado por flores à espera de
ser carregado para a cova.
Lembro sempre a história de Ulysses Guimarães, o
Senhor Diretas, que nunca ia a enterros e acabou não indo
nem ao próprio, já que o corpo dele nunca foi encontrado
e, há 30 anos, continua mergulhado no Oceano Atlântico.
Um outro amigo é tão supersticioso que sequer
fala a palavra cemitério. Como se fosse adiantar alguma
coisa, prefere usar campo santo, necrópole ou, mais
frequentemente, até porque é descendente de libaneses,
almocábar, que obviamente é uma palavra de origem
árabe. Não sei se a semântica resolve alguma coisa, mas
para ele ameniza. E ficamos assim.
Saber que não se vai mais encontrar um amigo ou
mesmo um conhecido já é dor suficiente. Não é preciso
dividi-la com parentes e outros presentes. Há quem alegue
que só uma cerimônia fúnebre é capaz de encerrar uma
história de convivência e que seria a última oportunidade
de dar um adeus a um querido. Só que o querido não está
mais ali, só há um corpo.
O homem enterra seus semelhantes desde 60 mil
anos antes de Cristo, pelo menos. Inicialmente era um
modo de esconder os corpos de animais predadores. Mais
tarde, egípcios mantinham conservados os corpos da gente
importante e os romanos começaram a cremar, mas só
gente de bem; os bandidos eram enterrados mesmo.
Até recentemente – 1964 – a Igreja Católica
proibia a cremação de fiéis, mas os vikings faziam
cerimônias em que misturavam fogo e água para
carbonizar guerreiros e nobres num barco, a caminho de
Valhala.
Os velórios só foram instituídos na idade média
para resolver o problema de enterrar gente viva – como as
pessoas bebiam vinho e outros espíritos em taças de
estanho, muitas vezes chegavam a um estado de
narcolepsia que era confundido com morte. E decidiu-se
esperar um pouco mais antes de botar terra em cima.
Hoje, os velórios são solenidades para os vivos;
um outro amigo, mais vivido, tem uma explicação mais
direta sobre o fato de evitar cemitérios: “Quem não é visto
não é lembrado”.
PESTANA, Paulo. A última conferida. Correio Braziliense, 31 de maio de
2023. Disponível em:
https://blogs.correiobraziliense.com.br/paulopestana/a-ultimaconferida/. Acesso em: 17 jun. 2023.
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