Foram encontradas 40 questões.
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: Pref. Santa Maria Jetibá-ES
Vergonha e vexame
Tem muita gente aí que gostaria de ter um controle remoto para desligar o Brasil com um simples clique. Chega, arre! Vocês viram outro dia a pesquisa Datafolha com a meninada do vestibular: 44% deles pensam em ir embora. Dos que têm mais de 21 anos, 63%, se pudessem, davam no pé. E ainda eram capazes de fazer aquele gesto 100% nacionalista que o Collor, um privatista, publicou para todo mundo ver. É isso mesmo, a banana.
Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
(RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer: crônicas publicadas na Folha de S. Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.)
Considere a frase que finaliza o texto “Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.” (5º§) A alternativa que corretamente apresenta um sinônimo que substitui o termo destacado e, assim, propõe uma reescrita sem alteração de sentido para a frase é:
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Vergonha e vexame
Tem muita gente aí que gostaria de ter um controle remoto para desligar o Brasil com um simples clique. Chega, arre! Vocês viram outro dia a pesquisa Datafolha com a meninada do vestibular: 44% deles pensam em ir embora. Dos que têm mais de 21 anos, 63%, se pudessem, davam no pé. E ainda eram capazes de fazer aquele gesto 100% nacionalista que o Collor, um privatista, publicou para todo mundo ver. É isso mesmo, a banana.
Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
(RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer: crônicas publicadas na Folha de S. Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.)
O texto se encerra com um questionamento em relação a como se dá a conjugação verbal do verbo “saber” na 3ª pessoa do singular no pretérito imperfeito do modo subjuntivo, sem apresentar uma resposta conclusiva. Se procurasse em um dicionário, o autor constataria que a conjugação do verbo “saber” na 3ª pessoa do singular no pretérito imperfeito do modo subjuntivo é:
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Tem muita gente aí que gostaria de ter um controle remoto para desligar o Brasil com um simples clique. Chega, arre! Vocês viram outro dia a pesquisa Datafolha com a meninada do vestibular: 44% deles pensam em ir embora. Dos que têm mais de 21 anos, 63%, se pudessem, davam no pé. E ainda eram capazes de fazer aquele gesto 100% nacionalista que o Collor, um privatista, publicou para todo mundo ver. É isso mesmo, a banana.
Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
(RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer: crônicas publicadas na Folha de S. Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.)
Saber identificar a linguagem em seu sentido conotativo e destrinchar expressões idiomáticas é uma competência essencial para a compreensão plena e a leitura fluida de um texto. Considere o trecho: “Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos.” (3º§) Ao ler o termo evidenciado, é possível distinguir que o leitor não o escreve para referir-se à estrutura das plantas, mas sim
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Vergonha e vexame
Tem muita gente aí que gostaria de ter um controle remoto para desligar o Brasil com um simples clique. Chega, arre! Vocês viram outro dia a pesquisa Datafolha com a meninada do vestibular: 44% deles pensam em ir embora. Dos que têm mais de 21 anos, 63%, se pudessem, davam no pé. E ainda eram capazes de fazer aquele gesto 100% nacionalista que o Collor, um privatista, publicou para todo mundo ver. É isso mesmo, a banana.
Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
(RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer: crônicas publicadas na Folha de S. Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.)
Segundo Bechara (2009), pronomes são palavras que substituem os substantivos ou os determinam, indicando a pessoa do discurso. Com base no contexto em que se inserem, é possível determinar a qual pessoa se referem. Um exemplo é o trecho “Fique tranquilo, disse-lhe eu.” (4º§), em que o termo sublinhado é um pronome oblíquo que substitui o termo
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Vergonha e vexame
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Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
(RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer: crônicas publicadas na Folha de S. Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.)
Ao identificar a que classe gramatical uma palavra pertence, é possível efetuar uma leitura mais precisa e captar a mensagem intencionada pelo autor ao momento da escrita de seu texto. Tome-se como exemplo o livro “Por que me ufano do meu país” (5º§), escrito por Afonso Celso e citado no texto. É correto afirmar que o termo sublinhado corresponde
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Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
(RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer: crônicas publicadas na Folha de S. Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.)
Ter ciência quanto às classificações morfológicas das palavras é uma habilidade fundamental não apenas para uma estruturação textual coesa e coerente, mas também para a compreensão plena de uma leitura. Considere, portanto, o trecho: “Chega, arre!” (1º§). É correto dizer que o termo destacado é morfologicamente classificado como:
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Vergonha e vexame
Tem muita gente aí que gostaria de ter um controle remoto para desligar o Brasil com um simples clique. Chega, arre! Vocês viram outro dia a pesquisa Datafolha com a meninada do vestibular: 44% deles pensam em ir embora. Dos que têm mais de 21 anos, 63%, se pudessem, davam no pé. E ainda eram capazes de fazer aquele gesto 100% nacionalista que o Collor, um privatista, publicou para todo mundo ver. É isso mesmo, a banana.
Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
(RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer: crônicas publicadas na Folha de S. Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.)
Considere o trecho “Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.” (3º§) É possível depreender, com base na leitura do trecho e no contexto em que está inserido, que
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Tem muita gente aí que gostaria de ter um controle remoto para desligar o Brasil com um simples clique. Chega, arre! Vocês viram outro dia a pesquisa Datafolha com a meninada do vestibular: 44% deles pensam em ir embora. Dos que têm mais de 21 anos, 63%, se pudessem, davam no pé. E ainda eram capazes de fazer aquele gesto 100% nacionalista que o Collor, um privatista, publicou para todo mundo ver. É isso mesmo, a banana.
Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
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Considere o termo destacado no trecho: “Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus [...]” (2º§) É correto dizer que o significado do termo “patrício” utilizado no texto refere-se a uma pessoa
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Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
(RESENDE, Otto Lara. Bom dia para nascer: crônicas publicadas na Folha de S. Paulo. São Paulo: Companhia das Letras, 2011.)
Considere o trecho: “Vocês viram outro dia a pesquisa Datafolha com a meninada do vestibular: 44% deles pensam em ir embora.” (1º§) Levando em conta o contexto em que se insere, é correto dizer que a expressão sublinhada, em relação à vontade da “meninada do vestibular”, diz respeito a
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Agora vem o Lula e diz em Belo Horizonte que ser brasileiro virou uma vergonha. Como bom brasileiro, tal qual o maior de nossos patrícios, que é Deus, o Lula recomendou mais fé. Disse ele: “Comprar mais velas, rezar mais e acreditar no sobrenatural”. Duas indústrias progridem hoje entre nós: a de grades e a de velas, ou seja, queremos segurança aqui e lá em cima, no Céu.
Outro dia me deu uma bruta saudade do Henriquinho. O Henriquinho é o nome familiar do Henfil. A família dele ganhou agora na Justiça o direito a uma indenização. Ainda bem. O Henfil morreu de Aids contraída numa transfusão de sangue. Também dá vergonha, não dá? Um cara com aquela chispa genial morrer na flor dos anos. Brasileiro indignado, o Henfil tinha um senso de humor fantástico. Quando ele veio para o Rio, me confessou muito encabulado que não sabia crasear e até me pediu umas aulas. Como se eu pudesse ensinar.
Fique tranquilo, disse-lhe eu. Ninguém sabe. Os que sabiam morreram ou preferem fingir que não sabem. Pega mal e fica até feio. Nessa época, o Henfil, 20 anos, supunha que “vexame” era francês. Tinha uma dúvida sobre a pronúncia: seria “vechame” ou “vecsame’’? Resultado: como bom mineiro, riscou a palavra do seu vocabulário (o oral pelo menos). Um dia ele resolveu pronunciar “vexame” e caprichou como se fosse francês. Claro, foi um vexame. E todo mundo riu.
Muito pior do que essa história pitoresca do Henfil é essa mania de “a nível de”. Eu não aguento mais: a nível de é a mãe, xingo logo. Em 1900, o conde Afonso Celso publicou “Por que me ufano do meu país” e daí veio o ufanismo. Será que cem anos depois vamos escrever “Por que me envergonho do meu país”? Se eu “sabisse” disto, como diz a minha amiga Teresa, seis anos de idade, não tinha nascido brasileiro. Aí a Teresa para e, na dúvida, me pergunta: é “sabisse” ou “sabesse”? Tanto faz, respondo. Com o vexame que grassa no Brasil, qualquer coisa tá certa.
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A crônica de Otto Lara Resende, embora discorra sobre uma gama de temáticas variadas relacionadas ao contexto brasileiro da época em que foi escrita, apresenta uma constante ao abordar cada um dos tópicos dispostos ao longo do texto. Trata-se do(a)
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