Foram encontradas 40 questões.
2724266
Ano: 2023
Disciplina: Matemática
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Disciplina: Matemática
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Provas:
Considere a seguinte sequência numérica: 5, 15, 45, 135 e 405. Mantendo-se a mesma regra de
proporção, qual será o próximo número da sequência?
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2724265
Ano: 2023
Disciplina: Estatística
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Disciplina: Estatística
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Provas:
Um estudante obteve as seguintes notas: 8,0 na
avaliação nº 1; 8,0 na avaliação nº 2; 7,0 na
avaliação nº 3 e 10,0 na avaliação nº 4.
Considerando que as avaliações nº 1 e 4
possuem peso 01, ao passo que as demais
avaliações tem peso 02, qual a média aritmética
ponderada obtida pelo aluno?
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2724264
Ano: 2023
Disciplina: Matemática
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Disciplina: Matemática
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Provas:
Ao adquirir um televisor, um consumidor
dispendeu a quantia de R$1.000,00 (mil reais).
Considerando que o pagamento foi realizado
por meio de notas de R$100 e R$50, bem como
que foram utilizadas, no total, 14 notas, qual a
razão entre o número de notas de R$100 e o
número de notas de R$50 utilizadas?
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2724263
Ano: 2023
Disciplina: Matemática
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Disciplina: Matemática
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Provas:
A Constituição Federal prevê que, para
alteração de seu texto, é necessária a aprovação
de projeto de emenda na Câmara dos Deputados
e no Senado Federal, sendo o quórum de
votação de no mínimo 3/5 dos membros em
cada casa legislativa. Considerando que a
Câmara dos Deputados conta com 513
(quinhentos e treze) membros, ao passo que o
Senado Federal é formado por 3 (três)
representantes de cada estado e 03 (três)
representantes do Distrito Federal, e
considerando ainda que o Brasil conta com 26
(vinte e seis estados) e 01 (um) distrito federal,
qual o número mínimo de deputados e
senadores que devem votar favoravelmente ao
projeto para que ele seja aprovado?
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2724262
Ano: 2023
Disciplina: Matemática
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Disciplina: Matemática
Banca: Avança SP
Orgão: Pref. São Miguel Arcanjo-SP
Provas:
Um construtor recebeu um pedido inusitado de
um cliente: a sala da residência deve ser
projetada em forma de círculo. Considerando
que tal cômodo deverá contar com uma área de
27 m², e considerando Pi igual a 3, qual o
diâmetro da sala, em metros, a fim de que seja
atendida a área requerida pelo proprietário do
imóvel?
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O fim do mundo
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo,
o mundo para mim não tinha nenhum sentido,
ainda; de modo que não me interessava nem o seu
começo nem o seu fim. Lembro-me, porém,
vagamente, de umas mulheres nervosas que
choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um
cometa que andava pelo céu, responsável pelo
acontecimento que elas tanto temiam. Nada disso
se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa
era para elas: nós, crianças, existíamos apenas
para brincar com as flores da goiabeira e as cores
do tapete. Mas, uma noite, levantaram-me da
cama, enrolada num lençol, e, estremunhada,
levaram-me à janela para me apresentarem à
força ao temível cometa. Aquilo que até então
não me interessava nada, que nem vencia a
preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente,
maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no
ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que
caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da
sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre
haver um cometa no céu, como há lua, sol,
estrelas. Por que as pessoas andavam tão
apavoradas? A mim não me causava medo
nenhum. Ora, o cometa desapareceu, aqueles que
choravam enxugaram os olhos, o mundo não se
acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste –
mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas,
entre as quais o suposto sentido do mundo. Não
duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter
mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim
as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada
coisa que bem se vê haver um sentido do mundo
peculiar a cada um. Dizem que o mundo termina
em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa,
e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um
cometa, para verificar se a lembrança que
conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou
inventada pelo sono dos meus olhos naquela
noite já muito antiga. O mundo vai acabar, e
certamente saberemos qual era o seu verdadeiro
sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem
tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão
sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais.
Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só
nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou
assaltamos os cofres públicos – além dos
particulares. Por que mentimos tanto, com
palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e
muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro,
convém pensarmos desde já se utilizamos este
dom de viver da maneira mais digna. Em muitos
pontos da terra há pessoas, neste momento,
pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que
trate com benignidade as criaturas que se
preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há
mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na
Índia, lançam flores ao fogo, num rito de
adoração. Enquanto isso, os planetas assumem os
lugares que lhes competem, na ordem do
universo, neste universo de enigmas a que
estamos ligados e no qual por vezes nos
arrogamos posições que não temos –
insignificantes que somos, na tremenda
grandiosidade total. Ainda há uns dias a reflexão
e o arrependimento: por que não os utilizaremos?
Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos
teremos fim, em qualquer mês…
Cecília Meireles
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O fim do mundo
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo,
o mundo para mim não tinha nenhum sentido,
ainda; de modo que não me interessava nem o seu
começo nem o seu fim. Lembro-me, porém,
vagamente, de umas mulheres nervosas que
choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um
cometa que andava pelo céu, responsável pelo
acontecimento que elas tanto temiam. Nada disso
se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa
era para elas: nós, crianças, existíamos apenas
para brincar com as flores da goiabeira e as cores
do tapete. Mas, uma noite, levantaram-me da
cama, enrolada num lençol, e, estremunhada,
levaram-me à janela para me apresentarem à
força ao temível cometa. Aquilo que até então
não me interessava nada, que nem vencia a
preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente,
maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no
ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que
caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da
sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre
haver um cometa no céu, como há lua, sol,
estrelas. Por que as pessoas andavam tão
apavoradas? A mim não me causava medo
nenhum. Ora, o cometa desapareceu, aqueles que
choravam enxugaram os olhos, o mundo não se
acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste –
mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas,
entre as quais o suposto sentido do mundo. Não
duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter
mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim
as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada
coisa que bem se vê haver um sentido do mundo
peculiar a cada um. Dizem que o mundo termina
em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa,
e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um
cometa, para verificar se a lembrança que
conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou
inventada pelo sono dos meus olhos naquela
noite já muito antiga. O mundo vai acabar, e
certamente saberemos qual era o seu verdadeiro
sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem
tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão
sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais.
Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só
nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou
assaltamos os cofres públicos – além dos
particulares. Por que mentimos tanto, com
palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e
muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro,
convém pensarmos desde já se utilizamos este
dom de viver da maneira mais digna. Em muitos
pontos da terra há pessoas, neste momento,
pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que
trate com benignidade as criaturas que se
preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há
mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na
Índia, lançam flores ao fogo, num rito de
adoração. Enquanto isso, os planetas assumem os
lugares que lhes competem, na ordem do
universo, neste universo de enigmas a que
estamos ligados e no qual por vezes nos
arrogamos posições que não temos –
insignificantes que somos, na tremenda
grandiosidade total. Ainda há uns dias a reflexão
e o arrependimento: por que não os utilizaremos?
Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos
teremos fim, em qualquer mês…
Cecília Meireles
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O fim do mundo
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo,
o mundo para mim não tinha nenhum sentido,
ainda; de modo que não me interessava nem o seu
começo nem o seu fim. Lembro-me, porém,
vagamente, de umas mulheres nervosas que
choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um
cometa que andava pelo céu, responsável pelo
acontecimento que elas tanto temiam. Nada disso
se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa
era para elas: nós, crianças, existíamos apenas
para brincar com as flores da goiabeira e as cores
do tapete. Mas, uma noite, levantaram-me da
cama, enrolada num lençol, e, estremunhada,
levaram-me à janela para me apresentarem à
força ao temível cometa. Aquilo que até então
não me interessava nada, que nem vencia a
preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente,
maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no
ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que
caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da
sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre
haver um cometa no céu, como há lua, sol,
estrelas. Por que as pessoas andavam tão
apavoradas? A mim não me causava medo
nenhum. Ora, o cometa desapareceu, aqueles que
choravam enxugaram os olhos, o mundo não se
acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste –
mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas,
entre as quais o suposto sentido do mundo. Não
duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter
mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim
as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada
coisa que bem se vê haver um sentido do mundo
peculiar a cada um. Dizem que o mundo termina
em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa,
e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um
cometa, para verificar se a lembrança que
conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou
inventada pelo sono dos meus olhos naquela
noite já muito antiga. O mundo vai acabar, e
certamente saberemos qual era o seu verdadeiro
sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem
tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão
sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais.
Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só
nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou
assaltamos os cofres públicos – além dos
particulares. Por que mentimos tanto, com
palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e
muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro,
convém pensarmos desde já se utilizamos este
dom de viver da maneira mais digna. Em muitos
pontos da terra há pessoas, neste momento,
pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que
trate com benignidade as criaturas que se
preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há
mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na
Índia, lançam flores ao fogo, num rito de
adoração. Enquanto isso, os planetas assumem os
lugares que lhes competem, na ordem do
universo, neste universo de enigmas a que
estamos ligados e no qual por vezes nos
arrogamos posições que não temos –
insignificantes que somos, na tremenda
grandiosidade total. Ainda há uns dias a reflexão
e o arrependimento: por que não os utilizaremos?
Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos
teremos fim, em qualquer mês…
Cecília Meireles
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O fim do mundo
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo,
o mundo para mim não tinha nenhum sentido,
ainda; de modo que não me interessava nem o seu
começo nem o seu fim. Lembro-me, porém,
vagamente, de umas mulheres nervosas que
choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um
cometa que andava pelo céu, responsável pelo
acontecimento que elas tanto temiam. Nada disso
se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa
era para elas: nós, crianças, existíamos apenas
para brincar com as flores da goiabeira e as cores
do tapete. Mas, uma noite, levantaram-me da
cama, enrolada num lençol, e, estremunhada,
levaram-me à janela para me apresentarem à
força ao temível cometa. Aquilo que até então
não me interessava nada, que nem vencia a
preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente,
maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no
ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que
caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da
sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre
haver um cometa no céu, como há lua, sol,
estrelas. Por que as pessoas andavam tão
apavoradas? A mim não me causava medo
nenhum. Ora, o cometa desapareceu, aqueles que
choravam enxugaram os olhos, o mundo não se
acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste –
mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas,
entre as quais o suposto sentido do mundo. Não
duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter
mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim
as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada
coisa que bem se vê haver um sentido do mundo
peculiar a cada um. Dizem que o mundo termina
em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa,
e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um
cometa, para verificar se a lembrança que
conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou
inventada pelo sono dos meus olhos naquela
noite já muito antiga. O mundo vai acabar, e
certamente saberemos qual era o seu verdadeiro
sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem
tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão
sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais.
Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só
nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou
assaltamos os cofres públicos – além dos
particulares. Por que mentimos tanto, com
palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e
muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro,
convém pensarmos desde já se utilizamos este
dom de viver da maneira mais digna. Em muitos
pontos da terra há pessoas, neste momento,
pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que
trate com benignidade as criaturas que se
preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há
mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na
Índia, lançam flores ao fogo, num rito de
adoração. Enquanto isso, os planetas assumem os
lugares que lhes competem, na ordem do
universo, neste universo de enigmas a que
estamos ligados e no qual por vezes nos
arrogamos posições que não temos –
insignificantes que somos, na tremenda
grandiosidade total. Ainda há uns dias a reflexão
e o arrependimento: por que não os utilizaremos?
Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos
teremos fim, em qualquer mês…
Cecília Meireles
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Questão presente nas seguintes provas
O fim do mundo
A primeira vez que ouvi falar no fim do mundo,
o mundo para mim não tinha nenhum sentido,
ainda; de modo que não me interessava nem o seu
começo nem o seu fim. Lembro-me, porém,
vagamente, de umas mulheres nervosas que
choravam, meio desgrenhadas, e aludiam a um
cometa que andava pelo céu, responsável pelo
acontecimento que elas tanto temiam. Nada disso
se entendia comigo: o mundo era delas, o cometa
era para elas: nós, crianças, existíamos apenas
para brincar com as flores da goiabeira e as cores
do tapete. Mas, uma noite, levantaram-me da
cama, enrolada num lençol, e, estremunhada,
levaram-me à janela para me apresentarem à
força ao temível cometa. Aquilo que até então
não me interessava nada, que nem vencia a
preguiça dos meus olhos pareceu-me, de repente,
maravilhoso. Era um pavão branco, pousado no
ar, por cima dos telhados? Era uma noiva, que
caminhava pela noite, sozinha, ao encontro da
sua festa? Gostei muito do cometa. Devia sempre
haver um cometa no céu, como há lua, sol,
estrelas. Por que as pessoas andavam tão
apavoradas? A mim não me causava medo
nenhum. Ora, o cometa desapareceu, aqueles que
choravam enxugaram os olhos, o mundo não se
acabou, talvez eu tenha ficado um pouco triste –
mas que importância tem a tristeza das crianças?
Passou-se muito tempo. Aprendi muitas coisas,
entre as quais o suposto sentido do mundo. Não
duvido de que o mundo tenha sentido. Deve ter
mesmo muitos, inúmeros, pois em redor de mim
as pessoas mais ilustres e sabedoras fazem cada
coisa que bem se vê haver um sentido do mundo
peculiar a cada um. Dizem que o mundo termina
em fevereiro próximo. Ninguém fala em cometa,
e é pena, porque eu gostaria de tornar a ver um
cometa, para verificar se a lembrança que
conservo dessa imagem do céu é verdadeira ou
inventada pelo sono dos meus olhos naquela
noite já muito antiga. O mundo vai acabar, e
certamente saberemos qual era o seu verdadeiro
sentido. Se valeu a pena que uns trabalhassem
tanto e outros tão pouco. Por que fomos tão
sinceros ou tão hipócritas, tão falsos e tão leais.
Por que pensamos tanto em nós mesmos ou só
nos outros. Por que fizemos voto de pobreza ou
assaltamos os cofres públicos – além dos
particulares. Por que mentimos tanto, com
palavras tão judiciosas. Tudo isso saberemos e
muito mais do que cabe enumerar numa crônica.
Se o fim do mundo for mesmo em fevereiro,
convém pensarmos desde já se utilizamos este
dom de viver da maneira mais digna. Em muitos
pontos da terra há pessoas, neste momento,
pedindo a Deus – dono de todos os mundos – que
trate com benignidade as criaturas que se
preparam para encerrar a sua carreira mortal. Há
mesmo alguns místicos – segundo leio – que, na
Índia, lançam flores ao fogo, num rito de
adoração. Enquanto isso, os planetas assumem os
lugares que lhes competem, na ordem do
universo, neste universo de enigmas a que
estamos ligados e no qual por vezes nos
arrogamos posições que não temos –
insignificantes que somos, na tremenda
grandiosidade total. Ainda há uns dias a reflexão
e o arrependimento: por que não os utilizaremos?
Se o fim do mundo não for em fevereiro, todos
teremos fim, em qualquer mês…
Cecília Meireles
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