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AS QUESTÕES DE 21 A 38 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO I
1 A importância de pensar a articulação entre os conceitos de ócio, tempo livre e lazer no
2 contexto atual se deve, principalmente, ao fato de o trabalho - que ocupou o lugar de atividade central na
3 inserção social e constituir fator fundamental da produção subjetiva ao longo da sociedade moderna - ser
4 questionado como atividade dominante. Essa referência de dominância está caracterizada,
5 principalmente, por ser a atividade laboral o elemento que demarca a estruturação dos quadros
6 temporais das sociedades Pós-Revolução Industrial, tal como afirma a sociologia do tempo e, de forma
7 destacada, os teóricos contemporâneos dos tempos sociais (Roger Sue, Gilles Pronovost, Giovanni
8 Gasparini, Ramos Torre, dentre outros).
9 A partir das teorias dos tempos sociais, surge, então, uma pergunta que parece crucial para
10 reiterarmos a importância de caracterizar esses três conceitos, a saber, ócio, tempo livre e lazer.
11 Considerando que, ao longo da sociedade industrial, foi o trabalho a atividade que ocupou a centralidade
12 na organização da temporalidade social, seria o ócio a atividade que ocuparia na sociedade pós13 industrial o lugar que foi ocupado pelo trabalho na sociedade industrial? A atividade social e o tempo
14 que a demarca precisam ser postos em discussão para que tenhamos elementos para a formulação de
15 uma análise crítica do contexto social em que hoje vivemos.
16 O fator temporal passa por metamorfoses significativas, iniciadas no momento em que o
17 homem resolve medir o tempo cotidiano e quantificar o tempo social na sociedade industrial, chegando
18 à comercialização do próprio tempo, que se torna uma mercadoria e passa a ter valor econômico.
19 Neste espaço, surge a pressa como um fenômeno típico da atualidade e como mola mestra para
20 os avanços tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo.
21 Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa
22 busca incessante por mais tempo, porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo
23 disponível com mais atividades e afazeres.
24 No caos entre necessidades econômicas e existenciais, o homem contemporâneo se vê dividido
25 entre as obrigações impostas por suas atividades laborais e o desejo de libertar-se dessas tarefas e,
26 assim, poder usufruir um tempo para si.
27 No entanto todo processo de educação/formação/orientação da sociedade moderna gerou os
28 valores da atual sociedade do consumo, não contempla a orientação para ser/existir num tempo de "nada
29 fazer".
30 A maior ou a menor variação desse tempo na vida dos indivíduos organiza-se e estrutura-se de
31 acordo com padrões assimilados sobre como se deve dispor o tempo para as diversas atividades, além de
32 como o sujeito valora o sentido do tempo cotidiano para si. Desta maneira, as diferentes formas de
33 sentir, pensar, agir e estabelecer o tempo seguem padrões culturais que se refletem na ação do sujeito.
34 [...]
35 O tempo livre e o ócio são tomados, muitas vezes, como fazendo referência a um mesmo
36 fenômeno social. Não obstante, são conceitos que têm naturezas distintas. O tempo livre,
37 especificamente, é um conceito que remete a muitos equívocos, pois, ao referir-se ao qualificativo 'livre',
38 pressupõe diretamente uma alusão a um tempo de 'não-liberdade' ao qual se opõe. Tempo livre de quê?
39 Poderíamos perguntar. Em realidade, a denominação de tempo livre, apesar de ser considerada desde os
40 antigos gregos, adquire relevo a partir de sua oposição à concepção moderna de trabalho. Essa noção de
41 um tempo livre do trabalho conduz a uma concepção negativa deste último, ou seja, faz sobressair o
42 caráter impositivo da atividade laboral. Há que reconhecer que o tempo livre, no contexto atual, é uma
43 referência temporal e implica uma divisão da 'unidade' do tempo que se opõe ao tempo de trabalho.
44 Ainda que para muitos o tempo livre seja tomado como uma atividade, ele, a diferença do ócio,
45 é uma referência temporal, que adquire, pelo qualificativo 'livre', uma complexidade que o faz
46 confundir-se com ação.
47 Essa concepção é importante, pois, se a partir da modernidade a ideia de tempo livre passa a ser
48 mais difundida, a referência anterior, mais genérica, era de ócio. Historicamente e pelo critério de
49 atividade, é o ócio que se opunha ao trabalho.
50 O tempo livre, tal como o concebemos hoje, adveio da natureza cronológica que atinge o
51 apogeu pós-revolução industrial. É da liberação do tempo que devia ser dedicado ao trabalho, que
52 emerge a noção do tempo livre. Aí estão implicadas algumas variáveis. A primeira delas é que a
53 liberdade, tomada como exercício temporal, não podia ser exercida no trabalho, pelo menos na
54 concepção de trabalho industrial, uma vez que a organização produtiva pressupunha uma sincronização,
55 que ainda não havia sido experimentada de forma generalizada em outros momentos da história. A
56 segunda é que a liberdade de constituir-se como sujeito estava limitada pelo processo de alienação
57 imposto pela produção capitalista. Como destaca Bacal (2003), o tempo livre surge da liberação de
58 parcelas de tempo do trabalho, quando poderiam ser desenvolvidas atividades relacionadas à
59 sobrevivência física e social do indivíduo, mas, ainda assim, atreladas à noção do trabalho.
60 Na Antiga Grécia, trabalho e ócio figuravam como conceitos antagônicos e com valores muito
61 distintos dos que se conhecem hoje. Se, hoje, a temporalidade é o recurso da cisão entre trabalho e 'não62 trabalho', ali, segundo Aristóteles, o ócio era um estado, ou seja, era uma condição de liberdade relativa
63 à necessidade de trabalhar. O tempo livre, a partir do seu viés industrial, dá passo também ao
64 surgimento da compreensão do lazer, que passa a ser concebido como uma atividade que tem sua base
65 ancorada na existência de um tempo livre, fomentado e reconhecido legalmente, e que poderia ser
66 exercido autonomamente pelos trabalhadores, tendo por base sua condição socioeconômica e seus
67 valores sociais.
68 É na articulação do lazer ao contexto da sociedade industrial, que há uma forma de 'subversão'
69 de valor da atividade. Se há, para alguns, uma identidade absoluta entre a noção de lazer e ócio, talvez
70 se instaure no elemento da autonomia o diferencial entre essas duas categorias, pelo menos na mediação
71 do tempo como elemento articulador. Não há no ócio qualquer conotação de atividade que persiga outro
72 fim. O ócio é a atividade que traz em si a própria razão do seu fim.
Ao usar a voz passiva sintética em “se conhecem hoje” (L.61) o articulista
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AS QUESTÕES DE 21 A 38 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO I
1 A importância de pensar a articulação entre os conceitos de ócio, tempo livre e lazer no
2 contexto atual se deve, principalmente, ao fato de o trabalho - que ocupou o lugar de atividade central na
3 inserção social e constituir fator fundamental da produção subjetiva ao longo da sociedade moderna - ser
4 questionado como atividade dominante. Essa referência de dominância está caracterizada,
5 principalmente, por ser a atividade laboral o elemento que demarca a estruturação dos quadros
6 temporais das sociedades Pós-Revolução Industrial, tal como afirma a sociologia do tempo e, de forma
7 destacada, os teóricos contemporâneos dos tempos sociais (Roger Sue, Gilles Pronovost, Giovanni
8 Gasparini, Ramos Torre, dentre outros).
9 A partir das teorias dos tempos sociais, surge, então, uma pergunta que parece crucial para
10 reiterarmos a importância de caracterizar esses três conceitos, a saber, ócio, tempo livre e lazer.
11 Considerando que, ao longo da sociedade industrial, foi o trabalho a atividade que ocupou a centralidade
12 na organização da temporalidade social, seria o ócio a atividade que ocuparia na sociedade pós13 industrial o lugar que foi ocupado pelo trabalho na sociedade industrial? A atividade social e o tempo
14 que a demarca precisam ser postos em discussão para que tenhamos elementos para a formulação de
15 uma análise crítica do contexto social em que hoje vivemos.
16 O fator temporal passa por metamorfoses significativas, iniciadas no momento em que o
17 homem resolve medir o tempo cotidiano e quantificar o tempo social na sociedade industrial, chegando
18 à comercialização do próprio tempo, que se torna uma mercadoria e passa a ter valor econômico.
19 Neste espaço, surge a pressa como um fenômeno típico da atualidade e como mola mestra para
20 os avanços tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo.
21 Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa
22 busca incessante por mais tempo, porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo
23 disponível com mais atividades e afazeres.
24 No caos entre necessidades econômicas e existenciais, o homem contemporâneo se vê dividido
25 entre as obrigações impostas por suas atividades laborais e o desejo de libertar-se dessas tarefas e,
26 assim, poder usufruir um tempo para si.
27 No entanto todo processo de educação/formação/orientação da sociedade moderna gerou os
28 valores da atual sociedade do consumo, não contempla a orientação para ser/existir num tempo de "nada
29 fazer".
30 A maior ou a menor variação desse tempo na vida dos indivíduos organiza-se e estrutura-se de
31 acordo com padrões assimilados sobre como se deve dispor o tempo para as diversas atividades, além de
32 como o sujeito valora o sentido do tempo cotidiano para si. Desta maneira, as diferentes formas de
33 sentir, pensar, agir e estabelecer o tempo seguem padrões culturais que se refletem na ação do sujeito.
34 [...]
35 O tempo livre e o ócio são tomados, muitas vezes, como fazendo referência a um mesmo
36 fenômeno social. Não obstante, são conceitos que têm naturezas distintas. O tempo livre,
37 especificamente, é um conceito que remete a muitos equívocos, pois, ao referir-se ao qualificativo 'livre',
38 pressupõe diretamente uma alusão a um tempo de 'não-liberdade' ao qual se opõe. Tempo livre de quê?
39 Poderíamos perguntar. Em realidade, a denominação de tempo livre, apesar de ser considerada desde os
40 antigos gregos, adquire relevo a partir de sua oposição à concepção moderna de trabalho. Essa noção de
41 um tempo livre do trabalho conduz a uma concepção negativa deste último, ou seja, faz sobressair o
42 caráter impositivo da atividade laboral. Há que reconhecer que o tempo livre, no contexto atual, é uma
43 referência temporal e implica uma divisão da 'unidade' do tempo que se opõe ao tempo de trabalho.
44 Ainda que para muitos o tempo livre seja tomado como uma atividade, ele, a diferença do ócio,
45 é uma referência temporal, que adquire, pelo qualificativo 'livre', uma complexidade que o faz
46 confundir-se com ação.
47 Essa concepção é importante, pois, se a partir da modernidade a ideia de tempo livre passa a ser
48 mais difundida, a referência anterior, mais genérica, era de ócio. Historicamente e pelo critério de
49 atividade, é o ócio que se opunha ao trabalho.
50 O tempo livre, tal como o concebemos hoje, adveio da natureza cronológica que atinge o
51 apogeu pós-revolução industrial. É da liberação do tempo que devia ser dedicado ao trabalho, que
52 emerge a noção do tempo livre. Aí estão implicadas algumas variáveis. A primeira delas é que a
53 liberdade, tomada como exercício temporal, não podia ser exercida no trabalho, pelo menos na
54 concepção de trabalho industrial, uma vez que a organização produtiva pressupunha uma sincronização,
55 que ainda não havia sido experimentada de forma generalizada em outros momentos da história. A
56 segunda é que a liberdade de constituir-se como sujeito estava limitada pelo processo de alienação
57 imposto pela produção capitalista. Como destaca Bacal (2003), o tempo livre surge da liberação de
58 parcelas de tempo do trabalho, quando poderiam ser desenvolvidas atividades relacionadas à
59 sobrevivência física e social do indivíduo, mas, ainda assim, atreladas à noção do trabalho.
60 Na Antiga Grécia, trabalho e ócio figuravam como conceitos antagônicos e com valores muito
61 distintos dos que se conhecem hoje. Se, hoje, a temporalidade é o recurso da cisão entre trabalho e 'não62 trabalho', ali, segundo Aristóteles, o ócio era um estado, ou seja, era uma condição de liberdade relativa
63 à necessidade de trabalhar. O tempo livre, a partir do seu viés industrial, dá passo também ao
64 surgimento da compreensão do lazer, que passa a ser concebido como uma atividade que tem sua base
65 ancorada na existência de um tempo livre, fomentado e reconhecido legalmente, e que poderia ser
66 exercido autonomamente pelos trabalhadores, tendo por base sua condição socioeconômica e seus
67 valores sociais.
68 É na articulação do lazer ao contexto da sociedade industrial, que há uma forma de 'subversão'
69 de valor da atividade. Se há, para alguns, uma identidade absoluta entre a noção de lazer e ócio, talvez
70 se instaure no elemento da autonomia o diferencial entre essas duas categorias, pelo menos na mediação
71 do tempo como elemento articulador. Não há no ócio qualquer conotação de atividade que persiga outro
72 fim. O ócio é a atividade que traz em si a própria razão do seu fim.
Tendo em vista o Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa, o termo que apresenta mudança em sua grafia está indicado na alternativa
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AS QUESTÕES DE 21 A 38 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO I
1 A importância de pensar a articulação entre os conceitos de ócio, tempo livre e lazer no
2 contexto atual se deve, principalmente, ao fato de o trabalho - que ocupou o lugar de atividade central na
3 inserção social e constituir fator fundamental da produção subjetiva ao longo da sociedade moderna - ser
4 questionado como atividade dominante. Essa referência de dominância está caracterizada,
5 principalmente, por ser a atividade laboral o elemento que demarca a estruturação dos quadros
6 temporais das sociedades Pós-Revolução Industrial, tal como afirma a sociologia do tempo e, de forma
7 destacada, os teóricos contemporâneos dos tempos sociais (Roger Sue, Gilles Pronovost, Giovanni
8 Gasparini, Ramos Torre, dentre outros).
9 A partir das teorias dos tempos sociais, surge, então, uma pergunta que parece crucial para
10 reiterarmos a importância de caracterizar esses três conceitos, a saber, ócio, tempo livre e lazer.
11 Considerando que, ao longo da sociedade industrial, foi o trabalho a atividade que ocupou a centralidade
12 na organização da temporalidade social, seria o ócio a atividade que ocuparia na sociedade pós13 industrial o lugar que foi ocupado pelo trabalho na sociedade industrial? A atividade social e o tempo
14 que a demarca precisam ser postos em discussão para que tenhamos elementos para a formulação de
15 uma análise crítica do contexto social em que hoje vivemos.
16 O fator temporal passa por metamorfoses significativas, iniciadas no momento em que o
17 homem resolve medir o tempo cotidiano e quantificar o tempo social na sociedade industrial, chegando
18 à comercialização do próprio tempo, que se torna uma mercadoria e passa a ter valor econômico.
19 Neste espaço, surge a pressa como um fenômeno típico da atualidade e como mola mestra para
20 os avanços tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo.
21 Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa
22 busca incessante por mais tempo, porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo
23 disponível com mais atividades e afazeres.
24 No caos entre necessidades econômicas e existenciais, o homem contemporâneo se vê dividido
25 entre as obrigações impostas por suas atividades laborais e o desejo de libertar-se dessas tarefas e,
26 assim, poder usufruir um tempo para si.
27 No entanto todo processo de educação/formação/orientação da sociedade moderna gerou os
28 valores da atual sociedade do consumo, não contempla a orientação para ser/existir num tempo de "nada
29 fazer".
30 A maior ou a menor variação desse tempo na vida dos indivíduos organiza-se e estrutura-se de
31 acordo com padrões assimilados sobre como se deve dispor o tempo para as diversas atividades, além de
32 como o sujeito valora o sentido do tempo cotidiano para si. Desta maneira, as diferentes formas de
33 sentir, pensar, agir e estabelecer o tempo seguem padrões culturais que se refletem na ação do sujeito.
34 [...]
35 O tempo livre e o ócio são tomados, muitas vezes, como fazendo referência a um mesmo
36 fenômeno social. Não obstante, são conceitos que têm naturezas distintas. O tempo livre,
37 especificamente, é um conceito que remete a muitos equívocos, pois, ao referir-se ao qualificativo 'livre',
38 pressupõe diretamente uma alusão a um tempo de 'não-liberdade' ao qual se opõe. Tempo livre de quê?
39 Poderíamos perguntar. Em realidade, a denominação de tempo livre, apesar de ser considerada desde os
40 antigos gregos, adquire relevo a partir de sua oposição à concepção moderna de trabalho. Essa noção de
41 um tempo livre do trabalho conduz a uma concepção negativa deste último, ou seja, faz sobressair o
42 caráter impositivo da atividade laboral. Há que reconhecer que o tempo livre, no contexto atual, é uma
43 referência temporal e implica uma divisão da 'unidade' do tempo que se opõe ao tempo de trabalho.
44 Ainda que para muitos o tempo livre seja tomado como uma atividade, ele, a diferença do ócio,
45 é uma referência temporal, que adquire, pelo qualificativo 'livre', uma complexidade que o faz
46 confundir-se com ação.
47 Essa concepção é importante, pois, se a partir da modernidade a ideia de tempo livre passa a ser
48 mais difundida, a referência anterior, mais genérica, era de ócio. Historicamente e pelo critério de
49 atividade, é o ócio que se opunha ao trabalho.
50 O tempo livre, tal como o concebemos hoje, adveio da natureza cronológica que atinge o
51 apogeu pós-revolução industrial. É da liberação do tempo que devia ser dedicado ao trabalho, que
52 emerge a noção do tempo livre. Aí estão implicadas algumas variáveis. A primeira delas é que a
53 liberdade, tomada como exercício temporal, não podia ser exercida no trabalho, pelo menos na
54 concepção de trabalho industrial, uma vez que a organização produtiva pressupunha uma sincronização,
55 que ainda não havia sido experimentada de forma generalizada em outros momentos da história. A
56 segunda é que a liberdade de constituir-se como sujeito estava limitada pelo processo de alienação
57 imposto pela produção capitalista. Como destaca Bacal (2003), o tempo livre surge da liberação de
58 parcelas de tempo do trabalho, quando poderiam ser desenvolvidas atividades relacionadas à
59 sobrevivência física e social do indivíduo, mas, ainda assim, atreladas à noção do trabalho.
60 Na Antiga Grécia, trabalho e ócio figuravam como conceitos antagônicos e com valores muito
61 distintos dos que se conhecem hoje. Se, hoje, a temporalidade é o recurso da cisão entre trabalho e 'não62 trabalho', ali, segundo Aristóteles, o ócio era um estado, ou seja, era uma condição de liberdade relativa
63 à necessidade de trabalhar. O tempo livre, a partir do seu viés industrial, dá passo também ao
64 surgimento da compreensão do lazer, que passa a ser concebido como uma atividade que tem sua base
65 ancorada na existência de um tempo livre, fomentado e reconhecido legalmente, e que poderia ser
66 exercido autonomamente pelos trabalhadores, tendo por base sua condição socioeconômica e seus
67 valores sociais.
68 É na articulação do lazer ao contexto da sociedade industrial, que há uma forma de 'subversão'
69 de valor da atividade. Se há, para alguns, uma identidade absoluta entre a noção de lazer e ócio, talvez
70 se instaure no elemento da autonomia o diferencial entre essas duas categorias, pelo menos na mediação
71 do tempo como elemento articulador. Não há no ócio qualquer conotação de atividade que persiga outro
72 fim. O ócio é a atividade que traz em si a própria razão do seu fim.
A forma verbal “instaure” (L.70) indica uma ação
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AS QUESTÕES DE 21 A 38 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO I
1 A importância de pensar a articulação entre os conceitos de ócio, tempo livre e lazer no
2 contexto atual se deve, principalmente, ao fato de o trabalho - que ocupou o lugar de atividade central na
3 inserção social e constituir fator fundamental da produção subjetiva ao longo da sociedade moderna - ser
4 questionado como atividade dominante. Essa referência de dominância está caracterizada,
5 principalmente, por ser a atividade laboral o elemento que demarca a estruturação dos quadros
6 temporais das sociedades Pós-Revolução Industrial, tal como afirma a sociologia do tempo e, de forma
7 destacada, os teóricos contemporâneos dos tempos sociais (Roger Sue, Gilles Pronovost, Giovanni
8 Gasparini, Ramos Torre, dentre outros).
9 A partir das teorias dos tempos sociais, surge, então, uma pergunta que parece crucial para
10 reiterarmos a importância de caracterizar esses três conceitos, a saber, ócio, tempo livre e lazer.
11 Considerando que, ao longo da sociedade industrial, foi o trabalho a atividade que ocupou a centralidade
12 na organização da temporalidade social, seria o ócio a atividade que ocuparia na sociedade pós13 industrial o lugar que foi ocupado pelo trabalho na sociedade industrial? A atividade social e o tempo
14 que a demarca precisam ser postos em discussão para que tenhamos elementos para a formulação de
15 uma análise crítica do contexto social em que hoje vivemos.
16 O fator temporal passa por metamorfoses significativas, iniciadas no momento em que o
17 homem resolve medir o tempo cotidiano e quantificar o tempo social na sociedade industrial, chegando
18 à comercialização do próprio tempo, que se torna uma mercadoria e passa a ter valor econômico.
19 Neste espaço, surge a pressa como um fenômeno típico da atualidade e como mola mestra para
20 os avanços tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo.
21 Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa
22 busca incessante por mais tempo, porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo
23 disponível com mais atividades e afazeres.
24 No caos entre necessidades econômicas e existenciais, o homem contemporâneo se vê dividido
25 entre as obrigações impostas por suas atividades laborais e o desejo de libertar-se dessas tarefas e,
26 assim, poder usufruir um tempo para si.
27 No entanto todo processo de educação/formação/orientação da sociedade moderna gerou os
28 valores da atual sociedade do consumo, não contempla a orientação para ser/existir num tempo de "nada
29 fazer".
30 A maior ou a menor variação desse tempo na vida dos indivíduos organiza-se e estrutura-se de
31 acordo com padrões assimilados sobre como se deve dispor o tempo para as diversas atividades, além de
32 como o sujeito valora o sentido do tempo cotidiano para si. Desta maneira, as diferentes formas de
33 sentir, pensar, agir e estabelecer o tempo seguem padrões culturais que se refletem na ação do sujeito.
34 [...]
35 O tempo livre e o ócio são tomados, muitas vezes, como fazendo referência a um mesmo
36 fenômeno social. Não obstante, são conceitos que têm naturezas distintas. O tempo livre,
37 especificamente, é um conceito que remete a muitos equívocos, pois, ao referir-se ao qualificativo 'livre',
38 pressupõe diretamente uma alusão a um tempo de 'não-liberdade' ao qual se opõe. Tempo livre de quê?
39 Poderíamos perguntar. Em realidade, a denominação de tempo livre, apesar de ser considerada desde os
40 antigos gregos, adquire relevo a partir de sua oposição à concepção moderna de trabalho. Essa noção de
41 um tempo livre do trabalho conduz a uma concepção negativa deste último, ou seja, faz sobressair o
42 caráter impositivo da atividade laboral. Há que reconhecer que o tempo livre, no contexto atual, é uma
43 referência temporal e implica uma divisão da 'unidade' do tempo que se opõe ao tempo de trabalho.
44 Ainda que para muitos o tempo livre seja tomado como uma atividade, ele, a diferença do ócio,
45 é uma referência temporal, que adquire, pelo qualificativo 'livre', uma complexidade que o faz
46 confundir-se com ação.
47 Essa concepção é importante, pois, se a partir da modernidade a ideia de tempo livre passa a ser
48 mais difundida, a referência anterior, mais genérica, era de ócio. Historicamente e pelo critério de
49 atividade, é o ócio que se opunha ao trabalho.
50 O tempo livre, tal como o concebemos hoje, adveio da natureza cronológica que atinge o
51 apogeu pós-revolução industrial. É da liberação do tempo que devia ser dedicado ao trabalho, que
52 emerge a noção do tempo livre. Aí estão implicadas algumas variáveis. A primeira delas é que a
53 liberdade, tomada como exercício temporal, não podia ser exercida no trabalho, pelo menos na
54 concepção de trabalho industrial, uma vez que a organização produtiva pressupunha uma sincronização,
55 que ainda não havia sido experimentada de forma generalizada em outros momentos da história. A
56 segunda é que a liberdade de constituir-se como sujeito estava limitada pelo processo de alienação
57 imposto pela produção capitalista. Como destaca Bacal (2003), o tempo livre surge da liberação de
58 parcelas de tempo do trabalho, quando poderiam ser desenvolvidas atividades relacionadas à
59 sobrevivência física e social do indivíduo, mas, ainda assim, atreladas à noção do trabalho.
60 Na Antiga Grécia, trabalho e ócio figuravam como conceitos antagônicos e com valores muito
61 distintos dos que se conhecem hoje. Se, hoje, a temporalidade é o recurso da cisão entre trabalho e 'não62 trabalho', ali, segundo Aristóteles, o ócio era um estado, ou seja, era uma condição de liberdade relativa
63 à necessidade de trabalhar. O tempo livre, a partir do seu viés industrial, dá passo também ao
64 surgimento da compreensão do lazer, que passa a ser concebido como uma atividade que tem sua base
65 ancorada na existência de um tempo livre, fomentado e reconhecido legalmente, e que poderia ser
66 exercido autonomamente pelos trabalhadores, tendo por base sua condição socioeconômica e seus
67 valores sociais.
68 É na articulação do lazer ao contexto da sociedade industrial, que há uma forma de 'subversão'
69 de valor da atividade. Se há, para alguns, uma identidade absoluta entre a noção de lazer e ócio, talvez
70 se instaure no elemento da autonomia o diferencial entre essas duas categorias, pelo menos na mediação
71 do tempo como elemento articulador. Não há no ócio qualquer conotação de atividade que persiga outro
72 fim. O ócio é a atividade que traz em si a própria razão do seu fim.
A oração “de constituir-se como sujeito” (L.56) exerce a mesma função sintática que a expressão
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AS QUESTÕES DE 21 A 38 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO I
1 A importância de pensar a articulação entre os conceitos de ócio, tempo livre e lazer no
2 contexto atual se deve, principalmente, ao fato de o trabalho - que ocupou o lugar de atividade central na
3 inserção social e constituir fator fundamental da produção subjetiva ao longo da sociedade moderna - ser
4 questionado como atividade dominante. Essa referência de dominância está caracterizada,
5 principalmente, por ser a atividade laboral o elemento que demarca a estruturação dos quadros
6 temporais das sociedades Pós-Revolução Industrial, tal como afirma a sociologia do tempo e, de forma
7 destacada, os teóricos contemporâneos dos tempos sociais (Roger Sue, Gilles Pronovost, Giovanni
8 Gasparini, Ramos Torre, dentre outros).
9 A partir das teorias dos tempos sociais, surge, então, uma pergunta que parece crucial para
10 reiterarmos a importância de caracterizar esses três conceitos, a saber, ócio, tempo livre e lazer.
11 Considerando que, ao longo da sociedade industrial, foi o trabalho a atividade que ocupou a centralidade
12 na organização da temporalidade social, seria o ócio a atividade que ocuparia na sociedade pós13 industrial o lugar que foi ocupado pelo trabalho na sociedade industrial? A atividade social e o tempo
14 que a demarca precisam ser postos em discussão para que tenhamos elementos para a formulação de
15 uma análise crítica do contexto social em que hoje vivemos.
16 O fator temporal passa por metamorfoses significativas, iniciadas no momento em que o
17 homem resolve medir o tempo cotidiano e quantificar o tempo social na sociedade industrial, chegando
18 à comercialização do próprio tempo, que se torna uma mercadoria e passa a ter valor econômico.
19 Neste espaço, surge a pressa como um fenômeno típico da atualidade e como mola mestra para
20 os avanços tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo.
21 Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa
22 busca incessante por mais tempo, porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo
23 disponível com mais atividades e afazeres.
24 No caos entre necessidades econômicas e existenciais, o homem contemporâneo se vê dividido
25 entre as obrigações impostas por suas atividades laborais e o desejo de libertar-se dessas tarefas e,
26 assim, poder usufruir um tempo para si.
27 No entanto todo processo de educação/formação/orientação da sociedade moderna gerou os
28 valores da atual sociedade do consumo, não contempla a orientação para ser/existir num tempo de "nada
29 fazer".
30 A maior ou a menor variação desse tempo na vida dos indivíduos organiza-se e estrutura-se de
31 acordo com padrões assimilados sobre como se deve dispor o tempo para as diversas atividades, além de
32 como o sujeito valora o sentido do tempo cotidiano para si. Desta maneira, as diferentes formas de
33 sentir, pensar, agir e estabelecer o tempo seguem padrões culturais que se refletem na ação do sujeito.
34 [...]
35 O tempo livre e o ócio são tomados, muitas vezes, como fazendo referência a um mesmo
36 fenômeno social. Não obstante, são conceitos que têm naturezas distintas. O tempo livre,
37 especificamente, é um conceito que remete a muitos equívocos, pois, ao referir-se ao qualificativo 'livre',
38 pressupõe diretamente uma alusão a um tempo de 'não-liberdade' ao qual se opõe. Tempo livre de quê?
39 Poderíamos perguntar. Em realidade, a denominação de tempo livre, apesar de ser considerada desde os
40 antigos gregos, adquire relevo a partir de sua oposição à concepção moderna de trabalho. Essa noção de
41 um tempo livre do trabalho conduz a uma concepção negativa deste último, ou seja, faz sobressair o
42 caráter impositivo da atividade laboral. Há que reconhecer que o tempo livre, no contexto atual, é uma
43 referência temporal e implica uma divisão da 'unidade' do tempo que se opõe ao tempo de trabalho.
44 Ainda que para muitos o tempo livre seja tomado como uma atividade, ele, a diferença do ócio,
45 é uma referência temporal, que adquire, pelo qualificativo 'livre', uma complexidade que o faz
46 confundir-se com ação.
47 Essa concepção é importante, pois, se a partir da modernidade a ideia de tempo livre passa a ser
48 mais difundida, a referência anterior, mais genérica, era de ócio. Historicamente e pelo critério de
49 atividade, é o ócio que se opunha ao trabalho.
50 O tempo livre, tal como o concebemos hoje, adveio da natureza cronológica que atinge o
51 apogeu pós-revolução industrial. É da liberação do tempo que devia ser dedicado ao trabalho, que
52 emerge a noção do tempo livre. Aí estão implicadas algumas variáveis. A primeira delas é que a
53 liberdade, tomada como exercício temporal, não podia ser exercida no trabalho, pelo menos na
54 concepção de trabalho industrial, uma vez que a organização produtiva pressupunha uma sincronização,
55 que ainda não havia sido experimentada de forma generalizada em outros momentos da história. A
56 segunda é que a liberdade de constituir-se como sujeito estava limitada pelo processo de alienação
57 imposto pela produção capitalista. Como destaca Bacal (2003), o tempo livre surge da liberação de
58 parcelas de tempo do trabalho, quando poderiam ser desenvolvidas atividades relacionadas à
59 sobrevivência física e social do indivíduo, mas, ainda assim, atreladas à noção do trabalho.
60 Na Antiga Grécia, trabalho e ócio figuravam como conceitos antagônicos e com valores muito
61 distintos dos que se conhecem hoje. Se, hoje, a temporalidade é o recurso da cisão entre trabalho e 'não62 trabalho', ali, segundo Aristóteles, o ócio era um estado, ou seja, era uma condição de liberdade relativa
63 à necessidade de trabalhar. O tempo livre, a partir do seu viés industrial, dá passo também ao
64 surgimento da compreensão do lazer, que passa a ser concebido como uma atividade que tem sua base
65 ancorada na existência de um tempo livre, fomentado e reconhecido legalmente, e que poderia ser
66 exercido autonomamente pelos trabalhadores, tendo por base sua condição socioeconômica e seus
67 valores sociais.
68 É na articulação do lazer ao contexto da sociedade industrial, que há uma forma de 'subversão'
69 de valor da atividade. Se há, para alguns, uma identidade absoluta entre a noção de lazer e ócio, talvez
70 se instaure no elemento da autonomia o diferencial entre essas duas categorias, pelo menos na mediação
71 do tempo como elemento articulador. Não há no ócio qualquer conotação de atividade que persiga outro
72 fim. O ócio é a atividade que traz em si a própria razão do seu fim.
Analise os itens abaixo:
I. Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa busca incessante por mais tempo,
II. Porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo disponível com mais atividades e afazeres.
Em relação ao I, o segundo fragmento expressa uma ideia de
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AS QUESTÕES DE 21 A 38 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO I
1 A importância de pensar a articulação entre os conceitos de ócio, tempo livre e lazer no
2 contexto atual se deve, principalmente, ao fato de o trabalho - que ocupou o lugar de atividade central na
3 inserção social e constituir fator fundamental da produção subjetiva ao longo da sociedade moderna - ser
4 questionado como atividade dominante. Essa referência de dominância está caracterizada,
5 principalmente, por ser a atividade laboral o elemento que demarca a estruturação dos quadros
6 temporais das sociedades Pós-Revolução Industrial, tal como afirma a sociologia do tempo e, de forma
7 destacada, os teóricos contemporâneos dos tempos sociais (Roger Sue, Gilles Pronovost, Giovanni
8 Gasparini, Ramos Torre, dentre outros).
9 A partir das teorias dos tempos sociais, surge, então, uma pergunta que parece crucial para
10 reiterarmos a importância de caracterizar esses três conceitos, a saber, ócio, tempo livre e lazer.
11 Considerando que, ao longo da sociedade industrial, foi o trabalho a atividade que ocupou a centralidade
12 na organização da temporalidade social, seria o ócio a atividade que ocuparia na sociedade pós13 industrial o lugar que foi ocupado pelo trabalho na sociedade industrial? A atividade social e o tempo
14 que a demarca precisam ser postos em discussão para que tenhamos elementos para a formulação de
15 uma análise crítica do contexto social em que hoje vivemos.
16 O fator temporal passa por metamorfoses significativas, iniciadas no momento em que o
17 homem resolve medir o tempo cotidiano e quantificar o tempo social na sociedade industrial, chegando
18 à comercialização do próprio tempo, que se torna uma mercadoria e passa a ter valor econômico.
19 Neste espaço, surge a pressa como um fenômeno típico da atualidade e como mola mestra para
20 os avanços tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo.
21 Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa
22 busca incessante por mais tempo, porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo
23 disponível com mais atividades e afazeres.
24 No caos entre necessidades econômicas e existenciais, o homem contemporâneo se vê dividido
25 entre as obrigações impostas por suas atividades laborais e o desejo de libertar-se dessas tarefas e,
26 assim, poder usufruir um tempo para si.
27 No entanto todo processo de educação/formação/orientação da sociedade moderna gerou os
28 valores da atual sociedade do consumo, não contempla a orientação para ser/existir num tempo de "nada
29 fazer".
30 A maior ou a menor variação desse tempo na vida dos indivíduos organiza-se e estrutura-se de
31 acordo com padrões assimilados sobre como se deve dispor o tempo para as diversas atividades, além de
32 como o sujeito valora o sentido do tempo cotidiano para si. Desta maneira, as diferentes formas de
33 sentir, pensar, agir e estabelecer o tempo seguem padrões culturais que se refletem na ação do sujeito.
34 [...]
35 O tempo livre e o ócio são tomados, muitas vezes, como fazendo referência a um mesmo
36 fenômeno social. Não obstante, são conceitos que têm naturezas distintas. O tempo livre,
37 especificamente, é um conceito que remete a muitos equívocos, pois, ao referir-se ao qualificativo 'livre',
38 pressupõe diretamente uma alusão a um tempo de 'não-liberdade' ao qual se opõe. Tempo livre de quê?
39 Poderíamos perguntar. Em realidade, a denominação de tempo livre, apesar de ser considerada desde os
40 antigos gregos, adquire relevo a partir de sua oposição à concepção moderna de trabalho. Essa noção de
41 um tempo livre do trabalho conduz a uma concepção negativa deste último, ou seja, faz sobressair o
42 caráter impositivo da atividade laboral. Há que reconhecer que o tempo livre, no contexto atual, é uma
43 referência temporal e implica uma divisão da 'unidade' do tempo que se opõe ao tempo de trabalho.
44 Ainda que para muitos o tempo livre seja tomado como uma atividade, ele, a diferença do ócio,
45 é uma referência temporal, que adquire, pelo qualificativo 'livre', uma complexidade que o faz
46 confundir-se com ação.
47 Essa concepção é importante, pois, se a partir da modernidade a ideia de tempo livre passa a ser
48 mais difundida, a referência anterior, mais genérica, era de ócio. Historicamente e pelo critério de
49 atividade, é o ócio que se opunha ao trabalho.
50 O tempo livre, tal como o concebemos hoje, adveio da natureza cronológica que atinge o
51 apogeu pós-revolução industrial. É da liberação do tempo que devia ser dedicado ao trabalho, que
52 emerge a noção do tempo livre. Aí estão implicadas algumas variáveis. A primeira delas é que a
53 liberdade, tomada como exercício temporal, não podia ser exercida no trabalho, pelo menos na
54 concepção de trabalho industrial, uma vez que a organização produtiva pressupunha uma sincronização,
55 que ainda não havia sido experimentada de forma generalizada em outros momentos da história. A
56 segunda é que a liberdade de constituir-se como sujeito estava limitada pelo processo de alienação
57 imposto pela produção capitalista. Como destaca Bacal (2003), o tempo livre surge da liberação de
58 parcelas de tempo do trabalho, quando poderiam ser desenvolvidas atividades relacionadas à
59 sobrevivência física e social do indivíduo, mas, ainda assim, atreladas à noção do trabalho.
60 Na Antiga Grécia, trabalho e ócio figuravam como conceitos antagônicos e com valores muito
61 distintos dos que se conhecem hoje. Se, hoje, a temporalidade é o recurso da cisão entre trabalho e 'não62 trabalho', ali, segundo Aristóteles, o ócio era um estado, ou seja, era uma condição de liberdade relativa
63 à necessidade de trabalhar. O tempo livre, a partir do seu viés industrial, dá passo também ao
64 surgimento da compreensão do lazer, que passa a ser concebido como uma atividade que tem sua base
65 ancorada na existência de um tempo livre, fomentado e reconhecido legalmente, e que poderia ser
66 exercido autonomamente pelos trabalhadores, tendo por base sua condição socioeconômica e seus
67 valores sociais.
68 É na articulação do lazer ao contexto da sociedade industrial, que há uma forma de 'subversão'
69 de valor da atividade. Se há, para alguns, uma identidade absoluta entre a noção de lazer e ócio, talvez
70 se instaure no elemento da autonomia o diferencial entre essas duas categorias, pelo menos na mediação
71 do tempo como elemento articulador. Não há no ócio qualquer conotação de atividade que persiga outro
72 fim. O ócio é a atividade que traz em si a própria razão do seu fim.
Da leitura do texto, pode-se afirmar:
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AS QUESTÕES DE 21 A 38 ESTÃO RELACIONADAS AO TEXTO ABAIXO
TEXTO I
1 A importância de pensar a articulação entre os conceitos de ócio, tempo livre e lazer no
2 contexto atual se deve, principalmente, ao fato de o trabalho - que ocupou o lugar de atividade central na
3 inserção social e constituir fator fundamental da produção subjetiva ao longo da sociedade moderna - ser
4 questionado como atividade dominante. Essa referência de dominância está caracterizada,
5 principalmente, por ser a atividade laboral o elemento que demarca a estruturação dos quadros
6 temporais das sociedades Pós-Revolução Industrial, tal como afirma a sociologia do tempo e, de forma
7 destacada, os teóricos contemporâneos dos tempos sociais (Roger Sue, Gilles Pronovost, Giovanni
8 Gasparini, Ramos Torre, dentre outros).
9 A partir das teorias dos tempos sociais, surge, então, uma pergunta que parece crucial para
10 reiterarmos a importância de caracterizar esses três conceitos, a saber, ócio, tempo livre e lazer.
11 Considerando que, ao longo da sociedade industrial, foi o trabalho a atividade que ocupou a centralidade
12 na organização da temporalidade social, seria o ócio a atividade que ocuparia na sociedade pós13 industrial o lugar que foi ocupado pelo trabalho na sociedade industrial? A atividade social e o tempo
14 que a demarca precisam ser postos em discussão para que tenhamos elementos para a formulação de
15 uma análise crítica do contexto social em que hoje vivemos.
16 O fator temporal passa por metamorfoses significativas, iniciadas no momento em que o
17 homem resolve medir o tempo cotidiano e quantificar o tempo social na sociedade industrial, chegando
18 à comercialização do próprio tempo, que se torna uma mercadoria e passa a ter valor econômico.
19 Neste espaço, surge a pressa como um fenômeno típico da atualidade e como mola mestra para
20 os avanços tecnológicos que fabricam equipamentos para se poder ganhar mais tempo.
21 Os telefones celulares, o fax, o pager, a internet, entre outros, são mecanismos que marcam essa
22 busca incessante por mais tempo, porém, paradoxalmente, o homem termina por preencher esse tempo
23 disponível com mais atividades e afazeres.
24 No caos entre necessidades econômicas e existenciais, o homem contemporâneo se vê dividido
25 entre as obrigações impostas por suas atividades laborais e o desejo de libertar-se dessas tarefas e,
26 assim, poder usufruir um tempo para si.
27 No entanto todo processo de educação/formação/orientação da sociedade moderna gerou os
28 valores da atual sociedade do consumo, não contempla a orientação para ser/existir num tempo de "nada
29 fazer".
30 A maior ou a menor variação desse tempo na vida dos indivíduos organiza-se e estrutura-se de
31 acordo com padrões assimilados sobre como se deve dispor o tempo para as diversas atividades, além de
32 como o sujeito valora o sentido do tempo cotidiano para si. Desta maneira, as diferentes formas de
33 sentir, pensar, agir e estabelecer o tempo seguem padrões culturais que se refletem na ação do sujeito.
34 [...]
35 O tempo livre e o ócio são tomados, muitas vezes, como fazendo referência a um mesmo
36 fenômeno social. Não obstante, são conceitos que têm naturezas distintas. O tempo livre,
37 especificamente, é um conceito que remete a muitos equívocos, pois, ao referir-se ao qualificativo 'livre',
38 pressupõe diretamente uma alusão a um tempo de 'não-liberdade' ao qual se opõe. Tempo livre de quê?
39 Poderíamos perguntar. Em realidade, a denominação de tempo livre, apesar de ser considerada desde os
40 antigos gregos, adquire relevo a partir de sua oposição à concepção moderna de trabalho. Essa noção de
41 um tempo livre do trabalho conduz a uma concepção negativa deste último, ou seja, faz sobressair o
42 caráter impositivo da atividade laboral. Há que reconhecer que o tempo livre, no contexto atual, é uma
43 referência temporal e implica uma divisão da 'unidade' do tempo que se opõe ao tempo de trabalho.
44 Ainda que para muitos o tempo livre seja tomado como uma atividade, ele, a diferença do ócio,
45 é uma referência temporal, que adquire, pelo qualificativo 'livre', uma complexidade que o faz
46 confundir-se com ação.
47 Essa concepção é importante, pois, se a partir da modernidade a ideia de tempo livre passa a ser
48 mais difundida, a referência anterior, mais genérica, era de ócio. Historicamente e pelo critério de
49 atividade, é o ócio que se opunha ao trabalho.
50 O tempo livre, tal como o concebemos hoje, adveio da natureza cronológica que atinge o
51 apogeu pós-revolução industrial. É da liberação do tempo que devia ser dedicado ao trabalho, que
52 emerge a noção do tempo livre. Aí estão implicadas algumas variáveis. A primeira delas é que a
53 liberdade, tomada como exercício temporal, não podia ser exercida no trabalho, pelo menos na
54 concepção de trabalho industrial, uma vez que a organização produtiva pressupunha uma sincronização,
55 que ainda não havia sido experimentada de forma generalizada em outros momentos da história. A
56 segunda é que a liberdade de constituir-se como sujeito estava limitada pelo processo de alienação
57 imposto pela produção capitalista. Como destaca Bacal (2003), o tempo livre surge da liberação de
58 parcelas de tempo do trabalho, quando poderiam ser desenvolvidas atividades relacionadas à
59 sobrevivência física e social do indivíduo, mas, ainda assim, atreladas à noção do trabalho.
60 Na Antiga Grécia, trabalho e ócio figuravam como conceitos antagônicos e com valores muito
61 distintos dos que se conhecem hoje. Se, hoje, a temporalidade é o recurso da cisão entre trabalho e 'não62 trabalho', ali, segundo Aristóteles, o ócio era um estado, ou seja, era uma condição de liberdade relativa
63 à necessidade de trabalhar. O tempo livre, a partir do seu viés industrial, dá passo também ao
64 surgimento da compreensão do lazer, que passa a ser concebido como uma atividade que tem sua base
65 ancorada na existência de um tempo livre, fomentado e reconhecido legalmente, e que poderia ser
66 exercido autonomamente pelos trabalhadores, tendo por base sua condição socioeconômica e seus
67 valores sociais.
68 É na articulação do lazer ao contexto da sociedade industrial, que há uma forma de 'subversão'
69 de valor da atividade. Se há, para alguns, uma identidade absoluta entre a noção de lazer e ócio, talvez
70 se instaure no elemento da autonomia o diferencial entre essas duas categorias, pelo menos na mediação
71 do tempo como elemento articulador. Não há no ócio qualquer conotação de atividade que persiga outro
72 fim. O ócio é a atividade que traz em si a própria razão do seu fim.
Com base no texto, pode-se afirmar
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Disciplina: Direito da Criança e do Adolescente
Banca: IMA
Orgão: Pref. Tomé-Açu-PA
- ECAEspecialDa Prática de Ato InfracionalDa Remissão (Art. 126 a 128)
- ECAEspecialDo Acesso à JustiçaDos Procedimentos
- ECAEspecialDo Acesso à JustiçaDa Proteção Judicial dos Interesses Individuais, Difusos e Coletivos (Art. 208 a 224)
De acordo com o ECA, a Justiça da Infância e da Juventude é competente para:
I. Conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração de ato infracional atribuído a adolescente, mas sem aplicação das medidas cabíveis.
II. Conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo.
III. Conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes.
IV. Conhecer de ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou coletivos afetos à criança e ao adolescente.
V. Conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendimento, aplicando as medidas cabíveis.
Estão CORRETOS apenas:
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Disciplina: Direito da Criança e do Adolescente
Banca: IMA
Orgão: Pref. Tomé-Açu-PA
- ECAGeralDireitos Fundamentais (art. 7º ao 69)Do Direito à Educação, à Cultura, ao Esporte e ao Lazer (Art. 53 a 59)
Regem-se pelas disposições do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) as ações de responsabilidade por ofensa aos direitos assegurados à criança e ao adolescente, referentes ao não oferecimento ou oferta irregular:
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O Construtivismo parte da crença de que o saber não é algo que está concluído, terminado, e sim um processo em incessante construção e criação. Sobre essa corrente teórica é válido afirmar:
I. Procura instigar a curiosidade, já que o aluno é levado a encontrar as respostas a partir de seus próprios conhecimentos e de sua interação com a realidade e com os colegas.
II. Propõe que o aluno participe ativamente do próprio aprendizado, mediante a experimentação, a pesquisa em grupo, o estimulo a dúvida e o desenvolvimento do raciocínio, entre outros procedimentos.
III. Enfatiza a importância do erro não como um tropeço, mas como um trampolim na rota da aprendizagem. A teoria condena a rigidez nos procedimentos de ensino, as avaliações padronizadas e a utilização de material didático demasiadamente estranho ao universo pessoal do aluno. As disciplinas estão voltadas para a reflexão e auto avaliação.
Estão CORRETOS apenas:
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