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Assinale a alternativa que não contém erro gramatical:
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A questão se refere ao texto abaixo:
A MERITOCRACIA É UMA ARMADILHA
Em suas origens, a meritocracia fez sentido: com ela se
lançava por terra o sistema aristocrático que dominou a
maior parte da histó ria da humanidade, com privilégios
herdados de geração em geração. Agora ela perpetua mitos e
a desigualdade
É possível que se você chegou a certa posição
socioeconômica, conseguiu reconhecimento social, um bom
salário e um patrimônio considerável, o que conhecemos
como sucesso, pense que foi exclusivamente por seus próprios
méritos. Más notícias: também é muito possível que não tenha
sido assim. No percurso vital de cada um o esforço conta, como
é natural, mas o esforço sozinho é mais um fator onde também
é preciso considerar outros que escapam ao nosso controle e
vontade: o berço, a sorte e o talento. A vida é uma loteria, já
cantava Marisol, e também tem muito de herança e de
contatos.
Um sistema em que cada um consiga aquilo que
merece graças ao trabalho duro se chama meritocracia. Soa
bem, e muitas vezes nos dizem que vivemos em uma, e que,
pelo menos, isso seria desejável. Mas vários especialistas
consultados para esta reportagem alertam: a meritocracia não
existe em nossas sociedades e não está claro que sua
existência nos trará virtude. Nas últimas décadas a brecha
entre os vencedores e os perdedores aumentou, gerando
sociedades mais polarizadas e desiguais em rendimentos e
riqueza. A conceitualização do sucesso também mudou: “Os
que chegaram no topo acreditam que seu sucesso é obra sua,
evidência de seu mérito superior, e que os que ficam para trás
merecem seu destino da mesma forma”, diz o filósofo da
Universidade Harvard Michael Sandel, prêmio Princesa de
Astúrias de Ciências Sociais 2018 e autor do livro A Tirania do
Mérito (Editora Civilização Braisleira, 2020). A realidade é que
as coisas não são tão simples e a igualdade de oportunidades
não existe. “Desde o começo do século se detecta um
funcionamento pior de nosso elevador social”, diz o relató rio
Espanha 2050 elaborado pelo Governo de Pedro Sánchez. “Na
Espanha, nascer em famílias de baixa renda condiciona as
oportunidades de educação e desenvolvimento profissional
em maior medida do que em outros países europeus”.
“O talento e o esforço produzem pouco na ausência de
um entorno social bem desenvolvido”, diz o economista da
Universidade Cornell Robert H. Frank, autor do livro Success
and Luck: Good Fortune and the Myth of Meritocracy (Sucesso
e sorte: Boa Fortuna e o Mito da Meritocracia), que também
aponta um dos feitos perniciosos da meritocracia: “As pessoas
que minimizam a contribuição ao seu sucesso de um entorno
propício estão menos dispostas a apoiar os investimento
públicos necessários para manter esse entorno”. Nesse sentido, a meritocracia pode corroer as políticas sociais, o
Estado de bem-estar, idealizados, justamente, para equilibrar
o terreno social e diminuir as desigualdades. O imposto de
sucessão, outra forma de reequilibrar a sociedade limando as
heranças, é frequentemente ridicularizado (às vezes, por
defensores habituais da meritocracia). Se legitimamos uma
sociedade onde os poucos que ganham levam tudo, se isso
parece justo e natural, se deslegitima a redistribuição da
riqueza e a justiça social. “A ideia de meritocracia é utilizada
para que um sistema social profundamente desigual pareça
justo quando não o é”, diz a soció loga da Universidade de
Londres Jo Littler, autora de Against Meritocracy: Culture,
Power and Myths of Mobility (Contra a meritocracia: cultura,
poder e mitos da mobilidade).
Mas ainda que a meritocracia existisse, talvez não
fosse desejável: “É corrosiva ao bem comum”, diz o filósofo Michael Sandel, “oferece a todos a oportunidade de subir pela
escada do sucesso sem notar que os degraus da escadaria
podem estar cada vez mais separados. E assume que a
sociedade é uma corrida com vencedores e perdedores”.
Segundo o filósofo, essa forma de pensar cria elites arrogantes
e classes populares humilhadas e ressentidas, a quem
disseram que não são suficientemente boas. Por isso, segundo
Sandel, fenômenos de reação contra as elites como o
populismo de Trump e o Brexit. Porque esse é o reverso
tenebroso da meritocracia: se você não fez sucesso você não
tem valor, é tudo culpa sua.
O que fazer? A desigualdade, que encontra
justificativa nas ideias meritocráticas é, junto com a mudança
climática, uma das maiores ameaças à estabilidade do sistema,
como dizem muitas vozes até mesmo do próprio coração do
capitalismo: leva à polarização social, ao auge dos
totalitarismos e ao descrédito popular das democracias
liberais. Mas “o círculo vicioso que inflou a crescente
desigualdade meritocrática pode ser substituído por um
círculo virtuoso que assegure a igualdade democrática para
todos”, diz Markovits. Para minimizar essa desigualdade é
fundamental conseguir uma educação pública eficiente que
chegue a todas as camadas da sociedade, assim como a
diminuição do desemprego e o desaparecimento dos
empregos precários, em uma época em que a aceleração
tecnológica complica o mercado de trabalho, ao mesmo tempo
em que são propostas rendas básicas para manter a coesão
social. Uma ideia que ganha cada vez mais força (por exemplo,
nas ideias do presidente norte-americano Joe Biden): “A
melhor resposta política à desigualdade produzida pela sorte
é conseguir um maior investimento público, taxando mais os
ricos”, conclui o economista Robert H. Frank.
(Adaptado. Autor: Sergio C. Fanjul. Publicado em 18/07/2019.
DisponÍvel em https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-18/a-meritocracia-e-uma-armadilha.html)
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A MERITOCRACIA É UMA ARMADILHA
Em suas origens, a meritocracia fez sentido: com ela se
lançava por terra o sistema aristocrático que dominou a
maior parte da histó ria da humanidade, com privilégios
herdados de geração em geração. Agora ela perpetua mitos e
a desigualdade
É possível que se você chegou a certa posição
socioeconômica, conseguiu reconhecimento social, um bom
salário e um patrimônio considerável, o que conhecemos
como sucesso, pense que foi exclusivamente por seus próprios
méritos. Más notícias: também é muito possível que não tenha
sido assim. No percurso vital de cada um o esforço conta, como
é natural, mas o esforço sozinho é mais um fator onde também
é preciso considerar outros que escapam ao nosso controle e
vontade: o berço, a sorte e o talento. A vida é uma loteria, já
cantava Marisol, e também tem muito de herança e de
contatos.
Um sistema em que cada um consiga aquilo que
merece graças ao trabalho duro se chama meritocracia. Soa
bem, e muitas vezes nos dizem que vivemos em uma, e que,
pelo menos, isso seria desejável. Mas vários especialistas
consultados para esta reportagem alertam: a meritocracia não
existe em nossas sociedades e não está claro que sua
existência nos trará virtude. Nas últimas décadas a brecha
entre os vencedores e os perdedores aumentou, gerando
sociedades mais polarizadas e desiguais em rendimentos e
riqueza. A conceitualização do sucesso também mudou: “Os
que chegaram no topo acreditam que seu sucesso é obra sua,
evidência de seu mérito superior, e que os que ficam para trás
merecem seu destino da mesma forma”, diz o filósofo da
Universidade Harvard Michael Sandel, prêmio Princesa de
Astúrias de Ciências Sociais 2018 e autor do livro A Tirania do
Mérito (Editora Civilização Braisleira, 2020). A realidade é que
as coisas não são tão simples e a igualdade de oportunidades
não existe. “Desde o começo do século se detecta um
funcionamento pior de nosso elevador social”, diz o relató rio
Espanha 2050 elaborado pelo Governo de Pedro Sánchez. “Na
Espanha, nascer em famílias de baixa renda condiciona as
oportunidades de educação e desenvolvimento profissional
em maior medida do que em outros países europeus”.
“O talento e o esforço produzem pouco na ausência de
um entorno social bem desenvolvido”, diz o economista da
Universidade Cornell Robert H. Frank, autor do livro Success
and Luck: Good Fortune and the Myth of Meritocracy (Sucesso
e sorte: Boa Fortuna e o Mito da Meritocracia), que também
aponta um dos feitos perniciosos da meritocracia: “As pessoas
que minimizam a contribuição ao seu sucesso de um entorno
propício estão menos dispostas a apoiar os investimento
públicos necessários para manter esse entorno”. Nesse sentido, a meritocracia pode corroer as políticas sociais, o
Estado de bem-estar, idealizados, justamente, para equilibrar
o terreno social e diminuir as desigualdades. O imposto de
sucessão, outra forma de reequilibrar a sociedade limando as
heranças, é frequentemente ridicularizado (às vezes, por
defensores habituais da meritocracia). Se legitimamos uma
sociedade onde os poucos que ganham levam tudo, se isso
parece justo e natural, se deslegitima a redistribuição da
riqueza e a justiça social. “A ideia de meritocracia é utilizada
para que um sistema social profundamente desigual pareça
justo quando não o é”, diz a soció loga da Universidade de
Londres Jo Littler, autora de Against Meritocracy: Culture,
Power and Myths of Mobility (Contra a meritocracia: cultura,
poder e mitos da mobilidade).
Mas ainda que a meritocracia existisse, talvez não
fosse desejável: “É corrosiva ao bem comum”, diz o filósofo Michael Sandel, “oferece a todos a oportunidade de subir pela
escada do sucesso sem notar que os degraus da escadaria
podem estar cada vez mais separados. E assume que a
sociedade é uma corrida com vencedores e perdedores”.
Segundo o filósofo, essa forma de pensar cria elites arrogantes
e classes populares humilhadas e ressentidas, a quem
disseram que não são suficientemente boas. Por isso, segundo
Sandel, fenômenos de reação contra as elites como o
populismo de Trump e o Brexit. Porque esse é o reverso
tenebroso da meritocracia: se você não fez sucesso você não
tem valor, é tudo culpa sua.
O que fazer? A desigualdade, que encontra
justificativa nas ideias meritocráticas é, junto com a mudança
climática, uma das maiores ameaças à estabilidade do sistema,
como dizem muitas vozes até mesmo do próprio coração do
capitalismo: leva à polarização social, ao auge dos
totalitarismos e ao descrédito popular das democracias
liberais. Mas “o círculo vicioso que inflou a crescente
desigualdade meritocrática pode ser substituído por um
círculo virtuoso que assegure a igualdade democrática para
todos”, diz Markovits. Para minimizar essa desigualdade é
fundamental conseguir uma educação pública eficiente que
chegue a todas as camadas da sociedade, assim como a
diminuição do desemprego e o desaparecimento dos
empregos precários, em uma época em que a aceleração
tecnológica complica o mercado de trabalho, ao mesmo tempo
em que são propostas rendas básicas para manter a coesão
social. Uma ideia que ganha cada vez mais força (por exemplo,
nas ideias do presidente norte-americano Joe Biden): “A
melhor resposta política à desigualdade produzida pela sorte
é conseguir um maior investimento público, taxando mais os
ricos”, conclui o economista Robert H. Frank.
(Adaptado. Autor: Sergio C. Fanjul. Publicado em 18/07/2019.
DisponÍvel em https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-18/a-meritocracia-e-uma-armadilha.html)
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A MERITOCRACIA É UMA ARMADILHA
Em suas origens, a meritocracia fez sentido: com ela se
lançava por terra o sistema aristocrático que dominou a
maior parte da histó ria da humanidade, com privilégios
herdados de geração em geração. Agora ela perpetua mitos e
a desigualdade
É possível que se você chegou a certa posição
socioeconômica, conseguiu reconhecimento social, um bom
salário e um patrimônio considerável, o que conhecemos
como sucesso, pense que foi exclusivamente por seus próprios
méritos. Más notícias: também é muito possível que não tenha
sido assim. No percurso vital de cada um o esforço conta, como
é natural, mas o esforço sozinho é mais um fator onde também
é preciso considerar outros que escapam ao nosso controle e
vontade: o berço, a sorte e o talento. A vida é uma loteria, já
cantava Marisol, e também tem muito de herança e de
contatos.
Um sistema em que cada um consiga aquilo que
merece graças ao trabalho duro se chama meritocracia. Soa
bem, e muitas vezes nos dizem que vivemos em uma, e que,
pelo menos, isso seria desejável. Mas vários especialistas
consultados para esta reportagem alertam: a meritocracia não
existe em nossas sociedades e não está claro que sua
existência nos trará virtude. Nas últimas décadas a brecha
entre os vencedores e os perdedores aumentou, gerando
sociedades mais polarizadas e desiguais em rendimentos e
riqueza. A conceitualização do sucesso também mudou: “Os
que chegaram no topo acreditam que seu sucesso é obra sua,
evidência de seu mérito superior, e que os que ficam para trás
merecem seu destino da mesma forma”, diz o filósofo da
Universidade Harvard Michael Sandel, prêmio Princesa de
Astúrias de Ciências Sociais 2018 e autor do livro A Tirania do
Mérito (Editora Civilização Braisleira, 2020). A realidade é que
as coisas não são tão simples e a igualdade de oportunidades
não existe. “Desde o começo do século se detecta um
funcionamento pior de nosso elevador social”, diz o relató rio
Espanha 2050 elaborado pelo Governo de Pedro Sánchez. “Na
Espanha, nascer em famílias de baixa renda condiciona as
oportunidades de educação e desenvolvimento profissional
em maior medida do que em outros países europeus”.
“O talento e o esforço produzem pouco na ausência de
um entorno social bem desenvolvido”, diz o economista da
Universidade Cornell Robert H. Frank, autor do livro Success
and Luck: Good Fortune and the Myth of Meritocracy (Sucesso
e sorte: Boa Fortuna e o Mito da Meritocracia), que também
aponta um dos feitos perniciosos da meritocracia: “As pessoas
que minimizam a contribuição ao seu sucesso de um entorno
propício estão menos dispostas a apoiar os investimento
públicos necessários para manter esse entorno”. Nesse sentido, a meritocracia pode corroer as políticas sociais, o
Estado de bem-estar, idealizados, justamente, para equilibrar
o terreno social e diminuir as desigualdades. O imposto de
sucessão, outra forma de reequilibrar a sociedade limando as
heranças, é frequentemente ridicularizado (às vezes, por
defensores habituais da meritocracia). Se legitimamos uma
sociedade onde os poucos que ganham levam tudo, se isso
parece justo e natural, se deslegitima a redistribuição da
riqueza e a justiça social. “A ideia de meritocracia é utilizada
para que um sistema social profundamente desigual pareça
justo quando não o é”, diz a soció loga da Universidade de
Londres Jo Littler, autora de Against Meritocracy: Culture,
Power and Myths of Mobility (Contra a meritocracia: cultura,
poder e mitos da mobilidade).
Mas ainda que a meritocracia existisse, talvez não
fosse desejável: “É corrosiva ao bem comum”, diz o filósofo Michael Sandel, “oferece a todos a oportunidade de subir pela
escada do sucesso sem notar que os degraus da escadaria
podem estar cada vez mais separados. E assume que a
sociedade é uma corrida com vencedores e perdedores”.
Segundo o filósofo, essa forma de pensar cria elites arrogantes
e classes populares humilhadas e ressentidas, a quem
disseram que não são suficientemente boas. Por isso, segundo
Sandel, fenômenos de reação contra as elites como o
populismo de Trump e o Brexit. Porque esse é o reverso
tenebroso da meritocracia: se você não fez sucesso você não
tem valor, é tudo culpa sua.
O que fazer? A desigualdade, que encontra
justificativa nas ideias meritocráticas é, junto com a mudança
climática, uma das maiores ameaças à estabilidade do sistema,
como dizem muitas vozes até mesmo do próprio coração do
capitalismo: leva à polarização social, ao auge dos
totalitarismos e ao descrédito popular das democracias
liberais. Mas “o círculo vicioso que inflou a crescente
desigualdade meritocrática pode ser substituído por um
círculo virtuoso que assegure a igualdade democrática para
todos”, diz Markovits. Para minimizar essa desigualdade é
fundamental conseguir uma educação pública eficiente que
chegue a todas as camadas da sociedade, assim como a
diminuição do desemprego e o desaparecimento dos
empregos precários, em uma época em que a aceleração
tecnológica complica o mercado de trabalho, ao mesmo tempo
em que são propostas rendas básicas para manter a coesão
social. Uma ideia que ganha cada vez mais força (por exemplo,
nas ideias do presidente norte-americano Joe Biden): “A
melhor resposta política à desigualdade produzida pela sorte
é conseguir um maior investimento público, taxando mais os
ricos”, conclui o economista Robert H. Frank.
(Adaptado. Autor: Sergio C. Fanjul. Publicado em 18/07/2019.
DisponÍvel em https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-18/a-meritocracia-e-uma-armadilha.html)
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A MERITOCRACIA É UMA ARMADILHA
Em suas origens, a meritocracia fez sentido: com ela se
lançava por terra o sistema aristocrático que dominou a
maior parte da histó ria da humanidade, com privilégios
herdados de geração em geração. Agora ela perpetua mitos e
a desigualdade
É possível que se você chegou a certa posição
socioeconômica, conseguiu reconhecimento social, um bom
salário e um patrimônio considerável, o que conhecemos
como sucesso, pense que foi exclusivamente por seus próprios
méritos. Más notícias: também é muito possível que não tenha
sido assim. No percurso vital de cada um o esforço conta, como
é natural, mas o esforço sozinho é mais um fator onde também
é preciso considerar outros que escapam ao nosso controle e
vontade: o berço, a sorte e o talento. A vida é uma loteria, já
cantava Marisol, e também tem muito de herança e de
contatos.
Um sistema em que cada um consiga aquilo que
merece graças ao trabalho duro se chama meritocracia. Soa
bem, e muitas vezes nos dizem que vivemos em uma, e que,
pelo menos, isso seria desejável. Mas vários especialistas
consultados para esta reportagem alertam: a meritocracia não
existe em nossas sociedades e não está claro que sua
existência nos trará virtude. Nas últimas décadas a brecha
entre os vencedores e os perdedores aumentou, gerando
sociedades mais polarizadas e desiguais em rendimentos e
riqueza. A conceitualização do sucesso também mudou: “Os
que chegaram no topo acreditam que seu sucesso é obra sua,
evidência de seu mérito superior, e que os que ficam para trás
merecem seu destino da mesma forma”, diz o filósofo da
Universidade Harvard Michael Sandel, prêmio Princesa de
Astúrias de Ciências Sociais 2018 e autor do livro A Tirania do
Mérito (Editora Civilização Braisleira, 2020). A realidade é que
as coisas não são tão simples e a igualdade de oportunidades
não existe. “Desde o começo do século se detecta um
funcionamento pior de nosso elevador social”, diz o relató rio
Espanha 2050 elaborado pelo Governo de Pedro Sánchez. “Na
Espanha, nascer em famílias de baixa renda condiciona as
oportunidades de educação e desenvolvimento profissional
em maior medida do que em outros países europeus”.
“O talento e o esforço produzem pouco na ausência de
um entorno social bem desenvolvido”, diz o economista da
Universidade Cornell Robert H. Frank, autor do livro Success
and Luck: Good Fortune and the Myth of Meritocracy (Sucesso
e sorte: Boa Fortuna e o Mito da Meritocracia), que também
aponta um dos feitos perniciosos da meritocracia: “As pessoas
que minimizam a contribuição ao seu sucesso de um entorno
propício estão menos dispostas a apoiar os investimento
públicos necessários para manter esse entorno”. Nesse sentido, a meritocracia pode corroer as políticas sociais, o
Estado de bem-estar, idealizados, justamente, para equilibrar
o terreno social e diminuir as desigualdades. O imposto de
sucessão, outra forma de reequilibrar a sociedade limando as
heranças, é frequentemente ridicularizado (às vezes, por
defensores habituais da meritocracia). Se legitimamos uma
sociedade onde os poucos que ganham levam tudo, se isso
parece justo e natural, se deslegitima a redistribuição da
riqueza e a justiça social. “A ideia de meritocracia é utilizada
para que um sistema social profundamente desigual pareça
justo quando não o é”, diz a soció loga da Universidade de
Londres Jo Littler, autora de Against Meritocracy: Culture,
Power and Myths of Mobility (Contra a meritocracia: cultura,
poder e mitos da mobilidade).
Mas ainda que a meritocracia existisse, talvez não
fosse desejável: “É corrosiva ao bem comum”, diz o filósofo Michael Sandel, “oferece a todos a oportunidade de subir pela
escada do sucesso sem notar que os degraus da escadaria
podem estar cada vez mais separados. E assume que a
sociedade é uma corrida com vencedores e perdedores”.
Segundo o filósofo, essa forma de pensar cria elites arrogantes
e classes populares humilhadas e ressentidas, a quem
disseram que não são suficientemente boas. Por isso, segundo
Sandel, fenômenos de reação contra as elites como o
populismo de Trump e o Brexit. Porque esse é o reverso
tenebroso da meritocracia: se você não fez sucesso você não
tem valor, é tudo culpa sua.
O que fazer? A desigualdade, que encontra
justificativa nas ideias meritocráticas é, junto com a mudança
climática, uma das maiores ameaças à estabilidade do sistema,
como dizem muitas vozes até mesmo do próprio coração do
capitalismo: leva à polarização social, ao auge dos
totalitarismos e ao descrédito popular das democracias
liberais. Mas “o círculo vicioso que inflou a crescente
desigualdade meritocrática pode ser substituído por um
círculo virtuoso que assegure a igualdade democrática para
todos”, diz Markovits. Para minimizar essa desigualdade é
fundamental conseguir uma educação pública eficiente que
chegue a todas as camadas da sociedade, assim como a
diminuição do desemprego e o desaparecimento dos
empregos precários, em uma época em que a aceleração
tecnológica complica o mercado de trabalho, ao mesmo tempo
em que são propostas rendas básicas para manter a coesão
social. Uma ideia que ganha cada vez mais força (por exemplo,
nas ideias do presidente norte-americano Joe Biden): “A
melhor resposta política à desigualdade produzida pela sorte
é conseguir um maior investimento público, taxando mais os
ricos”, conclui o economista Robert H. Frank.
(Adaptado. Autor: Sergio C. Fanjul. Publicado em 18/07/2019.
DisponÍvel em https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-18/a-meritocracia-e-uma-armadilha.html)
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A questão se refere ao texto abaixo:
A MERITOCRACIA É UMA ARMADILHA
Em suas origens, a meritocracia fez sentido: com ela se
lançava por terra o sistema aristocrático que dominou a
maior parte da histó ria da humanidade, com privilégios
herdados de geração em geração. Agora ela perpetua mitos e
a desigualdade
É possível que se você chegou a certa posição
socioeconômica, conseguiu reconhecimento social, um bom
salário e um patrimônio considerável, o que conhecemos
como sucesso, pense que foi exclusivamente por seus próprios
méritos. Más notícias: também é muito possível que não tenha
sido assim. No percurso vital de cada um o esforço conta, como
é natural, mas o esforço sozinho é mais um fator onde também
é preciso considerar outros que escapam ao nosso controle e
vontade: o berço, a sorte e o talento. A vida é uma loteria, já
cantava Marisol, e também tem muito de herança e de
contatos.
Um sistema em que cada um consiga aquilo que
merece graças ao trabalho duro se chama meritocracia. Soa
bem, e muitas vezes nos dizem que vivemos em uma, e que,
pelo menos, isso seria desejável. Mas vários especialistas
consultados para esta reportagem alertam: a meritocracia não
existe em nossas sociedades e não está claro que sua
existência nos trará virtude. Nas últimas décadas a brecha
entre os vencedores e os perdedores aumentou, gerando
sociedades mais polarizadas e desiguais em rendimentos e
riqueza. A conceitualização do sucesso também mudou: “Os
que chegaram no topo acreditam que seu sucesso é obra sua,
evidência de seu mérito superior, e que os que ficam para trás
merecem seu destino da mesma forma”, diz o filósofo da
Universidade Harvard Michael Sandel, prêmio Princesa de
Astúrias de Ciências Sociais 2018 e autor do livro A Tirania do
Mérito (Editora Civilização Braisleira, 2020). A realidade é que
as coisas não são tão simples e a igualdade de oportunidades
não existe. “Desde o começo do século se detecta um
funcionamento pior de nosso elevador social”, diz o relató rio
Espanha 2050 elaborado pelo Governo de Pedro Sánchez. “Na
Espanha, nascer em famílias de baixa renda condiciona as
oportunidades de educação e desenvolvimento profissional
em maior medida do que em outros países europeus”.
“O talento e o esforço produzem pouco na ausência de
um entorno social bem desenvolvido”, diz o economista da
Universidade Cornell Robert H. Frank, autor do livro Success
and Luck: Good Fortune and the Myth of Meritocracy (Sucesso
e sorte: Boa Fortuna e o Mito da Meritocracia), que também
aponta um dos feitos perniciosos da meritocracia: “As pessoas
que minimizam a contribuição ao seu sucesso de um entorno
propício estão menos dispostas a apoiar os investimento
públicos necessários para manter esse entorno”. Nesse sentido, a meritocracia pode corroer as políticas sociais, o
Estado de bem-estar, idealizados, justamente, para equilibrar
o terreno social e diminuir as desigualdades. O imposto de
sucessão, outra forma de reequilibrar a sociedade limando as
heranças, é frequentemente ridicularizado (às vezes, por
defensores habituais da meritocracia). Se legitimamos uma
sociedade onde os poucos que ganham levam tudo, se isso
parece justo e natural, se deslegitima a redistribuição da
riqueza e a justiça social. “A ideia de meritocracia é utilizada
para que um sistema social profundamente desigual pareça
justo quando não o é”, diz a soció loga da Universidade de
Londres Jo Littler, autora de Against Meritocracy: Culture,
Power and Myths of Mobility (Contra a meritocracia: cultura,
poder e mitos da mobilidade).
Mas ainda que a meritocracia existisse, talvez não
fosse desejável: “É corrosiva ao bem comum”, diz o filósofo Michael Sandel, “oferece a todos a oportunidade de subir pela
escada do sucesso sem notar que os degraus da escadaria
podem estar cada vez mais separados. E assume que a
sociedade é uma corrida com vencedores e perdedores”.
Segundo o filósofo, essa forma de pensar cria elites arrogantes
e classes populares humilhadas e ressentidas, a quem
disseram que não são suficientemente boas. Por isso, segundo
Sandel, fenômenos de reação contra as elites como o
populismo de Trump e o Brexit. Porque esse é o reverso
tenebroso da meritocracia: se você não fez sucesso você não
tem valor, é tudo culpa sua.
O que fazer? A desigualdade, que encontra
justificativa nas ideias meritocráticas é, junto com a mudança
climática, uma das maiores ameaças à estabilidade do sistema,
como dizem muitas vozes até mesmo do próprio coração do
capitalismo: leva à polarização social, ao auge dos
totalitarismos e ao descrédito popular das democracias
liberais. Mas “o círculo vicioso que inflou a crescente
desigualdade meritocrática pode ser substituído por um
círculo virtuoso que assegure a igualdade democrática para
todos”, diz Markovits. Para minimizar essa desigualdade é
fundamental conseguir uma educação pública eficiente que
chegue a todas as camadas da sociedade, assim como a
diminuição do desemprego e o desaparecimento dos
empregos precários, em uma época em que a aceleração
tecnológica complica o mercado de trabalho, ao mesmo tempo
em que são propostas rendas básicas para manter a coesão
social. Uma ideia que ganha cada vez mais força (por exemplo,
nas ideias do presidente norte-americano Joe Biden): “A
melhor resposta política à desigualdade produzida pela sorte
é conseguir um maior investimento público, taxando mais os
ricos”, conclui o economista Robert H. Frank.
(Adaptado. Autor: Sergio C. Fanjul. Publicado em 18/07/2019.
DisponÍvel em https://brasil.elpais.com/economia/2021-07-18/a-meritocracia-e-uma-armadilha.html)
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A questão se refere ao texto abaixo:

Fofoca é importante para construção de grupos sociais, diz especialista
Provavelmente, em algum momento da sua vida, você já fez ou ouviu uma fofoca. Sabe aquela fofoquinha
aleatória, inocente e principalmente quando fala de alguém positivamente? Então, ela faz bem para sua saúde.
A fofoca costuma ser considerada um tabu social, mas o psicólogo Wagner Costa, especializado em psicologia
positiva e mestre em ciências da saúde, diz que ela pode ser benéfica. Segundo ele, a fofoca facilita as conexões sociais
e permite que você aprenda sobre o mundo por meio das experiências de outras pessoas.
O especialista diz que fofocar cria uma “realidade compartilhada”, na qual amigos e colegas frequentemente se
unem, formam alianças, compartilham informações pessoais e discutem o comportamento de outras pessoas para
alcançar ações socialmente aceitáveis.
“A partir do momento que eu estou comentando sobre a vida de alguém positivamente, isso também gera em
mim e em quem está escutando emoções positivas. As emoções positivas no corpo funcionam como um relaxamento
e geram bem-estar, por isso que a gente se sente bem ao fofocar”, comentou.
Um estudo da Universidade de Staffordshire, no Reino Unido, diz que guardar um segredo tem efeito similar a
carregar peso em excesso por muito tempo, e pode, aos poucos, destruir a energia do corpo. Segundo os cientistas, os
segredos e “notícias surpresas” ocupam seu cérebro e, conforme a pessoa pensa muito sobre eles, maior a chance de
sua energia, dos recursos intelectuais e motivacionais da pessoa se esgotarem.
Por outro lado, Wagner explica que guardar segredo não gera nenhum compromisso para a mente. No entanto,
o problema aparece quando a pessoa começa a se questionar se ela deve ou não espalhar a informação, porque isso
gera um desgaste mental.
Mas e a fofoca negativa?
O estudo de Staffordshire afirma que mesmo este tipo de fofoca tem os seus benefícios, por exemplo: seja bem
ou mal, a fofoca faz com que as pessoas se sintam mais próximas e unidas, aumentando assim o sentimento de “apoio”
ou “pertencimento social”.
“A fofoca é responsável pelo nosso desenvolvimento, porque quando fofocamos nós construímos imagens na
nossa mente. O ser humano com a fofoca ele inventa, então a partir do momento que eu invento uma histó ria, isso vai
fazendo com que a sociedade se desenvolva. É por isso que gera essa sensação de pertencimento social”, explicou
Wagner.
“Por exemplo, se eu trabalho em algum lugar, é importante que eu saiba quem gosta de quem, quem não gosta
de quem, quem está querendo quem, quem sai com quem…Todas essas informações servem pra que eu vá me
agrupando às pessoas de forma que eu possa ter sucesso. Então na nossa sociedade, a fofoca é muito importante como
construção dos grupos sociais”, continuou.
Além disso, a fofoca gera sensação de alívio, como se um peso estivesse saindo das costas da pessoa,
principalmente se vier gerando uma mobilização positiva. Como por exemplo, ajudar terceiros ou avisá-los de algum
“perigo”, ou até como forma de desabafo.
Claro, uma fofoca negativa, falando mal sobre alguém, não é algo legal de se fazer, e com certeza não fará
ninguém se sentir melhor em relação a si mesmo como uma “fofoca boa” pode fazer. Porém, em questõ es sociais, ela
pode fazer as pessoas se sentirem menos solitárias.
(Publicado no site da FOLHA BV, em 21/10/2022. Disponível em
https://www.folhabv.com.br/variedades/entretenimento/fofoca-e-importante-para-construcao-de-grupos-sociais-diz-especialista/)
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A questão se refere ao texto abaixo:

Fofoca é importante para construção de grupos sociais, diz especialista
Provavelmente, em algum momento da sua vida, você já fez ou ouviu uma fofoca. Sabe aquela fofoquinha
aleatória, inocente e principalmente quando fala de alguém positivamente? Então, ela faz bem para sua saúde.
A fofoca costuma ser considerada um tabu social, mas o psicólogo Wagner Costa, especializado em psicologia
positiva e mestre em ciências da saúde, diz que ela pode ser benéfica. Segundo ele, a fofoca facilita as conexões sociais
e permite que você aprenda sobre o mundo por meio das experiências de outras pessoas.
O especialista diz que fofocar cria uma “realidade compartilhada”, na qual amigos e colegas frequentemente se
unem, formam alianças, compartilham informações pessoais e discutem o comportamento de outras pessoas para
alcançar ações socialmente aceitáveis.
“A partir do momento que eu estou comentando sobre a vida de alguém positivamente, isso também gera em
mim e em quem está escutando emoções positivas. As emoções positivas no corpo funcionam como um relaxamento
e geram bem-estar, por isso que a gente se sente bem ao fofocar”, comentou.
Um estudo da Universidade de Staffordshire, no Reino Unido, diz que guardar um segredo tem efeito similar a
carregar peso em excesso por muito tempo, e pode, aos poucos, destruir a energia do corpo. Segundo os cientistas, os
segredos e “notícias surpresas” ocupam seu cérebro e, conforme a pessoa pensa muito sobre eles, maior a chance de
sua energia, dos recursos intelectuais e motivacionais da pessoa se esgotarem.
Por outro lado, Wagner explica que guardar segredo não gera nenhum compromisso para a mente. No entanto,
o problema aparece quando a pessoa começa a se questionar se ela deve ou não espalhar a informação, porque isso
gera um desgaste mental.
Mas e a fofoca negativa?
O estudo de Staffordshire afirma que mesmo este tipo de fofoca tem os seus benefícios, por exemplo: seja bem
ou mal, a fofoca faz com que as pessoas se sintam mais próximas e unidas, aumentando assim o sentimento de “apoio”
ou “pertencimento social”.
“A fofoca é responsável pelo nosso desenvolvimento, porque quando fofocamos nós construímos imagens na
nossa mente. O ser humano com a fofoca ele inventa, então a partir do momento que eu invento uma histó ria, isso vai
fazendo com que a sociedade se desenvolva. É por isso que gera essa sensação de pertencimento social”, explicou
Wagner.
“Por exemplo, se eu trabalho em algum lugar, é importante que eu saiba quem gosta de quem, quem não gosta
de quem, quem está querendo quem, quem sai com quem…Todas essas informações servem pra que eu vá me
agrupando às pessoas de forma que eu possa ter sucesso. Então na nossa sociedade, a fofoca é muito importante como
construção dos grupos sociais”, continuou.
Além disso, a fofoca gera sensação de alívio, como se um peso estivesse saindo das costas da pessoa,
principalmente se vier gerando uma mobilização positiva. Como por exemplo, ajudar terceiros ou avisá-los de algum
“perigo”, ou até como forma de desabafo.
Claro, uma fofoca negativa, falando mal sobre alguém, não é algo legal de se fazer, e com certeza não fará
ninguém se sentir melhor em relação a si mesmo como uma “fofoca boa” pode fazer. Porém, em questõ es sociais, ela
pode fazer as pessoas se sentirem menos solitárias.
(Publicado no site da FOLHA BV, em 21/10/2022. Disponível em
https://www.folhabv.com.br/variedades/entretenimento/fofoca-e-importante-para-construcao-de-grupos-sociais-diz-especialista/)
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Assinale corretamente o osso longo e grande que possui
função de transmitir força mecânica.
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O osso considerado como o “joelho do cachorro”, é
chamado de:
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