O processo educacional escolar deve cumprir a finalidade de formação do ser a partir da concepção do estudante
como sujeito em permanente relação com outros sujeitos, nos diversos espaços e ambientes sociais, inclusive na
própria escola. Estar em relação como os outros é desenvolver, necessariamente, atitudes que devem ser
preservadas e/ou mudadas de acordo com as circunstâncias, o ambiente e o tempo. Na prática educacional, é de
suma importância a ação dos professores na construção das atitudes. A esse respeito, McFarland (1977) observa
que “estamos todos preocupados com atitudes mútuas, mas pessoas como professores, políticos, agentes de
publicidade e os de vendas têm um envolvimento profissional mais sistemático com mudança de atitude. Os
professores devem levar em consideração as atitudes do aprendiz, e, se necessário, construir novas atitudes em
seus alunos ou estudantes, porque estas são consideradas intrinsecamente desejáveis – tais como atitudes de
racionalidade, benevolência ou autoaperfeiçoamento. E têm de considerar a significação de criadores-de-atitudes
rivais – o lar, o grupo de iguais ou os veículos de comunicação em massa. Estas preocupações práticas tornam
razoável examinar o que se quer dizer por atitudes e o que é conhecido a respeito”. Como categoria de análise da
psicologia social, assinale a alternativa CORRETA sobre atitude.
Todo processo de aprendizagem no âmbito escolar se pauta em objetivos, métodos e técnicas para garantir a
apreensão do conteúdo de cada disciplina. Por mais que o Ensino Religioso tenha um caráter subjetivo, partindo do
princípio da fé, enquanto disciplina curricular deve trabalhar com teorias e fundamentos teológicos e científicos.
Evidentemente, isso não anula a perspectiva de reflexão e de multidisciplinaridade que coloca o Ensino Religioso
numa relação com a filosofia, a ética, a política, a história, a geografia, a sociologia e a psicologia, sem esquecer da
arte e da estética. A educação no Brasil tem sido analisada e avaliada como ineficaz, como produtora de resultados
negativos e em crise pedagógica revelada, especialmente, pelo “fracasso escolar”. O que se verifica na realidade do
cotidiano escolar é o desinteresse do aprendiz, cada vez mais crescente em termos estatísticos. Há aí uma
necessidade de motivação? Sem dúvida, há. Em “Teoria psicológica & prática educacional”, McFarland, ao abordar o
subtema “aprendizagem e motivação”, afirma que “motivação, aprendizagem, inteligência e memória são parecidas
pelo menos quanto a um aspecto. Sua compreensão apropriada depende da consideração do que significam, tanto
quanto do estudo de quaisquer dados experimentais acerca de como operam, como funções psicológicas. Isto pode
parecer óbvio, quando afirmado em tantas palavras, mas é muito menos óbvio quando se sabe como muitas pessoas
tratam esses conceitos como entidades distintas e quase como entidades físicas. De fato, os conceitos se
sobrepõem consideravelmente e os dados a respeito das funções envolvidas requerem apreciação sutil.” Nesse
contexto, qual das considerações que McFarland faz em relação à motivação e ao reforço para a aprendizagem
corresponde à sua tese?
Da Idade Moderna para a Contemporaneidade, assiste-se a paradoxal existência do homem que se movimenta entre
uma “evolução científica e tecnológica” (especialmente marcada pelo “progresso positivista”), a qual pressupõe uma
evolução também ontológica e a barbárie, a incivilidade e a crise de identidade do ser. Nesse contexto, considera-se
a crise de identidade do ser como crise de identidade da religião e do próprio Deus, como referência do ser do
homem. Na atualidade, torna-se visível que as religiões atuam muito mais como mero e útil psicologismo do que de
fato como religiosidade garantidora da revelação do Divino. Há um afastamento das igrejas e das religiões. Tal
distanciamento é notório no ambiente escolar, no esvaziamento de sentido da própria disciplina de Ensino Religioso,
configurando um estado de conflito na finalidade educacional de uma formação ontológica. Sobre isso, Lukács
escreve, em “Para uma ontologia do ser social I”, que “a desmitologização da Bíblia quer resolver tais conflitos. E o
faz à medida que Bultmann aplica o método ontológico de Heidegger aos conteúdos bíblicos e, com auxílio, procura
diferenciar, nos conteúdos religiosos, o ‘eterno’ do puramente histórico-temporal. Trata-se – teologicamente falando –
do que constitui o verdadeiro conteúdo da revelação e do que é historicamente condicionado, acessório
historicamente transitório. O leitor imparcial dessa discussão iniciada de maneira consideravelmente acirrada ficará
surpreso, antes de tudo, com a similitude entre a determinação de revelação de Bultmann e a de Jaspers”. Desse
modo, em tempos de crises políticas, sociais, culturais, econômicas, étnicas e éticas, a religião da revelação não
escapa à sua própria crise. Em relação à concepção do fenômeno da revelação como paradigma de uma ética
ontológica da religião, Lukacs afirma que:
Em sua obra “Sociologia da religião”, o sociólogo português Joaquim Costa, de forma resumida, porém fiel às teses,
escreve sobre as principais teorias sociológicas acerca da religião. A sua abordagem engloba autores clássicos da
sociologia que se dedicaram à análise filosófico-científica da religião e força influente na história humana. Costa
descortina temas e tópicos essenciais da sociologia da religião em Marx, Engels, Durkheim, Weber e Bourdieu. Com
importância acadêmica para os processos de formação dos cientistas da religião, cientistas sociais, cientistas
políticos, filósofos e a ética dos tempos modernos e na contemporaneidade, o autor, de forma objetiva e profunda,
apresenta autorias teóricas. Qual das alternativas a seguir apresenta uma correspondência CORRETA entre a
definição ou concepção de religião e o seu respectivo autor/pensador?
Considerando as definições das citações em relação à religiosidade, qual das conclusões de Valle a seguir
corresponde a um processo pedagógico formal do ensino religioso?
INSTRUÇÃO: Analise o trecho a seguir para responder a esta questão.
Em “O espectro disciplinar da ciência da religião”, ao escrever sobre a psicologia da religião, Edênio Valle
traz as seguintes citações, ao se referir à religião e à religiosidade: “[...] é um conjunto orientado e
estruturado de sentimentos e pensamentos, através dos quais o homem e a sociedade tomam
consciência vital do seu ser íntimo e último e, simultaneamente, tornam aí presente o poder divino [...]”
(VERGOTE, p. 25); “[...] é religioso tudo o que para os seres humanos encerra uma relação a algo que
ultrapassa o humano, prescindindo-se dos modos concretos pelos quais o religioso pode ser concebido e
experimentado [...]” (FILORAMO, p. 403) e, ainda, “[...] a religião é um fato humano complexo e
específico: um conjunto de sistemas de crenças, de práticas, de símbolos e de estruturas sociais através
do qual o homem, de acordo com as diferentes épocas e culturas, vive sua relação específica com um
mundo específico: o mundo do sagrado. Este fato caracteriza-se por sua complexidade – nele são postos
em movimento todos os níveis da consciência humana – e pela intervenção nele de uma intenção
específica de referência a uma realidade superior, invisível, transcendente, misteriosa, da qual faz
depender o sentido último da vida [...]” (VELASCO, p. 75).
Tratando da existência de Deus em seu “Compêndio de teologia”, Tomás de Aquino segue o pensamento filosófico
de Aristóteles ao afirmar que “Deus é imóvel”, assim posto: “Daqui se infere ser necessário que o Deus que põe em
movimento todas as coisas é imóvel. Com efeito, por ser a primeira causa motora, se ele mesmo fosse movido, sê-lo-ia ou por si mesmo ou por outro. Deus não pode ser posto em movimento por outra causa motora, pois neste caso
haveria outra causa anterior a Ele, com o que já não seria Ele a primeira causa motora”.
Nessa perspectiva, São Tomás, alinhado ao pensamento aristotélico, reconhece, teologicamente, uma natureza
criada que tem um princípio causador de todo efeito e a imobilidade de Deus como “perfeição”. Fundamentando a
sua teologia, Aquino afirma, na sequência:
INSTRUÇÃO: Considere o trecho a seguir para responder a esta questão.
¹ No princípio criou Deus o céu e a terra. ² E a terra era sem forma e vazia; e havia trevas sobre a face do
abismo; e o Espírito de Deus se movia sobre a face das águas. ³ E disse Deus: Haja luz; e houve luz. E viu
Deus que era boa a luz; e fez Deus separação entre a luz e as trevas. E Deus chamou à luz Dia; e às
trevas chamou Noite. E foi a tarde e a manhã, o dia primeiro. E disse Deus: Haja uma expansão no meio
das águas, e haja separação entre águas e águas. E fez Deus a expansão, e fez separação entre as águas
que estavam debaixo da expansão e as águas que estavam sobre a expansão; e assim foi. E chamou
Deus à expansão Céus, e foi a tarde e a manhã, o dia segundo. E disse Deus: Ajuntem-se as águas
debaixo dos céus num lugar; e apareça a porção seca; e assim foi. ¹ E chamou Deus à porção seca Terra; e
ao ajuntamento das águas chamou Mares; e viu Deus que era bom. [...]
² E disse Deus: Façamos o homem à nossa imagem, conforme a nossa semelhança; e domine sobre os
peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre o gado, e sobre toda a terra, e sobre todo o réptil que se
move sobre a terra. ² E criou Deus o homem à sua imagem; à imagem de Deus o criou; homem e mulher os
criou. ² E Deus os abençoou, e Deus lhes disse: Frutificai e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e
dominai sobre os peixes do mar e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a
terra.
A teologia e os teólogos ainda afirmam que o começo de tudo e o princípio de todas as coisas está com e em Deus.
Na Grécia Antiga Clássica, encontramos o “primeiro motor imóvel” de Aristóteles como causa de todo princípio e de
toda a natureza. Diferentemente não foi com a “ideia absoluta” de Platão, no seu construto de um “mundo das ideias
perfeitas”, como não fora com o ápeiron que seria a causa originária de todos os seres materiais: esse termo grego
que indica o ilimitado, o infinito, uma realidade originária e indiferenciada, sem limites e sem fronteiras, “de onde
provêm todos os céus e os mundos neles contidos”. Hans Küng, constatando a preocupação de filósofos e teólogos
com o problema da origem desde a Antiguidade, afirma que “Um início que ultrapassa tempo e espaço pode ser
expresso pela palavra ‘origem’ (em latim, ‘origo’). Esta palavra lembra inicialmente a fonte ‘nascendo’ do chão, ou o
astro subindo do horizonte, mas logo ela se amplia para significar todo e qualquer ponto de partida, também no
sentido intelectual. É verdade que ‘origem’ não pode de antemão ser identificada com ‘criação’ nem com ‘criador’.
Nesse sentido, teólogos facilmente estão expostos a um curto-circuito. Seja como for, o pensamento filosófico
moderno, ao contrário do pensamento medieval ou reformador, já não pode simplesmente começar com Deus: ele
precisa começar ‘de baixo’. Para o pensamento moderno, o começo do conhecimento está na experiência do
homem”. Como, pois, provar a existência de Deus?. Assinale a alternativa que apresenta respostas apontadas por
Küng, em sua obra “O princípio de todas as coisas: ciências naturais e religião”, sobre esse questionamento.
Em pleno século XXI os povos e as sociedades continuam convivendo com intolerâncias de toda ordem. As religiões
não escapam aos comportamentos de intolerâncias individuais e coletivos. Em “Ciências das religiões: uma análise
transdisciplinar” (vol. 3), lê-se: “No final do século XX as ideias multiculturalistas discutem como podemos entender e
até resolver os problemas gerados pela heterogeneidade cultural, sexual, política, religiosa, étnico-racial,
comportamental, econômica, já que temos que conviver de alguma maneira (CANDAU, 2011; SILVA, 2011). [...] O
multiculturalismo, enquanto movimento teórico, é um meio de compreender os movimentos culturais que colocam em
choque algumas bases da sociedade ocidental, como a religião cristã e o casamento heterossexual. Falar em
multiculturalismo é falar em diferenças, identidades, grupos historicamente oprimidos que lutam pelo reconhecimento
de direitos e pelo combate à discriminação” (HANNA, 2015, grifo nosso). Partindo dessas visões e concepções
acerca das intolerâncias e do multiculturalismo como condição de compreensão dos movimentos culturais na
contemporaneidade, considera-se pertinente a declaração de Candau (2011, p. 54) ao escrever que “O
multiculturalismo intercultural, portanto, a nosso ver, é um ótimo percurso teórico para orientar as práticas de Ensino
Religioso uma vez que não propõe uma submissão a cultura/religião dominante e nem, muito menos, criar guetos
curriculares, ou seja, ensinar determinada religião apenas para o grupo que acredita nela, mas buscando a boa
convivência com a diversidade religiosa presente no ambiente escolar”. O autor da obra “Ciências das religiões: uma
análise transdisciplinar” faz as seguintes considerações em relação à instituição escolar, a saber:
A espécie humana, a priori, é a única na natureza que se relaciona com divindades. Essa relação estabelecida se
funda na necessidade de identidade de si do homem com o infinito, dado que a finitude o coloca diante da morte.
Nessa perspectiva, vê-se que desde os tempos mais remotos a humanidade busca constituir o sagrado concebendo
deuses e deusas, do mesmo modo concebendo espaços metafísicos, o que exigiu ao longo da sua história a
instituição de religiões e de seus rituais como forma de ligação da natureza humana com a “natureza” divina. Juan
Antônio Estrada, em sua obra “Deus nas tradições filosóficas: aporia e problemas da teologia natural” (vol. 1),
escreve que “[...] na realidade, a visão do divino está determinada pela consideração do mundano e do empírico, que
se nega e se supera desde o paradigma da compreensão do ser proposto por Parmênides [...]” e segue “Surge, aqui,
uma metafísica da necessidade que encerra em seu sistema Deus, ao mundo e ao homem com grandes
consequências para a posteridade da cultura ocidental. Por um lado, a imagem da divindade se define, em termos de
necessidade, imutabilidade e impassibilidade. Chega-se a Deus em conexão com o mundo”. Na sequência da sua
narrativa sobre os problemas da teologia natural, Estrada, em relação a Deus, argumenta que se trata de um
A bacia hidrográfica é estratégica na viabilização do transporte hidroviário, o qual tem baixo custo de fretes, logo é
ideal para a circulação de produtos de baixo valor agregado, como é o caso dos produtos agrícolas. Assim, como
uma alternativa aos terminais portuários de Santos (SP) e Paranaguá (PR), as empresas do agronegócio localizadas
no Brasil passaram a utilizar os terminais portuários nas cidades de Itaituba (PA), Santarém (PA), Barcarena (PA),
Santana (AP), Itacoatiara (AM) e Porto Velho (RO). Conforme o texto, as estruturas portuárias brasileiras utilizadas
pelas empresas do agronegócio para a movimentação de cargas de soja e milho se referem aos