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2997862
Ano: 2023
Disciplina: Administração Pública
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Disciplina: Administração Pública
Banca: IVIN
Orgão: Pref. Valença Piauí-PI
Provas:
- Governança, Governabilidade e AccountabilityGovernabilidade e Governança
- Governança, Governabilidade e AccountabilityAccountability
O pessoal lotado na Secretaria de Obras de um
determinado Município recebeu treinamento em um
final de semana com o tema “Ética profissional: a
importância da accountability”. De acordo com o
tema informado, assinale a alternativa correta:
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- Introdução à AdministraçãoAtribuições das Áreas de Gestão
- Gestão de Pessoas
- Gestão de ProcessosOrganizações, Sistemas e Métodos
- Gestão Estratégica
- PODC: Processo OrganizacionalProcesso Administrativo: OrganizaçãoEstrutura Organizacional
- Tomada de DecisãoConceitos e Métodos da Tomada de Decisão
Observe a descrição de cada pessoa nos itens
abaixo relacionada à empresa Imobiliária Arvoredo
e, em seguida, assinale a alternativa correta:
I. Yuri é recepcionista na sede da Arvoredo. II. Ticiana é corretora de imóveis contratada pela Arvoredo. III. Paulo adquiriu um terreno da Arvoredo. IV. Messias é fornecedor de material de expediente da Arvoredo. V. Cleonice ainda não adquiriu nada da Arvoredo, mas está tendente a fazê-lo em breve.
I. Yuri é recepcionista na sede da Arvoredo. II. Ticiana é corretora de imóveis contratada pela Arvoredo. III. Paulo adquiriu um terreno da Arvoredo. IV. Messias é fornecedor de material de expediente da Arvoredo. V. Cleonice ainda não adquiriu nada da Arvoredo, mas está tendente a fazê-lo em breve.
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Alcides é recepcionista do Gabinete do Prefeito
de seu Município. Uma das funções de Alcides é
emitir uma declaração de andamento dos
procedimentos em andamento no Gabinete do
Prefeito Municipal. Em um certo dia, Alcides recebeu
um ofício do Procurador do Município, solicitando
urgência na emissão de uma dessas declarações.
Alcides, então, prontamente fez o levantamento
necessário dos dados, redigiu o texto, anexou o
extrato e enviou para o Chefe de Gabinete assinar
digitalmente. Em menos de duas horas, a declaração
estava concluída, certificada e entregue à
Procuradoria do Município por meio digital, a fim de
economizar recursos e poupar tempo. Contudo, no
momento de realizar a juntada do documento ao
processo judicial, o Procurador percebeu que Alcides
havia emitido uma declaração completa e perfeita,
mas do andamento de um outro procedimento,
diferente do solicitado. Diante da situação narrada,
pode-se dizer que, no atendimento do ofício da
Procuradoria Municipal, Alcides foi:
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Em uma organização, o surgimento de conflitos
é facilitado pela existência anterior de algumas
condições. Acerca do tema, assinale a alternativa
correta:
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Suellen é secretária de uma clínica de exames
de sangue. Certo dia, dona Judite foi até o local e, ao
ser recebida por Suellen, reclamou que seus exames
haviam sido entregues trinta dias após a data
combinada. Suellen argumentou dizendo que os
resultados de dona Judite foram, na verdade, os
entregues mais rapidamente naquele ano, pois
aquele tipo específico de exames era de alta
complexidade e ainda havia pessoas esperando
receber seus resultados há mais de sessenta dias.
Dona Judite ficou sem saber o que falar, agradeceu e
foi embora. Observando a situação narrada e a fala
de Suellen em seu atendimento à dona Judite, podese perceber que a atendente utilizou uma barreira
de comunicação conhecida por:
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
Extraído de: https://www1.folha.uol.com.br/colunas/antonioprata/2023/10/os-vira-latas-de-tiradentes.shtml
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Os vira-latas de Tiradentes
1 Anos atrás não havia problema em não curtir cachorro. Era como não comer jiló ou não jogar gamão. Gosto
pessoal. Hoje, sou visto quase como um pária por não achar graça em interagir com quadrúpedes, em ter as
costas das mãos babadas ou a blusa tatuada por patas de cães desconhecidos. Creem que seja falta de
empatia — e provavelmente acham que, na etimologia de "empatia", esteja a palavra "pata".
2 Numa das últimas eleições havia um candidato a deputado que propunha destinar verbas do SUS para
cachorros. Todos sabemos que as verbas públicas são finitas. Falta dinheiro pra tudo, inclusive pra saúde. Dar
dinheiro do SUS pra tratar sarna de um basset significa, portanto, tirar dinheiro de gente. O que estava por
trás da proposta — nem tão por trás, na verdade — era que entre uma pessoa e um cachorro, devemos optar
pelo cachorro.
3 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que explique o fenômeno, mas acredito que haja uma ligação direta
entre o esgarçamento dos laços sociais e a ascensão dos lulus-da-pomerânia. Culpamos Zuckerberg por tudo,
mas há de se considerar que parte da responsabilidade pelo murundu contemporâneo seja da Cobasi.
4 No meu bairro, onde 20 anos atrás havia duas videolocadoras excelentes, agora há dois pet shops — e
ninguém vai me convencer de que trocar Fellini por Royal Canin faz da Terra um lugar melhor. São quase
antípodas, o cinema e o totó. O primeiro nos faz refletir sobre o mundo, problematiza a realidade, traz uma
questão para o nosso sábado à noite. O segundo é um red-bull do narcisismo, um viés de confirmação para
nossa estropiada autoestima.
5 Vira-latas, porém, são outra história. Estou há dois dias em Tiradentes para participar da FLITI, uma feira
literária. De longe admiro, trupicando pelo calçamento de pedras, entre os sobrados centenários, velhos ídolos
da pena. Nestas últimas 48 horas, porém, tenho idolatrado mesmo é a turma dos cachorros.
6 Um bando de vira-latas está para os bichos de estimação como o bando de Lampião está para uma reunião de
condomínio. Tô nem aí pra bicho de estimação. Sou fã dos cachorros de Tiradentes. Ontem à tarde
estavam Reinaldo Moraes e Bob Wolfenson no meio da maior discussão sobre o erotismo na fotografia e na
literatura, um vira-latas caramelo adentrou o palco na maior malemolência, parou na frente dos dois e passou
a lamber suas partes íntimas.
7 Ninguém se incomoda com eles — e por que deveríamos? Sabemos — e eles, mais ainda— que são os donos
da cidade. Aquele filho de pastor com fox paulistinha é um barão, você pensa. O salsicha com boxer é
visconde. O supracitado caramelo, de raça indefinida, manco, certamente é um conde — se fosse ser humano,
usaria uma bengala de ouro e marfim.
8 Ainda não li nenhuma obra de sociologia que trate do assunto, mas acredito que haja uma ligação direta e
inversa entre as redes sociais e os vira-latas. Eles são uma espécie de anti-Instagram. A expressão física do
#nofilter. Um aprazível #TBT todos os dias da semana.
9 Ontem de madrugada, chegando de uma festa — sob o mesmo teto em que, há uns 150 anos,
provavelmente, Joaquim José da Silva Xavier trocou suas inconfidências — avistei o vira-latas caramelo. A rua
estava vazia. Só uma cigarra, distante, quebrava o silêncio. Ao nos cruzarmos eu disse "boa-noite". Ele, sem
nem me olhar, abanou o rabo. Dormi o sono dos justos, recém-intitulado grão-duque de São José do Rio das
Mortes, capitania de Minas Gerais, reino de Portugal.
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