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Leia o texto a seguir para responder à questão.


Meu coração
          No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
        Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
       Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
         — É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
        Meu coração não quis acreditar.
        — Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
        — Brasil.
     — Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
        — É...
        — Você sabia disso quando me trouxe para cá?
        — Sabia.
       — Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
       — Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
    — Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
       — Aí decidem nos pênaltis.
    — Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
       — Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
       — Quase aconteceu contra a Dinamarca!
       — É, mas...
       — Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
O advérbio que melhor substitui “deliberadamente”, em “— Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso?”, é:
 

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Meu coração
          No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
        Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
       Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
         — É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
        Meu coração não quis acreditar.
        — Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
        — Brasil.
     — Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
        — É...
        — Você sabia disso quando me trouxe para cá?
        — Sabia.
       — Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
       — Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
    — Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
       — Aí decidem nos pênaltis.
    — Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
       — Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
       — Quase aconteceu contra a Dinamarca!
       — É, mas...
       — Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
O excerto a seguir cuja colocação pronominal está incorreta, de acordo com a norma-padrão da língua portuguesa, é:
 

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Meu coração
          No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
        Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
       Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
         — É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
        Meu coração não quis acreditar.
        — Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
        — Brasil.
     — Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
        — É...
        — Você sabia disso quando me trouxe para cá?
        — Sabia.
       — Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
       — Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
    — Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
       — Aí decidem nos pênaltis.
    — Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
       — Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
       — Quase aconteceu contra a Dinamarca!
       — É, mas...
       — Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Analise as sentenças a seguir, retiradas do texto:

I. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele [...]
II. [...] desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha.
III. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações.

O pronome pessoal “ele” é empregado como oblíquo apenas em:
 

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Meu coração
          No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
        Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
       Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
         — É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
        Meu coração não quis acreditar.
        — Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
        — Brasil.
     — Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
        — É...
        — Você sabia disso quando me trouxe para cá?
        — Sabia.
       — Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
       — Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
    — Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
       — Aí decidem nos pênaltis.
    — Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
       — Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
       — Quase aconteceu contra a Dinamarca!
       — É, mas...
       — Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
Considere o seguinte excerto: “Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.” O pronome relativo empregado neste excerto retoma no texto o termo antecedente:
 

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Meu coração
          No fim, desculpe a literatura, é tudo entre nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito, depois da paixão e da razão, depois da vida das células e da vida social e da vida cívica e das idas e das voltas, e da História e da biografia, e do que os outros fizeram conosco e nós fizemos com os outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós e ele. A única conversa que vale, a única intimidade que conta. O coração não tem nada a ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa, se não dependesse de nós, se não precisasse da embalagem, dos terminais e de alguém que cuide dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero músculo, e de um músculo egoísta, que só quer saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por uma cruel coincidência, depende a nossa.
        Fala-se do “time do coração”. Mentira. O coração não tem time. O coração não se interessa por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele, desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
       Meu coração não quis ouvir falar da beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso estético. Quis saber que história era aquela de morte súbita.
         — É uma maneira nova de decidir as partidas que acabam empatadas. Há uma prorrogação e quem marcar o primeiro gol ganha.
        Meu coração não quis acreditar.
        — Quer dizer que, se esse time pelo qual você torce, como é mesmo o nome?
        — Brasil.
     — Quer dizer que, se o Brasil empatar com algum outro time, tem prorrogação com morte súbita?
        — É...
        — Você sabia disso quando me trouxe para cá?
        — Sabia.
       — Você deliberadamente me trouxe a um evento em que eu posso parar de repente, mesmo não tendo nada a ver com isso? Não era para ser um campeonato de futebol, um esporte, um divertimento, enfim, nada que me dissesse respeito?
       — Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo distanciamento crítico, mas...
    — Só me diz uma coisa. Se a prorrogação terminar sem que ninguém marque gol, o que acontece?
       — Aí decidem nos pênaltis.
    — Me leva pra casa. Me leva pra casa imediatamente. E pare de me envolver nos seus divertimentos. Você parece que não tem coração.
       — Mas nada disso vai acontecer com o Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
       — Quase aconteceu contra a Dinamarca!
       — É, mas...
       — Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
O texto é marcado pela figura de linguagem:
 

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Uma fórmula no Microsoft Excel é uma sequência de valores constantes, referências de células (o endereço da célula), nomes, funções ou operadores que produzem um novo valor a partir dos valores existentes. As fórmulas sempre começam com um sinal de:
 

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