Foram encontradas 50 questões.
Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre
nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito,
depois da paixão e da razão, depois da vida das
células e da vida social e da vida cívica e das idas
e das voltas, e da História e da biografia, e do que
os outros fizeram conosco e nós fizemos com os
outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós
e ele. A única conversa que vale, a única
intimidade que conta. O coração não tem nada a
ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua
fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa,
se não dependesse de nós, se não precisasse da
embalagem, dos terminais e de alguém que cuide
dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico
ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero
músculo, e de um músculo egoísta, que só quer
saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por
uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O
coração não tem time. O coração não se interessa
por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu
conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou
qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele,
desde que ele tenha um lugar seguro onde possa
bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele
se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o
tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o
Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da
beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso
estético. Quis saber que história era aquela de
morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as
partidas que acabam empatadas. Há uma
prorrogação e quem marcar o primeiro gol
ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual
você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar
com algum outro time, tem prorrogação com
morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe
para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um
evento em que eu posso parar de repente, mesmo
não tendo nada a ver com isso? Não era para ser
um campeonato de futebol, um esporte, um
divertimento, enfim, nada que me dissesse
respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo
distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação
terminar sem que ninguém marque gol, o que
acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa
imediatamente. E pare de me envolver nos seus
divertimentos. Você parece que não tem
coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o
Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
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Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre
nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito,
depois da paixão e da razão, depois da vida das
células e da vida social e da vida cívica e das idas
e das voltas, e da História e da biografia, e do que
os outros fizeram conosco e nós fizemos com os
outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós
e ele. A única conversa que vale, a única
intimidade que conta. O coração não tem nada a
ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua
fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa,
se não dependesse de nós, se não precisasse da
embalagem, dos terminais e de alguém que cuide
dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico
ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero
músculo, e de um músculo egoísta, que só quer
saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por
uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O
coração não tem time. O coração não se interessa
por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu
conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou
qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele,
desde que ele tenha um lugar seguro onde possa
bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele
se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o
tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o
Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da
beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso
estético. Quis saber que história era aquela de
morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as
partidas que acabam empatadas. Há uma
prorrogação e quem marcar o primeiro gol
ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual
você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar
com algum outro time, tem prorrogação com
morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe
para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um
evento em que eu posso parar de repente, mesmo
não tendo nada a ver com isso? Não era para ser
um campeonato de futebol, um esporte, um
divertimento, enfim, nada que me dissesse
respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo
distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação
terminar sem que ninguém marque gol, o que
acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa
imediatamente. E pare de me envolver nos seus
divertimentos. Você parece que não tem
coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o
Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
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Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre
nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito,
depois da paixão e da razão, depois da vida das
células e da vida social e da vida cívica e das idas
e das voltas, e da História e da biografia, e do que
os outros fizeram conosco e nós fizemos com os
outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós
e ele. A única conversa que vale, a única
intimidade que conta. O coração não tem nada a
ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua
fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa,
se não dependesse de nós, se não precisasse da
embalagem, dos terminais e de alguém que cuide
dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico
ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero
músculo, e de um músculo egoísta, que só quer
saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por
uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O
coração não tem time. O coração não se interessa
por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu
conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou
qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele,
desde que ele tenha um lugar seguro onde possa
bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele
se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o
tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o
Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da
beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso
estético. Quis saber que história era aquela de
morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as
partidas que acabam empatadas. Há uma
prorrogação e quem marcar o primeiro gol
ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual
você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar
com algum outro time, tem prorrogação com
morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe
para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um
evento em que eu posso parar de repente, mesmo
não tendo nada a ver com isso? Não era para ser
um campeonato de futebol, um esporte, um
divertimento, enfim, nada que me dissesse
respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo
distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação
terminar sem que ninguém marque gol, o que
acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa
imediatamente. E pare de me envolver nos seus
divertimentos. Você parece que não tem
coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o
Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
I. Paris, Nantes, Marselha ou qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele [...]
II. [...] desde que ele tenha um lugar seguro onde possa bater e cuidar da sua vidinha.
III. Mas de repente ele se deu conta e pediu satisfações.
O pronome pessoal “ele” é empregado como oblíquo apenas em:
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Meu coração
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nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito,
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células e da vida social e da vida cívica e das idas
e das voltas, e da História e da biografia, e do que
os outros fizeram conosco e nós fizemos com os
outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós
e ele. A única conversa que vale, a única
intimidade que conta. O coração não tem nada a
ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua
fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa,
se não dependesse de nós, se não precisasse da
embalagem, dos terminais e de alguém que cuide
dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico
ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero
músculo, e de um músculo egoísta, que só quer
saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por
uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O
coração não tem time. O coração não se interessa
por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu
conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou
qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele,
desde que ele tenha um lugar seguro onde possa
bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele
se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o
tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o
Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da
beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso
estético. Quis saber que história era aquela de
morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as
partidas que acabam empatadas. Há uma
prorrogação e quem marcar o primeiro gol
ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual
você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar
com algum outro time, tem prorrogação com
morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe
para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um
evento em que eu posso parar de repente, mesmo
não tendo nada a ver com isso? Não era para ser
um campeonato de futebol, um esporte, um
divertimento, enfim, nada que me dissesse
respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo
distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação
terminar sem que ninguém marque gol, o que
acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa
imediatamente. E pare de me envolver nos seus
divertimentos. Você parece que não tem
coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o
Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
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Leia o texto a seguir para responder à questão.
Meu coração
No fim, desculpe a literatura, é tudo entre
nós e o nosso coração. Depois do dito e do feito,
depois da paixão e da razão, depois da vida das
células e da vida social e da vida cívica e das idas
e das voltas, e da História e da biografia, e do que
os outros fizeram conosco e nós fizemos com os
outros, é tudo entre nós e ele. Segundos fora. Nós
e ele. A única conversa que vale, a única
intimidade que conta. O coração não tem nada a
ver com nada, fora a sístole e a diástole e a sua
fisiologia medíocre. Ele nem nos daria conversa,
se não dependesse de nós, se não precisasse da
embalagem, dos terminais e de alguém que cuide
dele. Tudo que lhe atribuem, do mais romântico
ao mais calhorda, é falso. Trata-se de um mero
músculo, e de um músculo egoísta, que só quer
saber da sua própria sobrevivência. Da qual, por
uma cruel coincidência, depende a nossa.
Fala-se do “time do coração”. Mentira. O
coração não tem time. O coração não se interessa
por futebol. Só hoje, por exemplo, o meu se deu
conta de onde estava. Paris, Nantes, Marselha ou
qualquer outra cidade, é tudo o mesmo para ele,
desde que ele tenha um lugar seguro onde possa
bater e cuidar da sua vidinha. Mas de repente ele
se deu conta e pediu satisfações. Para onde eu o
tinha trazido? Expliquei. A França, a Copa, o
Brasil, os jogos, a beleza dos jogos...
Meu coração não quis ouvir falar da
beleza dos jogos. Ele não tem nenhum senso
estético. Quis saber que história era aquela de
morte súbita.
— É uma maneira nova de decidir as
partidas que acabam empatadas. Há uma
prorrogação e quem marcar o primeiro gol
ganha.
Meu coração não quis acreditar.
— Quer dizer que, se esse time pelo qual
você torce, como é mesmo o nome?
— Brasil.
— Quer dizer que, se o Brasil empatar
com algum outro time, tem prorrogação com
morte súbita?
— É...
— Você sabia disso quando me trouxe
para cá?
— Sabia.
— Você deliberadamente me trouxe a um
evento em que eu posso parar de repente, mesmo
não tendo nada a ver com isso? Não era para ser
um campeonato de futebol, um esporte, um
divertimento, enfim, nada que me dissesse
respeito?
— Desculpe. Eu tentei substituí-lo pelo
distanciamento crítico, mas...
— Só me diz uma coisa. Se a prorrogação
terminar sem que ninguém marque gol, o que
acontece?
— Aí decidem nos pênaltis.
— Me leva pra casa. Me leva pra casa
imediatamente. E pare de me envolver nos seus
divertimentos. Você parece que não tem
coração.
— Mas nada disso vai acontecer com o
Brasil. Prorrogação, pênaltis, nada disso.
— Quase aconteceu contra a Dinamarca!
— É, mas...
— Me tira daqui!
VERISSIMO, L. F. Verissimo antológico: meio século de
crônicas, ou coisa parecida. São Paulo: Objetiva, 2020.
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Uma fórmula no Microsoft Excel é uma
sequência de valores constantes, referências de
células (o endereço da célula), nomes, funções ou
operadores que produzem um novo valor a partir
dos valores existentes. As fórmulas sempre
começam com um sinal de:
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Utilizando o Microsoft Word para edição e
formatação de textos, o atalho de teclado
Ctrl+Alt+Z tem a função de:
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Dentre as opções a seguir, qual representa um
navegador amplamente utilizado para acessar e
interagir com conteúdo da internet?
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O Windows dispõe de ferramentas que auxiliam na interação do usuário com os recursos do sistema. O facilitador em destaque na imagem acima, que pode ser encontrado na parte inferior da área de trabalho, na barra de tarefas, tem como principal função:
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A área de trabalho é a principal área exibida na
tela quando você liga o computador e faz logon
no Windows. Nela, é possível criar novos itens,
como:
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