Foram encontradas 60 questões.
Dopamina: por que busca desenfreada por
estímulos pode tirar satisfação da vida
Shin Suzuki
[...] Para a psiquiatra norte-americana Anna
Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em
compras online, por exemplo – instantes usando o
celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
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estímulos pode tirar satisfação da vida
Shin Suzuki
[...] Para a psiquiatra norte-americana Anna
Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em
compras online, por exemplo – instantes usando o
celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
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Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em
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celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
( ) No trecho “A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é conhecida erroneamente como ‘hormônio do prazer’.”, as vírgulas foram usadas para isolar uma expressão com função explicativa.
( ) Em “Lembke trata na clínica em Stanford casos graves de abusos de substâncias [...]”, o trecho destacado poderia estar isolado por vírgulas, sem prejuízo gramatical.
( ) No trecho “[...] se o nível de dopamina foi para as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da balança.”, a vírgula empregada tem uso facultativo nesse caso.
( ) No trecho “Essencialmente, é a dopamina em queda livre [...]”, a vírgula empregada tem uso obrigatório nesse caso.
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Dopamina: por que busca desenfreada por
estímulos pode tirar satisfação da vida
Shin Suzuki
[...] Para a psiquiatra norte-americana Anna
Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em
compras online, por exemplo – instantes usando o
celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
“A dopamina, no entanto, é uma molécula fundamental em um processo maturado durante milhões de anos de evolução: o corpo instintivamente evita a dor”.
A expressão destacada no excerto apresentado pode ser substituída, sem prejuízo de sentido, pelos seguintes conectivos, EXCETO
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estímulos pode tirar satisfação da vida
Shin Suzuki
[...] Para a psiquiatra norte-americana Anna
Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em
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celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
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estímulos pode tirar satisfação da vida
Shin Suzuki
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celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
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celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Dopamina: por que busca desenfreada por
estímulos pode tirar satisfação da vida
Shin Suzuki
[...] Para a psiquiatra norte-americana Anna
Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em
compras online, por exemplo – instantes usando o
celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Dopamina: por que busca desenfreada por
estímulos pode tirar satisfação da vida
Shin Suzuki
[...] Para a psiquiatra norte-americana Anna
Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em
compras online, por exemplo – instantes usando o
celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
Provas
Questão presente nas seguintes provas
Dopamina: por que busca desenfreada por
estímulos pode tirar satisfação da vida
Shin Suzuki
[...] Para a psiquiatra norte-americana Anna
Lembke, seja em redes sociais, seja em jogos ou em
compras online, por exemplo – instantes usando o
celular vêm permeando a vida moderna de um modo
excessivo e contribuindo para uma constante
sensação de insatisfação, em que picos de
empolgação ficam cada vez mais raros. [...]
A dopamina, mensageiro químico do cérebro, é
conhecido erroneamente como “hormônio do prazer”.
Na realidade, suas características estão ligadas à
motivação ou estímulo reforçador, com destacada
atuação no sistema de recompensa cerebral. A
sensação de prazer tem outros componentes
químicos envolvidos. A dopamina, no entanto, é uma
molécula fundamental em um processo maturado
durante milhões de anos de evolução: o corpo
instintivamente evita a dor. Procura o oposto.
“Quando a dopamina é liberada e seus níveis sobem
em resposta a algo que ingerimos ou fizemos, o corpo
sente prazer, recompensa, euforia. E, então, claro,
nós sempre estamos buscando recriar essa
sensação”, diz Lembke em entrevista à BBC News
Brasil.
[...] Mas o nosso organismo sempre tenta
restabelecer um equilíbrio interno, chamado de
homeostase. Ou seja, se o nível de dopamina foi para
as alturas, o corpo tenta compensar o outro lado da
balança. “É aquela ‘descida’ após qualquer
experiência prazerosa. Às vezes essa descida ocorre
de forma óbvia, como a ressaca depois de uma
bebedeira, mas outras vezes é muito mais sutil”, diz a
psiquiatra. “Essencialmente, é a dopamina em queda
livre, que não volta apenas a níveis basais, mas cai
para abaixo deles. Então, para cada prazer, há um
custo. E o custo é uma sensação temporária da
abstinência de uma substância. Algo universalmente
traduzido em ansiedade, irritabilidade, depressão e
fissura pela droga de preferência”.
[...] Lembke trata na clínica em Stanford casos
graves de abusos de substâncias ou de dependência
em sexo ou apostas, mas observa que os atrativos
surgidos com a internet e a tecnologia digital
massificaram e banalizaram a dinâmica dos disparos
de dopamina e da compulsão. Ela acredita que todos
nós podemos aprender com casos graves de
dependência, “versões extremas do que todos nós
somos capazes”. “A riqueza, a abundância e a
tecnologia da nossa época fazem com que quase
toda experiência humana tenha o potencial de vício,
de uma droga. As mídias sociais são conexão
humana em forma de droga. O que torna algo
viciante? Algo que dispara dopamina no sistema de
recompensa do cérebro de forma rápida”, diz ela. “E
nós temos acesso fácil, quantidade ilimitada, grande
potência e novidades ilimitadas. A dopamina
responde a todas essas condições”.
[...] A psiquiatra da Universidade Stanford acredita
que a ideia de eliminar a dor a qualquer custo como
paradigma trouxe desvantagens para a sociedade.
Lembke se refere tanto à fuga automática de
desconfortos como o tédio e a monotonia quanto ao
uso indiscriminado de medicamentos para combater a
dor – algo que teve grande papel na crise dos
opioides, que vitimou centenas de milhares de
norte-americanos nas últimas décadas.
“Evitar a dor nos priva de experiências que
constroem os calos mentais para encarar desafios
futuros. E eu falo de dor de uma forma ampla:
emocional, espiritual, todos os diferentes tipos de
sofrimento físico e psicológico”.
Lembke explica que a retomada do contato com o
desconforto é exemplificada por algo frugal: a terapia
do banho gelado (e, de fato, pesquisas sugerem
benefícios da água fria não só para melhorar a
circulação, mas também para aliviar depressão).
[...] Mas uma pergunta paira: não será justamente a
vida moderna, com toda a sua pressão e desafios,
que impõe peso sobre todos que a habitam e dessa
forma precisamos de algo para sanar essas dores?
Ela responde: “Eu concordo que nós vivemos em
um mundo muito estranho e em uma época muito
estranha, e que a vida em tempos modernos é difícil
por razões paradoxais”.
“Acho que medicamentos psicotrópicos têm
representado uma maneira para nos adaptar a um
mundo para o qual a nossa evolução ainda não
chegou. Mas, em geral, eu acho que esses remédios
são prescritos de forma excessiva, sem o
reconhecimento de seus lados negativos, incluindo o
potencial para se viciar ou nos privar de sentir as
intensas emoções que nos tornam humanos."
"A sugestão é que, em vez de usar medicamentos
para nos adaptar a esse novo mundo, tentemos
mudar as nossas experiências nele”.
Adaptado de: https://www.bbc.com/portuguese/internacional61303597. Acesso em: 17 fev. 2025.
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