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Foram encontradas 40 questões.

2093663 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: SEED-PR
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A diversidade valorizada

Valorizar a realidade do outro é o movimento mais

revolucionário dos nossos tempos.

A humanidade, como um todo, às vezes parece um ébrio que avança cambaleante, que titubeia à esquerda, deambula à direta, retrocede meio passo e, aos poucos, avança imprecisamente. Talvez se assemelhe melhor a um infante, quiçá a um bebê, que, inseguro, busca firmar seus passos e a quem a queda se apresenta não como mandatária, mas como experiência.

Todos nós, relutantes e amedrontados, transformamos a nossa realidade num lar, onde nos aconchegamos, repousamos e alardeamos ser este o nosso espaço possível, o único seguro. Fora deste “nosso lar” nada existe – e, se existir, é perigoso, é uma ameaça que precisa ser eliminada.

Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam?I Cada pessoa se depara com algo que gostaria de negar, precisa ver o que não gostaria de reconhecer e é colocada próxima daquilo de que gostaria de manter distância: o outro, a outra.

O “outro” impõe sua existência, está às vistas, circula na proximidade. Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra?II A realidade do outro e da outra não é mono, mas polissêmica; não é rotina, mas festejo; não é única, mas diversa. Assim, a diversidade se introduz como hóspede inoportuna, com galhardia imprópria. Desfila a si mesma, desarticulando nossa insegura e medrosa rotina.

O momento exige que o infante ébrio firme seus passos, encare o percurso, sorria desafiante e acalente um sonho. Deve -se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada. Para isso, uma transformação se impõe e é preciso pôr em prática um vasto e generoso escambo, ir para a vida disposto a trocar o resultado pela paz interior, o falo pelo afeto, o linear pelo cíclico, a lógica pelo fenômeno, a colheita pelo plantio, a certeza pela dúvida, a razão pela vivência.

A diversidade elogiada se revela sorrateira e cativante nas suas múltiplas dobras, num convite claro para que a humanidade visualize a si mesma, encare-se como totalidade e não exclua de si a sua essência: o diverso. Negar a diversidade é impossível, por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias – com alcunha de ciência ou nome de algum deus – que fazem classificações de “superiores” e “inferiores”. Desta forma, o modo de lidar com a diversidade se torna sutil e perverso. Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o “outro” é inferior carrega a lógica da dominação?III

O relato sobre a diversidade laudável se torna extenso, mas também pode ser sucintamente apresentado, desde que sejam abandonados esquemas mentais de negação do(a) outro(a). Se esse passo for dado, a diversidade surge resplandecente, como joia desejada, que contabiliza para o tesouro da humanidade.

Invertendo esse sonho, a pobreza se torna nosso legado, pois, quando uma cultura desaparece, junto some uma maneira de interpretar a realidade; quando um idioma para de ser falado, cessa junto um jeito de expressar a palavra “mundo”; quando uma religião finda, empobrecem as sendas da humanidade na busca pelo sagrado; quando uma etnia é ocultada, é o olhar de todos que fica embaçado; quando uma expressão de gênero é perseguida, a humanidade revela sua própria infelicidade. Por fim, quando um humano é discriminado por aqueles que detêm o poder, todos correm riscos, pois o poder muda de mãos, mas a sua lógica, nunca.

Passamos de uma pauta pessoal para uma pauta política e coletiva, porque, quando se acalenta que um simples fragmento de diversidade possa ser excluído, dá-se a dica e a permissão para nossa própria exclusão. Sim, negar a diversidade é a mais sutil e astuta agenda dos ditadores de plantão. Os regimes autoritários não podem permitir que o diverso exista, já que cultuam a si mesmos. Eles precisam suplantar o outro, para fazer reluzir a própria egolatria. Preferem o espelho à janela e, mesmo com olhos abertos, só enxergam a própria face.

Valorizar a diversidade é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos, o mais democrático dos impulsos, a empreitada mais transformadora. Valorizar a diversidade é raciocinar a partir da premissa de que todos contam. O pão acumulado em uma mesa e que falta na mesa do outro é injusto; o religioso que se apresenta como o único representante do sagrado é mentiroso; o modelo de família trazido como o único verdadeiro é falso; o líder que se apregoa como a única opção é um usurpador; a etnia que se infla de superior é insegura; o padrão de afeto que precisa se impor é decepcionante. Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la. Em última instância, a diversidade é o reflexo da vida, que misteriosamente desliza à nossa frente em muitas formas, desvelando seu mistério.

(SANCHES, Mário Antonio. A diversidade valorizada. O Estado de São Paulo. Em: 18/09/2021. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/ noticias/espaco-aberto,a-diversidade-valorizada,70003842411.)

Em alguns momentos do texto, foram lançados questionamentos. Releia-os.

I. “Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam?”

II. “Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra?”

III. “Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o ‘outro’ é inferior carrega a lógica da dominação?”. Esses questionamentos foram utilizados como estratégia argumentativa e são conhecidos como perguntas retóricas.

Sua função, no texto é, sobretudo, a de:

 

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“O planejamento está previsto pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação (LDB – Lei nº 9.394 de 1996), como sendo ‘responsabilidade da instituição de ensino, junto com seu corpo docente, que, por sua vez, tem como incumbência não só ministrar os dias letivos e horas-aula estabelecidas, mas também participar de forma integral dos períodos dedicados ao planejamento, além de participar da elaboração da proposta pedagógica do estabelecimento de ensino a qual ele pertença’.”

(BRASIL, 1996, P. 6.)

Acerca do exposto e, ainda, considerando dois importantes documentos de planejamento escolar: o Projeto Político- -Pedagógico (PPP) e a Proposta Pedagógica Curricular (PPC), analise as premissas que tratam da relação entre ambos.

I. O PPP norteia o trabalho educativo proposto pela instituição de ensino como um todo, trazendo, no seu marco operacional, a PPC que expressa a forma como as concepções assumidas coletivamente serão efetivadas na prática pedagógica.

II. A PPC expressa os fundamentos conceituais, metodológicos e avaliativos de cada componente curricular ou área do conhecimento, elencados na matriz curricular. O PPP estabelece diretrizes básicas de funcionamento e de organização da escola, sempre integradas às normas comuns da rede ou do sistema a que pertence e do sistema nacional.

III. A base para a elaboração da PPC é a matriz curricular, com sua parte de Base Nacional Comum e de Parte Diversificada e/ou Flexível. O PPP tem, em sua estrutura, os encaminhamentos metodológicos, os recursos didáticos, os instrumentos e os critérios de avaliação docentes.

Está correto o que se afirma em

I, apenas.
I e II, apenas.
 

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“Em um ensino tradicional, baseado na transmissão de conteúdo, o estudante tem uma postura passiva diante dos processos de ensino e de aprendizagem, tendo a função de receber e absorver uma quantidade enorme de informações apresentadas pelo docente. Muitas vezes, não há espaço para o estudante se manifestar e se posicionar de forma crítica. Em oposição a isso, ao desenvolver práticas pedagógicas norteadas pela metodologia ativa, o estudante passa a assumir uma postura ativa, exercitando uma atitude crítica e construtiva, que fará dele um profissional melhor preparado.”

(Berbel, 2011; Souza; Iglesias; Pazin-Filho, 2014.)

Com base na citação e, ainda, considerando o desenvolvimento da autonomia e motivação dos alunos, pode-se inferir que o professor deve:

I. Usar linguagem formal.

II. Nutrir os recursos motivacionais internos.

III. Oferecer explicações racionais para o estudo de determinado conteúdo.

IV. Regulamentar o tempo e o ritmo de aprendizagem dos alunos.

V. Reconhecer e aceitar as expressões de sentimentos negativos dos alunos.

Estão corretas apenas as ações

II e III.
 

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A aprendizagem significativa instaura novamente na escola uma condição fundamental de nossa busca de conhecimento. Essa condição é a do desejo, ou seja, do conhecimento como necessidade, algo que “falta ser”, que ainda não é nos termos pretendidos ou aceitos pelo sujeito. No contexto da competência relacional, isso é interessante porque o desejo instaura-se como busca e como complementaridade. A busca supõe a devoção daquele que deseja, isto é, trabalho, compromisso, responsabilidade. Complementaridade supõe sair dos limites de onde se encontra e incluir um outro todo como parte. Marías analisa essa questão no plano do jogo, como forma de ilusão. Ou seja, o que anima os adversários em um jogo é a mesma ilusão: vencer. Essa ilusão corresponde ao que se chama de “desejo com argumento”, ou seja, como falta traduzida em ações de busca, dirigidas por um objetivo ou finalidade, ações que são reguladas por essa meta a ser alcançada. Daí a dupla condição para competência relacional: desejo e devoção. Desejo como fim ou direção. Devoção como meio ou instrumento. Ou, como quer a sabedoria popular: “quem ama, cuida”.

Desejo e devoção são cognitivos e afetivos ao mesmo tempo. Cognitivos porque supõem uma formulação, uma pergunta, hipótese ou proposição. Porque supõem construção de recursos, tomadas de decisão, avaliação reguladora etc. Afetivos porque supõem um querer, supõem a atribuição de uma significação pessoal, no sentido de que algo ainda não é para um sujeito, mas “deve” ser.

A aprendizagem significativa supõe que se encontre “eco” no sujeito a quem é proposta. Daí sua vinculação com uma forma relacional de competência. A aprendizagem significativa é uma das condições defendidas por Piaget para um método pedagógico ser construtivo. Significativa porque expressa essa categoria da paixão: deixar-se, como sujeito a ser atravessado por um objeto; por isso, estar envolvido, interessado, ativo, em tudo o que corresponde a sua assimilação. Por isso, Piaget, ao menos com as crianças, era muito crítico ao que chamava de “verbalismo da sala de aula”. O verbalismo refere-se às exposições orais (explicações) para crianças sobre temas que as excluem por sua natureza formal, conceptual, adulta. A consequência disso, não raro, é a presença de crianças apáticas, desinteressadas, passivas, ou, então, agitadas, indisciplinadas e pouco cooperativas. As mesmas exposições com adultos podem ser positivas, pois esses possuem mais recursos cognitivos para relacionarem-se com essa forma de linguagem. Ou seja, um adulto, mesmo que só escutando, tem recursos de pensamento para manter um “diálogo” ativo (anota, faz associações, concorda etc.) com o assunto que está sendo exposto.

(Lino de Macedo. Competências e

Habilidades: Elementos para uma Reflexão Pedagógica. Disponível em: http://portal.inep.gov.br. Fragmento.)

Considerando a realidade dos textos digitais e multimodais, de acordo com Roxane Rojo – mestre e doutora em Linguística Aplicada – a escola precisa “reestruturar seus processos de ensino-aprendizagem às novas configurações que se apresentam no mundo contemporâneo e globalizado e [...] tomar para si a tarefa de trabalhar com esses novos modos de ver/sentir/agir e de significar o mundo e a realidade social”. A afirmativa anterior, em relação ao tema explorado no texto em análise, pode ser vista como:

 

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A aprendizagem significativa instaura novamente na escola uma condição fundamental de nossa busca de conhecimento. Essa condição é a do desejoa, ou seja, do conhecimento como necessidade, algo que “falta ser”, que ainda não é nos termos pretendidos ou aceitosb pelo sujeito. No contexto da competência relacional, isso é interessante porque o desejo instaura-se como busca e como complementaridade. A busca supõe a devoção daquele que deseja, isto é, trabalho, compromisso, responsabilidade. Complementaridade supõe sair dos limites de onde se encontra e incluir um outro todo como parte. Marías analisa essa questão no plano do jogo, como forma de ilusão. Ou seja, o que anima os adversários em um jogo é a mesma ilusão: vencer. Essa ilusão corresponde ao que se chama de “desejo com argumento”, ou seja, como falta traduzida em ações de busca, dirigidas por um objetivo ou finalidade, ações que são reguladas por essa meta a ser alcançada. Daí a dupla condição para competência relacional: desejo e devoção. Desejo como fim ou direção. Devoção como meio ou instrumento. Ou, como quer a sabedoria popular: “quem ama, cuida”.

Desejo e devoção são cognitivos e afetivos ao mesmo tempo. Cognitivos porque supõem uma formulação, uma pergunta, hipótese ou proposição. Porque supõem construção de recursos, tomadas de decisão, avaliação reguladora etc. Afetivos porque supõem um querer, supõem a atribuição de uma significação pessoal, no sentido de que algo ainda não é para um sujeito, mas “deve” ser.

A aprendizagem significativa supõe que se encontre “eco” no sujeito a quem é propostac. Daí sua vinculação com uma forma relacional de competência. A aprendizagem significativa é uma das condições defendidas por Piaget para um método pedagógico ser construtivo. Significativa porque expressa essa categoria da paixão: deixar-se, como sujeito a ser atravessado por um objeto; por isso, estar envolvido, interessado, ativo, em tudo o que corresponde a sua assimilação. Por isso, Piaget, ao menos com as crianças, era muito crítico ao que chamava de “verbalismo da sala de aula”. O verbalismo refere-se às exposições orais (explicações) para crianças sobre temas que as excluem por sua natureza formal, conceptual, adulta. A consequência disso, não raro, é a presença de crianças apáticas, desinteressadas, passivasd, ou, então, agitadas, indisciplinadas e pouco cooperativas. As mesmas exposições com adultos podem ser positivas, pois esses possuem mais recursos cognitivos para relacionarem-se com essa forma de linguagem. Ou seja, um adulto, mesmo que só escutando, tem recursos de pensamento para manter um “diálogo” ativo (anota, faz associações, concorda etc.) com o assunto que está sendo exposto.

(Lino de Macedo. Competências e

Habilidades: Elementos para uma Reflexão Pedagógica. Disponível em: http://portal.inep.gov.br. Fragmento.)

Em relação ao emprego das regras de concordância de acordo com a gramática oficial, assinale a afirmativa correta.

 

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A aprendizagem significativa instaura novamente na escola uma condição fundamental de nossa busca de conhecimento. Essa condição é a do desejo, ou seja, do conhecimento como necessidade, algo que “falta ser”, que ainda não é nos termos pretendidos ou aceitos pelo sujeito. No contexto da competência relacional, isso é interessante porque o desejo instaura-se como busca e como complementaridade. A busca supõe a devoção daquele que deseja, isto é, trabalho, compromisso, responsabilidade. Complementaridade supõe sair dos limites de onde se encontra e incluir um outro todo como parte. Marías analisa essa questão no plano do jogo, como forma de ilusão. Ou seja, o que anima os adversários em um jogo é a mesma ilusão: vencer. Essa ilusão corresponde ao que se chama de “desejo com argumento”, ou seja, como falta traduzida em ações de busca, dirigidas por um objetivo ou finalidade, ações que são reguladas por essa meta a ser alcançada. Daí a dupla condição para competência relacional: desejo e devoção. Desejo como fim ou direção. Devoção como meio ou instrumento. Ou, como quer a sabedoria popular: “quem ama, cuida”.

Desejo e devoção são cognitivos e afetivos ao mesmo tempo. Cognitivos porque supõem uma formulação, uma pergunta, hipótese ou proposição. Porque supõem construção de recursos, tomadas de decisão, avaliação reguladora etc. Afetivos porque supõem um querer, supõem a atribuição de uma significação pessoal, no sentido de que algo ainda não é para um sujeito, mas “deve” ser.

A aprendizagem significativa supõe que se encontre “eco” no sujeito a quem é proposta. Daí sua vinculação com uma forma relacional de competência. A aprendizagem significativa é uma das condições defendidas por Piaget para um método pedagógico ser construtivo. Significativa porque expressa essa categoria da paixão: deixar-se, como sujeito a ser atravessado por um objeto; por isso, estar envolvido, interessado, ativo, em tudo o que corresponde a sua assimilação. Por isso, Piaget, ao menos com as crianças, era muito crítico ao que chamava de “verbalismo da sala de aula”. O verbalismo refere-se às exposições orais (explicações) para crianças sobre temas que as excluem por sua natureza formal, conceptual, adulta. A consequência disso, não raro, é a presença de crianças apáticas, desinteressadas, passivas, ou, então, agitadas, indisciplinadas e pouco cooperativas. As mesmas exposições com adultos podem ser positivas, pois esses possuem mais recursos cognitivos para relacionarem-se com essa forma de linguagem. Ou seja, um adulto, mesmo que só escutando, tem recursos de pensamento para manter um “diálogo” ativo (anota, faz associações, concorda etc.) com o assunto que está sendo exposto.

(Lino de Macedo. Competências e

Habilidades: Elementos para uma Reflexão Pedagógica. Disponível em: http://portal.inep.gov.br. Fragmento.)

Considerando as ideias e informações trazidas ao texto, pode-se afirmar que:

 

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2053114 Ano: 2021
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: SEED-PR
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Como caíram tantas águas,
nublou-se o horizonte,
nublou-se a floresta,
nublou-se o vale.

Cecília Meireles
in Mar Absoluto

A repetição das palavras no início de cada verso da estrofe destacada é um recurso estilístico que:

 

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2053113 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: SEED-PR
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A diversidade valorizada

Valorizar a realidade do outro é o movimento mais

revolucionário dos nossos tempos.

A humanidade, como um todo, às vezes parece um ébrio que avança cambaleante, que titubeia à esquerda, deambula à direta, retrocede meio passo e, aos poucos, avança imprecisamente. Talvez se assemelhe melhor a um infante, quiçá a um bebê, que, inseguro, busca firmar seus passos e a quem a queda se apresenta não como mandatária, mas como experiência.

Todos nós, relutantes e amedrontados, transformamos a nossa realidade num lar, onde nos aconchegamos, repousamos e alardeamos ser este o nosso espaço possível, o único seguro. Fora deste “nosso lar” nada existe – e, se existir, é perigoso, é uma ameaça que precisa ser eliminada.

Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam? Cada pessoa se depara com algo que gostaria de negar, precisa ver o que não gostaria de reconhecer e é colocada próxima daquilo de que gostaria de manter distância: o outro, a outra.

O “outro” impõe sua existência, está às vistas, circula na proximidade. Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra? A realidade do outro e da outra não é mono, mas polissêmica; não é rotina, mas festejo; não é única, mas diversa. Assim, a diversidade se introduz como hóspede inoportuna, com galhardia imprópria. Desfila a si mesma, desarticulando nossa insegura e medrosa rotina.

O momento exige que o infante ébrio firme seus passos, encare o percurso, sorria desafiante e acalente um sonho. Deve -se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada. Para isso, uma transformação se impõe e é preciso pôr em prática um vasto e generoso escambo, ir para a vida disposto a trocar o resultado pela paz interior, o falo pelo afeto, o linear pelo cíclico, a lógica pelo fenômeno, a colheita pelo plantio, a certeza pela dúvida, a razão pela vivência.

A diversidade elogiada se revela sorrateira e cativante nas suas múltiplas dobras, num convite claro para que a humanidade visualize a si mesma, encare-se como totalidade e não exclua de si a sua essência: o diverso. Negar a diversidade é impossível, por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias – com alcunha de ciência ou nome de algum deus – que fazem classificações de “superiores” e “inferiores”. Desta forma, o modo de lidar com a diversidade se torna sutil e perverso. Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o “outro” é inferior carrega a lógica da dominação?

O relato sobre a diversidade laudável se torna extenso, mas também pode ser sucintamente apresentado, desde que sejam abandonados esquemas mentais de negação do(a) outro(a). Se esse passo for dado, a diversidade surge resplandecente, como joia desejada, que contabiliza para o tesouro da humanidade.

Invertendo esse sonho, a pobreza se torna nosso legado, pois, quando uma cultura desaparece, junto some uma maneira de interpretar a realidade; quando um idioma para de ser falado, cessa junto um jeito de expressar a palavra “mundo”; quando uma religião finda, empobrecem as sendas da humanidade na busca pelo sagrado; quando uma etnia é ocultada, é o olhar de todos que fica embaçado; quando uma expressão de gênero é perseguida, a humanidade revela sua própria infelicidade. Por fim, quando um humano é discriminado por aqueles que detêm o poder, todos correm riscos, pois o poder muda de mãos, mas a sua lógica, nunca.

Passamos de uma pauta pessoal para uma pauta política e coletiva, porque, quando se acalenta que um simples fragmento de diversidade possa ser excluído, dá-se a dica e a permissão para nossa própria exclusão. Sim, negar a diversidade é a mais sutil e astuta agenda dos ditadores de plantão. Os regimes autoritários não podem permitir que o diverso exista, já que cultuam a si mesmos. Eles precisam suplantar o outro, para fazer reluzir a própria egolatria. Preferem o espelho à janela e, mesmo com olhos abertos, só enxergam a própria face.

Valorizar a diversidade é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos, o mais democrático dos impulsos, a empreitada mais transformadora. Valorizar a diversidade é raciocinar a partir da premissa de que todos contam. O pão acumulado em uma mesa e que falta na mesa do outro é injusto; o religioso que se apresenta como o único representante do sagrado é mentiroso; o modelo de família trazido como o único verdadeiro é falso; o líder que se apregoa como a única opção é um usurpador; a etnia que se infla de superior é insegura; o padrão de afeto que precisa se impor é decepcionante. Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la. Em última instância, a diversidade é o reflexo da vida, que misteriosamente desliza à nossa frente em muitas formas, desvelando seu mistério.

(SANCHES, Mário Antonio. A diversidade valorizada. O Estado de São Paulo. Em: 18/09/2021. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/ noticias/espaco-aberto,a-diversidade-valorizada,70003842411.)

De acordo com o texto, a negação da diversidade ou a negação do “outro” favorece a existência de:

 

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2053112 Ano: 2021
Disciplina: Português
Banca: Consulplan
Orgão: SEED-PR
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A diversidade valorizada

Valorizar a realidade do outro é o movimento mais

revolucionário dos nossos tempos.

A humanidade, como um todo, às vezes parece um ébrio que avança cambaleante, que titubeia à esquerda, deambula à direta, retrocede meio passo e, aos poucos, avança imprecisamente. Talvez se assemelhe melhor a um infante, quiçá a um bebê, que, inseguro, busca firmar seus passos e a quem a queda se apresenta não como mandatária, mas como experiência.

Todos nós, relutantes e amedrontados, transformamos a nossa realidade num lar, onde nos aconchegamos, repousamos e alardeamos ser este o nosso espaço possível, o único seguro. Fora deste “nosso lar” nada existe – e, se existir, é perigoso, é uma ameaça que precisa ser eliminada.

Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam? Cada pessoa se depara com algo que gostaria de negar, precisa ver o que não gostaria de reconhecer e é colocada próxima daquilo de que gostaria de manter distância: o outro, a outra.

O “outro” impõe sua existência, está às vistas, circula na proximidade. Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra? A realidade do outro e da outra não é mono, mas polissêmica; não é rotina, mas festejo; não é única, mas diversa. Assim, a diversidade se introduz como hóspede inoportuna, com galhardia imprópria. Desfila a si mesma, desarticulando nossa insegura e medrosa rotina.

O momento exige que o infante ébrio firme seus passos, encare o percurso, sorria desafiante e acalente um sonho. Deve -se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada. Para isso, uma transformação se impõe e é preciso pôr em prática um vasto e generoso escambo, ir para a vida disposto a trocar o resultado pela paz interior, o falo pelo afeto, o linear pelo cíclico, a lógica pelo fenômeno, a colheita pelo plantio, a certeza pela dúvida, a razão pela vivência.

A diversidade elogiada se revela sorrateira e cativante nas suas múltiplas dobras, num convite claro para que a humanidade visualize a si mesma, encare-se como totalidade e não exclua de si a sua essência: o diverso. Negar a diversidade é impossível, por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias – com alcunha de ciência ou nome de algum deus – que fazem classificações de “superiores” e “inferiores”. Desta forma, o modo de lidar com a diversidade se torna sutil e perverso. Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o “outro” é inferior carrega a lógica da dominação?

O relato sobre a diversidade laudável se torna extenso, mas também pode ser sucintamente apresentado, desde que sejam abandonados esquemas mentais de negação do(a) outro(a). Se esse passo for dado, a diversidade surge resplandecente, como joia desejada, que contabiliza para o tesouro da humanidade.

Invertendo esse sonho, a pobreza se torna nosso legado, pois, quando uma cultura desaparece, junto some uma maneira de interpretar a realidade; quando um idioma para de ser falado, cessa junto um jeito de expressar a palavra “mundo”; quando uma religião finda, empobrecem as sendas da humanidade na busca pelo sagrado; quando uma etnia é ocultada, é o olhar de todos que fica embaçado; quando uma expressão de gênero é perseguida, a humanidade revela sua própria infelicidade. Por fim, quando um humano é discriminado por aqueles que detêm o poder, todos correm riscos, pois o poder muda de mãos, mas a sua lógica, nunca.

Passamos de uma pauta pessoal para uma pauta política e coletiva, porque, quando se acalenta que um simples fragmento de diversidade possa ser excluído, dá-se a dica e a permissão para nossa própria exclusão. Sim, negar a diversidade é a mais sutil e astuta agenda dos ditadores de plantão. Os regimes autoritários não podem permitir que o diverso exista, já que cultuam a si mesmos. Eles precisam suplantar o outro, para fazer reluzir a própria egolatria. Preferem o espelho à janela e, mesmo com olhos abertos, só enxergam a própria face.

Valorizar a diversidade é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos, o mais democrático dos impulsos, a empreitada mais transformadora. Valorizar a diversidade é raciocinar a partir da premissa de que todos contam. O pão acumulado em uma mesa e que falta na mesa do outro é injusto; o religioso que se apresenta como o único representante do sagrado é mentiroso; o modelo de família trazido como o único verdadeiro é falso; o líder que se apregoa como a única opção é um usurpador; a etnia que se infla de superior é insegura; o padrão de afeto que precisa se impor é decepcionante. Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la. Em última instância, a diversidade é o reflexo da vida, que misteriosamente desliza à nossa frente em muitas formas, desvelando seu mistério.

(SANCHES, Mário Antonio. A diversidade valorizada. O Estado de São Paulo. Em: 18/09/2021. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/ noticias/espaco-aberto,a-diversidade-valorizada,70003842411.)

A principal ideia defendida pelo autor no texto é que:

 

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2067772 Ano: 2021
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: SEED-PR
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Um outro conviva se levantou. [...]

Esvaziou o copo cheio de vinho, e com a barba nas mãos alvas, com os olhos de verde-mar fixos, falou:

— Sabeis, uma mulher levou-me à perdição. Foi ela quem me queimou a fronte nas orgias, e desbotou-me os lábios no ardor dos vinhos e na moleza de seus beijos, quem me fez devassar pálido as longas noites de insônia nas mesas de jogo, e na doidice dos abraços convulsos com que ela me apertava o seio! [...]

(AZEVEDO, Álvares de. Noite na taverna.

In: BUENO, Alexei (Org.). Obra completa de Álvares de Azevedo. Rio de Janeiro: Nova Aguilar, 2000. Fragmento.)

Álvares de Azevedo, um dos grandes nomes do Romantismo no Brasil, apresenta no fragmento destacado:

Questão Anulada e Desatualizada

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