Foram encontradas 40 questões.
A diversidade valorizada
Valorizar a realidade do outro é o movimento mais
revolucionário dos nossos tempos.
A humanidade, como um todo, às vezes parece um ébrio que avança cambaleante, que titubeia à esquerda, deambula à direta, retrocede meio passo e, aos poucos, avança imprecisamente. Talvez se assemelhe melhor a um infante, quiçá a um bebê, que, inseguro, busca firmar seus passos e a quem a queda se apresenta não como mandatária, mas como experiência.
Todos nós, relutantes e amedrontados, transformamos a nossa realidade num lar, onde nos aconchegamos, repousamos e alardeamos ser este o nosso espaço possível, o único seguro. Fora deste “nosso lar” nada existe – e, se existir, é perigoso, é uma ameaça que precisa ser eliminada.
Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam? Cada pessoa se depara com algo que gostaria de negar, precisa ver o que não gostaria de reconhecer e é colocada próxima daquilo de que gostaria de manter distância: o outro, a outra.
O “outro” impõe sua existência, está às vistas, circula na proximidade. Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra? A realidade do outro e da outra não é mono, mas polissêmica; não é rotina, mas festejo; não é única, mas diversa. Assim, a diversidade se introduz como hóspede inoportuna, com galhardia imprópria. Desfila a si mesma, desarticulando nossa insegura e medrosa rotina.
O momento exige que o infante ébrio firme seus passos, encare o percurso, sorria desafiante e acalente um sonho. Deve -se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada. Para isso, uma transformação se impõe e é preciso pôr em prática um vasto e generoso escambo, ir para a vida disposto a trocar o resultado pela paz interior, o falo pelo afeto, o linear pelo cíclico, a lógica pelo fenômeno, a colheita pelo plantio, a certeza pela dúvida, a razão pela vivência.
A diversidade elogiada se revela sorrateira e cativante nas suas múltiplas dobras, num convite claro para que a humanidade visualize a si mesma, encare-se como totalidade e não exclua de si a sua essência: o diverso. Negar a diversidade é impossível, por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias – com alcunha de ciência ou nome de algum deus – que fazem classificações de “superiores” e “inferiores”. Desta forma, o modo de lidar com a diversidade se torna sutil e perverso. Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o “outro” é inferior carrega a lógica da dominação?
O relato sobre a diversidade laudável se torna extenso, mas também pode ser sucintamente apresentado, desde que sejam abandonados esquemas mentais de negação do(a) outro(a). Se esse passo for dado, a diversidade surge resplandecente, como joia desejada, que contabiliza para o tesouro da humanidade.
Invertendo esse sonho, a pobreza se torna nosso legado, pois, quando uma cultura desaparece, junto some uma maneira de interpretar a realidade; quando um idioma para de ser falado, cessa junto um jeito de expressar a palavra “mundo”; quando uma religião finda, empobrecem as sendas da humanidade na busca pelo sagrado; quando uma etnia é ocultada, é o olhar de todos que fica embaçado; quando uma expressão de gênero é perseguida, a humanidade revela sua própria infelicidade. Por fim, quando um humano é discriminado por aqueles que detêm o poder, todos correm riscos, pois o poder muda de mãos, mas a sua lógica, nunca.
Passamos de uma pauta pessoal para uma pauta política e coletiva, porque, quando se acalenta que um simples fragmento de diversidade possa ser excluído, dá-se a dica e a permissão para nossa própria exclusão. Sim, negar a diversidade é a mais sutil e astuta agenda dos ditadores de plantão. Os regimes autoritários não podem permitir que o diverso exista, já que cultuam a si mesmos. Eles precisam suplantar o outro, para fazer reluzir a própria egolatria. Preferem o espelho à janela e, mesmo com olhos abertos, só enxergam a própria face.
Valorizar a diversidade é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos, o mais democrático dos impulsos, a empreitada mais transformadora. Valorizar a diversidade é raciocinar a partir da premissa de que todos contam. O pão acumulado em uma mesa e que falta na mesa do outro é injusto; o religioso que se apresenta como o único representante do sagrado é mentiroso; o modelo de família trazido como o único verdadeiro é falso; o líder que se apregoa como a única opção é um usurpador; a etnia que se infla de superior é insegura; o padrão de afeto que precisa se impor é decepcionante. Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la. Em última instância, a diversidade é o reflexo da vida, que misteriosamente desliza à nossa frente em muitas formas, desvelando seu mistério.
(SANCHES, Mário Antonio. A diversidade valorizada. O Estado de São Paulo. Em: 18/09/2021. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/ noticias/espaco-aberto,a-diversidade-valorizada,70003842411.)
A coesão sequencial é um recurso utilizado nos textos com o propósito de articular as ideias apresentadas, atribuindo sequência lógica aos enunciados. Portanto, configura-se como um elemento fundamental para a coerência do texto. No entanto, frequentemente, enunciados são construídos sem a presença desses elementos, como ocorreu nesta passagem do texto. Releia-a.
“Deve-se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá- la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada.”
Embora não apresente elementos coesivos sequenciadores, é possível estabelecer uma relação de sentido entre as orações destacadas e as anteriores. Qual conector melhor articularia essas orações no período e qual seu valor sintático-semântico?
Provas
A diversidade valorizada
Valorizar a realidade do outro é o movimento mais
revolucionário dos nossos tempos.
A humanidade, como um todo, às vezes parece um ébrio que avança cambaleante, que titubeia à esquerda, deambula à direta, retrocede meio passo e, aos poucos, avança imprecisamente. Talvez se assemelhe melhor a um infante, quiçá a um bebê, que, inseguro, busca firmar seus passos e a quem a queda se apresenta não como mandatária, mas como experiência.
Todos nós, relutantes e amedrontados, transformamos a nossa realidade num lar, onde nos aconchegamos, repousamos e alardeamos ser este o nosso espaço possível, o único seguro. Fora deste “nosso lar” nada existe – e, se existir, é perigoso, é uma ameaça que precisa ser eliminada.c
Mas será que para trombetear que nosso lar é acolhedor precisamos exorcizar os lares alheios? Quando guturalmente explicitamos que nosso espaço é possível, estamos negando que outros existam? Cada pessoa se depara com algo que gostaria de negar, precisa ver o que não gostaria de reconhecer e é colocada próxima daquilo de que gostaria de manter distância: o outro, a outra.
O “outro” impõe sua existência, está às vistas, circula na proximidade.a Como vamos lidar com isso? Ou, ainda, como estamos percebendo este outro, esta outra? A realidade do outro e da outra não é mono, mas polissêmica; não é rotina, mas festejo; não é única, mas diversa. Assim, a diversidade se introduz como hóspede inoportuna, com galhardia imprópria. Desfila a si mesma, desarticulando nossa insegura e medrosa rotina.
O momento exige que o infante ébrio firme seus passos, encare o percurso, sorria desafiante e acalente um sonho. Deve -se festejar a diversidade, não apenas suportar sua presença; torná-la laudável, não um infortúnio imposto; anunciá-la abertamente, não a tratando como hóspede indesejada. Para isso, uma transformação se impõe e é preciso pôr em prática um vasto e generoso escambo, ir para a vida disposto a trocar o resultado pela paz interior, o falo pelo afeto, o linear pelo cíclico, a lógica pelo fenômeno, a colheita pelo plantio, a certeza pela dúvida, a razão pela vivência.
A diversidade elogiada se revela sorrateira e cativante nas suas múltiplas dobras, num convite claro para que a humanidade visualize a si mesma, encare-se como totalidade e não exclua de si a sua essência: o diverso. Negar a diversidade é impossível, por isso é que pessoas e povos com projetos de dominação forjam teorias – com alcunha de ciência ou nome de algum deus – que fazem classificações de “superiores” e “inferiores”. Desta forma, o modo de lidar com a diversidade se torna sutil e perversob. Seria, por acaso, tão difícil perceber que dizer que o “outro” é inferior carrega a lógica da dominação?
O relato sobre a diversidade laudável se torna extenso, mas também pode ser sucintamente apresentado, desde que sejam abandonados esquemas mentais de negação do(a) outro(a). Se esse passo for dado, a diversidade surge resplandecente, como joia desejada, que contabiliza para o tesouro da humanidade.
Invertendo esse sonho, a pobreza se torna nosso legado, pois, quando uma cultura desaparece, junto some uma maneira de interpretar a realidade; quando um idioma para de ser falado, cessa junto um jeito de expressar a palavra “mundo”; quando uma religião finda, empobrecem as sendas da humanidade na busca pelo sagrado; quando uma etnia é ocultada, é o olhar de todos que fica embaçado; quando uma expressão de gênero é perseguida, a humanidade revela sua própria infelicidade. Por fim, quando um humano é discriminado por aqueles que detêm o poder, todos correm riscos, pois o poder muda de mãos, mas a sua lógica, nunca.
Passamos de uma pauta pessoal para uma pauta política e coletiva, porque, quando se acalenta que um simples fragmento de diversidade possa ser excluído, dá-se a dica e a permissão para nossa própria exclusão. Sim, negar a diversidade é a mais sutil e astuta agenda dos ditadores de plantão. Os regimes autoritários não podem permitir que o diverso exista, já que cultuam a si mesmos. Eles precisam suplantar o outro, para fazer reluzir a própria egolatria. Preferem o espelho à janela e, mesmo com olhos abertos, só enxergam a própria face.
Valorizar a diversidade é o movimento mais revolucionário dos nossos tempos, o mais democrático dos impulsosd, a empreitada mais transformadora. Valorizar a diversidade é raciocinar a partir da premissa de que todos contam. O pão acumulado em uma mesa e que falta na mesa do outro é injusto; o religioso que se apresenta como o único representante do sagrado é mentiroso; o modelo de família trazido como o único verdadeiro é falso; o líder que se apregoa como a única opção é um usurpador; a etnia que se infla de superior é insegura; o padrão de afeto que precisa se impor é decepcionante. Que a diversidade ecoe em nossos ouvidos como a música predileta. Que ela ocupe nossos pensamentos como nossos melhores sonhos. E que, vigilantes, possamos escrutinar nosso cotidiano, para que nunca, nem no menor aceno, possamos afastá-la. Em última instância, a diversidade é o reflexo da vida, que misteriosamente desliza à nossa frente em muitas formas, desvelando seu mistério.
(SANCHES, Mário Antonio. A diversidade valorizada. O Estado de São Paulo. Em: 18/09/2021. Disponível em: https://opiniao.estadao.com.br/ noticias/espaco-aberto,a-diversidade-valorizada,70003842411.)
O editorial lido pode ser enquadrado na tipologia dos textos argumentativos, uma vez que o autor apresenta seu ponto de vista sobre determinado tema e procura fundamentá-lo, utilizando, para isso, argumentos diversos, tais como fatos e opiniões. Assinale a alternativa que contém um FATO apresentado pelo autor no texto.
Provas
A Gramática: conhecimento e ensino
Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.
Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala.
Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.
E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.
[...]
Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.
(NEVES, Maria Helena de Moura.
A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Quanto à “função poética” da língua citada no último parágrafo do texto, pode-se afirmar que:
I. Está centrada na própria mensagem.
II. Valoriza a informação pela forma como é veiculada.
III. Veicula sentimentos, emoções e julgamentos do emissor.
IV. Emprega expressões que mantêm o contato com o interlocutor.
Está correto o que se afirma apenas em
Provas
A Gramática: conhecimento e ensino
Uma das perguntas que um professor de língua pátria se fazI constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.
Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a línguaII – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a línguaIII – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala.
Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.
E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.
[...]
Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.
(NEVES, Maria Helena de Moura.
A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Sobre os efeitos de sentido em relação ao tipo de sujeito é correto afirmar que ainda que haja explicitação do sujeito, o uso de termos genéricos contribui para que o grau de comprometimento do enunciado diminua. Tal ocorrência pode ser observada nos trechos:
I. “que um professor de língua pátria se faz”
II. “para que se assegure que ensinar eficientemente a língua”
III. “Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua”
Está correto o que se afirma em
Provas
A Gramática: conhecimento e ensino
Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.
Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala.
Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.
E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.
[...]
Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.
(NEVES, Maria Helena de Moura.
A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Considerando os 1º e 2º parágrafos do texto, marque V para as afirmativas verdadeiras e F para as falsas.
( ) Os questionamentos citados no 1º§ são abordados no 2º§ na expressão do ponto de vista da autora.
( ) A articulista mostra-se contrária à tipologia argumentativa referente à abordagem de assuntos relevantes.
( ) A autora utiliza como recurso da argumentação, na introdução do texto, a exposição de questionamentos próprios a respeito da temática textual.
( ) Os questionamentos apresentados na introdução do texto são perguntas diretas, retóricas e objetivas, cujo propósito é propiciar ao interlocutor a possibilidade de refletir acerca do assunto em questão.
A sequência está correta em
Provas
A Gramática: conhecimento e ensino
Uma das perguntas que um professor de língua pátria se fazI constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.
Não é necessária muita argumentação para que se assegureII que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala.
Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.
E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.
[...]
Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendiaIII (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.
(NEVES, Maria Helena de Moura.
A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
De acordo com o emprego e contexto em que as palavras aparecem no texto é possível identificar diferentes classificações e funções. Considerando a afirmação anterior, analise o emprego da palavra “se” nos trechos destacados a seguir:
I. “Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz [...]” – conjunção coordenativa
II. “Não é necessária muita argumentação para que se assegure [...]” – índice de indeterminação do sujeito
III. “[...] é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia [...]” – conjunção subordinativa
A correspondência está correta apenas em
Provas
A Gramática: conhecimento e ensino
Uma das perguntas que um professor de língua pátria se faz constantemente é, com certeza, o que significa, em termos operacionais, gramática, e, a partir daí, o que representa, em sala de aula, ensinar gramática.
Não é necessária muita argumentação para que se assegure que ensinar eficientemente a língua – e, portanto, a gramática – é, acima de tudo, propiciar e conduzir a reflexão sobre o funcionamento da linguagem, e de uma maneira, afinal, óbvia: indo pelo uso linguístico, para chegar aos resultados de sentido. Afinal, as pessoas falam – exercem a linguagem, usam a língua – para produzir sentidos, e, desse modo, estudar gramática é, exatamente, pôr sob exame o exercício da linguagem, o uso da língua, afinal, a fala.
Isso significa que a escola não pode criar no aluno a falsa e estéril noção de que falar e ler ou escrever não têm nada que ver com gramática.
E volto ao primeiro ponto, o que constitui a chave da questão, que é a noção do que seja gramática, e, então, do que seja a atividade de “ensinar” gramática.
[...]
Falar e escrever bem é, acima de tudo, ser bem-sucedido na interação. E isso ocorre de maneiras bastante diferentes, como diferentes forem as situações de comunicação e as funções privilegiadamente ativadas: é levar alguém a agir, se era isso o que o falante pretendia (e agir do modo como ele pretendia), é fazer alguém acreditar, se isso era o necessário no momento (e, como o que está em questão não é a ética, podemos até dizer: acreditar “entendendo”, se isso convinha, ou até acreditar “não entendendo”, se era o que convinha), e assim por diante; ou é, afinal, por exemplo, obter apenas fruição do interlocutor, se a predominância da “função poética” era pretendida.
(NEVES, Maria Helena de Moura.
A gramática: conhecimento e ensino. In: Língua Portuguesa em debate. José Carlos de Azeredo (Org.). Ed. Vozes Ltda. Fragmento.)
Pode-se afirmar que o título do texto indica:
Provas
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: SEED-PR
“Uma noite destas, vindo da cidade para o Engenho Novo, encontrei num trem da Central um rapaz aqui do bairro, que eu conheço de vista e de chapéu. Cumprimentou-me, sentou-se ao pé de mim, falou da lua e dos ministros, e acabou recitando- -me versos. A viagem era curta, e os versos pode ser que não fossem inteiramente maus. Sucedeu, porém, que, como eu estava cansado, fechei os olhos três ou quatro vezes; tanto bastou para que ele interrompesse a leitura e metesse os versos no bolso.”
(Machado de Assis. Dom Casmurro. Disponível em: www.dominiopublico. gov.br. Com adaptações.)
O trecho anterior dá início ao romance Dom Casmurro, obra de Machado de Assis. Considerando a estética literária a qual pertence esta obra, assinale a afirmativa correta.
Provas
Disciplina: Literatura Brasileira e Estrangeira
Banca: Consulplan
Orgão: SEED-PR
Amor adiado
[...]
Excomungado dos teus beijos
resta-me o singular destino
de pingar pétala a pétala
toda a geografia cuidadosamente recortada
à imagem incerta das nossas veias
e mesmo assim existir
inventar o amor
com dálias murchas de amargura.
[...]
(MUTEIA, Hélder. Verdade dos mitos. Moçambique: Associação dos Escritores Moçambicanos.)
O tema apresentado pelo moçambicano Hélder Muteia é universal; seu texto pode ser reconhecido como pertencente ao gênero lírico considerando:
Provas
Poesia e Prosa
Pode-se escrever em prosa ou em verso.
Quando se escreve em prosa,
a gente enche a linha do caderno até o fim,
antes de passar para a outra linha.
E assim por diante até o fim da página.
Em poesia não: a gente muda de linha antes do fim,
deixando um espaço em branco antes de ir para a linha
seguinte.
Essas linhas incompletas se chamam de versos.
Acho que o espaço em branco é para o leitor poder ficar
pensando.
Pensando bem no que o poeta acabou de dizer.
Algumas vezes, lendo um verso, a gente tem de
voltar aos versos de trás para entender
melhor o que ele quer dizer.
Principalmente quando há uma rima, isto é,
uma palavra com o mesmo som de outra lida há pouco.
Então a gente vai procurá-la para ver se é isso mesmo.
A prosa é como trem, vai sempre em frente.
A poesia é como o pêndulo dos relógios de parede de
antigamente,
que ficava balançando de um lado para outro.
Embora balançasse sempre no mesmo lugar,
o pêndulo não marcava sempre a mesma hora.
Avançava de minuto a minuto,
registrando a passagem das horas: 1, 2, 3, até 12.
Também a poesia vai marcando,
na passagem da vida, cada minuto importante dela.
De tanto ir e vir de um verso a outro,
de uma rima a outra,
a gente acaba decorando um poema e guardando-o na
memória.
E quando vê acontecer alguma coisa parecida
com um poema que já leu, a gente logo se recorda dele.
Geralmente, a prosa entra por um ouvido e sai pelo outro.
A poesia, não: entra pelo ouvido e fica no coração.
(PAES, José Paulo. Vejam como eu sei escrever. São Paulo: Ática, 2003.)
É possível identificar no poema o emprego de expressões metafóricas na produção de sentidos que refletem a intencionalidade textual proposta. Em relação à assertiva anterior, é correto afirmar que:
Provas
Caderno Container