Foram encontradas 120 questões.
Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III
a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita
para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As
escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos
maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de
arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca
imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,
contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que
se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do
enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por
rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,
atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.
Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas
paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de
Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas
paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma
de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os
arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de
Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance
das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não
levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação
dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca
estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas
de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a
materialidade dos meios de comunicação?
O conceito de materialidade da comunicação supõe a
reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores
de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,
transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de
comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da
cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de
comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época
determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular
de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na
Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o
cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias
—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto
a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e
o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da
que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos
impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito
comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem
um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.
Compreender, portanto, como tais materialidades influem na
elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender
como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.
João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações
Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.
Provas
Fundada por Ptolomeu Filadelfo, no início do século III
a.C., a biblioteca de Alexandria representa uma epígrafe perfeita
para a discussão sobre a materialidade da comunicação. As
escavações para a localização da biblioteca, sem dúvida um dos
maiores tesouros da Antiguidade, atraíram inúmeras gerações de
arqueólogos. Inutilmente. Tratava-se então de uma biblioteca
imaginária, cujos livros talvez nunca tivessem existido? Persistiam,
contudo, numerosas fontes clássicas que descreviam o lugar em que
se encontravam centenas de milhares de rolos. E eis a solução do
enigma. O acervo da biblioteca de Alexandria era composto por
rolos e não por livros — pressuposição por certo ingênua, ou seja,
atribuição anacrônica de nossa materialidade para épocas diversas.
Em vez de um conjunto de salas com estantes dispostas
paralelamente e enfeixadas em um edifício próprio, a biblioteca de
Alexandria consistia em uma série infinita de estantes escavadas nas
paredes da tumba de Ramsés. Ora, mas não era essa a melhor forma
de colecionar rolos, preservando-os contra as intempéries? Os
arqueólogos que passaram anos sem encontrar a biblioteca de
Alexandria sempre a tiveram diante dos olhos, mesmo ao alcance
das mãos. No entanto, jamais poderiam localizá-la, já que não
levaram em consideração a materialidade dos meios de comunicação
dominante na época: eles, na verdade, procuravam uma biblioteca
estruturada para colecionar livros e não rolos. Quantas bibliotecas
de Alexandria permanecem ignoradas devido à negligência com a
materialidade dos meios de comunicação?
O conceito de materialidade da comunicação supõe a
reconstrução da materialidade específica mediante a qual os valores
de uma cultura são, de um lado, produzidos e, de outro,
transmitidos. Tal materialidade envolve tanto o meio de
comunicação quanto as instituições responsáveis pela reprodução da
cultura e, em um sentido amplo, inclui as relações entre meio de
comunicação, instituições e hábitos mentais de uma época
determinada. Vejamos: para o entendimento de uma forma particular
de comunicação — por exemplo, o teatro na Grécia clássica ou na
Inglaterra elizabetana; o romance nos séculos XVIII e XIX; o
cinema e a televisão no século XX; o computador em nossos dias
—, o estudioso deve reconstruir tanto as condições históricas quanto
a materialidade do meio de comunicação. Assim, no teatro, a voz e
o corpo do ator constituem uma materialidade muito diferente da
que será criada pelo advento e difusão da imprensa, pois os tipos
impressos tendem, ao contrário, a excluir o corpo do circuito
comunicativo. Já os meios audiovisuais e informáticos promovem
um certo retorno do corpo, mas sob o signo da virtualidade.
Compreender, portanto, como tais materialidades influem na
elaboração do ato comunicativo é fundamental para se entender
como chegam a interferir na própria ordenação da sociedade.
João C. de C. Rocha. A matéria da materialidade: como localizar a biblioteca de Alexandria? In: João C. de C. Rocha (Org.). Interseções: a materialidade da comunicação. Rio de Janeiro: Imago; EDUERJ, 1998, p. 12, 14-15 (com adaptações
Com relação às ideias e estruturas linguísticas do texto, julgue o item a seguir.
Provas
Considerando o texto acima e o assunto nele abordado, julgue o item.
Provas
Considerando o texto acima e o assunto nele abordado, julgue o item.
Provas
A China, principal motor da economia global, reduziu sua meta de crescimento, o que não só derrubou as bolsas de valores pelo mundo, como trouxe preocupações para países como o Brasil, grande exportador de commodities. Com os Estados Unidos da América, a Europa e o Japão em recessão ou com crescimento fraco, a China não pode depender das exportações, devendo priorizar o mercado consumidor interno, segundo o primeiro-ministro Wen Jiabao.
Folha de S.Paulo, 3/3/2012, p. A12 (com adaptações).
Provas
- Anos2013 e Anteriores
- MundoEconomia Internacional
- MundoPolítica Internacional
- BrasilPolítica Brasileira
- Economia
A China, principal motor da economia global, reduziu sua meta de crescimento, o que não só derrubou as bolsas de valores pelo mundo, como trouxe preocupações para países como o Brasil, grande exportador de commodities. Com os Estados Unidos da América, a Europa e o Japão em recessão ou com crescimento fraco, a China não pode depender das exportações, devendo priorizar o mercado consumidor interno, segundo o primeiro-ministro Wen Jiabao.
Folha de S.Paulo, 3/3/2012, p. A12 (com adaptações).
Provas
A China, principal motor da economia global, reduziu sua meta de crescimento, o que não só derrubou as bolsas de valores pelo mundo, como trouxe preocupações para países como o Brasil, grande exportador de commodities. Com os Estados Unidos da América, a Europa e o Japão em recessão ou com crescimento fraco, a China não pode depender das exportações, devendo priorizar o mercado consumidor interno, segundo o primeiro-ministro Wen Jiabao.
Folha de S.Paulo, 3/3/2012, p. A12 (com adaptações).
Provas
A China, principal motor da economia global, reduziu sua meta de crescimento, o que não só derrubou as bolsas de valores pelo mundo, como trouxe preocupações para países como o Brasil, grande exportador de commodities. Com os Estados Unidos da América, a Europa e o Japão em recessão ou com crescimento fraco, a China não pode depender das exportações, devendo priorizar o mercado consumidor interno, segundo o primeiro-ministro Wen Jiabao.
Folha de S.Paulo, 3/3/2012, p. A12 (com adaptações).
Provas
Julgue o item a seguir relativo ao Regimento Interno do Superior Tribunal de Justiça.
Provas
bibliográfica que deve ser julgada certa se estiver de acordo as
normas técnicas da Associação Brasileira de Normas Técnicas
(ABNT) para a área de informação e documentação, ou errada, em
caso contrário.
Provas
Caderno Container