Foram encontradas 220 questões.
Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinqüenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente à empresa de as congregar: o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma fizeram-lhes crer que eu era o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais nas práticas das virtudes. (...)
Não bastava associá-las; era preciso dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso ou achar uma forma nova ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado, o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.
A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.
Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática.
Machado de Assis. A Sereníssima República (conferência do cônego Vargas). In: Obra
completa. Vol. II. Contos. Papéis avulsos. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959, p. 337-8.
Julgue o seguinte item, que se refere a aspectos lingüísticos do texto.
O verbo ter está empregado no sentido de haver, existir, por isso mantém-se no singular, sem concordar com o sujeito da oração - "vinte aranhas".
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Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinqüenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente à empresa de as congregar: o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma fizeram-lhes crer que eu era o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais nas práticas das virtudes. (...)
Não bastava associá-las; era preciso dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso ou achar uma forma nova ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado, o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.
A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.
Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática.
Machado de Assis. A Sereníssima República (conferência do cônego Vargas). In: Obra
completa. Vol. II. Contos. Papéis avulsos. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959, p. 337-8.
No que se refere aos sentidos, à organização das idéias do texto e à tipologia textual, julgue o item
No texto, a comparação estabelecida entre o tempo e um trabalhador que faz questão de cumprir, ele mesmo, o seu ofício serve de crítica aos governos vigentes, que o autor do texto considera mesquinhos.
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Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinqüenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente à empresa de as congregar: o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma fizeram-lhes crer que eu era o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais nas práticas das virtudes. (...)
Não bastava associá-las; era preciso dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso ou achar uma forma nova ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado, o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.
A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.
Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática.
Machado de Assis. A Sereníssima República (conferência do cônego Vargas). In: Obra
completa. Vol. II. Contos. Papéis avulsos. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959, p. 337-8.
No que se refere aos sentidos, à organização das idéias do texto e à tipologia textual, julgue o item
No texto, uma característica da república escolhida para ser instaurada na sociedade das aranhas é explicitada na expressão "sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo".
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Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinqüenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente à empresa de as congregar: o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma fizeram-lhes crer que eu era o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais nas práticas das virtudes. (...)
Não bastava associá-las; era preciso dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso ou achar uma forma nova ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado, o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.
A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.
Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática.
Machado de Assis. A Sereníssima República (conferência do cônego Vargas). In: Obra
completa. Vol. II. Contos. Papéis avulsos. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959, p. 337-8.
No que se refere aos sentidos, à organização das idéias do texto e à tipologia textual, julgue o item
Na frase "E vede o benefício desta ilusão", o narrador dirige-se diretamente às aranhas.
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Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinqüenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente à empresa de as congregar: o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma fizeram-lhes crer que eu era o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais nas práticas das virtudes. (...)
Não bastava associá-las; era preciso dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso ou achar uma forma nova ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado, o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.
A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.
Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática.
Machado de Assis. A Sereníssima República (conferência do cônego Vargas). In: Obra
completa. Vol. II. Contos. Papéis avulsos. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959, p. 337-8.
No que se refere aos sentidos, à organização das idéias do texto e à tipologia textual, julgue o item
Para o criador da sociedade das aranhas, a prática das virtudes é condição natural dos que crêem em Deus.
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Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinqüenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente à empresa de as congregar: o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma fizeram-lhes crer que eu era o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais nas práticas das virtudes. (...)
Não bastava associá-las; era preciso dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso ou achar uma forma nova ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado, o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.
A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.
Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática.
Machado de Assis. A Sereníssima República (conferência do cônego Vargas). In: Obra
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No que se refere aos sentidos, à organização das idéias do texto e à tipologia textual, julgue o item
Infere-se da leitura do texto que dois fatores se destacam nas relações sociais de poder: a unidade lingüística e o sentimento de medo incutido no outro.
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Dentro de um mês tinha comigo vinte aranhas; no mês seguinte cinqüenta e cinco; em março de 1877 contava quatrocentas e noventa. Duas forças serviram principalmente 4 à empresa de as congregar: o emprego da língua delas, desde que pude discerni-la um pouco, e o sentimento de terror que lhes infundi. A minha estatura, as vestes talares, o uso do mesmo idioma fizeram-lhes crer que eu era o deus das aranhas, e desde então adoraram-me. E vede o benefício desta ilusão. Como as acompanhasse com muita atenção e miudeza, lançando em um livro as observações que fazia, cuidaram que o livro era o registro dos seus pecados, e fortaleceram-se ainda mais nas práticas das virtudes. (...)
Não bastava associá-las; era preciso dar-lhes um governo idôneo. Hesitei na escolha; muitos dos atuais pareciam-me bons, alguns excelentes, mas todos tinham contra si o existirem. Explico-me. Uma forma vigente de governo ficava exposta a comparações que poderiam amesquinhá-la. Era-me preciso ou achar uma forma nova ou restaurar alguma outra abandonada. Naturalmente adotei o segundo alvitre, e nada me pareceu mais acertado do que uma república, à maneira de Veneza, o mesmo molde, e até o mesmo epíteto. Obsoleto, sem nenhuma analogia, em suas feições gerais, com qualquer outro governo vivo, cabia-lhe ainda a vantagem de um mecanismo complicado, o que era meter à prova as aptidões políticas da jovem sociedade.
A proposta foi aceita. Sereníssima República pareceu-lhes um título magnífico, roçagante, expansivo, próprio a engrandecer a obra popular.
Não direi, senhores, que a obra chegou à perfeição, nem que lá chegue tão cedo. Os meus pupilos não são os solários de Campanela ou os utopistas de Morus; formam um povo recente, que não pode trepar de um salto ao cume das nações seculares. Nem o tempo é operário que ceda a outro a lima ou o alvião; ele fará mais e melhor do que as teorias do papel, válidas no papel e mancas na prática.
Machado de Assis. A Sereníssima República (conferência do cônego Vargas). In: Obra
completa. Vol. II. Contos. Papéis avulsos. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1959, p. 337-8.
No que se refere aos sentidos, à organização das idéias do texto e à tipologia textual, julgue o item
O autor do texto, por meio de narrativa alegórica, uma parábola, expõe seu ponto de vista acerca do comportamento humano e da organização política e social.
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Ao apresentar a perspectiva local como inferior
à perspectiva global, como incapaz de entender, de explicar e, em
última análise, de tirar proveito da complexidade do mundo
contemporâneo, a concepção global atualmente dominante tem como objetivo
fortalecer a instauração de um único código unificador de comportamento
humano, e abre o caminho para a realização do sonho definitivo de
economias globais de escala. Como resultado deste processo, o "modelo
econômico" alcança sua perfeição, que não é somente descrever o mundo,
mas efetivamente governá-lo. E esta é a essência mesma do paradigma
moderno de desenvolvimento e de progresso, cujo estágio supremo de
perfeição a globalização representa.
Fica claro que a escala não
poderia ser melhor ou maior do que sendo global e é somente neste nível
que a sua primazia e universalidade são finalmente afirmadas, junto com a
certeza de que jamais poderia surgir alguma alternativa viável ao
sistema ideologicamente dominante fundado no livre mercado, dada a
ausência de qualquer cultura ou sistema de pensamento alternativo.
Se
virmos o fenômeno da globalização sob esta luz, creio que não poderemos
escapar da conclusão de que o processo é totalmente coerente com as
premissas da ideologia econômica que têm se afirmado como a forma
dominante de representação do mundo ao longo dos últimos 100 anos,
aproximadamente.
A globalização não é, portanto, um acontecimento
acidental ou um excesso extravagante, mas uma extensão simples e lógica
de um "argumento". Parece realmente muito difícil conceber um resultado
final que fizesse mais sentido e fosse mais coerente com as bases
ideológicas sobre as quais está fundado. Em suma, a globalização
representa a realização acabada e a perfeição do projeto de modernidade e
de seu paradigma de progresso.
G. Muzio. A globalização como o estágio de perfeição do paradigma
moderno: uma estratégia possível para sobreviver à coerência do processo.
Trad. Luís Cláudio Amarante. In: Francisco de Oliveira e Maria Célia Paoli (Org.).
Os sentidos da democracia. Políticas do dissenso e hegemonia global.
2.ª ed. Petrópolis - RJ: Vozes; Brasília: NEDIC, 1999, p. 138-9 (com adaptações).
Tendo o texto apresentado como referência inicial e considerando aspectos marcantes da realidade econômica e política mundial contemporânea, julgue o item que se segue.
Surgida no pós-Segunda Guerra Mundial para agir no contexto da guerra fria, a Organização das Nações Unidas (ONU) parece estar, na atualidade, em situação de crise, não sendo raras as oportunidades em que suas sugestões e decisões são desconsideradas, tal como ocorreu na última invasão do Iraque.
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Ao apresentar a perspectiva local como inferior
à perspectiva global, como incapaz de entender, de explicar e, em
última análise, de tirar proveito da complexidade do mundo
contemporâneo, a concepção global atualmente dominante tem como objetivo
fortalecer a instauração de um único código unificador de comportamento
humano, e abre o caminho para a realização do sonho definitivo de
economias globais de escala. Como resultado deste processo, o "modelo
econômico" alcança sua perfeição, que não é somente descrever o mundo,
mas efetivamente governá-lo. E esta é a essência mesma do paradigma
moderno de desenvolvimento e de progresso, cujo estágio supremo de
perfeição a globalização representa.
Fica claro que a escala não
poderia ser melhor ou maior do que sendo global e é somente neste nível
que a sua primazia e universalidade são finalmente afirmadas, junto com a
certeza de que jamais poderia surgir alguma alternativa viável ao
sistema ideologicamente dominante fundado no livre mercado, dada a
ausência de qualquer cultura ou sistema de pensamento alternativo.
Se
virmos o fenômeno da globalização sob esta luz, creio que não poderemos
escapar da conclusão de que o processo é totalmente coerente com as
premissas da ideologia econômica que têm se afirmado como a forma
dominante de representação do mundo ao longo dos últimos 100 anos,
aproximadamente.
A globalização não é, portanto, um acontecimento
acidental ou um excesso extravagante, mas uma extensão simples e lógica
de um "argumento". Parece realmente muito difícil conceber um resultado
final que fizesse mais sentido e fosse mais coerente com as bases
ideológicas sobre as quais está fundado. Em suma, a globalização
representa a realização acabada e a perfeição do projeto de modernidade e
de seu paradigma de progresso.
G. Muzio. A globalização como o estágio de perfeição do paradigma
moderno: uma estratégia possível para sobreviver à coerência do processo.
Trad. Luís Cláudio Amarante. In: Francisco de Oliveira e Maria Célia Paoli (Org.).
Os sentidos da democracia. Políticas do dissenso e hegemonia global.
2.ª ed. Petrópolis - RJ: Vozes; Brasília: NEDIC, 1999, p. 138-9 (com adaptações).
Tendo o texto apresentado como referência inicial e considerando aspectos marcantes da realidade econômica e política mundial contemporânea, julgue o item que se segue.
A força avassaladora da globalização destruiu as manifestações nacionalistas que sempre caracterizaram a história contemporânea. Assim, movimentos separatistas ou de independência nacional deixaram de existir, e os próprios governos nacionais se vêem impelidos a acatar decisões vindas do exterior.
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Ao apresentar a perspectiva local como inferior
à perspectiva global, como incapaz de entender, de explicar e, em
última análise, de tirar proveito da complexidade do mundo
contemporâneo, a concepção global atualmente dominante tem como objetivo
fortalecer a instauração de um único código unificador de comportamento
humano, e abre o caminho para a realização do sonho definitivo de
economias globais de escala. Como resultado deste processo, o "modelo
econômico" alcança sua perfeição, que não é somente descrever o mundo,
mas efetivamente governá-lo. E esta é a essência mesma do paradigma
moderno de desenvolvimento e de progresso, cujo estágio supremo de
perfeição a globalização representa.
Fica claro que a escala não
poderia ser melhor ou maior do que sendo global e é somente neste nível
que a sua primazia e universalidade são finalmente afirmadas, junto com a
certeza de que jamais poderia surgir alguma alternativa viável ao
sistema ideologicamente dominante fundado no livre mercado, dada a
ausência de qualquer cultura ou sistema de pensamento alternativo.
Se
virmos o fenômeno da globalização sob esta luz, creio que não poderemos
escapar da conclusão de que o processo é totalmente coerente com as
premissas da ideologia econômica que têm se afirmado como a forma
dominante de representação do mundo ao longo dos últimos 100 anos,
aproximadamente.
A globalização não é, portanto, um acontecimento
acidental ou um excesso extravagante, mas uma extensão simples e lógica
de um "argumento". Parece realmente muito difícil conceber um resultado
final que fizesse mais sentido e fosse mais coerente com as bases
ideológicas sobre as quais está fundado. Em suma, a globalização
representa a realização acabada e a perfeição do projeto de modernidade e
de seu paradigma de progresso.
G. Muzio. A globalização como o estágio de perfeição do paradigma
moderno: uma estratégia possível para sobreviver à coerência do processo.
Trad. Luís Cláudio Amarante. In: Francisco de Oliveira e Maria Célia Paoli (Org.).
Os sentidos da democracia. Políticas do dissenso e hegemonia global.
2.ª ed. Petrópolis - RJ: Vozes; Brasília: NEDIC, 1999, p. 138-9 (com adaptações).
Tendo o texto apresentado como referência inicial e considerando aspectos marcantes da realidade econômica e política mundial contemporânea, julgue o item que se segue.
Os êxitos econômicos obtidos pela China, nos últimos anos, devem ser explicados por diversos fatores, entre os quais se destacam o enrijecimento de sua opção pelo socialismo e a recusa em promover reformas que abrissem sua economia aos capitais privados, nacionais ou internacionais.
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